aula oab xx estrat‰gia direito constitucional 01

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  • Aula 01

    Direito Constitucional p/ XX Exame de Ordem - OAB

    Professores: Diego Cerqueira, Ricardo Vale

  • Direito Constitucional

    XX Exame da OAB (Teoria e Questes) Profs. Diego Cerqueira / Ricardo Vale - Aula 01

    Profs. Diego Cerqueira/ Ricardo Vale www.estrategiaconcursos.com.br Pgina 1 de 100

    AULA 01 DIREITO CONSTITUCIONAL

    Sumrio:

    1. Teoria Geral dos Direitos Fundamentais ..................................................... 2 1.1 Direitos do Homem x Direitos Fundamentais x Direitos Humanos ......... 2 1.2. As geraes de direitos ..................................................................... 2 1.3. Caractersticas dos Direitos Fundamentais ........................................... 3 1.4. Os Direitos Fundamentais na Constituio Federal de 1988 ................. 5

    2. Direitos e Deveres Individuais e Coletivos: Parte I .................................... 5

    3. Direitos e Deveres Individuais e Coletivos: Parte II ................................. 29

    4. Caderno de Questes - OAB ..................................................................... 69

    5. Caderno de Questes diversas FGV .......................................................... 76

    6. Gabarito ................................................................................................. 100

    Ol, pessoal! Tudo bem?

    Hoje, daremos continuidade preparao em Direito Constitucional para o XX Exame de Ordem. E estudaremos um dos grandes temas cobrados em prova. Os Direitos e Garantias Fundamentais.

    Isto porque, como vimos na aula 00, historicamente, s este tema corresponde a +- 20% de tudo que j foi cobrado. Ento, o momento agora de redobrarmos a ateno! Vamos l. Fora total e muita dedicao.

    Um grande abrao,

    Diego e Ricardo

    *Para tirar dvidas e ter acesso a dicas e contedos gratuitos, acesse nossas redes sociais:

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    1. Teoria Geral dos Direitos Fundamentais

    1.1 Direitos do Homem x Direitos Fundamentais x Direitos Humanos:

    Para darmos incio ao nosso estudo, importante sabermos a diferena entre as expresses direitos do homem, direitos fundamentais e direitos humanos.

    Segundo Valrio Mazzuoli, direitos do homem diz respeito a direitos naturais aptos proteo global do homem e vlido em todos os tempos. No esto previstos em textos constitucionais ou em tratados de proteo aos direitos humanos. A expresso reservada aos direitos cuja existncia se justifica apenas no plano jusnaturalista.1

    Os Direitos fundamentais se referem aos direitos da pessoa humana consagrados em um dado momento histrico. So direitos constitucionalmente protegidos e positivados em uma determinada ordem jurdica.

    Por fim, direitos humanos est ligado aos direitos positivados em tratados internacionais, protegidos no mbito do direito internacional pblico mediante convenes globais. (Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Polticos) ou regionais (Conveno Americana de Direitos Humanos).

    importante no confundir direitos fundamentais e garantias fundamentais. Os direitos fundamentais so os bens protegidos pela Constituio. o caso da vida, da liberdade, da propriedade... j as garantias so formas de se protegerem esses bens, ou seja, instrumentos Constitucionais. Ex: habeas corpus, que protege o direito liberdade de locomoo. Ressalte-se que, para Canotilho, as garantias so tambm direitos.2

    1.2 As geraes de direitos:

    Os direitos fundamentais so tradicionalmente classificados em geraes, o que busca transmitir uma ideia de que eles no surgiram todos em um mesmo momento histrico. Eles foram fruto de uma evoluo histrico-social, de conquistas progressivas da humanidade.

    A doutrina majoritria reconhece a existncia de trs geraes de direitos:

    a) Primeira Gerao: buscam restringir a ao do Estado sobre o indivduo, impedindo que este se intrometa de forma abusiva na vida privada das pessoas. So as liberdades negativas. Cumprem a funo de direito de

    1 MAZZUOLI, Valrio de Oliveira. Curso de Direito Internacional Pblico, 4 ed. So Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2010, pp. 750-751. 2 CANOTILHO, Jos Joaquim Gomes. Direito Constitucional e Teoria da Constituio, 7 edio. Coimbra: Almedina, 2003.

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    defesa dos cidados, bem como conferem ao indivduo poder para exerc-los e exigir do Estado a correo das omisses a eles relativas.

