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<p>AVALIAO DE ALTERNATIVAS ENERGTICAS PARA CALDEIRAS UTILIZADAS NA INDSTRIA TXTIL USANDO </p> <p>UMA ABORDAGEM MCDA </p> <p>Leonardo Ensslin Universidade Federal de Santa Catarina - Depto. de Engenharia de Produo - Lab. MCDA </p> <p>CEP 88010-970 - Florianpolis - SC - Brasil. e-mail: ensslin@eps.ufsc.br </p> <p>Sandro Mac Donald Noronha Universidade Federal de Santa Catarina - Depto. de Engenharia de Produo - Lab. MCDA </p> <p>CEP 88010-970 - Florianpolis - SC - Brasil. e-mail: sanmac@floripa.com.br </p> <p>Abstract The environmental issues became very important to the organizations, influencing the business image perceived by the consumers and the society. At the same time, it is very hard for a business company to evaluate, using the traditional economic models the, benefits brought by a correct environmental policy adopted. The traditional economic models try to measure every aspect in terms of money, and this approach, sometimes, is not the most adequate to deal with certain complex issues. This work uses a Multicriteria Decision Aid Methodology to support the decision of choice of a combustible to feed boilers taking into account not only economical issues but also environmental ones. The model showed here was developed in a Textile Enterprise that is concerned with the atmospheric emissions generated by the boilers operation. Thus, the combustible alternative that will be chosen must reduce the company atmospheric emissions. Pesquisa Operacional: Avaliao e Apoio Tomada de Deciso. key-words: multicriteria decision aiding, textile industry, environmental 1. INTRODUO </p> <p> No ambiente globalizado e competitivo que as empresas esto vivenciando hoje em dia, no s os aspectos eminentemente econmicos e produtivos tem relevncia para avaliar se determinada empresa competitiva ou no. Neste contexto, a preocupao ecolgica tem ganho cada vez mais um destaque significativo, o que tem exigido das empresas um novo posicionamento em sua interao com o meio ambiente (Donaire, 1994). Entretanto, difcil julgar em termos de monetrios todos os impactos ambientais de uma determinada atividade econmica. Por este motivo, neste trabalho utilizada uma abordagem Multicritrios em Apoio Deciso (MCDA), que tem como caracterstica principal considerar que os processos decisrios so complexos. Este trabalho tem como objetivo elaborar um modelo para auxiliar na tomada de deciso quanto a alternativa energtica (combustvel) a ser empregada nas caldeiras da Hering Txtil S.A., unidade Itoror, visando cumprir as metas de poltica ambiental da empresa quanto a emisso atmosfrica de gases. A seguir so apresentados os passos </p> <p>necessrios para a realizao deste trabalho, bem como os resultados obtidos (ver Noronha (1998) para detalhes). </p> <p>2. DEFINIO DO CONTEXTO DECISRIO </p> <p> A Hering Txtil S.A., fundada em 1880 pelos irmos Hermann e Bruno Hering na cidade de Blumenau, Estado de Santa Catarina, a maior indstria de confeco do Brasil, produzindo cerca de 6 milhes de peas por ms e abastecendo os mercados norte-americano, europeu e da Amrica Latina. O modelo descrito neste trabalho foi aplicado na unidade Itoror da Hering Txtil, que responsvel pelo beneficiamento, tingimento, talharia (corte da malha), estamparia e confeco das malhas produzidas pela empresa. A Hering, como as demais indstrias, vem sentindo nos ltimos anos presses da sociedade com relao aos impactos que o processo produtivo causa ao meio ambiente. A dimenso ambiental deixou de ser um fator externo organizao empresarial, passando a ser um condicionante significativo na tomada de decises (Guimares et al, 1995). Entretanto, as emisses atmosfricas das chamins das caldeiras da unidade Itoror da Hering, embora dentro dos limites legais permitidos pelos rgos ambientais do Estado, esto