aula oab xx estratÉgia direito constitucional 02

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  • Aula 02

    Direito Constitucional p/ XX Exame de Ordem - OAB

    Professores: Diego Cerqueira, Ricardo Vale

  • Direito Constitucional

    XX Exame da OAB (Teoria e Questes) Profs. Diego Cerqueira / Ricardo Vale - Aula 02

    Profs. Diego Cerqueira/ Ricardo Vale www.estrategiaconcursos.com.br Pgina 1 de 56

    AULA 02 DIREITO CONSTITUCIONAL

    Sumrio 1.Direitos Sociais .................................................................................... 2

    1.1. Introduo: ................................................................................... 2 1.2. Os direitos sociais (art. 6): .......................................................... 2 1.2.1. Os direitos sociais e a "reserva do possvel" .............................. 3 1.2.2. Os direitos sociais e o "mnimo existncial" ............................... 3 1.2.3. A vedao ao retrocesso ............................................................ 4

    2. Nacionalidade ..................................................................................... 6 2.1. Introduo .................................................................................... 6 2.2. Atribuio de Nacionalidade pelo direito brasileiro ....................... 7 2.3. Portugueses Residentes no Brasil ............................................... 12 2.4. Condio Jurdica do Nacionalizado ............................................ 12 2.5. Perda da Nacionalidade ............................................................... 14 2.6. Lngua e Smbolos Oficiais .......................................................... 16

    3. Direitos Polticos ............................................................................... 25 3.1. Conceitos Iniciais ........................................................................ 25 3.2. Direitos Polticos Positivos .......................................................... 26 3.3. Direitos Polticos Negativos ........................................................ 33 3.4. Princpio da anterioridade eleitoral ............................................. 46

    4. Partidos Polticos .............................................................................. 46 5. Caderno de prova .............................................................................. 51 6. Gabarito.............................................................................................56

    Ol, meus amigos, tudo bem?

    Hoje vamos dar continuidade ao estudo dos direitos fundamentais. Falaremos sobre os direitos sociais, direitos de nacionalidade, direitos polticos e os direitos relacionados organizao e funcionamento dos partidos polticos.

    Um grande abrao e bons estudos!

    Diego e Ricardo

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    1. Direitos Sociais

    1.1. Introduo:

    Ao estudarmos os direitos de 1 gerao, vimos que estes buscam restringir a ao do Estado sobre os indivduos, limitando o poder estatal. Trata-se de uma obrigao de no-fazer, de no intervir na rbita privada.

    No caso dos direitos sociais, temos uma natureza jurdica diversa. So os chamados direitos de 2 gerao, que impem ao Estado uma obrigao de fazer, de ofertar prestaes positivas visando concretizar a igualdade material e possibilitar melhores condies de vida aos indivduos.

    A constitucionalizao dos direitos sociais foi resultado da mudana do papel do Estado, que, ao final da 1 Guerra Mundial, passou a atuar como agente do bem-estar e da justia social.1 Aparece em um contexto de crise do Estado liberal, marcado por reivindicaes trabalhistas e doutrinas socialistas.

    Constatava-se que a mera consagrao da igualdade formal no era suficiente para realizar a igualdade material. Como grande marco dos direitos sociais, citamos a Constituio de Weimar de 1919. No Brasil, a Constituio de 1934 foi a primeira que previu normas sobre a ordem social.

    Na Constituio Federal de 1988, os direitos sociais esto relacionados nos art. 6 - art. 11. H, tambm, outros dispositivos do texto constitucional que versam sobre os direitos sociais. o caso, por exemplo, do art. 194 (que trata da seguridade social), art. 196 (direito sade) e art. 205 (direito educao)

    1.2. Os direitos sociais (art. 6):

    Art. 6 So direitos sociais a educao, a sade, a alimentao, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurana, a previdncia social, a proteo maternidade e infncia, a assistncia aos desamparados, na forma desta Constituio.

