bartolomeu campos de queirós

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  • ROSANE DA SILVA GOMES

    ENTRE GUIMARES ROSA, MANOEL DE BARROS E BARTOLOMEU CAMPOS QUEIRS:

    A CRIAO DE UMA INFNCIA DA ESCRITA

    Universidade Federal de Minas Gerais Faculdade de Letras

    Belo Horizonte 2011

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    ROSANE DA SILVA GOMES

    ENTRE GUIMARES ROSA, MANOEL DE BARROS E BARTOLOMEU CAMPOS QUEIRS:

    A CRIAO DE UMA INFNCIA DA ESCRITA

    TESE apresentada ao Programa de PsGraduao da Faculdade de Letras da UFMG como requisito parcial para a obteno do Ttulo de Doutor em Letras: Literatura Brasileira.

    rea de concentrao: Literatura Brasileira Linha de Pesquisa: Poticas da Modernidade Orientadora: Prof. Dr. Marli de Oliveira Fantini Scarpelli

    Universidade Federal de Minas Gerais Faculdade de Letras

    Belo Horizonte 2011

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    Ficha catalogrfica elaborada pelos Bibliotecrios da Biblioteca FALE/UFMG

    Gomes, Rosane da Silva. R788J.Yg-e Entre Guimares Rosa, Manoel de Barros e Bartolomeu

    Campos Queirs [manuscrito] : a criao de uma infncia da escrita / Rosane da Silva Gomes. 2011.

    165 f., enc.

    Orientadora : Marli de Oliveira Fantini Scarpelli.

    rea de Concentrao : Literatura Brasileira Linha de Pesquisa : Poticas da Modernidade.

    Tese (doutorado) Universidade Federal de Minas Gerais, Faculdade de Letras.

    Bibliografia : f. 157-165.

    1. Rosa, Joo Guimares, 1908-1967. Jardins e riachinhos Crtica e interpretao Teses. 2. Barros, Manoel de, 1916- Crtica e interpretao Teses. 3. Queirs, Bartolomeu Campos Crtica e interpretao Teses. 4. Benjamin, Walter, 1892-1940 Crtica e interpretao Teses. 5. Agamben, Giorgio, 1942- Crtica e interpretao Teses. 6. Deleuze, Gilles, 1925-1995 Crtica e interpretao Teses. 7. Infncia Teses. 8. Memria na literatura Teses. 9. Tempo na literatura Teses. 10. Criao literria Teses. 11. Escrita na literatura Teses. I. Fantini, Marli. II. Universidade Federal de Minas Gerais. Faculdade de Letras. III. Ttulo.

    CDD: B869.33

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    AGRADECIMENTOS

    Aos meus pais, pela vida.

    Aos meus amigos, pelo incentivo e a fora constantes, durante todo o percurso de escrita da tese.

    Professora Doutora Marli de Oliveira Fantini Scarpelli, pela orientao da presente tese.

    s Professoras Selma Moura, Claudia Ricci, Dlia Maria Andrade Glria e Luciana Silva, responsveis pela direo do Centro Pedaggico da UFMG nos anos de 2007 e 2008, pelo acolhimento na instituio.

    A Deus, que me ajudou a vencer as muitas dificuldades surgidas no decorrer do curso.

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    Desexplicao

    Lngua de criana a imagem Da lngua primitiva Nas crianas fala o ndio, a rvore, o vento Na criana fala o passarinho O riacho por cima das pedras soletra os meninos. Na criana os musgos desfalam, desfazem-se. Os nomes so desnomes. Os sapos andam na rua de chapu. Os homens se vestem de folhas no mato. A lngua das crianas contam a infncia Em tatibitati e gestos.

    Manoel de Barros

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    RESUMO

    A proposta desta tese refletir sobre a infncia, tendo em vista a problematizao de conceitos paradigmticos sobre o tema, via de regra, impregnados dos sentidos de falta, carncia e incompletude. A abordagem cristalizada da infncia como um estado precrio, provisrio e lacunar equacionada neste trabalho cujo desafio lanar outras propostas de leitura para o tema, dentre as quais o tratamento da infncia como acontecimento, ligado esfera do novo e da criao. Para tal discusso, este trabalho ancorou-se especialmente nos textos tericos de autores como Walter Benjamin, Giorgio Agamben e Gilles Deleuze, com o propsito de pensar sobre as possveis relaes entre a literatura e a infncia. Tais relaes se pautaram nos contos Jardins e Riachinhos, de Guimares Rosa. Para explorar este modo de ver a infncia buscamos convergncias de narrativas rosianas aqui exploradas com textos de Manoel de Barros e Bartolomeu Campos Queirs. A partir de imagens literrias desses escritores foi-nos possvel identificar uma potica da infncia ou infncia da escrita. Trata-se de escritas tecidas pelo vis de criao e desvelamento, a partir de um contnuo brincar com as palavras. O infantil na literatura foi explorado no somente como um tema, mas principalmente como uma estrutura, ou seja, uma maneira de se escrever e dar a ver a infncia em seu contnuo e criativo devir, subvertendo-se, assim, a ideia de que a infncia se reduz a um tempo da carncia, lacunaridade e insuficincia.

