BENTO SOUZA BORGES - ?· juventude e gerações, em estudos da área da Administração e em alguns…

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLNDIA

FACULDADE DE EDUCAO

BENTO SOUZA BORGES

JUVENTUDE, TRABALHO E EDUCAO SUPERIOR:

a Gerao Y em anlise

UBERLNDIA - MG

2014

BENTO SOUZA BORGES

JUVENTUDE, TRABALHO E EDUCAO SUPERIOR:

a Gerao Y em anlise

Tese apresentada ao Programa de Ps-Graduao em Educao da Universidade Federal de Uberlndia, como requisito parcial para obteno do ttulo de Doutor em Educao. Orientador: Prof. Dr. Robson Luiz de Frana

UBERLNDIA - MG

2013

BENTO SOUZA BORGES

JUVENTUDE, TRABALHO E EDUCAO SUPERIOR:

a Gerao Y em anlise

Tese apresentada ao Programa de Ps-Graduao em Educao da Universidade Federal de Uberlndia como requisito parcial para obteno do ttulo de Doutor em Educao.

Uberlndia, 14 de janeiro de 2014.

Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP)

Sistema de Bibliotecas da UFU, MG, Brasil.

B732j 2014

Borges, Bento Souza, 1968-

Juventude, trabalho e educao superior: a gerao y em anlise / Bento Souza Borges. -- 2014.

190p. : il.

Orientador: Robson Luiz de Frana.

Tese (doutorado) Universidade Federal de Uberlndia, Programa de

Ps-Graduao em Educao.

Inclui bibliografia.

1. Educao - Teses. 2. Ensino superior - Teses. 3. Docentes - Identidades e saberes Teses. I. Frana, Robson Luiz de. II. Universidade Federal de Uberlndia. Programa de Ps-Graduao em Educao. III. Ttulo.

CDU: 37

AGRADECIMENTOS

Obrigado

Lenizia, minha esposa; luz que d fora e guia;

Robson Luiz de Frana, pela orientao sempre segura, pelo apoio, pela

fora e, acima de tudo, pela compreenso de minhas limitaes;

Victor, Gabriel e Nicole, estrelinhas que do sentido minha existncia;

Me e pai, que, mesmo no compreendendo bem pra que isso, sempre

torceram, rezaram e fizeram muito por mim;

Amigos do CESEC Zenith Campos, pelo apoio e pela compreenso,

especialmente a Marlia, companheira de longas datas;

Equipe da Secretaria Municipal de Educao, que me ajudou a segurar as

pontas.

Aos colegas de trabalho da FUCAMP, especialmente ao Professor MSc.

Hber, Prof. Dr Tnia e Prof. Dr. Gustavo;

Ao professor e amigo Edson Cunha;

A todos os meus amigos que me desejaram e desejam sucesso nesta

empreitada.

RESUMO

Borges, Bento Souza. Frana, Robson Luiz de; Juventude, trabalho e Educao Superior: a Gerao Y em anlise. Uberlndia, 2013. 200 p. Tese de Doutorado Programa de Ps-Graduao em Educao. Universidade Federal de Uberlndia.

