AVALIAÇÃO DE TOXICIDADE EM ... - ?· Tabela 3 – Ensaio de toxicidade de efluentes sintéticos com…

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<ul><li><p> (83) 3322.3222 </p><p>contato@conidis.com.br </p><p>www.conidis.com.br </p><p>AVALIAO DE TOXICIDADE EM EFLUENTES CONTAMINADOS </p><p>COM MICROPOLUENTES EMERGENTES </p><p>Barbara da Silva Andrade1; Rafaela Pereira dos Santos </p><p>2; Luan Gabriel Xavier de Souza</p><p>3 </p><p>Neyliane Costa de Souza4; Marcia Ramos Luiz</p><p>5. </p><p>Universidade Estadual da Paraba; barbarafn@gmail.com1; rafaelapsantos10@gmail.com</p><p>2; </p><p>luanxds@hotmail.com3; neylianecs@yahoo.com.br </p><p>4; marciarluiz@yahoo.com.br</p><p>5. </p><p>Resumo </p><p>No mundo esta sendo reportada a presena de poluentes emergentes como </p><p>frmacos e hormnios em estaes de tratamento gua e esgoto, alm de outras matrizes </p><p>ambientais. Avaliao da toxicidade por meio da toxicidade aguda em organismos </p><p>aquticos, traz a garantia do efluente ter ou no toxidade aps tratamento. Este trabalho </p><p>visa realizar estudos de toxidade ou ensaios ecotoxicolgicos com organismos </p><p>aquticos, a artemia salina, para avaliar a toxicidade de poluentes emergentes (cafena e </p><p>17-etinilestradiol). Foram realizadaos uma srie de testes, nos quais os organismos </p><p>vivos colocados frente a compostos ou a substncias qumicas tinham suas reaes </p><p>estudadas. Inicialmente os testes foram empregados no esgoto sinttico dopado com </p><p>contaminantes aps o tratamento mais eficaz de remoo definido. Para ecloso dos </p><p>ovos foram preparados uma soluo salina transferida para um aqurio, mantendo-a </p><p>com iluminao e aerao constante por 48 horas e, por ltimo, a adio de ovos. Para </p><p>avaliar os micropoluentes foram adicionados 2mL das diferentes concentraes dos </p><p>compostos preparadas (1, 2, 5e 10 ppm) a serem testados em triplicata, aps os ensaios </p><p>de POA. A Artemia salina se apresentou como um bom indicador de toxicidade, alm </p><p>de constituir um teste simples e de baixo custo. A LC50 foi utilizada para demonstrar a </p><p>concentrao txica dos micropoluentes analisados, nos quais, no apresentaram </p><p>toxicidade nas concentraes analisadas. Nos ensaios para toxicidade da cafena </p><p>observaram-se que no houve a morte de 50% dos nauplios de Artemia Salina, nas </p><p>doses testadas. Obtendo-se somente 43% em dose de 10ppm de cafena. E para os </p><p>ensaios com o efluente sinttico, no se observou efeitos significativos de toxicidade. </p><p>PALAVRAS-CHAVES: Artemia salina. Toxicidade. Micropoluentes. </p><p>Introduo </p></li><li><p> (83) 3322.3222 </p><p>contato@conidis.com.br </p><p>www.conidis.com.br </p><p>Toxicidade um termo atualmente muito debatido e questionado, dada a </p><p>crescente necessidade de se conhecer os efeitos que marcadores qumicos de poluio </p><p>lanados no meio ambiente podem ter sobre o meio ambiente, indivduos, populaes e </p><p>comunidades de organismos vivos, alm de se conhecer como o homem pode ser </p><p>afetado. </p><p>Ecotoxicologia pode ser entendida com a juno de ecologia e toxicidade. </p><p>Ecologia o estudo da interao dos seres vivos entre si e com o meio ambiente em que </p><p>vivem; toxicologia uma cincia que procura entender os tipos de efeitos causados por </p><p>substncias qumicas, bioqumicas e os processos biolgicos responsveis por tais </p><p>efeitos, levando em conta a sensibilidade de diferentes tipos de organismos exposio </p><p>de substncias qumicas e as relativas toxicidade de diferentes substncias. O objetivo </p><p>da ecotoxicologia seria ento entender e prever efeitos de substncias qumicas em seres </p><p>vivos e comunidades naturais (CHAPMAN, 2002). </p><p> Nos ltimos anos, sob os efeitos da Revoluo Industrial, uma imensa </p><p>quantidade de substncias qumicas foram intencionalmente produzidas ou como sub-</p><p>produto para atender a necessidades alimentares e farmacuticas da populao. No </p><p>mundo todo tem sido reportada a ocorrncia de frmacos, hormnios, ftalatos dentre </p><p>outros em efluentes de estaes de tratamento de esgotos (ETEs), guas de </p><p>abastecimento (ETAs) e em outras matrizes ambientais tais como solo, sedimento e </p><p>guas naturais em concentraes na faixa de g/L e ng/L (TERNES, 2001). Esses </p><p>contaminantes conhecidos tambm como micropoluentes emergentes atingem as guas </p><p>superficiais e de subsolo por uma variedade de mecanismos, incluindo o descarte direto </p><p>de esgoto domstico, o chorume de aterros sanitrios ou na lixiviao de solos agrcolas </p><p>contaminados e da incompleta remoo nas estaes de tratamento de esgotos </p><p>domsticos (ETE). Alguns marcadores qumicos de guas residuais, que esto </p><p>diretamente associados ao material fecal, como a cafena e o coprostanol so os esteris </p><p>mais citados em estudos de determinao da contaminao por esgotos. Nos ltimos </p><p>anos tem aumentado o interesse cientfico neste grupo de substncias qumicas </p><p>presentes no ambiente, e que podem interferir no sistema endcrino de humanos e </p><p>outros animais, afetando a sade, o crescimento e a reproduo. Alguns disruptores, </p><p>alteradores ou desreguladores endcrinos apresentam potencial mutagnico, tais como: </p><p>bifenis, alquifenis, organoclorados e ftalato (HESS-WILSON, 2006; BILA e </p><p>DEZOTTI, 2007). </p></li><li><p> (83) 3322.3222 </p><p>contato@conidis.com.br </p><p>www.conidis.com.br </p><p>Maria e Moreira (2007) descreve a cafena como um dos alcaloides de </p><p>atividade biolgicos mais ingeridos no planeta, onde apresenta ao farmacolgica </p><p>variada, provocando, dentre outros efeitos, alteraes no sistema nervoso central, </p><p>sistema cardiovascular e homeostase de clcio. Portanto, existe um consenso na </p><p>comunidade cientfica da ampla possibilidade de efeitos adversos que podem surgir </p><p>sade humana e de outros organismos quaticos com a presena de produtos </p><p>farmacuticos na gua (SANTOS et al., 2010). </p><p>Atualmente, a disposio e aplicao de tcnicas como os processos oxidativos </p><p>avanados (POAs) tem recebido ateno especial, j que so considerados capazes de </p><p>mineralizar substncias orgnicas refratrias, presentes em efluentes industriais e </p><p>domsticos, e podem mostrar uma significativa reduo da toxidade de misturas </p><p>farmacuticas. Apesar da eficincia nos tratamentos de efluentes convncionais quando </p><p>se trata da reduo de toxicidade destes, notrio uma deficincia quando atuan no </p><p>efeito conjunto de determinados contaminates, dificultando o controle de alguns </p><p>parmetros, havendo a necessidade de uma avaliao. Os testes de toxicidade se </p><p>apresentam como uma forma alternativa e que fornee resultados confiveis. </p><p>Portanto, afim de avaliar a toxicidade de micropoluentes emergentes como a </p><p>cafena e o etinilestradiol, este estudo buscou montar ensaios de toxicidade aguda </p><p>utilizando, como organismo-testes a artemia salina. </p><p>Metodologia </p><p>Os experimentos foram instalados e conduzidos no Laboratrio de Saneamento </p><p>Ambiental da Universidade Estadual da Paraba campus I, com coordenadas geogrficas </p><p>de 0713S e 3552W e altitude de 560 m, localizado na cidade de Campina Grande. </p><p>Utilizando como bioindicador a Artemia salina (Branchipus stagnalis) foi </p><p>possvel determinar a toxidade aguda de efluente sinttico. O