Avaliação da toxicidade aguda do epóxilimoneno em ... ?· A avaliação da segurança e eficácia…

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  • Revista Cubana de Plantas Medicinales 2014;19(2):160-171

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    ARTCULO ORIGINAL

    Avaliao da toxicidade aguda do epxilimoneno em camundongos adultos

    Evaluacin de la toxicidad aguda en adultos epxilimoneno ratones

    Evaluation of the acute toxicity of limonene epoxide in adult mice

    Antonia Amanda Cardoso de Almeida,I Rusbene Bruno Fonseca de Carvalho,I Damio Pergentino de Sousa,II Geane Felix de Souza,III Johanssy da Silva Oliveira,I Rivelilson Mendes de FreitasI

    I Universidade Federal do Piau, Teresina, Piau, Brasil. II Departamento de Fisiologia da Universidade Federal da Paraba, Joo Pessoa, Paraba, Brasil. III Faculdade de Medicina,Universidade Federal do Cear, Fortaleza, Cear, Brasil.

    RESUMO

    Introduo: a biodiversidade da flora mundial proporciona molculas importantes no tratamento e na preveno de vrias enfermidades humanas, porm na maioria das vezes no so avaliadas sua toxicidade. Objetivo: avaliar a toxicidade do monoterpenide epxilimoneno em camundongos tratados de forma aguda com doses repetidas (25, 50 e 75mg/kg) por via oral em parmetros bioqumicos e hematolgicos. Mtodos: quarenta camundongos correspondendo a quatro grupos (n=10/grupo) foram tratados, por via oral de forma aguda com doses repetidas e observados durante 14 dias, com epxilimoneno nas doses de 25, 50 e 75 mg/kg emulsionado em Tween 80 0,05%dissolvido em soluo salina 0,9 % (grupos EL25, EL50 e EL75, respectivamente), e com veculo (Tween 80, 0,05 % dissolvido em soluo salina 0,9 %, grupo controle). Resultados: o tratamento no causou nenhuma morte ou sinal de toxicidade nos animais.

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    Discusso: dessa forma, baseado nos resultados obtidos a partir dos estudos hematolgicos e bioqumicos em camundongos, pode ser sugerido que a administrao do epxilimoneno no produz efeitos txicos sobre a maioria dos parmetros analisados e que pode ser usado de forma segura em ensaios pr-clnicos. No entanto, mais estudos devem ser realizados para garantir que esse derivado de um monoterpeno natural seja utilizado de forma segura na indstria alimentcia e farmacutica.

    Palavras-chave : epxilimoneno, bioqumica, hematologia, toxicidade aguda.

    RESUMEN

    Introduccin: la biodiversidad global de la flora proporciona molculas importantes para el tratamiento y prevencin de diversas enfermedades humanas, pero ms a menudo no se evala su toxicidad. Objetivo: evaluar la toxicidad de lepxilimoneno monoterpenoide en los ratones tratados de forma aguda con dosis repetidas (25, 50 y 75 mg/kg) por va oral en los parmetros hematolgicos y bioqumicos. Mtodos: cuarenta ratones que representan cuatro grupos (n = 10/grupo) fueron tratados con dosis por va oral de forma aguda repetida y se observaron durante 14 das com elepxilimonenoa dosis de 25, 50 y 75 mg/kg emulsionados enTween 80 0,05 % disuelto en solucin salina 0,9 % (grupos EL25, EL50 y EL75, respectivamente), y vehculo (Tween 80, 0,05 % disuelto en solucin salina 0,9 %, grupo de control). Resultados: El tratamientono no caus muertes ni signos de toxicidad en animales. Discusin: de este modo, sobre la base de los resultados obtenidos a partir de los parmetros hematolgicos y bioqumicos en ratones, se puede sugerir que la administracin de epxilimoneno no produce efectos txicos en la mayora de los parmetros analizados y se puede utilizar de forma segura en la pre-clnica. Sin embargo, se deben realizar ms estudios para asegurar que el derivado de un monoterpeno natural puede ser usado con seguridad en la industria alimentaria y farmacutica.

