AVALIAÇÃO DE AMBIENTES CONTAMINADOS POR ?· uma fonte inesgotável de recursos, ... seus metabólitos…

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A v al i a o d e A m b i en t e s C o n t am i n a do s p or A g ro t x ic o s

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AVALIAO DE AMBIENTES CONTAMINADOSPOR AGROTXICOS

Sergio Rabello AlvesJefferson Jos Oliveira-Silva

I N T RO D U O

A argumentao que legitima a manuteno dos mtodos de produ-o sustentada pela referncia demanda progressiva por alimentosgerada pelo aumento da populao mundial que, em parte, tem sidoatendida com a adoo de medidas de controle de pragas, que aindaconstitui um dos principais agentes limitantes da produo agrcola emlarga escala. A utilizao de substncias qumicas denominadas generi-camente de agrotxicos tem sido uma das formas predominantes paraatingir este objetivo.

De fato, nas ltimas dcadas, o meio rural brasileiro vem sofren-do profundas modificaes decorrentes do processo de moderniza-o agrcola. Esta modernizao se deu atravs de uma poltica diri-gida principalmente ao desenvolvimento de monoculturas destina-das exportao. Tal poltica se fez sobre orientao e interesse dogrande capital nacional e internacional. Como decorrncia desta atu-ao do Estado, amparado ainda por uma legislao que pouco sepreocupou (e se preocupa) em proteger a sade ambiental e dos gru-pos populacionais envolvidos, o ambiente tem sido encarado comouma fonte inesgotvel de recursos, com capacidade ilimitada parasuportar os despejos qumicos e as modificaes topogrficas deri-vadas do processo agrcola.

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VENENO OU REMDIO?

Dentro deste modelo de desenvolvimento que se preocupou muitopouco com o aspecto socioambiental, era de se esperar um total despre-paro diante destas tecnologias, atravs de um aumento da utilizao domaquinrio e, principalmente, dos insumos agrcolas. Estes geraram, comoefeito colateral da modernizao, no s uma degradao ambiental sig-nificativa, mas tambm o aumento assustador dos incidentes de conta-minao humana.

Ningum pode duvidar da eficcia e da proteo que estes compos-tos proporcionam a frutas, legumes e sementes, tornando-os mais abun-dantes, baratos e atraentes. A insero desta tecnologia representou umpapel importante nas melhorias de colheita e rendimentos (produtivida-de). Mesmo com tal avano, calcula-se que at 50% do produto colhidoainda pode ser danificado pela infestao por insetos, fungos e roedo-res. Entretanto, a ao inespecfica destes compostos, que a princpiodeveria atingir somente os organismos-alvo (pragas), exerce efeitos da-nosos sobre diversas espcies, incluindo o homem e outros seres vivos(WHO, 1986).

Existem poucos dados de avaliao dos efeitos decorrentes de ex-posio crnica sobre a sade e, sobretudo, sobre o ambiente. Thomas,em 1995, alertou para o fato de crianas expostas cronicamente, pordiferentes vias, a agrotxicos e outros resduos de natureza orgnicaestarem mais suscetveis ao desenvolvimento de carcinognese. Almdo aumento da incidncia de cncer, outros efeitos crnicos tm sidoassociados com as exposies aos contaminantes ambientais em ques-to. Desses efeitos, os danos ao desenvolvimento e ao sistema reprodu-tivo talvez sejam os mais evidentes (Kavlock et al., 1996). Assim, oamplo uso de agrotxicos aumentou o interesse sobre a possvel polui-o de guas brutas, bem como de abastecimento, ar, solos e alimentos.Por essas razes, tem sido enfatizada a necessidade de serem estabe-lecidos mtodos de deteco de pequenas quantidades dessas substncias,seus metablitos e produtos de degradao nas diversas matrizes ambi-entais j citadas (Marco et al., 1993).

Embora alguns dados, resultantes de intoxicao humana causadapor exposio ocupacional, estejam disponveis, muito poucos estudosinformam problemas causados por contaminao ambiental no Brasil.Esta rota de exposio igualmente importante e pode expor um maior

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nmero de pessoas. Com isso, guas, alimentos, solos e ares contamina-dos por agrotxicos constituem uma rota importante de contaminaohumana e um problema em larga escala.

Diante da situao apresentada, nosso grupo de pesquisa tem, aolongo dos ltimos anos, somado esforos aos que se ocupam de mensu-rar e apontar solues para esta situao dramtica vigente no meio ru-ral brasileiro. Este artigo, calcado nesses princpios e objetivos, umdos frutos de uma linha de trabalho em andamento no Centro de Estu-dos da Sade do Trabalhador e Ecologia Humana da Escola Nacional deSade Pblica da Fundao Oswaldo Cruz (Cesteh/Ensp/Fiocruz).

