AULA 00 - TÓPICOS AVANÇADOS

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CURSOS ON-LINE CONTABILIDADE TPICOS AVANADOS PROFESSORES VELTER E MISSAGIA

CONTABILIDADE TPICOS AVANADOSOl, pessoal. Com a autorizao para a realizao do concurso da Receita Federal, vrios candidatos que j fizeram algum tipo de curso de contabilidade (inclusive conosco), ou que estudaram por conta prpria, nos solicitaram que realizssemos um curso de reviso, ou de aprofundamento, ou de exerccios, ou de tpicos especiais, enfim, um curso avanado para quem j sabe o bsico. Nesse sentido, comeamos a elaborar um material que satisfizesse as necessidades dos alunos. A idia oferecer um curso de contabilidade para candidatos j iniciados na matria, ou seja, um curso avanado, de maneira a apresentar aos alunos os principais pontos do programa de forma mais aprofundada, visando ampliar ainda mais o conhecimento, para reduzir as possibilidades de que, na prova, surjam assuntos no vistos antes pelo candidato. Na verdade, isso que todos querem, no mesmo? Neste curso pretendemos apresentar e discutir de forma aprofundada, alm dos pontos mais cascudos do programa, tais como tpicos relacionados DOAR (origens e aplicaes do capital circulante lquido), avaliao de investimentos, reavaliao, tributos nas operaes com mercadorias, outros pontos que podem aparecer como novidade nos prximos certames, como bens totalmente depreciados, aquisio de imobilizado na fase properacional, reavaliao negativa, vendas por carto de crdito,www.pontodosconcursos.com.br 1

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aquisio de aes prprias, lanamentos na constituio de empresas e vrios outros. O curso ser ministrado em 10 aulas semanais no total. Ao final de cada aula, alm dos exerccios normais de provas, sero apresentadas algumas questes inditas, simulando questes de concursos e englobando o tema visto na aula. Para aqueles que j assistiram outros dos cursos nossos presenciais, cursos e para de aqueles que participaram on-line contabilidade

introdutria e de contabilidade intermediria neste site trata-se de uma excelente oportunidade de complementar os estudos sobre essa matria to importante nos concursos pblicos. A seguir, como aula demonstrativa, ser apresentada a resoluo de uma das questes mais solicitadas dos ltimos tempos, que versa sobre DOAR (Demonstrao de Origens e Aplicaes de Recursos). Trata-se apenas de resoluo de uma questo de prova, um trecho de aula, objetivando dar uma boa idia ao concursando de como ser o nosso curso. Apesar de ser apenas uma questo de prova, a mesma to rica em conceitos e procedimentos sobre DOAR que resolvemos inseri-la exatamente nesta aula inaugural gratuita. Procuraremos explicar muito bem cada passo da resoluo.

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AULA 0: QUESTO 30 DO CONCURSO AFC STN/2005

Tomemos como exemplo as operaes realizadas pela Cia. Comercial de Lixeiras, durante o exerccio de 20x4, para elaborar a Demonstrao de Origens e Aplicaes de Recursos nos termos da Lei n 6.404/76. Operaes: 01- venda, a vista, de mercadorias por R$ 50.000,00, com lucro de 30% sobre as vendas; 02- compra, a prazo, de mveis e utenslios para uso por R$ 40.000,00; 03- obteno de emprstimo bancrio, com juros de 5%, para pagamento em 30 parcelas iguais de R$ 4.000,00, iniciando-se em 30 de novembro de 20x4; 04- pagamento de R$12.000,00 de hipotecas de longo prazo; 05- recebimento de crditos no valor de R$ 16.000,00, com juros de 8%; 06- registro dos encargos de depreciao no valor de R$ 3.000,00; 07- aumento do capital social em R$ 4.000,00, com realizao em dinheiro; 08- venda, a vista, de equipamentos usados por R$ 2.000,00, baixando-se um custo de alienao de R$ 1.200,00; 09- pagamento de despesas gerais no valor de R$ 700,00;

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10-

aumento

do

capital

social

em

R$

5.000,00

para

integralizao futura; 11- aquisio de coligao acionria por R$ 25.000,00, para pagamento em 25 parcelas mensais, iguais, a partir de 30/11/x4; e 12- destinao do lucro do perodo, sendo: R$ 1.380,00 para imposto de renda; R$ 1.000,00 para reservas; e R$ 2.000,00 para pagamento de dividendos. Com base nessas operaes a empresa mandou elaborar a Demonstrao de Origens e Aplicaes de Recursos, nos termos da Lei n 6.404/76, a qual, certamente, vai evidenciar os seguintes itens e valores: a) Origens de Recursos no valor de R$ 94.200,00. b) Origens de Recursos no valor de R$ 71.000,00. c) Aplicaes de Recursos no valor de R$ 79.000,00. d) Aplicaes de Recursos no valor de R$ 60.800,00. e) Reduo do Capital Circulante Lquido em R$ 10.200,00.

Resoluo:. Bom, pessoal, trata-se de uma questo tpica da ESAF. O examinador apresenta uma srie de operaes ocorridas durante o perodo, e pede, ao final, qual o efeito total causado pelas transaes no capital circulante lquido (CCL). Lembramos que: CCL = AC PC

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Portanto, j podemos observar que, para sabermos a variao do capital circulante lquido no perodo, bastaria calcular a variao do ativo circulante e do passivo circulante. Isso no difcil de analisar em cada uma das transaes apresentadas. Porm, esse tipo de caminho para resolver a questo somente nos daria em quanto aumentou ou em quanto diminuiu o CCL. Se chegssemos ao valor de R$ 10.200,00 como reduo do CCL, a resposta seria letra E, e tudo estaria bem. Porm, reparem que as alternativas (a leitura atenta das alternativas fundamental) informam o valor das origens e das aplicaes de recursos. Bom, ento temos que tomar outro caminho. Precisamos recorrer Lei das S.A. (e tambm doutrina) para saber o que ela define como sendo origens e aplicaes). Nesse ponto cabe a transcrio do artigo 188 da Lei 6.404/76. Relembrando:Art. 188. A demonstrao das origens e aplicaes dos recursos indicar as modificaes na posio financeira da companhia, discriminando: I as origens dos recursos, agrupadas em: a) lucro do exerccio, acrescido de depreciao, amortizao ou exausto e ajustado pela variao nos resultados de exerccios futuros; b) realizao do capital social e contribuies para reservas de capital; c) recursos de terceiros, originrios do aumento do passivo exigvel a longo prazo, da reduo do ativo realizvel a longo prazo e da alienao de investimentos e direitos do ativo imobilizado. II as aplicaes de recursos, agrupadas em: a) dividendos distribudos; b) aquisio de direitos do ativo imobilizado; c) aumento do ativo realizvel a longo prazo, dos investimentos e do ativo diferido; www.pontodosconcursos.com.br 5

CURSOS ON-LINE CONTABILIDADE TPICOS AVANADOS PROFESSORES VELTER E MISSAGIA d) reduo do passivo exigvel a longo prazo. III o excesso ou insuficincia das origens de recursos em relao s aplicaes, representando aumento ou reduo do capital circulante lquido; IV os saldos, no inicio e no fim do exerccio, do ativo e do passivo circulantes, o montante do capital circulante Lquido e o seu aumento ou reduo durante o exerccio.

A primeira coisa que devemos nos lembrar ao resolver um exerccio sobre DOAR que o resultado do exerccio pode ser lucro ou prejuzo, certo? A lei determina que o lucro do exerccio ajustado conforme o artigo 188, I-a o primeiro item das origens de recursos. Mas e se o resultado ajustado for negativo, ou seja, se tivermos um prejuzo ajustado? A lei silencia quanto a isso, mas no faria sentido termos uma origem negativa de recursos. Por esse motivo, reza a boa doutrina que, caso o resultado ajustado seja negativo, este deve ser considerado como aplicao de recursos, apesar de no constar como um dos itens do artigo 188, II. Ento, meus amigos, o que vocs tm que fazer apurar em separado o resultado do exerccio, ajust-lo, e em seguida contabiliz-lo como origem ou aplicao, caso seja positivo ou negativo, respectivamente. Basicamente, analisaremos cada uma das operaes, faremos o lanamento, e totalizaremos, ao final, o resultado, as origens e as aplicaes. claro que, na prova, vocs podero resolver a questo de forma muito mais rpida, fazendo os lanamentos de cabea e somente totalizando origens e aplicaes no papel. Mas

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isso uma aula de reviso. E ainda por cima, on-line!!! Ento temos a preocupao de deixar todos os passos bem claros para os alunos. Vamos l: 01- venda, a vista, de mercadorias por R$ 50.000,00, com lucro de 30% sobre as vendas; Lucro = 30% x R$ 50.000,00 = R$ 15.000,00 O lanamento : D Caixa C Vendas D CMV C Estoques R$ 50.000,00 R$ 50.000,00 R$ 35.000,00 R$ 35.000,00

Conforme o artigo 188 da Lei das S.A., a transao acima somente afeta o CCL por meio do lucro obtido, de R$ 15.000,00, que ser lanado no resultado do exerccio.

02- compra, a prazo, de mveis e utenslios para uso por R$ 40.000,00; Quando no se fala o prazo de pagamento, deve-se supor sempre o curto prazo. Portanto, o lanamento : D Mveis e Utenslios (aumento AP) C Contas a Pagar (aumento PC) R$ 40.000,00 R$ 40.000,00

Trata-se de uma aplicao de recursos, segundo o artigo 188, II-b

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03- obteno de emprstimo bancrio, com juros de 5%, para pagamento em 30 parcelas iguais de R$ 4.000,00, iniciando-se em 30 de novembro de 20x4; Valor do emprstimo: 30 x R$ 4.000,00 = R$ 120.000,00 O que poderia pegar aqui seriam os juros. Porm, vocs devem ficar atentos ao enunciado, que diz com base nessas operaes, a empresa mandou elaborar.... Isso quer dizer que devemos nos ater apenas operao de tomada do emprstimo, e no apropriao dos juros. Assim, no ato do emprstimo, sendo a primeira parcela mensal para 30/11/20x4, a segunda para 31/12/20x4, e assim sucessivamente, teremos at o final de 20x5 (curto prazo) um total de 14 parcelas, e 16 parcelas para a partir de 20x6, sendo a primeira em 31/01/20x6. Parcelas de Curto Prazo: 14 x R$ 4.000,00 = R$ 56.000,00 Parcelas de Longo Prazo: 16 x R$ 4.000,00 = R$ 64.000,00 O lanamento : D Bancos C Emprstimos Bancrios (PC) C Emprstimos Bancrios (PELP) R$ 120.000,00 R$ 56.000,00 R$ 64.000,00

Trata-se de uma ORIGEM de recursos, segundo o artigo 188, I-c

04- pagamento de R$12.000,00 de hipotecas de longo prazo; O lanamento :www.pontodosconcursos.com.br 8

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D Hipotecas a Pagar (PELP) C Caixa

R$ 12.000,00 R$ 12.000,00

Trata-se de uma aplicao de recursos, segundo o artigo 188, II-d

05- recebimento de crditos no valor de R$ 16.000,00, com juros de 8%; Juros = 8% x R$ 16.000,00 = R$ 1.280,00 O lanamento : D Caixa C Valores a Receber C Receita de Juros R$ 17.280,00 R$ 16.000,00 R$ 1.280,00

Essa operao propiciou uma receita de R$ 1.280,00, a ser lanada no resultado do exerccio.

06- registro dos encargos de depreciao no valor de R$ 3.000,00; O lanamento : D Encargos de Depreciao C Depreciao Acumulada R$ 3.000,00 R$ 3.000,00

Essa

operao

gera

um

efeito

negativo

no

resultado

(despesa), porm no afeta o capital circulante lquido. Por esse

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motivo, a depreciao deve ser expurgada (somada) ao resultado do exerccio para a obteno do resultado ajustado (art. 188, I-a).

07- aumento do capital social em R$ 4.000,00, com realizao em dinheiro; Trata-se de uma origem de recursos clssica (art. 188, I-b), pois o aumento do capital social veio em forma de aumento do ativo circulante (caixa)

08- venda, a vista, de equipamentos usados por R$ 2.000,00, baixando-se um custo de alienao de R$ 1.200,00; O lanamento : D Caixa C Equipamentos (AP) C Resultado no-operacional R$ 2.000,00 R$ 1.200,00 R$ 800,00

A operao acima deve-ser contabilizada como origem de R$ R$ 2.000,00, pelo valor da venda dos bens do ativo permanente (art. 188, I-c), assim como os R$ 800,00 de lucro na operao devem ser lanados no resultado, porm deduzidos como ajuste.

09- pagamento de despesas gerais no valor de R$ 700,00; Lanamento: D Despesas Gerais C Caixa R$ 700,00 R$ 700,00

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O valor ser lanado no resultado.

10-

aumento

do

capital

social

em

R$

5.000,00

para

integralizao futura; Lanamento: D Capital a Realizar C Capital Social R$ 5.000,00 R$ 5.000,00

Esse lanamento no afeta o CCL. No origem nem aplicao de recursos. No houve entrada de recursos na empresa se no houve a integralizao.

11- aquisio de coligao acionria por R$ 25.000,00, para pagamento em 25 parcelas mensais, iguais, a partir de 30/11/x4; Parcelas de curto prazo (at 31/12/20x5): 14 x R$ 1.000,00 = R$ 14.000,00 Parcelas de longo prazo (a partir de 20x6): 11 x R$ 1.000,00 = R$ 11.000,00 Lanamento: D Aes de Coligadas C Valores a Pagar (PC) C Valores a Pagar (PELP)www.pontodosconcursos.com.br

R$ 25.000,00 R$ 14.000,00 R$ 11.000,0011

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12- destinao do lucro do perodo, sendo: R$ 1.380,00 para imposto de renda; R$ 1.000,00 para reservas; e R$ 2.000,00 para pagamento de dividendos. O imposto de renda uma despesa para a empresa, reduzindo o resultado do exerccio em R$ 1.380,00 A constituio de reservas no afeta o CCL, pois o recurso sai do patrimnio Lquido (LPA) e continua no PL. A destinao dos dividendos uma aplicao de recursos (art. 188, II-a), pois o recurso sai do patrimnio lquido e vai para o passivo.