Hoje, no Brasil, cada vez mais comum o ingresso de jovens, cada vez mais novos, no Ensino Superior. Esses jovens trazem consigo uma srie de caractersticas bastante peculiares, que as geraes anteriores no possuam, causadas, em parte, pela Revoluo tecnolgica ocorrida a partir da dcada de 1970. Eles se desenvolveram em uma poca de grandes avanos tecnolgicos e de prosperidade econmica. Essa gerao, denominada Gerao Y, convive diariamente com pessoas de outras geraes no mercado de trabalho e na escola que, maioria das vezes, no tiveram ou no tm a mesma intimidade tecnolgica e no desenvolveram os mesmos hbitos dela. So jovens que cresceram vivendo em ao, estimulados por atividades, fazendo tarefas mltiplas. Os estudos que abordam temas relacionados questo geracional e, especificamente, sobre a Gerao Y, ainda apresentam algumas controvrsias como, por exemplo, o ano de nascimento para alguns, a partir de 1977; para outros, a partir de 1985 at seu comportamento uns descrevem-nos como bem comportados, trabalhadores em equipe e moralistas e outros, como egocntricos, superficiais e rebeldes. Alguns autores tratam esses jovens de nativos digitais e as pessoas de outras geraes anteriores de migrantes digitais. Diante de tantas mudanas no perfil desses jovens, natural que o ambiente escolar passe por modificaes para se adequar a essa nova era, a esse novo aluno e novo trabalhador. Considerando que esses jovens so, ao mesmo tempo, frutos desse tempo tecnolgico e agentes ativos desse processo de mudana, entendemos que tanto o ambiente escolar quanto o trabalho desenvolvido pelo professor est passando por transformaes profundas para atender a um pblico com caractersticas to distintas. Assim sendo, este texto tem como objetivo ampliar o debate sobre a Gerao Y e analisar as influncias da Revoluo Tecnolgica ocorrida a partir dos anos 1970 para esses jovens nas relaes de trabalho e, sobretudo, no ambiente escolar e no trabalho docente. Para isso, buscou-se embasamento em algumas teorias do trabalho, em estudos sobre juventude e geraes, em estudos da rea da Administrao e em alguns tericos da rea da Educao Superior, sempre considerando aspectos filosficos, sociolgicos e didticos para a anlise dessa gerao. Por meio de uma pesquisa bibliogrfica, o que percebemos que as mudanas ocorridas no mundo em funo da evoluo tecnolgica e da globalizao influenciaram em muito as caractersticas, os ideais e o comportamento dos jovens e isso se reflete diretamente na escola. O professor precisa conhecer como essa nova gerao pensa e age e, depois, buscar novas prticas de ensino que estejam em consonncia com esse pblico. O que no podemos deixar de entender que as mudanas trazidas pela chegada da Gerao Y no so passageiras. medida que mais e mais jovens chegam idade escolar e, posteriormente, ao mercado de trabalho e assumem cargos de liderana, as escolas e empresas precisaro adaptar-se a essa gerao vibrante, conectada e inquieta.

Palavras-chave: Geraes. Gerao Y. Educao. Trabalho docente.

ABSTRACT

Borges, Bento Souza. Frana, Robson Luiz de. Juventude, trabalho e Educao Superior: a Gerao Y em anlise. Uberlndia, 2013. 200 p. Tese de doutorado Programa de Ps-Graduao em Educao. Universidade Federal de Uberlndia.

Nowadays, it is increasingly common the inflow of youngsters of a very low age into college education in Brazil. These young people bring with them a number of very peculiar characteristics which previous generations did not have, caused in part by the technological revolution starting in the 1970s. They grew up at a time of great technological advancement and economic prosperity. This new Generation, known as Generation Y, leads an everyday life with people from other generations in the workplace and at school. Most of the time, the previous generations did not have or still do not have the same technological intimacy and did not develop the same habits of Generation Y, that grew up among hectic action, being stimulated by various activities and performing multiple tasks. The studies which approach issues related to generational matter and specifically Generation Y does have some controversies such as the starting point, for some, since 1977, for others since 1985. As to Generation Y behavior, some describe them as well-behaved, team workers and ethicists and others as self-centered, superficial and rebels. Some authors refer to these youngsters as digital natives, and to people of other previous generations as digital migrants. With so many changes in the profile of these young people, it is natural that the school environment has to undergo some modifications to adapt to this new era: new student and new worker. Considering that these young people are at the same time fruit of this technological time and active agents of this process of change, we understand that both the school environment and the work carried out by the teacher is undergoing profound transformations to meet the needs of a new public with such distinctive features. Thus, this paper aims to broaden the debate about Generation Y and assess the influences of the Technological Revolution occurred on these young people in labor relations, and especially in the school environment and on the teaching work. To achieve that, we sought some grounding in theories of work and in studies on youth and generations and management, and some theorists in the area of college education, always taking into account the philosophical, sociological and educational aspects to analyze this Generation. Through a bibliographic research, we realized that changes in the world regarding technological developments and globalization have influenced much the character, ideals and behavior of the young people and this is directly reflected in school. The teacher needs to know how this new Generation thinks and acts, and then seek new teaching practices that are consistent with this audience. What we cannot fail to understand is that the changes brought about by the arrival of Generation Y are not passing. As more and more young people come to school age and later to the labor market and assume leadership positions, the schools and enterprises need to adapt themselves to this vibrantly connected and restless Generation. Key-words: Generations. Generation Y. Education. Teaching work.