efluente sinttico </p><p>empregado, foram preparados a partir de uma mistura dos seguintes compostos: </p><p>sacarose, amido, extrato de carne, leo de soja, NaCl, MgCl2.H2O, CaCl2.2H2O, </p><p>NaHCO3 e detergente comercial dissolvidos em gua de abastecimento pblico local. </p><p>Ensaio toxicolgicos com bioindicadores, uma tcnica que consiste em uma </p><p>srie de testes, nos quais os organismos vivos so colocados frente a compostos ou a </p></li><li><p> (83) 3322.3222 </p><p>contato@conidis.com.br </p><p>www.conidis.com.br </p><p>substncias qumicas e suas reaes estudadas. Os mtodos empregados tiveram a </p><p>finalidade de fornecer informaes relativas aos efeitos txicos e principalmente para </p><p>fornecer parmetros capazes de avaliar riscos que podem ser malficos ao homem. Os </p><p>parmetros utilizados, foram a DL 50 (dose necessria para matar 50% da populao </p><p>estudada) ou ento a provvel dose letal oral para homens. Para ecloso dos ovos foram </p><p>preparados 2 litros de soluo salina (Tabela 1) transferida para um aqurio, mantendo-a </p><p>com pH entre 6,0 7,0 e temperatura de 26 C - 28 C, com iluminao e aerao </p><p>constante por 48 horas e, por ltimo, a adio de 10 mg de ovos. </p><p>Tabela 1 - Composio da soluo salina para ecloso dos ovos de Artemia salina. </p><p>Composto Concentrao (g.L-1 ) </p><p>NaCl 26,30 </p><p>KCl 0,75 </p><p>CaCl2 1,11 </p><p>Os ovos de Artemias foram eclodidos em gua marinha sinttica, sob </p><p>iluminao artificial, preparada 48 horas antes. Aps a ecloso dos ovos foram </p><p>acrescentado 2,5 ml de gua salina em cada placa de Petri para o controle (branco). </p><p>Com o auxlio de uma pipeta de pasteur foram transferidas dez artemias para cada placa. </p><p>Na avaliao dos micropoluentes adicionou-se 2mL das diferentes concentraes dos </p><p>contaminantese cafena e etinillestradiol preparadas, variando as concentraes entre 5 </p><p>20 ppm, que foram testados em triplicata. Aps os ensaios de POA, tambm foram </p><p>testados os efeitos txicos do efluente. </p><p>Resultados e discusso </p><p>O primeiro ensaio toxicolgico foi realizado com a finalidade de encontrar a </p><p>concentrao dos contaminantes que promoveria a maior nmero de mortes de artemias </p><p>salina, para isso utilizou-se uma soluo de 1ppm e 10 ppm para cafena e </p><p>etinilestradiol. A utilizao do crustceo Artemia uma espcie de fcil manipulao </p><p>em laboratrio e baixo custo econmico (CALOW, 1993). Estudos comprovam a ao </p><p>txica de vrias substncias naturais ao crustceo Artemia (RIOS, 1995; </p><p>NASCIMENTO et al, 2008). Buscando analisar a toxicidade dos micropoluentes para </p><p>testar sua ao contra moluscos sem interferir no processo ambiental, para avaliar o </p><p>efeito txico. </p></li><li><p> (83) 3322.3222 </p><p>contato@conidis.com.br </p><p>www.conidis.com.br </p><p>Os resultados de ensaios de toxidade para os efluentes, esto expressos nas </p><p>Tabelas 2 e 3. Os valores de nauplios mortos para o esgoto sinttico, antes dos ensaios, </p><p>apresentou-se aproximadamente 30% em todos as repeties de anlises. </p><p>Tabela 2 Nmero de Artemias vivas, sob a exposio dos contaminantes, </p><p>etinilestradiol e cafena, a 10ppm e 1 ppm </p><p>Antes do ensaio** Nmeros de artemias /contagem aps 24hs </p><p>Amostras artemias </p><p>vivas </p><p>Concentrao </p><p>(mg/L) </p><p> Placa 1 Placa 2 Placa 3 </p><p>Vivo Morto Vivo Morto Vivo Morto </p><p>Branco 10 0 8 2 9 1 10 0 </p><p>EEA1 10 1 10 0 10 0 9 0 </p><p>EEA2 10 10 6 4 5 5 4 6 </p><p>CAF1 10 1 10 0 10 0 9 0 </p><p>CAF2 10 10 10 0 5 5 2 8 </p><p>Tabela 3 Ensaio de toxicidade de efluentes sintticos com adio de cafena e </p><p>etinilestradiol. </p><p>Antes do ensaio Nmeros de