Aula 04 04 - dr. josé eduardo soares de melo

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1. 1 ICMS IMPOSTO SOBRE PRESTAO DE SERVIOS DE TRANSPORTE INTERESTADUAL E INTERMUNICIPAL Jos Eduardo Soares de Melo Conferncia no Curso do IBET So Paulo 23.04.2014 2. 2 I. LEGISLAO TRIBUTRIA Constituio Federal art. 155, II a XII Lei Complementar n. 87, de 13.9.96 (e alteraes at a LC n. 138 de 29.12.2010) Resolues do Senado Federal Convnios Legislao dos Estados e do Distrito Federal 3. 3 II. LEGISLAO DE TRANSPORTES Rodovirio de cargas por conta de terceiros (Lei federal n. 11.442 de 5.1.07) Passageiros (Lei federal n. 9.432 de 7.1.97) Ferrovirio (Decreto federal n. 1.832 de 4.3.96) Multimodal de cargas (Lei federal n. 9.611 de 19.2.98) Abrangncia: a) coleta, unitizao, desunitizao, movimentao, armazenagem e entrega da carga ao destinatrio; b) realizao de servios correlatos contratados entre a origem e o destino, inclusive os de consolidao e desconsolidao documental de cargas. 4. 4 III. MATERIALIDADE Incidncia do ICMS sobre: - Prestao de Servios de Transporte Interestadual e Intermunicipal - Regime de Direito Privado - Participao de pessoas particulares, empresas pblicas, sociedades de economia mista - Distino de servios pblicos (regime jurdico prprio) 5. 5 1. Prestao de Servio (intermunicipal e interestadual). Incidncia. Participao de duas ou mais pessoas (prestador e tomador) Inexistncia no transporte dos prprios bens Fatos geradores: a) incio da prestao dos servios, por qualquer via, de pessoas, bens, mercadorias e valores; b) utilizao de servio por contribuinte, cuja prestao se tenha iniciado em outro Estado, e no esteja vinculado operao ou prestao subsequente; c) servios prestados exclusivamente no exterior; d) ato final do transporte iniciado no exterior. 6. 6 2. Prestao de Servio (Municipal). No Incidncia. Competncia exclusiva dos Municpios (Lei Complementar n. 116, de 31.7.03 - item 16.01 da lista anexa) 3. Prestao de Servios (Internacional). No Incidncia. Constituio Federal (art. 155, X, a - imunidade) LC 87/96 (art. 3, II) prestaes que destinem ao exterior mercadorias, inclusive produtos primrios e produtos industrializados semi-elaborados, ou servios. 7. STF O entendimento da Corte firme no sentido de que a imunidade tributria prevista no art. 155, p. 2, inciso X, alnea a da Constituio Federal - excludente da incidncia do ICMS as operaes que destinem ao exterior produtos industrializados - no alcana as operaes de transporte. (Ag.Reg. No RE n 395.195 1 T. j. 13.08.13 Rel. Min. Dias Toffoli Dje 15.10.13). 7 8. 8 4. Servios de Natureza Especfica 1. Postal Recebimento, expedio, transporte, entrega de objetos de correspondncia, valores. Diretriz judicial: Constitucional. Competncia. Supremo Tribunal Federal. Ao Cvel Originria. Art. 102, I, f, da Constituio do Brasil. Empresa Brasileira de Correios e Telgrafos EBCT. Empresa Pblica. Prestao de Servio Postal e Correio Areo Nacional. Servio Pblico. Art. 21, X, da Constituio do Brasil. 1. A prestao do servio postal consubstancia servio pblico (art. 175 da CB/88). A Empresa Brasileira de Correios e Telgrafos uma empresa pblica, entidade da Administrao Indireta da Unio, como tal sendo criada pelo decreto-lei n 509, de 10 de maro de 1969. 9. 9 2. O Pleno do Supremo Tribunal Federal declarou, quando do julgamento do RE 220.906, Relator o Ministro Maurcio Correa, DJ 14.11.2002, vista do disposto no artigo 6 do Decreto-Lei n 509/69, que a Empresa Brasileira de Correios e Telgrafos pessoa jurdica equiparada Fazenda Pblica, que explora servio de competncia da Unio (CF, artigo 21, X). 3. Impossibilidade de tributao de bens pblicos federais por Estado-Membro, em razo da garantia constitucional de imunidade recproca.(...). (Questo de Ordem em Ao Cvel Originria 765-1 Plenrio Rel. p/acrdo Min. Eros Grau j. 1.6.05 Dje 6.11.08, p. 23). Qual a situao tributria das franquias? 10. 