AVALIAÇÃO FÍSICO-QUÍMICA DA QUALIDADE DA ÁGUA DE ?· avaliação físico-química e microbiológica…

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    AVALIAO FSICO-QUMICA DA QUALIDADE DA GUA DE UMA CACIMBA

    LOCALIZADA NA CIDADE DE AREIA-PB

    Gabryella Freire Monteiro1; Bruna Alves Teixeira Lima2; Camila Macabas da Silva3;

    Tereziana Silva da Costa4; Maria Betania Hermenegildo dos Santos5

    1Universidade Federal da Paraba, Centro de Cincias Agrrias, Areia, PB,

    gabyfreire25@hotmail.com; 2 Universidade Federal da Paraba Centro de Cincias Agrrias, Areia, PB,

    bruna.alves.ifba@hotmail.com; 3 Universidade Federal da Paraba Centro de Cincias Agrrias, Areia, PB,

    camilamacaubas@hotmail.com; 4 Universidade Federal da Paraba Centro de Cincias Agrrias, Areia, PB,

    tereziana_sc@hotmail.com; 5 Universidade Federal da Paraba Centro de Cincias Agrrias Departamento de Qumica e Fsica,

    Areia, PB, betania@cca.ufpb.br

    Introduo

    A gua um bem essencial vida, um recurso natural limitado e que atua no

    desenvolvimento econmico e social de uma regio; porm, devido aos seus usos mltiplos e

    inadequados, tem ocorrido diminuio da sua quantidade em termos de qualidade (BRASIL,

    1997; SOUZA et al. 2014). Segundo Brasil (2005) a gua considerada potvel para o

    consumo humano quando os parmetros microbiolgicos, fsicos, qumicos e radioativos

    atendem ao padro de potabilidade e no oferecem riscos sade.

    O nordeste a regio do pas que mais sofre com a escassez de gua, sendo

    caracterizada por baixa taxa de precipitao, elevada evaporao e pouca gua de fontes

    superficiais. Uma alternativa encontrada para suprir esse dficit so as guas de reservas

    subterrneas, conhecidas como cacimbas, que so exploradas no meio rural como forma de

    poos (NANES; NANES; FARIAS, 2012); porm esta gua subterrnea pode conter vrios

    constituintes desconhecidos devido a vrios fatores, tais como: deposio atmosfrica,

    processos qumicos de dissoluo e/ou hidrlise no aqufero e mistura com esgoto e/ou guas

    salinas por intruso, fatores que influenciam nas caractersticas qualitativas e quantitativas dos

    mananciais subterrneos (FREITAS; BRILHANTE; ALMEIDA, 2001).

    Ante o exposto o presente trabalho teve, por objetivo, avaliar a qualidade fsico-

    qumica da gua de uma cacimba localizada na cidade de Areia-PB.

    Metodologia

    A coleta das amostras foi realizada no dia 07 de abril de 2017 em uma cacimba situada

    no CCA/UFPB no municpio de Areia. A gua da cacimba passa por um sistema de

    bombeamento e escoa por um cano em um processo contnuo no qual se coletou cerca de dois

    litros de gua de forma assptica e em vidros estreis que seguiram imediatamente para

    anlise em triplicata dos seguintes parmetros: cloretos, dureza total, pH, turbidez,

    alcalinidade total, temperatura e condutividade eltrica no Laboratrio de Qumica Analtica

    do DQF/CCA/UFPB.

    O preparo das solues e a anlise dos parmetros foram baseados nos estudos da

    FUNASA (2004); com exceo da turbidez e condutividade eltrica, que seguiram o seu

    manual de instruo. O pH foi analisado com um aparelho da MS Tecnopon modelo luca-210,

    previamente calibrado, tal como o turbidmetro da Del Lab modelo DLT WV e o

    condutivmetro da MS Tecnopon modelo luca-150, utilizados para analisar a turbidez e a

    condutividade eltrica, respectivamente. Quanto temperatura, foi analisada com termmetro

    de mercrio no momento da coleta.

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    Resultados e discusso Os documentos utilizados para avaliar os resultados obtidos foram a Portaria n

    518/2004 do Ministrio da Sade e a Resoluo n 357/2005 do CONAMA, que estabelecem

    os padres que a gua deve dispor para que seja considervel potvel e assim possa ser

    encaminhada para o consumo humano.

    Os resultados obtidos para cloretos, dureza total e turbidez, foram 0,05 mg/L; 65,3

    mg/L e 0,08 UNT, respectivamente, e ao compar-los com Portaria n 518/2004 do Ministrio

    da Sade e a Resoluo n 357/2005 do CONAMA verificou-se que esses ndices esto dentro

    do valor mximo permitido, uma vez que os valores estabelecidos so 250 mg/L de cloretos,

    500 mg/L de CaCO3 e 40 UNT, respectivamente.