acima das metas ambientais definidas pela empresa. Estas caldeiras, alimentadas por lenha e leo combustvel, so utilizadas no processo de tingimento, onde necessria grande quantidade de calor. As metas ambientais da empresa prevem que at o final de 1999 as emisses atmosfricas geradas pelas trs caldeiras da unidade Itoror devero ser no mnimo 10% inferiores s atuais. Neste sentido, foi percebido que se deveria atuar nas caldeiras de forma a diminuir estas emisses e isto poderia ser conseguido trocando-se o combustvel da caldeiras ou instalando-se filtros nas chamins. </p> <p>3. ESTRUTURAO DO M ODELO M ULTICRITRIOS </p> <p> Os contextos decisrios que envolvem aspectos ambientais so muito complexos e por isso os mtodos tradicionais de anlise econmica que procuram julgar tudo em termos monetrios so de difcil aplicao nesta rea. Um contexto decisrio complexo segundo Churchill (apud Montibeller Neto, 1996) aquele que necessita um grande esforo na sua fase de estruturao porque envolve diversos atores com distintas relaes de poder, cada um com diferentes valores, percepes e objetivos. As abordagens Multicritrios em Apoio Deciso (MCDA) tem como caracterstica principal considerar que os processos decisrios so complexos: existem muitos atores, cada um com sua prpria interpretao dos eventos relacionados com o problema e com seus prprios sistemas de valores. Elas reconhecem os limites da objetividade, e assim levam em conta a subjetividade dos atores (Roy, 1993). Por estes motivos adotada uma abordagem MCDA neste trabalho. Quatro engenheiros da unidade Itoror da Hering foram definidos pela empresa como decisores para a estruturao do modelo e avaliao das aes potenciais: o gerente de Engenharia e Manuteno e mais trs engenheiros da rea de projetos, manuteno e operao das caldeiras. Os facilitadores foram os autores deste trabalho. Dez visitas foram feitas empresa e nessas visitas foram realizadas reunies com os decisores (individuais e em grupo). Sete destas visitas foram necessrias para a fase de estruturao do modelo (sees 3.1 a 3.4) e 3 para a parte de avaliao (seo 4). A seguir so apresentados os passos para a construo do modelo. </p> <p>3.1. Elementos Primrios de Avaliao </p> <p> Na primeira visita foi feita uma reunio com todos os decisores para uma rpida apresentao do mtodo a ser empregado, onde os decisores expuseram o contexto decisrio que queriam modelar. A segunda e a terceira visitas constituram-se de reunies individuais com os decisores. Na primeira meia hora de cada uma destas reunies foram definidos os elementos primrios de avaliao. </p> <p> Os elementos primrios de avaliao (EPAs) so aspectos que os decisores julgam importantes para analisar um determinado contexto decisrio (Keeney, 1992). A definio dos Elementos Primrios de Avaliao em conjunto com o decisor (decisores) muito importante para a construo dos mapas cognitivos (seo 3.2). Cada decisor citou em torno de 10 EPAs e o processo de obteno terminava quando o decisor comeava a repetir os mesmos conceitos s que expressos de formas diferentes. </p> <p>3.2. Mapa Cognitivo </p> <p> O prximo passo na fase de estruturao do modelo foi a construo dos mapas cognitivos dos decisores e do grupo de decisores. Um mapa cognitivo uma representao grfica de um conjunto de representaes discursivas feitas por um sujeito a respeito de um objeto no contexto de uma interao particular (Cossete e Audet apud Montibeller Neto, 1996). A estrutura de mapa cognitivo usada neste trabalho aquela proposta por Eden (apud Montibeller Neto, 1996). Nesta estrutura, cada bloco do mapa representa um constructo (ou conceito), com um plo presente e um plo oposto. Os dois plos so ligados pelo smbolo ... (lido como ao invs de). Os rtulos (tanto o do plo presente quanto o do oposto) devem ser orientados a ao (Ackermann apud Ensslin et al, 1997). Os conceitos do