BICUDO, M. a. v.; KLÜBER, T. E. 2013_ a Questão de Pesquisa Sob a Perspectiva Da Atitude Fenomenológica de Investigação

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24 Conjectura: Filos. Educ., Caxias do Sul, v. 18, n. 3, p. 24-40, set./dez. 2013A questo de pesquisa sob a perspectiva da atitude fenomenolgica de investigao* Doutora em Educao. Professora do Programa de Ps-Graduao em Educao Matemticada Unesp, campus de Rio Claro, SP. Pesquisadora do CNPq. E-mail: mariabicudo@gmail.com** Doutor em Educao Cientfica e Tecnolgica. Professor no Programa de Ps-Graduaoem Educao, Uioeste da campus Cascavel, PR, no Programa de Ps-Graduao em Ensino,PPGEn, da Unioeste, campus Foz do Iguau, PR. E-mail: tiagokluber@gmail.comResumo: No mbito da pesquisa em educao aparecem e convivem diversasabordagens de pesquisa que orientam as investigaes. Dentre elas h a pesquisaqualitativa segundo uma abordagem fenomenolgica. Essa afirmao podeser estendida pesquisa em Educao Matemtica. Assim, no intuito decontribuir para a reflexo sobre pesquisa nesses mbitos, buscamos, com estetexto, explicitar uma compreenso sobre o modo de se constituir a questo depesquisa em uma atitude de investigao fenomenolgica, contextualizada naregio de inqurito da Educao Matemtica. O processo exposto esclarece omovimento articulador que exige rigor e clareza por parte do pesquisador.Enfim, deixamos, com este texto, pistas do movimento que o pesquisadorefetua ao buscar esclarecer a pergunta/questo estabelecida, tornando-a maisclara e lanando luzes sobre a investigao em sua totalidade. Expe, ainda,uma compreenso dos aspectos epistemolgicos e ontolgicos acerca desseassunto.Palavras-chave: Pesquisa. Educao. Educao Matemtica. Fenomenologia.Conscincia.Abstract: In the context of research in education appear and coexist variousresearch approaches that guide the investigations. Among them there is aqualitative research according to a phenomenological approach. This assertioncan be extended to research in mathematics education. Thus, with the aimof contributing to the discussion about research in these areas, we seek, withthis text, clarify an understanding on how to constitute the matter ofresearch in an attitude of phenomenological research, contextualized in thearea of inquiry in mathematics education. The exposed process clarifies theMaria Aparecida Viggiani Bicudo*Tiago Emanuel Klber**2A questo de pesquisasob a perspectiva da atitudefenomenolgica de investigaoThe research issue according to the perspective ofphenomenological investigation attitude Conjectura: Filos. Educ., Caxias do Sul, v. 18, n. 3, p. 24-40, set./dez. 2013 25Maria Aparecida Viggiani Bicudo Tiago Emanuel Klberarticulator movement that demands rigor and clarity by the researcher. Stillwe indicate with this text, clues that the movement makes the researcher seekto clarify the question/issue established, making it clearer and throwing lighton the investigation in its whole. Shows, also, an understanding of theontological and epistemological aspects, concerning to this topic. Keywords: Research. Education. Mathematics Education. Phenomenology. Consciousness. PrembuloNeste artigo expomos nossa compreenso a respeito do modo peloqual constitumos a interrogao de uma investigao que, no caso dapesquisa tomada como exemplo para explicitao, foi efetuada na rea daEducao Matemtica. Tal compreenso se desenvolveu no prprio processode investigao do trabalho apresentado como tese de doutorado,denominado Uma metacompreenso da modelagem matemtica na EducaoMatemtica. (KLBER, 2012). Nessa investigao, o foco de luz incidiusobre o fenmeno: modelagem matemtica na Educao Matemtica, e ainterrogao que conduziu o movimento de investigao foi assimformulada: o que isto, a modelagem matemtica na Educao Matemtica?1Tal interrogao, em geral denominada pergunta/questo, se ancorouem um desacerto, em uma posio desajeitada entre o compreendido sobre oque mais ou menos aceito como dado em modelagem matemtica naEducao Matemtica e o movimento interrogante que realizamos comopesquisadores. Demoramo-nos na prpria pergunta a fim de esclarecer oque ela dizia; em outras palavras, em busca de clareza a respeito do modopelo qual se constri o conhecimento do interrogado. Ao mesmo tempoque esse processo foi sendo efetuado, ele se mostrou importante por apontaro que est sendo investigado para clarear os caminhos mais condizentes apercorrer para investigar o indagado.Diante do exposto, o texto que apresentamos discute, a partir de ummergulho intencional no processo de investigao, a inquietao queconcerne ao estabelecimento da prpria pergunta. Visando a explicitar essemovimento, retomamos o caminho da investigao efetuada e, de modo1 O nosso intuito neste artigo no