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AVALIAO DA EDUCAO SUPERIOR BRASILEIRA: DO PARU AO SINAES

BRAZILIAN HIGHER EDUCATION ASSESSMENT - THE PARU TO SINAES

MARIA ELISABETH PEREIRA KRAEMER

Univali - Universidade do Vale do Itaja

kraemer@univali.br

MIGUEL ANGEL VERDINELLI

Univali - Universidade do Vale do Itaja

maverdinelli@gmail.com

SUZETE ANTONIETA LIZOTE

Univali - Universidade do Vale do Itaja

lizote@univali.br

JOS CARLOS TERRES

Univali - Universidade do Vale do Itaja

terres@univali.br

RESUMO

Este artigo tem como objetivo apresentar uma breve retrospectiva histrica acerca das

propostas estatais surgidas nos ltimos anos, envolvendo a Avaliao do Ensino Superior

Brasileiro. Com o uso de uma metodologia qualitativa, onde a desk research foi tcnica

utilizada, foi possvel iniciar o artigo descrevendo o Programa de Avaliao da Reforma

Universitria (PARU), visto que este foi, de fato, a primeira iniciativa, no nvel

governamental pensada para avaliar as Instituies de Ensino Superior (IES) brasileiras.

Aps, o Programa de Avaliao Institucional das Universidades Brasileiras (PAIUB),

proposto no incio da dcada de 1990; seguido o Exame Nacional de Cursos (ENC),

apresentado em meados da dcada de 1990; e o Sistema Nacional de Avaliao da Educao

Superior (SINAES), proposto em 2003 e aprovado pelo Congresso Nacional em 2004 pela Lei

10.861 de 14 de abril. Os resultados destes instrumentos avaliativos, reunidos, permitem

conhecer em profundidade o modo de funcionamento e a qualidade dos cursos e Instituies

de Educao Superior em todo o pas.

Palavras-chave: Avaliao. Educao superior. Sinaes.

mailto:kraemer@univali.brmailto:maverdinelli@gmail.commailto:lizote@univali.brmailto:terres@univali.br

2

ABSTRACT

This article aims to present a brief historical retrospective about the state proposals that have

arisen in recent years, involving the Brazilian Higher Education Evaluation. With the use of a

qualitative methodology, where the desk research was the technique used, it was possible to

start the article describing the University Reform Assessment Program (PARU) as this was, in

fact, the first initiative at government level thought to evaluate the Higher Education

Institutions (IES). After the Institutional Evaluation Programme of Brazilian Universities

(PAIUB), proposed in the early 1990s; followed by the National Course Exam (ENC),

presented in the mid-1990s; and the National System of Higher Education Assessment

(SINAES), proposed in 2003 and approved by Congress in 2004 by Law 10,861 of April 14.

The results of these evaluation tools together allow us to know in depth the operation mode

and the quality of courses and higher education institutions across the country.

Keywords: Evaluation. College education. Sinaes

1 INTRODUO

No Brasil, a poltica de avaliao da educao superior alicera-se no trip

avaliao regulao superviso, envolvendo momentos e aes distintas, porm

intrinsecamente ligados, que buscam contribuir para a qualidade do ensino oferecido.

Metodologicamente este artigo busca traar um linear cronolgico dos principais

movimentos em prol da promoo da qualidade na educao brasileira. Busca apontar as

principais comisses e os projetos implantados com o intuito de promover a avaliao e

melhoria do ensino. O objetivo deste estudo o de descrever os antecedentes da avaliao de

sistemas na educao superior brasileira.

Assim sendo a pesquisa aponta o Programa de Avaliao e Reforma Universitria

(PARU) criado em 1983. Relata tambm o processo de criao da Comisso Nacional para a

Reforma do Ensino Superior (CNRES) em 1985 e do Grupo Executivo para a Reformulao

da Educao Superior (GERES) em 1986. Ressalta o processo de implantao do Programa

de Avaliao Institucional das Universidades Brasileiras (PAIUB) em 1993, assim como o

ENC (Exame Nacional de Curso) e a implantao da atual poltica de avaliao SINAES -

Sistema Nacional de Avaliao da Educao Superior em 2003.

O SINAES que comeou a vigorar em 2004 foi construdo a partir de uma lgica

capaz de articular regulao e avaliao e que considera a avaliao institucional como

parte de um conjunto de polticas pblicas [...] voltadas para a expanso do sistema e

democratizao do acesso para que a qualificao do mesmo faa parte de um processo mais

amplo de revalorizao da educao superior (BRASIL, SINAES, 2007, p.11).

O sistema segue as diretrizes definidas pela Comisso Nacional de Avaliao da

Educao Superior (CONAES), cabendo ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas

Educacionais Ansio Teixeira (INEP), por meio de sua Diretoria de Avaliao da Educao

Superior (DAES), a operacionalizao de todo o processo avaliativo (BRASIL, 2004b).

O SINAES possui uma misso importante: avaliar a graduao valorizando aspectos

que levem ou induzam melhor qualidade da educao superior e da formao dos estudantes

brasileiros. As avaliaes realizadas no mbito desses sistemas tm por finalidade aferir a

qualidade de instituies de Ensino Superior (IES), de cursos de graduao e de desempenho

de estudantes.

Integra os seguintes componentes que, por sua vez, apresentam um conjunto de

subcomponentes (INEP, 2012):

1) Avaliao Institucional (AI): o centro de referncia e articulao do sistema de

avaliao que se desenvolve em duas etapas principais: a) autoavaliao coordenada pela

3

Comisso Prpria de Avaliao (CPA) de cada instituio e orientada pelas diretrizes e pelo

roteiro de autoavaliao institucional da Comisso Nacional de Avaliao da Educao

Superior (CONAES) e b) avaliao externa realizada por comisses designadas pelo INEP,

ou seja, in loco, desenvolvida pelos avaliadores institucionais capacitados pelo INEP nos

moldes do SINAES. Esta avaliao tem como referncia os padres de qualidade para a

educao superior expressos nos instrumentos de avaliao e nos relatrios das

autoavaliaes.