CL AS SI F I C A O D O S AG RO T X I C O S

To extensa quanto a lista de efeitos nocivos dos agrotxicos a dis-cusso sobre a nomenclatura a ser utilizada por este grupo de produtos.De acordo com os interesses do grupo envolvido, estes produtos podemreceber diversas conotaes que ressaltam um ou outro aspecto de suaconstituio, como, por exemplo, o termo defensivo agrcola, comumenteutilizado pelas indstrias produtoras destes agentes, que privilegia seucarter favorvel ao trabalho agrcola. J o termo agrotxico, por suavez, destaca sua toxicidade e os riscos implcitos na sua utilizao.

Agrotxico um nome genrico para uma variedade de agentesque podem ser classificados com base no padro de uso (desfolhantes,repelentes, dissecantes etc.), no organismo-alvo (inseticidas, herbicidas,acaricidas etc.), na estrutura qumica (piretrides, atrazinas, organofos-forados, organoclorados), no mecanismo txico de ao (anticolineste-rsicos, anticoagulantes etc) e na toxicidade (classe toxicolgica queutiliza L50

1 oral ou drmica de ratos como parmetro), esta ltima re-comendada pela Organizao Mundial da Sade (OMS), que classificaas substncias segundo seu grau de periculosidade (Henao & Corey,1986). No entanto, sob o ponto de vista toxicolgico, a classificaomais importante feita com base no mecanismo de ao. Segundo estaclassificao, os agentes anticolinestersicos (organofosforados e carba-matos) merecem destaque devido sua grande utilizao e alta toxici-

1 Dose responsvel pela morte da metade dos animais em experimentao.

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dade, quando comparados a outros compostos. Tanto os organofosfora-dos quanto os carbamatos possuem um mecanismo comum de ao, ba-seado na inibio da enzima acetilcolinesterase.

D I N M I CA D O T RAN SP O RT E D O S AG R O T X I CO S AT RAV S D O SD I F E RE NT ES CO M PART I M EN T O S A M B I E NTAI S : u m n c r t i copa r a a m o n i t o r i za o a m b i e n t a l

Fatores ambientais ou exgenos que afetam a absoro e a biodis-tribuio nos diversos organismos de um dado ecossistema ou atravsdos compartimentos ambientais incluem: flutuaes na temperatura, in-teraes com outros poluentes, tipo de solo ou sedimento (composioda matria orgnica), pluviosidade, pH e salinidade. Tais fatores, almde atuarem sobre a disponibilidade das substncias qumicas em questo(por exemplo, aumento da velocidade de hidrlise), podem alterar ograu de ionizao do composto (por exemplo, forma ionizada X noionizada Kow

2). Tais variveis, portanto, podem alterar o transportedesses agentes sobre os diferentes compartimentos ou matrizes ambi-entais, bem como na absoro pela biota.

A permanncia dos agrotxicos nos diversos compartimentos (gua,ar, solo) depende diretamente de variveis oriundas do prprio compos-to ou da mistura de compostos, como estrutura, tamanho e forma mole-cular, alm da presena/ausncia de grupos funcionais. Assim, de sumaimportncia o levantamento das informaes referentes s propriedadesfsico-qumicas dos contaminantes em questo, no sentido de entenderou predizer o que provavelmente pode estar acontecendo no meio am-biente e, conseqentemente, direcionar, de forma mais acurada e efeti-va, a estratgia de monitorizao (Manahan, 1994).

Em relao veiculao pelo ar, a aplicao de agrotxicos sob aforma de spray ou p constitui um processo no muito eficiente medidaque uma quantidade substancial de princpio ativo aplicado no atinge a

2 Kow (Coeficiente de partio octanol-gua) um indicador que d uma medida hidrofobici-dade de uma substncia qumica, sua tendncia para se mover da gua (um solvente polar) parao octanol, um solvente apolar (que no mistura com gua), em um sistema fechado.

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plantao, nem a superfcie do solo. As gotculas de aerosol, resduos deagrotxicos aderidos poeira e agrotxicos na forma gasosa constituemfontes pontenciais de contaminao do ar, tornando-se, portanto, um pro-blema em larga escala. Fatores climticos podem influenciar na extensoda contaminao atmosfrica fortes ventos laterais tendem a mover osagrotxicos das reas-alvo de aplicao, aumentando o risco de contami-nao de regies ou reas circunvizinhas plantao.