aprofundar aspectos referentes modelagem matemticana Educao Matemtica. As menes a ela se daro em funo de situar o leitor, sem,contudo, adentrar nas interpretaes oriundas do processo investigativo. Esta investigaofoi parcialmente financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientfico eTecnolgico (CNPq), por meio de bolsa sanduche no Pas.26 Conjectura: Filos. Educ., Caxias do Sul, v. 18, n. 3, p. 24-40, set./dez. 2013A questo de pesquisa sob a perspectiva da atitude fenomenolgica de investigaoreflexivo e atento, ns o expomos com vistas a deixar pistas de como se deuo processo filosfico que permitiu clarear a prpria questo.Um mergulho nos atos da conscincia: da explicitao do prprioquestionamentoDe acordo com Kluth (2005, p. 40), quando o sujeito se deparadesacertado, porque percebe, diante de si, a presena de algo que noquer integrar-se nas opinies preestabelecidas, e no se sente confortvelem permanecer se segurando s opinies alheias postas.Nesse mesmo sentido, Piccino et al., esclarecem quequando ocorre um desacerto reflexivo, a necessidade deexplicitao est instalada. Perguntar torna-se imperioso eestabelecemos uma questo. Tendendo para o perguntar que fazaparecer o que se mostra o fenmeno , constitumo-nos comoum perguntador que se movimenta no mbito do verdadeiroperguntar. Este busca a estrutura do buscado e segue sua direoprvia. O perguntado oferece o sentido ao perguntador que secoloca na situao de acolh-lo. (2006, p. 5).O ato de buscar pela estrutura do buscado um modo de consider-lo,em parte, desconhecido, mas j presente, ou seja, j h uma pr-compreensodaquilo que o pesquisador pretende compreender. E isso abre possibilidadespara que o processo de produo do conhecimento se instaure. uma possibilidadeque rompe tanto com o dogmatismo, pois se afasta do tido como certo,quanto com o ceticismo, pois sai da zona de dvida que pode se impor, aqual no permite avanar em direo crtica. A postura do pesquisador,ao mesmo tempo, no segue a dogmtica, nem se deixa sucumbir na dvida.Instaura-se um dilogo crtico entre ambas as posies. Abre possibilidadespara uma busca abrangente e aponta para aspectos genticos da constituiodo conhecimento. Afasta-nos da compreenso vaga e mediana que imperaquando estamos no espao mundano, sendo com todos e como todos que,nas palavras de Heidegger (2002, p. 31), a compreenso do ser vaga emediana um fato.Ao vivenciarmos esse processo de busca de esclarecimento, deparamo-nos com a fora da interrogao que aponta para o o que isto? Quandodigo isto, no me limito a perceber mas, fundado na percepo se constrio ato do visar-isto, um ato novo que por ela se rege e que dela dependequanto sua diferena. Nesse e s nesse visar indicativo que reside aConjectura: Filos. Educ., Caxias do Sul, v. 18, n. 3, p. 24-40, set./dez. 2013 27Maria Aparecida Viggiani Bicudo Tiago Emanuel Klbersignificao. (HUSSERL, 1996, p. 39, grifos do autor). No caso daconstituio dessa pergunta que seria completada com a modelagemmatemtica, tomando a forma O que isto: a modelagem matemtica naEducao Matemtica? Essa indagao o que isto? solicita que se olhepara a modelagem matemtica em educao, atentos ao que aponta.De maneira atenta, ao efetuarmos o dilogo mencionado, nosso olharincidiu sobre o fenmeno e, ao buscar compreend-lo, em suas manifestaes,despidos de conceitos prvios, ele foi se mostrando em perspectivas, mediantemodos de ele se dar na Educao Matemtica. Abriu-se uma regio entrepesquisador e objeto de pesquisa investigado, em que, de modo imediato,o fenmeno se faz presente ao investigador no ato de percepo. importante j explicitar que a percepo entendida, no mbito dafenomenologia, como presena, ou melhor, como verdade que se d empresena, no agora, e que, ao ser lanado no movimento da conscincia, opercebido j se torna obscuro, solicitando por atos cognitivos e de expressesque o articulem em um pensar claro e expresse essa articulao por meio dalinguagem.Merleau-Ponty, ao falar da percepo, argumenta queo que nos dado um caminho, uma experincia que esclarece asi prpria, que se retifica e prossegue o dilogo consigo mesma ecom o outro. Portanto, o que nos arranca da disperso dos instantesno uma razo acabada, como se disse sempre uma luznatural, nossa abertura a alguma coisa. (1990, p. 56).Assim, ao percebermos o fenmeno2 em seu campo de manifestao,nosso olhar, que um ver compreensivo, j traz consigo a historicidade denossas vivncias e o solo cultural e histrico em que o fenmeno sepresentifica.O caminho da questo para aquele que pergunta faz parte da suaexperincia vivida, e esse caminho precisa ser visualizado para que o indagantese d conta do solo histrico e cultural em que est se movendo. A experinciavivida constitui-se de atos realizados. Os atos