Aps todas essas anlises individuais, ficou fcil contabilizar origens e aplicaes. Primeiramente, vamos contabilizar o resultado do exerccio:

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Resultado do Exerccio (6) (9) (12) 3.000,00 15.000,00 700,00 1.380,00 1.280,00 800,00 (1) (5) (8)

5.080,00 17.080,00 12.000,00

Ajustando o resultado, teremos: RLE (+) Depreciao (-) Lucro nas vendas do AP (=) Resultado Ajustado para DOAR R$ 12.000,00 R$ 3.000,00 (R$ 800,00)

R$ 14.200,00

Contabilizando as origens e aplicaes, teremos:

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ORIGENS (3) (7) (8) (11) (Res.) 64.000,00 40.000,00 4.000,00 12.000,00 2.000,00 25.000,00 11.000,00 14.200,00 2.000,00

APLICAES (2) (4) (11) (12)

95.200 79.000,00

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Finalmente: Variao do CCL = Origens Aplicaes Variao do CCL = 95.200 79.000 = 16.200 (positiva) Houve um aumento do CCL de R$ 16.200,00 Resposta: Letra C

Pessoal, vocs devem estar pensando: mas que questo enorme !!! Que trabalheira !!! claro que na prova daria para resolver de forma simplificada, utilizando apenas os razonetes. Porm, como vocs perceberam, o objetivo aqui revisar o mximo de contedo possvel. Por isso escolhemos questes como esta, que englobam grande quantidade de conceitos e lanamentos. Um abrao a todos. Nos encontramos no curso. Velter e Missagiawww.pontodosconcursos.com.br 14

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AULA 1: TPICOS ESPECIAIS- DIVERSOSPrezados alunos e alunas, A partir de hoje comeamos um curso novo de contabilidade. Trata-se de um curso de contabilidade geral com tpicos avanados, tratados em grau de profundidade suficiente para deix-los em condies de resolver aquelas questes mais pesadas ou mesmo aquelas exticas de contabilidade. Nesse nterim, alm de aprofundar os contedos normais de contabilidade, na tentativa de adivinhar aquela questo esdrxula que a ESAF sempre cobra nos concursos da Receita, traremos alguns pontos pouco explorados pela maioria dos livros de contabilidade e na maioria das provas. Ser o diferencial no vosso estudo. Um polimento! Comearemos a aula desta semana, justamente, com alguns tpicos especiais. claro que no abandonaremos os pontos tradicionais, afinal vocs querem ser aprovados no concurso e no apenas acertar as questes mais difceis ou exticas, no verdade?!!

TPICOS ESPECIAIS - DIVERSOS 1 - VENDAS PARA ENTREGA FUTURANuma operao de compra e venda de mercadorias, pode ocorrer que o comprador pretende efetuar a compra agora e retirar a mercadoria em outro momento. Salienta-se que neste caso a mercadoria existe e est no depsito ou na posse do vendedor, logo no estamos tratando do caso de venda antecipada em que o reconhecimento da receita ocorre apenas pela entrega das mercadorias ou quando elas passam a existir, quando o adiantamento dos clientes registrado como passivo exigvel. Estamos tratando de caso em que a mercadoria est disposio do comprador e este somente no a retira do estabelecimento do vendedor por sua convenincia, mas j lhe pertence. Assim, para o vendedor, a receita da venda deve ser reconhecida desde a realizao do negcio, isto , de imediato, inclusive procedendo a baixa das mercadorias vendidas do seu estoque se estiver adotando o sistema de inventrio permanente. Mas, o qu o vendedor far com as mercadorias do comprador e que no foram retiradas? O vendedor dever separar as mercadorias do comprador do seu estoque de mercadorias para venda e assume a condio de depositrio das mesmas, pois as mercadorias no lhe pertencem mais.www.pontodosconcursos.com.br 1

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Vejamos o assunto por meio de um exemplo com todos os lanamentos a ele inerentes. Exemplo: A empresa LOG-LUG S/A, lanou uma promoo de vendas concedendo desconto de 20% sobre o preo normalmente praticado com a mesma mercadoria. A empresa LIGADONA S/A, que est reformando o seu depsito de mercadorias para revenda, no pretende perder esta promoo e contata com a vendedora verificando a possibilidade de esta ficar como depositria em eventual compra no valor de R$ 125.000,00. A vendedora aceita as condies da compradora e o negcio realizado 01/10/2005, cuja retirada das mercadorias pela compradora dever ocorrer somente em 12/11/2005. O custo das mercadorias vendidas para a vendedora de R$ 92.000,00. Desconsiderando a incidncia de tributos na operao, teremos as seguintes implicaes contbeis na operao. Lanamentos: 1) Pela venda em 01/10/2005: D Clientes/Caixa/Bancos (Ativo Circulante) R$ 100.000,00 D Descontos incondicionais (redutora de venda) R$ 25.000,00 C Vendas de Mercadorias (Resultado) R$ 125.000,00 2) Pela segregao dos estoques relativos venda : D Estoques de Terceiros (AC) R$ 92.000,00 C Mercadorias de Terceiros em Depsito (PC) R$ 92.000,00 3) Pela baixa dos estoques vendidos em 01/10/2005: D CMV (Conta de Resultado) C - Estoques de Mercadorias (AC) R$ 92.000,00 R$ 92.000,00

4) Em 12/11/2005, por ocasio da entrega das mercadorias ao cliente: D Mercadorias de Terceiros em Depsito (PC) R$ 92.000,00 C - Estoques de Terceiros (AC) R$ 92.000,00 Percebam que por meio dos lanamentos de n 2 e 4 que se faz o controle das mercadorias do comprador. Pelo lanamento n 2 criada uma obrigao (Mercadorias de Terceiros em Depsito PC) em contrapartida o

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registro das mercadorias em depsito (Estoque de Terceiros AC). Pela efetiva entrega das mercadorias ao comprador (lanamento n 4), d-se a sada das mercadorias (Estoques de Terceiros - AC) e a conseqente baixa da obrigao (Mercadorias de Terceiros em Depsito PC).

2 - FATURAMENTO ANTECIPADOEm algumas circunstncias, o comprador pode querer, exclusivamente por sua convenincia, que o vendedor emita a Nota Fiscal e a fatura em relao a uma venda sem que este esteja de posse dos produtos ou mercadorias para entrega. Neste caso temos o que chamamos de faturamento antecipado sem que as mercadorias ou produtos estejam de posse do vendedor. Como o vendedor no possui as mercadorias ou os produtos para entrega, a receita somente deve ser reconhecida quando efetivamente entregar os bens ao comprador. Salienta-se que fato semelhante pode ocorrer na prestao de servios, caso em que a receita deve ser reconhecida apenas quando da efetiva prestao. Chama-se a ateno ao fato de que o faturamento antecipado no se constitui em recebimento antecipado e, neste caso, esta transao no h de constar nas demonstraes contbeis, pois ela no passa de mera promessa de compra e venda, devendo ser controlada por meio de contas de compensao, de forma extracontbil, conforme segue. D - Faturamento Antecipado (Conta de Compensao Ativa) C - Receitas Antecipadas a Apropriar (Conta de Compensao Passiva) Na efetiva entrega dos bens ou servios, efetua-se os seguintes lanamentos: D Clientes C Vendas D - Receitas Antecipadas a Apropriar (Conta de Compensao Passiva) C - Faturamento Antecipado (Conta de Compensao Ativa)

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3 - ICMS - SUBSTITUIO TRIBUTRIA A Constituio Federal estabelece no 7 do artigo 150 que A lei poder atribuir a sujeito passivo de obrigao tributria a condio de responsvel pelo pagamento de imposto ou contribuio, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituio da quantia paga, caso no se realize o fato gerador presumido. Este dispositivo representa a base da Substituio Tributria de modo geral. Na alnea b, do inciso XII, do artigo 155 da CF/88, a carta magna remete lei complementar para dispor sobre substituio tributria relativamente ao ICMS. Esse dispositivo constitucional foi jurisdicionado por meio da Lei Complementar n 87/1996 e complementado por diversos Convnios do ICMS no mbito do CONFAZ (Conselho Nacional de Poltica Fazendria). A LC n 87/1996, disciplinou a substituio tributria, por meio dos artigos 5 ao 10. Dada a sua relevncia, transcrevemos os principais trechos dessa regulamentao, do seguinte modo: Art. 6o Lei estadual poder atribuir a contribuinte do imposto ou a depositrio a qualquer ttulo a responsabilidade pelo seu pagamento, hiptese em que assumir a condio de substituto tributrio. (Redao dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) 1 A responsabilidade poder ser atribuda em relao ao imposto incidente sobre uma ou mais operaes ou prestaes, sejam antecedentes, concomitantes ou subseqentes, inclusive ao valor decorrente da diferena entre alquotas interna e interestadual nas operaes e prestaes que destinem bens e servios a consumidor final localizado em outro Estado, que seja contribuinte do imposto. ... Art. 8 A base de clculo, para fins de substituio tributria, ser: I - em relao s operaes ou prestaes antecedentes ou concomitantes, o valor da operao ou prestao praticado pelo contribuinte substitudo; II - em relao s operaes ou prestaes subseqentes, obtida pelo somatrio das parcelas seguintes: a) o valor da operao ou prestao prpria realizada pelo substituto tributrio ou pelo substitudo intermedirio;

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b) o montante dos valores de seguro, de frete e de outros encargos cobrados ou transferveis aos adquirentes ou tomadores de servio; c) a margem de valor agregado, inclusive lucro, relativa s operaes ou prestaes subseqentes. (grifamos). Da leitura do dispositivo percebe-se que a substituio pode ser para frente - antecedente, para trs - subseqente ou concomitante, inclusive ao valor decorrente da diferena entre alquotas interna e interestadual. O art. 8 versa sobre a base de clculo do imposto por substituio tributria, cujo dispositivo bastante claro, no cabendo comentrio adicional. Na prtica, a indstria ou distribuidor recolhe o ICMS devido das operaes seguintes at o consumidor final na substituio para frente e o vendedor varejista recolhe o tributo devido pelo distribuidor ou o industrial na substituio para trs. Exemplo 1 A Indstria Bom Pneu, efetuou a venda de 100 pneus para a empresa Repneus Ltda, ao preo unitrio de R$ 150,00. A operao est sujeita a IPI de 20% e ICMS tambm de 20%. Alm disso a indstria recolhe o ICMS substituio tributria para frente e sugere o preo de venda de R$ 300,00 a unidade dos pneus. O custo dos Pneus para indstria de R$ 98,00 por unidade: Elementos da Nota Fiscal: Descrio Valor da Operao venda de pneus IPI ICMS substituio Tributria Valor Total da Nota Fiscal de Venda R$ 15.000,00 R$ 3.000,00 R$ 3.000,00 R$ 21.000,00

Destaque de ICMS (normal) R$ 3.000,00 CONTABILIZAO: 1) Pelo registro da venda: D Caixa/Bancos/Clientes (AC) D ICMS s/ Vendas C - Vendas C IPI a Recolher C ICMS (substituio trib.) a Recolher R$ R$ R$ R$ R$ 21.000,00 3.000,00 15.000,00 3.000,00 3.000,005

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C ICMS Prprio a Recolher

R$

3.000,00

O ICMS - Substituio Tributria no receita da empresa vendedora, logo ele ser excludo da base de clculo do PIS e COFINS. 2) Pela baixa do estoque: D CPV C Estoque

R$ 9.800,00

Apurao do RCM ou Lucro Bruto na Indstria: Vendas Brutas (-) ICMS = Vendas Lquidas (-) CPV = Lucro Bruto R$ 15.000,00 R$ 3.000,00 R$ 12.000,00 R$ 9.800,00 R$ 3.200,00

Na empresa Repneus Ltda, o registro da aquisio com substituio tributria de pneus para revenda assume a seguinte configurao: Descrio Valor da Operao - pneus IPI ICMS substituio Tributria Valor Total da Nota Fiscal de aquisio Obs.: 1 A compradora tem o ICMS recolhido por substituio tributria, logo no faz jus ao crdito do ICMS normal incidente na aquisio. Assim, o valor do ICMS integra o custo de aquisio e vai para o estoque. 2 A adquirente no ter dbito de ICMS quando vender as mercadorias adquiridas, logo o ICMS por substituio dever compor o custo de aquisio e ser lanado no estoque. 3 A Revendedora uma empresa eminentemente comercial, logo no contribuinte do IPI e o valor deste integrar o custo de aquisio. Assim, teremos na compradora o seguinte lanamento pela aquisio dos pneus:www.pontodosconcursos.com.br 6

Valor R$ 15.000,00 3.000,00 3.000,00 21.000,00

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D Estoque de Mercadorias p/ Revenda (AC) C Caixa/Bancos/Fornecedores

R$ 21.000,00 R$ 21.000,00

Agora, se esse negcio de substituio tributria cair na prova, vocs j sabem do que se trata!!! Alm disso, como o ICMS por substituio tributria tem implicaes com a base de clculo do PIS e da Cofins, mesmo no caindo na prova os lanamentos da substituio, vocs estaro mais seguros no clculo do PIS e da Cofins!!

