AVALIAÇÃO DE PRINCÍPIOS DA LEAN CONSTRUCTION ?· 5 O estudo da Lean Construction no cenário da construção…

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<ul><li><p> AVALIAO DE PRINCPIOS DA LEAN </p><p>CONSTRUCTION EM CONSTRUTORAS </p><p>GOIANAS </p><p>Leiliane Santana Souza (UFG) </p><p>leiliyeu@yahoo.com.br </p><p>Maria Carolina Gomes de Oliveira Brandstetter (UFG) </p><p>maria.carolina@uol.com.br </p><p>O objetivo deste trabalho o de apresentar uma investigao de </p><p>carter exploratrio, que buscou identificar em construtoras </p><p>localizadas na cidade de Goinia a aplicao dos princpios da Lean </p><p>Construction em suas obras. A metodologia abranngeu um </p><p>levantamento em oito empresas, de mtodos e/ou ferramentas que </p><p>atendam aos quatro princpios que a pesquisa optou por trabalhar. So </p><p>eles: o aumento da transparncia do processo, a reduo da </p><p>variabilidade, o aumento da flexibilidade de sada e o do valor do </p><p>produto/servio a partir das consideraes dos clientes. A coleta de </p><p>dados empregou como instrumento um check list o qual foi aplicado ao </p><p>corpo gerencial das empresas pesquisadas, com o intuito de identificar </p><p>a ocorrncia ou no dos princpios descritos. Os resultados dos </p><p>relatrios de visitas apontam a uniformidade das respostas, concluindo </p><p>que as empresas participantes buscam alcanar o que anseia os </p><p>princpios da Lean Construction de forma particular, mesmo que isso </p><p>no seja feito intencionalmente. O trabalho conclui apontando o </p><p>direcionamento de futuros trabalhos oriundos a partir desta pesquisa, </p><p>tais como o conhecimento dos demais princpios da Lean Construction </p><p>e a proposta de que a mesma possa se tornar a principal filosofia de </p><p>gesto das empresas da regio. </p><p>Palavras-chaves: Construo enxuta, Construo civil, Lean </p><p>Production </p><p>XXX ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUO Maturidade e desafios da Engenharia de Produo: competitividade das empresas, condies de trabalho, meio ambiente. </p><p>So Carlos, SP, Brasil, 12 a15 de outubro de 2010. </p></li><li><p>2 </p><p>1. Introduo </p><p>O mercado da construo civil constantemente se depara com questes que colocam em prova </p><p>seu sistema gerencial. Desenvolver uma poltica de gesto eficiente leva as empresa a ganhos </p><p>considerveis, como: bom resultado na produo a curto e mdio prazo, melhores </p><p>desempenhos operacionais, funcionrios satisfeitos com o ofcio desempenhado, alm de </p><p>afirmar ou consolidar a marca no mercado. Todos os fatores listados, mantendo-se constantes, </p><p>levam as empresa a um patamar mais competitivo na indstria da construo. </p><p>Em resposta necessidade relacionada ao gerenciamento da produo, surge em 1994 um </p><p>movimento internacional que se empenhava em aplicar tcnicas e ferramentas que </p><p>viabilizassem a aplicao do modelo de gesto surgido na manufatura japonesa em canteiros </p><p>de obra da construo civil, a Lean Production. </p><p>A Lean, segundo o presidente da Lean Institute Brasil, funciona em diferentes contextos e </p><p>negcios, trazendo resultados substanciais e provocando uma revoluo nas empresas. Lean </p><p>requer reflexo, trabalho, entendimento, conhecimento e disciplina (FERRO, 2008). </p><p>A Lean Construction ou Construo Enxuta pode tambm ser definida como um modelo de </p><p>gesto e organizao do trabalho que utiliza como base o Sistema Toyota de Produo </p><p>proveniente da manufatura. </p><p>O objetivo deste trabalho apresentar uma investigao de carter exploratrio, que buscou </p><p>identificar em construtoras localizadas na cidade de Goinia aes relativas ao princpios da </p><p>Lean Construction em suas obras, com o intuito de mostrar que tal forma gerencial possvel </p><p>de ser aplicada sem grandes dificuldades no ambiente de trabalho. </p><p>2. A filosofia Lean </p><p>2.1 Conceitos bsicos </p><p>Surgida no Japo com o intuito de reerguer a economia de um pas ps-guerra, o Sistema </p><p>Toyota de Produo um modelo gerencial que utiliza de medidas pontuais para atender