indicam aes que efetuamos,aes que vivenciamos. Deles falamos como experincias vividas. Notemosa expresso em termos de reflexividade, indicando um ato do qual nosdamos conta. (BICUDO, 2010, p. 30). Assim, dando-nos conta de atos deconscincia, foi possvel caminhar em direo explicitao da pergunta2 Fenmeno significa o que se mostra.28 Conjectura: Filos. Educ., Caxias do Sul, v. 18, n. 3, p. 24-40, set./dez. 2013A questo de pesquisa sob a perspectiva da atitude fenomenolgica de investigaoque se punha no campo de nossas experincias prvias com modelagemmatemtica e com Educao Matemtica.Heidegger (2002), ao discutir brevemente os aspectos pertencentes aoquestionamento, diz que este uma procura, a qual retira a direo prviado procurado. Enquanto questionamento acerca de, possui um questionadoe um interrogado que so distintos. No questionado reside, pois, operguntado, enquanto o que propriamente se intenciona, aquilo em que oquestionamento alcana a sua meta. (p. 30). Esses termos so significativose exigem clarificao para um melhor entendimento da fora que exercemem uma investigao fenomenolgica.Retomando:1. o procurado aquilo que no totalmente desconhecido noquestionamento, mas que, de incio, inapreensvel;2. o questionado o ser da questo a ser elaborada, o que determina oente como ente, como o ente j compreendido, em qualquer discussoque seja (p. 32);3. o perguntado o sentido do ser com significado conceitual daquelesque permitem a determinao do ente.3 Na medida em que o serconstitui o questionado e ser diz sempre ser de um ente, o que resultacomo interrogado na questo do ser o prprio ente, este como queinterrogado em seu ser. (p. 32). Esse esclarecimento indica que, emtoda pergunta/questo, busca-se, transitivamente, o fenmeno que enlaado na percepo, como um procurado.Sob esse entendimento, obtivemos a direo de nossa investigao,pois ela fez emergir um fio condutor que deveria conduzi-la.Para exemplificar essa diferenciao conceitual no tocante ao fenmenomodelagem matemtica na Educao Matemtica, entendemos que a direoprvia da procura veio desse procurado na prpria pergunta que era recorrenteem nossa vida acadmica e profissional, uma vez que sempre se mostravamediante conceitos e prticas determinadas, ou seja, esse procurado era, atcerto ponto, conhecido na literatura disponvel e prticas efetuadas nocotidiano da Educao Matemtica. Porm, conhecido em uma3 O ente aquilo com que temos contato, de modo dado em sua presena imediata. A nossafala, as falas, os comportamentos e ns mesmos.Conjectura: Filos. Educ., Caxias do Sul, v. 18, n. 3, p. 24-40, set./dez. 2013 29Maria Aparecida Viggiani Bicudo Tiago Emanuel Klberimediaticidade emprica que expunha seu ente, oculta seu ser, entendidocomo o seu modo de ser, sendo em movimento o seu acontecer. Ou seja,no revelava o que da modelagem matemtica na Educao Matemtica.Estando claro para ns o que estava oculto, a interrogao incidiusobre o modo de ser do ente modelagem matemtica na EducaoMatemtica, em seu sendo mediante diferentes manifestaes. Esseprocedimento se mostrou autntico, para ns, na medida em que brotou,cresceu e se manteve no ncleo das questes que para ns estavam,inicialmente, obscuras, no tendo vindo de leituras de textos que falam eteorizam sobre modelagem matemtica na Educao Matemtica.Compreendidos tais significados, demo-nos conta de que haveria umnvel de compreenso a ser superado pelo movimento do perguntar autntico,pois o prprio ser do interrogado tende a se mostrar, conduzindo o quedeve ser perseguido. Heidegger (2002, p. 44), ao se referir anlise do ser-a, Dasein, traduzido como presena,4 afirma que nessa investigao nemse deve impor presena categorias delineadas por aquela idia (uma ideiaqualquer de ser). Ao contrrio, as modalidades de acesso e interpretaodevem ser escolhidas de modo que esse ente possa mostrar-se em si mesmoe por si mesmo. Essa citao reafirma um dos princpios da fenomenologia,ou seja, que na investigao no se parta de categorias ou referenciaispreestabelecidos.5 Est consonante, o afirmado acima, com a atitude que deveser assumida na investigao de todo fenmeno, ou seja, a de buscar o modomais apropriado, deixando que a coisa-mesma se revele desde si mesma. Husserl(1989, p. 55), ao se referir dvida de referenciais e conhecimentos fixadospreviamente, explicita que nessa destituio, fica alguma coisa, que tida comoevidncia imediata, isto : Toda a vivncia intelectiva e toda a vivncia emgeral, ao ser levada a cabo, pode fazer-se objeto de um puro ver e captar e, nestever, um dado absoluto. Est dada como um ente, como um isto-aqui (Dies-da) de cuja existncia no tem sentido algum duvidar. (1989, p. 55).4 Presena no sinnimo nem de homem, nem de ser humano, nem de humanidade, emboraconserve uma