bicho da vez - Teiú.pdf

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<ul><li><p>O tei (Tupinambis merianae), tambm conhecido popularmente como ti, tej ou tegu um rptil do grupo Squamata (que alm dos lagartos, </p><p>inclui os anfisbnios e as serpentes). Os teis so </p><p>membros da famlia Teiidae, que se distribui ao longo </p><p>das Amricas, com mais de 100 espcies descritas </p><p>(30 delas no Brasil).</p><p>O gnero Tupinambis ocorre em quase toda a </p><p>Amrica do Sul e inclui alguns dos maiores lagartos </p><p>americanos. Hoje so conhecidas sete espcies: </p><p>Tupinambis duseni, T. longilineus, T. merianae, T. </p><p>palustris, T. quadrilineatus, T. rufescens e T. teguixin.</p><p>Tupinambis merianae possui a maior </p><p>distribuio dentre as espcies do gnero, sendo </p><p>encontrada do sul da Amaznia ao norte da </p><p>Patagnia, a leste dos Andes. No Brasil, est presente </p><p>nos biomas Caatinga, Cerrado, Mata Atlntica e </p><p>Amaznia, sendo que tambm foi introduzido em </p><p>algumas ilhas.Algumas espcies de teis encontradas no territrio brasileiro. A) Tupinambis duseni. B) Tupinambis quadrilineatus. C) Tupinambis longilineus.</p><p>Bic</p><p>ho d</p><p>a V</p><p>ez -</p><p> n. 1</p><p>1Tei (Tupinambis merianae)</p><p>Universidade Federal de ViosaMuseu de Zoologia Joo Moojen</p><p>01 www.museudezoologia.ufv.br</p><p>Setembro2009</p><p> Paula Valdujo</p><p> Diego J. Santana</p><p> Vincius A. So Pedro</p><p>A</p><p>B</p><p>C</p><p>MZUFV</p><p>Tei (Tupinambis merianae).</p><p> Mario Sacramento</p><p>A espcie possui corpo cilndrico e robusto, </p><p>podendo atingir at 1,4 metros de comprimento e </p><p>peso de 5 Kg. A cabea comprida e pontiaguda, com </p><p>mandbula forte e a cauda longa e musculosa. </p><p>Possui colorao negra com faixas amareladas na </p><p>regio dorsal do corpo, na cabea e membros. J o </p><p>ventre branco com pequenas manchas negras mais </p><p>claras</p><p>Tupinambus merianae em Sooretama, ES</p><p> Ricardo Solar</p></li><li><p>Hbitos e alimentaoTupinambis merianae ocupa principalmente </p><p>reas abertas e bordas de mata. No interior de florestas, sua presena parece estar relacionada s </p><p>reas de clareiras. terrestre e raramente sobe em rvores aps atingir a fase adulta. O tei tambm </p><p>costuma frequentar reas antrpicas, podendo </p><p>invadir galinheiros para comer ovos e pintinhos. Tem </p><p>atividade diurna e heliotrmico (expe-se ao sol </p><p>para elevar a temperatura corporal). Procura seu </p><p>alimento ativamente no cho, com o auxlio da lngua </p><p>bfida, que capta partculas de cheiro do ar.</p><p>Quando se sente ameaado, pode ficar imvel </p><p>e tentar se camuflar no ambiente ou fugir </p><p>rapidamente. Mas quando se sente encurralado, </p><p>desfere fortes mordidas e chicotadas com a cauda. Se </p><p>agarrado pela cauda, o tei, assim como outros </p><p>lagartos (mas nem todos), pode se desfazer dela (e </p><p>escapar com vida), num processo conhecido como autotomia. Dentro de algumas semanas, uma nova cauda substitui a antiga.</p><p>Bic</p><p>ho d</p><p>a V</p><p>ez -</p><p> n. 1</p><p>1</p><p>Setembro2009</p><p>02</p><p>Universidade Federal de ViosaMuseu de Zoologia Joo Moojen</p><p>A) Teu procura de alimento. B) Quando ameaado, o teu pode desferir mordidas.</p><p>O filhote do tei, Tupinambis merianae (A), pode ser confundido com o calango Ameiva ameiva (B).</p><p>Tupinambis merianae onvoro, ou seja, come praticamente de tudo. Na natureza, se alimenta de frutas, ovos, larvas, vermes, insetos e at carnia! A ampla dieta e a adaptabilidade a ambientes pouco preservados indicam que Tupinambis merianae uma espcie oportunista, o que ajuda a explicar sua ampla distribuio.</p><p>O tei pode atuar como dispersor de sementes, j que se desloca por grandes reas procura de alimento durante o forrageamento, possibilitando a distribuio das sementes em locais propcios para germinao e estabelecimento. Aves de rapina, felinos selvagens e serpentes so alguns dos predadores dos teis na natureza. Em cativeiro, esta espcie pode viver mais de 15 anos.</p><p>O tei ovparo e a reproduo aparentemente ocorre ao final da estao seca. O tamanho da ninhada varia de 30 a 36 ovos, que eclodem aps 60 a 90 dias de incubao. Os filhotes so esverdeados, muitas vezes confundidos com o adulto de outra espcie de Teiidae, o calango Ameiva ameiva.