4 - IMPORTAO DE MERCADORIAS E MATRIASPRIMASSabemos que todos os gastos realizados e necessrios para a obteno de um bem devem ser considerados como custo de aquisio. Esta regra aplicvel aos bens adquiridos no mercado nacional ou no exterior. Assim, o custo a ser atribudo aos insumos ou mercadorias adquiridas no mercado externo e destinado para revenda composto por todos os gastos incorridos desde a data da assinatura do contrato de cmbio, at o efetivo desembarao aduaneiro dos bens. Estes gastos compreendem basicamente fretes, comisses, seguros, impostos no recuperveis e tarifas aduaneiras. Os tributos no recuperveis (inclusive o PIS e COFINS, se for o caso) que incidem na importao devem compor o custo de aquisio a ser atribudo aos bens importados (salientamos que somente as empresa tributadas com base no Lucro Real que podem recuperar o PIS e a Cofins). Todos os gastos efetuados e relativos importao devem ser agregados a uma conta especfica e transitria intitulada "Importao em Andamento" a ser classificada no Ativo Circulante. Por ocasio do desembarao dos bens, o importador far o registro no estoque em contrapartida da conta de Importao em Andamento. Para fins de apurao do custo de aquisio, a avaliao dos bens importados em moeda nacional deve ocorrer pela converso da moeda estrangeira pela taxa de cmbio (valor de venda) vigente na data do desembarao aduaneiro. Exemplo: Suponha que a empresa IMPORTA-SE S/A efetua a importao de 200 unidades de mercadorias, com os seguintes dados: Valor das mercadorias US$: 30,000.00www.pontodosconcursos.com.br 7

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Gastos para a obteno de licena de importao e pagamento de seguro: R$ 1.450,00 Valores da fatura do despachante aduaneiro (em R$): Taxas Porturias e Alfandegrias Imposto de Importao Honorrios do Despachante ICMS IPI Total da Fatura do Despachante Frete R$ 1.500,00 Data do recebimento da fatura do fornecedor estrangeiro: 05/05/2004. Data do desembarao: 10/06/2004 Data do pagamento da fatura do fornecedor estrangeiro: 30/09/2004 Taxas do dlar comercial de venda fixada pelo Banco Central (valores hipotticos): 05/05/2004 = R$ 2,6594 10/06/2004 = R$ 2,7827 A liquidao do cmbio para pagamento do fornecedor estrangeiro, em 30/09/2004, se deu pela taxa de R$ 2,9324 por dlar. 1) Registro dos gastos com a obteno da Licena de Importao e a contratao de seguro: D - Importao em Andamento (AC) C - Bancos C/ Movimento (AC) 1.746,00 3.780,00 2.100,00 12.650,00 6.700,00 26.976,00

R$ 1.450,00

2) Registro do adiantamento ao despachante aduaneiro: D - Adiantamento por Conta de Importao (AC) C - Bancos C/ Movimento (AC) R$ 26.976,00 3) Registro da fatura do fornecedor estrangeiro em 05/05/2004 (US$ 30.000,00 x R$ 2,6594): D - Importao em Andamento (Ativo Circulante)www.pontodosconcursos.com.br 8

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C Fornecedores estrangeiros

R$ 79.782,00

4) Variao cambial at o desembarao das mercadorias em 10/06/2004: Clculo: US$ 30.000,00 x 2,7827 = R$ 83.481,00 R$ 83.481,00 R$ 79.782,00 (valor contabilizado) = R$ 3.699,00 D - Importao em Andamento (Ativo Circulante) C - Fornecedores estrangeiros R$ 3.699,00 5) Pelo registro da fatura do despachante aduaneiro: a) Valores que integraro o custo dos bens adquiridos: D Importao em Andamento (Ativo Circulante) C Adiantamento Despachantes Aduaneiros (PC) b) Impostos recuperveis: D IPI a Recuperar (Ativo Circulante) D ICMS a Recuperar (Ativo Circulante) C - Importao em Andamento (Ativo Circulante) R$ 6.700,00 R$ 12.650,00 R$ 19.350,00

R$ 26.976,00

6) Pela transferncia do saldo da conta "Importao em Andamento" para a conta definitiva, em face da entrada das mercadorias/matrias-primas no estabelecimento: Demonstrao da conta: Licena de Importao e Seguro R$ 1.450,00 Fatura da Mercadoria R$ 79.782,00 Variao Cambial da Fatura R$ 3.699,00 Taxas Porturias e Alfandegrias R$ 1.746,00 Imposto de Importao R$ 3.780,00 Honorrios do Despachante R$ 2.100,00 Soma R$ 92.557,00 D Estoque de mercadorias C Importao em andamento 7) Contabilizao do frete: D - Estoque (Ativo Circulante)www.pontodosconcursos.com.br 9

R$ 92.557,00

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C Fretes a Pagar (Passivo Circulante) R$ 1.500,00 8) Reconhecimento da variao cambial sobre a importao a pagar no perodo entre o desembarao aduaneiro at a data do pagamento do fornecedor em 30/09/2004: Clculo: US$ 30,000.00 x 2,9324 = R$ 87.972,00 Saldo de importao a pagar R$ 83.481,00 Variao: R$ 87.972,00 R$ 83.481,00 = R$ 4.491,00 D - Variao Cambial Passiva (Resultado) C - Fornecedores estrangeiros R$ 4.491,00

Aps os lanamentos aludidos, a demonstrao do custo unitrio da mercadoria importada ficar como segue: Valor da Importao Frete Total do Custo Unidades Custo Unitrio R$ 92.557,00 R$ 1.500,00 R$ 94.057,00 200 R$ 470,28

LANAMENTOS DE RAZOImportaes em Andamento (1) 1.450,00 19.350,00 (5.b) (3) 79.782,00 (4) 3.699,00 (5.a) 26.976,00 92.557,00 92.557,00 (6) Bancos c/ Movimento 1.450,00 (1) 26.976,00 (2)

SI

Fornecedores Estrangeiros 79.782,00 (3) 3.699,00 (4) 4.491,00 (8) 87.972,00 IPI a Recuperar (5.b) 6.700,00

Adiantamentos a Despachantes (2) 26.976,00 26.976,00 (5.a)

ICMS a Recuperar (5.b) 12.650

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CURSOS ON-LINE- CONTABILIDADE- TPICOS AVANADOSPROFESSORES MISSAGIA E VELTER Fretes a Pagar 1.500,00 (7) Mercadorias - Estoque (6) 92.557,00 (7) 1.500,00 94.057,00

Variao Cambial Passiva (8) 4.491,00

CONTABILIZAO DO PIS E COFINS SOBRE IMPORTAO A partir de 01/05/2004, por fora da Lei 10.865/2004, incide PIS e COFINS na importao de bens e servios. Antes de apresentarmos as implicaes contbeis relativas a essas contribuies vamos ver alguma coisa, resumidamente, sobre a legislao de regncia para deix-los a par do que se estar fazendo na contabilidade. O objetivo da Instituio das Contribuies Incidentes sobre as Importaes foi o de estabelecer a isonomia tarifria entre produtos e servios nacionais e produtos e servios importados. Incidncia 1. Importao de produtos 2. Importao de servios Consideram-se importados os servios prestados por pessoa fsica ou jurdica residente ou domiciliada no exterior: Executados no Pas; ou Executados no exterior, cujo resultado se verifique no Pas. Fato Gerador Para produtos: a entrada de produto importado em territrio nacional. Consideram-se, tambm, entrados em territrio nacional os bens que constem como importados cujo extravio seja apurado pela administrao aduaneira. Para servios: o pagamento, o crdito, a entrega ou a remessa de valores para pases estrangeiros. Ocorrncia do Fato Gerador 1. Para produtos: data do registro da Declarao de Importao; data do lanamento do crdito tributrio, no caso de extravio;www.pontodosconcursos.com.br 11

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data do vencimento do prazo de permanncia em recinto alfandegado, se iniciado o despacho aduaneiro. 2. Para servios: data do pagamento, do crdito, da entrega, do emprego ou da remessa de valores. Contribuintes Para Produtos: O importador, pessoa fsica ou jurdica que promova a entrada de produtos estrangeiros em territrio nacional. Equiparam-se a importador: o destinatrio de remessa postal internacional; e o adquirente de mercadoria entrepostada. Para Servios: A pessoa fsica ou jurdica contratante de servios de residentes ou domiciliados em pas estrangeiro. Base de Clculo Para Produtos: Valor Aduaneiro (VA) Para efeitos das contribuies temos que: VA = BC do II + ICMS + PIS/Pasep-Importao + Cofins-Importao Para Servios:Valor pago, creditado, entregue ou remetido para o exterior (antes da reteno do IR) + ISS + PIS/Pasep Importao + Cofins Importao. Alquotas Bsicas PIS/PASEP-Importao = 1,65%. COFINS-Importao = 7,6%. Isenes Importaes realizadas por PJ de direito pblico, por Misses Diplomticas ou por representantes de organismos internacionais. Remessas postais sem valor comercial ou destinadas a pessoas fsicas. Bagagem de viajantes, bens adquiridos em lojas francas no Pas ou bens destinados subsistncia das famlias em cidades fronteirias. Bens importados sob regime de drawbackwww.pontodosconcursos.com.br 12

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Objetos de arte. Equipamentos importados por instituies cientficas ou por cientistas e pesquisadores. No incidncia Bens estrangeiros que cheguem ao Pas por erro de expedio. Bens destinados a reposio de outros anteriormente importados, que tenham se revelado, aps o desembarao, imprestveis. Bens estrangeiros que tenham sido objeto de pena de perdimento. Bens devolvidos ao exterior antes do registro da DI. Pescado capturado fora das guas territoriais. Bens submetidos ao regime de exportao temporria. Bens ou servios importados por entidades beneficentes de assistncia social. Bens em transito aduaneiro de passagem, acidentalmente destrudos. Bens avariados, desde que destrudos sob controle aduaneiro. Custo do transporte internacional e outros servios, que tiverem sido computados no valor aduaneiro. Clculo dos Crditos Alquotas Bsicas PIS/Pasep = 1,65% Cofins = 7,6% Lei 10.865, art. 15 - os contribuintes de PIS/Pasep e Cofins nocumulativos podem descontar crditos calculados sobre o valor que serviu de BC das contribuies na importao nas hipteses de: Bens adquiridos para revenda. Bens e servios utilizados como insumos. Energia eltrica. Aluguis e contraprestao de arrendamento mercantil. Bens incorporados ao ativo imobilizado. Assim, em face da legislao aplicvel, o procedimento contbil a ser adotado para tais contribuies a seguinte: PIS e COFINS RECUPERVEIS Na hiptese de o importador valer-se do crdito, bastar contabilizar tais valores em conta do Ativo Circulante, como PIS e COFINS a Recuperar. Exemplo: PIS e COFINS devidos na importao, nos valores de R$ 1.650,00 e R$ 7.600,00, respectivamente, que sero compensados posteriormente com as respectivas contribuies: 1. Pelo registro do pagamento:www.pontodosconcursos.com.br 13

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D. PIS a Recuperar (Ativo Circulante) D. COFINS a Recuperar (AC) C. PIS Importao a Recolher (PC) C. COFINS Importao a Recolher (PC)

R$ 1.650,00 R$ 7.600,00 R$ 1.650,00 R$ 7.600,00

2. Pela compensao efetuada no final do ms com as respectivas contribuies apuradas: D. PIS Receita Bruta a Recolher (PC) C. PIS a Recuperar (AC) R$ 1.650,00 e D. COFINS Receita Bruta a Recolher (PC) C. COFINS a Recuperar (AC) R$ 7.600,00 Entretanto, se o importador no puder compensar o valor dos tributos (forma cumulativa), ele deve fazer o seguinte lanamento: Exemplo: PIS e COFINS na importao de mercadorias para revenda, nos valores de R$ 1.650,00 e R$ 7.600,00. O contribuinte tributado pelo IRPJ com base no Lucro Presumido: D Importaes em Andamento R$ 9.250,00 C PIS Importao a Recolher (PC) R$ 1.650,00 C COFINS Importao a Recolher (PC) R$ 7.600,00 Percebam que neste caso o valor do PIS e da Cofins integraro o custo de aquisio, pois o importador no tem o direito de optar pela forma da nocumulatividade dessas contribuies, visto que tributado pelo Lucro Presumido. Obs.: Somente as pessoas jurdicas tributadas com base no Lucro Real que podem optar pela no-cumulatividades do PIS e da Cofins.Pessoas Jurdicas excludas da incidncia no-cumulativa das contribuies: 1.Pessoas jurdicas tributadas pelo Lucro Presumido ou Arbitrado; 2.Pessoas jurdicas optantes do SIMPLES; 3.Pessoas jurdicas imunes a impostos; 4.Instituies financeiras, empresas de seguros privados, entidades de previdncia privada, empresas de capitalizao ( 6o do art. 3o da Lei no 9.718, de 1998); 5.Pessoas jurdicas que tenham por objeto a securitizao de crditos imobilirios, nos termos da Lei no 9.514, de 1997, e financeiros ( 8o do art. 3o da Lei no 9.718, de 1998);

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6.Operadoras de planos de assistncia sade ( 9o do art. 3o da Lei no 9.718, de 1998); 7.rgos pblicos, autarquias e fundaes pblicas federais, estaduais e municipais e as fundaes de ensino e pesquisa do art. 61 do ADCT da CF 1988; 8.Empresas particulares que explorem servios de vigilncia e transporte de valores na forma da Lei n 7.102, de 1983; 9.Sociedades cooperativas, exceto as de produo agropecuria e as de consumo.