relao estrutural. Evoca o processo de constituio ontolgica de homem,ser humano e humanidade. na presena que o homem constri o seu modo de ser, a suaexistncia, a sua histria, etc. (cf. entrevista de Heidegger ao Der Spiegel, Rev. TempoBrasileiro, n. 50, jul./set. 1977). (HEIDEGGER, 2002, p. 309).5 A seguinte anedota esclarece o sentido de no partir de um referencial preestabelecido: Osenhor que sai s 11 horas da noite para passear com seu cachorro na praa e perde aschaves. S h um poste de luz e ele comea a procurar as chaves ali, nas luzes. Passa outrosolitrio da noite e pergunta: O que o senhor est procurando? Estou procurando as chaves.O senhor sabe que as perdeu aqui? No, no sei se as perdi aqui, mas aqui tem luz, respondeo senhor. A investigao se fazia sempre assim. (STEIN, 2004, p. 43).30 Conjectura: Filos. Educ., Caxias do Sul, v. 18, n. 3, p. 24-40, set./dez. 2013A questo de pesquisa sob a perspectiva da atitude fenomenolgica de investigaoSobre isso, h que se compreender que aatitude natural dirigida s coisas (geradehin), abstraindo os modossubjetivos de doao que necessariamente permeiam a experinciadas coisas. Na atitude fenomenolgica, ao contrrio, o interesseno se dirige s coisas, mas aos mltiplos modos subjetivos, nosquais ela se manifesta, aos modos de manifestao quepermanecem no temticos na atitude natural. O especificamentefenomenolgico se estabelece, portanto, na correlao entre osvividos e os modos de doao dos objetos, no na correlao entrevivido e objeto. (MOURA, 1989, p. 201-202).Ao nos inclinarmos discusso sobre a interrogao/pergunta/questo,h certa determinao da pergunta pelo perguntado. nesse contexto quePiccino et al. afirma queo questionamento tem um modo prprio de acontecer. Em todo equalquer questionamento, ocorrem dois movimentos: tender parao conceito e ser orientado pelo ente questionado, ou seja, existeum quem que tende para o conceito e o ente cujo sentido determinaa orientao do questionamento (2006, p. 4, grifos nossos).6Compreendemos que tal afirmao supera uma viso epistemolgicasubjetivista ou mesmo relativista, como se poderia pensar em uma visoingnua ou apressada da fenomenologia. E, tambm, supera uma visoobjetivista e dogmtica na busca de o sujeito compreender o objeto. Asobras de Husserl pem em destaque a subjetividade quando afirmam o apriori dos atos da conscincia na possibilidade do conhecimento. Essaafirmao foi tomada por opositores de Husserl como um obstculo, poisindicava a prevalncia da esfera egolgica sobre a epistemolgica, na medidaem que se fecharia sobre si mesma. Essa dificuldade, no entendimento deChau (1996, p. 12), resolvida por Husserl, pela afirmao de que asubjetividade transcendental intersubjetividade. Ou seja, conformecompreendemos, toda subjetividade se transcende por ser constituda noestar-com-o-outro, a quem ela sempre se abre na visada intencional pelosatos perceptivos e empticos ao dirigir-se para o que est sua volta. O6 Notar que o termo questionado est no sentido de interrogado conforme explicitao empgina anterior. Alm disso, o sentido que orienta o questionamento no vem do ente, masdo ser, que interrogado por intermdio de um ente.Conjectura: Filos. Educ., Caxias do Sul, v. 18, n. 3, p. 24-40, set./dez. 2013 31Maria Aparecida Viggiani Bicudo Tiago Emanuel Klberreconhecimento de uma subjetividade transcendental se distancia dosubjetivismo questionado pelas cincias empricas de posies dogmticase permite considerar o movimento subjetivo-intersubjetivo-objetivo-subjetivo.Para discutir mais apropriadamente a questo da intersubjetividade edesse movimento, recorremos ao exemplo apresentado por Sokolowski(2004), sobre a percepo de um cubo, como uma experincia visual. Avisualizao do cubo se d em lados,7 aspectos e perfis:1) os seis lados do cubo. Cada um deles pode se mostrar em diferentesperspectivas, conforme o observador o olha, se inclinado ligeiramentepara trs ou se o aproxima de si. Assim, os lados tm diferentes formasde se mostrar, e os cantos distantes da viso podem parecer estar maisprximos entre si. Em outras palavras, um lado pode ser dado demodos diferentes, assim como o cubo pode ser dado de diferenteslados (p. 27);2) cada um dos modos pelos quais os lados se do chamado deaspecto. Como um cubo aparece para ns em muitos lados, assimcada lado pode aparecer para ns em muitos aspectos, os quais,transitivamente, so tambm aspectos do cubo. (p. 27);3) as vises momentneas dos modos pelos quais os lados ou aspectosaparecem so denominadas de perfis, porque esses, diferentemente doslados e aspectos, no so dados intersubjetivamente, mas apenassubjetivamente, as quais podem, inclusive, depender de nossasdisposies sensoriais.Em ltima instncia, ento, o cubo dado para ns em um dosmuitos modos