da </p><p>melhor forma as necessidades dos clientes, fornecendo produtos e servios da mais alta </p><p>qualidade, com baixo custo e menor tempo de produo. Esta foi a estratgia usada pela </p><p>Toyota Motor Company para enfrentar a crise do mercado automobilstico da poca. </p><p>Traduzida para a construo civil, o modelo gerencial utilizado na manufatura, traz agora </p><p>respostas para um mercado diferenciado. certo que existem diferenas, mas a converso da </p><p>Lean Production ou Produo Enxuta em Lean Construction ou Construo Enxuta gera </p><p>enormes ganhos a este setor. </p><p>Mesmo que os conceitos da Produo Enxuta tivessem uma boa aceitao ao serem </p><p>transferidos para a construo civil, alguns autores encontram resistncia para tal adaptao. </p><p>Howel (1999) acredita que sempre houve uma rejeio por parte da indstria da construo </p><p>civil quanto s idias e solues provindas da manufatura, sob a alegao da diferena que h </p><p>entre os dois setores; enquanto que Koskela (1992) apresenta uma srie de particularidades da </p><p>construo que reforam a aplicabilidade dos conceitos da Produo Enxuta Construo </p></li><li><p>3 </p><p>Civil, entre elas a imobilidade do produto, a complexidade de organizao e do processo de </p><p>produo e o longo tempo requerido, entre outros. </p><p>Em 1991, Lauri Koskela lana os onze princpios que, segundo ele, so norteadores para </p><p>construo enxuta (FORMOSO, 2002): </p><p>1) Reduzir a parcela de atividade que no agrega valor; 2) Aumentar o valor do produto atravs da considerao das necessidades dos clientes; 3) Reduzir a variabilidade; 4) Reduzir o tempo de ciclo; 5) Minimizar o nmero de passos e partes; 6) Aumentar a flexibilidade da sada; 7) Aumentar a transparncia do processo; 8) Focar o controle no processo global; 9) Introduzir melhorias contnuas no processo; 10) Equilibrar melhoria de fluxo; 11) Benchmarking. </p><p>Quanto a relao existente entre o modelo tradicional e o modelo Lean, Oliveira et al (2007) </p><p>acreditam que a principal diferena entre o modelo gerencial tradicional e o gerenciamento </p><p>atravs do sistema Lean basicamente conceitual, pois este se resume a uma nova maneira de </p><p>entender e executar os processos. Heineck e Machado (2001) descrevem o primeiro caso </p><p>como aquele que envolve genericamente a entrada de recursos, a converso destes e a gerao </p><p>de sadas do processo que constitui o produto da construo. Acontece basicamente da mesma </p><p>forma com modelo Lean, a grande diferena que neste os fluxos so levados em </p><p>considerao dentro do processo, no somente as converses. </p><p>2.2 As ferramentas Lean </p><p>A aplicao consciente das ferramentas se faz necessria para a atuao dos princpios da </p><p>empresa. Womack (2007) defende a necessidade de se realizar projetos claros para a </p><p>aplicao consciente das ferramentas em cada empresa, pois o contrrio, segundo ele, seria </p><p>difcil de sustentar. Entre estas ferramentas, podem ser citadas: </p><p>a) O andon uma ferramenta gerencial cuja funo principal a identificao de problemas na linha de produo. Entre os benefcios que se pode citar, Kemmler et al (2007) </p><p>destacam as melhorias na comunicao em obra, preveno de paradas na linha de </p><p>produo com conseqente alcance do fluxo continuo, aumento da transparncia no </p><p>controle dos processos, alm da promoo da automao. </p><p>b) Kaizen so avanos feitos nos processos produtivos e que envolvam o melhoramento contnuo da rotina da empresa. </p><p>c) Kanban uma ferramenta utilizada para o acompanhamento da produo atravs de cartes que regulam o fornecimento de materiais (MAUS et al, 2008). </p><p>d) Linha de balano uma ferramenta que auxilia na programao das atividades, podendo-se analisar o ritmo de execuo dos servios e assim ter um controle melhor sobre os prazos </p><p>estipulados para cada fase da obra. </p><p>e) Clula de produo se d pela formao de uma equipe polivalente constituda por diversas profisses. Esta equipe se responsabiliza por realizar uma etapa, aps a concluso dos </p><p>servios a prxima equipe solicitada para dar