AVALIAÇÃO SANITÁRIA, HEMATOLÓGICA E PARASITÁRIA ?· AVALIAÇÃO SANITÁRIA, ... São José e da…

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VVII EEPPCCCC CESUMAR Centro Universitrio de Maring

Maring Paran Brasil

ISBN 978-85-61091-05-7

VI EPCC Encontro Internacional de Produo Cientfica Cesumar

27 a 30 de outubro de 2009

AVALIAO SANITRIA, HEMATOLGICA E PARASITRIA DOS PEIXES DE PESQUE-PAGUES DA CIDADE DE MARING

Josiane Santos de Souza; Jussara Maria Leite Oliveira Leonardo; Alessandra Aparecida Alca Alvares

RESUMO: Neste trabalho, avaliou-se as condies sanitrias, parasitolgicas e hematolgicas dos peixes de pesque-pagues de Maring, com nfase na qualidade da carne consumida por freqentadores dos mesmos. Para tanto, foram coletadas 20 amostras aleatrias dos pesque-pagues Vale do Sol e So Jos ambos localizados em Maring, com posterior coleta de sangue e exames parasitolgicos de tegumentos e brnquias. O mesmo foi realizado com 10 tilpias coletadas da piscicultura da UEM usadas como parmetro hematolgico para comparao com as demais. A comparao no foi possvel, pois as caractersticas de cada animal depende da espcie, idade, sexo, alimentao e ambiente em que vive PALAVRAS CHAVES: Hematcrito; Ictioparasitologia; Peixes; Sanidade.

1 INTRODUO

A psicultura uma cultura muito antiga, tendo sido usada por diversos povos

antigos, sculos antes de Cristo. Seus mtodos de aprimoramento vm sendo pesquisados e atualizados paulatinamente desde, tcnicas para reproduo at formas de adaptao de clima para as variadas espcies. (SCHMIDT, 1988)

Atualmente, o ramo da criao animal que mais cresceu no mundo. Segundo a Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO), a produo de pescado vindo da agricultura que em 1984 era de 10,1 mi/T, em 1999 passou para 32,9. Sendo 60% dessa produo em gua doce, chegando a 12% de crescimento anual. (ONO, 2003)

No Brasil, vrias pesquisas tm sido realizadas com objetivo de desenvolver mtodos prprios para as condies do pas. O que promoveu um crescimento nesta rea em nveis nacionais. (YANCEY, 1995)

Para uma produo de alta qualidade deve-se atentar para o sistema de produo utilizado podendo ser extensivo, semi extensivo, intensivo e superintensivo.

Caractersticas ideais de criao

Para iniciar a criao de peixes necessrio possuir mo de obra especializada,

local apresentando um bom terreno e para manter essa produo em condies adequadas preciso estar atento a gua avaliando a temperatura, colorao e transparncia, grau de oxignio, gs carbnico, clcio e magnsio, nitrognio, fsforo, pH (potencial hidrognico) e sais minerais.

Cada espcie de peixe apresenta exigncias especificas quanto a estes requisitos de criao. O mesmo ocorre com a alimentao, muitos se alimentam somente com rao, outros com plncton ou at mesmo uma juno dos dois. O nico parmetro que se pode

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padronizar para todas as espcies o pH (potencial hidrognico) que deve se encontrar entre 6 e8.

Com relao as caractersticas hematolgicas os resultados devem considerar vrios fatores como espcie, idade, sexo, alimentao, ambiente a que esto expostos e por essa razo uma importante caracterstica a ser analisada quando os animas so expostos a estresse e parasitas.

Os parasitas encontrados nos peixes so pertencentes aos filos microsporea, mastigophora, rhizopoda, apicomplexa, ciliophora, myxozoa, monogenea, digenea, cestoda, nematoda, acanthocephala, crustacea, dentre outros. Estes parasitas quando encontrados em pequenas quantidades no oferecem riscos a sade do peixe, porm quando encontrados em grandes quantidades e associados a estresse crnico e problemas sanitrios provocam doenas , afetam a qualidade do pescado e pode at mesmo levar o animal a morte

2 MATERIAL E MTODOS

Foram utilizados 30 peixes retirados aleatoriamente dos pesqueiros Vale do Sol,

So Jos e da piscicultura da UEM por meio de anzol e, posteriormente submetidos a uma avaliao sanitria, parasitolgica e hematolgica.

