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  • 246 Est. Aval. Educ., So Paulo, v. 24, n. 55, p. 246-271, abr./ago. 2013.

    AVALIAO DA APRENDIZAGEM: CONCEPES E PRTICA NA FORMAO DE PROFESSORES EM ANGOLA

    FRANCISCO CALOIA ALFREDOJUSSARA CRISTINA BARBOZA TORTELLA

    RESUMO

    O artigo apresenta resultados de uma pesquisa que visou a compreender a operacionalizao da avaliao formativa na poltica de avaliao da aprendizagem para a formao de professores em Angola. Coletaram-se os dados por meio de questionrios a professores e alunos, entrevistas semipadronizadas a professores e observao de aulas, analisados em categorias de contedo e em tabelas, discutidos sob a abordagem quanti-quali. Revela-se que turmas numerosas e a falta de condies de trabalho dificultam a prtica avaliativa dos professores; os participantes so desfavorveis poltica de avaliao por atribuir maior peso (60%) prova de escola e menor peso (40%) s classificaes atribudas pelo professor; alm do modelo de avaliao ser fortemente classificatrio, os participantes se mostram favorveis avaliao formativa sempre classificatria.

    PALAVRAS-CHAVE FORMAO DE PROFESSORES AVALIAO FORMATIVA ANGOLA.

    OUTROS TEMAS

  • Est. Aval. Educ., So Paulo, v. 24, n. 55, p. 246-271, abr./ago. 2013. 247

    RESUMEN

    El artculo presenta resultados de una investigacin que busc comprender la operacionalizacin de la evaluacin formativa en la poltica de evaluacin del aprendizaje para la formacin de profesores en Angola. Los datos se recolectaron a travs de cuestionarios a profesores y alumnos, entrevistas semiestructuradas a profesores y observacin de clases; se analizaron en categoras de contenido y en tablas y se discutieron segn un enfoque cuantitativo-cualitativo. Se observ que grupos numerosos y la falta de condiciones de trabajo dificultan la prctica evaluativa de los docentes. Los participantes estn en contra de la poltica de evaluacin ya que le otorga un mayor peso (60%) a la prueba de la escuela y un peso menor (40%) a las calificaciones asignadas por los docentes. El modelo de evaluacin es fuertemente clasificatorio y los participantes prefieren que la evaluacin formativa sea siempre clasificatoria.

    PALABRAS CLAVE FORMACIN DE PROFESORES EVALUACIN FORMATIVA ANGOLA.

    ABSTRACT

    This article presents the results of a study which aimed to understand the operation of formative assessment in the evaluation policy of teacher training in Angola. Data was collected through surveys responded by teachers and students, and five semi-standardized interviews. The data were analyzed by content categories and tables, and discussed according to a quantitative and qualitative approach. Results reveal that large classes and lack of working conditions hinder the evaluation practice of teachers; participants are disadvantaged in the evaluation policy which gives more weight (60%) to the final test of the school year and lower weight (40%) to the results of the assessments which occur during the training. Teachers and students are favorable to a formative assessment that is always classificatory. It appears that the evaluation model is strongly classificatory in all forms of assessment. The configuration of the evaluation policy needs to be reviewed, and there is a need to develop ongoing training in the assessment of learning.

    KEYWORDS TEACHER EDUCATION FORMATIVE EVALUATION ANGOLA.

  • 248 Est. Aval. Educ., So Paulo, v. 24, n. 55, p. 246-271, abr./ago. 2013.

    INTRODUO

    Com o surgimento da segunda reforma no sistema educacio-nal angolano em 2004, augurava-se superar falhas da primeira, de 1978: adequar a educao ao sistema de economia de mer-cado, favorecer a escolarizao a todas as crianas em idade escolar, reduzir os ndices de analfabetismo e aumentar a efi -ccia do sistema educativo. Para tal, o Ministrio da Educao (MED) apontou quatro objetivos, a saber: 1. expandir a rede escolar; 2. melhorar a qualidade de ensino; 3. reforar a efi c-cia do sistema de educao; e 4. proporcionar a equidade do novo sistema de educao (ANGOLA, 2009b).

    Os representantes do MED traaram um plano faseado para a sua implementao com previso de trmino em 2012, em que se avaliariam os currculos, o processo de ensino e aprendizagem, a formao de professores, a administrao e a gesto dos materiais e das escolas.

    nesse contexto que realizamos uma pesquisa sobre a avaliao da aprendizagem, da qual resultou o presente tex-to, realizada no perodo de 2010 a 2012, numa das escolas angolanas de formao de professores de nvel mdio, com

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    o objetivo de compreender a operacionalizao da avaliao formativa, com referncia poltica de avaliao da apren-dizagem implementada pelo MED em 2004, na formao de professores do 1 Ciclo do Ensino Secundrio.1

    A perspectiva de abordagem da avaliao formativa nor-teadora neste artigo a que coloca e releva o aspecto proces-sual da aprendizagem mediante a diversidade de estratgias, fl exibilizao, reorganizao e reorientao de atividades que promovam a aprendizagem do aluno, como mais adian-te sustentado.