    Palavras-chave: Guimares Rosa, Bartolomeu Campos de Queirs, Manoel de Barros

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    ABSTRACT

    The purpose of this thesis is to produce a reflexion about childhood through questioning some paradigmatic concepts on the subject that are, as a rule, instilled with the sense of failure, lack and incompleteness. The crystallized approach of childhood as a precarious, provisional and incomplete state is equated on this work, that has the challenge to project others reading proposals for the theme, among which include the treatment of childhood as an event linked to the sphere of the new and the creation. For this discussion, this work was based especially on the theoretical writings of authors such as Walter Benjamin, Giorgio Agamben and Gilles Deleuze, in order to think about possible relationships between literature and childhood. These relations were based on Guimares Rosa"s tales "Jardins e Riachinhos". His view of childhood is explored through the convergence of texts about the theme writen by Manoel de Barros and Bartolomeu Campos Queirs. From literature images of these writers was possible to us to identify a poetry of childhood or a childhood writing. thats all about writing commented with relations of creation and discovery from the playing with the words. The childish on the literature was explored not just as a theme, but mainly like a manner to write and figure out the childhood on its on going and creative duty overturning at this way the idea on which the childhood gets decrease to a time of necessity, gaping and scanty.

    Keywords: Guimares Rosa, Bartolomeu Campos de Queirs, Manoel de Barros

  • 7

    SUMRIO

    INTRODUO ................................................................................................................... 9

    CAPTULO I: OS CONCEITOS DA INFNCIA NA MODERNIDADE: UMA ANLISE SCIO-HISTORIOGRFICA ............................................................. 21 1.1 A contribuio de Philippe Aris .............................................................................. 22

    1.2 -Vises de pensadores sobre a infncia: a contraposio Aris ............................ 25

    1.3 - Locke e Rousseau : a necessidade da formao da criana .................................... 29

    1.4 - Henry Jenkins e a construo do conceito de infncia:

    a preservao da inocncia ......................................................................................... 33

    1.5 Neil Postman e o desaparecimento da infncia ....................................................... 35

    1.6 A infncia idealizada da Modernidade e os questionamentos deste conceito na contemporaneidade ............................................................................................................. 38

    1.7- Outras infncias: a experincia do infantil nos contos de Guimares Rosa .......... 41

    1.7.1 - s margens da vida, nas margens da alegria .............................................. 42 1.7.2 - A absoluta leveza nos Cimos ...................................................................... 47

    CAPTULO II ITINERRIOS NA LITERATURA: DAS LINGUAGENS SOBRE UMA INFNCIA INFNCIA DA LINGUAGEM 53 2.1 Vises da infncia na literatura: uma breve histria ............................................ 54

    2.1.1 - A infncia na literatura brasileira o papel da memria na reconstituio da infncia ................................................................................................................... 58

    2.1.2 O tempo infantil: outras formas de rememorao da infncia em Bartolomeu Campos Queirs ............................................................................................................ 65

    2.2 A redescoberta da infncia pela linguagem: apontamentos de Walter Benjamin e Giorgio Agamben .............................................................................................................. 70

    2.2.1- Benjamin e a concepo da infncia instaurada pela/na linguagem ........... 71

    2.2.2 - Agamben e a infncia como condio da histria ....................................... 75

    2.3 Jardim Fechado e a descoberta da infncia na escrita de Guimares Rosa ..... 81

  • 8

    CAPTULO III - O RIACHINHO SIRIMIM: TRAVESSIAS DA INFNCIA

    3.1- O conceito de devir-criana de Deleuze e Guattari .................................................. 87

    3.2 - Literatura menor e uma escrita da infncia ............................................................. 95

    3.3 - Uma literatura menor: o poder da infncia na escrita ......................................... 100

    3.4 - Um riachinho, o Sirimim .......................................................................................... 101

    3.4.1 A minoridade em Sirimim .......................................................................... 103

    3.4.2- Travessias de Sirimim ................................................................................ 106

    3.4.3 - O acontecimento e o tempo ainico em Sirimim ................................