    No texto original da Constituio Federal, no se fazia meno alimentao, moradia e ao transporte, cuja insero na Carta Magna foi obra do Poder Constituinte Derivado. A moradia foi inserida pela EC n 26/2000; a alimentao, pela EC n 64/2010; e o transporte, mais recentemente pela EC n. 90/2015. Tenham uma especial ateno quanto a esses trs direitos sociais, meus amigos! As bancas examinadoras adoram cobr-los, especialmente pelo fato de eles no fazerem parte do texto original da CF/88.

    1 CUNHA JNIOR, Dirley da. Curso de Direito Constitucional, 6 edio. Ed. Juspodium. Salvador: 2012, p. 1301.

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    Em relao ao rol institudo pelo Constituinte no art. 6, o STF entende que se trata de rol exemplificativo2, pois h outros direitos sociais espalhados ao longo da CF/88. Destaque-se que os direitos sociais do art. 6 so, todos eles, normas de eficcia limitada e aplicabilidade mediata, dependendo, para sua concretizao, da atuao estatal, seja atravs da edio de leis regulamentadoras, seja atravs da oferta de prestaes positivas.

    Uma das discusses mais relevantes sobre os direitos sociais diz respeito, justamente, sua concretizao. e efetividade. Para estudarmos essa problemtica necessrio conhecermos trs importantes princpios: i) o princpio da reserva do possvel; ii) o princpio do mnimo existencial e; iii) o princpio da vedao do retrocesso. o que faremos a seguir.

    1.2.1. Os direitos sociais e a reserva do possvel:

    A teoria da reserva do possvel consiste na ideia de que cabe ao Estado efetivar os direitos sociais, mas apenas na medida do financeiramente possvel. A teoria serve, portanto, para determinar os limites em que o Estado deixa de ser obrigado a dar efetividade aos direitos sociais.

    No lcito ao Poder Pblico, todavia, simplesmente alegar que no possui recursos oramentrios; fundamental que o Poder Pblico demonstre objetivamente a inexistncia de recursos pblicos e a falta de previso oramentria da respectiva despesa.

    A formulao e execuo de polticas pblicas so tarefas que competem, primariamente, ao Poder Executivo e ao Legislativo. No entanto, segundo o STF, possvel que o Poder Judicirio determine, em bases excepcionais, a implementao, pelos rgos inadimplentes, de aes destinadas concretizao dos direitos sociais. O Poder Judicirio poder determinar, por exemplo, que o Estado conceda tratamento de cncer a um indivduo3.

    Mas, importante ressaltar que a atuao do Poder Judicirio na concretizao dos direitos sociais no ilimitada; ao contrrio, encontra limites na clusula da reserva do possvel. Assim, a clusula afasta a aptido do Poder Judicirio para intervir na efetivao de direitos sociais. No entanto, para que esse limite ao do Judicirio seja vlido, necessrio que se comprove objetivamente a ausncia de recursos oramentrios suficientes.4

    1.2.2. Os direitos sociais e o mnimo existencial:

    Os direitos sociais, na condio de direitos fundamentais, so indispensveis para a realizao da dignidade da pessoa humana. O Estado, na sua tarefa de concretizao desses direitos, deve garantir o mnimo existencial. Considera-se

    2 STF, ADI n 639, Rel. Min. Joaquim Barbosa, 02.06.2005. 3 STF, RE 436.996 AgR. Rel. Min. Celso de Mello. 22.11.2005. 4 ADPF 45 MC/DF, Rel. Min. Celso de Mello, j. 29.04.2004, DJ 04.05.2004.

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    mnimo existencial o grupo de prestaes essenciais que se deve fornecer ao ser humano para que ele tenha uma existncia digna.

    O princpio do mnimo existencial compatvel e deve conviver com a clusula da reserva do possvel. O Estado, na busca da promoo do bem-estar do homem, deve proteger os direitos individuais e, alm disso, garantir condies materiais mnimas de existncia aos indivduos.

    Segundo o Supremo, o mnimo existencial uma limitao clusula da reserva do possvel.5 A reserva do possvel s poder ser alegada pelo Poder Pblico como argumento para a no concretizao de direitos sociais uma vez que tenha sido assegurado o mnimo existencial pelo Estado. A garantia do mnimo existencial uma obrigao inafastvel do Estado.

    O Poder Judicirio, com vistas concretizao dos di