As amostras para testes parasitrios foram retiradas de raspado de tegumento e brnquias, para pesquisa de ectoparasitas. Tais amostras foram comprimidas entre lmina e lamnula e analisadas em microscpio ptico em aumento de 10 vezes. (CUBAS, 2007)

Quanto ao material para hemograma, foram coletadas amostras de sangue dos animais ainda em vida. Para tanto, utilizou-se agulhas (25/7) em seringas lavadas com 50 microlitros de heparina 24 horas antes do experimento.

Aps a coleta, as amostras foram armazenadas em tubos de plstico, com imediata microcentrifugao para avaliao do volume globular (hematcrito) e protenas plasmaticas. (FELDMAN, 2000)

Os dados obtidos a partir dos exames realizados com as amostras ficaram armazenados em uma ficha onde constam os dados hematolgicos e parasitolgicos de cada animal.

O manejo sanitrio foi avaliado por meio de visitaes para observao de vrios parmetros como a gua, ambiente, tanques e alimentao dos animais. Para a gua foi aferida a temperatura atravs de um termmetro, analisada a transparncia, profundidade de cada tanque e o pH este feito por meio de um pHmetro. No ambiente observou-se a fonte da gua que abastece os tanques, tipo de solo, mo de obra. Nos tanques a presena de predadores e com relao a alimentao como era realizada e a freqncia.

3 RESULTADOS E DISCUSSO

Os resultados relacionados a gua se encontram dentro dos parmetros em ambos os pesque-pagues. Realizando uma mdia o pH estava em torno de 6 a 8, transparncia entre 25 e 45cm e a profundidade dos tanques variavam desde 6 at 14m.

As condies higinicas acompanharam o padro de acordo com a estrutura dos dois locais. Apresentam lixeiras em vrias partes, bancos prximos aos tanques, cobertura em eternite para proteo contra o sol.

No peque-pague Vale do Sol foram coletados 12 animais sendo eles: 5 pacus, 1 tilpia, 3 cat fish, 1 bagre, 1 cascudo e 1 matrinx. No pesqueiro So Jos foram pegos aleatoriamente 8 tilpias e para comparar os valores do volume globular das tilpias, coletou-se 10 tilpias do centro de psicultura da UEM . Os resultados dos exames realizados encontram-se nas tabelas abaixo.

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Tabela 1: valores mdios do volume globular (hematcrito), protena plasmtica total (PPT) e o nmero (n) e espcies de peixes analisados em cada pesqueiro e na piscicultura da UEM. Pesqueiro/ psicultura

Espcie (n) Hematocrito (%)

Protena plasmtica

total So Jos Tilpia (n=8) 21,7511,32 3,70,53

Piscicultura da UEM

Tipia (n=8) 33,57,2 4,220,96

Vale do Sol Pacu (n=5) 27,62,07 3,780,3 Vale do Sol Tilapia (n=1) 19 4,2 Vale do Sol Matirnx(n=1) 37 5,2 Vale do Sol Cat fish (n=3) 3715,71 5,731,41 Vale do Sol Bagre (n=1) 32 4,6 Vale do Sol Cascudo

(n=1) 31 4,4

Fonte: pesqueiro So Jos, Vale do Sol e piscicultura da UEM.

O valor do volume globular dependente da espcie, idade, sexo, alimentao e ambiente ao qual os animais esto expostos, ocorrendo portanto grande variao de espcie para espcie no podendo ser comparados entre si, e sim somente entre indivduos de uma mesma classificao.

Os animais coletados do pesqueiro So Jos se encontravam em uma superlotao e apresentaram o maior nmero de parasitas e consequentemente uma maior variao nos valores hematolgicos, isso devido ao fato de todas as grandes concentraes de animais representarem um fator que favorece o aparecimento de doenas, alm disso, nesse regime de confinamento os peixes ficam submetidos a um estresse crnico, a um excesso de excreo de produtos metablicos e todos esses fatores refletem-se na homeostasia dos peixes.

Na tabela 2 verificamos que os parasitas mais encontrados em todos os lugares pesquisados foram a Monogenya e a Trichodyna. No Vale do Sol e na psicultura da UEM aparecem em baixas quantidades, j no pesqueiro So Jos estavam em maior nmero devido a grande concentra de nimais no tanque mas essas quantidades no so significativas para causar danos severos.

