Avaliao de empresas no mercado financeiro - uma abordagem a anlise fundamentalista

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Monografia sobre leis do mercado, histrico e ndices de avaliao pela anlise fundamentalista

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  • UNITRI CENTRO UNIVERSITRIO DO TRINGULO PS-GRADUAO EM CONTABILIDADE GERENCIAL E

    GESTO TRIBUTRIA

    REGES RODRIGUES SANTOS

    AVALIAO DE EMPRESAS NO MERCADO FINANCEIRO UMA

    ABORDAGEM A ANLISE FUNDAMENTALISTA

    UBERLNDIA 2008

  • I

    AVALIAO DE EMPRESAS NO MERCADO FINANCEIRO UMA

    ABORDAGEM A ANLISE FUNDAMENTALISTA

    REGES RODRIGUES SANTOS

    Monografia apresentada ao Curso de Ps-Graduao da Unitri Centro Universitrio do Triangulo como requisito parcial para obteno do ttulo de especialista em Contabilidade Gerencial e Gesto Tributria, sob a orientao do Prof. Luiz Gonzaga Ramalho Jnior.

    UBERLNDIA 2008

  • II

    AVALIAO DE EMPRESAS NO MERCADO FINANCEIRO UMA

    ABORDAGEM A ANLISE FUNDAMENTALISTA

    REGES RODRIGUES SANTOS

    Monografia apresentada ao Curso de Ps-Graduao da Unitri Centro Universitrio do Tringulo, como requisito parcial para obteno do ttulo de especialista em Contabilidade Gerencial e Gesto Tributria.

    Monografia aprovada em ____/___/_______

    _______________________________________

    Prof. Luiz Ramalho Gonzaga Jnior (Orientador)

  • III

    LISTA DE QUADROS

    Descrio das leis de regulamentao do Mercado Financeiro........................................ 12

    Carteira terica do Ibovespa para Setembro a Dezembro de 2008.................................. 24

    Descrio das caractersticas dos ciclos de Kondratieff.................................................. 27

    Descrio das caractersticas dos ciclos de Kitchin......................................................... 27

    Modelo de Balano Patrimonial....................................................................................... 41

    Demonstrao do Resultado de Exerccio (Drogasil S/A)............................................... 43

  • IV

    LISTA DE FIGURAS

    A histria dos preos das aes de 1969 a 2001 (Ibovespa Indexado ao dlar comercial Grfico semanal)............................................................................................. 30

  • V

    RESUMO

    A interdependncia da economia internacional tem influenciado os aspectos produtivos e financeiros das empresas. Desse modo, a eficcia das organizaes, no mais se fundamenta essencialmente na produo de bens e servios. Este trabalho investigou os efeitos da globalizao financeira internacional sobre o desempenho das empresas, ao passo que demonstrou a existncia de mtodo de avaliao de ativos financeiros, o qual pode ser utilizado para proteo financeira do capital diante das incertezas, bem como a oportunidade de diversificao de investimentos. Atravs de uma abordagem Anlise fundamentalista, torna-se possvel a compreenso da importncia da anlise de balanos e anlises setoriais, da estrutura das demonstraes financeiras e dos indicadores financeiros relacionados liquidez, alavancagem de capital, atividade e rentabilidade das operaes.

    Palavras-chave: Mercado Financeiro, Anlise Fundamentalista.

  • VI

    ABSTRACT

    The international economic dependence has influenced the productive and financial aspects of the business. So, the effectiveness in organization is not more based essentially in production of the goods and services. This work investigated the effect of the global international finance in the business performance, while demonstrated the existence of the methods for valuation of the financial assets, of which can be used for financial protection of the capital front of the uncertainties and like opportunity of the diversification of the investments. Through an approach fundamental analysis, it becomes possible to understand the importance of balance-sheet analysis and the sectorial analysis, the structure of the financial statements and financial indicators related to liquidity, leverage capital, activity and profitability of operations.

    Keywords: Financial Market, fundamental analysis.

  • VII

    SUMRIO

    LISTA DE QUADROS..................................................................................................... 03 LISTA DE FIGURAS...................................................................................................... 04 RESUMO........................................................................................................................... 05 ABSTRACT........................................................................................................... ........... 06 INTRODUO................................................................................................................. 08 CAPTULO 1 INTRODUO AO MERCADO FINANCEIRO............................ 11 CAPTULO 2 NORMATIZAO NO MERCADO FINANCEIRO GLOBALIZADO............................................................................................................... 14 CAPTULO 3 A INTERDEPENDNCIA FINANCEIRA DOS MERCADOS...... 17 3.1 Histrico da Globalizao Financeira........................................................................... 17 3.2 O Comportamento dos Investimentos........................................................................... 20 3.2 O Mercado de Capitais.................................................................................................. 21 3.4 ndices de Bolsa de Valores.......................................................................................... 23 3.5 A Influncia dos Ciclos Econmicos nos Mercados..................................................... 26 CAPTULO 4 METODOLOGIA PARA AVALIAO DAS EMPRESAS............ 32 4.1 Introduo a Anlise Fundamentalista.......................................................................... 32 4.2 Anlise de Balanos...................................................................................................... 34 4.3 Anlise Setorial............................................................................................................. 37

    4.4 A Estrutura das Demonstraes Financeiras................................................................. 39 4.4.1 Balano Patrimonial................................................................................................... 40

    4.4.2 Demonstrao do Resultado de Exerccio (DRE).................................................... 43 4.4.3 Anlise Vertical e Horizontal.................................................................................... 44

    4.5 Introduo a Anlise por ndices................................................................................. 45 4.5.1 ndices de Liquidez.................................................................................................. 46 4.5.2 ndices de Alavancagem de Capital......................................................................... 48 4.5.3 ndices de Atividade................................................................................................ 49 4.5.4 ndices de Rentabilidade.......................................................................................... 51 4.5.5 ndices de Mercado.................................................................................................. 53 CAPTULO 5 CONSIDERAES FINAIS............................................................... 57 REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS.......................................................................... 59

  • INTRODUO

    As finanas empresariais representam uma das reas da engenharia econmica que

    mais profunda evoluo sofreu nos ltimos anos. Instrumentos financeiros foram

    desenvolvidos medida que novos mtodos de avaliao de ativos foram criados. O livre

    fluxo de capitais do sistema capitalista global proporcionou grandes avanos na teoria

    econmica.

    Uma das principais conseqncias deste forte ritmo de inovao a permanente

    atualizao dos profissionais corporativos. Esta resulta no apenas das rpidas mudanas nos

    mercados financeiros e instituies, mas, sobretudo do desenvolvimento das bases tericas

    essenciais exigidas para a qualificao profissional, quer para o processo de tomada de

    decises estratgicas nas organizaes, quer para assegurar a auto-realizao financeira.

    O aperfeioamento de conhecimentos avanados do mercado financeiro proporciona

    a aplicao em contexto profissional dos mais recentes conceitos, instrumentos e tcnicas para

    o planejamento estratgico. Dentro do extenso mundo dos ativos financeiros, o entendimento

    dos mtodos de anlise fundamentalista para escolha de aes de empresas de capital aberto,

    negociadas na bolsa de valores e ttulos imobilirios, proporciona o desenvolvimento da

    percepo crtica dos fatores que influenciam o comportamento das empresas e as estratgias

    para preservao ou maximizao do capital frente s foras do mercado.

    A consolidao da atual sociedade globalizada alterou significativamente os padres

    da economia mundial. Atualmente, os fatores indispensveis para a sobrevivncia das

    atividades industriais e a expanso de mercados, no mais baseia-se essencialmente na alta

    qualidade dos produtos/servios, o menor custo de processamento e a garantia de satisfao

    dos clientes.

    Os mercados financeiros internacionais exercem hoje uma forte influncia no

    crescimento industrial das organizaes, definindo a intensidade do desenvolvimento

  • 9

    econmico de um pas. A sobrevivncia e a expanso das organizaes dependem das foras

    dominantes do mercado. Os fatores macroeconmicos, tais como: taxa de juros, preos dos

    ativos financeiros (aes, ndices, moedas, comoditties, etc.), ndices de inflao, entre outros;

    decidem a lucratividade e viabilidade econmica dos negcios empresariais.

    O modelo recente do sistema capitalista global caracteriza-se pela alta mobilidade de

    capitais. Esse sistema torna-se muito favorvel ao capital financeiro, cuja liberdade sobrepe

    s fronteiras geogrficas. Dessa forma, os pases disputam entre si, de modo, a captar e a reter

    os recursos financeiros dos investidores.

    No capitalismo moderno, o mercado financeiro assume ainda mais a importante

    funo na gerao de recursos para o investimento industrial. Em especial, no Brasil, apesar

    da lei do mercado de capitais (4728/65) que estabelece as normas e os regulamentos bsicos

    para a estruturao de um sistema de investimentos destinado a apoiar o desenvolvimento

    nacional e a atender a demanda de crdito ter sido promulgada h muitas dcadas, ainda

    possvel vislumbrar uma gama de oportunidades de gerao de valor para as organizaes.

    Durante este trabalho, apresentam-se uma abordagem aos conceitos utilizados no

    mercado financeiro, focando o funcionamento dos mercados globais e a interdependncia

    financeira internacional, os aspectos de normatizao do mercado financeiro globalizado,

    alm de demonstrar as foras que interferem no comportamento dos preos dos ativos das

    aes. Atravs da utilizao de dados histricos, representados graficamente, identifica-se a

    ocorrncia de ciclos econmicos e aspectos estruturais de um pas, que afetam positiva ou

    negativamente os resultados das empresas.

    Em especial, a anlise fundamentalista, um dos mtodos tradicionais de avaliao do

    comportamento das aes, demonstra a existncia de ferramentas de previso que tem como

    objetivo, o auxlio em qualquer processo decisrio diante das incertezas que permeiam a

    tomada de decises de investimento.

  • 10

    Em seguida, apresentam-se os conceitos mais relevantes relacionados anlise

    fundamentalista: a anlise de balanos, a estrutura das demonstraes financeiras, os ndices

    de liquidez, alavancagem de capital, ndices de atividade e rentabilidade.

    A pesquisa tambm tem como objetivo discutir tambm os ndices utilizados pelo

    mercado financeiro, a partir da anlise dos fundamentos das empresas. A compreenso de tais

    fatores pode contribuir com o objetivo financeiro de uma empresa de maximizao do valor

    do acionista e com o conceito de proteo de capital diante dos fatores macroeconmicos.

    De forma geral, esta monografia busca tecer consideraes sobre a teoria e conceito

    do mercado financeiro, abordando a anlise fundamentalista, seus principais conceitos e

    utilizaes; alm disso, pesquisar sua aplicao como metodologia de anlise de

    investimentos em ambientes de grande volatilidade, visando capturar o valor advindo da

    incerteza que permeia tais ambientes.

