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  • Barroco(sculo XVII)

  • AntecedentesRenascimento cultural e Reforma religiosa (sculo XV-XVI):

    Transformaes scio-econmicas e culturais transformaram substancialmente os valores de um mundo aristocrata.

    Usura era condenada pela Igreja, o que impedia a burguesia de ter altos lucros no seus empreendimentos.

    Da, fundou-se a tica protestante, ajustada ao esprito capitalista. O homem justificado pela f, e no por seus atos no mundo.

    Os reis, na sua nsia de unificar o poder do Estado em si, iro apoiar tais reformas: isso lhes dava o direito divino e o controle da Igreja.

  • Ideologia do capitalismo nascente (tese)

    Em 1748, Benjamin Franklin escreveu os seguintes conselhos a jovens homens de negcios:

    Lembra-te que o tempo dinheiro Lembra-te que o crdito dinheiro Lembra-te que o dinheiro produtivo e se multiplica Lembra-te que, segundo o provrbio, um bom pagador senhor de todas as bolsas A par da sobriedade e do trabalho, nada mais til a um moo que pretende progredir no mundo que a pontualidade e a retido em todos os negcios.

  • Anttese

    Podemos contrapor isso com o dito de Antonio Candido:

    Acho que uma das coisas mais sinistras da histria da civilizao ocidental o famoso dito atribudo a Benjamin Franklin, tempo dinheiro. Isso uma monstruosidade. Tempo no dinheiro. Tempo o tecido da nossa vida, esse minuto que est passando. Daqui a 10 minutos eu estou mais velho, daqui a 20 minutos eu estou mais prximo da morte. Portanto, eu tenho direito a esse tempo. Esse tempo pertence a meus afetos. para amar a mulher que escolhi, para ser amado por ela. Para conviver com meus amigos, para ler Machado de Assis. Isso o tempo.

  • E justamente a luta pela instruo do trabalhador a luta pela conquista do tempo como universo de realizao prpria. A luta pela justia social comea por uma reivindicao do tempo: eu quero aproveitar o meu tempo de forma que eu me humanize. As bibliotecas, os livros, so uma grande necessidade de nossa vida humanizada".

  • Barroco: contexto histrico

    O Barroco expressa a arte da Contrarreforma. Contrarreforma: resposta da Igreja Catlica aos avanos do

    protestantismo.a. Conclio de Trento (1545): marco da Contrarreforma.b. Instaurao do Tribunal do Santo Ofcio teve como consequncias: a

    fiscalizao da produo intelectual (1); a expanso da f crist (2); moralizao do clero (3), a reafirmao dos dogmas (4); a perseguio s heresias (5).

    c. Inquisio: aplicao de penas aos rus herticos: as punies, pblicas, tinham por efeito servir de exemplo e intimidar os fiis.

  • Sentimento de poca.

    Crise dos valores antropocntricos: foi sentimento de poca certo saudosismo teocntrico.

    Lembrando que o antropocentrismo no se reduz apenas ao centro. Ele marcado sobretudo por um interesse cientfico e artstico pelo Homem em sua relao com o mundo. Tanto assim que perde-se o interesse quando a revoluo cientfica tira o mundo de seu eixo, colocando a ordem at ento vigente em xeque.

    Basta nos lembrarmos de Cames: preserva uma tica humanista e, ao mesmo tempo, crist. Sua lrica tensiona as contradies com tanta intensidade que antecipa a esttica barroca.

  • Estticas do barroco

    Conceptismo

    Cultismo

    Fesmo

    Fusionismo

  • Conceptismo (ou quevedismo)

    Jogo intelectual cujo fim o de convencer o leitor atravs de argumentos refinados e retricos a aceitar o ponto de vista do pregador ou poeta.

    Exemplo: Sermes de Pa. Antonio Vieira

    Funo: O bom pregador organiza seus sermes de maneira lgico-racionalista.Estilo: inverses sintticas (hiprbato), paradoxos, antteses, metforas, hiprbole.

    A razo, legado renascentista, coloca-se a servio da instituio catlica, no seu intento de retomar o domnio sobre a totalidade, posto em xeque pelas descobertas cientficas (cuja consequncia a reforma protestante)

  • Cultismo (gongorismo)

    Jogo de imagens/palavras em que o criador se utiliza de linguagem rebuscada e figuras de estilo.

    Ornamentao estilstica: hiprbole, sinestesia, anttese, paradoxo, metfora, etc.)

    O uso delas cria um jogo sensorial, que busca descrever o mundo por meio de sensaes, apoiado em sugestes expressivas de cores e de sons.

    Nasce o Sol (cor), e no dura mais que um dia,

    Depois da Luz se segue a noite escura,

    Em tristes sombras morre a formosura,

    Em contnuas tristezas a alegria.

    (Moraliza o Poeta nos Ocidentes do Sol a Inconstncia dos Bens do Mundo - Gregrio de Matos)

  • Feismo

    Valoriza aspectos desconsiderados pelo classicismo. Ressalta-se a misria humana, sempre vista pelo prisma da religio e cuja imagem maior Cristo.

    A dor, o sofrimento, o trgico, e o cruel saltam das telas de artistas consagrados de forma naturalista (oposta ao idealismo da arte renascentista).

