Aula 10 - Processo Civil

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2013 - Maurcio Cunha

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<ul><li><p>www.cers.com.br </p><p>CARREIRAS JURDICAS Processo Civil </p><p>Gustavo Nogueira </p><p>1 </p><p>PETIO INICIAL: REQUISITOS </p><p>Trata-se do instrumento da demanda. </p><p>Art. 282. A petio inicial indicar: </p><p>I - o juiz ou tribunal, a que dirigida; Competncia. O autor tem o verdadeiro poder de escolher a competncia. Eduardo Arruda Alvim. II - os nomes, prenomes, estado civil, profisso, domiclio e residncia do autor e do ru; Elemento subjetivo da demanda. III - o fato e os fundamentos jurdicos do pedido; IV - o pedido, com as suas especificaes; Elementos objetivos da demanda. </p><p>PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. OFENSA AO ART. 535 DO CPC NO CONFIGURADA. VINCULAO DO JUIZ AO FUNDAMENTO LEGAL DA PETIO INICIAL. INEXISTNCIA. PRINCPIO IURA NOVIT CURIA. </p><p>3. luz do princpio iura novit curia, a qualificao legal que a parte estipula fundamentao jurdica da inicial no vincula o juiz, ao qual cabe enquadrar a descrio dos fatos nas disposies normativas que entender condizentes com a resoluo da controvrsia. Nesse sentido: REsp 1.140.420/SC, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 5.5.2011; e REsp 711.644/SP, Rel. Ministro Luis Felipe Salomo, Quarta Turma, DJe 3.8.2010. (STJ, AgRg no AREsp 186.614/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/09/2012, DJe 11/09/2012). </p><p>"Com base nos fatos narrados pela parte na pea preambular, cabe o magistrado atribuir a qualificao jurdica que tenha correspondncia soluo do litgio diante do princpio jura novit curia, pelo qual se pressupe o seu conhecimento do direito, cuja relevncia reflete postulado de igual matiz: da mihi factum dato tibi jus (exponha o fato e direi o direito)." (4 Turma, REsp 972.849/RN, Rel. Min. Joo Otvio de Noronha, unnime, DJe de 10.11.2008). </p><p>CAUSA DE PEDIR </p><p>1. O art. 282 do Cdigo de Processo Civil prev como requisitos essenciais da petio inicial a qualificao jurdica das partes (inciso II) - que se traduz na identificao daquele que pede e em face de quem se pede a tutela jurisdicional -, e a causa de pedir (inciso III) - que a descrio detalhada dos fatos e da fundamentao jurdica que respaldam o pedido inicial. </p><p>2. O vnculo existente entre esses dois elementos essenciais da exordial permitir ao Juiz avaliar as condies para o exerccio da ao, sendo certa a inexistncia de continncia do primeiro na causa petendi, a qual circunscreve-se to somente narrao dos fatos constitutivos do direito e aos efeitos jurdicos afirmados pelo autor. (STJ, REsp 1003324/SP, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMO, QUARTA TURMA, julgado em 02/08/2012, DJe 20/08/2012). </p><p>A CAUSA DE PEDIR VINCULA O JUZO </p><p>Configura-se o julgamento extra petita quando o juiz concede prestao jurisdicional diferente da que lhe foi postulada ou quando defere a prestao requerida, porm com base em fundamento no invocado como causa do pedido. (STJ, REsp 795.348/RS, Rel. Ministro JOO OTVIO DE NORONHA, QUARTA TURMA, julgado em 18/05/2010, DJe 26/08/2010). </p><p>TEORIA DA SUBSTANCIAO </p><p>O provimento judicial est adstrito no s ao pedido formulado pela parte na inicial, mas tambm causa de pedir, que, de acordo com a Teoria da Substanciao, delimitada pelos fatos narrados na petio inicial. (STJ, AgRg no Ag 1351484/RJ, Rel. Ministro GILSON DIPP, QUINTA TURMA, julgado em 20/03/2012, DJe 26/03/2012). </p><p>3. A nossa legislao processual adotou a teoria da substanciao, segundo a qual so os fatos narrados na petio inicial que delimitam a causa de pedir. 