    A metodologia aplicada no desenvolvimento desta monografia teve uma abordagem

    nos mtodos dedutivos e indutivos. Na pesquisa bibliogrfica, foi utilizado o mtodo

    dedutivo, de forma a alcanar um denominador comum entre os autores; ao passo que o

    mtodo indutivo foi predominantemente utilizado para a obteno de dados e informaes do

    mercado de capitais, atravs de sites especializados.

    O trabalho foi desenvolvido basicamente atravs de pesquisa bibliogrfica que

    comprova a influncia dos fatores macroeconmicos sobre o desempenho do mercado de

    capitais.

  • CAPTULO 1 INTRODUO AO MERCADO FINANCEIRO

    A conjuntura atual da sociedade globalizada promove um modelo de sistema

    capitalista que se caracteriza no somente pelo livre comrcio de bens e servios, mas ainda

    pelo livre fluxo de capitais.

    As complexas foras do mercado financeiro internacional ditam as diretrizes da

    economia mundial, gerando instabilidade ou prosperidade no foco econmico ou poltico dos

    pases. De acordo com Soros (2001, p. 175):

    por ser ainda mais voltil que o investimento fsico, o capital financeiro ocupa uma posio privilegiada: pode evitar os pases em que seja submetida a regulamentaes ou tributaes onerosas. Uma vez construda uma fbrica, difcil tir-la do lugar. As corporaes multinacionais, sem dvida, desfrutam da flexibilidade dos preos de transferncia e so capazes de exercer presses no momento da deciso sobre o investimento, mas sua maleabilidade no se comparara liberdade de escolha dos investidores em carteiras internacionais. A gama de oportunidades de investimento disponveis tambm se dilata pela localizao no centro da economia global, em vez de na periferia. Todos esses fatores se conjugam para atrair o capital para os centros financeiros e distribu-lo pelos mercados financeiros. Esse o motivo pelo qual eles desempenham um papel to dominante no mundo de hoje, e por que sua influncia vem crescendo com tanta rapidez.

    A estrutura do mercado financeiro Brasileiro evolui de modo, a atender a demanda

    do capitalismo global. No QUADRO 01, destacam-se algumas leis que regulamentam o

    mercado financeiro.

  • 12

    DESCRIO DA LEI APLICAES

    Lei do Mercado de Capitais (4.728/65)

    Estabelecidas normas e regulamentos bsicos para a estruturao de um sistema de investimentos destinado a apoiar o desenvolvimento nacional e atender crescente demanda por crdito.

    Lei da CVM (6.385/76)

    Criada a Comisso de Valores Mobilirios (CVM), transferindo do banco Central a responsabilidade pela regulamentao e fiscalizao das atividades relacionadas ao mercado de valores mobilirios (aes, debntures, etc.).

    Lei das S/A (6.404/76)

    Estabelecidas regras claras quanto s caractersticas, forma de constituio, composio acionria, estrutura de demonstraes financeiras, obrigaes societrias, direitos e obrigaes de acionistas e rgos estatutrios e legais.

    QUADRO 01 DESCRIO DAS LEIS DE REGULAMENTAO DO MERCADO FINANCEIRO - FONTE: Elaborado pelo Autor.

    O mercado financeiro proporciona aos investidores, a possibilidade de aplicao dos

    recursos financeiros em produtos e servios com caractersticas prprias que atendam as

    expectativas (segurana ou risco). Ttulos Pblicos Federais, Ttulos de Renda Fixa, CDBs e

    RDBs, Fundos Mtuos de Investimento (Aes, Imveis, Debntures, etc.) e Poupana so

    algumas das ofertas desse mercado.

    Alm disso, o mercado de capitais torna-se fundamental para o desenvolvimento das

    empresas e do pas. A expanso das organizaes promovida por um segmento de capital

    intensivo, isto , que precisa de investimentos constantes.

    Por essa razo, muitas empresas optam pela abertura do capital na Bolsa de Valores,

    que alm do crescimento diretamente relacionado captao de dinheiro a um custo mais

    adequado, ainda existem diversas outras vantagens.

  • 13

    A melhoria da imagem institucional em uma empresa aberta vista com outros

    olhos por seus parceiros comerciais e financeiros, nacionais ou estrangeiros, e na prpria

    imprensa especializada. A exigncia de transparncia e confiabilidade das informaes facilita

    os negcios e tambm atrai o investidor, que se sente mais seguro em colocar seu dinheiro nos

    papis da empresa. Alm disso, a companhia acaba ganhando reconhecimento alm de seu

    setor e consegue uma visibilidade maior no mercado, dentro e at fora do pas.

    Por outro lado, quando as aes das empresas abertas so negociadas em bolsas com

    facilidade, os acionistas aumentam a liquidez de seu patrimnio, isto , a possibilidade de

    converter seus bens em dinheiro. E essa liquidez tende a aumentar com o passar do tempo

    devido ao aumento no nmero de compradores. E, quanto maior a liquidez, mais altos so os

    preos das aes e, conseqentemente, menor o custo de capital para a empresa.

  • CAPTULO 2 NORMATIZAO NO MERCADO FINANCEIRO GLOBALIZADO

    A grande transformao ocorrida no mercado financeiro globalizado proporciona

    novas oportunidades de desenvolvimento industrial, ao passo que tambm crescente o

    potencial de crise e instabilidade financeira. Grandes desafios so enfrentados no sentido de

    definir e criar regulamentos adequados de mercado visando principalmente proteo dos

    investidores, como tambm assegurar que os riscos sero conhecidos, para que seja possvel a

    criao de estratgias de gesto dos riscos pelos participantes do mercado.

    Segundo Suen, Kimura, Imori e Nonaka (1996), os argumentos que realam a

    necessidade de se normatizar o setor financeiro, referem-se s questes relacionadas

    proteo do consumidor, ao risco moral e a questo do risco sistmico.

    O primeiro argumento parte do princpio de que os riscos do pequeno e mdio

    investidor no devem ser os mesmos de grandes investidores e instituies financeiras, visto

    que no so oferecidas formas eficazes de monitoria do risco de seus investimentos.

    Com o objetivo de se fornecer uma segurana financeira adequada a esses

    investidores, destacam-se a necessidade de criao de mecanismos de compensao dos

    investidores no caso de falncia de instituies financeiras, normas estabelecidas para nveis

    de alavancagem de fundos mtuos, bem como, o desenvolvimento de programas de incentivo

    para a reestruturao e melhoria do segmento de instituies financeiras.

    Em especial, no Brasil, observam-se a nveis bem modestos a aplicao de algumas

    questes relacionadas proteo do investidor, por exemplo, a garantia de proteo at o

    valor de R$ 20.000,00 no caso de falncias de instituies e/ou fundos mtuos.

    O risco moral envolve a implementao de regulamentos de forma a minimizar o

    investimento com riscos excessivos, apresentando perdas potenciais altas para o grupo de

  • 15

    investidores. Esse fato geraria uma eventual reduo dos retornos sobre investimentos, no

    entanto, proporcionaria um ambiente estvel e favorvel gesto dos riscos.

    Devido forte interdependncia financeira mundial, as instituies financeiras

    apresentam um forte vnculo umas s outras, visto que os recursos financeiros so objetos de

    transaes entre si. Dessa forma, um eventual colapso em uma determinada instituio

    promoveria um impacto em todo o sistema financeiro, gerando uma iniciativa de resgate em

    massa por parte dos consumidores e conseqentemente uma grave recesso no sistema

    financeiro.

    Em especial, o ano de 2008, marcado por uma crise mundial nos mercados de

    aes, de crdito e de cmbio, com efeitos ao comrcio, aos empregos e a economia global.

    Sua origem relaciona-se com a supervalorizao dos imveis nos Estados Unidos e a

    abundncia de crdito para financiamento imobilirio fornecido pelas instituies financeiras,

    tendo garantias vinculadas ao valor futuro dos imveis.

    Em busca de retornos mais elevados, os financiamentos se tornaram acessveis at

    clientes de altssimo risco (subprime), com renda, documentao e garantias insuficientes.

    Com o objetivo de alavancar os recursos, as instituies financeiras venderam ttulos no

    mercado que pagavam a seus compradores juros compatveis com os juros elevados cobrados

    dos muturios de alto risco.

    Porm, em funo da desacelerao da economia americana, provocada pelo

    aumento das taxas de juros, poltica monetria para combate a inflao, a valorizao dos

    imveis foi interrompida e deu-se incio a uma onda de inadimplncia generalizada, resultado

    em fortes perdas dos ttulos emitidos pelas instituies e conseqente risco de falncia.

    Em funo dessa incerteza, de forma geral, os investidores se desfazem das aes e

    migram para outros investimentos considerados mais seguros, reduzindo a oferta monetria

    no mercado e levando a contrao da economia, com potencial risco de recesso.

  • 16

    Desse modo, a abordagem aos efeitos do risco sistmico tem sido um forte

    argumento para o estabelecimento de uma regulamentao financeira, que estabeleceria uma

    forma de proteo dos sistemas financeiros da probabilidade de colapso.

    Com a expanso da globalizao dos mercados financeiros, tornam-se

    imprescindveis o estabelecimento de regulamentos entre centros financeiros, fornecendo uma

    transparncia maior na gesto dos riscos do mercado. Conforme Suen, Kimura, Imori e

    Nonaka (1996, p.05):

    A tendncia do mercado, tanto dos regulamentadores quanto investidores e acionistas, ser, num futuro no muito distante, a exigncia tanto dos relatrios usuais de resultados da empresa como tambm de relatrios gerenciais de riscos assumidos no perodo....

    Desse modo, as tentativas do prprio mercado constituir essas regras para auto-

    proteo devem ser amplamente discutidas a nvel governamental e mundial, de forma a se

    prevenir contra colapsos financeiros to presentes na histria moderna.

  • CAPTULO 3 A INTERDEPNDENCIA FINANCEIRA DOS MERCADOS

    3.1 HISTRICO DA GLOBALIZAO FINANCEIRA

    As relaes econmicas contemporneas apresentam uma caracterstica de forte

    interdependncia entre os mercados. A vulnerabilidade econmica afeta a todos os pases,

    especialmente, os pases menos desenvolvidos. Esses pases se tornam mais frgeis em

    virtude da necessidade de captao dos recursos financeiros internacionais para o

    financiamento dos dficits internos e externos. Alm disso, a exposio financeira dos pases

    possibilita os ataques especulativos dos investidores internacionais, colocando em risco a

    estabilidade da economia.

    O processo de globalizao teve como origem os fatos que sucederam Segunda

    Guerra Mundial, marcado pela reduo das barreiras ao comrcio internacional. Em 1944, os

    pases aliados reuniram-se na cidade de Bretton Woods nos Estados Unidos da Amrica, com

    o objetivo de estabelecer medidas concretas para a criao de um sistema para assegurar a

    liquidez internacional. Dentre tais medidas, inclua-se a instituio do Fundo Monetrio

    Internacional (FMI) e o Banco Internacional para a reconstruo e o desenvolvimento

    econmico (World Bank).