O fenmeno da volatizao constitui um dos fatores de maior pesopara a contaminao atmosfrica em lugares de altas temperaturas, osagrotxicos demonstram um aumento na tendncia de volatizao so-bre condies tropicais quando comparadas a regies de clima mais ameno.Com isso, h necessidade de se exercitar o esprito crtico em relaoaos estudos realizados em zonas temperadas, pois a extrapolao e oprognstico no devem ser aplicados nem para os produtos com maiorestabilidade ambiental.

O tamanho da gotcula constitui outro fator que tambm no deveser esquecido. Gotculas muito pequenas produzidas durante a aplica-o em ultrabaixo volume (UBV) atingem o solo em velocidade signi-ficativamente menor do que gotculas maiores. Devido baixa velocidadede sedimentao na aplicao UBV, tais gotculas so passveis de se-rem deslocadas a grandes distncias antes de atingirem o solo. De umaforma geral, fatores ambientais, como velocidade do vento, temperatu-ra, umidade, parecem interferir na disponibilidade dos agrotxicos nes-te importante compartimento ou matriz ambiental.

Nos rios, agrotxicos so transportados por diferentes distncias.A capacidade de uma substncia ser transportada depende diretamentede alguns fatores, como a estabilidade, o estado fsico do composto e avelocidade de fluxo do rio. De forma geral, a uma dada fonte pontual decontaminao, a concentrao do analito diminui continuamente confor-me se distancia da fonte. Com isso, uma srie de alteraes na fauna eflora pode ser evidenciada. Entretanto, cabe destacar que, nos pasesem desenvolvimento com agricultura intensiva, as fontes difusas (nopontuais ou de diversas origens) constituem uma rotina, contribuindopara efeitos mais deletrios sobre a sade ambiental e humana. A impor-tncia do transporte de poluentes por longas distncias em rios foi clara-mente demonstrada quando o rio Reno foi contaminado com o inseticida

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endosulfan em 1969. O lanamento inicial foi evidenciado na seomediana do rio, perto de Frankfurt, mas o composto transportado foidescoberto por cientistas alemes que trabalhavam a jusante perto doesturio de Reno, a cerca de 500 Km de distncia.

Agrotxicos constituem a principal classe de poluentes nos solos agri-cultveis. Tais substncias podem atingir o solo diretamente ou por transfe-rncia de resduos provenientes das plantas. A disponibilidade do compos-to dependente da sua formulao (por exemplo, grnulo, partcula ougotcula). A distribuio/degradao de agrotxicos no solo est relaciona-da s propriedades fsico-qumicas dessas substncias principalmente emrelao solubilidade (Kow), presso de vaporizao e estabilidade qumica.Em relao a esta ltima, podem ser degradados por hidrlise, oxidao,isomerizao e, se localizados prximos superfcie, pela ao da luz (fot-lise). Geralmente, esta degradao leva a uma diminuio significativa datoxicidade. Contudo, ocasionalmente, tal processo pode levar a um aumentoda toxicidade (por exemplo, isomerizao do malation a isomalation).

Compostos polares (hidroflicos, com baixo Kow) tendem a ser dis-solvidos na gua apresentando, portanto, pouca disponibilidade na ma-tria orgnica do solo. Como exceo a tal regra, compostos orgnicosque se apresentam sob a forma ionizada (por exemplo, herbicida para-quat ction) se associam aos sais minerais de carga oposta presentesno hmus (sais minerais + matria orgnica = colide). Compostos combaixa solubilidade em gua (elevado Kow) tendem a se tornar fortemen-te absorvidos pela superfcie da argila e matria orgnica do solo, sendodisponibilizada uma pequena, e por que no dizer desprezvel, concen-trao na gua do solo. Substncias com alta presso de vaporizaotendem a se volatizar diretamente no ar do solo ou diretamente para aatmosfera. Caso a volatilizao se d pelo ar, a disperso para a atmosfe-ra ocorre em uma velocidade mais lenta.

T CNI CAS D E AVA LI AO AM B I ENTAL D I TAS CLSSI CAS X NO VAS :cu s t o e e f i cc i a , o d esaf i o m et o d o l g i co

Antes de discorrer sobre as metodologias utilizadas na determina-o de agrotxicos nas diversas matrizes ambientais, cabe o devido es-clarecimento de alguns aspectos conceituais, so eles:

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Avaliao Ambiental a mensurao da exposio atravs dadeterminao da concentrao (direta ou indireta) de um deter-minado agente qumico. realizada em um nico perodo defi-nido e tem carter meramente descritivo.