</p><p>Reproduo</p><p>Tei (Tupinambis merianae) MZUFV</p><p> Rodolfo Stumpp</p><p> Mario Sacramento</p><p>A</p><p>B</p><p> Flavio Gontijo</p><p> Diego J. Santana</p><p>A</p><p>B</p><p>www.museudezoologia.ufv.br</p></li><li><p>Bic</p><p>ho d</p><p>a V</p><p>ez -</p><p> n. 1</p><p>1</p><p>Explorao</p><p>O tei em Minas Gerais e em Viosa</p><p>Como tm grande porte, as espcies de Tupinambis foram e a inda so caadas tradicionalmente por alguns povos indgenas para subsistncia. Mas agora, so explorados em grande nmero para uso das peles na confeco de acessrios em couro extico, especialmente botas e bolsas.</p><p>Durante a dcada de 1980 uma mdia de 1.900.000 peles foram negociadas anualmente, principalmente para os Estados Unidos, Canad, Mxico, Japo e alguns pases europeus. Por isso, todas as espcies de Tupinambis esto includas no Apndice II da CITES (Conveno sobre o Comrcio Internacional de Espcies Ameaadas da Fauna e Flora Silvestre), indicando que, embora ainda no se encontrem em risco de extino, podem vir a ser ameaadas caso seu comrcio no seja efetivamente controlado.</p><p> Em Minas Gerais, T. merianae possui ampla distribuio, sendo encontrado em todos os biomas do estado (Caatinga, Cerrado e Mata Atlntica). A espcie no se encontra ameaada de extino em</p><p>Universidade Federal de ViosaMuseu de Zoologia Joo Moojen</p><p>Reviso:Henrique C. CostaMrio R. Moura</p><p>Arte Grfica:Mrio R. Moura</p><p>Tei (Tupinambis merianae) MZUFV</p><p> Vintageskins.com</p><p>Bolsas confeccionadas a partir de couro de tei.</p><p>nvel nacional ou estadual. Outras duas espcies de teis ocorrem em Minas Gerais, mas em reas de Cerrado: T. duseni e T. quadrilineatus.</p><p>Em Viosa, T. merianae uma espcie comum, que alm de ocupar as reas de mata, tambm pode ser encontrada em pastagens, quintais e at terrenos baldios prximos aos ambientes florestados. Praticamente no existem estudos na regio com essa espcie.</p><p>vila-Pires, T. C. S. 1995. Lizards of Brazilian Amazonia (Reptilia: Squamata). Zoologische Verhandelingen, Leiden 299: 1-706.</p><p>Castro, E. R. e M. Galetti. 2004. Frugivoria e disperso de sementes pelo lagarto tei Tupinambis merianae (Reptilia: Teiidae). Papis Avulsos de Zoologia, Museu de Zoologia da Universidade de So Paulo 44(6): 91-97.</p><p>Costa, H. C., V. D. Fernandes, A. C. Rodrigues e R. N. Feio. 2009. Lizards and Amphisbaenians, municipality of Viosa, state of Minas Gerais, southeastern Brazil. Check List 5(3): 732-745</p><p>Fitzgerald, L. A. 1994. Tupinambis Lizards and People: A Sustainable Use Approach to Conservation and Development. Conservation Biology 8 (1):12-15.</p><p>Pres-Jr., A. K. 2003. Sistemtica e Conservao de Lagartos do Gnero Tupinambis (Squamata, Teiidae). Tese de Doutorado, Universidade de Braslia. 192 p.</p><p>Silva, J. S. B. e R. Hillesheim. 2004. Tupinambis merianae (Tegu) diet. Herpetological Review 35(4): 399.</p><p>Vitt, L. J. 1995. The ecology of tropical lizards in the Caatinga of northeast Brazil. Occasional Papers of the Oklahoma Museum of Natural History 1: 1-29.</p><p>Referncias Bibliogrficas</p><p>Tupinambis merianae uma das espcies-problema do arquiplago de Fernando de Noronha, e mais um exemplo de como a introduo de espcies exticas em ilhas pode acarretar em grandes transtornos e desestruturar o frgil equilbrio ecolgico desse tipo de ambiente. Na dcada de 1960, foi introduzido um casal dessa espcie no arquiplago com o objetivo de controlar as populaes de sapos e ratos, introduzidos em anos anteriores. Como o tei tem hbitos diurnos e suas supostas presas so noturnas, o controle no foi bem sucedido e o lagarto encontrou um ambiente adequado ao seu desenvolvimento e reproduo. Com recurso alimentar em abundncia e ausncia de predadores, a populao de T. merianae no arquiplago continua crescendo, causando um grande impacto nas populaes das tartarugas e aves marinhas, das quais o lagarto se alimenta dos ovos e filhotes. </p><p>O tei andando pelas praias de Fernando de Noronha.</p><p>Voc sabia?</p><p>03 www.museudezoologia.ufv.br</p><p>Jussara Santos DayrellBiloga (CRBIO 57892/04-D) e</p><p>Mestre em Biologia Animal (UFV)Museu de Zoologia Joo Moojen</p><p> Maira Engelmann</p><p>Pgina 1Pgina 2Pgina 3</p></li></ul>