aula 04 - execuo oramentria - aula 01

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  • EXECUO ORAMENTRIA E FINANCEIRA TEFC/TCU PROF. GRACIANO ROCHA

    Prof. Graciano Rocha www.pontodosconcursos.com.br Pgina 1 de 50

    EXECUO ORAMENTRIA E FINANCEIRA PARA TCNICO DO TCU

    AULA ZERO

    Saudaes, caros alunos! Depois de uma longa e ansiosa espera pela

    comunidade concurseira mais de 3 anos , finalmente foi autorizado o

    concurso para Tcnico Federal de Controle Externo do TCU, um dos melhores

    cargos de nvel mdio da esfera federal!

    Inicialmente, devo fazer uma observao bastante pessoal: de todos os rgos

    pblicos de que j ouvi falar, o Tribunal provavelmente rene os melhores

    atrativos! Nesses ltimos quatro anos, pude comprovar diariamente o quanto

    valeu a pena estudar para esse concurso!

    Compartilhando mais as razes que me deixam to satisfeito, e para conhecer

    melhor o ambiente, o trabalho, a carreira, enfim, os benefcios da vida

    funcional no TCU, convido-o a ler o texto que escrevi para o projeto Conhea

    Minha Carreira, aqui mesmo no site do Ponto. Garanto que voc vai se

    sentir ainda mais motivado(a) para estudar!

    O presente concurso oferecer 29 vagas para a rea Apoio Tcnico

    Administrativo, distribudas entre Braslia (21) e as secretarias regionais do,

    Amazonas (1), Mato Grosso (2), Pernambuco (2), Rondnia (1) e Roraima (2).

    Veja qual a melhor opo, trace sua estratgia e estude pra valer!

    Muito bem, vamos s apresentaes: eu me chamo Graciano Rocha Mendes,

    sou auditor federal do TCU, aprovado no concurso de 2008; professor de

    Oramento Pblico e de matrias correlatas; ps-graduando em Oramento

    Pblico pelo Instituto Serzedello Corra (ISC/TCU).

    Vamos falar de nosso curso. Costumo dizer que uma grande vantagem desse

    curso online est na agregao da matria em uma s publicao. Se

    voc tentar reunir, por conta prpria, todas as referncias necessrias para

    cobrir o edital, vai amontoar mais de uma dezena de normativos que no vai

    utilizar completamente , alm de livros e materiais esparsos.

    Com nossas aulas, alm de ter acesso a todo o contedo, bem mastigado,

    voc ainda ver os comentrios e nfases conforme o comportamento do

    CESPE nos ltimos anos considerando que essa banca a tradicional

    organizadora dos concursos do TCU.

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    Algumas questes sero comentadas durante a prpria aula, ilustrando a

    forma de cobrana recente do assunto. Outras sero propostas ao final, para

    resoluo individual.

    Para quem quiser se exercitar antes da resoluo, as questes comentadas

    durante as aulas estaro reproduzidas ao final dos arquivos, sem gabarito

    visvel, para quem quiser enfrent-las em estado puro, juntamente com as

    no comentadas. O gabarito de todas ficar na ltima pgina.

    Dito isso, segue o programa de nosso curso, reproduzido do ltimo edital e

    dividido em cinco aulas:

    Aula 01 Lei n 4.320/64 (parte 1).

    Aula 02 Lei n 4.320/64 (parte 2). Empenho, liquidao e pagamento

    da despesa.

    Aula 03

    Programao, execuo e controle de recursos oramentrios

    e financeiros. Controle e pagamento de restos a pagar e de

    despesas de exerccios anteriores. Suprimento de fundos.

    Aula 04

    Guia de Recolhimento da Unio (GRU). Conformidade diria e

    documental. Rol de responsveis. Reteno e recolhimento de

    tributos incidentes sobre bens e servios. Noes de Siafi e

    CPR Contas a Pagar e a Receber.

    Aula 05 Lei de Responsabilidade Fiscal (LC n 101/2000).

    OK, vamos estudar que o que interessa!

    Espero voc no TCU! Boa aula!

    GRACIANO ROCHA

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    LEI 4.320/64 PARTE 1

    A Lei 4.320/64, apesar da data de edio, continua sendo o principal diploma legal relativo a direito financeiro no pas, vlida para todos os entes federados.

    Dessa forma, suas disposies sobre lei de oramento, classificao da receita e da despesa, crditos adicionais, contabilidade pblica etc. devem ser observadas por todas as esferas de governo.

    A Lei 4.320/64 representou um avano na poca de sua edio. Ela trouxe conceitos e procedimentos bastante avanados a respeito da utilizao do dinheiro pblico. Porm, como se v, ela j bastante antiga, e a atividade financeira dos entes federados brasileiros precisa de atualizaes.

    por isso que se espera, por parte do Congresso Nacional, a edio de uma lei complementar que atualize as normas gerais de direito financeiro. Enquanto isso no ocorre, diversas atualizaes relacionadas ao direito financeiro e ao oramento pblico so institudas anualmente, com as Leis de Diretrizes Oramentrias.