A Avaliao Institucional est relacionada: melhoria da qualidade da educao

superior; orientao da expanso de sua oferta; ao aumento permanente da sua eficcia

institucional e efetividade acadmica e social; ao aprofundamento dos compromissos e

responsabilidades sociais das instituies de educao superior, por meio da valorizao de

sua misso pblica, da promoo dos valores democrticos, do respeito diferena e

diversidade, da afirmao da autonomia e da identidade institucional. (INEP, 2012).

Em seu conjunto, os processos avaliativos devem constituir, segundo o INEP (2012),

um sistema que permita a integrao das diversas dimenses da realidade avaliada,

assegurando as coerncias conceitual, epistemolgica e prtica, bem como o alcance dos

objetivos dos diversos instrumentos e modalidades.

2) Avaliao dos Cursos de Graduao (ACG): avalia os cursos de graduao por meio de

instrumentos que incluem visitas in loco, pelos pares, em comisses externas; percepo dos

estudantes, por meio do questionrio de Avaliao Discente da Educao Superior ADES,

que enviado aos estudantes da amostra do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes

(ENADE); consideraes dos coordenadores de curso, mediante questionrio dos

coordenadores; avaliaes realizadas pelos professores dos cursos e relatrio da Comisso

Prpria de Avaliao (CPA).

3) Avaliao do Desempenho dos Estudantes: realizada por meio do Exame Nacional de

Desempenho dos Estudantes ENADE, que aplicado em larga escala queles que

preenchem os critrios estabelecidos pela legislao vigente. Seu objetivo aferir o

rendimento dos alunos dos cursos de graduao em relao aos contedos programticos, s

habilidades e competncias para a permanente atualizao profissional, aos conhecimentos

referentes realidade brasileira e mundial e a outras reas do conhecimento. um exame

peridico, aplicado nacionalmente de 3 em 3 anos (o ciclo avaliativo do SINAES trienal) em

cada curso.

O ENADE composto pela prova, o questionrio de Avaliao Discente da

Educao Superior, o questionrio dos coordenadores de cursos e a percepo do aluno sobre

a prova. realizado pelo INEP, autarquia vinculada ao MEC, segundo diretrizes estabelecidas

pela CONAES, rgo colegiado de coordenao e superviso do SINAES.

A prova composta por 40 questes, sendo: 10 questes de Formao Geral (8 de

mltipla escolha e 2 questes discursivas) e 30 questes do Componente Especfico (27

questes de mltipla escolha e 3 questes discursivas). Os contedos de formao geral tm

peso de 25% para compor a nota no ENADE e os contedos especficos, de 75%.

O questionrio do estudante (ato regulatrio para colao de grau a partir de 2014)

fornece informaes sobre fatores diretamente relacionados ao desempenho dos acadmicos,

como: perfil socioeconmico e cultural, percepo sobre o ambiente de ensino-aprendizagem

e sobre a organizao do curso, do currculo e da atividade docente.

Seus resultados podero ser desagregados em dados por IES, categoria

administrativa, organizao acadmica, municpio, estado e regio. Assim, constituem

referenciais que permitem a definio de aes voltadas para a melhoria da qualidade dos

cursos de graduao, por parte de professores, tcnicos, dirigentes e autoridades educacionais.

Para as IES, as informaes geradas a partir do ENADE podem ser usadas para

analisar as questes pedaggicas e reorient-las se for o caso. Os gestores pblicos podem

4

usar os dados para orientar aes e polticas pblicas educacionais. Os pesquisadores usam os

dados em seus trabalhos acadmicos; e a sociedade em geral busca, nas informaes,

elementos para conhecer melhor um curso de seu interesse.

A nota individual do aluno no divulgada. Nem a IES tem acesso a essa nota, s o

estudante pode consult-la mediante senha fornecida a ele pelo INEP.

O ENADE constitui-se um componente curricular obrigatrio dos cursos de

graduao, sendo inscrita no histrico escolar do estudante somente sua situao regular,

atestada pela sua efetiva participao ou dispensa oficial pelo Ministrio da Educao (MEC),

na forma estabelecida em regulamento.

2 REFERENCIAL TERICO

Apresenta-se neste tpico a sustentao terica sobre o tema pesquisado. Inicialmente

aborda-se a Avaliao da Educao Superior no Brasil de 1983 a 1993, ou seja, Programa de

Avaliao da Reforma Universitria (PARU) em 1983, seguida da Comisso Nacional para

Reformulao da Educao Superior (CNRES) em 1985, seguido do Grupo Executivo da

Reforma da Educao Superior (GERES) em 1986 e por fim o Programa de Avaliao das

Universidades Brasileiras (PAIUB) em 1993.

Aps esses perodos, em 1995 foi criado o Exame Nacional de Cursos (ENC) e por

fim em 2004 o Sistema Nacional de Avaliao da Educao Superior (SINAES), seguido de

seus indicadores de Qualidade da Educao Superior.

2.1 Avaliao da Educao Superior no Brasil

Apesar das influncias dos modelos internacionais, a concepo de educao

superior e de avaliao presente nas polticas implantadas no Brasil foi gestada por

acadmicos envolvidos com comisses governamentais inseridas no Ministrio da Educao

durante as dcadas de 1980 e 1990. (BARREYRO; ROTHEN, 2008).

Desse processo, destacam-se quatro propostas de educao superior e de avaliao,

que foram expressas nos seguintes documentos:

2.1.1 Programa de Avaliao da Reforma Universitria (PARU)

Por iniciativa do Conselho Federal de Educao (CFE), foi desenvolvido em junho

de 1983 o Programa de Avaliao da Reforma Universitria (PARU), cujo grupo gestor eram

pesquisadores com experincia em anlise e acompanhamento de projetos (GRUPO

GESTOR DA PESQUISA, 1983, p. 83).