continuidade a prxima etapa, reduzindo </p><p>desta forma o tempo de espera entre as atividades. </p></li><li><p>4 </p><p>f) Diagrama de seqncia uma ferramenta utilizada para o acompanhamento dirio das atividades de cada clula. Este conferido pelo responsvel e atravs deste instrumento </p><p>possvel verificar a ocorrncia de atrasos. </p><p>g) Planejamento a mdio prazo e a curto prazo so desenvolvidos para a organizao da empresa no sentido que se desenvolve metas que devem se cumprir em um prazo longo ou </p><p>curto de tempo a depender da programao geral da obra. Conte (2009) acredita que o </p><p>processo de planejamento quando desenvolvido a tempo e com um certo grau de </p><p>profundidade, passa ser a guia de conduo das operaes no campo. </p><p> vlido lembrar que para cada necessidade surgida na empresa, existe uma ferramenta </p><p>especfica a ser utilizada. </p><p>2.5 A aplicao da Lean Construction nas empresas </p><p>Com o nmero considervel de empresas iniciando a implementao Lean, pode-se dizer que </p><p>este acmulo de experincias permite o compartilhamento de informaes relevantes. </p><p> notado ainda hoje que, mesmo com a literatura abrangente sobre os conceitos da Construo </p><p>Enxuta, ainda existe certa dificuldade em manter a empresa atuante quanto aplicao das </p><p>ferramentas e mtodos da filosofia. O que se percebe que depois da implantao, algumas </p><p>empresas estagnam, no dando continuidade ao processo (FERRO 2007). </p><p>Barros Neto et al (2007) chamam a ateno para a compreenso dos aspectos estratgicos da </p><p>Lean Construction, pois so importantes para facilitar a assimilao desta filosofia de maneira </p><p>mais produtiva, evitando o desgaste do conceito Lean e, conseqentemente, evitando que ele </p><p>se transforme em mais um modismo fadado ao insucesso. </p><p>Estes ltimos autores ressaltam tambm que a literatura pouco discute o processo de </p><p>implantao e os aspectos estratgicos envolvidos no processo, concentrando-se no estudo da </p><p>aplicao de princpios e ferramentas nas diversas reas do conhecimento. </p><p>Heineck et al (2008) contribuem para a discusso quando relatam que ao avaliar os processos </p><p>gerenciais de construtoras, percebe-se que em sua grande maioria h necessidade de </p><p>desenvolvimento de ferramentas, prticas e procedimentos para melhorar a coordenao e </p><p>ainda preciso facilitar a comunicao entre as entidades que praticam o planejamento. </p><p>Picchi (2001) ressalta para a existncia de trs nveis necessrios para a implantao de aes </p><p>ligadas Mentalidade Enxuta na construo: empresa, empreendimento e setor. Completa </p><p>afirmando que aes setoriais so de fundamental importncia para a implantao da </p><p>mentalidade enxuta na construo, tendo em vista o baixo poder de barganha junto aos </p><p>fornecedores, diferente da indstria automobilstica. </p><p>Quanto abordagem comumente empregada na construo civil a respeito da implantao dos </p><p>conceitos Lean, Arbulu e Zabelle (2006) acreditam que uma aplicao estreita e profunda a </p><p>mais recomendada para a utilizao na empresa, visto que a mudana se inicia de baixo para </p><p>cima, em aes aplicadas primeiramente nos projetos e, depois de testadas, so estendidas </p><p>para o resto da organizao. </p><p>3. Metodologia </p><p>3.1 Aspectos gerais </p></li><li><p>5 </p><p>O estudo da Lean Construction no cenrio da construo civil em Goinia buscou evidenciar </p><p>s empresas do ramo da construo nesta cidade que possvel utilizar prticas gerenciais </p><p>embasadas no modelo Lean sem grandes dificuldades. </p><p>O trabalho acredita que algumas prticas j so utilizadas, mesmo sem o conhecimento dos </p><p>seus gerentes e, a partir desta constatao, espera-se que outras prticas sejam adotadas a fim </p><p>de que os conceitos da Lean Construction possam ganhar fora na indstria da construo </p><p>civil da capital. </p><p>3.2 Procedimentos metodolgicos </p><p>Trata-se de um estudo de caso mltiplo investigativo, cuja unidade de anlise o estudo do </p><p>conceito gerencial da Lean Construction no cenrio da construo civil da