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51 4 OS ASQUELMINTOS Os asquelmintos so representados por um grupo heterogneo de animais marinhos e de gua doce, que apresentam simetria bilateral. Embora anteriormente reconhecidos como classe dentro do filo Aschelminthes, cada uma das antigas classes hoje designada como um filo distinto. No entanto, o nome informal de asquelmintos ainda um termo conveniente para todo o grupo. A maioria dos asquelmintos de vida livre de animais vermiformes pequenos, variando de um tamanho microscpico at 1cm de comprimento. Os protonefrdeos so rgo excretores tpicos. Embora a parte anterior do corpo porte a boca e os rgos sensoriais, no h cabea bem formada. O trato digestivo um tubo completo que possui boca e nus. Historicamente, os asquelmintos foram descritos como animais pseudocelomados, significando que tinham uma cavidade preenchida por fluidos e revestida por epitlio celmico, surgido como uma blastocele embrionria persistente. No entanto, a pesquisa ultra-estrutural e embriolgica nos ltimos 30 anos demonstrou que muitos asquelmintos no tem absolutamente cavidade corporal, ou seja, so acelomados. Entretanto, alguns asquelmintos como os rotferos, por exemplo, possuem uma cavidade tradicionalmente chamada de pseudoceloma. A seguir, faremos uma breve descrio dos filos mais representativos do grupo asquelminto. Principais filos: GASTROTRICHA, ROTIFERA e NEMATODA

4.1 Filo Gastrotricha(do grego: gaster, estmago; trix, cabelo) um pequeno filo com cerca de 430 espcies entre marinhas e de gua doce, que habitam os espaos intersticiais dos sedimentos e dos detritos superficiais, das superfcies de plantas e animais submersos e filmes de gua das partculas do solo. So, portanto, animais comuns em lagoas, crrego, lagos e mares (litoral). Tm dimenses microscpicas (50m a 1mm comprimento) na maioria, clios na parte ventral e tufos de clios na cabea (anterior). O corpo em forma de pino de boliche ou de fita achatado ventralmente e arqueado dorsalmente (figura 30). A locomoo se d por deslizamento. Posteriormente, o tronco geralmente porta dois ou mais rgo adesivos, contendo sistemas glandulares duplos que permitem a adeso temporria ao substrato. Celoma, sistema circulatrio e de trocas gasosas ausentes. Alimentam-se de bactrias, protistas e detritos, levados at a boca pelo batimento dos clios bucais ou por bombeamento farngeo. A digesto gastrointestinal e o intestino completo com nus subterminal. As espcies de gua doce tm um par de protonefrdios responsveis pela excreo. O sistema nervoso, com um gnglio em cada lado da faringe, unido dorsalmente por uma comissura e um par de cordes longitudinais. So hermafroditas ou partenogenticos. Fato curioso ocorre na Ordem Chaetonotida: existem somente fmeas partenogenticas.

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Figura 30: A) e B) Gastrtrico generalizado da ordem Macrodasyda e C) e D) Gastrtrico generalizado da ordem Chaetonida.

4.2 Filo Rotifera (do latim: rota, roda; ferre, carregar, portar) O filo Rotifera contm animais comuns, conhecidos como rotferos, que juntamente com os protozorios e crustceos pequenos dominam o zooplncton de gua doce e so importantes na reciclagem dos nutrientes nos sistemas aquticos. Embora existam algumas espcies marinhas e algumas que vivam em musgos, a maioria habita gua doce. O filo compe-se de cerca de 1800 espcies. A maioria dos rotferos tem de 0,1 a 1 mm de comprimento, somente um pouco mais compridos que os protozorios ciliados. Porm diferentemente dos protozorios, o corpo dos rotferos composto de cerca de 1000 clulas! A maioria de animais solitrios, de vida livre ou rastejantes, embora existam animais ssseis e coloniais. O corpo geralmente transparente, embora alguns rotferos paream verdes, alaranjados, vermelhos ou marrons, devido colorao do trato digestivo. Caractersticas diagnsticas e especiais: So bilateralmente simtricos. O corpo alongado (forma de saco) com espessura de mais de duas camadas de clulas, com tecidos e rgos. Externamente, o corpo coberto por uma cutcula esculturada (chamada lrica). H uma coroa de clios na parte anterior do corpo na forma de faixas pr-oral e ps-oral, quase sempre organizadas em forma de roda (de onde deriva o nome do grupo), chamada de coroa. Esta usada na alimentao e na natao. Na