Foram criadas duas reas para realizao dos estudos que visavam analisar como

cada instituio estaria produzindo o conhecimento, levando em conta seu contexto

socioeconmico: a) Gesto das Instituies de Educao Superior (IES): para tratar de

assuntos relacionados parte administrativa acadmica e financeira; b) Produo e

disseminao do conhecimento: para tratar do Ensino, da Pesquisa e das interaes com a

comunidade.

Para concretizar seus objetivos seria necessria a participao, especialmente, da

comunidade acadmica, realizando um processo de reflexo sobre sua prpria prtica e de

outros setores externos s instituies, sobretudo, na expresso de demandas e expectativas

quanto ao papel da universidade e sua organizao. Segundo afirmado, o prprio PARU foi

elaborado mediante consulta a segmentos representativos da comunidade acadmica

(GRUPO GESTOR DA PESQUISA, 1983, p. 85).

5

Os assuntos indagados eram o conhecimento produzido, levando em conta o

contexto socioeconmico no qual estaria inserida a IES. Assim, pretendia desvendar como

estariam sendo concretizados os objetivos de cada IES, bem como sua articulao com o uso

de recursos, com as determinaes externas e as relaes polticas internas.

As fases da pesquisa eram duas: a primeira, um estudo base, com o intuito de coletar

informaes fundamentais sobre as IES, que seria realizado por amostra mediante a aplicao

de um instrumento-padro; e a segunda, estudos especficos ou estudos de caso, que

aprofundariam o estado de conhecimento sobre um assunto, experincias relevantes, anlises

especficas, etc. O estudo-base pretendia coletar dados que permitissem a comparabilidade

entre instituies. (BARREYRO e ROTHEN, 2008).

O grupo de pesquisa, com a finalidade de realizar uma investigao de avaliao

sistmica, recorreu avaliao institucional e considerou aavaliao interna como procedimento privilegiado. Foi proposta a participao da comunidade na realizao de auto-

avaliao. O programa foi o precursor das experincias de avaliao posteriores no pas

(PAIUB, SINAES-CEA) inaugurando a concepo de avaliao formativa e emancipatria.

O PARU foi desativado deixando pesquisas inconclusivas, mas os membros desse

programa posteriormente comporiam comisses para elaborar e executar outras experincias

de avaliao da educao superior. Dada proposta da participao da comunidade, este

programa foi o precursor das experincias de avaliao posteriores no pas como o PAIUB e o

SINAES (BARREYRO e ROTHEN, 2008).

2.1.2 Comisso Nacional para Reformulao da Educao Superior (CNRES)

Foi instituda pelo Decreto n 91.177, de 29 de maro de 1985, a Comisso

Nacional Para Reformulao da Educao Superior (CNRES), visando reformulao da

educao superior no marco da re-democratizao do pas, com a instaurao da Nova

Repblica. Esta comisso era composta por 24 membros.

O resultado do trabalho da Comisso, de acordo com Barreyro e Rothen (2008),

materializou-se no relatrio intitulado Uma nova poltica para a educao superior

brasileira. Na introduo do relatrio, a Comisso afirmou que no existiriam frmulas

mgicas e, que consequentemente, a simples elaborao de uma nova lei no resolveria os

problemas da educao superior. Evidente no documento, j no seu ttulo, que seria necessria

a criao de uma nova poltica e no de uma nova lei. (BARREYRO; ROTHEN, 2008).

O documento diz que, para a superao da crise da universidade brasileira, se

deveria aumentar, significativamente, a autonomia universitria, que seria acompanhada por

um processo externo de avaliao baseado na valorizao de mrito acadmico.

Outra proposta desta Comisso referia-se funo do Conselho Federal de

Educao, que deveria se assumir como um rgo responsvel pela avaliao. Tambm

props que o funcionamento das instituies isoladas deveria ser creditado pelas

universidades prximas. (BARREYRO; ROTHEN, 2008).

2.1.3 Grupo Executivo da Reforma da Educao Superior (GERES)

O Grupo Executivo da Reforma da Educao Superior (GERES) foi criado como

grupo interno do MEC em 1986 (CARDOSO, 1989, p. 113). Foi constitudo por cinco

pessoas que exerciam funes no mbito do Ministrio da Educao.

O grupo tinha a funo executiva de elaborar uma proposta de Reforma

Universitria. O ponto de partida adotado foi o relatrio final da Comisso Nacional de

Reformulao da Educao Superior (BARREYRO; ROTHEN 2008).

6

O GERES optou por restringir a sua proposta de reformulao da legislao

pertinente Educao Superior s instituies pblicas. Essa opo foi justificada com o fato

de que as diversas propostas da Comisso Nacional teriam inmeras implicaes e que elas

mereceriam maior discusso. Outro argumento em favor dessa opo, e que deve ser

ressaltado, que a GERES compreendia que a estrutura das instituies pblicas prevista pela

Reforma Universitria de 1968 restringia a autonomia e diminua o potencial de desempenho

dessas entidades. Nessa linha de justificativa, o objetivo explicitado no documento do GERES

era o de elaborar uma proposta que aumentasse a eficincia das instituies federais (GERES

1986).

O fio condutor do documento da Comisso Nacional para a Reformulao da

Educao Superior, retomado pelo GERES, de acordo com Barreyro e Rothen (2008),

preconizava uma nova poltica para a educao superior brasileira, a saber, o aumento da

autonomia universitria e a avaliao da responsabilidade social mediante processos pblicos

com critrios estabelecidos pela prpria comunidade acadmica.

Outro princpio claro ao Grupo era de que o modelo, implantado pela Reforma de

1968, de associao entre o ensino e a pesquisa teria sido equivocado pelo fato de que a

pesquisa seria um fator estranho tradio do ensino brasileiro. (SCHWARTZMAN, 1988).

O GERES compreendia que, o que definiria a universidade, no seria nem a

pesquisa e nem a universalidade dos campos do saber, mas, sim, a sua autonomia didtica,

administrativa e financeira.