de perfis. (p. 27). Se, por exemplo, duas pessoas estiveremobservando o mesmo cubo, podemos falar de um e do mesmo objeto. E seuma delas falar venha aqui observar esse lado (claramente o autor esttomando a representao material do cubo), a outra pessoa ver o mesmolado, mas no o mesmo perfil. Assim, estaremos falando do mesmo cubo,transitivamente pelo mesmo lado e sob diferentes perfis.7 Utilizamos lado para sermos fiis ao texto de Sokolowski (2004), porm, por lado, entenda-se a face de um cubo.32 Conjectura: Filos. Educ., Caxias do Sul, v. 18, n. 3, p. 24-40, set./dez. 2013A questo de pesquisa sob a perspectiva da atitude fenomenolgica de investigaoNesse sentido, uma questo de pesquisa pode se referir ao mesmoobjeto intencional, porm, os perfis que se mostram correspondem a quemintenciona o objeto e ao modo como o sujeito o experiencia. Dizendo deoutra forma, a questo de pesquisa faz parte do movimento constante entresubjetividade, objetividade e intersubjetividade.Subjetividade, intersubjetividade e objetividade so trs aspectosde um mesmo movimento, o que significa que no se trata deinstncias ou esferas separadas e hierarquizadas. Porm, sodimenses de uma totalidade que, em seu dinamismo, vaientrelaando sentidos, processos de atribuio de significados,significados explicitados pela linguagem, mantidos pela escrita epela tradio, na materialidade cultural, constituindo um solohistrico. Esto imbricadas uma na outra. (BICUDO, 2010, p. 34).Esse movimento, na perspectiva fenomenolgica, pode ser descritocomo aquele que permite o deslocamento do ntico ao ontolgico,8 ou seja,no considera o conhecimento factualmente, como dado na imediaticidadeda experincia, mas como constitudo pela subjetividade e objetivada nomovimento intersubjetivo.A objetividade no um fato nem um objeto exato externo subjetividade que o pensa, mas constituda no movimento dacompreenso intersubjetiva e na respectiva manuteno dos modosculturais possibilitados pela tradio. [...] A objetividade, na visofenomenolgica, constituda na dialtica subjetividade/intersubjetividade, cujo movimento se d no solo do mundo vida,que histrico, cultural e primordialmente baseado nacomunicao entre cosujeitos, sustentada pela estrutura lingstica.(BICUDO, 2010, p. 35-41).Essa compreenso filosfica, que se desdobra em termos metodolgicos,permite avanar na compreenso do estado atual de conhecimento sobredeterminada rea de uma regio de inqurito e, mais especificamente, sobre8 ntico se refere ao imediatamente dado, coisa em si, j o ontolgico refere-se ao ser e,portanto, est sendo referido a uma transcendncia ao ntico. Por isso, no desconsidera omundo nem as coisas existentes independentemente de nossa existncia, mas considera oconhecimento sobre essas coisas que sempre correlato nossa existncia.Conjectura: Filos. Educ., Caxias do Sul, v. 18, n. 3, p. 24-40, set./dez. 2013 33Maria Aparecida Viggiani Bicudo Tiago Emanuel Klbero fenmeno que colocado em destaque, de tal maneira que se podecompreender aquilo mesmo que se pergunta. Rejeita uma viso ingnuasobre o factual, a qual poderia ser dada na produo sobre o intudo, isto ,sobre compreenses rasas formuladas sobre ela.Assim, tomar o fenmeno de pesquisa aqui focado, questionando amodelagem matemtica na Educao Matemtica, sob uma perspectivafenomenolgica, solicitou que nos movimentssemos nessa regio,perguntando pelo que se mostrava como significativo em um primeiroolhar.Primeiramente percebemos a imposio da modelagem nesse contextoespecfico, e nosso olhar se dirigiu para os seus aspectos tericos e prticose para o que deles vinha tona, mostrando-se em suas modalidades de ser,bem como para a Educao Matemtica, em seu amplo contexto. Nobastou apenas tomar, tanto uma como outra de maneira dada, como comumdentre os autores estudados, ou mesmo complementar, ou em sentidopopperiano. Logo, corroboram-se resultados e compreenses j formulados,mas, antes, foi preciso efetuar um movimento que focasse a pergunta/questo da coisa-mesma, a modelagem matemtica na Educao Matemtica,em busca de, a partir do que se mostrava, avanar em direo compreensoe metacompreenso desse fenmeno. Assim, efetuamos uma hermenuticasobre os significados que se destacavam nos textos analisados, visando estrutura de sentido do fenmeno estudado. (PALMER, 1996; HERMANN,2002).Da imposio de clarear noes e conceitosAssim, a partir dessa compreenso, tornou-se possvel apresentar outrosmodos de ver e compreender o fenmeno investigado, ao assumirmos umaatitude fenomenolgica. Em outras palavras, retomamos, por exemplo, amodelagem matemtica na Educao Matemtica como se mostrava nostextos dos autores estudados, atentos aos procedimentos assumidos e sconcepes que as sustentam, investigando-os para alm de sua