5 ICMS NA AQUISIO DO IMOBILIZADOO assunto tratado pela Lei Complementar 114/2002, dispondo que a partir de 01/01/2007 os crditos decorrentes de entrada de ativo permanente podero ser apropriados razo de 1/48 por ms. A contabilizao do referido crdito a apropriar deve ser feito em conta do ativo (impostos a recuperar) e a crdito de imobilizado, j que o ICMS recupervel considerado como redutor do custo de aquisio. Exemplo: Valor de Aquisio de Mquina: R$ 80.000,00 Valor do ICMS R$ 12.000,00 Clculo do ICMS recupervel por ms para fins de distribuio nas contas do AC e ARLP: R$ 12.000,00 / 48 meses = R$ 250,00/ms) Ativo Circulante: 12 x R$ 250,00 = R$ 3.000,00 ARLP: 36 x R$ 250,00 = R$ 9.000,00 1. Contabilizao do ICMS recupervel: D ICMS s/ Imobil. a Recuperar (AC) D - ICMS s/ Imobil. a Recuperar (ARLP) C Mquinas e Equipamentos(Imob) R$ 3.000,00 R$ 9.000,00 R$ 12.000,00

2. Apropriao do ICMS 1/48 no ms: D - ICMS a Recolher (PC)www.pontodosconcursos.com.br 15

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C - ICMS s/ Imobil. a Recuperar (AC)

R$ 250,00

6 BONIFICAO EM MERCADORIASEm algumas operaes com mercadorias (compra e venda) o desconto concedido ao comprador no na forma tradicional (diminuio do valor a desembolsar), mas mediante aumento da quantidade de mercadorias a ele entregues. Veja-se que em situaes como esta na Nota Fiscal, em vez dos tradicionais descontos, mantm-se o valor de venda, porm h a entrega de uma quantidade adicional de mercadorias. Exemplo: A empresa HORROR S/A adquire para revenda da empresa RIR S/A 200 unidades de mquinas fotogrficas digitais, ao preo unitrio de R$ 440,00. A vendedora, por essa quantidade adquirida pelo comprador, em vez de conceder o tradicional desconto sobre vendas (desconto incondicional ou comercial), d uma bonificao de 10% ao vendedor, entregando ao todo 220 cmeras digitais. O custo unitrio das cmeras para a vendedora de R$ 360,00. Essa bonificao, para o comprador, deve ser entendida como sendo um desconto por unidade da mercadoria adquirida, diminuindo o seu custo. Para o vendedor, esse desconto representa aumento do CMV. Percebam que neste caso a bonificao de 20 unidades est atrelada venda de um lote de 200 unidades, isto , h vinculao da receita com vendas e a baixa do estoque de 220 unidades. O preo de venda unitrio real, neste caso, foi de R$ 400,00 (R$ 440,00 x 200 /220). Desta forma, e considerando que a entrega da quantidade adicional est vinculada ao negcio em si, a classificao contbil da baixa das 20 unidades "bonificadas" deve ser efetuada em conta de CMV, da mesma forma como se dar baixa das outras 200 unidades. Percebe-se que no se fala em despesas de vendas. CPV ou CMV mesmo, interferindo diretamente na apurao do resultado com mercadorias ou do Lucro Bruto. Contabilizao: 1) Pela venda D Caixa/Bancos/Clientes C Vendas Brutas R$ 88.000,0016

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2) Pela baixa do estoque D CMV/CPV C Estoque de Mercadorias R$ 79.200,00

No comprador, teremos o seguinte lanamento: D Mercadorias Estoque C Caixa/Bancos/Fornecedores R$ 88.000,00 O Custo Unitrio ser de R$ 400,00 (R$ 88.000,00 / 220 u) Se no caso do exemplo anterior, ao invs de haver a bonificao, as 20 unidades adicionais da mercadoria tivessem sido distribudas como amostra, sem vinculao com a venda ou sem realizao direta de receita vinculada a cada unidade entregue, a o custo dessas unidades deveria ser classificado como conta de resultado em outras despesas operacionais despesas com vendas. D Despesas com Vendas C Estoque de Mercadorias Ateno! Em nosso exemplo desconsideramos a incidncia tributria. Caso as mercadorias estejam sujeitas a tributos (ICMS, por exemplo), este deve ser considerado inclusive na distribuio de amostras! R$ 7.200,00 R$ 7.200,00

7 CARTES DE CRDITO - COMPRAS E VENDASDevem ser lanadas como vendas a prazo as realizadas por meio de cartes de crdito, visto que as administradoras de cartes de crdito efetuam o pagamento, geralmente, algum tempo aps as autorizaes de pagamento por parte do comerciante. A receita das administradoras de cartes de crdito provm da cobrana de uma taxa sobre o valor do crdito autorizado (venda) as chamadas taxas de administrao do carto de crdito (vejam que ns, os mortais, tambm pagamos anuidade, ou no, para ter o desgraado do carto de crdito e nos incomodamos muito com isso, principalmente quando queremos cancelar o danado do carto.www.pontodosconcursos.com.br 17

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um tal de 0800 pra c, outro pra l, trezentos atendentes e ningum resolve nada!). Exemplo A empresa IN LOCO S/A, no dia 10/10/2005, realizou a venda de um refrigerador pelo valor de R$ 1.300,00. O cliente, o Sr. Jacinto Adoralino Bolso, paga sua compra com carto de crdito da Administradora SYNO INTERNACIONAL. Esta operadora cobra do vendedor a taxa de 5%. Em 05/11/2005, ocorre a liquidao do crdito com a empresa vendedora, por meio de depsito bancrio. ICMS a alquota de 20%. CONTABILIZAO: 1 - Pela venda da mercadoria: D Crditos com Administradoras de carto (AC) D - Despesas com Vendas (Conta de Resultado) C - Receita de Vendas (Conta de Resultado) R$ 1.235,00 R$ 65,00 R$ 1.300,00

interessante observar que esse lanamento poderia ter sido realizado da seguinte forma: D Crditos com Administradoras de carto (AC) C - Receita de Vendas (Conta de Resultado) e D - Despesas com Vendas (Conta de Resultado) C - Crditos com Administradoras de carto (AC) 2 Pelo ICMS incidente sobre vendas: D - ICMS sobre Vendas (Conta de Resultado) C - ICMS a Recolher (PC) R$ R$ 65,00 65,00 R$ 1.300,00 R$ 1.300,00

R$ 260,00

3 Por ocasio do efetivo recebimento da administradora: D - Banco Conta Movimento (AC) C - Crditos com Administradoras de carto (AC)

R$ 1.235,00

Salientamos que o reconhecimento da despesa com a taxa cobrada pela administradora deve ser pelo regime de competncia, ou seja, no ms ou ano em

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que a venda realizada e no apenas quando do recebimento do valor da venda (pagamento da administradora). Outro aspecto interessante a ser destacado que a conta debitada pela venda ser sempre a administradora do carto de crdito e nunca o cliente, pois a administradora, por fora de contrato, assume a responsabilidade para efetuar o pagamento ao vendedor e usa de todos os meios possveis para cobrar do Sr. Jacinto Adoralino Bolso pelo crdito aberto. Assim, se o comprador no pagar a fatura do carto de crdito, a empresa vendedora j recebeu e est livre de qualquer nus decorrente dessa inadimplncia do comprador perante a operadora do carto de crdito. o caso. Para o comprador, o lanamento da compra de mercadorias com carto de crdito bastante simples: D mercadorias compras C Carto de crdito faturas a pagar

R$ 1.300,00

8 - COMPRAS COM CHEQUES PR-DATADOSO cheque , por definio, uma ordem de pagamento vista. Todavia, largamente adotada no comrcio a prtica de realizar compras e vendas mediante cheque pr-datado, ou seja, sob o compromisso de somente ser apresentado ao banco sacado em determinada data posterior. Embora inexista previso legal para o cheque pr-datado e, ainda, levando-se em conta opinies no sentido de que ele no deve ser objeto de lanamento contbil (por ser figura estranha ao ordenamento jurdico), entendemos ser vivel e necessrio o registro desse tipo de operao, como forma de melhor demonstrar a situao patrimonial da empresa. Dessa forma, na hiptese de realizao de compras por meio de cheques pr-datados, sugere-se os seguintes lanamentos contbeis:

Pelo registro da compra efetuada:

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D - Estoque ou Ativo Imobilizado (AC/AP) C - Fornecedores (PC) Pelo pagamento ao fornecedor, com cheque pr-datado: a) se houver fundos suficientes no banco sacado: D - Fornecedores (PC) C - Bancos conta movimento (AC) b) se no houver fundos suficientes no banco sacado: D - Fornecedores (PC) C - Cheques a Pagar (PC) c) quando for providenciado fundo suficiente para a cobertura do cheque: D - Cheques a Pagar (PC) C - Bancos conta movimento (AC)

9 - AQUISIO DE SEMOVENTESSegundo o Professor Antnio Lopes de S, por meio de seu Dicionrio de Contabilidade, SEMOVENTES Ttulo de conta que se destina ao registro dos animais adquiridos para prestar servios empresa ou para produzir renda. Conta que pertence ao grupo do imobilizado. Desta forma, classificam-se como semoventes os animais que a empresa adquira com a finalidade de prestar-lhe algum tipo de servio (por exemplo: animais de trao destinados produo). Nesta acepo, os semoventes devem ser registrados no Ativo Permanente (subgrupo Imobilizado ou Investimento, conforme o caso) estando sujeitos a todos os tratamentos contbeis atinentes queles bens, inclusive aos processos de depreciao a partir do momento em que passem efetivamente a ser utilizados. Assim, se determinada empresa adquirir um animal para prestar-lhes algum servio, o registro contbil merece a seguinte grafia:

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D - Semoventes (AP) C - Caixa ou Bancos Conta Movimento (AC)

10 - Doaes recebidas em mercadorias para revendaNo se trata de operao comum, mas possvel que determinada empresa receba em doao mercadorias destinadas revenda. Salientamos que no importa a origem das mercadorias existentes para revenda (compra, doao, produo prpria), pois o montante destas estar disposio para venda e devem ser classificadas em estoque de mercadorias. No que concerne aos registros contbeis, podem surgir as seguintes situaes: 1 Compra de mercadorias: D Estoque C Caixa/Bancos/Fornecedores 2 Mercadorias produzidas: D Estoque C Produtos em elaborao 3 Mercadorias recebidas em doao: D Estoque C Mercadorias Recebidas em Doao (Resultado) Percebam que no caso de mercadorias recebidas em doao, consoante o princpio da competncia, ocorre uma receita. Por qual valor deve ser mensurada esta receita (mercadorias)? As mercadorias recebidas em doao devem ser registradas pelo valor de mercado, isto , o valor pelo qual possam ser adquiridas em uma transao normal.

11 - ADIANTAMENTOS PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL SOCIAL

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Os recursos oriundos de scios ou acionistas para futuro aumento de Capital Social podem ter duas destinaes contbeis conforme exista a possibilidade de devoluo ao investidor ou no dos recursos por eles repassados empresa. A Lei das Sociedades Annimas no traz uma posio em relao a esta hiptese. Entretanto, a legislao fiscal, por meio dos Pareceres Normativos CST n 23, de 26.06.81, e CST n 28, de 21.12.84, que, em sntese, estabelecem o seguinte: Ocorrendo a eventualidade de adiantamento para futuro aumento de capital, qualquer que seja a forma pela qual os recursos tenham sido recebidos, mesmo que sob a condio para utilizao exclusiva em aumento de capital, esses ingressos devero ser mantidos fora do patrimnio lquido, por serem esses adiantamentos considerados obrigao para com terceiros, podendo ser exigidos pelos titulares enquanto o aumento de capital no se concretizar. O patrimnio lquido fica definitivamente aumentado quando, aps a subscrio, ocorrer o recebimento de cada parcela de integralizao. Destarte, em face da legislao fiscal, a classificao dos adiantamentos para futuro aumento de capital deve ser registrada como exigibilidades (PC ou PELP). D Caixa/Bancos C Scios ou Acionistas (adiantamento para futuro aumento de capital) Entretanto, quando os adiantamentos recebidos so amparados por clusula de absoluta permanncia na sociedade, isto , no existe a possibilidade de devoluo, eles no devem figurar como exigvel. Tambm no devem figurar como Resultados de Exerccios Futuros, pois o aumento de capital com origem de recursos externos no se caracteriza como operao de resultado. Neste caso, resta-nos a opo de classificar esse adiantamento para futuro aumento de capital como parte integrante do patrimnio lquido. Desta forma, somente devem figurar em grupo do Patrimnio Lquido os adiantamentos sobre os quais no se tenha nenhuma dvida quanto a sua permanncia na empresa. Caso haja dvidas neste aspecto, isto , se existir a possibilidade de devoluo dos valores, estes devem ser registrados no Passivo Exigvel. Ressalte-se que a inteno de permanncia deve ser formalizada por documentos irrevogveis. Desta forma, podemos estabelecer, conclusivamente, o seguinte critrio:

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1 Se os adiantamentos para aumento de capital possurem destinao nica para incorporao ao capital social, a classificao h de ser em conta distinta, no grupo patrimnio lquido; 2 Havendo dvidas de que os adiantamentos iro se incorporar ao capital, a sua classificao h de ser em contas do passivo exigvel (PC ou PELP). Exemplos: 1 A empresa BONSLUCROS S/A recebeu de seus acionistas a quantia de R$ 180.000,00, com o fim especfico de aumento de Capital Social, formalizado por meio de contrato com clusula de irrevogabilidade: Registros contbeis: a) Pelo recebimento dos recursos: D Bancos Cta. Movimento (AC) C - Adiantamentos para Aumento de Capital (PL) R$ 180.000,00 b) Pelo efetivo aumento do capital social: D - Adiantamentos para Aumento de Capital (PL) C - Capital Social (PL) R$ 180.000,00 2 A empresa BOASNOVAS Ltda., em perodo de crise de liquidez, recebeu de seus scios a quantia de R$ 120.000,00 que poderiam, eventualmente ser utilizados para um futuro aumento de Capital Social. Registros contbeis: a) Pelo recebimento dos recursos: D Bancos Cta. Movimento (AC) C - Adiantamentos para Aumento de Capital (PC ou PELP) b) Pelo efetivo aumento do capital social: D - Adiantamentos para Aumento de Capital (PC ou PELP) C - Capital Social (PL) c) Pela devoluo aos scios: D - Adiantamentos para Aumento de Capital (PC ou PELP) C Caixa/Bancos (AC) R$ 120.000,00 R$ 120.000,00 R$ 120.000,00

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Chamamos a ateno que pode haver a Reserva para aumento de Capital, que pode ser uma reserva estatutria se decorrente de previso no estatuto. Porm sempre uma reserva de lucros e sempre far parte do PL. Neste sentido, vejamos a seguinte questo: A Cia. Eira & Eira foi constituda com capital de R$ 750.000,00, por trs scios, que integralizaram suas aes como segue: Ado Macieira R$ 300.000,00 Ben Pereira R$ 150.000,00 Carlos Parreira R$ 300.000,00 Aps determinado perodo, a empresa verificou que nas suas operaes normais lograra obter lucros de R$ 600.000,00, dos quais R$ 150.000,00 foram distribudos e pagos aos scios. Os restantes R$ 450.000,00 foram reinvestidos na empresa na conta Reserva para Aumento de Capital, nada mais havendo em seu Patrimnio Lquido. Sabendo-se que esta empresa no tem resultados de exerccios futuros e que suas dvidas representam 20% dos recursos aplicados atualmente no patrimnio, podemos afirmar que o valor total de seus ativos de a) R$ 1.200.000,00 b) R$ 750.000,00 c) R$ 600.000,00 d) R$ 1.350.000,00 e) R$ 1.500.000,00Resoluo: O Patrimnio Lquido da empresa de R$ 1.200.000,00 (R$ 750.000,00 de Capital Social e R$ 450.000,00 de Reserva de Lucros). Como as dvidas representam 20% do capital aplicado no patrimnio da empresa, podemos dizer que o passivo representa 20% do Ativo. Assim: A 0,2 A = PL A 0,2 A = R$ 1.200.000,00 0,8 A = R$ 1.200.000,00 A = R$ 1.200.000,00 / 0,8 A = R$ 1.500.000,00 Resposta letra e.