    A poltica de avaliao da aprendizagem da primeira reforma em Angola, diferencia-se da atual poltica, dentre outros aspectos, do ponto de vista da defi nio das modali-dades, dos procedimentos de avaliao e responsabilizao para a sua elaborao. Por exemplo, na primeira reforma eram as representaes provinciais do MED que elaboravam os exames fi nais para as escolas, e as escolas podiam apenas produzir as avaliaes e as provas que se realizavam durante o perodo letivo. Classifi cavam-se as avaliaes na escala de 0 a 20 valores sem atribuio de porcentagem aos resultados que se obtivessem.

    Com a atual reforma, implementada em 2004, a poltica de avaliao da aprendizagem confere s escolas a realiza-o de todas as avaliae, inclusive os exames ou as provas fi nais, mas aos resultados das classifi caes obtidas, quer das avaliaes realizadas ao longo do ano letivo, designada classifi cao atribuda pelo professor, quer da avaliao fi -nal do ano letivo, designada classifi cao da prova de esco-la, atribui-se um valor percentual. Ou seja, de 2004 a 2009, atribua-se classifi cao feita pelo professor peso de 30%, e classifi cao da prova de escola, peso de 70%. Nos ltimos meses de 2009, o MED apresentou o sistema de avaliao das aprendizagens revisto em que o resultado das classifi caes obtidas ao longo do ano letivo tem 40% de peso e da prova de escola, 60% de peso.

    Tal reviso no explicitada nas diretrizes que a apre-goam, porm especula-se que ela sucedeu dada a frequente reclamao e insatisfao dos atores do processo de ensino. Apesar disso, ao que parece, em nada se alterou no que se

    1 No Brasil, corresponde ao fundamental 2.

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    considera desvalorizao das avaliaes processuais. Isso quer dizer que, mesmo com a reviso do peso que se atribui s avaliaes, a valorizao tanto das avaliaes formativas quanto das avaliaes somativas, que realizam ao longo do ano letivo, no deixam de estar minimizadas independente-mente de a avaliao formativa ser peridica.

    De acordo com a poltica de avaliao da aprendizagem, a avaliao formativa, tambm designada avaliao contnua ou sistemtica, a que se realiza ao longo do processo de ensino e aprendizagem. a avaliao de acompanhamento da apren-dizagem permanente com vistas a proporcionar ambiente de interao entre o professor e os alunos no processo de ensino e aprendizagem. Por meio dessa avaliao o professor afere o aproveitamento do aluno classifi cando-o de forma numrica, diria, semanal e mensalmente (ANGOLA, 2005a).

    As diretrizes da poltica ainda sugerem ao professor a prtica da avaliao formativa, contnua ou sistemtica, pre-ferencialmente, avaliando o aluno com perguntas escritas no comeo ou no fi m de cada aula e com perguntas orais em qualquer momento do seu curso.

    Esses procedimentos so justifi cados sob a necessidade de se acautelarem da subjetividade e de provveis injustias ao aluno durante as avaliaes, pois alega-se que pode supe-rar-se a subjetividade na avaliao fazendo-lhe poucas pergun-tas escritas. Assim, para a avaliao contnua no incio ou no fi m da aula, o(a) professor(a) deve fazer no mais do que duas perguntas escritas para todos os alunos (ANGOLA, 2005a, p. 14). Ainda ressalta-se que uma pergunta oral feita a determinado aluno pode ser repetida a outros mudando-se simplesmente a forma ou a estratgia de coloc-la, permitindo que consider-vel nmero de alunos seja avaliado durante a aula.

    J em relao avaliao somativa, indica-se a realiza-o de uma prova no fi m de determinado ciclo de formao letiva com vistas a classifi car, selecionar e certifi car as apren-dizagens do aluno (ANGOLA, 2003, 2005a).

    As classifi caes das avaliaes chamadas formativas, contnuas ou sistemticas, que se realizam diria, semanal e mensalmente, atribuem-se na escala de 0 a 5 valores, dife-rentemente das classifi caes somativas cuja escala de 0 a

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    20 valores. Mas a mdia das avaliaes formativas, designa-da MAC (mdia das avaliaes contnuas), multiplica-se pela constante quatro (4), e adiciona-se ao seu resultado a prova do professor (classifi cada na escala de 0 a 20 valores), que dividido por dois gera o quociente que se considera a clas-sifi cao trimestral do aluno. Ao multiplicar-se a MAC pela constante, pretende-se equipar-la escala das classifi caes das avaliaes somativas. Esses procedimentos so realiza-dos em todos os trimestres letivos (ANGOLA, 2003, 2005a, 2006, 2009a, 2009b).

    A classifi cao na escala de 0 a 20 apresenta as seguin-tes qualifi caes: de 0 a 4 valores, considera-se m ou pouca progresso do aluno; de 5 a 9, classifi cao medocre ou de progresso muito lenta; de 10 a 13, classif

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