O relatrio da Comisso para a Reformulao da Educao Superior e o documento

do GERES apresentam uma proposta de avaliao que est baseada num questionamento do

sistema existente. Nos documentos, h forte nfase na ideia de que a universidade (modelo

privilegiado pela reforma universitria de 1968) no seria o nico modelo de instituio de

educao superior desejvel (GERES, 1986).

Vale destacar que, no documento do GERES, embrionria a ideia de que a

avaliao da educao pblica deveria cumprir o mesmo papel que o mercado consumidor de

educao tem em relao educao privada, isto , controle da qualidade do desempenho

institucional (GERES, 1986).

2.1.4 Programa de Avaliao Institucional das Universidades Brasileiras (PAIUB)

O Programa de Avaliao Institucional das Universidades Brasileiras (PAIUB) foi

criado em dezembro de 1993, pelo lanamento de um documento bsico da Coordenadoria

Geral de Anlises e Avaliao Institucional da Secretaria da Educao Superior (SESU) e da

Comisso Nacional de Avaliao das Universidades Brasileiras, composta por representantes

da Associao Brasileira de Universidades Estaduais e Municipais, Associao Nacional de

Universidades Particulares, Associao Brasileira de Escolas Superiores Catlicas,

Associao de Dirigentes das Instituies de Ensino Superior, Frum dos Pr-Reitores de

Graduao e outros fruns do mesmo nvel.

Tal comisso precisava ter composio diversificada, de forma a garantir a

indissociabilidade da ao da universidade, contemplando, preservada a deliberao de suas

instncias superiores, a participao dos segmentos acadmicos, de especialistas e de setores

profissionais e sociais (PAIUB, 1993, p. 9).

O programa teve como objetivo bsico rever e aperfeioar o projeto acadmico e

sociopoltico da instituio, promovendo a permanente melhoria da qualidade e pertinncia

das atividades desenvolvidas, a utilizao eficiente, tica e relevante dos recursos humanos e

materiais da universidade traduzida em compromissos cientficos e sociais, assegurar a

qualidade e a importncia dos seus produtos e a sua legitimao junto sociedade. (PAIUB,

1993, p. 5).

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Para Dias Sobrinho (1996), esta avaliao, assenta-se sobre dois pilares:

1) Busca olhar seu objeto, neste caso a Universidade, de forma compreensiva e crtica, na

plenitude de suas estruturas e relaes. Assim, todos os elementos da vida universitria devem

fazer parte do processo de avaliao (ensino, pesquisa, extenso, laboratrios, bibliotecas,

corpo tcnico-administrativo, etc).

2) Tambm institucional no sentido em que os sujeitos (professores, alunos, funcionrios e

outros) constroem o processo e participam ativamente dele, segundo critrios, objetivos e

procedimentos pblicos da comunidade universitria.

A busca pela qualidade entendida no PAIUB como um processo decisivo para que

a instituio melhore como um todo. Palharini (2001) afirma que o ncleo central da proposta

estabelece que a avaliao seja um processo descentralizado, participativo, aberto, criativo,

voltado para uma reflexo crtica e para a redefinio de grandes objetivos acadmicos, que

contemple informaes quantitativas e qualitativas, sem carter punitivo ou de premiao

(PALHARINI, 2001, p. 18).

Neste contexto, uma proposta metodolgica para a avaliao do ensino de graduao

envolve, essencialmente, trs etapas: diagnstico, avaliao interna e avaliao externa. A

implementao de tais etapas dever ser feita segundo as caractersticas de cada instituio

universitria, no podendo, no entanto, restringir-se ao diagnstico. Da mesma forma, aes e

decises preliminares, derivadas de resultados de avaliao, podero ser desenvolvidas ao

longo do processo (BRASIL, 1994, p.17).

O Documento Bsico do PAIUB (1993) diz que: O processo de avaliao deve ser

contnuo e sistemtico, para promover permanente aperfeioamento, reflexo constante e

redefinio dos objetivos e das prioridades cientficas e sociais da instituio acadmica.

Assim, no deve estar vinculado a mecanismos de punio ou premiao. Ao contrrio, deve

prestar-se para auxiliar na identificao e na formulao de polticas, aes e medidas

institucionais que impliquem atendimento especifico ou subsdios adicionais para o

aperfeioamento de insuficincias encontradas. (PAIUB, 1993, p. 6).

possvel perceber, pelos aspectos ressaltados, que o programa visa a busca pela

melhoria da qualidade e que esta uma tarefa contnua e deve estar relacionada ao processo

de planejamento da instituio.

De maneira esquemtica, o Quadro 1 sintetiza os principais aspectos dos quatro

documentos:

Quadro 1- Comparao entre os documentos do PARU/CNRES/GERES/PAIUB

Documento

PARU (1983)

Programa de

Avaliao da

Reforma

Universitria

CNRES (1985)

Comisso Nacional

para Reformulao

da Educao

Superior

GERES (1986)

Grupo Executivo da

Reforma da

Educao Superior

PAIUB (1993)

Programa de

Avaliao

Institucional das

Universidades

Brasileiras

Autores

Grupo gestor

(especialistas em

anlise de projetos,

sendo alguns

tcnicos do MEC)

24 membros

(heterogneo)

provenientes da

comunidade

acadmica e da

sociedade

Grupo interno do

MEC

Comisso Nacional

de Avaliao

(Representativa de

entidades)

Objetivo

Fazer um

diagnstico da

educao superior

Propor nova

poltica de

educao superior

Propor nova lei de

educao superior

Propor uma

sistemtica de

avaliao

institucional

Funo

Concepo de

avaliao

Formativa Regulao Regulao Formativa

8

Justificativa

Investigao

sistemtica da

realidade

Contraponto da

autonomia.

Vincula

financiamento

Contraponto da

autonomia.