    Palabras clave : epxilimoneno, bioqumica, hematologa, toxicidad aguda.

    ABSTRACT

    Introduction: the biodiversity of global flora provides important molecules for the treatment and prevention of various human diseases, but most often their toxicities are not evaluated. Objective: evaluate the toxicity of monoterpenoid limonene epoxidein mice treated acutely with repeated doses (25, 50 and 75 mg/kg) orally on hematological and biochemical parameters. Methods: forty mice divided infour groups (n = 10/group ) were treated orally andacutely with repeated doses and observed for 14 days. The mice were treatedwith limonene epoxide administered at doses of 25, 50 and 75 mg / kg emulsified with 0.05 % Tween 80 dissolved in 0.9 % saline (groupsEL25, EL50 and EL75, respectively)and withvehicle (0.05 % Tween 80, dissolved in 0.9% saline, control group). Results: the treatment caused no deaths or signs of toxicity in the mice treated. Discussion: thus, based on the results obtained from hematological and biochemical studies in mice, it can be suggested that limonene epoxide does not

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    produce anytoxic effect on most of the parameters analyzed, and can be safely used in pre-clinical-assays However, more studies should be conducted to ensure that this derivative of a natural monoterpenecan be safely used in thefood and pharmaceutical industry.

    Key words: limonene epoxide, biochemistry, hematology, acute toxicity.

    INTRODUO

    O uso de plantas medicinais tem sido asociado ao fato de ser uma importante fonte para obteno de molculas com potencial farmacolgico. A populao dos pases em desenvolvimento utiliza as plantas medicinais por tradio. Por outro lado, nos pases desenvolvidos, observa-se um maior uso de fito medicamentos, principalmente debido ao modismo asociado ao consumo desses produtos. 1 O conceito muitas vezes perigos o adotado pela populao em geral que o uso de plantas medicinais no representa quaisquer riscos para a sade humana por serem naturais e terem sido testadas por meio da utilizao na medicina popular.2

    A avaliao da segurana e eficcia de plantas medicinais, bem como de seus constituintes ativos extremamente necessria, pois as reaes txicas e efeitos adversos dos fitomedicamentos so um problema de sade pblica. Alm disso, podem ser observadas adulteraes na matria prima e interaes comoutras drogas ainda no investigadas sobre os constituintes qumicos presentes em plantas medicinais.1

    Entre os constituintes ativos presentes em plantas aromticas podem ser destacados os monoterpenos que so os principais componentes qumicos dos leos essenciais responsveis por inmeras atividades biolgicas descritas na literatura. Os monoterpenos podem ser divididos em trs subgrupos: acclicos (mirceno, linalol e geraniol), monocclicos (a terpineole e D-limoneno)e bicclicos(a-pineno e cnfora). Em cada um desses subgrupos, h ainda outras classificaes como os hidrocarbonetos insaturados (limoneno), os lcoois (mentol), os aldedos ou cetonas (mentona e carvona), as lactonas (nepelactona) e as tropolonas(g-tujaplicina).3Outros constituintes derivados de leos essenciais podem ser obtidos por meio de reaes qumicas a partir destes componentes, como por exemplo: o epxilimoneno, obtido por meio da epoxidao do (+)-limoneno.4

    No caso dos leos essenciais dos gneros Citrus em geral, o R-(+)-limoneno seu componente principal. O limoneno, um monoterpeno monocclico um dos constituintes do leo essencial de mais de 300 espcies de vegetais. Os dois enantimeros do limoneno so os mais abundantes monoterpenos na natureza. S-(-)-limoneno principalmente encontrado em uma variedade de plantas e ervas como Mentha spp, enquanto R-(+)-limoneno o componente majoritrio dos leos das cascas e folhas de Citrus limon Burmedas folhas de Carumcarvi Lindl.5,6 Devido ao fato de ser facilmente disponibilizados como resduo da indstria de sucos ctricos e obtido de fonte renovvel, indstrias como farmacutica, qumica e alimentcia tm demonstrado grande interesse pelos derivados oxigenados do limoneno.7