LISTA DE FIGURAS

FIGURA 1 Representao visual: coletivismo x individualismo................................. 81

GRFICO 1 Atividades de lazer desenvolvidas online nas ltimas 24 horas nos

Estados Unidos. ..................................................................................... 98

LISTA DE QUADROS E TABELAS

QUADRO 1 Cinco revolues tecnolgicas sucessivas ............................................ 30

TABELA 1 Resultados de busca no Google sobre Gerao Y .................................. 69

TABELA 2 Relao das classificaes de geraes ................................................. 83

QUADRO 2 Gerao Y Infncia e adolescncia .................................................... 96

QUADRO 3 Trabalhos sobre Gerao Y no Brasil .................................................. 106

QUADRO 4 Caractersticas e desafios do Sculo XXI ............................................ 114

LISTA DE ABREVIATURAS E DE SIGLAS

CTS Cincia, Tecnologia e Sociedade)

DORT Doenas Osteomusculares Relacionadas ao Trabalho

EAD Ensino a distncia

ENADE Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes

GTA Grand Theft Auto

IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica

INEP Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Ansio

Teixeira

LDB Lei de Diretrizes e Bases da Educao Nacional

OCDE Organizao para a Cooperao e Desenvolvimento Econmico

OIT Organizao Internacional do Trabalho

PNAD Pesquisa Nacional por Amostra de Domiclios

QI quociente de inteligncia

SEE Secretaria de Estado de Educao

SUMRIO

1. INTRODUO ............................................................................................. 12

1.1 Consideraes iniciais .................................................................................... 12

1.2 Relevncia do estudo ...................................................................................... 15

1.3 Problematizao ............................................................................................. 18

1.4 Objetivos ......................................................................................................... 23

1.4.1 Objetivo geral ......................................................................................... 23

1.4.2 Objetivos especficos ............................................................................. 23

1.5 Metodologia ..................................................................................................... 24

1.6 O texto............................................................................................................. 25

CAPTULO II IMPACTOS SOCIAIS, POLTICOS E ECONMICOS

PROVOCADOS PELA REVOLUO TECNOLGICA A PARTIR DE 1970 .......... 27

2.1 Redefinio do conceito de trabalho a partir do avano da tecnologia ........... 33

2.2 Novas formas de explorao da mo de obra na era da tecnologia ............... 38

2.3 Consideraes para o futuro do trabalho no sculo XXI ................................. 41

2.4 A influncia da Gerao Y no conceito de trabalho e no processo ensino-

aprendizagem ............................................................................................... 53

CAPTULO III TEORIA DOS HABITUS: A SOCIALIZAO E

INDIVIDUALIZAO DOS SUJEITOS NO MUNDO DO TRABALHO A

PARTIR DA REVOLUO TECNOLGICA ............................................................ 57

3.1 Consideraes sobre a teoria do habitus de Pierre Bourdieu ......................... 57

3.2 O trabalho docente a partir das novas formas de socializao e

individualizao dos sujeitos ........................................................................ 62

CAPTULO IV NOVOS TEMPOS, NOVAS GERAES E MUITOS DESAFIOS .... 68

4.1 Gerao e Gerao Y: desafios de conceituao ........................................... 69

4.1.1 Gerao ................................................................................................. 70

4.1.1.1 Karl Mannheim: conceito sociolgico de gerao ........................... 73

4.1.1.2 Strauss e Howe e sua Teoria das Geraes .................................. 76

4.2 Individualismo e coletivismo na caracterizao da Gerao Y ........................ 78

4.3 As geraes anteriores Y ............................................................................. 82

4.3.1 Gerao belle poque/ tradicionalistas .................................................. 84

4.3.2 Baby Boomers ....................................................................................... 85

4.3.3 Gerao X .............................................................................................. 88

4.4 Gerao Y: delimitaes ................................................................................. 89

4.5 Gerao Y ....................................................................................................... 91

4.5.1 Gerao Y: do nascimento escola ...................................................... 95

4.5.2 Gerao Y e Tecnologia ........................................................................ 97

4.5.3 Gerao Y no trabalho ........................................................................... 99

4.6 Geraes brasileiras ..................................................................................... 103

4.7 A literatura sobre Gerao Y no Brasil .......................................................... 106

CAPTULO V A GERAO Y NO ENSINO SUPERIOR: DESAFIOS PARA AS

ESCOLAS E PARA OS PROFESSORES .............................................................. 109

5.1 Educao para novas geraes .................................................................... 112

5.2 O desafio da profissionalizao dos jovens .................................................. 117

5.3 Novas geraes, novos padres e novos desafios de aprendizagem

/ensinagem em sala de aula ....................................................................... 121

