aula oab xx estrat‰gia direito civil 02

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  • Aula 02

    Direito Civil p/ XX Exame de Ordem - OAB

    Professor: Paulo H M Sousa

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    DIREITO CIVIL OAB XX Teoria e Questes

    Aula 02 Prof. Paulo H M Sousa

    AULA 02 DIREITO DAS OBRIGAES I

    Sumrio Sumrio .................................................................................................. 1

    Consideraes Iniciais ............................................................................... 2

    6. MODALIDADES DAS OBRIGAES .......................................................... 2

    6.1. Teoria Geral das Obrigaes ............................................................. 2

    6.2. Estrutura das obrigaes .................................................................. 8

    6.2.1 Quanto ao vnculo ....................................................................... 9

    6.2.2 Quanto ao objeto ...................................................................... 10

    6.2.3 Quanto ao sujeito ..................................................................... 17

    6.3. Classificao das obrigaes ........................................................... 18

    6.3.1 Obrigaes de dar ..................................................................... 18

    6.3.2 Obrigaes de fazer .................................................................. 26

    6.3.3 Obrigaes de no fazer ............................................................ 27

    6.4.1 Solidariedade Passiva ................................................................ 29

    6.4.2 Solidariedade Ativa ................................................................... 34

    Lista de Questes da Aula ........................................................................ 36

    Consideraes Finais ............................................................................... 40

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    AULA 02 DIREITO DAS OBRIGAES I

    Consideraes Iniciais Na aula passada, finalizamos a Parte Geral do Direito Civil, que compreendeu as noes gerais sobre pessoas, bens e a teoria do fato jurdico. Essa uma parte mais introdutria, mas que compreende uma quantidade considervel de questes na 1 Fase da OAB.

    Agora, nesta aula, veremos a primeira parte da Teoria Geral das Obrigaes, englobando a parte das modalidades das obrigaes e sua classificao tradicional. Nos encaminhando para o final da aula veremos um tema cheio de detalhes importantes: a solidariedade.

    Nas Aulas 0 e 1 vimos todas as peas necessrias para montar nosso quebra-cabeas. Agora hora de juntar cada uma delas e comear a mont-lo. As obrigaes sero as primeiras peas que vamos montar, e so de extrema relevncia justamente porque sero vistas no restante do Curso. Elas esto presentes nos contratos o local mais visvel das obrigaes , nas coisas, na empresa, no consumidor, na famlia e nas sucesses.

    Na totalidade dos Exames, tivemos 22 questes que envolviam diretamente o tema das Orbigaes. Curiosamente, no XIX Exame, realizado agora, em 03.04.2016, tivemos nada menos que 3 questes inteiras apenas sobre o Direito das Obrigaes, o que muita coisa! O Direito das Obrigaes, como se v, bastante relevante para a sua prova.

    Vale lembrar, ainda, que muita coisa do Direito das Obrigaes visto indiretamente, na parte de Contratos, Responsabilidade Civil e Consumidor. Ou seja, as Obrigaes so tema basal do restante do primeiro grande pilar fundamental do Direito Civil: os Contratos. Assim, se voc quer ter certeza de que as questes de Direto Civil no sero um problema para a sua prova, vale a pena estudar com mais afinco essa parte.

    6. MODALIDADES DAS OBRIGAES

    6.1. Teoria Geral das Obrigaes Os direitos obrigacionais tambm so chamados de Direitos Pessoais. Por qu?

    Para responder a essa pergunta, necessrio compreender o sentido jurdico do termo obrigao, que se diferencia do sentido comum do termo. Em geral, na linguagem comum/leiga, obrigao significa dever, num sentido genrico, que se aproxima da moral. Por exemplo, num nibus, caso eu esteja sentado num banco preferencial, tenho o dever de ceder meu lugar a uma mulher grvida. Mas essa uma verdadeira obrigao?

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    No, porque no h uma consequncia jurdica para o descumprimento desse dever. A noo de obrigao, portanto, tem um algo mais em relao ao termo utilizado ordinariamente. Podemos conceituar, genericamente, utilizando as lies de Clovis do Couto e Silva, a obrigao como um vnculo que liga as partes a uma prestao de contedo patrimonial para a satisfao do interesse do credor.

    Segundo a Teoria Dualista o Direito Privado, em geral, pode ser classificado em Direitos Pessoais e Direitos Reais, apesar de ambos poderem se inserir no chamado

    direito patrimonial. H autores que diferencial o Direito Patrimonial do Direito Pessoal, mas essa uma distino outra, que no nos serve nesse momento.