    Segundo Carvalho e Silva (2004), a instituio do Fundo Monetrio Internacional

    (FMI) tornou o dlar norte americano a principal fonte de reservas dos vrios pases, gerando

    a acumulao de dlares americanos fora do pas de origem. Este conceito de Paridade

    Monetria visava contribuio para a estabilidade financeira e econmica do mundo, de

    modo a evitar grandes flutuaes no cmbio.

  • 18

    Qualquer medida de desvalorizao da moeda do pas dependeria da aprovao do

    FMI, que concederia quando realmente necessria. Isto evitaria as guerras comerciais

    decorrentes da desvalorizao da moeda e as formas predatrias de se conquistar os mercados

    externos. O mercado seria disputado com o produto gerado e no com as manobras

    monetrias.

    No entanto, conforme Maia (2003), o dlar enfrentava um processo de perda de

    confiana dos vrios pases, em razo dos seguintes fatos:

    Dficit interno sucessivos nos balanos de pagamento dos Estados Unidos,

    A guerra do Vietn e os programas sociais do Governo Americano

    desestabilizaram a economia,

    Em 1970, em decorrncia das maiores taxas de juros praticadas na Europa,

    ocorreu a migrao dos investimentos de diversos pases para a Europa.

    Diante disso, os mercados mundiais acreditavam na iminente desvalorizao da

    moeda americana. Este fato proporcionou uma crescente substituio das reservas dos pases

    em dlar por ouro, e outras moedas europias.

    No entanto, em conseqncia dos acordos estabelecidos em Bretton Woods, os

    bancos centrais dos pases eram obrigados a sustentar a paridade monetria, atravs da

    interveno na compra ou venda da moeda para manter a estabilidade do dlar. Entretanto, os

    bancos centrais da Alemanha e da Holanda quebraram as regras de Bretton Woods e deixaram

    suas moedas flutuarem, gerando as primeiras crises do sistema capitalista global em meados

    dos anos setenta.

    Seguiu-se a esses acontecimentos, a crise do petrleo em 1973, o que provocou uma

    forte expanso da liquidez internacional, resultando no aumento dos preos da comodities.

  • 19

    Isto resultou no endividamento dos pases do terceiro mundo, ocasionando um processo de

    tomada de crditos nos Bancos comerciais.

    As taxas de juros dos emprstimos feitos aos Bancos centrais eram de formas

    flutuantes e constantemente repactuadas periodicamente, o que em virtude da alta liquidez da

    comodities no trazia maiores preocupaes.

    Contudo, ao fim dos anos setenta, os Estados Unidos optaram por uma poltica de

    combate ao processo inflacionrio, elevando as taxas referenciais de juros. Isto resultou em

    uma forte captao de recursos financeiros, gerando a brusca reduo da liquidez das

    commodities, de forma que a dvida externa dos pases devedores tornasse praticamente

    impagvel. O problema se agravou em 1982, quando o Mxico declarou sua incapacidade em

    honrar os compromissos assumidos, iniciando a crise da dvida externa do Terceiro Mundo.

    Em especial, diversos pases, como o Brasil, sofreram os efeitos da crise da dvida

    externa, enfrentando enormes dificuldades para a estabilizao da economia associada ao

    crescimento industrial.

    Alm disso, o mundo enfrenta srios desajustes sociais e econmicos. Os pases em

    desenvolvimento, no entanto, so os mais vulnerveis a choques externos, problemas que vem

    se tornando cada vez mais traumtico frente ao livre fluxo de capitais.

    De acordo com Carvalho e Silva (2004, p. 260):

    Com o objetivo de aumentar a rentabilidade dos capitais, os investidores aceitam riscos elevados. No entanto, como as informaes so falhas, um acontecimento qualquer pode reverter as expectativas quanto lucratividade dos capitais investidos. Assim, at um determinado momento, um pas pode ser visto como promissor e, de uma hora para outra, ser transformado em uma pssima opo para aplicaes financeiras. Isso aconteceu, por exemplo, com o Mxico em 1994, os tigres asiticos em julho de 1997, e com o Brasil no final de 1998.

    Para promover a atratividade dos investidores financeiros internacionais, as naes

    em desenvolvimento so levadas a implantar diversos planos de ajustes, envolvendo o

    estabelecimento de polticas pblicas, controle sobre a dvida interna e externa, necessidade

  • 20

    de estabelecer um supervit na balana comercial, controle de inflao e taxa de juros, etc.

    Tais planos, embora muito suscetveis a falhas, so essenciais para promover o

    desenvolvimento e o crescimento sustentvel da economia.

    Embora ainda detenham o poder de interferir na economia, os governos tornaram-se

    cada vez mais suscetveis s foras da competio global. Se um governo impuser condies

    desfavorveis ao capital, este abandonar o pas. Assim, o sistema capitalista global consiste

    em muitos Estados soberanos, cada qual com suas prprias polticas, mas todos sujeitos

    competio internacional, no apenas no comrcio, mas tambm no capital.

    3.2 O COMPORTAMENTO DOS INVESTIMENTOS

    O mercado financeiro internacional caracterizado pela forte interdependncia

    financeira causou profundas transformaes, no apenas no comportamento das naes, mas

    tambm, nos agentes econmicos internos e investidores.

    Na transferncia dos recursos financeiros, quanto maior o retorno sobre o capital

    excedente, maior o risco, de modo que o investidor estrangeiro se retrai diante da perspectiva

    de que os rumos da economia de um pas so alarmantes. Essa situao pode ser de natureza

    econmica, ou poltica, por exemplo, queda dos volumes de exportao, vitria eleitoral de

    um partido poltico contrrio aos interesses dos investidores. Devido s incertezas do cenrio

    econmico ou poltico, a cotao dos papis da dvida externa do pas cai, elevando assim, a

    taxa de risco do pas.

    Com o objetivo de se reduzir os riscos das aplicaes financeiras, foram criados

    mecanismos financeiros, como por exemplo, os mercados futuros, swaps (contrato de troca de

    pagamentos peridicos com uma contraparte) e o mercado de derivativos; bem como

    estabelecidas agncias internacionais para a classificao dos riscos de um pas. Embora esses

  • 21

    instrumentos tenham como funo reduzir os riscos para o investidor ou agente financeiro,

    ampliam o risco macroeconmico.

    Os derivativos, em particular, foram criados com o propsito de aumentar a

    segurana dos investimentos frente aos riscos de variao do preo dos ativos, sob o foco do

    ponto de vista microeconmico (setorial). Entretanto, acabaram por se transformar no maior

    instrumento de especulao financeira, com alto risco aos pases menos desenvolvidos e a

    prosperidade da economia mundial.

    3.3 O MERCADO DE CAPITAIS

    O investimento financeiro diferenciado do investimento de capital, pelo fato de

    que o retorno do investimento financeiro geralmente definido contratualmente em termos de

    prazos e valores. Por outro lado, no mercado de capitais, o investimento feito em ativos que

    normalmente integram o capital prprio de uma empresa.

    Diferente do investimento financeiro, o investimento de capital no tem uma data

    programada de resgate e no pode oferecer uma remunerao previamente definida. No

    entanto, no seria interessante para um investidor assumir posies no mercado sem liquidez.

    Dessa forma, para satisfazer uma eventual necessidade de resgate por parte do investidor de

    capital, os direitos sobre o negcio podem ser transferidos a outros investidores desejosos de

    assumir os riscos e benefcios do negcio. Assim, a finalidade da aplicao, a variabilidade do

    rendimento e a forma de reembolso so fatores especficos que caracterizam o mercado de

    capitais.

    As bolsas de valores so as principais instituies encarregadas de promover as

    transferncias do ativo entre investidores, fornecendo liquidez aos investimentos. O mercado

  • 22

    de capitais abrange a oferta e procura pelos investimentos de capital primrio e pelas

    transferncias secundrias daqueles investimentos.

    O mercado primrio refere-se, portanto, s aplicaes diretas na atividade produtiva,

    por exemplo, compra de novas aes pelo investidor quando do aumento de capital de uma

    empresa em expanso.

    No mercado secundrio so realizadas as transferncias entre investidores dos

    direitos sobre estes investimentos. Outro ambiente tpico de mercado secundrio o chamado

    mercado de balco. So negociaes de compra e venda de aes fora das bolsas,

    normalmente promovido por corretoras especializadas nesta rea. O mercado de balco mais

    apropriado para empresas de pequeno e mdio porte, cujas aes no so bem conhecidas ou

    que no tem volume de negociao que justifique sua movimentao atravs de uma bolsa de

    valores.

    As bolsas de valores so sociedades civis, de direito privado, sem fins lucrativos,

    exercendo relevante atividade de interesse pblico e de importante significado econmico. Os

    investidores que operam na bolsa o fazem por intermdio de suas sociedades corretoras das

    quais so clientes. As corretoras cobram de seus clientes uma corretagem sobre o volume

    financeiro das operaes de compra/venda.

    A funo econmica das bolsas prover liquidez dos ttulos e valores mobilirios,

    criando condies de negociao e, em conseqncia, viabilizando o mercado primrio destes

    ttulos.

    A caracterstica do mercado de capitais a participao do investidor no risco do

    negcio ou em financiamentos de longo prazo voltados para a formao de ativos fixos nas

    empresas e cujas garantias dependam fundamentalmente do retorno dos referidos ativos.

    De acordo com Assaf Neto (2005), o mercado de capitais abrange aes, debntures,

    bnus de subscrio, outros valores imobilirios e financiamentos de longo prazo destinados

  • 23

    formao do patrimnio produtivo das empresas, tal como os financiamentos de projetos do

    BNDES e do FINAME.

    3.4 NDICES DE BOLSA DE VALORES

    O desempenho do mercado de capitais mensurado com base nos ndices de Bolsa

    de Valores, que representam os preos de uma suposta carteira de aes das empresas em um

    determinado intervalo de tempo. Para os analistas, o que interessa, no o valor absoluto do

    ndice, mas, as variaes verificadas de um perodo para outro, entendidas como sua

    rentabilidade. Desse modo, a informao relevante do ndice sua rentabilidade, e no o seu

    valor monetrio absoluto.

    Os ndices so compostos de aes com maior liquidez, que expressem de forma

    mais precisa, o comportamento do mercado e a sensibilidade s oscilaes nos preos de

    negociao. Visto que os preos das aes seguem geralmente a mesma tendncia apresentada

    pelo mercado, o ndice de bolsa de valores utilizado para o estudo do comportamento do

    mercado.

    De uma forma geral, a composio da carteira deve priorizar as aes que tenham

    maior representatividade no volume de negcios realizados na Bolsa. A cada ao selecionada

    para compor o ndice, atribudo um peso, representando a sua importncia no volume de

    operaes.