Monitorizao Ambiental compreende uma srie de avaliaesambientais, realizadas de forma repetitiva e sistemtica, visan-do introduo de medidas de gerenciamento ou controle dorisco, sempre que necessrias. realizada ao longo de vriosmeses e tem carter preventivo e prospectivo.

Biomarcadores o termo biomarcador ou indicador de efei-to vem ganhando aceitao na literatura nacional e internacio-nal, entretanto, com alguma inconsistncia na definio. Paraum melhor entendimento, e sob uma viso mais generalista,trata-se de alteraes biolgicas, sejam elas de ordem bioqu-mica, fisiolgica ou at mesmo histolgica, que indicam a ex-posio de um organismo a uma determinada substncia oudemonstram os efeitos txicos causados por um xenobitico(substncia estranha ao organismo).

Mtodos analticos tradicionais capazes de avaliar agrotxicos sorealizados normalmente por cromatografia em camada fina (TLC), emcamada fina de HPTLC, gasosa (GC), lquida de alta performance(HPLC) ou por espectrometria de massa (CG-MS) (Lacorte & Barcel,1995; Yun-Suk et al., 1997). Diante dos problemas causados pelo usoindiscriminado dos agrotxicos, de extrema relevncia que a monitori-zao ambiental seja feita de maneira constante, o que permitiria avaliarse as medidas de segurana esto adequadas e, principalmente, se agua, solo, ar ou produto consumido no oferecem perigo.

Infelizmente, os mtodos clssicos de monitoramento de agrotxi-cos baseados em tcnicas analticas cromatogrficas citadas anteriormenteexigem mo-de-obra especializada e apresentam um alto custo operaci-onal. Observa-se que a maior parte deles necessita do uso de padres decada composto qumico contaminante e tambm de tratamento prviodas amostras, como limpeza em colunas de interao hidrofbica e eta-pas exaustivas de extrao anteriores anlise. Dessa forma, o seu em-prego em larga escala em pequenos laboratrios e/ou para instalaeslaboratoriais de campo torna-se inacessvel.

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Em funo dos problemas relacionados ao uso de agrotxicos, siste-mas eficientes de deteco so cada vez mais requeridos para proteode organismos expostos a estes compostos pela contaminao da guae/ou alimentos. Devido ao crescimento da demanda, h a necessidadede aumentar a capacidade analtica. Mtodos simples, de baixo custo ede resposta rpida, adequados ao uso no campo, so altamente desej-veis (Ellis, 1989).

Vrios organismos internacionais como a OMS tm demonstradointeresse no desenvolvimento de metodologias baratas e sensveis ca-pazes de determinar resduos de pesticidas em gua. A partir da dcadade 90, alguns procedimentos analticos foram desenvolvidos para detec-tar a presena de agentes anticolinestersicos, baseados na inibio daacetilcolinesterase. As estratgias que permitem realizar esta medidaincluem sistemas pticos como a espectrofotometria, fluorometria, vol-tametria e, mais freqentemente, a potenciometria (Cunha Bastos etal., 1991) e a amperometria (La Rosa et al., 1994; Martorell et al., 1993).O uso de imunoensaios como alternativa ao uso das metodologias tradi-cionais tem demonstrado resultados promissores (Marco et al., 1993).

A EST RAT G I A D E AM O ST RAG EM E A CO NSTANT E PREO CU PAO CO M OREAL DI M ENSI O NAMENT O D O PRO B LEM A

Um dos maiores problemas enfrentados pelas instncias tomadorasde deciso, no que diz respeito implementao de programas de vigi-lncia e preveno nestas reas, relaciona-se com a real quantificaoou dimensionamento do problema. Nesse sentido, o desenvolvimentode estratgias de amostragem decorrentes da utilizao de parmetrosou indicadores ambientais, aliados utilizao de mtodos analticos dealarme simples, baratos e precisos, tem uma importncia fundamental.

Dentro dessa fundamentao, um trabalho realizado desde 1998, naregio de So Loureno, distrito de Nova Friburgo-RJ (Figura 1), consi-derada uma rea com altos nveis de degradao ambiental devido elevada produtividade agrcola com utilizao intensiva de agrotxicos,mostrou resultados muito importantes no que se refere verificao depossveis correlaes entre os indicadores ambientais (por exemplo, diasde chuva, altura em milmetros etc.), a sazonalidade do regime de utili-

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zao dos agrotxicos na regio durante o ano e os nveis de pesticidasencontrados. Conseqentemente, o estabelecimento da validade dasestratgias vigentes de amostragem ambiental, que so realizadas deforma pontual, foi estudado (Alves, 2000).

Figura 1 Localizao geogrfica do crrego So Loureno e pontos deamostragem

Fonte: Alves, 2000.