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    Dentre estes derivados oxigenados destaca-se os epxidos, que so teres cclicos de trs elementos formando um anel epxido. Esses teres possuem propriedades especficas devido sua alta reatividade. Devido baixa estabilidade desse anel e a facilidade de reagir com cidos e bases, os epxidos so largamente empregados como intermedirios em snteses orgnicas.8 Dentre esses epxidos pode ser destacado o epxilimoneno que bastante utilizado na fabricao de resinas, pigmentos, tintas, adesivos, cosmticos e de solventes biodegradveis bastante utilizados pela populao em general.9

    No entanto, ainda no foi investigada a segurana do uso do derivado do monoterpeno em ensaios pr-clnicos. Dessa forma, o presente trabalho objetivou avaliar a toxicidade aguda do epxilimoneno em camundongos adultos, com intuito de avaliar sua segurana para uso como molcula bioativa em formulaes farmacuticas.

    MTODOS

    Obteno do epxilimoneno

    O epxilimoneno resultado da oxidao do limoneno (Ilustrao 1) e foi preparado em laboratrio, utilizando um balo de 250 mL, contendo uma soluo de (R)-(+)-limoneno (1,0 g; 7,35 mmols) em CH2Cl2 (40 mL), e seguida foi adicionado, vagarosamente, uma soluo de cido m-cloroperbenzico(AMCPB) 70 % (1,817 g; 7,35 mmols) em CH2Cl 2 seco (40 mL), e mantido a temperatura de 0 C (banho de gelo). O meiore acional foi mantidos obagitao por um perodo adicional de 4 horas nam esma temperatura. Apsesse tempo, foi retirado o banho de gelo e adicionado a mistura reacional quatro pores de 50 mL de soluo aquosa de NaHSO3 10 %. A fase aquosa foi extrada com duas pores de 50 mL de CH2Cl2 e, as fases orgnicas combinadas foram lavadas com uma soluo de NaHCO3 5 % (2 pores de 50 mL) e secas com Na 2SO4 anidro. Em seguida, o solvente foi concentrado em evaporador rotativo. O produto foi purificado em coluna cromatogrfica de gel de slica sendo utilizado como eluente uma mistura de hexano e AcOEt (9:1). Foi obtido o epxilimoneno com 48,30 % (3,55 mmols) de rendimento. 10, 11

    Animais

    Camundongos Swiss machos comdois meses de idade e peso variando entre 25 a 30 g, provenientes do Biotrio Central do Centro de Cincias Agrrias da Universidade Federal do Piau foram utilizados nos ensaios pr-clnicos. Os animais receberam gua e dieta (Labina) ad libitum e foram mantidos sob condies controladas de iluminao (com ciclo claro/escuro de 12 h) e temperatura (25 1 C).

    Estudo da toxicidade aguda do epxilimoneno em parmetros bioqumicos e hematolgicos

    Quarenta camundongos correspondendo a quatro grupos (n=10/grupo) foram tratados, por via oral de forma aguda com doses repetidas e observados durante 14 dias, com epxilimoneno nas doses de 25, 50 e 75 mg/kg emulsionado em Tween

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    80 0,05 % dissolvido em soluo salina 0,9 % (grupos EL25, EL50 e EL75, respectivamente), e com veculo (Tween 80, 0,05 % dissolvido em soluo salina 0,9 %, grupo controle).

    Durante o tratamento, a massa corporal dos animais foi registrada diariamente e os animais avaliados quanto a sinais clnicos de toxicidade, produo de excretas, consumo de gua e rao. Ao final do tratamento, os animais foram submetidos a um jejum de 12 h e anestesiados com pentobarbital sdico na dose de 40 mg/kg (i.p.). Em seguida, foi feita coleta de sangue por rompimento do plexo retro-orbital com auxlio de capilar de vidro.12 O sangue foi acondicionado em dois tipos de tubo: um com anticoagulante (Laborlab) para determinao dos parmetros hematolgicos, e o outro, sem anticoagulante, para obteno do soro para avaliao dos parmetros bioqumicos.