    PRINCPIOS ORAMENTRIOS

    Nos artigos iniciais da Lei 4.320/64, encontram-se dispositivos que abordam diversos princpios oramentrios, a serem observados pelos entes pblicos na elaborao e execuo de seus respectivos oramentos. Vamos v-los aqui, acompanhados de alguns trechos da Constituio.

    Unidade/totalidade

    A unidade um dos ancestrais dos princpios oramentrios. No art. 2, a Lei

    4.320/64 estabelece que A Lei do Oramento conter a discriminao da

    receita e despesa de forma a evidenciar a poltica econmica financeira e o

    programa de trabalho do Governo, obedecidos os princpios de unidade,

    universalidade e anualidade.

    Desses outros princpios, falaremos em seguida.

    Pelo princpio da unidade, o oramento pblico deve ser uno, uma s

    pea, garantindo uma viso de conjunto das receitas e das despesas.

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    Vale destacar aqui uma informao histrica sobre o oramento pblico.

    Inicialmente, a pea oramentria era bastante simples, primeiro porque a

    participao do governo na vida econmica dos pases europeus (onde a lei

    oramentria surgiu primeiro) no era muito ampla.

    Nesses tempos, prestigiava-se o liberalismo econmico, a livre iniciativa dos

    atores econmicos, e a intromisso do Estado nesse contexto era mal vista,

    porque, desde sempre, o setor pblico foi visto como um mau gastador.

    Portanto, o melhor que o governo poderia fazer seria gastar pouco e deixar os

    recursos financeiros flurem nas relaes entre atores privados, sem

    intervenes, sem tributao.

    Assim, tendo a mquina estatal pequena dimenso e pouca participao na

    economia situao ideal para os liberais , o oramento consistia numa

    autorizao de gastos que tambm representava o controle do tamanho do

    Estado. Assim, o Parlamento utilizava o oramento como ferramenta de

    controle da ao do Executivo.

    Para facilitar esse controle, era necessrio que o oramento tivesse certas

    caractersticas. Essas caractersticas vieram a constituir os primeiros

    princpios oramentrios, dos quais, como j falamos, a unidade um dos

    exemplares.

    Sendo o oramento pblico uma pea nica, a tarefa de controle e

    acompanhamento dos gastos pblicos estaria assegurada. Caso a execuo

    oramentria obedecesse a diversos instrumentos, diversas leis, quadros,

    normativos, os controladores teriam bem mais dores de cabea.

    Porm, ocorre que o crescimento do aparelho do Estado, em praticamente

    todos os pases, a partir do sculo XX, ocasionou a criao de estruturas

    descentralizadas e autnomas as conhecidas entidades da administrao

    indireta. Essas entidades tambm cumpriam (cumprem) funes estatais, mas

    sua autonomia, inclusive financeira, dificultava a consolidao do oramento

    pblico numa s pea, bem como o acompanhamento de sua execuo.

    Nesse sentido, vamos acrescentar uma observao sobre o sistema

    oramentrio federal prvio Constituio de 1988. Nesse perodo, havia

    realmente oramentos paralelos, j que o oramento fiscal, levado

    aprovao do Congresso, representava apenas pequena parte das receitas e

    despesas do governo. O oramento das estatais e o oramento

    monetrio congregavam a maior parte dos gastos, e eram aprovados e

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    executados apenas no mbito do Poder Executivo. Com isso, o Parlamento

    tinha pouqussima noo da realidade fiscal pela qual passava o pas.

    No passo seguinte da evoluo, a Constituio de 1988 trouxe uma disposio

    fatal para a viso tradicional do princpio da unidade:

    Art. 165, 5 - A lei oramentria anual compreender:

    I - o oramento fiscal referente aos Poderes da Unio, seus fundos, rgos e

    entidades da administrao direta e indireta, inclusive fundaes institudas e

    mantidas pelo Poder Pblico;

    II - o oramento de investimento das empresas em que a Unio, direta ou

    indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto;

    III - o oramento da seguridade social, abrangendo todas as entidades e rgos

    a ela vinculados, da administrao direta ou indireta, bem como os fundos e

    fundaes institudos e mantidos pelo Poder Pblico.

    Pisou pra valer, hein?

    Assim, a prpria Constituio estabeleceu trs oramentos diferentes.

    dessa evoluo que a doutrina instituiu o princpio da totalidade, como

    uma atualizao do da unidade.

    Segundo o professor James Giacomoni (in Oramento Pblico, ed. Atlas, 14

    edio), pelo princpio da totalidade, possvel a coexistncia de oramento