6

54

32

1

RegioMetropolitana

Serra de So Loureno

So Loureno

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Seis pontos eqidistantes do crrego So Loureno foram distribu-dos utilizando os critrios fsicos da regio. O ponto 1 localiza-se nanascente, ou seja, constitui uma rea onde no h nenhuma espcie decultivo. Os pontos de 2 a 6 correspondem s reas cultivveis. Dozeamostragens mensais foram realizadas no perodo de junho/98 a maio/99, perfazendo um ano de amostragem.

Para a viabilizao do objetivo proposto, as variveis do estudo fo-ram analisadas atravs de um procedimento de anlise fatorial pelo m-todo de componentes principais, cuja nfase a relao de interdepen-dncia no conjunto total de variveis. Trata-se de um procedimento re-dutor das dimenses do espao multivariado que passa a ser explicadopor componentes que representam um nmero menor de variveis, ouum nmero menor de dimenses, que retenham o mximo de variaopossvel do espao original. So ento agregados os conjuntos que ex-plicam o maior percentual da varincia total (Fleck & Bourdel, 1998;Neto & Moita, 1998).

O objetivo da aplicao desta metodologia, no presente estudo, foitentar identificar os pontos de maior contaminao por meio dos fatoresou componentes selecionados pela anlise. A estrutura simples foi obti-da utilizando-se a rotao varimax, e para a seleo dos fatores foi apli-cado o critrio de Kaiser, que elege os fatores com autovalores superio-res a 1. As variveis introduzidas na anlise foram: 1) altura (em mm); 2)dias de chuva no ms; 3) altura em mm/dias com chuva; 4) nvel dacontaminao dos resduos nas guas de superfcie; 5) regime de aplica-o de agrotxicos.

Concentraes de agrotxicos anticolinestersicos acima do limitede deteco do mtodo (estimado em 20 g.L-1 em equivalentes demetil-paration), foram observados em amostras de gua do crrego co-letadas nos pontos 5 (76.80 10.89 g.L-1) e 6 (37.16 6.39 g.L-1) noms de agosto/98, e no ponto 4 (31,37 1.60 g.L-1) em abril/99. Emtodas as demais amostras coletadas, os nveis de concentrao, se pre-sentes, situaram-se abaixo do limite de deteco da metodologia utili-zada (Cunha Bastos et al., 1991; Lima, et al., 1996).

Cabe ressaltar tambm que os pontos 4, 5 e 6 esto localizados emregies de agricultura mais intensiva, onde as culturas vo at as mar-gens do rio, facilitando assim a contaminao das guas. Como estas so

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utilizadas para o suprimento da Cidade de Nova Friburgo (250.000 ha-bitantes) adutora prxima ao ponto 6 , a contaminao observadapode representar um srio risco sade.

Sabendo que este grupo de agrotxicos organofosforados e carba-matos sofre um acelerado processo de hidrlise em meio alcalino (IRP-TC, 1982a, 1982b, 1982c, 1983), e devido ao pequeno nmero de amos-tras com resultados positivos, o prximo passo foi investigar o pH dasguas da regio mais degradada (ponto 6), utilizando-se como ponto-controle a nascente do rio. Os resultados obtidos com as anlises fsi-co-qumicas no demonstraram variaes significativas nos valores depH, tanto para a nascente (controle) quanto para as reas de cultura(pH = 6,5 0,1).

Os resultados, sobretudo nos pontos localizados na parte final do rioSo Loureno, sugerem que, alm da utilizao recente de pesticidasanticolinestersicos, poderia haver uma possvel influncia de fatoresambientais ou climatolgicos e do regime de uso de tais compostos an-teriores ao momento da coleta que poderiam estar interferindo de ma-neira significativa na deteco dos resduos em questo. Boudou &Ribeyre (1997) caracterizaram que variaes sazonais de precipitaopoderiam afetar uma srie de propriedades das guas, deteco de polu-entes e alteraes sobre a biota. Para investigar tal hiptese, indicado-res de precipitao pluviomtrica (altura em mm, dias com chuva etc.)da estao mais prxima da regio de So Loureno (Nova Friburgo 83745), generosamente cedidos pelo Instituto Nacional de Meteorolo-gia (Inmet), foram analisados.