    Em geral, uma parte considervel das flutuaes das aes pode ser explicada pela

    evoluo do mercado, o que vem a refletir-se no ndice da Bolsa de Valores. Alm disso, o

    ndice do mercado de capitais reflete o comportamento dos investimentos em aes, e

    conseqentemente a tendncia geral da economia. Por meio de suas variaes peridicas,

  • 24

    possvel distinguir certos ciclos que caracterizam o funcionamento da economia, formando as

    expectativas dos investidores com relao a seu comportamento esperado.

    No Brasil, o IBOVESPA (ndice da Bolsa de Valores de So Paulo) o mais

    importante indicador do desempenho dos preos das aes negociadas no mercado de capitais.

    O IBOVESPA foi criado em 1968, a partir de uma carteira terica de aes, expressa em

    pontos.

    O objetivo bsico do IBOVESPA refletir o desempenho mdio dos negcios a vista

    ocorrida nos preges da Bolsa de Valores de So Paulo. A carteira terica do ndice procura

    retratar, da melhor forma possvel, o perfil dos negcios realizados na BOVESPA (Bolsa de

    Valores de So Paulo). considerado um indicador do retorno total das aes que o

    compem, apurando no somente as variaes dos preos, mas tambm a distribuio dos

    proventos por parte das empresas.

    Com o objetivo de atualizar a amostra, tornando-a mais representativa do mercado,

    periodicamente a Bolsa de Valores procede atualizao de sua hipottica carteira de aes

    terica, incluindo os papis mais representativos do ltimo perodo e excluindo aqueles com

    menor participao. O QUADRO 02 apresenta as aes que compe o ndice terico do

    IBOVESPA e a sua respectiva participao nas negociaes.

    Cdigo Ao Tipo Qtde. Terica (1) Part.(%) (2) ALLL11 ALL AMER LAT UNT N2 43,08258045000 1,459 AMBV4 AMBEV PN 6,15897643658 1,110 ARCZ6 ARACRUZ PNB N1 46,75721178905 0,753 BTOW3 B2W VAREJO ON NM 9,57336407525 1,000 BVMF3 BMF BOVESPA ON EDJ NM 176,54285380307 3,944 BBDC4 BRADESCO PN N1 65,98925551740 3,550 BRAP4 BRADESPAR PN N1 22,87258387597 1,339 BBAS3 BRASIL ON NM 57,18070007501 2,443 BRTP3 BRASIL T PAR ON N1 3,01238773911 0,291 BRTP4 BRASIL T PAR PN N1 11,80091928155 0,445 BRTO4 BRASIL TELEC PN N1 14,02258377344 0,422 BRKM5 BRASKEM PNA N1 31,79378460914 0,667 CCRO3 CCR RODOVIAS ON NM 12,62217557907 0,676 CLSC6 CELESC PNB N2 1,68234984953 0,136 CMIG4 CEMIG PN N1 25,53637758069 1,614 CESP6 CESP PNB N1 28,85641461635 1,354

  • 25

    CGAS5 COMGAS PNA 1,78302725995 0,137 CPLE6 COPEL PNB N1 14,05554275557 0,707 CSAN3 COSAN ON NM 15,70989635013 0,733 CPFE3 CPFL ENERGIA ON NM 9,01962387736 0,551 CYRE3 CYRELA REALT ON NM 33,96883273181 1,250 DURA4 DURATEX PN N1 14,19519199260 0,712 ELET3 ELETROBRAS ON N1 16,40510217482 0,869 ELET6 ELETROBRAS PNB N1 20,66603276720 0,929 ELPL6 ELETROPAULO PNB N2 12,79970181910 0,694 EMBR3 EMBRAER ON NM 28,90637129981 0,718 GFSA3 GAFISA ON NM 23,37661569156 0,980 GGBR4 GERDAU PN N1 51,97635892846 2,866 GOAU4 GERDAU MET PN N1 11,66562997323 0,869 GOLL4 GOL PN N2 37,55591373458 0,989 ITAU4 ITAUBANCO PN ED N1 57,83151072359 3,193 ITSA4 ITAUSA PN N1 134,91768863853 2,309 JBSS3 JBS ON NM 48,97555582422 0,583 KLBN4 KLABIN S/A PN N1 44,24342345995 0,398 LIGT3 LIGHT S/A ON NM 5,62962310415 0,232 LAME4 LOJAS AMERIC PN INT 68,44483941846 1,270 LREN3 LOJAS RENNER ON NM 18,05469025553 0,957 NATU3 NATURA ON NM 21,17462642279 0,722 NETC4 NET PN N2 37,01268012474 1,250 BNCA3 NOSSA CAIXA ON NM 4,85047034103 0,341 PCAR4 P.ACUCAR-CBD PN N1 10,15278534224 0,618 PRGA3 PERDIGAO S/A ON NM 13,64798676208 1,000 PETR3 PETROBRAS ON 36,82232144968 2,821 PETR4 PETROBRAS PN 245,48750518047 15,387 RDCD3 REDECARD ON NM 16,66688357442 0,869 RSID3 ROSSI RESID ON NM 32,39040245029 0,582 SBSP3 SABESP ON NM 6,56830965202 0,435 SDIA4 SADIA S/A PN N1 53,76144176861 1,040 CSNA3 SID NACIONAL ON ED 32,17904964132 3,265 CRUZ3 SOUZA CRUZ ON 6,06859685656 0,465 TAMM4 TAM S/A PN N2 14,09620057857 0,818 TNLP3 TELEMAR ON EJ 6,45478372074 0,464 TNLP4 TELEMAR PN EJ 17,31920976507 1,180 TMAR5 TELEMAR N L PNA 1,63267967418 0,249 TLPP4 TELESP PN 2,28089053902 0,190 TCSL3 TIM PART S/A ON 21,74051431732 0,236 TCSL4 TIM PART S/A PN 126,54295170287 0,816 TRPL4 TRAN PAULIST PN N1 4,06111825629 0,336 UGPA4 ULTRAPAR PN N1 3,87068564846 0,407 UBBR11 UNIBANCO UNT N1 69,97074691479 2,427 USIM3 USIMINAS ON EDJ N1 5,61082961894 0,565 USIM5 USIMINAS PNA EDJ N1 29,55026535678 3,036 VCPA4 V C P PN N1 10,90252816278 0,684 VALE3 VALE R DOCE ON N1 41,89391541015 3,271 VALE5 VALE R DOCE PNA N1 185,19456246870 12,639 VIVO4 VIVO PN 48,99869034772 0,741 Quantidade Terica Total 2.334,56932388045 100,000

    QUADRO 02 CARTEIRA TERICA DO IBOVESPA PARA SETEMBRO A DEZEMBRO DE 2008 - FONTE: BOVESPA (www.bovespa.com.br).

  • 26

    O IBOVESPA apurado em tempo real, considerando os negcios realizados com

    aes no mercado vista, de forma instantnea e com divulgao online. Conforme Assaf

    Neto (2005), o valor em pontos publicado pelo IBOVESPA determinado pelo produto da

    quantidade de cada ao que compem a sua carteira tcnica, e o seu respectivo preo de

    mercado.

    3.5 A INFLUNCIA DOS CICLOS ECONMICOS NOS MERCADOS

    Conforme Maia (2003, p. 443), toda a atividade econmica quer mundial ou

    nacional, sempre oscila em perodos denominados de prosperidade, recesso, depresso,

    recuperao e novamente prosperidade.

    Na fase de prosperidade econmica, as empresas tendem a manter seus fundamentos

    bem consistentes, refletindo nos preos dos ativos no mercado de capitais. Nessa fase, as

    vendas so crescentes, com uma margem de contribuio lucrativa, onde os preos e salrios

    tendem a se elevar, gerando um otimismo generalizado.

    Por outro lado, no perodo de recesso, a economia cresce em um ritmo menor,

    provocando uma desacelerao da produo, gerando desemprego e impacto na lucratividade

    das empresas. De acordo com Maia (2003, p. 443):

    Durante o perodo de prosperidade, as empresas mantm estoques elevados de matria-prima ou de produtos acabados. Em determinando momento surge a preocupao de reduzi-los; com isso, diminuem os pedidos de compra. A atividade industrial cai; h necessidade de racionalizar despesas (enxugar custos), motivos por que muitos trabalhadores so dispensados.

    O trabalhador desempregado precisa reduzir seus gastos, o que traz como efeito: menos vendas, menos produo e menos empregos. Os preos e os lucros caem. Os bancos, agindo com cautela, passam a restringir o crdito, o que ajuda tambm a reduzir a produo.

    O conceito de ciclos econmicos, especialmente os ciclos de longa durao ou de

    sculos, tornou-se objeto no estudo de um dos pioneiros da economia mundial por Nicolai D.

  • 27

    Kondratieff, ficando conhecido como ciclos Kondratieff. As principais caractersticas desses

    ciclos so apresentadas no QUADRO 03.

    CARACTERSTICAS DOS CICLOS KONDRATIEFF

    Ciclos de expanso em funo dos investimentos em bens de capital. Ciclos de declnio em funo da depreciao em infra-estrutura do pas (ferrovias,

    portos, canais, indstrias, saneamento Bsico, edificaes, eletrificao, etc.). Ciclos de longa durao provenientes de Modificaes Tcnicas, guerras e revolues,

    imerso de pases na economia mundial e flutuaes na produo do ouro. Perodo de durao dos ciclos em mdia de 50 anos.

    QUADRO 03 DESCRIO DAS CARACTERSTICAS DOS CICLOS DE KONDRATIEFF - FONTE: Elaborado pelo Autor.

    Os ciclos de pequena durao foram estudados por Joseph Kitchin, ficando

    conhecidos como ciclos de Kitchin. As principais caractersticas desses ciclos so

    apresentadas no QUADRO 04.

    CARACTERSTICAS DOS CICLOS KITCHIN

    Ciclos econmicos originrios de causas aleatrias.

    Ciclos em funo dos movimentos de flutuao de oferta e demanda.

    Ciclos de Carter adaptativos e no por inovaes.

    Perodo de durao dos ciclos em mdia de 02 a 04 anos.

    QUADRO 04 DESCRIO DAS CARACTERSTICAS DOS CICLOS DE KITCHIN - FONTE:

    Elaborado pelo Autor.

  • 28

    Destacam-se, porm nos estudos sobre os ciclos, as teorias do economista John

    Maynard Keynes, indicando que a razo entre os investimentos e a poupana define perodos

    de ascenso ou declnio da economia, alm disso, atravs da poltica de juros de um pas

    determina-se o fluxo monetrio.

    Uma reduo na poltica de juros estimula o fluxo da poupana para os

    investimentos, fortalecendo a atividade econmica, atravs do aumento do consumo,

    produo e gerao de empregos; ao passo que, taxa de juros maior incentiva poupana,

    reduzindo a atividade econmica de um pas, promovendo indcios de recesso.

    Entretanto, os ciclos econmicos no so exatamente iguais e desse modo, no so

    passveis de controle. As foras desses ciclos podem ser endgenas ou exgenas.