mapa tem relaes causais ou de influncias (mostradas atravs de setas entre os conceitos). Cada seta tem um sinal positivo ou negativo para mostrar a direo do relacionamento. Um sinal positivo sobre a seta indica que o plo presente de um conceito leva ao plo presente de outro; um sinal negativo sobre a seta representa que o plo presente de um conceito leva ao plo oposto de outro. Neste trabalho, considera-se que a relao mais comum entre os conceitos a de possvel influncia entre conceitos que representam meios-fins (Ensslin et al., 1997). O processo para construo dos mapas cognitivos expostos neste trabalho foi proposto por Montibeller Neto (1996). </p> <p>3.2.1. Mapas Cognitivos Individuais </p> <p> Na mesma reunio em que foram definidos os EPAs de cada decisor, foi iniciada a construo dos mapas cognitivos individuais dos decisores. Para isso, dentre os EPAs enunciados pelo decisor, um era escolhido como o ponto de partida para iniciar o processo de elaborao do mapa, no caso o EPA selecionado foi processo de queima da caldeira . </p> <p>100 Reduzir custosde operao da</p> <p>caldeira</p> <p>101 Reduzir custosfinais de produo</p> <p>102 Ser competitivono mercado</p> <p>103 Atingir metas devenda</p> <p>104 Melhorar aimagem da empresa</p> <p>105 Manter ISO 14001</p> <p>106 Atenderlegislao ambiental</p> <p>107 Reduzir apoluio atmosfrica</p> <p>... Aumentar apoluiao atmosfrica</p> <p>108 Melhorar aeficincia</p> <p>109 Melhorar aqueima do</p> <p>combustvel nascaldeiras ... Manter</p> <p>a situao atual</p> <p>110 Trocarcombustvel</p> <p>111 Implantarlavadores de gs</p> <p>112 Melhorar aoperao do sistema</p> <p>113 Usar combustvelcom queima mais</p> <p>eficiente ...Permanecer com oscombustveis atuais</p> <p>114 Ter facilidadede alimentao da</p> <p>caldeira115 Ter queima</p> <p>perfeita</p> <p>116 Ter custo nomnimo equivalenteao combustvel atual</p> <p>117 Ter viabilidadeeconmica</p> <p>118 Trocar s partedos equipamento</p> <p>instalados ...Trocar todo o</p> <p>sistema</p> <p>119 Adaptar osequipamentos para</p> <p>queima do novocombustvel</p> <p>120 Utilizar GLP (nofuturo gs natural) 121 Treinar</p> <p>funcionrios</p> <p>122 Manter osequipamentos</p> <p>calibrados123 Reduzir picos de</p> <p>produo</p> <p>124 Aumentar asegurana de</p> <p>operao125 Reduzir consumo</p> <p>de combustvel</p> <p>126 Diminuir riscode acidentes</p> <p>127 No interrompera produo</p> <p>128 Ter manutenoadequada</p> <p>129 Ter combustvelcom operao fcil</p> <p>... Difcil</p> <p>130 Ter facilidadede manuseio</p> <p>131 Ter facilidadeno controle do</p> <p>estoque</p> <p>132 Reduzirmanuteno das</p> <p>caldeiras</p> <p>133 Reduzir tempo deparada da caldeira</p> <p>-</p> <p> Figura 1 Mapa Cognitivo de um dos decisores. </p> <p> A seguir foi solicitado ao decisor que orientasse a ao e que expressasse o plo oposto (Ackermann apud Montibeller Neto, 1996) deste EPA, surgindo assim o primeiro conceito do mapa: Melhorar a queima do combustvel nas caldeiras ... manter a queima do combustvel nas caldeiras na situao atual . O procedimento para encontrar novos conceitos perguntar porque este conceito importante (indo em direo aos fins) e como este conceito obtido (indo desta maneira em direo aos meios). O mapa completo deste decisor apresentado na Figura 1. A construo dos mapas de cada decisor levou em torno de uma hora e meia. Construdo o mapa necessrio valid-lo, pois na primeira interao com o decisor o mapa fica muito difcil para ser analisado. Desta forma, na quarta visita foram feitas novamente reunies individuais (cada uma de no mximo meia hora) com os decisores onde o mapa, aps ser rearranjado pelos facilitadores, foi apresentado a cada decisor que pde acrescentar, excluir ou modificar os conceitos do mapa. </p> <p>3.2.2. Mapas Cognitivos do Grupo </p> <p> O mapa cognitivo de um grupo de atores (decisores) uma