Vincula

financiamento

Prestao de contas

por ser um bem

pblico que atinge a

sociedade

Tipo de avaliao Interna Externa Externa

Autoavaliao e

avaliao externa

Agentes de

avaliao

Comunidade

acadmica

Conselho Federal

de Educao (para

as universidades)

Universidades (para

as faculdades

prximas)

Secretaria de

Educao Superior

para a Educao

Pblica Mercado

(para a Educao

Privada)

Endgena e

voluntria

Unidade de anlise Instituio Instituio Instituio

Instituio,

iniciando pelo

ensino de

graduao

Instrumentos Indicadores e

estudo de casos

Indicadores de

desempenho

Indicadores de

desempenho

Indicadores de

desempenho

Fonte: Barreyro e Rothen, 2008.

2.2. Exame Nacional de Cursos (ENC)

Em 1995, com a Lei n 9.131, de 24 de novembro, o Ministrio da Educao passou

a executar avaliaes peridicas das instituies e dos cursos de ensino superior, usando

procedimentos e critrios abrangentes dos diversos fatores que determinam a qualidade e a

eficincia das atividades de ensino, pesquisa e extenso (BRASIL, 1995). Com a referida lei,

foi criado o Exame Nacional de Cursos (ENC), tambm conhecido como Provo, tendo sido

aplicado no ano de 1996 nos cursos de Direito, Administrao e Engenharia Civil. A previso

era de que a cada ano mais cursos fossem introduzidos no processo.

Foi regulamentado pela realizao de um exame geral obrigatrio, a fim de fornecer

populao uma educao de qualidade. Diante disso est disposto na referida lei que

Art.3 - Com vistas ao disposto na letra c da Lei 4024, de

1961, com a redao dada pela presente Lei, o Ministrio da

Educao e do Desporto far realizar avaliaes peridicas das

instituies e dos cursos de nvel superior, fazendo uso de

procedimentos e critrios abrangentes dos diversos fatores que

determinam a qualidade e a eficincia das atividades de ensino,

pesquisa e extenso (Artigo 3, Lei n. 9131/95).

Entretanto, foi em 1996 que o Decreto n 2.026, de 10 de outubro estabeleceu

procedimentos para o processo de avaliao dos cursos e instituies de ensino superior.

O artigo 1 do referido Decreto estabelece: Art. 1. O processo de avaliao dos cursos e instituies de

ensino superior compreender os seguintes procedimentos: I

anlise dos principais indicadores de desempenho global do

sistema nacional de ensino superior, por regio e unidade da

federao, segundo as reas do conhecimento e o tipo ou a

natureza das instituies de ensino; II avaliao do desempenho

individual das instituies de ensino superior, compreendendo

todas as modalidades de ensino, pesquisa e extenso; III

avaliao do ensino de graduao, por curso, por meio da

anlise das condies de oferta pelas diferentes instituies de

ensino e pela anlise dos resultados do Exame Nacional de

Cursos; IV avaliao dos programas de mestrado e doutorado

por rea do conhecimento. (BRASIL, 1996).

9

A avaliao das condies de oferta de cursos de graduao, que consiste em

verificar a) a organizao didtico-pedaggica; b) a adequao das

instalaes fsicas em geral; c) a adequao das instalaes

especiais, tais como laboratrios, oficinas e outros ambientes

indispensveis execuo do currculo; d) a qualificao do

corpo docente (titulao, regime de trabalho, planos de cargo e

salrios, produtividade cientfica, experincia profissional,

relao professor/ aluno); e) as bibliotecas, com ateno para o

acervo bibliogrfico, inclusive livros e peridicos, regime de

funcionamento, modernizao dos servios e adequao

ambiental (Art. 6, Decreto n. 2026/96).

Na avaliao das condies de oferta de cursos de graduao existiam Comisses de

Especialistas designadas para avaliar os cursos que j haviam se submetido ao Exame

Nacional de Cursos. Atravs dos resultados dos dois mtodos de avaliao, definia-se a

classificao ou o ranqueamento das instituies.

O Provo e a avaliao das condies de oferta configuravam-se como

instrumentos de medio quantitativa de resultados, legitimadores do controle atravs do qual

o governo tentava homogeneizar as universidades.

Dias Sobrinho (1999, p. 40) afirma: [...] trata-se de um instrumento regulador que

faz parte de um universo mais amplo de regulao ou de estabelecimento de regras de jogo de

validade nacional.

O Exame Nacional de Cursos foi aplicado aos estudantes no perodo de 1996 a 2003,

abrangendo cursos de graduao de 26 reas. No ano de 2003, iniciou-se um debate em torno

das polticas de avaliao da educao superior, considerando necessria a adoo de aes

e/ou medidas que reformulassem e reorientassem as prticas desenvolvidas naquele momento.

A participao no Exame Nacional de Cursos foi tornada obrigatria para o aluno

obter o seu diploma de concluso da graduao, mas a lei garantia que as notas no seriam

registradas no histrico escolar (3, Art. 3, Lei n. 9131/95).

As instituies eram classificadas em um ranking, de acordo com os resultados das

provas realizadas pelos estudantes, por meio de cinco menes (A, B, C, D e E, sendo A a

melhor nota, e E a pior). A implantao do ENC fazia parte de uma poltica de

descentralizao da gesto e financiamento da educao, articulada com a centralizao dos

processos de avaliao em que o governo assumia mais um papel regulador e a avaliao

adquiria o papel de indutor das diretrizes polticas desejadas. Essa seria realizada, utilizando,

alm dos instrumentos de avaliao, outros indicadores quantitativos para fornecerem

estatsticas sobre a evoluo do sistema e a situao de cada instituio de ensino superior

(GOUVEIA et al., 2005).

Versieux (2004) salienta que o ENC constituiu-se em um instrumento para aferir

conhecimentos e competncias adquiridos pelos graduandos. O processo de implementao

desse exame ocorreu de cima para baixo, pois no houve consulta e nem dilogo por parte do

governo com as universidades. A concepo de avaliao vigente no ENC estritamente de

carter regulatrio, voltada para o controle.

