aula 01 oab xx processo civil estratÉgia

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  • Aula 01

    Direito Processual Civil p/ XX Exame de Ordem - OAB

    Professores: Equipe Gabriel Borges, Gabriel Borges

  • Direito Processual Civil Teoria e Exerccios comentados

    Prof. Gabriel Borges Aula 01

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    DIREITO PROCESSUAL CIVIL P/ OAB

    SUMRIO PGINA

    1. Captulo II: Normas processuais civis. 02

    2. Resumo 53

    3. Questes comentadas 57

    4. Lista das questes apresentadas 67

    5. Gabarito 70

    CAPTULO II: NORMAS PROCESSUAIS CIVIS.

    PENSAMENTO JURDICO CONTEMPORNEO

    O pensamento jurdico contemporneo sofreu alteraes considerveis a partir da

    metade do sculo XX. Neste contexto, no ficou imune o Direito Processual Civil. Para

    comear a tratar do Novo Cdigo de Processo Civi l. Esta transformao est ligada

    necessidade de atualizar-se o repertrio do Direito, mas entendam que os conceitos jurdicos

    fundamentais no forma abandonados.

    Ento vejamos as caractersticas do atual pensamento jurdico que afeta nossa

    disciplina.

    Primeiro, temos o reconhecimento do poder da normatividade da Constituio Federal.

    A CF , pois, o principal meio normativo do nosso sistema jurdico, sendo assim, tem eficcia

    imediata e independe, em muitos casos, de mediao legislativa.

    O que a doutrina tem afirmado que se passa de um modelo Estatal baseado na Lei

    (Estado eminentemente legislativo) para um Estado fundado na Constituio, ou seja, um

    Estado Constitucional por excelncia.

    NORMAS PROCESSUAIS CIVIS.

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    A segunda caracterstica, e aqui houve mudanas considerveis, o desenvolvimento

    da teoria dos princpios. Os princpios passam a ter sua normatividade reconhecida passa a

    ser uma espcie de norma jurdica.

    A terceira traz a transformao da hermenutica jurdica. H um reconhecimento do

    papel criativo e normativo da atividade jurisdicional. Esta vista como essencial para o

    desenvolvimento do Direito estipulando norma jurdica ao caso concreto ou pela

    interpretao que se deve ter dos textos normativos. Neste contexto, a norma sofrer, na sua

    aplicabilidade, a influncia dos princpios da razoabilidade e da proporcionalidade. Os textos

    normativos passam a conviver com o mtodo da subsuno na lio de Tereza Arruda Alvim

    Wambier muitos so os pontos em que se evidencia a fragilidade, ou pelo menos a

    insuficincia, do raciocnio dedutivo e da lgica formal e pura, instrumentos tpicos da

    dogmtica tradicional.

    A ltima caracterstica alude expanso e consagrao dos direitos fundamentais, que

    infunde ao direito positivo a dignidade humana.

    NEOCONSTITUCIONALISMO

    A nova fase do pensamento jurdico est sendo conhecida como

    Neoconstitucionalismo. Os riscos e possibilidades do Neoconstitucionalismo so inmeros,

    mas fugiria s nossas pretenses didticas deste curso voltado para a sua aprovao e no

    para debates doutrinrios ou acadmicos.

    V-se que h uma tendncia a supervalorizao das novidades advindas do

    pensamento jurdico atual. Supervalorizao dos princpios em detrimento das normas

    consolidadas; enaltecimento do Judicirio em detrimento ao Legislativo, e convenhamos,

    assistimos a uma grave insurgncia do Poder Judicirio sobre o Poder Legislativo, o que pode

    gerar prejuzo democracia e separao de poderes; a valorizao da ponderao em

    relao subsuno.

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    Constituio da Repblica Federativa do Brasil acolhe tanto normas quanto

    princpios de modo abrangente, por esse motivo, seria difcil considerar que seja uma

    Constituio eminentemente principiolgica. Se houvesse que defini-la por um ou outro

    critrio no seria errado consider-la normativa, dado o seu carter analtico e

    extensivo.