10 2. Transmisso (transporte) de Energia Eltrica Existe contrato de transporte? A energia estocada? Tem lugar fixo no espao? Ocorre apenas fornecimento de energia, na gerao, transmisso, distribuio e comercializao? A simples transmisso de energia eltrica da Usina So Simo, no Estado de Gois, onde gerada, para a sua distribuidora, localizada no Estado de Minas Gerais, ambas da Cemig, no constitui fato gerador do ICMS. E se a energia eltrica gerada em So Simo transferida para Cemig, a fim de ser ali comercializada, no incidindo, por isso, o ICMS, no h como estabelecer-se o IVA-FPM (ndice de Valor Adicionado ao Fundo de Participao dos Municpios) (RMS 9.704 2. T. Rel. Min. Peanha Martins, DJ 28.10.2003) (STJ RMS n. 18.191-GO 1. T. Rel. Min. Teori Albino Zavascki j. 17.8.06 DJU 31.8.06, p. 196). 11. 11 3. Transporte para Pontos do Mar Territorial Transporte de pessoas e cargas do continente para pontos situados no mar territorial, sobre a plataforma continental, zona econmica exclusiva, ilhas ocenicas da Unio, navios surtos e fundeados ao longo dos portos, e do litoral (e vice-versa), ou entre um ponto do mar territorial, por empresas de taxi areo. Questes: a) ofensa a bens da Unio (art. 20, V e VI), ultrapassando o mbito de competncia dos Estados (art. 22, I, e 155, II); b) ofensa ao princpio da imunidade recproca (art. 150, VI, a); c) invaso de competncia reservada ao direito internacional lei complementar (art. 146, I, III, a, e 155, 2, XIII, d). STF ADIN 2.080 Rel. Min. Cezar Peluso indeferiu liminar (j. 6.2.2002 DJU de 28.2.2002). 12. 12 4. Transporte Areo de Passageiros Inconstitucional a exigncia de ICMS nos transportes (intermunicipal, interestadual, internacional) de cargas pelas empresas areas nacionais, enquanto persistirem os convnios de iseno por empresas estrangeiras (STF ADIN 1.600-8 Plenrio Rel. p/acrdo Min. Nelson Jobim j. 26.11.01 DJU 1 de 17.12.2001, p. 1 e DJU 20.6.03, p. 56). 5. Transporte de Gs Canalizado Distribuio de gs executada pela concessionria e remunerada por tarifa, caracteriza transporte de bens, mediante a movimentao do gs dos pontos de recepo aos pontos de entrega dos usurios livres pela malha dutoviria. 13. 13 IV. SUJEITOS PASSIVOS 1. Contribuintes Pessoa fsica ou jurdica que realize com habitualidade as prestaes de servios, ainda que as prestaes se iniciem no exterior. Pessoa que seja destinatria de servio prestado no exterior, ou cuja prestao se tenha iniciado no exterior, independente de habitualidade. 2. Responsvel Prestaes antecedentes, concomitantes ou subsequentes. RICMS/SP Prestao por mais de uma empresa. Responsabilidade do prestador que promover a cobrana integral do preo (art. 314). 14. 14 V. QUANTIFICAO 1. Base de Clculo Preo do servio. O valor corrente do servio do servio no local da operao, nas prestaes sem preo determinado. Acrscimos ou diminuies: a) descontos; b) seguros; 15. 15 c) multas; d) correo monetria; e) reajustes; f) integrao do ICMS; g) juros (moratrios e acrscimos financeiros). 16. 16 2. Alquota (SP) - Prestaes internas, ainda que iniciadas no exterior 18% - Prestaes interestaduais que destinarem mercadorias ou servios a contribuintes localizados nos Estados das regies Norte, Nordeste e Centro- Oeste, e no Estado do Esprito Santo 7% - Prestaes interestaduais que destinarem mercadorias ou servios a contribuintes localizados nos Estados das regies Sul e Sudeste 12% - Prestaes interestaduais de transporte areo de passageiro, carga e mala postal, em que o destinatrio do servios seja contribuinte do imposto 4% - O imposto incidente sobre o servio prestado no exterior dever ser calculado em 18% 17. 17 VI. ASPECTO ESPACIAL Local onde tenha incio a prestao. Local onde se encontrar o transportador, quando em situao irregular pela falta de documentao fiscal, ou quando acompanhada de documentao inidnea, como dispuser a legislao tributria. Local do estabelecimento ou do domiclio do destinatrio, tratando-se de servios prestados ou iniciados no exterior. 18. 18 VII. ASPECTO TEMPORAL Incio da prestao dos servios de qualquer natureza. Ato final do transporte iniciado no exterior. VIII. NO CUMULATIVIDADE 1. Fundamentos Regime de compensao do ICMS devido em cada operao ou prestao de servios, com o montante do ICMS incidente nas operaes ou prestaes anteriores. 19. 19 O crdito origina-se das operaes e prestaes anteriores (transportes e comunicao), relativas aquisio de bens e servios pelos contribuintes. O dbito decorre da prestao de servios de transporte. Crdito e Dbito concernem a categorias jurdicas distintas que implicam relaes independentes, nas quais devedor e credor se alternam. Na primeira (crdito), os Estados e DF so devedores e o contribuinte credor; na segunda (dbito) as posies se invertem. Resultado: saldo devedor (volume maior de dbitos), e saldo credor (montante maior de crditos). Pagamento e Utilizao. 