    Para anlise bioqumica, o material foi centrifugado a 3000 rpm durante 30 minutos e, em seguida, determinados os parmetros glicose, uria, creatinina, aspartato aminotransferase (AST), alanina aminotransferase (ALT), colesterol total, triglicerdeos, fosfatase alcalina, bilirrubinas total e direta, protenas totais e cido rico. Os ensaios foram realizados em aparelho automtico Labmax 240 com sistemas comerciais da LABTEST.

    Os valores para eritrcitos, leuccitos totais, plaquetas, hemoglobina, hematcrito, neutrfilos, linfcitos e os ndices hematimtricos [volume corpuscular mdio (VCM), hemoglobina corpuscular mdia (HCM) e concentrao de hemoglobina corpuscular mdia (CHCM)] foram determinados imediatamente aps a coleta por meio do analisador automtico de clulas hematolgicas Advia 120/ hematology (Siemens). A contagem diferencial de leuccitos foi realizada em extenses coradas com May-Grnwald-Giemsa. Em cada ensaio, 100 clulas foram analisadas e contadas.

    Os valores foram expressos como mdia erro padro da mdia (E.P.M.) do nmero de animais usados nos experimentos. As diferenas entre os grupos foram determinadas por meio da Anlise de Varincia (ANOVA), seguida, quando detectada diferena, pelo teste t-Student-Newman-Keulscomopost hoc teste. O nvel de significncia para rejeio da hiptese de nulidade foi sempre > a 5 %.

    RESULTADOS

    A administrao por via oral de forma aguda com as diferentes doses de epxilimoneno, no demostrou nenhum sinal clnico de toxicidade, bem como no produziu nenhuma alterao no consumo de gua e rao. Durante o perodo de observao no foram verificados mudanas quando a produo de excretas. Da mesma forma no foi registrada nenhuma morte entre os animais tratados com esse monoterpeno.

    O tratamento com epxilimoneno em camundongos adultos em doses repetidas no induziu modificaes no perfil bioqumico (Tabela 1). A maioria dos parmetros permaneceu dentro da faixa de referncia.14 No entanto, foi verificada no nvel de AST uma reduo de 5, 3 e 2 % (p

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    Complementando o estudo de avaliao da toxicidade aps o tratamento com doses repetidas do epxilimoneno em camundongos adultos (EL25, EL50 e EL75) foram avaliados os parmetros hematolgicos, sendo observado que o monoterpenide avaliado no produz alteraes de importncia clnica perfil hematolgico (Tabela 2), uma vez que em todos dos parmetros observados encontra-se dentro da faixa de referncia para roedores.13,14

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    DISCUSSO

    O estudo dos nveis de glicose importante, uma vez que quando sua concentrao est abaixo do normal, pode ser observado um quadro de hipoglicemia. Esse quadro produz vrios sintomas (fraqueza, sudorese, desmaio e coma). Por sua vez a hiperglicemia pode causar polifagia, poliria e dificuldade de cicatrizao.15

    No presente estudo no foi verificada alteraes significativas na concentrao sangunea de glicose entre os animais dos grupos tratados com epxilimoneno nas doses de 25, 50 e 75 mg/kg em comparao ao grupo controle. Dessa forma, pode ser sugerido que epxilimoneno de forma aguda pode no ser capaz de induzir quadro de hipo e/ou hiperglicemia.

    A creatinina um composto orgnico nitrogenado no proteico usado para diagnosticar vrios problemas renais.16 A ureia outro tipo de exame realizado no laboratrio de anlises clnicas, sendo o principal produto do metabolismo protico. 17 No entanto, a determinao de seu contedo no to especfica para avaliao

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