aula 06 (lançamento e suspensão do crédito tributário)

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  • Noes de Direito Tributrio Pacote Teoria e Exerccios Auditor de Controle Interno da SEAP/DF 2014 - Especialidade: Finanas e Controle

    Professor: MURILLO LO VISCO

    Prof. Murillo Lo Visco www.pontodosconcursos.com.br 1

    AULA 06 CRDITO TRIBUTRIO (Parte 1)

    Ol, concursando!

    Nas ltimas aulas, estudamos as normas gerais relativas Legislao Tributria e Obrigao Tributria, matrias abrangidas pelos arts. 96 a 138 do CTN.

    Com esta Aula vamos iniciar o estudo do Crdito Tributrio. Trata-se do tema do item 16 da disciplina Noes de Direito Tributrio no edital do concurso para Auditor de Controle Interno da SEAP/DF:

    16. O crdito tributrio: conceito; constituio do crdito tributrio; suspenso da exigibilidade do crdito tributrio; extino do crdito tributrio; excluso do crdito tributrio; garantias e privilgios do crdito tributrio.

    Esse item do edital ser dividido em duas aulas. O Ttulo do CTN dedicado ao crdito tributrio comea no art. 139 e se estende at o art. 193, dividindo-se em seis captulos. Alm das disposies gerais (Captulo I), o Cdigo dispe sobre a constituio do crdito tributrio (Captulo II); a suspenso de sua exigibilidade (Captulo III); sua extino (Captulo IV); sua excluso (Captulo V) e suas garantias e privilgios (Captulo VI).

    Nesta Aula, iremos percorrer o caminho at o captulo da suspenso do crdito, com base na seguinte estrutura:

    1. CRDITO TRIBUTRIO ......................................................................... 3

    2. LANAMENTO ..................................................................................... 6

    2.1. Legislao material que rege o lanamento ................................. 8

    2.2. Legislao formal que rege o lanamento .................................. 10

    2.3. Alterao do lanamento .......................................................... 12

    2.3.1. Impugnao do sujeito passivo .....................................................12

    2.3.2. Recurso de ofcio ...........................................................................13

    2.3.3. Reviso de ofcio ............................................................................14

    2.4. Mudana no critrio jurdico ..................................................... 14

    3. MODALIDADES DE LANAMENTO ..................................................... 16

    3.1. Lanamento de ofcio ................................................................ 16

    3.2. Lanamento por declarao ...................................................... 17

    3.3. Lanamento por homologao .................................................. 19

    3.4. Arbitramento do valor tributvel .............................................. 21

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    4. SUSPENSO DA EXIGIBILIDADE DO CRDITO TRIBUTRIO ................. 23

    4.1. Hipteses de suspenso da exigibilidade do crdito tributrio .. 23

    4.2. Efeitos da suspenso da exigibilidade do crdito tributrio ....... 24

    4.3. Moratria .................................................................................. 25

    4.3.1. Crditos abrangidos pela moratria ..............................................26

    4.3.2. Moratria concedida em carter individual ..................................27

    4.4. Parcelamento ............................................................................ 29

    4.5. Demais hipteses de suspenso da exigibilidade do crdito tributrio .......................................................................................... 30

    5. PRINCIPAIS PONTOS DA AULA ........................................................... 32

    6. QUESTES DE CONCURSOS ANTERIORES .......................................... 37

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    AULA 06 CRDITO TRIBUTRIO (Parte 1)

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    Note que o crdito tributrio nada mais do que o resultado da formalizao do direito que corresponde ao prprio objeto da obrigao tributria. No outra a razo pela qual o CTN afirma que:

    Art. 139. O crdito tributrio decorre da obrigao principal e tem a mesma natureza desta.

    Ou seja, sem a existncia de uma obrigao tributria, no h que se falar em crdito tributrio, pois este decorre daquela. Mas o contrrio no verdadeiro. A obrigao tributria, que nasce com a ocorrncia do fato gerador, tem existncia por si s. Inclusive, h casos em que a obrigao tributria nasce e morre, sem que nunca tenha sido constitudo o respectivo crdito tributrio. Trata-se, por exemplo, dos casos em que o direito da Fazenda Pblica acometido pela decadncia, conforme veremos na prxima Aula.