Assim, chegamos ao final de nossa primeira aula de Contabilidade Geral, tpicos avanados. Sabemos que exploramos pontos pouco cobrados em concursos, mas eles foram necessrios medida que a Esaf costuma cobrar coisas diferentes em suas provas. Nas aulas seguintes nos aprofundaremos nos tpicos normais de contabilidade e traremos mais algumas novidades. Tambm queremos deixar claro que se o bendito edital sair (o que esperamos seja em breve) e se nele constar algum assunto diferente, ele ser tratado neste espao. Acreditamos que pode ser cobrado alguma coisa comwww.pontodosconcursos.com.br 24

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relao a demonstrao do fluxo de caixa. Mas isto apenas um palpite, logo no interessante que vocs saiam estudando esse assunto, visto que neste momento devemos concentrar a nossa ateno quilo que est praticamente certo. O resto esperar o Edital! A seguir apresentamos algumas questes diversas com os respectivos gabaritos oficiais, do tipo certo ou errado para que vocs exercitem. As referidas questes no possuem relao direta com a aula apresentada, mas como o curso avanado, presume-se que sejam conhecedores da matria. Ademais, os exerccios serviro de base para discusso dos temas mais relevantes nas aulas seguintes. Alm disto, aceitamos algumas questes, desde que com indicao da fonte, para, a nosso juzo, inclu-las nas aulas. Sugerimos que utilizem as 48 questes apresentadas como se fosse um SIMULADO para verificar o vosso conhecimento. Bom estudo e bom proveito dos exerccios!!!

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EXERCCIOS PROPOSTOS:Conta banco receita antecipada material de consumo receita de vendas devoluo de compras energia eltrica a pagar despesa com energia eltrica despesa com salrios despesa com seguros despesa com aluguel despesa antecipada com assinatura de revistas prdios veculos depreciao acumulada capital social fretes sobre compras estoque inicial despesas financeiras aquisio de mercadorias estoque final seguro sobre compras duplicatas a receber fornecedores proviso para contingncias proviso para devedores duvidosos dedues de receitas receitas financeiras dedues sobre vendas reservas despesas com material de consumo despesas com depreciao saldo (em R$) 34.000 25.000 5.500 50.000 10.000 500 700 5.000 680 1.800 580 25.000 16.000 8.000 48.000 900 30.000 900 50.000 60.000 500 5.000 10.000 1.900 890 200 1.900 1.000 5.000 600 450

Com relao ao balancete apresentado acima, julgue os itens seguintes, considerando o que preconiza a Lei das Sociedades por Aes (Lei n. 6.404/1976). 01 - O valor apurado do custo da mercadoria vendida de R$ 11.400,00. 02 - O valor do lucro acumulado, antes da apurao do resultado do perodo, igual a R$ 17.620,00. 03 - O passivo circulante de R$ 35.500,00. 04 - O ativo circulante igual a R$ 105.080,00.

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05 - O valor do lucro acumulado aps a elaborao da demonstrao do resultado do exerccio de R$ 29.170,00. 06 - O valor do passivo realizvel em longo prazo R$ 1.900,00. 07 - A receita lquida de vendas corresponde a R$ 48.800,00. 08 - O valor do ativo permanente imobilizado maior que o valor do ativo permanente investimentos. 09 - Caso a empresa receba o valor registrado como proviso para devedores duvidosos, o valor do ativo circulante sofrer acrscimo, fato esse que no influenciar a demonstrao do resultado do exerccio. 10 - Uma reduo na conta de despesa antecipada provocar uma reduo no passivo circulante, uma vez que essa despesa uma obrigao da empresa. Acerca das peculiaridades das contas contbeis e seus registros e da influncia dos princpios contbeis, julgue os itens a seguir. 11 - Ao se constituir a proviso para imposto de renda, deve haver, nas contas contbeis, um decrscimo no resultado e um acrscimo no passivo. 12- O registro do ativo deve ser efetuado segundo o regime de competncia e o princpio da prudncia. 13- Ao se registrar o estoque final com valor superavaliado, o valor do custo da mercadoria vendida ser subavaliado no perodo subseqente. 14- Ao se considerar o estorno do registro da reserva de reavaliao, o valor do ativo permanente ser reduzido. 15- O passivo a descoberto configura a existncia de patrimnio lquido negativo. 16 - Ao utilizar plano de contas, a empresa, compulsoriamente, adota uma estrutura de contas que s poder ser substituda em caso de mudana da Lei n. 6.404/1976. Com base nas disposies da Lei n. 6.404/1976 Lei das Sociedades por Aes , julgue os itens a seguir.

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17 - A legislao societria estabelece que os titulares de aes ordinrias tm direito a um dividendo mnimo obrigatrio de 25% do lucro lquido ajustado. 18 - Sociedade controladora a que detm, diretamente ou por meio de outras controladas, direitos de scio que lhe assegurem, permanentemente, a condio de predominncia nas assemblias e a prerrogativa de escolher a maioria dos administradores. Com base na legislao societria e nos princpios fundamentais de contabilidade, julgue os itens subseqentes, relativos s sociedades comerciais em geral. 19 - Os estoques de mercadorias destinadas venda so avaliados ao custo de aquisio, de acordo com o critrio de custeamento das respectivas baixas, ou pelo valor de mercado, se este for menor. 20 - O custo das mercadorias vendidas pode ser calculado pelos sistemas do inventrio peridico e do inventrio permanente. No primeiro caso, as existncias fsicas devem ser ajustadas ao saldo contbil; no segundo, ajusta-se o saldo contbil s existncias fsicas. De acordo com a legislao societria e a CVM, julgue o item a seguir. 21 - Enquanto a Lei das Sociedades por Aes restringe a obrigatoriedade de consolidao das demonstraes financeiras s companhias abertas que tiverem mais de 30% de seu patrimnio lquido representado por investimentos em controladas, a CVM eliminou esse percentual, aplicandose a consolidao independentemente da representatividade desses investimentos em relao ao patrimnio lquido da controladora. Com base nos critrios contbeis aplicveis aos investimentos societrios, julgue o item seguinte. 22 - Os dividendos recebidos de participaes societrias avaliadas com base na equivalncia patrimonial so registrados como reduo do valor dos respectivos investimentos, no ativo da sociedade investidora. Quanto aos critrios para destinao do resultado, julgue o item subseqente. 23 - Para evitar as distores resultantes da contabilizao dos juros sobre o capital prprio como despesa financeira, a CVM determina que aswww.pontodosconcursos.com.br 28

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companhias abertas efetuem a reverso de seu valor para efeito de apurao do resultado lquido do exerccio. Com base na sistemtica contbil do imposto de renda das pessoas jurdicas, julgue o item a seguir. 24 - O imposto de renda devido, por depender da existncia de lucro contbil, constitui uma apropriao do resultado, e se limita parcela remanescente do lucro lquido, depois de deduzidas as demais despesas. Com relao sistemtica contbil do imposto de renda na fonte, julgue o item abaixo. 25 - Na contabilizao do imposto de renda incidente na fonte sobre rendimentos auferidos pela pessoa jurdica, compensvel na declarao, o lanamento no beneficirio desses rendimentos deve ser registrado da forma seguinte. D: Disponvel (caixa/bancos) D: Imposto de Renda a Compensar C: Receita de (...). Com base na sistemtica adotada para a contabilizao do ICMS, julgue o item a seguir. 26 - Considere a situao de uma empresa, em que determinada mercadoria sujeita alquota de ICMS de 15% estava cotada a R$ 1.000. A empresa adquirente conseguiu um desconto comercial de 10%. O lanamento na empresa adquirente foi feito da seguinte forma. D mercadorias 850 D ICMS a recuperar 150 C caixa (ou bancos) 900 C descontos obtidos 100 Com base na legislao da COFINS, julgue o item a seguir. 27 - A base de clculo da COFINS no-cumulativa tem como fato gerador o total das receitas auferidas pela pessoa jurdica, inclusive as nooperacionais decorrentes de venda do ativo permanente, deduzidas as vendas canceladas e os descontos financeiros concedidos. Considerando os sistemas de custo e os critrios de avaliao da produo e dos estoques, julgue o item seguinte.

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28 - No mtodo de custeio direto ou varivel, somente so considerados na avaliao dos estoques em processo e acabados os custos variveis, o que permite uma melhor anlise do desempenho da empresa, apesar das restries impostas pela legislao tributria. Considerando aspectos concernentes Lei das Sociedades por Aes e legislao correlata, julgue os itens seguintes. 29 - Para os efeitos da legislao aplicvel s sociedades por aes, a companhia fechada quando os valores mobilirios de sua emisso estejam admitidos negociao no mercado de valores mobilirios. 30 - Havendo a propriedade de aes nominativas, deve haver a inscrio do nome do acionista no livro de registro de aes nominativas e a emisso de extrato pela instituio custodiante, na qualidade de proprietria fiduciria das aes. 31 - A companhia aberta somente pode criar partes beneficirias para alienao onerosa ou para atribuio gratuita a sociedades ou fundaes beneficentes de seus empregados. 32 - As partes beneficirias podem ser alienadas pela companhia, nas condies determinadas pelo estatuto ou pela assemblia-geral. 33 - A amortizao de debntures da mesma srie que possuam vencimentos anuais distintos, assim como o resgate parcial, deve ser feita mediante sorteio ou por compra em bolsa, no caso de as debntures estarem cotadas por preo inferior ao valor nominal. 34 - proibido que a companhia adquira debntures de sua emisso, mesmo que por valor igual ou inferior ao nominal. 35 - Considere que certa empresa registrou R$ 50.000,00 na reserva de lucros a realizar. No exerccio subseqente, ocorreu a realizao do lucro, que no foi absorvido por prejuzos. Nesse caso, os R$ 50.000,00 devem ser acrescidos ao primeiro dividendo declarado aps a realizao. 36 - Apesar da extino da correo monetria de balanos, a companhia de economia mista, quando autorizada pelo ministrio a que estiver vinculada, pode limitar a correo monetria do ativo permanente ao montante necessrio para compensar a correo das contas do patrimnio lquido.

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37 - Nos casos de incorporao ou fuso, o prazo para exerccio do direito de retirada deve ser contado a partir da efetivao da operao, enquanto o pagamento do preo de reembolso somente ser devido aps a publicao da ata que aprovar o protocolo ou a justificao. Acerca da contabilidade de custos e do controle de estoques, julgue os itens a seguir. 38 - A devoluo de mercadorias ao fornecedor no valor de R$ 67.000,00 cuja aquisio ocorreu a prazo e com desconto comercial de R$ 5.000,00 deve ser corretamente registrada como a seguir. D duplicatas a pagar R$ 62.000,00 D desconto obtido R$ 5.000,00 C mercadorias R$ 67.000,00 39 - Ao registrar o ICMS da aquisio de mercadorias para revenda, a empresa deve aumentar seu ativo circulante em duas contas: mercadorias para revenda e ICMS a recolher. 40 - Ao efetuar o registro do estoque de mercadorias para revenda pelo valor de aquisio, a empresa deve obedecer ao conservadorismo e prudncia. No caso de perda dos documentos comprobatrios da aquisio de mercadorias, a empresa deve efetuar o registro, aps consulta ao mercado, sempre pelo maior valor, para no reduzir o seu ativo. Julgue os seguintes itens, relativos a normas aplicveis fuso, ciso e incorporao de empresas e a destinao/registro de lucros. 41 - Ao se registrar a fuso, h a transferncia, com sucesso universal, do patrimnio das sociedades incorporadas ou fusionadas para a sociedade incorporadora ou constituda. 42 - A pessoa jurdica de direito privado que resultar de fuso, transformao ou incorporao de outra ou em outra deve registrar em seu passivo os tributos devidos, at a data da mudana, pelas pessoas jurdicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. 43 - A ciso a transao pela qual uma companhia (cindida) transfere parcelas de seu patrimnio para uma ou mais sociedades, j existentes ou que sejam criadas precipuamente para esse fim. A ciso pode ser total, quando houver a verso de todo o patrimnio da sociedade cindida (que se extinguir), ou parcial, quando apenas parte do patrimnio vertido para outras sociedades e a personalidade jurdica da companhia cindida subsiste.www.pontodosconcursos.com.br 31

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44 - Na empresa resultante aps a ciso, sero efetuados os registros de bens, direitos e obrigaes transferidos da cindida e o registro do capital social integralizado com o patrimnio lquido transferido da cindida. 45 - Os lucros auferidos no exterior, por intermdio de filiais ou sucursais, controladas ou coligadas, sero adicionados ao lucro lquido, para a determinao do lucro real correspondente ao balano levantado no dia 31 de dezembro do ano-calendrio em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurdica domiciliada no Brasil. Quanto elaborao e divulgao do fluxo de caixa e demonstrao de origens e aplicao de recursos (DOAR), julgue os itens subseqentes. 46 - Enquanto o fluxo de caixa apresenta a variao do capital circulante lquido, a DOAR apresenta a movimentao econmica do perodo. 47 - Ao se registrar o pagamento de dividendos apropriados, h uma reduo do passivo circulante que no representada na DOAR, mas, sim, na demonstrao dos fluxos de caixa. 48 - O registro de provveis perdas de estoque no afetar o demonstrativo do fluxo de caixa porque no caracteriza desembolso. Por outro lado, esse fato afetar a DOAR porque se trata de item econmico que afeta o ativo circulante.