53 parte posterior, o corpo estreita-se para formar o p, estreito e mvel, que pode ser retrado para dentro da lrica. O p, que termina num par de dedos para ancorar os organismos no substrato, pode estar reduzido ou ausente em formas permanentemente planctnicas. a contrao da musculatura longitudinal que permite a contrao da coroa e p. A boca do rotfero tipicamente ventral e geralmente circundada por uma parte da coroa. A faringe, ou mstax, caracterstica de todos os rotferos, e sua estrutura distintiva no filo. O mstax geralmente oval ou alongado e altamente muscular, com grandes peas internas interconectadas, sendo utilizado tanto na captura como na triturao do alimento (figura 31). A maioria dos rotferos alimenta-se de material em suspenso (partculas orgnicas) ou predadora (ingerem protozorios, outros rotferos, etc.), capturando sua presa por meio de um armadilha ou de suco. O trato digestivo completo. O sistema alimentar possui boca anterior, aparelho mandibular complexo, faringe muscular e nus posterior abrindo-se numa cloaca comum com o sistema urogenital. Possuem tipicamente dois protonefrdios no pseudoceloma, um em cada lado do corpo, responsveis pela excreo. Cada protonefrdio tem de uma a muitas clulas terminais, que descarregam no interior de um tbulo coletor. Os tbulos coletores so esvaziados numa bexiga, que se abre na cloaca. Os rotferos so diicos (sexos separados) ou ento as fmeas partenogenticas. Entre as espcies diicas, os machos sempre so menores que as fmeas e seus rgo noreprodutivos so degenerados. A partenognese caracterstica da maioria dos grupos de rotferos. No geral, o sistema reprodutivo das fmeas constitui-se de dois ovrios, localizados no pseudoceloma, que desembocam na cloaca ou num poro genital (se no houver intestino). O macho tem vida curta. Encontra-se presente testculo, ligado a um ducto espermtico que termina num rgo copulatrio, formado por glndulas acessrias.

Figura 31: Anatomia de um rotfero. A) Vista dorsal. B) Vista lateral. C) Corte transversal.

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4.3 Filo Nematoda(do grego: nema, fio; eidos, forma) Os nematdeos fazem parte de uma das histrias de sucesso do reino animal. Mais de 15.000 espcies foram descritas, numa estimativa de 1 milho de espcies viventes! Numericamente falando, so os maiores representantes dos asquelmintos. Os nematdeos de vida livre so encontrados no mar, gua doce, solo. Aparecem desde regies polares at os trpicos em todos os tipos de ambientes, incluindo desertos. Os nematdeos no parasitas so animais bentnicos vivendo em sedimentos e solos aquticos, sendo encontrados freqentemente em altas densidades. Alm das espcies de vida livre, existem muitos representantes parasitas, exibindo vrios graus de parasitismo e que atacam virtualmente todos os grupos de animais e plantas. O tamanho e forma dos nematdeos so adaptaes importantes para se viver nos espaos intersticiais. Eles possuem corpos delgados e alongados, com ambas as extremidades gradualmente afiladas, na maioria das espcies. A maioria dos representantes de vida livre tem menos de 2,5 cm de comprimento, sendo mais comuns indivduos em torno de 1mm de comprimento ou microscpicos.

Figura 32: A) Vista oral de um nemtodo generalizado, mostrando as estruturas sensoriais tpicas. B) Estereograma da extremidade anterior de um nemtodo generalizado.

O corpo desses vermes perfeitamente cilndrico, da o nome Nematoda, e envolvido por uma cutcula (mais complexa que aquela dos demais asquelmintos) que reveste tambm a faringe, o intestino posterior e outras aberturas corporais. A boca localizase na extremidade anterior e circundada por lbios e rgos sensoriais de vrios tipos (figura 32A). A camada muscular da parede corporal composta completamente de fibras longitudinais, que se localizam em quatro quadrantes entre cordes longitudinais. Cada fibra muscular de um nematdeo, como as dos gastrtricos, possui um brao delgado que se estende a partir da fibra para o cordo nervoso dorsal ou ventral longitudinal, onde ocorre a inervao.

55 A pseudocele (ou pseudoceloma) dos nematdeos pequena e inexistente na maioria das espcies de vida livre pequenas, mas pode ser volumosa nas formas grandes (tais como em Ascaris) (figura 32B). Quando presente, a cavidade estende-se da musculatura at a parede intestinal e circunda os rgos reprodutivos. O fluido na cavidade pressurizado e funciona como um hidrostato. Os nematdeos excretam resduos nitrogenados na forma de ons de amnia que se difundem pela parede corporal. A osmorregulao, a regulao inica e talvez a excreo de outros metablitos residuais parecem associar-se a estruturas excretoras especializadas exclusivas dos nematdeos, sejam clulas glandulares excretoras (renete), sistema de canais excretores ou ambos. Alguns nematdeos porm no tem quaisquer rgos excretores. O sistema nervoso inteiramente intra-epitelial, localizando-se dentro da epiderme, da faringe e do intestino posterior. O crebro um anel nervoso circunfaringiano. No h sistema circulatrio ou respiratrio. Sexos geralmente separados (maioria) ou hermafroditas. NEMATDEOS PARASITAS DO HOMEM a) Ascaris lumbricoides (Lineu, 1758) Este parasita encontrado em quase todos os pases do globo, estimando-se que 30% da populao mundial estejam por ele parasitadas (NEVES, 91). Popularmente conhecido como lombriga e causa a doena denominada ascaridase ou ascariose. Em conseqncia de sua elevada prevalncia e ao patognica, especialmente em infeces altas e crnicas em crianas, atribui-se a esse helminto uma das causas e conseqncias do subdesenvolvimento de grande parte da populao dos pases do Terceiro Mundo. Morfologia: O tamanho desse helminto dependente do nmero de formas albergadas pelo hospedeiro e estado nutr