manifestaomais imediata.Questionamos, entre outras coisas, o que significam as definies deestratgia, metodologia alternativa, mtodo de ensino e aprendizagem,ambiente de aprendizagem, instrumento de ao poltica, presentes nostextos analisados e que tratam de modelagem matemtica na EducaoMatemtica. Enfim, por meio da questo posta, buscamos compreender ossignificados circundantes e, s vezes, difusos, bem como seus desdobramentosem termos de procedimentos e concepes subjacentes.34 Conjectura: Filos. Educ., Caxias do Sul, v. 18, n. 3, p. 24-40, set./dez. 2013A questo de pesquisa sob a perspectiva da atitude fenomenolgica de investigaoAssim, tendo a pergunta/questo diretriz: o que isto: a modelagemmatemtica na Educao Matemtica? como foco, foram se abrindo caminhosinvestigativos, dentre os quais destacamos a sua explicitao como umaquesto ontolgica que transcende as manifestaes comumente assumidasna regio de inqurito. O modo como ela foi trabalhada apontou em direoao buscado, abarcando a escolha dos textos significativos, as anlises e asinterpretaes.Essa questo revelou-se consistente do ponto de vista de suaautenticidade, que pode agregar contribuies para que a prpria regio deinqurito possa ser esclarecida em aspectos que, por serem to corriqueiros,tornaram-se obscuros. Ou seja, ao interrogar: o que isto: a modelagemmatemtica na Educao Matemtica? e ao atentar para o que estava sendointerrogado, compreendemos tratar-se da prpria modelagem matemticana Educao Matemtica e foi para ela que nos voltamos. Esse modo deproceder se mostrou profcuo em termos epistemolgicos por permitirolhares distintos sobre o conhecimento que j se tinha instaurado esocializado sobre o fenmeno interrogado. Esclarecer a questo significouesclarecer o foco do olhar, atentando-se para o o que estava sendointerrogado.Desde esse entendimento, a partir da pergunta/ questo, ressaltou-se aexigncia de permanecermos imersos no movimento de doao do fenmeno,na dialtica ver/visto (noesis-noema). Noesis refere-se ao ato intencional; noema,ao que enlaado por esse ato. Por exemplo, tem-se uma rvore. Ver arvore um ato da conscincia, portanto, intencional. Trata-se do noesis.O visto, a rvore, o noema. (BICUDO, 2010, p. 29). Husserl (apudMOURA, 1989, p. 217, grifos do autor) enfatiza: O noema no senoum objeto totalmente no-independente, [...] esse consiste inteiramenteem seu percipi.9 Tal movimento imps a necessidade de tom-lo emdiferentes perspectivas e modos, abrindo-nos a horizontes de compreenso.Efetuamos uma imerso possibilitada pelo intenso dilogo entre a perguntae o fenmeno, em um procedimento rigoroso de inquirio, em que todopesquisador pode e deve mergulhar, assumindo a direo apontada pelaintencionalidade do seu olhar indagador.9 Traduo: percebido.Conjectura: Filos. Educ., Caxias do Sul, v. 18, n. 3, p. 24-40, set./dez. 2013 35Maria Aparecida Viggiani Bicudo Tiago Emanuel KlberA intencionalidade entendida como intentio que diz do que se estendea... e volta-se sobre. Essa intencionalidade , em si, o prprio movimentoda conscincia. Por isso, diz-se que a fenomenologia se instaura como umafilosofia da conscincia, no sentido de ser um pensar radical a esse respeito.(BICUDO, 1999, p. 14). Logo, de acordo com o acima mencionado porMoura, trata-se de uma filosofia que entende que tudo o que visto ecompreendido por uma pessoa sempre o nesse movimento em que aconscincia, pelos atos intencionais, enlaa o visto trazendo-o como talpara si. Desse modo, opera mediante seus atos de compreenso, interpretaoe organizao concernentes ao isto que foi enlaado na percepo, de modoa possibilitar a comunicao. O pensar radical remete investigao dosprprios atos da conscincia pela qual todo conhecimento se constitui. radicalpor transcender o imediatamente dado e se voltar para a conscincia que setorna objeto intencional de reflexo por meio de seus atos.Compreendendo-a desse modo, a fenomenologia constituiu-se napostura de investigao assumida, uma vez que a vimos como umapossibilidade de investigar de modo rigoroso, em busca de esclarecimentos,compreenses e interpretaes concernentes ao fenmeno investigado pormeio da pergunta/questo formulada. Posicionamo-nos, assim, porreconhecer que a fenomenologia como abordagem de pesquisa pode dar conta em sentido epistemolgico e ontolgico da compreenso mais ampla do fenmenomodelagem matemtica na Educao Matemtica, partindo do esclarecimentodo prprio significado da questo de pesquisa.Na pesquisa que efetuamos, a pergunta/questo apontou paramodelagem matemtica na Educao Matemtica, e maneira pela qual ela praticada em situaes de ensino de Matemtica e, tambm, em pesquisaspublicadas por autores que se debruam sobre esse tema. (KLBER, 2012).A busca por teorizaes pertinentes, seguidas, em