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GABARITO 01 C 02 C 07 C 08 C 13 E 14 C 19 C 20 C 25 E 26 E 31 E 32 C 37 E 38 E 43 C 44 C

03 E 09 E 15 C 21 E 27 E 33 E 39 E 45 C

04 E 10 E 16 E 22 C 28 C 34 E 40 E 46 E

05 E 11 C 17 E 23 C 29 E 35 C 41 C 47 C

06 E 12 C 18 C 24 E 30 C 36 E 42 C 48 C

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 02 FLUXO DOS CAIXAS Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia

AULA 02

FLUXO DOS CAIXASEsta aula consta no item 14 do Edital para AFRFB e acreditamos que pelo menos 1 questo sobre o assunto ser cobrada na prova.1. INTRODUO

A Lei n 6.404, de 30 de outubro de 1976 (Lei 6.404/76) estabelece, no art. 176, que as demonstraes contbeis obrigatrias so: balano patrimonial; demonstrao dos lucros ou prejuzos acumulados; demonstrao do resultado do exerccio; e demonstrao das origens e aplicaes de recursos. No 4 do mesmo dispositivo nos informado que as demonstraes sero complementadas por notas explicativas e outros quadros analticos ou demonstraes contbeis necessrios para esclarecimento da situao patrimonial e dos resultados do exerccio. Percebe-se que a Demonstrao dos Fluxos de Caixa (DFC) no obrigatria, mas encontra amparo no 4 do art. 176 da Lei 6.404/76, quando ela estabelece que as demonstraes so complementadas por outros quadros ou demonstraes contbeis necessrios para o esclarecimento da situao patrimonial. De fato, a DFC complementa e esclarece a situao patrimonial no concernente ao aspecto financeiro do patrimnio, servindo de apoio ao processo decisrio na gesto empresarial. Em que pese no haver disposio expressa na lei societria sobre a DFC, a nova lei de falncias, Lei no 11.101, de 9 de fevereiro de 2005, no art. 105, inciso I, alnea d, dispe que:Art. 105 - O devedor em crise econmico-financeira que julgue no atender aos requisitos para pleitear sua recuperao judicial dever requerer ao juzo sua falncia, expondo as razes da impossibilidade de prosseguimento da atividade empresarial, acompanhadas dos seguintes documentos: I demonstraes contbeis referentes aos 3 (trs) ltimos exerccios sociais e as levantadas especialmente para instruir o pedido, confeccionadas com estrita observncia da legislao societria aplicvel e compostas obrigatoriamente de: a) balano patrimonial; b) demonstrao de resultados acumulados; c) demonstrao do resultado desde o ltimo exerccio social; d) relatrio do fluxo de caixa;

Alm desse dispositivo legal, a CVM, por meio do OFCIOCIRCULAR/CVM/SNC/SEP N 01/2005, de 25 de fevereiro de 2005, orientando os Diretores de Relaes com Investidores e Auditores Independentes sobre a elaborao de Informaes Contbeis pelas Companhias Abertas, estabeleceu no item 4 as seguintes recomendaes acerca da Demonstrao de Fluxos de Caixa (DFC):

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 02 FLUXO DOS CAIXAS Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia 4. Demonstrao dos Fluxos de Caixa 4.1 Evoluo da Demonstrao de Fluxos de Caixa As origens da atual demonstrao de fluxos de caixa esto nas demonstraes preparadas dcadas atrs pelas companhias que apresentavam as fontes e aplicaes de fundos obtidos em essncia dos aumentos e diminuies dos itens do balano patrimonial. A diferena entre esses itens foi chamada de posio financeira, denominao que permanece at hoje em vrios pases. Esse formato evoluiu de uma informao suplementar e voluntria para uma demonstrao obrigatria ainda sob o conceito da posio financeira como a variao do capital circulante, ou capital de giro lquido. Na forma prevista pelo artigo 188 da Lei n 6.404/76, a Demonstrao das Origens e Aplicaes de Recursos DOAR tem como objetivo indicar as modificaes na posio financeira da companhia, ou seja, as variaes de itens dos ativos e passivos organizados de forma tal que demonstre a variao no capital circulante lquido do perodo. No texto desse artigo, essa demonstrao deve discriminar: I as origens dos recursos, agrupadas em: a) lucro do exerccio, acrescido de depreciao, amortizao ou exausto e ajustado pela variao nos resultados de exerccios futuros; b) realizao do capital social e contribuies para reservas de capital; c) recursos de terceiros, originrios do aumento do passvel exigvel a longo prazo, da reduo do ativo realizvel a longo prazo e da alienao de investimentos e direitos do ativo imobilizado; II as aplicaes de recursos, agrupadas em: a) dividendos distribudos; b) aquisio de direitos do ativo imobilizado; c) aumento do ativo realizvel a longo prazo, dos investimentos e do ativo diferido; d) reduo do passivo exigvel a longo prazo; III o excesso ou insuficincia das origens de recursos em relao s aplicaes, representando aumento ou reduo do capital circulante lquido; IV os saldos, no incio e no fim do exerccio, do ativo e passivo circulantes, o montante do capital circulante lquido e o seu aumento ou reduo durante o exerccio. A elaborao da demonstrao de origens e aplicaes de recursos evoluiu ao longo do tempo e os seguintes pontos foram adotados na pratica contbil: (i) quando os recursos das operaes da empresa apresentarem-se negativos, eles devem ser demonstrados como uma aplicao de recursos e no como uma reduo na origem de recursos, (ii) os emprstimos dedicados ao financiamento do imobilizado podem ser apresentados como origens e aplicaes, respectivamente, (iii) a reavaliao deve ser excluda das

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 02 FLUXO DOS CAIXAS Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia demonstraes das origens e aplicaes por no representar fluxo de recursos. O conceito de "fundos" e "posio financeira" originrio das primeiras demonstraes, foi ento estreitado para uma definio de caixa ou equivalente de caixa, conforme estabelecido no pronunciamento americano SFAS 95 e no pronunciamento internacional IAS 7, ambos com o ttulo de Statement of Cash Flow. A DOAR est, portanto, baseada nos conceitos de capital circulante lquido e no regime de competncia, o que significa apresentar a disponibilidade dentro do chamado ciclo financeiro da empresa e na gerao de recursos operacionais a partir do resultado elaborado segundo o regime de competncia. A demonstrao dos fluxos de caixa, por outro lado, baseia-se no conceito de disponibilidade imediata, demonstrado segundo o regime de caixa. 4.2 A Demonstrao dos Fluxos de Caixa segundo a norma internacional IAS 7 A seguir esto resumidos e comentados os principais pontos da norma sobre a demonstrao de fluxo de caixa no IAS 7: Objetivos A informao dos fluxos de caixa fornece uma base para avaliao da capacidade de gerao e utilizao desses fluxos de forma estruturada por natureza de atividades. Os usurios da empresa esto interessados em saber como a empresa gera caixa e equivalentes de caixa, e este interesse independe da natureza da empresa. Estrutura Os seguintes tpicos principais devem ser usados em todos os fluxos de caixa: (i) atividades operacionais, (ii) de investimento e (iii) de financiamento. Essa classificao permite avaliar o efeito das atividades sobre o montante de caixa e equivalentes de caixa. Conceitos Caixa e equivalentes de caixa: o caixa compreende numerrio em mos e depsitos bancrios disponveis; Equivalentes de caixa so investimentos de curto prazo, de alta liquidez, que so prontamente conversveis em valores de caixa e que esto sujeitos a um insignificante risco de mudana de valor. Atividades operacionais: so as principais atividades geradoras de receita da entidade, alm de outras atividades diferentes das de investimento e financiamento; Esses fluxos so basicamente derivados de transaes geradoras de receita da entidade e, portanto, geralmente resultam das transaes e outros eventos que entram na apurao do resultado. Exemplos so os recebimentos em dinheiro pela venda de bens e servios e o pagamento em dinheiro a fornecedores, a empregados, a seguradores por prmios e de impostos. Atividades de investimento: so aquisio e venda de ativos de longo prazo e outros investimentos que representam gastos destinados a gerar receitas futuras e fluxos de caixa e que no esto includos nos equivalentes de caixa.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 02 FLUXO DOS CAIXAS Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia Exemplos so os desembolsos para aquisio de ativo imobilizado, intangvel e outros ativos de longo prazo, recebimentos pela venda de ativo imobilizado, aquisio ou venda de aes ou instrumentos de dvida de outras entidades. Atividades de financiamento: so atividades que resultam em mudanas no tamanho e na composio do patrimnio lquido e emprstimos a pagar da entidade, que representam exigncias impostas a futuros fluxos de caixa pelos fornecedores de capital entidade. Exemplos so o numerrio proveniente da emisso de aes ou instrumentos de capital, pagamento a investidores para adquirir ou resgatar aes da entidade, numerrio proveniente da emisso de debntures, tomada de emprstimo a curto e longo prazo, amortizao de emprstimos e, pagamento de arrendamento (lease). Mtodos para apresentao A entidade pode usar o mtodo direto ou indireto para reportar o fluxo de caixa das atividades operacionais, sendo encorajado o mtodo direto. No mtodo direto as principais classes de recebimentos e desembolsos so divulgados e, no mtodo indireto, o fluxo de caixa lquido das atividades operacionais determinado ajustando-se o resultado (lucro ou prejuzo): (i) pelos efeitos das transaes que no afetam o caixa, como depreciao, diferimentos e provises, lucros ou prejuzos cambiais no realizados, lucros no distribudos de investidas e interesses minoritrios, (ii) variaes ocorridas no perodo nos estoques e nas contas a receber e a pagar e, (iii) todos os outros itens de receita e despesa relativos a fluxos de caixa de atividades de investimento e financiamento, (iii) todos os outros itens de receita e despesa relativos a fluxos de caixa de atividades de investimento e financiamento. Aspectos de classificao e divulgao a) A entidade deve destacar as principais classes de recebimento e pagamentos decorrentes das atividades de investimento e financiamento pelo valor bruto; b) Os fluxos de caixa de transaes em moeda estrangeira devem ser registrados na moeda em que esto expressas as demonstraes contbeis da entidade, convertendo-se o montante em moeda estrangeira taxa cambial na data do fluxo de caixa; c) Quando um contrato contabilizado como proteo (hedge) de uma posio identificvel, os fluxos de caixa do contrato so classificados do mesmo modo como os fluxos de caixa da posio que est sendo protegida. d) os fluxos de caixa referentes a itens extraordinrios devem ser classificados como resultantes de atividades operacionais, de investimento ou de financiamento, conforme o caso, e separadamente divulgados; e) os fluxos de caixa referentes aos juros, dividendos e impostos de renda devem ser divulgados separadamente e de maneira uniforme no grupo em que melhor represente a essncia da transao; o pronunciamento IAS 7 no especifica como devem ser classificados estes fluxos de caixa, e requer da

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 02 FLUXO DOS CAIXAS Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia empresa que estabelea a sua poltica contbil para esses itens da forma mais adequada; A diferena de tratamento dos juros e dividendos entre os pronunciamento americano FASB Statement 95 e o pronunciamento internacional IAS 7 A classificao dos juros e dividendos, que no pronunciamento internacional IAS 7 permite tratamentos alternativos, recebe uma diretriz especfica no caso do pronunciamento americano. O pronunciamento IAS 7 permite uma empresa no financeira classificar de forma consistente entre os perodos: (a) juros (despesas financeiras) e dividendos pagos ou recebidos no tpico "operacional" ou (b) juros e dividendos pagos como "financiamento", ou seja, custo da obteno dos recursos financeiros, e juros (receitas financeiras) e dividendos recebidos como "investimento", ou seja, retornos sobre investimento. O pronunciamento SFAS 95, por outro lado: (i) requer que os juros pagos e os juros e dividendos recebidos devem ser classificados como fluxo de caixa operacional, (ii) classifica os dividendos pagos como um fluxo de caixa de "financiamentos", porque so considerados um custo para obter recursos. Acrescente-se que o SFAS 95 determina que a transao deve ser classificada na atividade que representar a fonte predominante de fluxos de caixa para o item, e esta diferena pode fazer com que a empresa potencialmente varie a classificao para um mesmo tipo de transao. A premissa subjacente no caso do pronunciamento americano a convergncia entre o fluxo de caixa operacional e os itens do resultado. O IAS 7 requer divulgar, separadamente, os juros pagos e recebidos e os dividendos pagos e recebidos e o SFAS 95 permite que os juros e dividendos recebidos possam ser divulgados em conjunto. Recomenda-se que a empresa brasileira, particularmente aquelas com registro em bolsas americanas, estabeleam e divulguem em nota explicativa s demonstraes de fluxos de caixa uma poltica contbil para esses itens. Uma forma de conciliao entre esses pronunciamentos poderia ser a demonstrao de juros pagos e juros e dividendos recebidos, como item do fluxo de caixa operacional e os dividendos pagos como item do fluxo de caixa de financiamento, mantendo-se cada um desses itens demonstrado em separado. Divulgao de notas explicativas s demonstraes de fluxo de caixa O IAS 7 e o SFAS 95 requerem divulgaes em notas explicativas sobre certos tpicos da demonstrao de fluxo de caixa: tpico Componentes caixa e equivalentes caixa SFAS 95 Exige a divulgao dos critrios que a empresa utiliza na considerao dos investimentos classificados como equivalentes-caixa. IAS 7 Exige a divulgao dos componentes que a empresa est considerando como caixa e equivalentes caixa e deve apresentar uma conciliao entre os valores em sua demonstrao dos fluxos de

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 02 FLUXO DOS CAIXAS Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia caixa com os itens do balano patrimonial . Deve ser divulgado o efeito de qualquer mudana na poltica para determinar os componentes de caixa e equivalentes de caixa (IAS 8). Juros, dividendos e imposto de renda Os juros (lquido das quantias capitalizadas) e imposto de renda pagos devem ser evidenciados em destaque apenas se for utilizado o mtodo indireto; dividendos pagos podem ser agrupados com outras distribuies aos proprietrios; e, juros e dividendos recebidos podem tambm constituir um nico subitem. No necessrio nenhum procedimento especial para evidenciar os fluxos de caixa oriundos de itens extraordinrios. Os juros e dividendos, pagos e recebidos, e o imposto de renda pago devem ser mostrados d forma individualizada na demonstrao de fluxo de caixa, independentemente de se utilizar o mtodo direto ou indireto.