Outro ponto fundamental que deveria ser analisado, relacionava-seao regime de utilizao de pesticidas na regio. Os resultados obtidoscom os questionrios e as informaes cedidas pela Associao de Pro-dutores de So Loureno (Aprosol) demonstraram uma variabilidade queacompanha diretamente a sazonalidade da produo. Observa-se um mai-or aporte dessas substncias nas lavouras de vero, em especial, a dotomate, com um consumo total (entre todas as lavouras) de aproxima-damente 5,7 toneladas por safra (ou gasto de R$ 208.650,00/safra), o quecorresponde a 70% do gasto anual. As lavouras de inverno, com destaquepara a cultura da couve-flor, consomem aproximadamente 2,5 t de pestici-das por safra (ou gasto de 90.000,00/safra) ou 30% do consumo anual.

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Os resultados de cada varivel ambiental isolada juntamente com oregime de utilizao de pesticidas durante o perodo de amostragempodem ser observados na Figura 2. De fato, para a amostragem realiza-da em agosto de 1998, foi evidenciada uma marcada carncia de preci-pitao pluviomtrica no s no perodo imediatamente anterior cole-ta, mas tambm durante todo o ms anterior nesta rea (julho/98), o quecontribui para a reduo do volume/fluxo do rio, e, conseqentemente,para a no disperso/diluio dos resduos. Ademais, neste perodo foicaracterizado o maior consumo de agrotxicos no inverno (cultura dacouve-flor) atingindo um pico de 0,88 toneladas.

Figura 2 Pluviosidade expressa como altura em milmetros da esta-o de Nova Friburgo (barras) e sazonalidade do consumo depesticidas na microbacia do crrego So Loureno junho/98 amaio/99

Obs: DPNF Dados pluviomtricos no fornecidos.

Fonte: Alves, 2000.

Meses de amostragem

0

50

100

150

200

250

300

DPNF0

1

2

3

56,9

8

8,64

g/L

equi

v.M

etil-

para

tion

31,3

7

1,60

g/

Leq

uiv.

Met

il-pa

ratio

n

06/98 07 08 09 10 11 12/98 01/99 02 03 04 05

Con

sum

o sa

zona

l de

pest

icid

as (

tone

lada

s)

Plu

vios

idad

e (a

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a em

mm

)

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A carncia de chuvas no ms anterior aliada ao pico no consumosazonal, embora a cultura de inverno seja responsvel por 2,5 toneladasou 30% do gasto anual, foram importantes variveis que contriburampara os nossos achados. De fato, Mannahan (1994) salientou que o des-pejo e a presena de poluentes em guas de superfcie so proporcio-nais diluio e degradao. Por conseguinte, os efeitos biolgicos se-ro vistos provavelmente conforme a aproximao do ponto de coleta.Portanto, pode haver uma tnue diminuio do gradiente biolgico nomeio aqutico proporcional distncia do ponto de coleta positivo. Emrios portadores de altas correntezas, ocorre um marcado efeito de dilui-o dos poluentes, o que poderia ocasionar a no deteco de concen-traes altas, ocorrendo um erro de subestimao (falso negativo).

Em relao ao observado em abril/99 (coleta realizada em maio de1999), ms caracterizado pela terceira menor pluviosidade de todas asamostragens realizadas (dependendo da varivel pluviomtrica utiliza-da), a hiptese do baixo ndice pluviomtrico associado ampla utiliza-o de pesticidas explicaria os resultados positivos. Segundo esta linhade raciocnio, outros momentos poderiam tambm apresentar contami-nao, como fevereiro de 1999.

Com objetivo de verificar de forma mais precisa a correlao entreos indicadores ambientais, a utilizao de agrotxicos e a possibilidadede deteco dos mesmos, foi realizada uma anlise por componentesprincipais, em que foram includas as variveis altura em mm, dias dechuva, nveis de contaminao e regime de aplicao de agrotxicos.Segundo esta anlise, observa-se que a varivel dias de chuva consti-tuiu o fenmeno que mais explica a varincia total (92%), seguida dealtura em mm (91%), ou seja, quanto maior o nmero de dias de chuvae o volume de gua, maior a influncia negativa sobre os nveis de agro-txicos encontrados.

Estes dois fatores foram ento transformados no primeiro compo-nente sintetizador, ou principal, denominado fator de ndice pluviom-trico; este componente explica 53% da varincia total. O segundo fatorsintetizador, ou componente, representado pelas variveis nveis decontaminao e regime de aplicao de pesticidas, ambas com corre-lao direta. Pelas caractersticas das variveis foi, portanto, denomina-do de fator de exposio ambiental. Conjuntamente, estes dois ele-

1 5 0

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mentos sintetizadores explicam 80% da varincia total (Tabelas 1, 2 e 3),constituindo assim um novo modelo de contaminao ambiental porpesticidas instveis, aqui denominado Capi.