4. Concretamente, da leitura dos autos, extrai-se que, em ambas as aes, foi relatado o </p></li><li><p>www.cers.com.br </p><p>CARREIRAS JURDICAS Processo Civil </p><p>Gustavo Nogueira </p><p>2 </p><p>mesmo fato, qual seja a celebrao de negcio jurdico entre o ex-scio gerente da massa falida e a primeira r, durante o perodo suspeito da falncia, em prejuzo ao patrimnio da massa falida. Tambm constata-se que, em ambos os casos, buscou-se a mesma consequncia jurdica: o reconhecimento da nulidade/ineficcia do referido negcio. </p><p>Nesse contexto, era defeso parte, que no obteve xito na primeira demanda, renovar a pretenso, narrando os mesmos fatos e visando s mesmas consequncias, apenas sob diferente qualificao jurdica (dao em pagamento) e indicao mais precisa dos dispositivos legais (art. 52, inciso II e 53 do Decreto-lei 7.666/45). (STJ, REsp 1009057/SP, Rel. Ministro VASCO DELLA GIUSTINA (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/RS), TERCEIRA TURMA, julgado em 27/04/2010, DJe 17/05/2010). </p><p>V - o valor da causa; CPC, 258. A toda causa ser atribudo um valor. </p><p>O acrdo recorrido est em consonncia com o perfilhado por esta Corte no sentido de que o valor da causa deve expressar o proveito econmico pretendido, inclusive nas causas em que tambm se pleiteia indenizao por danos morais, quando esta mensurada pelo autor, na medida em que o valor da causa deve corresponder soma de todos os valores pretendidos, nos termos do art. 259, II, do Cdigo de Processo Civil. (STJ, AgRg no AREsp 252.868/CE, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMO, QUARTA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 11/12/2012). </p><p>VI - as provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos alegados; VII - o requerimento para a citao do ru. </p><p>Art. 283. A petio inicial ser instruda com os documentos indispensveis propositura da ao. Nos termos do disposto no art. 283 do Cdigo de Processo Civil, o autor dever apresentar com a inicial os documentos indispensveis propositura da ao. Entretanto, se a parte no detiver a posse da referida documentao, </p><p>poder o juiz requisit-la, de ofcio ou a pedido da parte, nos moldes do art. 130 do CPC. (STJ, AgRg no REsp 492.868/SP, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEXTA TURMA, julgado em 11/12/2012, DJe 07/02/2013). </p><p>1. Os documentos indispensveis propositura de qualquer ao - acarretando, a sua falta, o indeferimento da petio inicial - dizem respeito demonstrao das condies para o livre exerccio da ao e dos pressupostos processuais, aos requisitos especficos de admissibilidade inerentes a algumas aes, bem assim queles diretamente vinculados ao objeto da demanda, como si ser o contrato formal para o ajuizamento de ao que visa discutir relao jurdica contratual. H tambm os documentos que visam comprovar as alegaes da parte e, portanto, no so imprescindveis no momento do ajuizamento da demanda ou do julgamento do mrito, mas a sua ausncia pode motivar a improcedncia do pedido. </p><p>2. No obstante os arts. 283 e 396 do CPC sejam incisivos quanto ao momento da juntada da documentao aos autos - conjuntamente com a pea preambular -, fato que tanto a jurisprudncia, excepcionalmente, quanto a prpria lei (art. 284 do CPC, por exemplo, cujo prazo dilatrio) mitigam essa regra quanto aos documentos comprobatrios da tese defendida, mxime tendo em vista os princpios da economia e da instrumentalidade do processo. Precedentes. </p><p>3. As instncias ordinrias assentaram a tempestividade na juntada dos referidos documentos aos autos, em virtude basicamente de caracteriz-los como comprobatrios das alegaes autorais, aos quais a jurisprudncia tem, excepcionalmente, em consonncia com a moldura ftica do caso concreto, atribudo maior flexibilidade quanto a sua admisso superveniente. Infirmar essa concluso demanda o revolvimento de matria ftico-probatria, invivel na estreita via do recurso especial ante o bice erigido pela Smula 7 do STJ. (STJ, REsp 826.660/RS, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMO, QUARTA TURMA, julgado em 19/05/2011, DJe 26/05/2011). ------------- </p></li><li><p>www.cers.com.br </p><p>CARREIRAS JURDICAS Processo Civil </p><p>Gustavo