cidade de Goinia. </p><p>No perodo da coleta de dados, uma amostra intencional foi obtida de forma no-</p><p>probabilstica em oito empresas de construo civil da cidade. Cabe ressaltar que as </p><p>definies das empresas a serem estudadas se baseiam na amostra por convenincia, onde o </p><p>pesquisador seleciona membros da populao dos quais mais fcil obter informaes </p><p>(KOTLER, 1998). Alm disso, a amostra das empresas foi feita com base em variveis como </p><p>estrutura gerencial, tempo de mercado, consolidao da marca, numero de empreendimentos </p><p>realizados e sistema de gesto certificado. Parte-se do pressuposto que empresas mais </p><p>fortemente estruturadas sob estes aspectos formam a amostra ideal ao objetivo do presente </p><p>trabalho. </p><p>A visita s empresas estudadas ocorreu em um perodo de quatro meses, de agosto a </p><p>novembro do ano 2009. As fontes de evidncia foram coletadas de forma direta e individual. </p><p>A ferramenta de coleta, no formato de um check list, foi aplicado ao corpo gerencial da </p><p>empresa. A sua estrutura consta de perguntas abertas com duas possibilidades de respostas. A </p><p>primeira, SIM, que sugere a coleta de evidncias para a comprovao. A segunda, NO, que </p><p>acompanha a indagao: h interesse na implantao. Por qu? </p><p>A classificao desta pesquisa como um estudo de caso, se deu por esta se aproximar mais das </p><p>intenes do trabalho. A caracterizao como estudo de caso est no fato deste trabalho </p><p>abordar situaes nicas onde se encontra inmeras variveis, baseando-se em vrias fontes </p><p>de evidncia e utiliza a triangulao dos resultados (YIN, 2002). Beneficia-se tambm do </p><p>desenvolvimento prvio de teorias que ajude na conduo da coleta e anlise de dados. </p><p>3.3 Etapas de pesquisa </p><p>O mtodo do estudo de caso se desenvolveu em trs etapas distintas onde a primeira ocorre a </p><p>definio e o planejamento do projeto. A teoria desenvolveu-se seguida da seleo dos casos e </p><p>da elaborao do protocolo de coleta de dados, que levou elaborao do check list. </p><p>A segunda etapa consiste na preparao e coleta de dados atravs da aplicao do check list, </p><p>que a ferramenta desenvolvida para obteno dos dados necessrios a pesquisa. Aps a </p><p>coleta dos dados, foi formulado um relatrio para cada empresa visitada. </p><p>A ltima etapa de desenvolvimento se inicia com a anlise e concluso desses dados, aps o </p><p>cruzamento das informaes relevantes. Desta forma, podem-se apresentar os resultados e a </p><p>partir da iniciar uma discusso acerca deles. </p><p> importante lembrar que os estudos de caso possuem a capacidade de se adaptar s </p><p>necessidades da pesquisa, sendo flexveis (YIN, 2002). </p></li><li><p>6 </p><p>3.4 Ferramenta de aplicao </p><p>O check list foi o instrumento escolhido para coletar os dados necessrios para produo de </p><p>provas a anlise dos resultados. Esta ferramenta realizou-se partir de perguntas relacionadas </p><p>aos quatro princpios que foram coletados nestas pesquisa: o aumento da transparncia do </p><p>processo, a reduo da variabilidade, o aumento da flexibilidade de sada e o valor do </p><p>produto/servio a partir das consideraes dos clientes. </p><p>As Tabelas 1 a 4, a seguir, apresentam os check lists criados para cada um dos quatro </p><p>princpios investigados na pesquisa. </p><p>1. AUMENTAR A TRANSPARNCIA DO PROCESSO SIM NO </p><p>1.1 A empresa disponibiliza as informaes de processo na rea de trabalho? (nota: informao de resultados por indicadores, auditorias internas, atravs de </p><p>planilhas e grficos expostos em locais de fcil visualizao) </p><p>1.2 H sinalizao dos locais de apoio mo-de-obra? (nota: informaes relacionadas localizao de banheiros, refeitrio, </p><p>bebedouro, equipamentos de segurana) </p><p>1.3 O processo realizado pela empresa observvel atravs do layout ou da sinalizao? </p><p>(nota: o espao fsico organizado espacialmente para tornar fcil a sua </p><p>compreenso. H placas informativas para identificar cada ambiente? ) </p><p>1.4 H controle visuais na obra (andon e kanban) ? (n...</p></li></ul>