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  • AVALIAO DA PERCEPO AMBIENTAL NO COLGIO SAGRADO CORAO DE JESUS CAMPINAS, SP.

    Prof. Ms. Silvana Ap. Alves (1); Graduanda Camila de C. Andrade de Souza (2) (1) Departamento de Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo DAUP/FAAC/ UNESP Campus de Bauru - Av. Luis Edmundo Carrijo Coube, n.14-01, CEP 17033-360, Bauru/SP, Brasil fone/fax:

    (014) 3103-6059 - e-mail: silvana@faac.unesp.br; arqhab@faac.unesp.br (2) Departamento de Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo DAUP/FAAC, UNESP Campus de Bauru - Av. Luis Edmundo Carrijo Coube, n.14-01, CEP 17033-360, Bauru/SP, Brasil fone/fax:

    (014) 3103-6059 - e-mail: mila_souza@uol.com.br; mila__souza@hotmail.com

    RESUMO

    Proposta: A anlise da percepo ambiental e do comportamento dos usurios em relao ao ambiente construdo tem se mostrado um elemento muito importante na criao do espao, para que ao planejar e construir ambientes seja possvel atender s necessidades, atividades e expectativas do homem. Sendo assim, esse trabalho tem como objetivo fazer a avaliao de uma escola Colgio Sagrado Corao de Jesus localizada na cidade de Campinas SP, onde sero analisados conceitos relacionados ao espao pessoal, territorialidade, privacidade, identidade, flexibilidade e personalizao dos estudantes e funcionrios em relao ao ambiente escolar, alm da funcionalidade e do conforto ambiental (iluminao e rudos) do mesmo. Mtodos de pesquisa: Para tanto, alm de observaes feitas in loco, sero utilizados mapas comportamentais, mapas cognitivos, e mtodos de Avaliao Ps-Ocupao - APO, como questionrios e registros fotogrficos. Resultados: Espera-se como resultado conhecer o nvel de satisfao do usurio e como este se apropria de espao, bem como o grau de funcionalidade da edificao e adaptabilidade do indivduo na escola, analisando a relao homem x ambiente. Contribuies: A partir da metodologia aplicada junto aos usurios, os dados coletados contribuiro para a formulao de diretrizes que devem ser consideradas pelo projetista durante a elaborao de novos projetos de arquitetura, que ofeream condies necessrias para atender s exigncias de conforto e expectativas do homem.

    Palavras-chave: percepo ambiental, arquitetura, APO, escola.

    ABSTRACT

    Propose: The analysis of the ambient perception and the behavior of the users in relation to the constructed environment has been known as a very important element in the creation of the space, so that when planning and constructing environments it is possible to take care of the necessities, activities and expectations of the man. This way, this work has as objective to make the evaluation of a school - Colgio Sagrado Corao de Jesus - located in the city of Campinas - SP, where concepts related to the personal space, territoriality, privacy, identity, flexibility and personalization of the students and employees in relation to the schools environment will be analyzed, beyond the functionality and the ambient comfort (illumination and noises) of the space. Methods: For this, beyond observations made "in loco", will be used comportamental maps, cognitive maps, and methods of evaluation powder-occupation (APO), such as photographs and questionnaires. Results: This way, the expected results are to know the level of satisfaction of the user and how he appropriates of the space, as well as the degree of functionality of the construction and adaptability

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  • of the individual in the school, analyzing the relation man x environment. Contributions: The collected information will contribute for the formulation of lines of direction that must be considered by the designer during the elaboration of new projects of architecture, that offer conditions that are necessary for the comfort and the expectations of the man.

    Keywords: environment perception, architecture, APO, schools.

    1. INTRODUO

    1.1 Conceitos da Percepo Ambiental.

    Por analisar a relao homem x ambiente, a Percepo Ambiental envolve conceitos e elementos que traduzem a interao do usurio com o espao e a influncia que o ambiente exerce sobre o comportamento humano. Essa anlise tem se mostrado muito importante, pois atravs dela que so conhecidas as reais necessidades e expectativas do homem, o qual deve ser considerado como o ponto de partida para a criao de ambientes que atendam a esses fatores. Para essa pesquisa, esses conceitos e elementos foram estudados segundo diversos autores tais como: Sommer, Hall, Okamoto, Gifford, entre outros.

    Um dos conceitos mais estudados e evidentes nessa relao homem x ambiente o chamado Espao Pessoal, que pode ser considerado como sendo o territrio porttil, com limites dinmicos e invisveis que cerca o corpo das pessoas, de acordo com Sommer (1973). Esse conceito se refere tambm aos processos que as pessoas utilizam para interagir com outras pessoas e para delimitar e personalizar os espaos que habitam.

    justamente nessa maneira como as pessoas se comportam e se apropriam do espao que esto inseridos conceitos como territorialidade, privacidade, personalizao, segurana e flexibilidade. Isso significa dizer, por exemplo, que para indicar que um determinado espao seu, o usurio espalha seus pertences pelo seu territrio e expe objetos pessoais para personaliz-lo. Alm disso, cada indivduo que adota o espao que utiliza como seu espao pessoal influenciado por questes sociais (relaes de poder ou status, por exemplo), culturais e at mesmo pessoais (como a idade e a personalidade).