  • Medusa (Caravaggio, 1597)

    Realismo: os olhos saltando da rbita, os dentes cortantes mostra, a boca aberta e imvel, soltando um grito silencioso e o sangue vivo jorrando (inspirado nos executados).

    O mito: transformava homens em pedra, s pelo olhar. Foi derrotada por Perseu, ao mirar o escudo espelhado e ser vtima de sua prpria arma letal.

    A dramaticidade encontrada nas obras de Caravaggio d-se pelo uso da tcnica do chiaroscuro, em que o pintor trabalha com os contrastes de luzes e sombras.

  • Judite decapitando Holofernes (1599)

    Paralelo com a contra-reforma catlica, combatendo a heresia da poca.

    Dado o paralelo, interessante notar a expresso de Judite.

  • Judite decapitando Holofernes

    (Artemisia Gentileschi, 1614, 1620)

  • Salom (Caravaggio, 1607)

    Anttese e chiaroscuro tm uma funo.

  • O sepultamento de Cristo (Caravaggio)

    Momento de transfigurao vs. lamentao dos que ficam.

  • Fusionismo

    Nesta vertente, h uma tentativa de fundir antropocentrismo e teocentrismo (at ento irreconciliveis).

    Os plos ficam bem visveis: entre sagrado e profano, bem e mal, carne e esprito, corpo e alma. Difere do naturalismo de Caravaggio por apresentar esta tenso.

  • O sepultamento de Cristo (Rubens)

    Comparao

  • O rapto das filhas de Leucipo, 1617

    Entre sagrado e profano...

  • Vnus

    Nudez.

  • Ecos do barroco no BrasilPrimeiras manifestaesA poesia de Gregrio de Matos

  • Primeira manifestao: Prosopopeia, de Bento Teixeira Filho.

    Prosopopia a primeira manifestao do Barroco no Brasil, o qual se estende at 1768, ano em que Cludio Manuel da Costa inaugura o Arcadismo com a publicao das Obras Poticas.

    Poema pico em oitavas hericas. Sua matria advm da mitologia greco-romana, algo que situado em terreno colonial soa deslocado de sua origem, ainda mais se levamos em conta o panegrico: dirige-se com louvor ao donatrio da Capitania de Pernambuco, Jorge de Albuquerque.

  • Porque ecos do Barroco?

    preciso imaginar o barroco como uma primeira manifestao literria, sem ainda constituir uma escola com sistema propagado.

    A razo disso est no contexto colonial: os territrios ainda no foram unificados. Encontram-se divididos em capitanias (ilhas culturais: Salvador, Rio, Recife, So Vicente, Minas).

    na Bahia, centro administrativo da colnia, que o barroco ir ganhar vulto, ainda que timidamente e com poucos poetas.

  • Gregrio de Matos: vida e obra

    Vida Supe-se que nasceu em 1623, na cidade da Bahia de Todos Os Santos. Cursou o colgio dos jesutas. Mais tarde, vai para Coimbra estudar direito. Retorna ao Brasil por perseguies de autoridades, a sua poesia satirizava figuras

    importantes na corte. Sua poesia tinha tal funo informativa sobre a vida e os costumes da colnia

    que era uma espcie de jornal, circulando por todos os espaos da vida colonial.

    Apelidos: O boca do inferno, O boca de pimenta malagueta, O boca de sal.

  • POESIA

    A poesia de Gregorio pode ser dividida da seguinte maneira:

    a. Poesia satrica

    b. Poesia lrica

    c. Poesia sacra

  • Poesia satrica

    Apresenta um retrato da sociedade brasileira do sculo XVII com sua mordacidade literria.

    Ele satiriza todas as classes sociais, sobretudo o clero, as freiras, os unhates e caramurus, os mulatos e as autoridades .

    Uso de vocabulrio debochado.

    Exprimia com todas as letras a circunstncia e a pessoa que nela estava envolvida.

  • Descreve o que era naquele tempo a cidade da Bahia

    A cada canto um grande conselheiro,Que nos quer governar cabana e vinha;No sabem governar sua cozinha,E podem governar o mundo inteiro.

    Em cada porta um bem freqente olheiro,Que a vida do vizinho e da vizinhaPesquisa, escuta, espreita e esquadrinha,Para o levar praa e ao terreiro.

    Muitos mulatos desavergonhados,Trazidos sob os ps os homens nobres,Posta nas palmas toda a picardia,

    Estupendas usuras nos mercados,Todos os que no furtam muito pobres:E eis aqui a cidade da Bahia.

  • Anlise

    Trata-se de um soneto, mas a matria aponta para uma crtica social. Compe-se assim um retrato da Bahia onde a misria poltica ombreia com a

    grandeza econmica, marcada pela desigualdade e falta de oportunidades.

  • Aspectos histricos

    Aps 1500, portugueses estabelece o domnio sobre a colnia. Nestes incios do sculo XVII (1600) o fluxo migratrio aumenta: ocupar e enriquecer.

    A economia nascente: a cana de acar e o gado. Bahia: se tornou o lugar de maior cultivo e produo de cana. No s

    enriqueceu uma casta nfima de senhores de engenho, como tambm requeriu, para o alargamento da produo, de escravos.

    - Companhia de Jesus: essencial na instruo dos filhos de poderosos; - Ausncia de imprensa, que s aparece em 1808.