geral, de explicitaesde como se deve proceder ao trabalhar em seu mbito. Tomamos esse segundocaminho que se evidenciou no prprio movimento de perguntar pelo que apergunta/questo busca.Ao assumirmos uma postura fenomenolgica, fomos coisa, ela mesma,no modo pelo qual ela se doou nossa investigao: os textos significativosdos autores que ditam o pensamento sobre o tema em nosso pas. Essesautores so chamados de significativos nessa investigao, pois foramdestacados de um universo de autores brasileiros que trabalham commodelagem matemtica em Educao Matemtica e publicam sobre ela.Para no ficarmos prisioneiros de uma pragmaticidade baseada em opiniesnossas ou de outros pesquisadores que se dedicam ao tema aqui investigado,36 Conjectura: Filos. Educ., Caxias do Sul, v. 18, n. 3, p. 24-40, set./dez. 2013A questo de pesquisa sob a perspectiva da atitude fenomenolgica de investigaotivemos de, mantendo-nos na postura assumida, construir caminhos paracolocar os textos significativos em destaque.Ao indagarmos quais seriam os textos, fomos conduzidos pela pergunta/questo do fenmeno a compreender que esses poderiam ser eleitos a partirde autores significativos. Perguntamo-nos: de que maneira? Dando umpasso atrs e indagando: como os autores se mostram significativos? Esseprocesso foi longo e exaustivo. Entretanto, aps ficarmos s voltas com oindagado, entendemos que a comunidade confirma o significado dos textosdos autores ao cit-los. Assim, interpretamos que era preciso buscar taisautores conforme a sua presena em trabalhos de pesquisa desenvolvidos narea.Nesse contexto, tornou-se claro que a Conferncia Nacional sobreModelagem na Educao Matemtica (Cnmem) se constitua em um espaode manifestao do fenmeno, ao agregar discusses tericas e prticas.Nesse evento, os principais autores foram identificados nas referncias dostrabalhos publicados e, transitivamente, os trabalhos mais citados de taisautores foram estabelecidos como textos significativos, os quais diziam dofenmeno: modelagem matemtica na Educao Matemtica.Lemos esses textos sempre atentos pergunta/questo norteadora dapesquisa e destacamos passagens, denominadas por esta linha de investigaode Unidades de Significado. A busca se d pelos significados do dito e indoalm deles, pelo sentido que faziam para ns pesquisadores, luz da pergunta/questo, do solo em que o fenmeno modelagem matemtica em EducaoMatemtica trazia consigo.Esse movimento abriu-nos compreenso do discurso de cada autor ese pde compreender sua postura em termos de entendimento desse tema edos procedimentos por ele/ela assumidos. Foram reunidos diferentesdiscursos e, a partir do trabalho com as Unidades de Significados, medianteum movimento de articulao do compreendido e interpretado, no dilogocontnuo entre pergunta/questo e o que surgia, reunimos ncleos de sentidose significados mais abrangentes. No que concerne a esse movimento, ele seencontra descrito na pesquisa efetuada por Klber (2012).1010 Esse trabalho foi apresentado como Tese de Doutoramento, em que a Dra. Maria AparecidaViggiani Bicudo foi a responsvel pela orientao dos procedimentos acerca da pesquisaefetuada fenomenologicamente.Conjectura: Filos. Educ., Caxias do Sul, v. 18, n. 3, p. 24-40, set./dez. 2013 37Maria Aparecida Viggiani Bicudo Tiago Emanuel KlberDesse modo, articulamos ncleos de ideias que trazem os significadose sentidos do fenmeno investigado. Destacamos que o fenmenomodelagem matemtica em Educao Matemtica se mostrou em grandesconvergncias, tambm tidas como invariantes, que acolhem as ideias de:ambiente de aprendizagem, processo de efetuar ensino e aprendizagem deMatemtica tendo a modelagem matemtica como recurso e contedo,mtodo de pesquisa e como uma proposta fluda.Tais compreenses apresentam aproximaes e distanciamentos entresi, porm, convivem e se entrelaam quando o foco modelagem matemticana Educao Matemtica. Do ponto de vista dos procedimentos, osinvariantes que se destacam concernem aos modelos matemticos, aoprocesso investigativo, aos temas e aos procedimentos didtico-pedaggicosem geral. Os referidos invariantes tambm indicam distintas compreensessobre a operacionalizao da modelagem matemtica. Medianteagrupamentos de sentidos e significados, os invariantes concernentes aosfundamentos, s teorias e s concepes que sustentam os entendimentosde modelagem matemtica na Educao Matemtica foram, mais uma vez,articulados e reunidos em quatro ncleos, quais sejam: ModelagemMatemtica; Matemtica e Realidade; Conhecimento; e Ensino,Aprendizagem e Educao Matemtica. Nesse movimento, descortinaram-se tambm convergncias e divergncias sobre tais invariantes.Os invariantes mencionados foram estabelecidos de modo rigoroso,por leituras e releituras conduzidas pergunta/questo. Cuidamos