Itens extraordinrios

Devem ser classificados como resultantes de atividades operacionais, de investimento ou de financiamento, conforme o caso, separadamente divulgados, a que os originou, e evidenciados de acordo com o IAS 8. No faz referncia.

Fluxo de caixa por ao

Probe a divulgao de qualquer ndice relacionado ao fluxo de caixa por ao. Requer a divulgao dos critrios utilizados para classificar os hedges de transaes identificveis na mesma categoria dos itens que o originaram. No faz referncia.

Atividades de hedging

No requer a divulgao dos critrios utilizados.

Saldos indisponveis de caixa

Deve divulgar os saldos de caixa e equivalentes de caixa indisponveis, juntamente com os comentrios da administrao. Encoraja a divulgao, de: . Valor de emprstimos obtidos mas no utilizados, . Valor dos fluxos de caixa por

Outras divulgaes

No faz referncia.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 02 FLUXO DOS CAIXAS Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia atividade em joint ventures; . Valor dos fluxos de caixa derivados de aumentos na capacidade operacional separadamente daqueles necessrios para manter a capacidade operacional; . Valor dos fluxos por atividade econmica e regio geogrfica. A companhia deve, tambm, considerar outros itens de esclarecimento para os usurios em notas explicativas adicionais como, por exemplo: (a) a divulgao dos juros e encargos pagos no ano, inclusive os capitalizados oriundos de ativaes em bens em construo; (b) o total do imposto de renda e CSSL pagos no ano e, (c) eventuais transaes que ou eventos que no alteraram o caixa mas so relevantes para informar sobre o fluxo de recursos da empresa (e que so expressamente excludos da demonstrao do fluxo de caixa pelo IAS 7). Como poltica contbil a empresa tambm pode determinar que qualquer fluxo de caixa das atividades de investimento e financiamento que seja maior que 5% do valor total da atividade envolvida seja discriminado em separado. Nesse caso, a empresa julgou que, ao abrir a composio desses fluxos de caixa, facilitaria a avaliao do comportamento da atividade para o investidor/analista de mercado. 4.3 Divulgao segundo as normas brasileiras e normas estrangeiras. As companhias abertas vm divulgando a DFC de forma suplementar s suas demonstraes contbeis, dando uma conotao de informao de natureza voluntria. No entanto, as companhias que divulgarem essa informao no exterior so obrigadas a divulg-la no Brasil para que no ocorra a divulgao de informaes de forma privilegiada e assimtrica entre os diferentes mercados. As companhias devem atentar, tambm, para que a divulgao da Demonstrao dos Fluxos de Caixa divulgada no Brasil seja a mesma divulgada no exterior, ou seja, tenha o mesmo formato e estrutura, para que no haja prejuzo ao entendimento do investidor. Recomenda-se que, na situao de transio atual, as demonstraes de fluxos de caixa e de origens e aplicaes de recursos sejam elaboradas de acordo com as normas e prticas dispostas nas quais a companhia escolheu para referenciar a elaborao desse tipo de demonstrao e que esto esclarecidas na nota explicativa sobre as polticas contbeis seguidas. Por exemplo: a demonstrao de origens e aplicaes na legislao societria brasileira, a demonstrao de fluxos de caixa pelo FAS 95 ou pelo IAS 7. Isso no impede que a companhia aperfeioe o modelo proposto pela regulao, sendo recomendvel o esclarecimento adicional sobre as bases da poltica contbil seguida ao estabelecer essas modificaes, para que no exista prejuzo de entendimento para o usurio/investidor. Como exemplo desses aperfeioamentos, podemos citar a reduo do CCL como origens de recursos e o aumento do CCL como aplicao de recursos, na DOAR e a criao de categorias ou subitens especiais na demonstrao dos fluxos de caixa.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 02 FLUXO DOS CAIXAS Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia Finalmente, ao fazer modificaes sobre a estrutura e conceitos indicados na regulao, os administradores, contadores e auditores, devem avaliar se o que se deseja acrescentar ou modificar no altera o julgamento do analista/investidor e se, alternativamente, deve modificar a estrutura dessa demonstrao ou constar de nota de rodap ou ainda de nota explicativa. O critrio final de uma alterao de forma em uma demonstrao deve ser, portanto, a sua utilidade ou relevncia para o usurio e, para isso, a empresa deve referenciar-se tanto na estrutura regulatria, que pretende organizar a informao mnima necessria a ser divulgada, quanto nos objetivos dos usurios da informao contbil divulgada. A divulgao da demonstrao dos fluxos de caixa em portugus usando os meios para a divulgao no Brasil, ou seja, divulgados atravs do site da companhia, site da CVM, jornais, por exemplo, deve manter a perfeita identidade com o fluxo de caixa divulgado em lngua estrangeira segundo normas estrangeiras. A divulgao da demonstrao dos fluxos de caixa em formatos diferentes e em dois mercados distintos, com acrscimos ou excluso das respectivas notas explicativas, por exemplo, no contribui para comunicar o desempenho da empresa e traz potencialmente o risco de confundir o leitor. Em outra situao, a divulgao do mesmo tipo de informao contbil em um mercado e a no divulgao em outro mercado configura a divulgao assimtrica de informaes e representa uma infrao em relao ao disposto na legislao brasileira. Recomenda-se especial ateno para esse aspecto, para que no exista prejuzo ao investidor brasileiro e nem ao investidor internacional.

Assim, a elaborao da DFC possui exigncia legal na lei de falncias e a recomendao de sua elaborao pela CVM, em face da legislao estrangeira ou por ato volitivo da empresa. Portanto, analisaremos a DFC nos aspectos apregoados pela CVM. Por se constituir numa demonstrao financeira, adequada s anlises de curto prazo e gerncia financeira do dia-a-dia, a DFC vem crescendo em nosso meio, pois so de grande valia as informaes trazidas por este demonstrativo complementar. Ademais, a Demonstrao das Origens e Aplicaes de Recursos (DOAR), que um demonstrativo financeiro com grande capacidade informativa e exigida pela lei societria, muito complexa e de difcil compreenso, principalmente, no concernente ao conceito abstrato de Capital Circulante Lquido. Com isso, as empresas preferem publicar a DFC que, embora com menor capacidade informativa, de compreenso mais fcil por parte dos administradores e do pblico em geral. Portanto, estamos diante da tendncia de a DOAR ser substituda, com o passar do tempo, pela DFC.

2.

CONCEITO

Embora o nome dado ao demonstrativo seja Fluxo dos Caixas ou Fluxo de Caixa, a sua demonstrao se prende a informar, basicamente, de onde vem e para onde

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vo os recursos aplicados em disponibilidades, representados pelo dinheiro em caixa, depositado em banco e as aplicaes financeiras de liquidez imediata, isto , envolve o conceito de equivalente de caixa. Surge, assim, o conceito de equivalentes de caixa que so aquelas aplicaes financeiras de curtssimo prazo de liquidez imediata. Trata-se de um demonstrativo ou instrumento financeiro e gerencial utilizado pelos administradores e investidores como termmetro para aferir a sade financeira da entidade, tanto a atual quanto a projetada. Existem, portanto, diversos objetivos e diferentes formas de se elaborar a DFC. De modo geral, as finalidades para as quais se elabora esta demonstrao so para evidenciar o fluxo de caixa realizado e o fluxo de caixa projetado. Conforme o prprio nome revela, o principal objetivo do fluxo de caixa realizado demonstrar as movimentaes das entradas e as sadas de recursos financeiros, no disponvel da entidade, realizados num determinado intervalo de tempo considerado. A elaborao do fluxo de caixa realizado por diversos perodos sucessivos permite a elaborao de anlise horizontal ou anlise de tendncia. Alm disso, se elaborado criteriosamente, servir de ponto de partida elaborao do fluxo de caixa projetado. de ressaltar, ainda, que o fluxo de caixa realizado se constitui em ferramenta de indiscutvel valor de controle do fluxo de caixa projetado, pois por meio dele possvel constatar as causas das falhas no planejamento ou na gesto dos recursos financeiros quando houver divergncias entre os valores projetados e os realizados. Desta forma, pelo fluxo de caixa realizado, possvel evidenciar que determinada entidade, mesmo apresentando resultados positivos, no possui liquidez para saldar seus compromissos assumidos em curto ou em mdio prazo, visto que a DFC apresenta as alteraes sofridas no disponvel da sociedade. De forma diversa, a DOAR evidencia alteraes no Capital Circulante Lquido que, geralmente, no representa liquidez, pois traz no seu bojo todo ativo circulante, incluindo contas como duplicatas a receber, estoques, despesas antecipadas etc. O fluxo de caixa se constitui numa ferramenta de gerenciamento dos recursos financeiros disposio do administrador, aplicvel tanto aos recebimentos quanto aos pagamentos. Do ponto de vista do planejamento, o fluxo de caixa projetado est ganhado nfase cada vez maior, ao passo que sob a tica do controle da execuo oramentria o fluxo de caixa realizado ganha relevo. Na projeo de oramento empresarial, onde so previstas as receitas e despesas de um determinado perodo, est presente o fluxo de caixa projetado. Desta forma, a principal finalidade do fluxo de caixa projetado gerencial, com vistas a determinar um provvel comportamento do fluxo de entradas e sadas de recursos financeiros. A projeo pode ser a curto ou a longo prazo. Em ambas as hipteses possvel identificar as insuficincias ou os excessos de recursos no perodo projetado. Portanto,

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subsidia as decises da administrao quanto a necessidade de investimentos externos ou na alocao de possveis excessos. Por meio do fluxo de caixa projetado o administrador pode planejar os seus pagamentos e ter em suas mos a programao financeira de determinado perodo. O planejamento pode envolver as entradas e sadas de recursos financeiros a curtos e mdios prazos. Assim, podemos dizer que a DOAR evidencia as origens e as aplicaes de recursos que alteram o Capital Circulante Lquido ao passo que a DFC evidencia as origens e aplicaes de recursos que alteram o disponvel. Ressalta-se que na DFC so demonstradas tanto as origens quanto as aplicaes dos recursos financeiros que transitaram pelo disponvel de determinada entidade. Sempre bom lembrar que por disponvel se entende: Caixa + Bancos + Aplicaes Financeiras de liquidez imediata ou Investimentos de liquidez imediata.

3.

DEFINIES IMPORTANTES

Tomando por base os conceitos contidos nas recomendaes da CVM, podemos apresentar as seguintes definies: Fluxos de caixa: so ingressos e sadas de caixa e equivalentes de caixa. interessante que se abandone o conceito de regime de competncia, pois este demonstrativo baseia-se, exclusivamente, no conceito de regime de caixa. Caixa ou equivalentes de caixa: na movimentao dos recursos financeiros, incluem-se no somente saldos de moeda em caixa ou depsitos em conta bancria disponvel, mas, tambm, outros tipos de contas que possuem as mesmas caractersticas de liquidez e de disponibilidade imediata, ou seja, os valores prontamente conversveis em dinheiro, cujo risco de mudana de valor insignificante. Como equivalentes de caixa, devem ser consideradas as aplicaes financeiras com caracterstica de liquidez imediata. Atividades operacionais: compreendem as transaes que envolvem a consecuo do objeto social da Entidade que so as principais atividades geradoras de receita da entidade. As receitas e despesas das atividades operacionais aqui consideradas possuem conotao diferente da dada s receitas e despesas operacionais consideradas na apurao do resultado, entretanto, geralmente, esto presentes naquele demonstrativo. Nestas atividades devem ser evidenciadas tambm outras receitas que no se amoldem aos conceitos de atividades de investimento e financiamento. Elas podem ser exemplificadas pelo recebimento em dinheiro decorrente da venda de bens e servios, pagamento aos fornecedores por compra de materiais, pagamentos aos funcionrios, pagamentos a seguradores por prmios e impostos etc. Atividades de investimentos: compreendem as transaes com os ativos de longo prazo e outros investimentos que representam gastos destinados a gerar

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receitas futuras e fluxos de caixa e que no esto includos nos equivalentes de caixa. Portanto, caracterizam esta atividade os desembolsos efetuados ou as entradas de recursos originadas nas aquisies ou vendas de participaes em outras entidades e de ativos utilizados na produo de bens ou prestao de servios ligados ao objeto social da Entidade. As atividades de investimentos no compreendem a aquisio de ativos com o objetivo de revenda. Atividades de financiamentos: so as atividades que interferem na composio e no valor do patrimnio lquido e emprstimos a pagar da entidade, que representam exigncias impostas a futuros fluxos de caixa pelos fornecedores de capital entidade. Incluem-se nessas atividades a captao de recursos junto aos acionistas ou cotistas pela emisso de aes ou instrumentos de capital, pagamento a investidores para adquirir ou resgatar aes da entidade, numerrio proveniente da emisso de debntures, tomada de emprstimo a curto e longo prazo, amortizao de emprstimos e, pagamento de arrendamento. de ressaltar que determinados recebimentos ou pagamentos de caixa podem ter caractersticas que se enquadrem tanto no fluxo de caixa das atividades operacionais, como nas atividades de financiamentos ou nas atividades de investimentos. Se for o caso, a classificao apropriada dever levar em considerao qual atividade predominante na gerao do fluxo de caixa. Por exemplo, as transaes envolvendo imveis geralmente so consideradas como atividades de investimentos. Todavia, se um imvel adquirido com o objetivo de revenda, o fluxo de caixa gerado por essa transao considerado como operacional, por possuir a caracterstica de estoques, como numa entidade do ramo imobilirio. Adicionalmente, outro exemplo a manuteno de ativos e passivos financeiros sem o objetivo primrio de auferir ganhos financeiros. Informaes sobre atividades de investimentos e de financiamentos que resultaram em reconhecimento de um ativo ou de um passivo, mas que no resultaram em pagamentos ou recebimentos de caixa, devem ser excludas da demonstrao dos fluxos de caixa e serem apresentadas em local apropriado nas demais demonstraes ou em notas explicativas. Exemplos desse tipo so as aquisies de ativos realizadas por meio de emprstimos ou financiamentos e a reavaliao, pois no refletem nem aumento nem diminuio de disponibilidades. Dessa forma, apenas as transaes que afetam o fluxo de caixa devem ser apresentadas na demonstrao dos fluxos de caixa.