    Note como a autonomia da obrigao tributria em relao ao respectivo crdito marcante no art. 140 do CTN:

    Art. 140. As circunstncias que modificam o crdito tributrio, sua extenso ou seus efeitos, ou as garantias ou os privilgios a ele atribudos, ou que excluem sua exigibilidade no afetam a obrigao tributria que lhe deu origem.

    Para compreender o contedo desse artigo, imagine que o fato gerador tenha ocorrido e que a obrigao tributria tenha se originado, mas o respectivo crdito tributrio tenha sido constitudo de maneira completamente irregular, por servidor incompetente e sem observar as formalidades exigidas em lei. Por consequncia, o crdito foi devidamente anulado. Numa circunstncia como essa, novo crdito pode ser constitudo? Sim, enquanto o direito da Fazenda Pblica no for acometido pela decadncia, novo crdito pode ser constitudo. E por que isso acontece? Porque o cancelamento do crdito tributrio no afeta a obrigao tributria que lhe deu origem.

    Na mesma linha, podemos afirmar que a iseno a dispensa do pagamento de um tributo devido, porque a iseno exclui a exigibilidade do crdito (CTN, art. 175), mas no afeta a obrigao que lhe deu origem e que torna devido o tributo.

    Da mesma forma, se um imvel oferecido como garantia ao crdito tributrio, a obrigao tributria no se converte em hipotecria, pois as garantias atribudas ao crdito no afetam a obrigao tributria que lhe deu origem.

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    Considerando que o crdito tributrio corresponde ao direito da Fazenda Pblica devidamente formalizado, natural que a sua integridade seja objeto de proteo legal, at mesmo como decorrncia do princpio da Indisponibilidade do Interesse Pblico. Nesse sentido, confira a redao do art. 141 do CTN:

    Art. 141. O crdito tributrio regularmente constitudo somente se modifica ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluda, nos casos previstos nesta Lei, fora dos quais no podem ser dispensadas, sob pena de responsabilidade funcional na forma da lei, a sua efetivao ou as respectivas garantias.

    Perceba que a exigibilidade do crdito, ou mesmo as suas garantias, no podem ser livremente manejadas pelo servidor pblico. Nesse sentido, o art. 141 do CTN encontra-se em plena harmonia com o art. 3, afinal, tributo prestao cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada.

    At aqui vimos o que o crdito tributrio e como ele se relaciona com a obrigao que lhe deu origem. Nos prximos itens vamos ver como o crdito constitudo.

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    2. LANAMENTO

    Entre os arts. 142 e 150, o CTN cuida da constituio do crdito tributrio. Logo no art. 142, o Cdigo esclarece que o crdito tributrio constitudo pelo lanamento. Acompanhe:

    Art. 142. Compete privativamente autoridade administrativa constituir o crdito tributrio pelo lanamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrncia do fato gerador da obrigao correspondente, determinar a matria tributvel, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicao da penalidade cabvel.

    Pargrafo nico. A atividade administrativa de lanamento vinculada e obrigatria, sob pena de responsabilidade funcional.

    Portanto, o crdito tributrio constitudo pelo lanamento, ato privativo da autoridade administrativa. Quanto a isso no h qualquer dvida. Mas, antes de avanar no estudo do lanamento, preciso desde logo esclarecer que essa no a nica maneira de constituir o crdito tributrio.

    Alm do lanamento, que ato privativo da autoridade administrativa, o crdito tributrio tambm pode ser constitudo por iniciativa do prprio contribuinte. Isso ocorre por meio de declaraes ou confisses de dvida que acompanham pedidos de parcelamento. Esse entendimento se encontra gravado, de maneira bem didtica, na seguinte smula do STJ:

    Smula 436/STJ: A entrega de declarao pelo contribuinte reconhecendo dbito fiscal constitui o crdito tributrio, dispensada qualquer outra providncia por parte do fisco.

    Diante disso, embora seja correto afirmar que o crdito tributrio constitudo pelo lanamento, no correto afirmar que o crdito tributrio somente pode ser constitudo por meio do lanamento. Como se nota, a formalizao do crdito tributrio pode se dar de outras maneiras, no ficando restrita ao lanamento.

    Volt

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