Polidri, Marinho-Arajo e Barreyro (2006), no entanto, dizem que este modelo

mostrou-se insuficiente e fragmentado, e buscou-se outro modelo para superar as falhas do

sistema anterior na sua capacidade de integrao das diversas polticas de avaliao. A

discusso desse novo modelo teve o seu incio em abril de 2003, na Comisso Especial de

Avaliao (CEA), e deu origem ao Sistema Nacional de Avaliao da Educao Superior

(SINAES).

10

2.3 Sistema Nacional de Avaliao da Educao Superior (SINAES)

Criado pela Lei n 10.861, de 14 de abril de 2004, o Sistema Nacional de Avaliao

da Educao Superior (SINAES) formado por trs componentes principais: a avaliao das

instituies, dos cursos e do desempenho dos estudantes. O SINAES avalia todos os aspectos

que giram em torno dos seguintes eixos: o ensino, a pesquisa, a extenso, a responsabilidade

social, o desempenho dos alunos, a gesto da instituio, o corpo docente, as instalaes e

vrios outros aspectos. (BRASIL 2004b).

Existe uma srie de instrumentos complementares: auto-avaliao, avaliao

externa, ENADE, avaliao dos cursos de graduao e instrumentos de informao (censo e

cadastro). Foi criado com a misso de acalmar as crticas acadmicas e neutralizar os supostos

nocivos efeitos do ranqueamento, conforme Molck (2012, p. 32): Este Sistema foi implantado como um processo diferenciado

daquele que vinha sendo realizado pelo MEC no governo

anterior [ENC], buscando uma viso emancipatria, tentando

mensurar o valor agregado dos cursos de graduao formao

do aluno, neutralizando o ranqueamento, eliminando as

punies a partir do desempenho, entre outras finalidades.

Tanto o ENADE, como a Avaliao das Instituies de Ensino

Superior e a Avaliao dos Cursos de graduao, que compem

o SINAES, no tinham o objetivo inicial de constituir rankings.

O paradigma era a implantao de uma nova proposta,

chamada de emancipatria, caracterizada por no levar em

conta somente a mensurao dos resultados produzidos pelas

instituies, que acabavam conduzindo sempre a indicadores

quantitativos. (MOLCK, 2012, p. 32)

Os resultados das avaliaes possibilitam traar um panorama da qualidade dos

cursos e instituies de educao superior no Pas. Os processos avaliativos so coordenados

e supervisionados pela Comisso Nacional de Avaliao da Educao Superior (CONAES). A

operacionalizao de responsabilidade do Inep.

O SINAES tem como objetivo: identificar mrito e valor das instituies, reas,

cursos e programas, nas dimenses de ensino, pesquisa, extenso, gesto e formao;

melhorar a qualidade da educao superior, orientar a expanso da oferta; promover a

responsabilidade social das IES, respeitando a identidade institucional e a autonomia.

(BRASIL 2004b)

O Sistema Nacional de Avaliao da Educao Superior est fundamentado nas

avaliaes institucional, de cursos e de estudantes. Estes so os trs componentes do

sistema.

A avaliao institucional, interna e externa, ou seja, autoavaliao e avaliao

institucional (comisso in loco) para fins de credenciamento e recredenciamento. Atribui o

Conceito Institucional (CI). Na avaliao das IES, identificada a misso e o perfil da

instituio, bem como sua atuao na sociedade por meio de atividades, cursos, programas e

projetos realizados; considera diferentes dimenses institucionais. A avaliao institucional

considera 10 dimenses: 1. Misso e Plano de Desenvolvimento Institucional PDI.

(Brasil 2004b).

2. Poltica para o ensino, a pesquisa, a ps-graduao, a

extenso e as respectivas formas de operacionalizao.

3. Responsabilidade Social da IES.

4. Comunicao com a sociedade.

5. As polticas de pessoal, as carreiras do corpo docente e do

corpo tcnico-administrativo.

6. Organizao de gesto da IES.

http://portal.inep.gov.br/web/guest/enadehttp://portal.inep.gov.br/web/guest/superior-condicoesdeensino

11

7. Infraestrutura fsica.

8. Planejamento e avaliao.

9. Polticas de atendimento aos estudantes.

10. Sustentabilidade financeira. (BRASIL 2004b).

Hoje, est segmentada em 05 eixos, sendo: Eixo 1 Planejamento e Avaliao Institucional.

Eixo 2 Desenvolvimento Institucional.O contedo deste eixo

corresponde, no SINAES, s dimenses 1 (a Misso e o Plano

de Desenvolvimento Institucional) e 3 (Responsabilidade

Social da Instituio).

Eixo 3 Polticas Acadmicas. Compreende a dimenso 2, 4 e

9 do Sinaes, que abrange as polticas para Ensino, Pesquisa e

Extenso, o atendimento aos discentes e a comunicao com a

sociedade.

Eixo 4 Polticas de Gesto, compreende as dimenses 5, 6 e

10 do Sinaes, que trata das Polticas de Pessoal, Carreira,

Aperfeioamento e Condies de Trabalho, a Organizao e

Gesto da Instituio e a Sustentabilidade Financeira e Eixo

5 Infraestrutura Fsica. (BRASIL 2004b

A avaliao dos cursos de graduao realizada analisando-se 3 dimenses:

1. Organizao Didtico-Pedaggica.

2. Perfil do Corpo Docente.

3. Instalaes fsicas. (BRASIL 2004b)

Essa avaliao in loco para fins de autorizao, reconhecimento e renovao de

reconhecimento. Atribui o Conceito de Curso (CC). A avaliao dos cursos de graduao,

identifica o projeto formativo e as condies de ensino ofertadas aos estudantes, em especial as

relativas ao perfil do corpo docente, s instalaes fsicas e organizao didtico-pedaggica.

A avaliao dos estudantes, por meio do ENADE, aplica-se periodicamente aos

alunos de todos os cursos de graduao do ltimo ano de curso, cujo ciclo trienal. A

avaliao expressa por meio de conceitos, tomando por base padres mnimos estabelecidos

por especialistas das diferentes reas do conhecimento (BRASIL 2004b).