20. 20 2. Restrio Constitucional (CF, art. 155, II, 2) A iseno ou no-incidncia, salvo determinao em contrrio da legislao: a) no implicar crdito para compensao com o montante devido nas operaes ou prestaes seguintes; b) acarretar a anulao do crdito relativo a operaes anteriores. 21. 21 3. Restries Legais (LC 87/96) Inidoneidade Documental Atividade Alheia ao Estabelecimento Bens do Ativo Permanente Bens de Uso e Consumo Energia Eltrica Servio de Comunicao Correo Monetria 22. 22 IX. QUESTES Transporte interestadual de mercadorias para outro Pas utilizando caminho desde o interior do Mato Grosso at o exterior. 1) O Mato Grosso no possui limites com o oceano. Mister se faz, por conseguinte, que a soja seja transportada em caminhes at o porto; 2) Nesse caminho, faz-se necessria a travessia de um rio. Os caminhes, obviamente, no podero faz-lo. indispensvel a contratao de um barco. O transporte, porm, o mesmo e continua a destinar produtos primrios ao exterior. 23. 23 3) Do outro lado desse rio, em Itacoatiara, a soja armazenada e colocada em grandes navios, que a levaro at o pas importador. Essa ltima fase do transporte, do mesmo modo, no pode ser feita nem pelos caminhes que o iniciaram nem pelos barcos que fizeram a travessia do rio. Deciso: Tributrio ICMS Transporte Interestadual de Mercadoria Destinada ao Exterior Iseno art. 3, II, da LC 87/96. (...); 24. 24 2. O art. 3, II, da LC 87/96 disps que no incide o ICMS sobre operaes e prestaes que destinem ao exterior mercadorias, de modo que esteja acobertado pela iseno tributria o transporte interestadual dessas mercadorias. 3. Sob o aspecto teleolgico, a finalidade da exonerao tributria tornar o produto brasileiro mais competitivo no mercado internacional. 4. Se o transporte pago pelo exportador integra o preo do bem exportado, tributar o transporte no territrio nacional equivale a tributar a prpria operao de exportao, o que contraria o esprito da LC 87/96 e da prpria Constituio Federal. 25. 25 5. Interpretao em sentido diverso implicaria ofensa aos princpios da isonomia e do pacto federativo, na medida em que se privilegiaria empresas que se situam em cidades porturias e trataria de forma desigual os diversos Estados que integram a Federao. (REsp n. 613.785-RO 2. Turma Rel. Min. Eliana Calmon DJU 1 de 12.08.05, p. 278). 26. 26 Transporte interestadual de carga destinada a estabelecimento localizado em territrio paulista. Trajeto dividido em trs trechos, sendo o permetro interestadual por meio rodovirio, o segundo interno por meio aquavirio, o terceiro interno por via rodoviria. Em cada trecho o servio prestado por uma transportadora diferente de forma independente das demais. Trs prestaes distintas entre si. (Consulta n. 676/2005 de 11.4.06 SP) 27. 27 Transporte de carga, com incio em SP, realizada por transportador no inscrito em SP. (Consulta n. 366/2006 de 11.9.06 SP) Transbordo Retirada da mercadoria do veculo e colocao em novo veculo por necessidade de alcanar o destino final. Modalidade sucessiva. Exemplo: A (prestador de servios) contrata com B (tomador do servio) o transporte de mercadorias para o Uruguai. Acontece que A no tem permisso para passar a fronteira, em razo do que as mercadorias so colocadas no caminho de C que conclui a viagem. 28. 28 Redespacho Prestao que se caracteriza pela realizao do servio pelo transportador contratado (A) at uma parte do trecho. A partir de ento A contrata terceiro (B), para efetuar o servio restante. Exemplo: A contratado para transportar mercadoria de SP para Manaus, promovendo o redespacho do bem em Braslia, para a empresa B, que efetua o transporte at o destino final. Subcontratao Prestao de servios de transporte que se realiza por meio de outra empresa, distinta daquela que foi inicialmente contratada pelo tomador do servio. Exemplo: A contrata prestador de servio de transporte B, para conduzir pessoa de SP para Ribeiro Preto. B contrata outro transportador (C) para efetuar integralmente o transporte.

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