Nogueira </p><p>3 </p><p>Art. 285-B. Nos litgios que tenham por objeto obrigaes decorrentes de emprstimo, financiamento ou arrendamento mercantil, o autor dever discriminar na petio inicial, dentre as obrigaes contratuais, aquelas que pretende controverter, quantificando o valor incontroverso. (Includo pela Lei n 12.810, de 2013) Pargrafo nico. O valor incontroverso dever continuar sendo pago no tempo e modo contratados. </p><p> invivel rediscutir, na via estreita do recurso especial, o preenchimento dos requisitos que levaram a Corte Estadual a negar a tutela de urgncia, porquanto o simples ajuizamento de ao revisional para discutir a legalidade de clusulas contratuais no constitui, por si s, fundamento suficiente para descaracterizar a mora (REsp n. 1.042.845/RS, rel. Min. Nancy Andrighi, DJ de 28/05/2008), mormente quando o valor ofertado mostrar-se inverossmil frente ao valor devido objeto do contrato. (STJ, AgRg no REsp 1336896/MS, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 21/03/2013, DJe 05/04/2013). </p><p>A simples discusso judicial da dvida no suficiente para obstaculizar ou remover a negativao do devedor nos bancos de dados, a qual depende da presena concomitante dos seguintes requisitos: a) ao proposta pelo devedor contestando a existncia integral ou parcial do dbito; b) efetiva demonstrao de que a pretenso se funda na aparncia do bom direito; e c) depsito ou prestao de cauo idnea do valor referente parcela incontroversa, para o caso de a contestao ser apenas de parte do dbito. (Resp n. 1.061.530, Segunda Seo, Rel. Min. Nancy Andrighi, DJe de 10/30/2009). (STJ, AgRg no AREsp 177.839/PR, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMO, QUARTA TURMA, julgado em 19/06/2012, DJe 29/06/2012). </p><p>PEDIDO (CUMULAO) </p><p>"O pedido aquilo que se pretende obter com o manejo da demanda, exsurgindo da interpretao lgico-sistemtica de todo o contedo da inicial e no somente do captulo reservado para esse fim." (4 Turma, REsp </p><p>671.964/BA, Rel. Min. Fernando Gonalves, unnime, DJe de 29.06.2009). </p><p>O PEDIDO DEVE SER CERTO E DETERMINADO </p><p>Art. 286. O pedido deve ser certo ou determinado. lcito, porm, formular pedido genrico: Pedido certo: pedido expresso. Exceo: pedido implcito. Pedido determinado: pedido delimitado. Exceo: pedido genrico. </p><p>PEDIDO IMPLCITO - Na espcie, a partir de um exame atento da petio inicial, depreende-se que em nenhuma passagem se constata a existncia de pedido de pagamento de compensao por danos morais. Ressalte-se que no se est diante de hiptese de pedido implcito - aquele que "embora no explicitado na demanda, compe o objeto do processo (mrito) por fora de lei". (STJ, AgRg no REsp 1313696/MS, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 28/05/2013, DJe 04/06/2013). </p><p>Art. 290. Quando a obrigao consistir em prestaes peridicas, considerar-se-o elas includas no pedido, independentemente de declarao expressa do autor; se o devedor, no curso do processo, deixar de pag-las ou de consign-las, a sentena as incluir na condenao, enquanto durar a obrigao. Art. 293. Os pedidos so interpretados restritivamente, compreendendo-se, entretanto, no principal os juros legais. </p><p>PEDIDO GENRICO </p><p>I - nas aes universais, se no puder o autor individuar na petio os bens demandados; II - quando no for possvel determinar, de modo definitivo, as conseqncias do ato ou do fato ilcito; III - quando a determinao do valor da condenao depender de ato que deva ser praticado pelo ru. </p><p>A jurisprudncia desta Corte firme no sentido de que "muito embora a lei processual imponha que o pedido seja certo e determinado no </p></li><li><p>www.cers.com.br </p><p>CARREIRAS JURDICAS Processo Civil </p><p>Gustavo Nogueira </p><p>4 </p><p>obsta que o mesmo seja genrico, como, in casu, em que foi requerida a indenizao pelos danos materiais e morais sem definio, initio litis, do quantum debeatur" (STJ, REsp 693.172/MG, PRIMEIRA TURMA Rel. Min. LUIZ FUX, DJ de 12.9.2005). </p><p>CUMULAO DE PEDIDOS </p><p>Art. 292. permitida a cumulao, num nico processo, contra o mesmo ru, de vrios pedidos, ainda que entre eles no haja conexo. 