    A distino entre Direito Pessoal e Direito Real de sua importncia no campo dos efeitos jurdicos. Em linhas gerais, apesar das inmeras crticas a serem feitas a essa distino, ela importante para compreendermos o funcionamento, aplicao e efeitos de diferentes institutos.

    Pode-se dizer, ento, que o Direito das Obrigaes compreende uma satisfao originada por uma pessoa, ao passo que o Direito das Coisas compreende uma satisfao originada por uma coisa. Por exemplo, numa relao creditcia, a satisfao do credor diversa, a depender da forma de assecuramento da dvida; numa fiana a satisfao do credor se d por uma pessoa, o fiador, ao passo que numa hipoteca a satisfao do credor se d por uma coisa, o imvel hipotecado.

    Podemos, a partir dessa distino, traar algumas diferenas entre o Direito das Obrigaes e o Direito das Coisas:

    Ao passo que no Direito das Obrigaes o objeto da relaojurdica uma prestao, no direito das coisas o objeto da relao, em ltima anlise, uma coisa;

    1. Objeto

    Como regra, um direito obrigacional tende a ser temporal, ou seja, criado j se visando sua extino, enquanto um direito real tem carter duradouro, ou seja, no pensado para se esgotar;

    2. Durao

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    Como as obrigaes tendem ao infinito, dada a liberdade de sercriar diferentes obrigaes no tempo, categorizam-se asobrigaes por serem numerus apertus, como se pode ver no art.425 do CC/2002 ( lcito s partes estipular contratos atpicos,observadas as normas gerais fixadas neste Cdigo). J o Direitodas Coisas se caracteriza por ser numerus clausus, ou, em outraspalavras, os direitos reais so taxativos; veja-se, por isso, o art.1.225 do CC/2002 (So direitos reais), que estabelece um roltaxativo de direitos nos incisos;

    3. Quantidade

    Os direitos pessoais formam-se a partir da vontade e, por isso,eles so chamados de direitos em numerus apertus. J osdireitos reais no podem ser criados meramente pela vontadedas pessoas, dependem de Lei permitindo sua instituio, comovimos mais acima, da serem chamados de numerus clausus;

    4. Formao

    Como o direito das obrigaes trata de direitos pessoais, cujoobjeto uma prestao de outrem, sua eficcia relativa, ouseja, o direito obrigacional s produz efeitos entre as partes quese obrigam, da ser chamado de direito interpartes. Por isso, umcontrato no pode ser arguido contra terceiros para que uma daspartes no cumpra com um dever assumido perante esseterceiro. J um direito real, ao contrrio, por tratar no de umaprestao, mas de uma coisa, tem eficcia absoluta, ou seja,erga omnes, no podendo qualquer pessoa alegar que noparticipou da relao jurdica que o criou. Assim, o direito depropriedade deve ser respeitado por todos, por sua eficcia geral,mas eu no posso sofrer qualquer interferncia em minha esferade direitos pelo contrato assinado por meu descendente ou pelomeu cnjuge, por exemplo;

    5. Eficcia

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    Em resumo, podemos estabelecer, de maneira sistemtica e sinttica, um quadro dessas distines:

    Direitos Obrigacionais Direito das Coisas

    Objeto Prestao Coisa

    Durao Temporal (extino) Carter duradouro

    Quantidade Numerus apertus Numerus clausus

    (taxativos)

    Formao Vontade Lei

    Eficcia Relativa (interpartes) Absoluta (erga omnes)

    Novamente, como o direito obrigacional depende de umaprestao da contraparte, seu exerccio indireto, ou seja, se ooutro no executar sua obrigao, o credor no pode sersatisfeito. J um direito real, ao contrrio, por independer doexerccio da contraparte, exercido diretamente. Apenas pelofato de algum ostentar um direito real ele j o consegue oexercer, sem que seja necessria a interferncia de outrem.Nesse sentido, simplesmente por ser proprietrio de meu carroeu posso exercer meu direito de propriedade,independentemente de qualquer pessoa; mas eu dependo dodentista para exercer meu direito prestao de serviosdentrios, sem o qual eu no consigo obter satisfatoriamentemeu direito;

    6. Exerccio

    Um direito pessoal sempre ter um sujeito passivo determinado,ou, ao menos, determinvel. Se ele no estiver determinado,como vimos na aula anterior, descumpre-se um dos r