    Em relao ao nvel de cloretos, FUNASA (2004) afirma que esto contidos na gua

    na forma de NaCl, CaCl2 e MgCl2 e que altas concentraes desse on limitam o consumo da

    gua em virtude do sabor que concedem e pelo efeito laxativo que podem provocar.

    Quanto dureza, Medeiros Filho (2009) afirmam que teores entre 50 e 150 ppm de

    carbonato de clcio, no ocasionam interferncia no sabor da gua; entretanto, a partir de 100

    ppm podem provocar prejuzos em trabalhos nos quais necessria a utilizao de sabo na

    gua. Alm disso, altas concentraes geram incrustaes danosas em caldeiras.

    A Resoluo n 357/2005 da CONAMA estabelece para a turbidez a adoo da

    Unidade Nefelomtrica de Turbidez (UNT) como unidade de medida; segundo Medeiros

    Filho (2009) a turbidez proveniente da presena de partculas slidas em suspenso na gua

    e que altos nveis do referido parmetro so desagradveis visualmente e podem representar a

    presena de organismos patognicos abrigados nos slidos.

    O valor obtido para o pH foi de 5,33 e se encontra abaixo do estabelecido pela Portaria

    n 518/2004 do Ministrio da Sade, a qual declara aceitvel valores de pH de 6,0 a 9,5.

    Segundo Medeiros Filho (2009) o pH um dos parmetros mais importantes do ponto de

    vista analtico quando se trata da qumica da gua pois interfere na coagulao qumica ou at

    mesmo no controle da desinfeco da gua.

    Resultados similares foram encontrados por Gouveia et al. (2016) ao realizar uma

    avaliao fsico-qumica e microbiolgica da gua potvel de duas escolas estaduais do

    municpio de Barreiros, em Pernambuco, visto que em suas anlises os valores de cloretos,

    dureza total e turbidez estavam dentro do mximo permitido; entretanto, os valores

    encontrados de pH estavam abaixo do aceitvel pelo Ministrio da Sade; j Monteiro et al

    (2016) encontraram valores acima do permitido para o pH ao efetuar a anlise fsico-qumica

    das guas de afluentes do IFPE no Campus de Barreiros-PE e justificaram este fato devido ao

    solo localizado ao redor dos cursos das guas se apresentarem normalmente cidos e

    receberem periodicamente tratamentos com calcrio para corrigir nveis de acidez.

    Para alcalinidade total, temperatura e condutividade eltrica, obtiveram-se os seguintes

    valores: 21,3 mg/L de CaCO3, 24C e 182,7 s/cm, respectivamente. Esses parmetros no

    apresentam um valor objetvel pela Portaria n 518/2004 do Ministrio da Sade nem pela

    Resoluo n 357/2005 do CONAMA. Conforme Fernandes (2012), a temperatura no

    considerada um parmetro de grande importncia, visto que a gua destinada ao consumo no

    sofre variaes significativas. Concluses

    Os resultados obtidos com a anlise fsico-qumica da gua da cacimba demostram

    que os parmetros cloretos, dureza total e turbidez, esto de acordo com a Portaria n

    518/2004 do Ministrio da Sade e pela Resoluo n 357/2005 do CONAMA, com exceo

    do pH que apresentou teores inferiores ao estabelecido pela literatura.

    Palavras-Chave: gua, potabilidade, parmetros fsico-

    qumicos

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    Referncias

    BRASIL. Decreto n 5.440, de 4 de maio de 2005. Estabelece definies e procedimentos

    sobre o controle de qualidade da gua de sistemas de abastecimento e institui mecanismos e

    instrumentos para divulgao de informao ao consumidor sobre a qualidade da gua para

    consumo humano. Disponvel em: . Acesso em: 06 fev. 2017.

    BRASIL. Lei n. 9.433, de 8 de janeiro de 1997. Institui a Poltica Nacional de Recursos

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    em: 06 fev. 2017.

    CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE CONAMA. Resoluo n 357, de 17

    de maro de 2005. Disponvel em:

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    IFTP, 2012. Disponvel em:

    http://propi.ifto.edu.br/ocs/index.php/connepi/vii/paper/view/3541/1234. Acesso em: 24 abr.

    2017.

    FREITAS, M. B., BRILHANTE, O. M., ALMEIDA, L. M. Importncia da anlise de gua

    para a sade pblica em duas regies do Estado do Rio de Janeiro: enfoque para coliformes

    fecais, nitrato e alumnio. Cad. Sade Pblica, Rio de Janeiro, v. 17, n. 3, p. 651-660, mai-

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