4.3. Alunos digitais versus migrantes digitais no ambiente escolar ..................... 127

5.4 O professor para alunos da Gerao Y ......................................................... 131

CONSIDERAES FINAIS .................................................................................... 136

REFERNCIAS ....................................................................................................... 141

1. INTRODUO

1.1 Consideraes iniciais

A Educao Superior no Brasil, assim como no resto do mundo, tem-se

tornado uma realidade para um nmero cada vez maior de alunos, principalmente

nas ltimas dcadas. Segundo o Censo da Educao Superior divulgado pelo

Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Ansio Teixeira (INEP) em

2008, 1.936.078 novos alunos ingressaram no Ensino Superior, 8,5% a mais em

relao a 2007. No total, o nmero de matrculas em 2008 foi 10,6% maior em

relao a 2007, com um total de 5.808.017 alunos matriculados em cursos de

Graduao presencial e a distncia.

Segundo estudos da Hoper Educacional (2011), os fatores que mais

contriburam para a expanso do setor universitrio foram a flexibilizao das regras

para a abertura de cursos e instituies, ocorrida no Governo Fernando Henrique

Cardoso, a regularizao da lei que permitiu a existncia de instituies de Ensino

Superior constitudas de empresas com finalidades lucrativas, a existncia de

enorme demanda reprimida entre os anos de 1996 e 2002, a universalizao do

Ensino Fundamental, com o consequente crescimento do Ensino Mdio e retorno

aos estudos de boa parte das pessoas oriundas da populao economicamente

ativa, que j haviam concludo o Ensino Mdio h cinco anos ou mais.

Nesse contexto, o acesso dos jovens com faixa etria cada vez menor ao

Ensino Superior tende a aumentar, j que as propostas governamentais de

democratizao do Ensino Mdio j acontecem h algum tempo. De fato, os dados

mostram que na faixa etria de quinze a dezessete anos (na qual, teoricamente, os

jovens deveriam estar cursando o Ensino Mdio) a cobertura escolar tem

aumentado: segundo o MEC/INEP, 50,9% dos adolescentes nessa faixa etria

estavam no Ensino Mdio em 2009. Esses nmeros demonstram um avano j que,

em 1999, apenas 32,7% desses jovens estavam matriculados.

Dessa forma, a reduo da faixa etria dos ingressantes no Ensino Superior

j uma realidade em muitas instituies. Esses alunos, cada vez mais jovens,

trazem consigo algumas caractersticas sociais e comportamentais bastante

13

peculiares. Segundo Oliveira, Piccinini e Bitencourt (2011), esses jovens tm um

perfil homogneo. So contemporneos da revoluo digital e especialistas em lidar

com tecnologia. Usam mdias sociais com facilidade, sabem trabalhar em rede e

esto sempre conectados. Alm disso, preocupam-se com o mercado de trabalho

altamente competitivo e buscam intensamente a formao superior e o ingresso na

carreira pblica como passaporte para a estabilidade profissional. So altamente

tecnolgicos, tm uma relao com a comunicao diferente das geraes

anteriores. So pessoas que conseguem ver televiso, trabalhar e conversar

utilizando um computador enquanto ouvem msica. Esses jovens, em sua grande

maioria nascidos na dcada de 1990, na Sociologia so conhecidos como Gerao

Y, tambm conhecida como Milleniun ou NET (Tapscot, 1998). Para fins de

direcionamento da pesquisa, aqui trataremos como Gerao Y.

A proposta deste estudo teve incio com um projeto de pesquisa apresentado

no processo seletivo do Programa de Ps-Graduao em Educao da Universidade

Federal de Uberlndia na linha de pesquisa Trabalho, Sociedade e Educao, no

ano de 2011. O ttulo do projeto era: O novo perfil do aluno dos cursos superiores e

suas influncias na prtica docente.

O objetivo principal enunciado no referido projeto era o de analisar a mudan