    As foras endgenas so aquelas geradas dentro da empresa e dependem da estrutura

    de produo e das decises internas em assuntos como finanas, pessoal, matria-prima,

    marketing, tecnologia, planos de produo, sucesso e qualidade da administrao. Resume-se

    no planejamento estratgico da empresa, com o objetivo de gerar lucro.

    A fora interna da empresa pode estar alavancando ou em oposio fora externa

    do mercado. Desta forma, o movimento efetivo dos preos das aes a resultante entre os

    dois vetores.

    Por outro lado, as foras exgenas do mercado atuam sobre o ambiente global,

    influenciando indistintamente todas as empresas. Nesse caso, destacam-se variveis, como:

    liquidez da economia taxa bsica de juros, sistema cambial, inflao, legislao fiscal,

    influncias da economia internacional, nvel de emprego e consumo, poltica econmica em

    geral e, inclusive, o quadro poltico e social do pas.

    A crise da Bolsa de New York em 1929 tornou-se o exemplo clssico de uma

    combinao duradoura de foras exgenas negativas, antecipadas por um clima de elevado

    otimismo influenciando os nveis de cotao dos ativos. As foras exgenas negativas

  • 29

    tambm foram marcantes na crise no Mxico (1995), nos pases asiticos (1997-1999) e na

    Rssia em meados de 1998.

    A economia brasileira tambm sofreu o efeito das crises internacionais. A histria da

    trajetria dos preos das aes no Brasil passa por um perodo de acelerao a partir de 1968

    que terminou num pico principal em 1971. Foram mais de doze anos de quedas influenciadas

    pela crise do petrleo em 1973 e 1979 at Setembro de 1983. No ano de 1983 deu-se incio a

    uma grande tendncia de alta que durou at o plano cruzado em 1986. Neste intervalo,

    ocorreu tambm a volta da democracia e a eleio do presidente Tancredo Neves.

    Em 1986, aps o Plano Cruzado, os preos comearam a cair e em um ano e meio

    havia reduzido o valor das aes brasileiras, queda essa que culminou com o crash na Bolsa

    de New York ocorrida em 1987.

    A tendncia de alta que comeou ento, no final de 1987 e que testemunhou a

    promulgao da constituio de 1988 e o Plano Vero em 1989. Durou apenas um ano e meio

    at que o investidor Nagi Nahas desse um golpe que quase provocou um crash no mercado

    financeiro brasileiro.

    A maior de todas as tendncias de alta do mercado de aes brasileiro foi iniciada

    com o Plano Collor II em 1991, acelerada com o incio da entrada dos investidores

    estrangeiros em Novembro de 1991, teve uma grande correo aps a eleio do Presidente

    Fernando Henrique Cardoso em 1994, e houve uma queda posterior em funo da crise do

    Mxico, cujo trmino se deu na crise Asitica em 1997.

    Nesta mesma poca, foi deflagrado o caso envolvendo a empresa Enron nos Estados

    Unidos e a empresa de auditoria contbil Arthur Andersen, responsveis pela falsificao dos

    balanos contbeis da empresa negociada na bolsa de valores dos Estados Unidos,

    apresentando lucros irreais. Tal fato gerou uma intensa desvalorizao dos ativos dos

  • 30

    mercados financeiros internacionais, provocado pela desconfiana generalizada dos

    investidores.

    Em 2008, os efeitos da crise imobiliria dos Estados Unidos refletem negativamente

    no desempenho do mercado internacional, com grande potencial de risco de recesso mundial.

    A histria da trajetria dos preos das aes no Brasil de 1969 a 2001, bem como os

    principais fatores exgenos influenciadores so demonstrados na FIGURA 01.

    FIGURA 01 A HISTRIA DOS PREOS DAS AES DE 1969 A 2001 (IBOVESPA INDEXADO AO DOLAR COMERCIAL GRFICO SEMANAL) - FONTE: BOTELHO (2003, pg. 05).

    De acordo com a interpretao tradicional dos participantes do mercado acionrio,

    os preos das aes presumivelmente refletem os fundamentos das empresas participantes.

    Porm, conforme Soros (2001, p.78), esta viso equivocada, pois os preos de mercado

  • 31

    geralmente no refletem os lucros, os balanos patrimoniais, nem os dividendos do ano

    passado; antes, procuram antecipar o fluxo futuro de lucros, dividendos e valor dos ativos.

    Segundo Botelho (2003), os preos dos ativos do mercado oscilam por diversas

    razes:

    O conjunto de fatores fundamentais que influenciam o comportamento dos

    participantes do mercado muda constantemente.

    Os participantes podem interpretar os mesmos conjuntos de fatores

    fundamentais de forma diferente.

    O surgimento de um novo fator fundamental.

    As oscilaes de preos das aes no mercado podem tambm ser provocadas pela

    movimentao de alguns grandes participantes do mercado, principalmente investidores

    estrangeiros. Alm disso, existem os investidores Insiders, ou seja, grandes investidores com

    informaes privilegiadas, os quais assumem posies de compra/venda das aes antes do

    conhecimento dos fatores pelo pblico.

  • CAPTULO 4 METODOLOGIA PARA AVALIAO DAS EMPRESAS

    4.1 INTRODUO A ANLISE FUNDAMENTALISTA

    A anlise dos fundamentos do valor de um ativo tem como objetivo investigar as

    causas que fazem com que os preos apresentem movimentos ascendentes ou descendentes.

    Na anlise fundamentalista, as informaes utilizadas geralmente envolvem os

    nveis futuros e previstos da atividade econmica nacional, setorial e da empresa, alm de

    consideraes polticas que possam influenciar o comportamento de variveis econmicas,

    tanto a nvel macro quanto micro, afetando as taxas de retorno esperadas e o grau de risco

    associado.

    Outro ponto de destaque na anlise fundamentalista a experincia da pessoa que

    trabalha com essas informaes, pois apesar de todo o cuidado que envolve a manipulao das

    informaes, qualquer modelo econmico est sujeito aos fatores exgenos que podem

    inviabilizar as concluses obtidas.

    Os dados utilizados na anlise de fundamentos esto relacionados produo, ao

    consumo, aos preos de venda dos produtos, aos custos industriais e inmeras outras variveis

    macroeconmicas para a estimativa do retorno e risco, que justifique assumir uma posio na

    compra das aes de uma determinada empresa.

    O fundamentalista, alm de estar constantemente informado sobre qualquer evento

    que possa influenciar a empresa, a concorrncia e a prpria economia como um todo, utiliza

    intensamente as informaes contbeis da empresa, associados aos ndices de desempenho

    financeiro.

  • 33

    O estudo dos indicadores financeiros tem como objetivo auxiliar o analista em uma

    viso mais detalhada de uma srie de aspectos da sade financeira e operacional da empresa.

    Weston e Brigham (2000) classificam os ndices em quatro grandes classes:

    ndices de Liquidez

    ndices de Alavancagem de capital

    ndices de Atividade

    ndices de Rentabilidade

    Os dois primeiros grupos esto relacionados com o risco empresarial e da concesso

    de crdito, enquanto os ndices de atividade e rentabilidade se relacionam mais com o retorno

    sobre o capital.

    Segundo Fam e Grava (2000), a anlise da liquidez das empresas envolve a

    compreenso de seus ativos e passivos de curto prazo, que mede a capacidade de um ativo

    lquido ser vendido rapidamente sem que incorra em perdas significativas. Uma empresa com

    baixa liquidez apresenta grandes riscos potenciais de inadimplncia, podendo se transformar

    em uma empresa insolvente. Por outro lado, a questo sobre quantos recursos manter sob a

    forma de ativos lquidos tem reflexos diretos na estrutura do capital, podendo influenciar a

    distribuio dos dividendos das aes.

    Conforme Kiyosaki e Lechter (2002, p.347), atravs das demonstraes financeiras

    de uma empresa torna-se possvel determinar o quanto um negcio ser lucrativo ou at que

    ponto uma empresa est alavancada financeiramente, de forma a se obter o risco operacional

    da empresa.

    No entanto, os indicadores contbeis devem ser examinados em conjunto com a

    situao do ramo de atividade, possibilitando uma forma de projeo dos resultados futuros

    percebidos de forma diferente pelo mercado.

  • 34

    As informaes geradas pelas demonstraes contbeis devem propiciar aos seus

    usurios, uma base segura para a tomada de decises, dada pela compreenso do estado em

    que se encontra a entidade, seu desempenho, sua evoluo, riscos e oportunidades que

    oferece. Visando garantir esses objetivos, os balanos divulgados pelas empresas de capital

    aberto so devidamente auditados por auditores independentes com registro na Comisso de

    Valores Imobilirios (CVM).

    Na Bolsa de Valores, os investidores no podem comprar pelo valor contbil dos

    ativos da empresa, sendo que somente podem comprar aes pelo preo de mercado. Para

    analisar a subavaliao/super-avaliao dos preos das aes foram desenvolvidos ndices de

    mercado pelos analistas fundamentalistas.

    Dentre as caractersticas da anlise fundamentalista, destaca-se o tempo mdio do

    retorno do capital sobre o investimento. Geralmente, as anlises so feitas levando-se em

    considerao os resultados para um mdio e longo prazo. Alm disso, a anlise fundamental

    consistente, coerente e racional, sendo apoiada por fatos concretos; mas tambm intuitiva e

    subjetiva, pois envolve a interpretao do analista.

    4.2 ANLISE DE BALANOS

    A utilizao principal das tcnicas de anlise de balanos a extrao de

    informaes a partir das demonstraes financeiras para alimentao do processo de tomada

    de decises.

    A anlise de balanos preocupa-se com as demonstraes financeiras das quais

    essas, precisam ser transformadas em informaes para que se possa concluir como est a

    administrao da empresa, se tem condies de receber crditos financeiros, se h recursos ou

    no para honrar seus compromissos assumidos perante terceiros, aspectos referentes

  • 35

    lucratividade, se os processos so eficientes ou ineficientes, ou seja, avaliar a continuidade

    dos negcios ou riscos potenciais. Resumidamente, a anlise de balanos produz as seguintes

    informaes:

    Situao Financeira

    Situao Econmica

    Desempenho

    Eficincia na alocao dos recursos

    Pontos fortes e fracos

    Tendncias e perspectivas

    Quadro de evoluo histrico

    Adequao das fontes s aplicaes de recursos

    Causas das alteraes na situao financeira

    Causas das alteraes na rentabilidade

    Evidncias de erros na administrao

    Providncias que deveriam ser tomadas e no foram

    Avaliao de alternativas econmico-financeiras futuras

    O diagnstico de uma empresa geralmente inicia-se aps uma rigorosa anlise de

    balanos, tendo como finalidade determinar quais so os aspectos necessrios para a soluo

    de problemas. Torna-se fundamental para quem pretende relacionar-se de uma forma com a

    empresa.