Os instrumentos aplicados no Enade so:

1 Prova

1.1 Formao Geral (10 questes 8 de mltipla escolha; 2 discursivas).

1.2 Componente Especfico (30 questes 27 de mltipla escolha e 3 questes discursivas).

1.3 Questionrio de percepo sobre a prova

2 Questionrio do Estudante: obtm informaes socioeconmicas e a percepo dos

estudantes sobre suas condies de formao acadmica (preenchido na intranet)

3 Questionrio do Coordenador: obtm informaes de perfil do coordenador e sua percepo

sobre a formao oferecida pelo curso (coletado nos quinze dias subsequente prova via

internet).

O conceito do Enade composto do seguinte: 25% das questes de formao geral

e 75% das questes do conhecimento especfico. Ele contribui para avaliar os cursos de

graduao por meio da verificao das competncias, habilidades e conhecimentos

desenvolvidos pelos estudantes e um componente curricular obrigatrio dos cursos de

graduao.

O SINAES, de acordo com a Lei n 10.861, prope uma avaliao institucional

integrada por diversos instrumentos complementares: Autoavaliao, Avaliao Externa,

Censo e Cadastro.

Autoavaliao: conduzida pela CPA (Comisso Prpria de Avaliao). Cada

instituio realizar uma autoavaliao, que ser o primeiro instrumento a ser incorporado ao

conjunto de instrumentos constitutivos do processo global de regulao e avaliao. A

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autoavaliao articula um auto estudo segundo o roteiro geral proposto em nvel nacional,

acrescido de indicadores especficos, projeto pedaggico, institucional, cadastro e censo. O

relatrio da autoavaliao deve conter todas as informaes e demais elementos avaliativos

constantes do roteiro comum de base nacional, anlises qualitativas e aes de carter

administrativo, poltico, pedaggico e tcnico-cientfico que a IES pretende empreender em

decorrncia do processo de auto avaliao, identificao dos meios e recursos necessrios

para a realizao de melhorias, assim como uma avaliao dos acertos e equvocos do prprio

processo de avaliao (BRASIL 2004b).

Avaliao externa: essa avaliao feita por membros externos, pertencentes

comunidade acadmica e cientfica, reconhecidos pela capacidade em suas reas e portadores

de ampla compreenso das instituies universitrias (BRASIL 2004b).

Censo: um instrumento independente que carrega um grande potencial

informativo, podendo trazer importantes elementos de reflexo para a comunidade acadmica,

o Estado e a populao em geral. Por isso, desejvel que os instrumentos de coleta de

informaes censitrias integrem tambm os processos de avaliao institucional, oferecendo

elementos teis compreenso da instituio e do sistema. Os dados do Censo tambm faro

parte do conjunto de anlises e estudos da avaliao institucional interna e externa,

contribuindo para a construo de dossis institucionais e de cursos a serem publicados no

Cadastro das Instituies de Educao Superior (BRASIL 2004b).

Cadastro: de acordo com as orientaes do Instituto Nacional de Estudos e

Pesquisas Educacionais Ansio Teixeira (INEP) e da CONAES, sero levantadas e

disponibilizadas para acesso pblico as informaes do cadastro das IES e seus respectivos

cursos. Essas informaes, que tambm sero matria de anlise por parte das comisses de

avaliao nos processos internos e externos de avaliao institucional, formaro a base para a

orientao permanente de pais, alunos e da sociedade em geral sobre o desempenho de cursos

e instituies (BRASIL 2004b).

O Ministrio da Educao tornar pblico e disponvel o resultado da avaliao das

instituies de ensino superior e de seus cursos. A divulgao abrange tanto instrumentos de

informao, dados do censo, do cadastro, Conceito Preliminar de Curso (CPC) e o ndice

Geral de Curso (IGC), quanto os conceitos das avaliaes para os atos de Renovao de

Reconhecimento e de Recredenciamento (ciclo trienal do SINAES com base nos cursos

contemplados no ENADE de cada ano).

A integrao dos instrumentos (autoavaliao, avaliao externa, avaliao das

condies de ensino, ENADE, censo e cadastro) permite a atribuio de conceitos, ordenados

numa escala com cinco nveis, a cada uma das dimenses e ao conjunto das dimenses

avaliadas.

Com relao ao ENADE, existiro padres de qualidade estabelecidos por

especialistas, com o objetivo de expressarem com maior fidedignidade o desempenho dos

alunos.

Os resultados da avaliao realizada pelo SINAES subsidiaro os processos de

regulao, que compreendem: Atos Autorizativos: credenciamento de IES, autorizao e

reconhecimento de cursos e Atos Regulatrios: recredenciamento de IES e renovao de

reconhecimento de cursos (BRASIL 2004b).

Os resultados considerados insatisfatrios ensejaro a celebrao de um protocolo de

compromisso firmado entre a IES e o MEC, no qual se estabelecero encaminhamentos,

procedimentos e aes, com indicao de prazos e mtodos a serem adotados pela IES para a

superao das dificuldades.

Para Verhine et al. (2006), este sistema foi desenvolvido contando com a

participao de todos os membros do ensino superior, para levar ao conhecimento de direito

13

da sociedade civil, os procedimentos, os dados e os resultados, respeitando, ao mesmo

tempo, a autonomia e a identidade das IES e dos cursos.

O SINAES pode ser efetivamente considerado um sistema, medida que: integra os

instrumentos de avaliao; integra os instrumentos de avaliao aos de informao; integra os

espaos de avaliao no MEC; integra a autoavaliao avaliao externa; articula, sem

confundir, avaliao e regulao; propicia coerncia entre avaliao e os objetivos e a poltica

para a educao superior. (RISTOFF; GIOLO, 2006, p. 198).