Tabela 2: valores mdios de cada parasita encontrado nos peixes analisados em cada pesqueiro e na piscicultura da UEM. Pesqueiro/piscicultura Monogenya Trichodyna Ichioctiphylus Saprolegnia So Jos 5,624,95 13,128,69 0,3750,74 0

Psicultura da UEM

0,30,67 2,32,98 0,10,31 0

Vale do Sol

1,452,11 1,903,33 0 0,180,40

Fonte: pesqueiro So Jos, Vale do Sol e piscicultura da UEM. A Trichodyna spp so parasitas ciliados encontrados com freqncia na superfcie

dos peixes, principalmente nas brnquias, sendo tambm comum no tegumento. Provocam patogenia quando encontrados em grandes quantidades e isso ocorre principalmente devido a um declnio na qualidade da gua e uma alta concentrao de animais em um dado local, esses fatores favorecem a reproduo do parasita. Quando esto em pequeno numero atuam como ectomensais, alimentando-se de bactrias, algas e partculas em suspenso na gua.

Os monogenticos (Monogenya) so ectoparasitas do grupo dos platelmintes caracterizados principalmente, pela presena de um aparelho de fixao localizado

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geralmente na parte superior do corpo chamado de haptor, ele introduzido no corpo dos peixes para fixao provocando uma srie de reaes, podendo resultar em uma produo excessiva de muco, o que levaria esses animais a morte por asfixia. Normalmente so encontrados parasitando as brnquias dos peixes, podendo, no entanto, localizar-se no tegumento, nas nadadeiras e cavidades nasais dos hospedeiros. A maioria das espcies de monogenticos se alimentam de muco e clulas epiteliais, porm alguns podem se alimentar tambm de sangue e causar anemia. As doenas provocadas pr estes parasitas so de grande importncia devido o fato de, geralmente, atacarem as brnquias, rgo vital do peixe.

4 CONCLUSO

Os resultados do presente estudo demonstraram que os valores do volume globular

e protena plasmtica so dependentes da espcie e ambiente a que esto expostos. Grandes concentraes de animais permite a reproduo dos parasitas , debilitam os hospedeiros favorecendo assim a parasitose, o que foi comprovado com o levantamento dos ectoparasitas dos peixes, aqueles encontrados em tanques menores com super lotao apresentavam uma maior variao no hematcrito com alguns animais apresentando anemia e tambm um grande nmero de parasitas.

Com relao a higiene, todos os pesqueiros apresentavam condies adequadas para o bem estar dos peixes, exceto a super lotao que ocorreu com um dos pesqueiros em um dos tanques. Esse um problema que se resolve fcil, deve-se evitar as grandes concentraes de animais nos tanques.

REFERNCIAS CUBAS, Zalmir S.; SILVA, Jean C. R.; CATO-DIAS, Jos L. Tratado de animais selvagens: medicina veterinria. So Paulo: ROCA, 2007. EIRAS, Jorge da C.; TAKEMOTO, Ricardo M.; PAVANELLI, Gilberto C. Mtodos de estudo e tcnicas laboratoriais em parasitologia de peixes. 2.ed.rev. e amp. Maring, PR: EDUEM, 2006. GALLI, Luiz Fernando; TORLONI, Carlos Eduardo. Criao de peixes. 3ed. So Paulo, SP: NOBEL, 1984. KUBITIZA, Fernando. Tilpia: tecnologia e planejamento na produo comercial. Jundia, SP: Diviso de biblioteca e documentao, 2000. MOREIRA, H. L. M. et all. Fundamentos da moderna aqicultura. Canoas, RS: Ed. ULBRA, 2001. NOMURA, Hitoshi. Criao e biologia de animais aquticos. So Paulo: Nobel, 1977. ONO, Akifumi; KUBITZA, Fernando. Cultivo de peixes em tanques-redes. 3.ed.rev. e amp. Jundia, SP: Diviso de biblioteca e documentao, 2003. POLI, Carlos R.; PEREIRA, Jos A.; BORGHETTI, Jos R. Aqicultura no Brasil: bases para um desenvolvimento sustentvel. Braslia: CNPq, 2000. SCHMIDT, Antnio Augusto Pires. Piscicultura: a fonte divertida de protenas. So Paulo: cone, 1988.

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YANCEY, Dean Romayn; MENEZES, Jos Roberto Rezende de. Manual de criao de peixes. Campinas, SP: Instituto campinheiro de ensino agrcola, 1995.

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