representao de como o grupo percebe e entende o seu problema. Neste trabalho utiliza-se a abordagem defendida por Montibeller Neto (1996), que a de se fazer mapas individuais e depois agrup-los pois desta forma permite-se que todos os membros do grupo tenham uma participao igualitria na sua construo, evitando que relaes de poder no grupo inibam certos componentes de ter uma atuao mais ativa. Tendo sido construdos os mapas individuais, o prximo passo agreg-los num mapa nico de maneira a tentar representar o que o grupo de decisores leva em considerao ao analisar o problema da diminuio da emisses atmosfricas das caldeiras. Os facilitadores ento procuraram juntar os conceitos dos mapas individuais em clusters . Os clusters podem ser definidos como um conjunto de conceitos que tratam do mesmo aspecto (Eden, 1985), ou seja, que tem uma relao de influncia forte. Sendo assim, na quinta visita dos facilitadores a empresa foi feita uma reunio com todos os decisores para apresentao dos clusters encontrados nos mapas individuais pelos facilitadores Nesta reunio, os decisores ficaram livres para efetuar modificaes nos conceitos, inclusive na sua disposio. A apresentao do mapa agregado do grupo por clusters uma forma de facilitar o entendimento do mesmo, j que um mapa completo facilmente ultrapassa 100 conceitos. O mapa modificado pelo grupo , ento, novamente analisado pelos facilitadores. Assim, na sexta visita empresa foi feita uma reunio para apresentar o mapa congregado do grupo, ou seja, o mapa que foi modificado e validado pelo grupo na reunio anterior. </p> <p>3.3. rvore de Pontos de Vista Fundamentais </p> <p> A partir dos clusters do mapa congregado foram identificados pelos facilitadores os candidatos a Pontos de Vista Fundamentais do modelo (Montibeller Neto, 1996 e Ensslin et al., 1997). Ponto de vista fundamental todo aspecto da realidade que um ator (pessoa ou organizao) considera como importante para escolher entre as vrias alternativas (de um contexto decisrio) (Bana e Costa, 1995, p. 7). Assim, na sexta visita a empresa, alm da apresentao do mapa congregado, foi apresentada a arborescncia de candidatos a PVFs. Foram estabelecidos, a princpio, 14 PVFs no modelo. Entretanto, dois destes, Imagem da Empresa Fornecedora e Cumprir Metas Ambientais, foram considerados to importantes que se transformaram em critrios de rejeio. Um critrio de rejeio todo critrio que poder levar uma determinada ao a ser eliminada do processo decisrio caso no apresente uma performance igual ou superior a um determinado padro (Bana e Costa et al., 1995). </p> <p> Desta forma, se a empresa fabricante do equipamento (filtro ou caldeira) no tivesse uma boa imagem no mercado ou se a alternativa no cumprisse as metas ambientais pretendidas pela empresa (reduo da emisso de material particulado e de xidos de enxofre) seria automaticamente descartada. Assim no foram consideradas aes potenciais viveis o uso da lenha sem filtro e do leo combustvel sem filtro. </p> <p>Escolha do Combustvel</p> <p>Segur ana</p> <p>I m agem da Em pr esa</p> <p>Potencial idade de Uso Futur o</p> <p>Pr azo de I mplantao</p> <p>Rendimento da Caldeir a</p> <p>I nvest imento</p> <p>For necimento do Com bust vel</p> <p>Complexidade do Equipam ento</p> <p>A ssistncia T cnica</p> <p>Custo O per acional M ensal</p> <p>Cont r ole Ef icincia da Queima</p> <p>Custo Estoque de Combust vel</p> <p>Nmero de Fornecedores</p> <p>Proximidade da Fonte</p> <p>Di f iculdade de Troca</p> <p>L ocal izao da Pea</p> <p>Local izao do Tcnico</p> <p> Figura 2 Arborescncia de Pontos de Vista Fundamentais do Modelo. </p> <p> Doze pontos de vista fundamentais foram identificados, sendo que os PVFs Fornecimento de Combustvel e Assistncia Tcnica foram subdivididos em pontos de vista elementares (Figura 2). Pontos de vista elementares (PVEs) so meios para...</p>