    Dentre os envolvidos, citam-se os fornecedores, os quais esto interessados em

    conhecer a capacidade de pagamento de seus clientes, ou seja, sua liquidez e solvncia. Os

    clientes, por sua vez, analisam as informaes de forma a se ter previsibilidade de um

    fornecimento constante visando segurana dos negcios.

  • 36

    Para o fornecimento de crditos em curto prazo, para o financiamento das atividades

    empresariais, os bancos comerciais observam a situao atual do cliente, buscando realizar

    projees a partir de informaes histricas. Por sua vez, os bancos de investimento

    necessitam da anlise de balanos para que sejam rigorosamente calculados os riscos da

    concesso do crdito.

    Em funo da alta competitividade, desencadeada principalmente pelo processo de

    globalizao, a anlise de concorrentes pode ser determinantes como fator de sucesso ou de

    fracasso da empresa no mercado.

    As decises de lanamento de novos produtos, penetrao em novos mercados,

    investimentos em imobilizados, por exemplo, a construo de uma nova fbrica, so decises

    muitas vezes tomadas em funo da situao do balano mostrado pelos concorrentes. Alm

    disso, fundamental para a empresa saber qual a sua posio em relao a seus concorrentes

    e como se situa sua liquidez e rentabilidade.

    De forma geral, para clientes e fornecedores, a anlise de balanos proporciona bons

    resultados na preciso de insolvncia, evitando que fornecedores e clientes tenham enormes

    prejuzos com empresas que vo falncia ou entram em concordata.

    As sociedades de crdito imobilirio e o governo so ainda outros usurios

    dependentes das informaes geradas dos balanos. Tal anlise por parte do governo

    utilizada intensamente em diversas situaes, como: concorrncias abertas, empresas

    concessionrias de servios pblicos, setores da economia, etc.

    Em especial, na anlise fundamentalista, a anlise de balanos imprescindvel,

    pois, permite as decises para o investimento em aes desta ou daquela empresa, sendo o

    objetivo dos investidores, a maximizao e preservao de seus investimentos.

  • 37

    Entretanto, na anlise de balanos, um fator principal consiste na comparao de

    dados. A grande importncia dos dados histricos que atravs deles pode-se observar o

    comportamento das demonstraes financeiras ao longo dos perodos em anlise.

    Por exemplo, o lucro de uma empresa em um determinado exerccio no teria

    significado se no pudesse ser comparado com os lucros obtidos no passado. Atravs da

    anlise histrica podem-se perceber as causas que levaram a empresa obter esse lucro, como

    cresceu ou como diminuiu.

    4.3 ANLISE SETORIAL

    A anlise de balanos somente adquire consistncia e objetividade quando esses so

    comparados ao seu setor de atuao. A iniciativa por parte daqueles que se defronta com a

    necessidade de anlise de balanos e quer delas extrair alguma informao como desempenho

    passado e principalmente fatores quanto a sua perspectiva futura, realizar comparaes.

    Por exemplo, podem-se comparar o lucro lquido com o patrimnio lquido, o

    investimento em imobilizados com o patrimnio lquido, ativo circulante com o passo

    circulante, etc.

    No entanto, a comparao do ndice de uma empresa deve ser feita com as de outras

    empresas de mesmo segmento ou setor de atuao, a fim de se ter uma melhor idia do seu

    desempenho em relaes mdia do setor a qual pertence. Segue-se alistado, alguns aspectos

    importantes para uma anlise setorial:

    Estrutura e Estgio de competio na Indstria (nmero de empresas que

    participam do setor; componentes de cada empresa em termos de vendas,

    ativo e patrimnio lquido; nveis de participao do mercado entre as

  • 38

    empresas do segmento; subdiviso do setor; tendncia para fuses e

    diversificao fora do setor)

    A natureza e as perspectivas da demanda para produtos e servios da

    indstria (classificao da indstria: de crescimento, cclica, defensiva ou em

    estgio de maturidade; principais mercados e distribuio geogrfica desses

    mercados, inclusive exportaes; determinantes da demanda; possibilidades

    de crescimento da demanda em curto e longo prazo; existncia de

    sazonalidade de vendas)

    Comportamento dos custos e lucratividade (distribuio de custos do setor

    entre custos diretos (mo de obra direta, matria prima, etc.) e custos

    indiretos de fabricao; percentual de aumento do custo de mo de obra e

    produtividade; percentual de aumento dos preos dos produtos; capacidade

    instalada e taxa de ocupao; necessidade de investimentos na planta

    industrial visando o aumento da eficincia produtiva e competitividade;

    existncia de sazonalidade de compras de matrias-primas e de produo)

    Tecnologia e Pesquisa

    Atravs da anlise setorial possvel realizar projees e definir tendncias de curto

    e mdio prazo que permitem identificar fatores de riscos e oportunidades de negcios nos

    mais diversos setores da economia. Dessa forma, a anlise fundamentalista pressupe que

    haja uma interao entre a anlise de balanos e a anlise setorial.

  • 39

    4.4 A ESTRUTURA DAS DEMONSTRAES FINANCEIRAS

    As demonstraes financeiras possuem finalidades especficas embora todas tenham

    uma finalidade comum, ou seja, resumir em um determinado momento os registros dos atos e

    fatos praticados pela empresa dentro de um determinado perodo. Alguns desses perodos ou

    momentos tambm so determinados por lei, outros, so definidos de acordo com o interesse

    da prpria organizao.

    Para as empresas com subscrio de capital social por aes, a lei da sociedade por

    aes (6.404/76) estabelece que ao final de cada exerccio, a diretoria providenciar com base

    na escriturao contbil, demonstraes financeiras validadas por administradores e por

    contabilistas legalmente habilitados.

    As empresas com capital aberto, ou seja, que tenham as aes negociadas em bolsa

    assume o compromisso de elaborar os relatrios de demonstraes trimestralmente e

    disponibiliz-los ao pblico. Destacam-se os seguintes componentes dos relatrios:

    Relatrio de administrao (relatrio que informa aos acionistas e terceiros

    sobre fatos que se julgam importantes sobre diversos aspectos do

    desempenho e perspectivas futuras da organizao, relativo s estratgias de

    vendas, compras, produtos, setor de atuao, efeitos conjunturais, resultados

    alcanados, previses e etc.)

    Demonstraes Financeiras (Balano Patrimonial; Demonstrao de

    resultados; Mutaes do Patrimnio lquido e Origem e aplicaes de

    recursos)

    Notas explicativas (so dados e informaes que complementam as

    demonstraes financeiras, como: contexto operacional da empresa,

    principais prticas contbeis, taxa de juros, vencimentos e garantias de

  • 40

    obrigaes de longo prazo / financiamentos, avaliao de estoques,

    depreciao e outras previses, espcies de aes do capital social, eventos e

    benefcios, etc. As notas explicativas contm tambm um conjunto de

    elementos que auxiliam o analista a fazer uma avaliao mais detalhada da

    empresa).

    As demonstraes financeiras geralmente possuem um nmero extenso de contas, as

    quais necessitam ser avaliadas antes do incio da anlise. Suas estruturas bsicas tambm so

    regulamentadas ou normatizadas. Esta exigncia faz sentido porque uma das principais

    funes das demonstraes classificar os eventos administrativos, os atos ou os fatos

    contbeis em grupos representativos de eventos patrimoniais ou do prprio patrimnio.

    Embora no existam modelos exigidos por lei, a praxe contbil conseguiu criar

    estruturas que facilitam a leitura de tais demonstraes. Para efeito de anlise em muitos casos

    h a necessidade de readequar a estrutura demonstrada ou de reclassificar algumas contas ou

    grupos no sentido de facilitar os trabalhos e dar valor real anlise.

    A padronizao consiste em condensar e criticar as contas pertencentes

    demonstrao e tem como objetivo: a simplificao da anlise, criar a possibilidade de

    comparao, adequao aos objetivos da anlise, preciso nas classificaes das contas,

    descoberta de erros e desenvolver uma familiaridade do analista com as demonstraes

    financeiras da empresa.

    4.4.1 BALANO PATRIMONIAL

    O balano patrimonial o demonstrativo que reflete a situao da empresa no

    momento daquele encerramento. Composto pelas contas patrimoniais (contas que no so

  • 41

    transportadas para a demonstrao de resultados) e pelo resultado apurado estar refletindo

    todos os bens, direitos e obrigaes da empresa.

    No QUADRO 05 demonstrado um modelo de padronizao do Balano

    Patrimonial.

    QUADRO 05 MODELO DE BALANO PATRIMONIAL - FONTE: Elaborado pelo Autor.

    Na estrutura do balano patrimonial, destacam-se os seguintes grupos de conta:

    Ativo e Passivo/Patrimnio Lquido.

  • 42

    No ativo so alistadas todas as contas representativa de bens e direitos de

    propriedade da empresa, classificadas em ordem de liquidez decrescente, sendo destacadas:

    Ativo circulante envolvem disponibilidades e direitos realizveis no curso

    do exerccio social aps o balano. Essas contas caracterizam-se por estar em

    constante giro.

    Ativo realizvel a longo prazo bens e direitos realizveis aps o trmino do

    exerccio social em questo. Alm disso, podem incluir direitos derivados de

    adiantamentos ou emprstimos a sociedades coligadas ou controladoras,

    diretores, acionistas ou participantes de lucro da companhia, que no

    constiturem negcios usuais na explorao do objeto da companhia.

    A conta de ativos permanentes pode ser desmembrada em investimentos,

    imobilizado e diferido. Os investimentos envolvem participaes em outras

    sociedades e direitos de qualquer natureza, no classificveis no Ativo

    Circulante ou Realizvel a Longo Prazo que no se destinem a manuteno

    da atividade da empresa. Na conta de imobilizado se encontra direitos que

    tenham por objeto bens destinados manuteno das atividades da empresa

    ou exercidos com essa finalidade. Em diferido, so aplicados recursos que

    beneficiaro resultados de exerccio futuros.

    Nas contas Passivo e Patrimnio Lquido classificado todas as contas que

    originaram o capital empregado nos bens e direitos classificados no Ativo. Destacam-se:

    Passivo Circulante obrigaes da empresa exigveis que devem ser

    liquidadas no prximo exerccio social aps o levantamento do balano.

    Passivo Exigvel a Longo Prazo dvidas de longo prazo ou obrigaes

    exigveis que sero liquidadas com prazo superior a um ano.

  • 43

    Patrimnio Lquido recursos dos proprietrios aplicados na empresa. Os

    recursos incluem o capital mais o rendimento de lucros e reservas.

    4.4.2 DEMONSTRAO DO RESULTADO DE EXERCCIO (DRE)

    As indicaes sobre o detalhamento das contas de receita, despesa, lucro ou prejuzo

    lquido so obtidas atravs da demonstrao do resultado de exerccio (DRE). Enquanto o

    balano patrimonial reflete a situao do patrimnio da empresa em um dado momento, a

    DRE demonstra as ocorrncias em certo perodo.