    A percepo do ambiente construda pelo homem pode ser avaliada e identificada atravs de mapas cognitivos. Trata-se de desenhos feitos pelo usurio do ambiente e nos quais intuitivamente expressam sensaes, emoes e percepes do espao indicado, por meio de representaes de elementos arquitetnicos presentes no ambiente. Forma e formato de elementos construtivos, reas verdes, barreiras arquitetnicas, tipos de revestimentos e cores de paredes e pisos, mobilirio, equipamentos, desnveis, circulao, entre outros, so exemplos de alguns dos elementos que exercem influncia na percepo ambiental do usurio e que geralmente so considerados em pesquisas de Avaliao Ps-Ocupao.

    1.2 Importncia da Percepo Ambiental no ambiente escolar.

    O homem aprende enquanto v, e aquilo que v influencia seu aprendizado (Hall, 1977). Assim ocorre nos ambientes de educao, onde o espao um elemento bsico e construtivo na aprendizagem, o que torna ainda mais visvel a importncia da anlise da percepo ambiental nesses ambientes.

    O ambiente escolar deve oferecer condies agradveis e estimulantes aos usurios, alm de espaos ldicos que favoream o desenvolvimento e o uso dos sentidos. Ambientes assim, que alcanam a imaginao das pessoas, especialmente das crianas, so aqueles que jamais sero esquecidos (Okamtoto, 1999). Isso significa que a escola no mais espao para simplesmente sentar e aprender, mas sim um ambiente que deve fazer parte do processo de aprendizagem, principalmente quando se trata da sala de aula.

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  • Sabe-se que quanto mais ldico e mais estimulante for o espao, mais a memria e a emoo so trabalhadas, fazendo com que os usurios tenham uma relao at mesmo afetiva com o ambiente. Por isso a sala de aula um dos lugares mais importantes para incentivar o conhecimento e a descoberta e deve ser cuidadosamente trabalhado.

    Ouvimos dizer que as salas de aula devem ter fileiras retas de carteiras de forma que os alunos vejam a professora de frente... (Sommer, 1973). Essa parece a descrio de uma disposio militar, que pode ser substituda por disposies em crculo ou em U. No caso da disposio em crculo, a ateno dos alunos fica centrada no professor; j na disposio em U, os alunos tm a opo de trocar idias frente a frente. Em ambos os casos, a possibilidade dos alunos se dispersarem menor e a interao entre professor e aluno fica mais fcil. Assim, v-se que h uma estreita ligao entre a disposio das carteiras na sala, a participao dos alunos e a relao destes com o professor.

    De acordo com Sommer (1973), a iluminao, a ventilao, nvel de rudo e a disposio das cadeiras ajudam a sintonizar os alunos. Ou seja, alm da disposio da sala, o comportamento e a percepo dos usurios so influenciados por fatores fsicos. Se a escola est inserida numa rea com muitos rudos, por exemplo, ou se a prpria acstica da sala ruim, isso faz com que os professores tenham que elevar a voz. Muitos alunos no tm um bom rendimento na escola por causa da m iluminao e acstica, por sentirem muito frio ou muito calor, ou simplesmente porque no conseguem ver a lousa.

    Por isso o projeto arquitetnico das salas deve ser concebido com critrios que considerem a percepo do usurio. As salas devem ter iluminao e ventilao adequadas, a lousa no deve ter reflexos, e os materiais utilizados devem promover um bom tratamento trmico e acstico. Os alunos devem ter flexibilidade para movimentao dentro da sala e no mobilirio, e ao mesmo tempo, estar em posies que no permitam muita disperso.

    Porm, no h uma situao que seja ideal para todos durante todo o tempo. Uma criana precisa de menos calor tarde do que de manh, mais oxignio e menos umidade no fim do dia, bem como nveis mais elevados de som durante a tarde (Sommer, 1973). Isso significa que se deve procurar situaes adequadas e flexveis aos usurios e s circunstncias, permitindo que o ambiente realmente seja parte da atividade escolar.

    Se a inteno fazer com que os alunos faam mais do que simplesmente sentar e aprender, apenas mudar toda essa estrutura fsica acima citada no suficiente. O processo de aprendizagem deve ultrapassar a sala de aula, completando a qualidade arquitetnica da mesma. Aulas ao ar livre, na biblioteca, atividades dinmicas que envolvam outros ambientes devem fazer parte do programa pedaggico existente.

    Alm disso, os ambientes de uma escola devem permitir que conceitos como territorialidade, segurana, privacidade, flexibilidade e espao pe

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