Atravs da anlise do plano cartesiano (Figura 3), formado pela cor-relao entre os fatores ndice pluviomtrico e exposio ambiental,observa-se, no quadrante I e II, os meses com maiores ndices pluvio-mtricos. No quadrante I, destaca-se o ms 2, devido alta aplicao deagrotxicos neste perodo; entretanto, como o ndice pluviomtrico elevado, no foram detectados resduos dos contaminantes. Nos qua-drantes III e IV, a situao se inverte com relao ao fator ndice pluvi-omtrico, ou seja, baixos nveis de chuva. No quadrante III, observam-se os meses de cultura de inverno nos quais o regime de aplicao bem reduzido e, portanto, a contaminao desprezvel. No quadranteIV, esto representados os meses em que se observa um emprego ele-vado de agrotxicos, em perodos de seca, quando o fator diluio pelagua das chuvas e rios menor e, portanto, os nveis detectados somaiores. Machera et al. (1997) concluram que os nveis de pentacloro-fenol (um biocida largamente utilizado como preservante de madeira)estariam estreitamente correlacionados s alteraes sazonais.

Tais resultados aliam-se ainda ao fato de que o regime de utilizaodos pesticidas foi semelhante nesses dois meses (da ordem de 0,80 to-neladas) de amostragens positivas, demonstrando e reforando a impor-tncia da utilizao dos ndices pluviomtricos (em conjunto) sobre osnveis de contaminantes ambientais.

importante ressaltar que a anlise por componentes principais foiutilizada devido ao nmero de amostragens positivas ser baixo. Emboraum estudo mais detalhado, considerando outras variveis, como pH dosolo, fluxo do rio no momento da coleta, a utilizao de organismos bio-indicadores, fosse necessrio, pode-se sugerir que o modelo proposto adequado para prever de forma prospectiva e mesmo retrospectiva even-tos de contaminao. Nossos resultados se diferenciam do modelo pro-posto por Eke, Barnden & Tester (1996), no qual a precipitao favore-ce a deteco de resduos.

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Tabela 1 Anlise por componentes principais

Tabela 2 Varincia total pelo mtodo de anlise por componentesprincipais

Fonte: Alves, 2000.

Tabela 3 Fatores extrados pelo mtodo de anlise por componentesprincipais

Fator 1: ndices pluviomtricosFator 2: Indicadores de contaminao

Fonte: Alves, 2000.

Fator 1: ndices pluviomtricosFator 2: Indicadores de contaminao

Fonte: Alves, 2000.

Inicial Extrao Altura (mm) 1 0,908628 Dias de chuva 1 0,919964 Contaminao (g/L) 1 0,69266 Regime de aplicao (ton) 1 0,684224

Fator 1 2 Altura (mm) 0,947362 -0,10551 Dias de chuva 0,954523 0,09407 Contaminao (g/L) -0,38357 0,738605 Regime de aplicao (ton) 0,407782 0,719679

Autovalores de Eigen Soma dos quadrados das cargas

Fator Total Varincia (%) % acumulada Total Varincia (%) % acumulada

1 2,122019 53,05046 53,05046 2,122019 53,05046 53,05046

2 1,083457 27,08643 80,13689 1,083457 27,08643 80,13689

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VENENO OU REMDIO?

Figura 3 Representao dos pontos de amostragem no plano cartesianoformado pela correlao do fator exposio ambiental x ndicepluviomtrico

Exposio ambiental

2,01,51,0,50,0-,5-1,0-1,5

Indi

ce p

luvi

omt

rico

2,0

1,5

1,0

,5

0,0

-,5

-1,0

-1,5

54

3

2

1

11

10

9

8

7

6

Fonte: Alves, 2000.

Eke, Barnden & Tester trabalharam com substncias estveis, comoo caso do isoproturon, um herbicida largamente utilizado em culturas decereais no hemisfrio Norte. Isto demonstra a impossibilidade da trans-posio de modelos sem a devida ateno s caractersticas ambientaise ao tipo de substncia utilizada, o que poderia levar a falsas proposi-es para uma estratgia efetiva e real de monitoramento ambiental emoutros contextos. Portanto, o modelo aqui proposto se prestaria paraaumentar a eficcia do monitoramento de resduos de baixa meia-vidaqumica (instveis) de guas superficiais.

I N T E G R AND O SA D E E A M B I EN T E : n ec es s i d ad e e d e saf i o s d am o n i t o r i z a o

De fato, no h agrotxico completamente seguro. Porm, tais com-postos poderiam e deveriam ser usados de forma racional, segura ouseletiva, com um baixo nvel de risco para a sade ambiental e humana.