    As mais importantes funes de uma DRE envolvem a gerao de informaes dos

    resultados das operaes aos stakeholders. No QUADRO 06 demonstrado um modelo de

    demonstrao do resultado de exerccio (DRE).

    DFP - DEMONSTRAES FINANCEIRAS PADRONIZADAS

    03.01 - Demonstrao do Resultado (x R$ 1000)

    Cdigo da Conta:

    Descrio da Conta: 01/01/2005 a

    31/12/2005

    01/01/2004 a

    31/12/2004

    01/01/2003 a

    31/12/2003

    3.01 Receita Bruta de Vendas e/ou Servios

    658.543 522.886 427.207

    3.02 Dedues da Receita Bruta

    (119.377) (95.968) (82.534)

    3.02.01 Impostos Faturados (115.401) (92.747) (80.150)

    3.02.02 Abatimentos (3.976) (3.221) (2.384)

    3.03 Receita Lquida de Vendas e/ou Servios

    539.166 426.918 344.673

    3.04 Custo de Bens e/ou Servios Vendidos

    (390.000) (305.943) (237.064)

    3.05 Resultado Bruto 149.166 120.975 107.609

    3.06 Despesas/Receitas Operacionais

    (136.529) (112.402) (98.513)

    3.06.01 Com Vendas (106.849) (83.366) (71.144)

    3.06.02 Gerais e Administrativas (30.926) (25.816) (24.766)

    3.06.02.01 Administrativas (20.543) (16.187) (15.364)

    3.06.02.02 Honorrios da Administrao

    (1.645) (1.451) (1.329)

  • 44

    3.06.02.03 Depreciaes e Amortizaes

    (8.738) (8.178) (8.073)

    3.06.03 Financeiras (2.030) (6.841) (5.721)

    3.06.03.01 Receitas Financeiras 2.740 3.497 3.492

    3.06.03.02 Despesas Financeiras (4.770) (10.338) (9.213)

    3.06.04 Outras Receitas Operacionais

    4.895 5.509 4.531

    3.06.05 Outras Despesas Operacionais

    (1.619) (1.888) (1.413)

    3.06.06 Resultado da Equivalncia Patrimonial

    0 0 0

    3.07 Resultado Operacional 12.637 8.573 9.096

    3.08 Resultado No Operacional

    667 2.047 485

    3.08.01 Receitas 1.081 2.509 823

    3.08.02 Despesas (414) (462) (338)

    3.09 Resultado Antes Tributao/Participaes

    13.304 10.620 9.581

    3.10 Proviso para IR e Contribuio Social

    (3.579) (2.669) (2.622)

    3.10.01 Corrente (3.440) (2.710) (2.467)

    3.10.02 Diferido (139) 41 (155)

    3.11 IR Diferido 0 0 0

    3.12 Participaes/Contribuies Estatutrias

    0 0 0

    3.12.01 Participaes 0 0 0

    3.12.02 Contribuies 0 0 0

    3.13 Reverso dos Juros sobre Capital Prprio

    0 0 0

    3.15 Lucro/Prejuzo do Exerccio

    9.725 7.951 6.959

    QUADRO 06 DEMONSTRAO DO RESULTADO DO EXERCCIO (DROGASIL SA) - FONTE:

    BOVESPA (www.bovespa.com.br).

    4.4.3 ANLISE VERTICAL E HORIZONTAL

    Para auxiliar o processo de anlise, tem-se utilizado tcnicas de comparao dos

    resultados, como, a anlise vertical e horizontal.

    O objetivo da anlise vertical observar ao longo do tempo o comportamento das

    demonstraes financeiras, mostrando a participao percentual em cada exerccio social de

  • 45

    sub-contas em relao a uma conta base que equivale a 100%, podendo assim, estabelecer

    bases para anlises prospectivas.

    Na anlise vertical, ao contrrio da anlise horizontal, os valores no so

    influenciados pela inflao, uma vez que se trata de contas de uma mesma demonstrao

    financeira, e, portanto, os valores encontram-se monetariamente em um mesmo perodo.

    O estudo realizado atravs da Anlise Horizontal tem por objetiva compara a

    evoluo individual das contas que compe as demonstraes financeiras em perodos de

    tempos consecutivos.

    De forma geral, conclui-se que a combinao da anlise vertical com a anlise

    horizontal apresenta importantes informaes do comportamento das demonstraes

    financeiras no passado, da situao atual, bem como fornece subsdios para projees futuras

    da empresa.

    4.5 INTRODUO A ANLISE POR NDICES

    A avaliao de uma empresa realizada atravs dos ndices exige a comparao com

    padres e a fixao da importncia de cada ndice. A caracterstica fundamental dos ndices

    fornecer uma viso ampla da situao econmica ou financeira da empresa.

    Os aspectos econmicos referem-se ao lucro, no sentido dinmico de

    movimentao, ao passo que de forma esttica, refere-se ao patrimnio lquido.

    A viso financeira da empresa permite verificar os aspectos relacionados ao fluxo de

    dinheiro. De forma dinmica, representa a variao do caixa. Estaticamente, representa o

    saldo do caixa. Quando analisado de forma ampla, a viso financeira tem a ver com o capital

    circulante lquido.

  • 46

    O resultado econmico reflete o lucro ou prejuzo do exerccio. O lucro aumenta o

    patrimnio lquido, no entanto no altera a disponibilidade de dinheiro. Ao mesmo tempo em

    que uma empresa pode apresentar tima situao econmica com investimentos em

    imobilizado, pode ter insuficincia de recursos financeiros para pagamento de suas dvidas.

    4.5.1 NDICES DE LIQUIDEZ

    O principal objeto dos ndices de liquidez realizar a medio da capacidade da

    empresa em atender os seus compromissos assumidos de curto prazo atravs da realizao de

    seus ativos circulantes. Os principais ndices de liquidez so alistados abaixo:

    NDICE DE LIQUIDEZ CORRENTE indica quanto a empresa possui no ativo

    circulante para cada $ 1,00 no passivo circulante. A Frmula descrita a seguir:

    Caso uma empresa tenha ativos circulantes em uma determinada data o montante de

    $ 5.000 e de passivos circulantes $ 3.000, o ndice de liquidez apurado de 1,7. Isso significa

    dizer que a empresa para cada $ 1,00 de dvidas de curto prazo, tem $ 1,7 de bens e direitos

    realizveis no curto prazo.

    NDICE DE LIQUIDEZ SECA indica quanto a empresa possui no ativo circulante

    descontados os estoques para cada $ 1,00 no passivo circulante. A Frmula descrita

    a seguir:

  • 47

    A anlise da liquidez seca importante, pois a conta de estoques representam contas

    dentro do ativo circulante que so renovadas, e o ndice de liquidez corrente no revela a

    movimentao entre os prazos e renovao dos ativos e os prazos de vencimento das dvidas.

    NDICE DE LIQUIDEZ GERAL indica quanto a empresa possui no ativo circulante

    e realizvel a longo prazo para cada $ 1,00 de dvida total. A Frmula descrita a

    seguir:

    NDICE DE LIQUIDEZ IMEDIATA indica quanto a empresa tem de disponibilidades

    (caixa, bancos e em aplicaes de liquidez imediata) para saldar $ 1,00 de dvidas no curto

    prazo. A Frmula descrita a seguir:

    A administrao da liquidez de extrema importncia para as empresas. O saldo de

    caixa deve ser suficiente para atender seus compromissos de curto prazo, tanto de despesas

    correntes, bem como aos diversos pagamentos que esto programados, alm de ser importante

    manter uma reserva para emergncias.

    Em funo do cenrio econmico, caracterizado por juros altos, consumo fraco e

    crdito limitado, as empresas devem concentrar seus recursos em ativos de alta liquidez,

    aumentando assim, o seu grau de liquidez imediata. Por outro lado, um cenrio com

    estabilidade econmica, incentiva a aplicao dos recursos nos ativos permanentes.

  • 48

    4.5.2 NDICES DE ALAVANCAGEM DE CAPITAL

    Os ndices de alavancagem ou de estrutura de capital mostram as grandes linhas de

    decises financeiras, em termos de obteno e aplicao de recursos. Seguem descritos os

    principais ndices:

    ENDIVIDAMENTO GERAL Indica a participao do capital de terceiros de curto e

    longo prazo nos investimentos efetuados no ativo da empresa. A principal frmula

    descrita a seguir:

    Uma empresa endividada aquela que depende da liquidao de seus ativos para

    poder arcar com suas dvidas, situao em alto grau de endividamento.

    Ressalta-se que uma empresa comparativamente com outras do mesmo setor, pode

    apresentar um elevado grau de endividamento, porm, representar um menor risco. Isso

    possvel se a empresa apresentar uma elevada capacidade de gerao de recursos. Neste caso,

    considera-se que as dvidas correntes de uma empresa sero saldadas pelo fluxo de recursos

    gerados pelas suas operaes e no pela venda de seus ativos.

    ENDIVIDAMENTO SOBRE O PATRIMNIO LQUIDO Identifica qual a

    proporo dos recursos de terceiros em relao aos recursos prprios existente na

    empresa. A principal frmula descrita a seguir:

  • 49

    ENDIVIDAMENTO DE CURTO PRAZO SOBRE O ENDIVIDAMENTO TOTAL

    Indica a porcentagem do volume de dvidas da empresa que deve ser paga no curto

    prazo. Trata-se de um indicador da qualidade da dvida, porm, requerendo anlise das

    taxas de juros a serem pagas nas dvidas de longo prazo. A principal frmula

    descrita a seguir:

    PASSIVO ONEROSO SOBRE OS ATIVOS Este indicador fornece a participao

    das fontes externas de financiamentos captados pela empresa em relao aos capitais

    prprios. A principal frmula descrita a seguir:

    Para uma melhor avaliao, importante observar o tipo de dvida existente, os

    prazos de vencimento da dvida ao longo prazo e as taxas de juros correspondentes a cada um

    desses financiamentos. Essas informaes podem ser observadas junto nas notas explicativas

    dos relatrios.

    4.5.3 NDICES DE ATIVIDADE

    A anlise dos recursos investidos no giro das operaes de uma empresa envolve o

    clculo dos prazos mdios (ndices de atividade) de renovao dos estoques, duplicatas a

    receber (clientes) e de liquidez, mostrando a relao entre nmero de dias dos prazos e os

    recursos de investimento no giro da empresa.

  • 50

    PRAZO MDIO DE RENOVAO DE ESTOQUES (PMRE) fornece o nmero

    mdio de dias em que os estoques ficam armazenados at sua venda. As principais

    frmulas so descritas a seguir:

    O giro dos estoques mede o nmero de vezes em que estes so renovados ao longo

    dos anos. Quanto maior o giro dos estoques da empresa, maiores sero suas vendas, salvo se a

    empresa no estiver mantendo nveis baixos de estoque.