artemias /contagem aps 24hs </p><p>Amostras Artemias Conc. Placa 1 Placa 2 Placa 3 </p><p>Vivas (mg/L) Vivo Morto Vivo Morto Vivo Morto </p><p>Branco 1 10 0 10 0 10 0 8 2 </p><p>Bruta 1 10 2,5 10 0 5 5 5 5 </p><p>Branco 2 10 0 10 0 10 0 10 0 </p><p>Bruta 2 10 2,5 10 0 10 0 7 3 </p><p>Branco 3 10 0 10 0 10 0 10 0 </p><p>Bruta 3 10 2,5 10 0 10 0 7 3 </p><p>Branco 4 10 0 6 4 10 0 5 5 </p><p>Bruta 4 10 2,5 9 1 7 3 8 2 </p><p> A Figura 1 mostra um grfico com a relao de organismos mortos com a dose de </p><p>etinilestradiol e cafena em ppm (mg/L). </p></li><li><p> (83) 3322.3222 </p><p>contato@conidis.com.br </p><p>www.conidis.com.br </p><p>Figura 1 - Porcentagem de nuplios de Artemia salina mortos em relao ao aumento </p><p>de concentrao do etinilestradiol (EE2) em ppm. </p><p> Legenda: 1-branco; 2- 1ppm; 3- 10ppm. </p><p>A DL50 (dose letal do EE2 para 50% da populao) observada a partir de 10 </p><p>ppm da concentrao de etinilestradiol. As concentraes testadas no apresentaram </p><p>toxidade frente a Artemia salina, uma vez que foi obtido a DL50 &gt; 1000 ppm. Segundo </p><p>a Organizao Mundial de Sade (OMS), so consideradas txicas substncias que </p><p>apresentam valores de DL50 abaixo de 1000 ppm em Artemia salina (MEYER et al., </p><p>1982). O motivo que explica a observao da baixa toxicidade do etinilestradiol sobre a </p><p>soluo salina o fato de este hormnio sinttico ser comumente utilizada em </p><p>medicamentos contraceptivos em baixas concentraes. </p><p>Nos ensaios para toxicidade da cafena observaram-se que no houve a morte </p><p>de 50% dos nauplios de Artemia Salina, nas doses testadas. Obtendo-se somente 43% </p><p>em dose de 10ppm de cafena. </p></li><li><p> (83) 3322.3222 </p><p>contato@conidis.com.br </p><p>www.conidis.com.br </p><p>Concluso </p><p>A Artemia salina se apresentou como um bom indicador de toxicidade, alm de </p><p>constituir um teste simples e de baixo custo. A LC50 foi utilizada para demonstrar a </p><p>concentrao txica dos micropoluentes analisados, nos quais, no apresentaram </p><p>toxicidade nas concentraes analisadas. So necessrios outros ensaios com </p><p>concentraes superiores das estudadas, e utilizao de outros tipos de micropoluentes. </p><p>Nos ensaios para toxicidade da cafena observaram-se que no houve a morte de 50% </p><p>dos nauplios de Artemia Salina, nas doses testadas. Obtendo-se somente 43% em dose </p><p>de 10ppm de cafena. E para os ensaios com o efluente sinttico, no se observou efeitos </p><p>significativos de toxicidade. </p><p>Referncias </p><p>BILA, D. M., E DEZOTTI, M. Desreguladores endcrinos no meio ambiente: efeitos e </p><p>consequncias. Qumica nova, v.30, n.3, p. 651., 2007. </p><p>CHAPMAN, P. M. Emerging substances Emerging problems? Environmental </p><p>Toxicology and Chemistry, v.25, n.6, p.1445-1447. 2006. ______. Integrating </p><p>toxicology and ecology: putting the "eco" into ecotoxicology. Marine Pollution </p><p>Bulletim, v.44, p.7-15. 2002 </p><p>LENHARD, D. C.; TAVARES, C.R. G.; DOS SANTOS, A. Z.; VOLPE, A. L. S. </p><p>Fotooxidao cataltica com dixido de titnio aplicada ao tratamento de efluentes </p><p>txteis em escala semi-piloto: avaliao da reduo de cor, da matria orgnica e da </p><p>toxicidade. XX Congresso de engenharia qumica - COBEC, Florianpolis, 2014. </p><p>OLIVEIRA, D. A. F.; BARBOSA, R. S. S; OKUYAMA, C. E. Avaliao toxicolgica </p><p>de compostos bioativos e insumos Farmacuticos. UNIBAN, SP, I jornada de iniciao </p><p>cientifica e tecnologica, 2016. </p><p>TERNES, T. A.; JOSS, A., Eds. Human pharmaceuticals, hormones and fragrances: the </p><p>challenge of micropollutants in urban water management: IWA Publishing, p.453ed. </p><p>2006. </p></li></ul>