1o Requisitos: (I) pedidos compatveis entre si; (II) competncia do juzo; (III) procedimento adequado para os pedidos, porm quando, para cada pedido, corresponder tipo diverso de procedimento, admitir-se- a cumulao, se o autor empregar o procedimento ordinrio ( 2o). </p><p> juridicamente vivel, de acordo com os requisitos do art. 292, 1, do CPC, a cumulao em um nico processo sob o rito do procedimento comum ordinrio de pedidos indenizatrio (natureza condenatria) e anulatrio (natureza constitutiva negativa), mormente quando facultado parte pleitear a reparao pela frustrao do negcio por ao prpria e autnoma. (STJ, REsp 647.456/SP, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 16/04/2013, DJe 25/04/2013). </p><p>NO CUMULAO </p><p>Art. 288. O pedido ser alternativo, quando, pela natureza da obrigao, o devedor puder cumprir a prestao de mais de um modo. Pargrafo nico. Quando, pela lei ou pelo contrato, a escolha couber ao devedor, o juiz Ihe assegurar o direito de cumprir a prestao de um ou de outro modo, ainda que o autor no tenha formulado pedido alternativo. O art. 288 do CPC no traz um caso de cumulao, e sim pedido de cumprimento de obrigao alternativa, prevista no CC, arts. 252 a 256. O devedor tem duas formas de se ver livre do cumprimento de uma obrigao. Ex: a seguradora pode reparar o dano do veculo acidentado ou fornecer novo veculo. </p><p>CUMULAO </p><p>PRPRIA: o autor formula mais de um pedido e espera que todos sejam acolhidos; Simples e sucessiva. IMPRPRIA: o autor formula mais de um pedido, mas no espera que todos sejam acolhidos; Alternativa e subsidiria. </p><p>CUMULAO SIMPLES: os pedidos so independentes. Ex: obrigao de fazer decorrente de um contrato X e obrigao de pagar decorrente de um contrato Y. </p><p>CUMULAO SUCESSIVA: o segundo pedido somente ser apreciado em caso de procedncia do primeiro. Ex: investigao de paternidade c/c alimentos. </p><p>CUMULAO ALTERNATIVA: o autor formula dois pedidos, mas para que apenas um deles seja acolhido, no estabelecendo entre eles ordem de preferncia. Ex: anulao do contrato ou indenizao pelo descumprimento da obrigao da outra parte. </p><p>CUMULAO EVENTUAL (SUBSIDIRIA) </p><p>Art. 289. lcito formular mais de um pedido em ordem sucessiva, a fim de que o juiz conhea do posterior, em no podendo acolher o anterior. </p><p>DESPACHO LIMINAR </p><p>Positivo: cite-se Negativo: indeferimento da inicial Neutro: emenda da inicial </p><p>Art. 284. Verificando o juiz que a petio inicial no preenche os requisitos exigidos nos arts. 282 e 283, ou que apresenta defeitos e irregularidades capazes de dificultar o julgamento de mrito, determinar que o autor a emende, ou a complete, no prazo de 10 (dez) dias. Pargrafo nico. Se o autor no cumprir a diligncia, o juiz indeferir a petio inicial. </p></li><li><p>www.cers.com.br </p><p>CARREIRAS JURDICAS Processo Civil </p><p>Gustavo Nogueira </p><p>5 </p><p>PRAZO PARA EMENDAR </p><p>PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. VIOLAO DO ART. 284 DO CPC. INOCORRNCIA. INTIMAO DA CEF PARA EMENDAR A INICIAL. AUSNCIA DE MANIFESTAO NO PRAZO ESTIPULADO PELO JUZO. INPCIA DA PETIO INICIAL. CONSEQNCIA. 1. O art. 284 do CPC, prev que, "verificando o juiz que a petio inicial no preenche os requisitos exigidos nos arts. 282 e 283, ou que apresenta defeitos e irregularidades capazes de dificultar o julgamento de mrito, determinar que o autor a emende, ou a complete, no prazo de 10 (dez) dias". Mas, segundo o p. nico do mesmo dispositivo, se o autor no sanar a irregularidade, o processo ser extinto. </p><p>2. O indeferimento da petio inicial, quer por fora do no-preenchimento dos requisitos exigidos nos artigos 282 e 283 do CPC, quer pela verificao de defeitos e irre...</p></li></ul>