    Possuem como valor-fonte a liberdade. So os direitos civis e polticos, reconhecidos no final do sculo XVIII, com as Revolues Francesa e Americana. Ex: Direito de propriedade, locomoo, associao e o de reunio.

    b) Segunda gerao: so os direitos que envolvem prestaes positivas do Estado aos indivduos (polticas e servios pblicos) e, em sua maioria, caracterizam-se por ser normas programticas. So as chamadas de liberdades positivas. Para o Estado, constituem obrigaes de fazer algo em prol dos indivduos; tambm so chamados de direitos do bem-estar.

    Possuem como valor fonte a igualdade. So os direitos econmicos, sociais e culturais. Ex: direito educao, sade, trabalho.

    c) Terceira gerao: no protegem interesses individuais, mas que transcendem a rbita dos indivduos para alcanar a coletividade. Tambm chamados de direitos transindividuais ou supraindividuais.

    Aqui, o valor-fonte a solidariedade, a fraternidade. So os direitos difusos e os coletivos. Ex: direito do consumidor, ao meio-ambiente ecologicamente equilibrado e o direito ao desenvolvimento.

    Percebeu como as trs primeiras geraes seguem a sequncia do lema da Revoluo Francesa: Liberdade, Igualdade e Fraternidade? Guarde isso com muito carinho!

    Parte da doutrina considera a existncia de direitos de quarta gerao. Paulo Bonavides inclui aqui os direitos relacionados globalizao, direito democracia, informao e ao pluralismo. Por outro lado, Norberto Bobbio considera como de quarta gerao os direitos relacionados engenharia gentica. H quem entenda em direitos de quinta gerao, representados pelo direito paz, por exemplo. 3

    Importante frisar que a expresso gerao de direitos no quer dizer que h excluso de uma sobre a outra. O que ocorre que os direitos de uma gerao seguinte se acumulam aos das geraes anteriores. Em virtude disso, a doutrina tem preferido usar a expresso dimenses de direitos.

    1.3. Caractersticas dos Direitos Fundamentais:

    A doutrina aponta as seguintes caractersticas para os direitos fundamentais e que devemos levar para fins de prova:

    3 BONAVIDES, Paulo. Curso de Direito Constitucional. So Paulo: Malheiros, 2008.

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    a) Universalidade: so comuns a todos, respeitadas suas particularidades. H um ncleo mnimo de direitos que deve ser outorgado a todas as pessoas (Ex: direito vida). Mas h, todavia, alguns direitos que no podem ser titularizados por todos, pois so outorgados a grupos especficos (Ex: os direitos dos trabalhadores).

    b) Historicidade: os direitos fundamentais no resultam de um acontecimento histrico determinado, mas de todo um processo de afirmao. Surgem a partir das lutas do homem, em que h conquistas progressivas. So mutveis e sujeitos a ampliaes.

    c) Indivisibilidade: os direitos fundamentais so indivisveis, isto , formam parte de um sistema harmnico e coerente de proteo dignidade da pessoa humana. Os direitos fundamentais no podem ser considerados isoladamente, mas sim integrando um conjunto nico.

    d) Inalienabilidade: so intransferveis e inegociveis, no podem ser abolidos pelo titular; no possuem contedo econmico-patrimonial.

    e) Imprescritibilidade: no se perdem com o tempo, sendo sempre exigveis; so personalssimos e no cabe a prescrio.

    f) Irrenunciabilidade: no pode haver disposio, embora possa deixar de exerc-lo. Admite-se, entretanto, situaes de autolimitao voluntria de seu exerccio. Ex: reality shows e o direito privacidade.

    g) Relatividade ou Limitabilidade: no h direitos fundamentais absolutos. Eles so relativos, limitveis no caso concreto por outros direitos fundamentais. No caso de conflito, h uma concordncia prtica ou harmonizao: nenhum deles sacrificado definitivamente. Busca-se uma reduo proporcional de ambos, visando alcanar a finalidade da norma. (*Ateno nela. a mais cobrada em prova! )

    h) Complementaridade: a plena efetivao dos direitos fundamentais deve considerar que eles compem um sistema nico. Nessa tica, os diferentes direitos (das diferentes dimenses) se complementam e, portanto, devem ser interpretados conjuntamente.

    i) Concorrncia: podem ser exercidos cumulativamente, podendo um mesmo titular exercitar vrios direitos ao