para sermosfiis aos textos escolhidos como material de anlise. Refizemos o caminhoda anlise de modo contnuo, a fim de esclarecer a anlise de modohermenutico quanto ao que dito nos textos para alm do dito pelosautores para esta pesquisa, tendo em conta a prpria pergunta presentenesses textos. (PALMER, 1996).A rpida explicitao do obtido na investigao cumpre, neste artigo,a inteno de clarear a fecundidade da pergunta/questo de pesquisa. Emresumo, tem-se que a clareza da questo que conduzida pelo fenmeno,ao mesmo tempo, o desvela de modo mais pleno desde que o pesquisadorse mantenha atento ao questionado e, ao que se mostra, trouxe umacompreenso situada e rigorosa daquilo que se pode entender sobremodelagem matemtica na Educao Matemtica.O rigor se expressou em todos os momentos, ao se considerar que aconstituio do material significativo para anlise, o prprio movimentode anlise, as interpretaes e toda a descrio referente ao nosso modo de38 Conjectura: Filos. Educ., Caxias do Sul, v. 18, n. 3, p. 24-40, set./dez. 2013A questo de pesquisa sob a perspectiva da atitude fenomenolgica de investigaoproceder foram conduzidos pelo movimento inscrito e impelido pelapergunta/questo.Nessa trajetria e sempre atentos aos movimentos efetuados, demo-nos conta de que os procedimentos fenomenolgicos originam um enfoquequalitativo distinto de outras abordagens de investigao qualitativa. Nessash um quadro terico prvio ou um conjunto de tcnicas preestabelecidas.Fenomenologicamente, busca-se pela compreenso do fenmeno,considerando-se a experincia vivida ou experienciada sobre ela. Por isso,torna-se possvel refletir sobre os prprios atos que a ele se direcionam,para compreend-lo como ele se mostra.Estabelecendo uma sntese de compreensoAquilo que foi exposto ao longo do texto indica um modo de pensar apergunta/questo, bastante distinto de alguns j consolidados que tambmse preocupam em situar a pesquisa a partir de uma questo. Nesses, porm,uma vez definida a questo, avana-se sem interrogar pelo seu sentido esignificado, tomando-a posta. O objetivo o de aguardar respostas, aindaque discutidas de modo contextualizado sob crticas de cunho sociolgico,por exemplo. H, portanto, uma aceitao tcita da questo ou pergunta ecom ela se prossegue, como se dissecssemos um objeto natural, logo,separa-se o percebido dos atos intencionais.Todavia, quando se assume uma atitude fenomenolgica, no podemosseparar o percebido dos atos intencionais, uma vez que, segundo Husserl(1996, p. 40), a percepo um ato que determina a significao sem queno entanto a contenha. Diante disso, h que se esclarecer a prpria pergunta/questo que determinada pelo ato de perceber. Em outras palavras, nobuscamos esclarecer algo por meio de uma questo, algo externo, separadodela. O que buscamos se refere ela prpria, busca de compreender o oqu? e, ento, de modo atento, buscar visualizar os procedimentos que semostram apropriados investigao intencionada.Tal procedimento, no tocante pergunta/questo de pesquisa, permitesustent-la em termos ontolgicos, psicolgicos, epistemolgicos econtextuais. Se a pergunta/questo de pesquisa resistir ao ato de ser elamesma interrogada, mais autntica se torna e mais iluminadora pode seconstituir para o pesquisador e a regio de inqurito em que se instaura.Desde uma compreenso como essa, pudemos indagar: o que isto: amodelagem matemtica na Educao Matemtica? de modo autntico eque transcendeu o mero uso de referencial terico e de definies. medidaque avanvamos na compreenso da pergunta/questo de pesquisa,Conjectura: Filos. Educ., Caxias do Sul, v. 18, n. 3, p. 24-40, set./dez. 2013 39Maria Aparecida Viggiani Bicudo Tiago Emanuel Klbercompreendemos o fenmeno investigado. Assim, explicitamos interpretaesque ainda no tinham sido postas em destaque na comunidade, como osignificado de estratgia que ainda era excepcionalmente obscuro.Desvelamos que o contexto mais amplo das aes didtico-pedaggicas,amplamente difundidas, sempre torna a modelagem matemtica umaalternativa, justamente por no ser uma prtica predominante.Enfim, sem uma atitude fenomenolgica, no teramos um significadoprofundo para tal questo.RefernciasBICUDO, M. A. V. Contribuio da fenomenologia Educao. In: ______;CAPPELLETTI, I. F. (Org.). Fenomenologia: uma viso abrangente da educao.So Paulo: Olho Dgua, 1999. p. 11-52.______. Filosofia da Educao Matemtica segundo uma perspectivafenomenolgica. In: _____. (Org.). Filosofia da Educao Matemtica:fenomenologia, concepes, possibilidades didtico-pedaggicas. So Paulo:Unesp, 2010. p. 23-47.CAPPELLETTI, I. F. (Org.). Fenomenologia: uma viso abrangente da educao.So Paulo: Olho Dgua, 1999. p. 11-52.CHAU, M. Vida e obra. In: HUSSERL, E. 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