Neste sentido, o SINAES configura-se como um importante mecanismo no

desenvolvimento dessa articulao entre os processos de avaliao e regulao.

importante enfatizar que sua construo est sustentada na ideia de que todas as

avaliaes da educao superior, realizadas no mbito do Ministrio da Educao, se

organizem e se operacionalizem a partir de uma concepo que integre as metodologias, os

momentos, os espaos e os instrumentos de avaliao e de informao.

2.3.1 Indicadores de qualidade da educao superior

De acordo com a Portaria n 386, de 17 de outubro de 2012 so indicadores de

qualidade da educao superior, nos termos do art. 33-B da Portaria Normativa MEC n 40,

de 12 de dezembro de 2007, republicada em 29 de dezembro de 2010:

I - de cursos superiores: o Conceito Preliminar de Curso (CPC), institudo pela Portaria

Normativa n 4, de 05 de agosto de 2008;

II - de instituies de educao superior: o ndice Geral de Cursos Avaliados da

Instituio (IGC), institudo pela Portaria Normativa n 12, de 05 de setembro de 2008;

III - de desempenho de estudantes: o conceito obtido a partir dos resultados do Enade;

Os indicadores de qualidade so expressos em escala contnua e numa escala de

cinco nveis, em que os nveis iguais ou superiores a 3 (trs) indicam qualidade satisfatria.

Eles servem como orientadores das avaliaes in loco do ciclo avaliativo, sendo importantes

instrumentos de avaliao da educao superior brasileira.

O Conceito Enade um indicador de qualidade que avalia o desempenho dos

estudantes a partir dos resultados obtidos no Enade. Ele divulgado anualmente para os

cursos que tiveram estudantes concluintes participantes do Enade. O seu clculo, no entanto,

no necessariamente realizado por curso, mas por Unidade de Observao. A Unidade de

Observao consiste no conjunto de cursos que compe uma rea de enquadramento

especfica do Enade de uma Instituio de Educao Superior em um determinado municpio.

As Unidades de Observao com apenas um ou sem nenhum concluinte participante no

obtm o Conceito Enade, ficando Sem Conceito (SC). (BRASIL 2004b).

O CPC um indicador de qualidade que avalia os cursos superiores.Ele calculado

no ano seguinte ao da realizao do Enade de cada rea, com base na avaliao de

desempenho de estudantes, corpo docente, infraestrutura, recursos didtico-pedaggicos e

demais insumos, conforme orientao tcnica aprovada pela CONAES.

O CPC, assim como o Conceito Enade, tambm calculado por Unidade de Observao e

divulgado anualmente para os cursos que tiveram pelo menos dois estudantes concluintes

participantes e dois estudantes ingressantes registrados no Sistema Enade. Os cursos que no

atendem a estes critrios no tm seu CPC calculado, ficando Sem Conceito (SC). (BRASIL

2004b).

O CPC dos cursos com oferta nas modalidades presencial e a distncia divulgado

de maneira unificada, considerando a soma dos estudantes das duas modalidades e seus

respectivos resultados.

O IGC um indicador de qualidade que avalia as instituies de educao

superior.Ele calculado anualmente, considerando:

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I - a mdia dos ltimos CPCs disponveis dos cursos avaliados da instituio no ano do

clculo e nos dois anteriores, ponderada pelo nmero de matrculas em cada um dos cursos

computados;

II - a mdia dos conceitos de avaliao dos programas de ps-graduao stricto sensu

atribudos pela CAPES na ltima avaliao trienal disponvel, convertida para escala

compatvel e ponderada pelo nmero de matrculas em cada um dos programas de ps-

graduao correspondentes;

III - a distribuio dos estudantes entre os diferentes nveis de ensino, graduao ou ps-

graduao stricto sensu, excluindo as informaes do item II para as instituies que no

oferecerem ps-graduao stricto sensu.

Como o IGC considera o CPC dos cursos avaliados no ano do clculo e nos dois

anos anteriores, sua divulgao refere-se sempre a um trinio, compreendendo assim todas as

reas avaliadas, ou ainda, todo o ciclo avaliativo. (BRASIL 2004b).

O conceito de ciclo avaliativo foi definido no Art. 33 da Portaria Normativa n 40 de

12 de dezembro de 2007. Ele compreende a realizao peridica de avaliao de instituies e

cursos superiores, com referncia nas avaliaes trienais de desempenho de estudantes, as

quais subsidiam, respectivamente, os atos de recredenciamento e de renovao de

reconhecimento.

3 CONCLUSO

A pesquisa teve por objetivo descrever os antecedentes da avaliao de sistemas na

educao superior brasileira, com nfase no ensino de graduao. Inicialmente o estudo

apontou o Programa de Avaliao e Reforma Universitria (PARU) criado em 1983, seguido

do processo de criao da Comisso Nacional para a Reforma do Ensino Superior (CNRES)

em 1985 e do Grupo Executivo para a Reformulao da Educao Superior (GERES) em

1986.

Foi ressaltado o processo de implantao do Programa de Avaliao Institucional das

Universidades Brasileiras (PAIUB) em 1993. Assim como o ENC (Exame Nacional de

Curso) e a implantao da atual poltica de avaliao (SINAES - Sistema Nacional de

Avaliao da Educao Superior) em 2003. No processo de implementao do SINAES foram

criados o CPC e o IGC, visando observncia da qualidade.

O MEC, por intermdio de sua Secretaria de Educao Superior (SESu), responsvel

por planejar, orientar, coordenar e supervisionar o processo de formulao e implementao

da Poltica Nacional de Educao Superior, buscou melhorar a qualidade das universidades

brasileiras, usando a avaliao do ENADE como estratgia de agente de mudana, a fim de

que as instituies avaliadas procurassem melhorar cada vez mais as suas condies de

ensino.

As informaes obtidas no processo de avaliao so utilizadas para orientao

institucional e para embasar polticas pblicas. Os dados tambm so teis para a sociedade,

especialmente aos estudantes, como referncia quanto s condies de cursos e instituies.

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