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A v al i a o d e A m b i en t e s C o n t am i n a do s p or A g ro t x ic o s

O desrespeito s normas de segurana, conhecimentos insuficientessobre os perigos dos agrotxicos, a livre comercializao de produtosaltamente txicos e a grande presso comercial por parte das empresasdistribuidoras e produtoras constituem as principais causas que levam aoagravamento deste quadro. Em grande parte, estes elementos so favo-recidos pela falta de assessoria e/ou fiscalizao aliada culpabilizaodos trabalhadores, tornando, assim, a utilizao de agrotxicos um dosmaiores problemas de sade pblica no meio rural, principalmente nospases em desenvolvimento (Pimentel, 1996). Outros fatores sociais as-sociados ao subdesenvolvimento, como o analfabetismo, contribuem paraagravar ainda mais a situao (Oliveira-Silva et al., 2001).

A adoo de tcnicas alternativas ou adjuvantes ao uso dos agrot-xicos poderia promover uma diminuio exposio ocupacional e degradao ambiental. Alguns pases tm adotado estratgias com oobjetivo de manter os nveis dos resduos de agrotxicos os mais baixospossveis. Como exemplo, o governo belga estabeleceu uma srie demedidas de boas prticas na agricultura (GAP). Tais prticas incluemdosagem tima do agrotxico utilizado, nmero de aplicaes e interva-lo mnimo de tempo entre aplicao e colheita. Paralelamente, os limi-tes mximos de resduos (MRLs) so monitorados aps o aceite da GAP.O Ministrio da Agricultura responsvel pela definio das regras paraa GAP e o Ministrio da Sade Pblica responsvel pelo controle dosresduos em matrizes ambientais. Ambos esto envolvidos no estabele-cimento dos MLRs (Dejonckheere et al., 1996)

Esta preocupao tambm foi observada por parte de agncias regu-ladoras internacionais em relao aos riscos e perigos acerca do uso ex-tensivo de agrotxicos em reas agrcolas. Uma das conseqncias destefato foi a criao de diretrizes em muitos pases europeus cujo limite detolerncia situa-se entre 0,1 e 0,5 g.L-1 em guas para abastecimento.

Ritter (1999) comenta a preocupao de diversas agncias regula-doras internacionais com a exposio a resduos de pesticidas proveni-entes da dieta, que constitui a principal via de exposio para a maioriados humanos. Isoladamente esta exposio representa um pequeno ris-co para o surgimento de cncer, no entanto, quando aliada a outros fato-res, como, por exemplo, estilo de vida, pode contribuir para o aumentodeste risco. Desse modo, o monitoramento ambiental pode representar

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VENENO OU REMDIO?

uma importante estratgia para a reduo do risco de diversas doenas(cncer, distrbios reprodutivos etc.) que geralmente levam anos e atdcadas para se manifestar.

Metodologias analticas que sejam simples, acuradas e baratas cons-tituem uma ferramenta de grande importncia para a avaliao rotineira/sistemtica da contaminao. Um teste com estas qualidades, que possaser validado e aplicado em diversas matrizes ambientais, alm de apre-sentar um potencial para atender demandas locais para diagnstico dealarme, facilita a formao tcnica para o exerccio desta monitorizaoregular, como estratgia de vigilncia da sade ambiental e humana nonvel local.

De forma coadjuvante, outras metodologias no determinsticas dacontaminao dos recursos hdricos, como, por exemplo, a avaliaoda biodiversidade da fauna aqutica (Baptista et al., 1998), podem ofe-recer evidncias concretas populao, na forma de laudos e resulta-dos, das decorrncias das prticas agrcolas vigentes na qualidade devida local. Tais metodologias, em muitos casos, tornam-se fundamentaispara a compreenso da necessidade de se pensar e experimentar alter-nativas ao uso de agrotxicos, bem como a racionalizao de sua utiliza-o (Moreira et al., 2002).

Ainda que o controle do grave quadro referente utilizao de pes-ticidas dependa da reorientao das polticas, visando menos ao interes-se do capital industrial e mais sade da populao, necessrio desen-volver estratgias que minorizem seus agravos sade humana e ambi-ental.

A maioria dos estudos realizados no Brasil e at mesmo no exterioraborda as contaminaes/exposies de formas diferenciadas, ou seja,humana (ocupacional, acidental ou suicida) e ambiental, isoladamente,no considerando a natureza holstica deste agravo, a multiplicidade e adinmica do transporte atravs das diferentes rotas e a grande variedadedas causas do problema, cuja acuidade de compreenso exige uma inter-veno integrada.

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A v al i a o d e A m b i en t e s C o n t am i n a do s p or A g ro t x ic o s

RE F E R NC I A S B I B L I O G R F I C AS

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