    PRAZO MDIO DE RECEBIMENTO DAS VENDAS (PMRV) fornece o nmero

    de dias em que a empresa leva para receber as suas vendas. As principais frmulas so

    descritas a seguir:

    Quando as empresas necessitam elevar as suas vendas, geralmente concedem

    maiores prazos de pagamentos a seus clientes proporcionando, assim, um aumento do volume

    de duplicatas a receber.

    O conhecimento da relao de clientes de uma empresa de grande importncia

    para a anlise das demonstraes financeiras, pois, o analista poder observar se existe uma

    dependncia das vendas por parte da empresa para determinados clientes e avaliar a qualidade

    desses clientes.

    PRAZO MDIO DE PAGAMENTO DAS COMPRAS (PMPC) fornece o tempo

    mdio entre o recebimento das compras de materiais de produo e/ou das

  • 51

    mercadorias para revenda, e o seu respectivo pagamento. As principais frmulas so

    descritas a seguir:

    A partir dos prazos mdios de renovao dos estoques, recebimento das vendas e

    pagamento das compras possvel entender o ciclo operacional e o ciclo financeiro da

    empresa, conceitos fundamentais para compreender melhor o fluxo financeiro interno.

    O ciclo operacional corresponde ao intervalo de tempo compreendido desde a

    recepo dos materiais de produo ou das mercadorias para revenda (PMRE) at a cobrana

    das vendas correspondentes (PMRV). Neste perodo so investidos recursos nas operaes da

    empresa sem que ocorram as entradas de caixa relativas s vendas. Parte desse capital de giro

    mantida pelos fornecedores que concedem prazos de pagamento das compras dos insumos

    ou mercadorias.

    Por outro lado, o ciclo financeiro ou ciclo de caixa compreende o prazo entre sadas

    de caixa relativas ao pagamento dos fornecedores e as entradas de caixa provenientes dos

    recebimentos das vendas. Neste perodo, a empresa ter de financiar suas operaes em a

    participao dos fornecedores. Quanto maior for o ciclo financeiro, mais capital de giro

    prprio ou terceiros ser necessrio para sustentar as aplicaes, podendo gerar custos

    financeiros e afetando a rentabilidade geral da empresa.

    4.5.4 NDICES DE RENTABILIDADE

    Os ndices de rentabilidade tm como principal objetivo a interpretao e anlise dos

    resultados obtidos pela empresa. So derivados do demonstrativo de resultados do exerccio

  • 52

    atravs da anlise vertical e tambm, apurados atravs das vendas, e resultados operacionais

    em relao aos ativos e patrimnio lquido.

    MARGEM BRUTA Identifica o desempenho dos custos de produo. Dado que o

    lucro bruto obtido pela diferena entre as vendas lquidas e o custo dos produtos

    vendidos, ou das mercadorias vendidas, um aumento deste ndice significa uma

    melhor eficincia produtiva da empresa, no que se refere aos seus custos. A principal

    frmula descrita a seguir:

    Um aumento na margem bruta pode tambm ser obtida pelo fato do crescimento dos

    preos de vendas serem maior que dos custos.

    Outra hiptese bastante comum que ocasiona o aumento da margem bruta a

    reduo dos custos fixos em funo do aumento do volume de vendas, ou seja, quanto maior

    for a quantidade vendida, menor ser o custo unitrio de produo.

    Por outro lado, uma reduo na margem bruta pode ser conseqncia dos seguintes

    fatos: controle de preos, reduo de tarifas, maior queda da receita de vendas do que os

    custos, aumento de salrios, aumento dos preos dos insumos e etc.

    MARGEM OPERACIONAL Identifica o desempenho operacional da empresa em

    funo de valores efetivamente utilizados em suas operaes normais ou do prprio

    ramo de atividade da empresa, antes dos efeitos dos resultados financeiros. A principal

    frmula descrita a seguir:

  • 53

    MARGEM LQUIDA Identifica a parte das vendas que a empresa aufere de lucro

    lquido. Por exemplo, uma empresa possui uma margem lquida de 5%, isto significa

    dizer que 5% das vendas lquidas realizadas permaneceram na empresa sob a forma de

    lucros, e o restante foi utilizado para cobrir os custos e despesas incorridas. A

    principal frmula descrita a seguir:

    RENTABILIDADE DO ATIVO TOTAL Este ndice mostra o retorno do total do

    investimento efetuado pela empresa, ou seja, a capacidade que os ativos apresentam de

    gerar lucros. A principal frmula descrita a seguir:

    O ndice de rentabilidade do ativo total indica a rentabilidade sobre toda a estrutura

    de capital do ativo, considerando-se recursos prprios e de terceiros. Para a avaliao do

    retorno de investimentos sobre o capital prprio (patrimnio lquido), deve-se avaliar a razo

    entre o lucro lquido e o patrimnio lquido.

    4.5.5 NDICES DE MERCADO

    O valor de mercado de uma empresa est representado pela cotao das suas aes

    em bolsa multiplicado pelo nmero de aes total que compe seu capital. Para o clculo

    ideal do valor de mercado, deveriam ser consideradas as cotaes em bolsa de cada tipo de

    ao (ordinria e preferencial) e ponderadas pelas quantidades de cada tipo no capital da

    empresa.

  • 54

    Entretanto, na maioria dos casos, no h negcios com os dois tipos em bolsa,

    motivo pelo qual geralmente utilizada como referncia a cotao da ao mais lquida e a

    sua multiplicao pelo nmero total de aes.

    VALOR PATRIMONIAL DA AO Indica quanto vale cada ao em termos de

    patrimnio lquido. A principal frmula descrita a seguir:

    A cotao de uma ao no mercado no est relacionada com o valor do patrimnio

    lquido da ao, sendo esta ltima mais ligada diretamente com a capacidade de gerao de

    lucro e dividendos.

    O valor patrimonial uma informao que mede a parcela dos recursos prprios da

    empresa que compete a cada ao em determinado momento, com base nos valores

    acumulados no passado. Esse ndice mais bem interpretado como um indicador do potencial

    de uma empresa em distribuir dividendos e de sua capitalizao. Quanto maior, maior o

    potencial econmico da empresa em distribuir lucros nos exerccios futuros.

    LUCRO POR AO Indica quanto corresponde para cada ao o lucro lquido

    apurado pela empresa em determinado perodo. A principal frmula descrita a

    seguir:

  • 55

    RELAO PREO-LUCRO Este ndice mostra o nmero de anos que o investidor

    deve esperar para recuperar o investimento efetuado na compra de uma ao. A

    principal frmula descrita a seguir:

    Em relao avaliao do preo-lucro da ao, tem-se que, quanto maior for o

    ndice de uma ao, espera-se que menor ser o risco e a lucratividade do investimento. E

    quanto menor for o preo-lucro da ao, maiores sero os riscos e a lucratividade da ao.

    PAY-OUT (TAXA DE DISTRIBUIO DE LUCROS) a taxa de distribuio do

    lucro da empresa para os acionistas na forma de dividendos ou juros sobre o capital

    prprio. A principal frmula descrita a seguir:

    DIVIDEND YIELD (TAXA DE RENTABILIDADE DOS DIVIDENDOS) Indica

    quanto efetivamente o acionista embolsa para cada $ 100 investidos na aquisio de

    aes segundo sua cotao. A principal frmula descrita a seguir:

    O Yield calculado dividindo-se o dividendo distribudo por ao pelo preo atual

    da ao. Torna-se especialmente relevante se analisado a longo prazo, sendo neste caso

    necessrio que seja projetado os lucros e estabelecido um Pay-Out. Assim, se uma ao custa

  • 56

    hoje $ 100,00 e espera-se receber $ 10,00 em dividendos, o Yield seria de 10%, podendo ser

    visto como um desconto no custo de aquisio da ao.

    A anlise por ndices resultam na necessidade de acompanhamento da evoluo

    histrica e a identificao de tendncias que auxiliem o processo de tomadas de decises, cujo

    objetivo proporcione maior grau de preciso e assertividade.

  • CAPTULO 5 CONSIDERAES FINAIS

    Nos ltimos anos, diversos trabalhos e pesquisas sobre os mtodos para avaliao de

    ativos financeiros vm sendo publicados, trazendo a ateno dos participantes do mercado

    para as oportunidades de investimentos e proteo diante das incertezas econmicas. Alm

    disso, incentivam na rea acadmica, estudos voltados para a anlise das estruturas financeiras

    das empresas, atravs da aplicao dos mtodos de anlise de investimentos reais nas mais

    diversas reas.

    Devido rpida velocidade de mudanas e do alto grau de incertezas que permeiam

    os diversos ambientes de negcios no mundo, vimos que a abordagem da anlise

    fundamentalista proporciona uma viso geral da estrutura financeira da empresa e possibilita

    por meio da construo e anlise de ndices, identificar tendncias valiosas para

    investimentos.

    Um passo importante no sentido da compreenso da anlise fundamentalista advm

    do bom entendimento de suas premissas e conceitos de contabilidade gerencial. Neste sentido,

    foram apresentadas nesta monografia as estruturas contbeis das empresas, seus aspectos

    principais e a sua relao com a possibilidade de combinaes de diferentes de ndices para

    utilizao no mercado financeiro.

    Este trabalho pretendeu contribuir com a compreenso dos fatores e mtodos

    disponveis no mercado financeiro, em especial a aplicao e desenvolvimento da anlise

    fundamentalista.

    Espera-se, sem esgotar o assunto que extremamente amplo e passvel de muitas

    outras pesquisas, ter chamado a ateno para estes aspectos especficos e sua importncia para

    a gesto de investimentos e avaliao de empresas.

  • 58

    Na expectativa de que o Brasil fortalea os fundamentos tanto no setor pblico

    quanto no setor privado, o fluxo internacional de capitais no cessar. nesse cenrio que

    devem aparecer inmeras possibilidades de investimento, principalmente em renda varivel.

    Assim, a relevncia do mercado acionrio para os investidores em geral aumentaro.

    Alternativas de investimento sero mais exploradas, uma vez que a remunerao por juros

    ser bem menos atrativa. O setor produtivo voltar a receber mais investimentos, aquecendo o

    mercado financeiro e voltando a desenvolver as Bolsas e tudo o que gira em torno delas.

    Entretanto, torna-se necessrio a regulamentao de normas especficas que venham

    a proteger os pequenos e mdios investidores diante dos riscos do mercado financeiro.

    Atravs do conhecimento dos riscos envolvidos possvel a adoo de estratgias eficazes de

    gesto de risco, que permitam aos participantes do mercado formas conscientes de

    investimento.

    Portanto, diante das expectativas, observa-se um bom momento para entender e

    estudar esse vasto mundo financeiro, pois com a provvel melhora macroeconmica nos

    prximos anos, a anlise fundamentalista poder ser utilizada em grande escala pelas

    empresas e investidores em geral.

  • 59

    REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

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    www.bovespa.com.br acessado em 20/10/08 15:00 hs.

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