    Essa inferncia, contudo, enfrenta a oposio do que se nomeiam constituies

    do ps-guerra, das quais o sistema brasileiro seria exemplo, uma vez que esse grupo

    tem como primado a valorizao dos princpios, como contraponto rigidez do

    regramento absoluto, que pode causar danos convivncia pacfica quando levado

    aplicao extrema.

    A partir dessa constatao, h que se questionar quanto hierarquia dos tipos

    normativos: se os princpios e as normas esto de fato no mesmo patamar, ou se por

    uma questo interpretativa os princpios no teriam um papel orgnico e qualitativo

    mais abrangente, o que os colocaria um degrau acima das normas. Esse tratamento

    dos princpios poderia, tambm, ser prejudicial ao sistema, na medida em que conferiria

    poder aos julgadores de ponderar sobre o caso que lhe posto a julgamento.

    So alegaes de sobreposio dos princpios s normas que tm justificado

    prticas como a do ativismo judicial, em extensa e polmica disputa com o Poder

    Legislativo. A ponderao conflita com o carter limitador do mandamento, que

    pressupe uma norma anterior e geral, elaborada abstratamente para ser aplicada ao

    caso concreto.

    Divide-se a evoluo do direito processual em trs fases:

    a) praxismo: no existia a diferenciao entre processo e o direito material

    analisava-se o processo sob seus aspectos prticos, no desenvolvendo a parte cientfica.

    b) processualismo: desenvolve-se a parte cientfica e as fronteiras entre o direito

    processual e material se findam.

    c) instrumentalismo: estabelece entre um direito material e processual uma relao

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    de interdependncia. Nesta fase, observa uma preocupao com a tutela dos direitos e a

    efetividade do processo. Alm disso, o processo passa a ser objeto de estudo de outras

    reas.

    Agora, a quarta fase se inicia com o Neoprocessualismo. H aqueles que a classificam

    como formalismo-valorativo no intuito de destacar a importncia dos valores

    constitucionalmente protegidos no mbito dos direitos fundamentais na edificao do

    formalismo processual.

    ARTIGO 1 DO NOVO CPC

    Art. 1 O processo civil ser ordenado, disciplinado e interpretado conforme os valores

    e as normas fundamentais estabelecidos na Constituio da Repblica Federativa do Brasil,

    observando-se as disposies deste Cdigo.

    Vimos que a constitucionalizao do Direito Processual a base do Direito

    Contemporneo. H uma incorporao de normas processuais aos textos constitucionais.

    Aps a Segunda Guerra, nas constituies ocidentais, houve uma consagrao dos direitos

    fundamentais, assim como os tratados internacionais de direitos humanos. O devido processo

    legal e o Pacto de So Jos da Costa Rica so exemplos desta infiltrao dos direitos

    humanos e fundamentais no mbito processual. Por outro lado, v-se uma doutrina disposta a

    examinar as normas infraconstitucionais. Disto, tem-se uma aproximao do dilogo entre

    constitucionalistas e processualistas.

    Pois bem. O que se tem no artigo 1 uma explicitao da norma fundamental do

    sistema constitucional normas jurdicas derivam e devem estar em conformidade com a

    Constituio. A norma processual surge do sistema de controle de constitucionalidade

    determinado na prpria Constituio. Fica, portanto, claro que as normas processuais no

    podem ir contra o texto constitucional, principalmente no direito processual brasileiro, no qual

    h ampla observncia do princpio do devido processo legal (que iremos analisar nesta aula).

    Antes de adentrarmos os estudos dos princpios processuais, necessrio esclarecer o

    que um princpio. Princpio nada mais que uma espcie normativa. Humberto vila explica

    que os princpios instituem o dever de adotar comportamentos necessrios realizao de

    um estado de coisas ou, inversamente, instituem o dever de efetivao de um estado de

    coisas pela adoo de comportamentos a ele necessrios.

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