4.

PRINCPIOS CONTBEIS APLICVEIS

A "Demonstrao dos Fluxos de Caixa" refletir as transaes de caixa oriundas: a) das atividades operacionais; b) das atividades de investimentos; e c) das atividades de financiamentos. Tambm, dever ser apresentada uma conciliao entre o resultado e o fluxo de caixa lquido gerado pelas atividades operacionais visando fornecer informaes sobre os efeitos lquidos das transaes operacionais e de outros eventos que afetam o resultado.

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A funo primordial de uma demonstrao dos fluxos de caixa a de propiciar informaes relevantes sobre as movimentaes de entradas e sadas de caixa de uma entidade num determinado perodo ou exerccio. As informaes contidas numa demonstrao dos fluxos de caixa, quando utilizadas com os dados e informaes divulgados nas demonstraes contbeis, destinam-se a ajudar seus usurios a avaliar a gerao de fluxos de caixa para o pagamento de obrigaes e lucros e dividendos a seus acionistas ou cotistas, ou a identificar as necessidades de financiamento, as razes para as diferenas entre o resultado e o fluxo de caixa lquido originado das atividades operacionais e, finalmente, revelar o efeito das transaes de investimentos e financiamentos, com a utilizao ou no de numerrio, sobre a posio financeira. Desta forma, o principal objetivo da Demonstrao do Fluxo de Caixa a mais ampla evidenciao da situao financeira da Entidade. Sendo este o principal princpio contbil envolvido na DFC, ou seja, a ampla evidenciao. A par dos demais princpios contbeis, a DFC fica adstrita ao regime de caixa, no lhe sendo aplicvel o princpio da competncia e os demais princpios fundamentais de contabilidade.

5.

CONSIDERAES DE TCNICA CONTBIL

A demonstrao dos fluxos de caixa para um determinado perodo ou exerccio deve apresentar o fluxo de caixa oriundo ou aplicado nas atividades operacionais, de investimentos e de financiamentos e o seu efeito lquido sobre os saldos de caixa, conciliando seus saldos no incio e no final do perodo ou exerccio. Entidades sujeitas a rgos reguladores devem utilizar, se houver, modelos estabelecidos pelos respectivos rgos. Na preparao da demonstrao dos fluxos de caixa, poder ser utilizado o mtodo direto ou indireto. O mtodo direto caracteriza-se por apresentar os componentes dos fluxos por seus valores brutos, ao menos para os itens mais significativos dos recebimentos e dos pagamentos. Neste mtodo, devem ser apresentados, no mnimo, os seguintes tipos de recebimentos e pagamentos relacionados s operaes: 9 Recebimento de clientes decorrentes de vendas de mercadorias, produtos ou servios; 9 Juros, lucros e dividendos recebidos; 9 Pagamentos a fornecedores de mercadorias e servios; 9 Pagamentos a empregados e remunerao de administradores; 9 Pagamento de Imposto de Renda; 9 Outros recebimentos e pagamentos operacionais.

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O mtodo indireto caracteriza-se por apresentar o fluxo de caixa lquido oriundo do Lucro Lquido do Exerccio (LLE), ajustado por: 9 Movimentao lquida das contas que influenciam na determinao dos fluxos de caixa das atividades operacionais, tais como estoques, contas a receber e contas a pagar. 9 Movimentao lquida das contas que influenciam na determinao dos fluxos de caixa das atividades de investimentos e de financiamentos, a partir das disponibilidades geradas pelas atividades operacionais, ajustadas pelas movimentaes dos itens que no geram caixa, tais como: depreciao, amortizao, baixas de itens do ativo permanente etc. Tanto pelo mtodo direto quanto pelo mtodo indireto deve-se fazer a conciliao do resultado do exerccio com o fluxo de caixa lquido das atividades operacionais. Todos os ajustes de conciliao entre o resultado e o caixa gerado pelas atividades operacionais devem ser claramente identificados como itens de conciliao.

EXEMPLOS Deve-se classificar como oriundo de atividade operacional o numerrio recebido de: 9 Clientes por venda de mercadorias, produtos e servios; 9 Subsidirias, avaliadas pelo mtodo de equivalncia patrimonial, a ttulo de lucros ou dividendos; 9 Reembolsos de fornecedores, companhias de seguro, restituio de impostos, etc. Deve-se classificar como utilizado na atividade operacional o numerrio pago a: 9 Fornecedores por compra de material produtivo (mercadorias, matriaprima); 9 Empregados; 9 Processos, reembolsos a clientes etc.; 9 Governos, por impostos e contribuies. Deve-se classificar numerrio recebido por: como oriundo de atividades de investimentos o

9 Venda de ativos permanentes. Deve-se classificar na atividade de investimentos o numerrio utilizado na aquisio de: 9 ativo permanente. 9 Aplicao de recursos no ARLP

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Deve-se classificar como oriundo de atividades de financiamentos o numerrio recebido por: 9 Integralizao de capital; 9 Colocao de ttulos a longo prazo (debntures e equivalentes); 9 Obteno de emprstimos externos (curto e longo prazos). Deve-se classificar na atividade de financiamentos o numerrio pago a: 9 Acionistas ou cotistas por lucros, dividendos, juros sobre o capital prprio ou reembolso de capital; 9 Credores de obrigaes por financiamentos (amortizao). Desta forma, enquanto as disposies legais mantiverem a exigibilidade de preparao da Demonstrao das Origens e Aplicaes de Recursos - DOAR, recomenda-se que a DFC seja apresentada como informao complementar, conforme apregoado pelo 4 do art. 176 da Lei n 6.404/1976 e as orientaes da CVM.

6.

FORMAS DE ELABORAO 6.1. CONSIDERAES INICIAIS

A tendncia mundial, inclusive a brasileira, a elaborao deste demonstrativo segregando ou classificando as atividades por categorias. O Financial Accounting Standards Board FASB, rgo americano, orientando sobre a forma de elaborao do fluxo de caixa naquele pas, classifica as atividades das empresas em trs categorias: atividades operacionais, atividades de investimentos e atividades de financiamentos. Essa forma de elaborao e apresentao do fluxo de caixa, proposta por aquele rgo americano, aumenta a capacidade informativa desta ferramenta gerencial e foi referendada, de certa forma, pelo Instituto dos Auditores Independentes do Brasil IBRACON, por meio do Pronunciamento n 20, de 30/04/1999, publicado no D.O.U. em 30/04 e pela CVM, por meio OFCIO-CIRCULAR/CVM/SNC/SEP N 01/2005, de 25 de fevereiro de 2005. 6.1.1. Atividade operacionais

As Atividades Operacionais compreendem as atividades produtivas do empreendimento, abarcando, entre outras, as seguintes operaes: 9 valores recebidos de clientes decorrentes de vendas de mercadorias, produtos e servios; 9 valores pagos a fornecedores de mercadorias e servios e empregados; 9 valores pagos de imposto de renda e contribuio social; 9 pagamentos e recebimentos de contingncias;

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9 aquisio de materiais e servios gerais; 9 aumento de Resultados de Exerccios Futuros; 9 devolues a clientes; 9 recebimento por reembolso de seguros; 9 pagamentos de encargos sociais; 9 recebimento de dividendos e lucros de sociedades por investimentos realizados ; 9 recuperao de impostos recebidos. Analisando a DFC, considerando este grupo, possvel perceber qual a atividade que mais contribui para a formao do caixa operacional, bem como possvel perceber qual a atividade operacional que mais absorve recursos financeiros. 6.1.2. Atividades de investimentos

Nas Atividades de Investimentos so agrupadas as transaes que envolvem os ativos no circulantes, como por exemplo: 9 ampliao e reestruturao do ativo permanente; 9 aquisio de mquinas e equipamentos; 9 aquisio e venda de participaes em outras sociedades; 9 compra de prdios e instalaes; 9 compra e venda de ativos fixos; 9 venda de imobilizado. 6.1.3. Atividades de financiamentos

Por fim, as Atividades de Financiamentos, que interferem no Patrimnio Lquido e outros valores, comportam os recursos obtidos ou alocados nas seguintes operaes: 9 aquisio de aes em tesouraria; 9 integralizao de capital 9 obteno de emprstimos a curto prazo; 9 obteno de emprstimos a longo prazo; 9 pagamento de emprstimos de curto e longo prazo; 9 pagamento de juros sobre emprstimos; 9 pagamento de juros sobre o capital prprio; 9 pagamento de lucros ou dividendos; 9 reaquisio de ttulos relacionados com PL; 9 recursos vindos dos proprietrios ou acionistas;

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9 resgate de debntures; 9 subscrio de debntures; 9 recebimento de doaes e subvenes. de ressaltar que nas atividades operacionais est includo o aumento de REF, por representar efetivo ingresso de recursos no disponvel (decorrente de vendas ou prestaes de servios futuros), embora seja classificada em conta que no representa circulante. Outro aspecto interessante diz respeito s atividades de financiamento, na qual so includas as operaes que envolvem o capital social, quer pelo seu aumento, quer pela destinao de resultado ou mesmo o pagamento de juros sobre o capital prprio. de ressaltar que o ingresso desses valores ser classificado como atividade operacional ao passo que o seu pagamento considerado atividade de financiamento.

6.2.

ELABORAO PROPRIAMENTE DITA

Existem dois mtodos de se apresentar a Demonstrao do Fluxo de Caixa: pelo MTODO DIRETO ou pelo MTODO INDIRETO. A diferena existente entre os dois mtodos est na forma de apresentao das origens e aplicaes dos recursos gerados ou aplicados nas atividades das operaes. 6.2.1. MTODO INDIRETO

Por este mtodo de apresentao do Fluxo de Caixa, as disponibilidades oriundas das atividades operacionais da empresa so demonstradas a partir do Resultado (lucro ou prejuzo) que dever ser ajustado pelas contas includas na sua apurao que, entretanto, no afetaram as disponibilidades da entidade ou que no sejam enquadradas nas atividades das operaes. A semelhana da apresentao deste mtodo com a DOAR nos autoriza a dizer que todos os valores movimentados num dado perodo, com exceo do disponvel, ou so origens ou so aplicaes de recursos financeiros, com exceo das variaes patrimoniais que representam ingresso ou sada de disponvel. Assim, se elaborada a DOAR, sero necessrios alguns ajustes a partir do Capital Circulante Lquido (CCL), para considerar os valores circulantes que representaro diminuies ou aumentos das disponibilidades. Os ajustes necessrios se referem aos aumentos lquidos nas contas do Passivo Circulante e dos aumentos lquidos das contas do ativo circulante que representam, respectivamente, origens e aplicaes de recursos ou de outra forma aumento e diminuio das disponibilidades. Considerado dessa forma, um aumento de Duplicatas a Receber representa que foram alocados recursos de caixa nessas operaes, isto , a empresa financiou vendas a seus clientes o que ocasionou a aplicao de disponibilidades, ou numa anlise mais detalhada, representa recursos financeiros que deixaram de ingressar

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nos cofres da entidade. Da mesma forma, o aumento das contas de Estoques, Despesas antecipadas, Valores Mobilirios etc., representam aplicao de disponibilidades ou a abdicao de receb-los de imediato. Por outro lado, as redues de Ativo Circulante e o aumento do passivo circulante, que no seja em disponibilidades, representam origens de recursos financeiros ou disponibilidades. Podemos representar, pois, estes ajustes como indicado no quadro seguinte: Aumentos no AC e Redues no PC Redues do AC e Aumentos no PC = = APLICAES ORIGENS

At o momento, analisamos uma forma mais prtica de demonstrar ou apurar o valor das disponibilidades. Entretanto, este demonstrativo possui uma forma prpria, tcnica, de ser apresentado. A estrutura mais tcnica da Demonstrao do Fluxo de Caixa, por este mtodo, considerando as atividades segmentadas em seus trs grupos, se apresenta da seguinte forma: Fluxo de caixa das atividades operacionais Resultado Lquido do Exerccio () Ajustes que no representam entrada ou sada de caixa como: (+) Depreciao, amortizao e exausto (+) Proviso para devedores duvidosos () Resultado na venda do imobilizado () Aumento ou diminuio do contas a receber () Aumento ou diminuio de estoques () Aumento ou diminuio de despesas antecipadas () Aumento ou diminuio de passivos () Variao no valor de investimentos avaliados pela equivalncia patrimonial () Variao REF () Aumento ou diminuio de outros ajustes (=) Caixa Lquido das Atividades Operacionais Fluxo de caixa das atividades de investimentos (+) Alienao de imobilizado (+) Alienao de investimentos (-) Aquisio de imobilizado (-) Aquisio de investimentos (=) Caixa Lquido das Atividades de Investimentos Fluxo de caixa das atividades de financiamentos (+) Emprstimos lquidos tomados

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(+) Aumento do capital social (-) Pagamentos de lucros e dividendos (-) Juros pagos por emprstimos tomados (-) Pagamentos de emprstimos/debntures (principal) (=) Caixa Lquido das atividades de financiamentos (=) Aumento ou reduo de Caixa Lquido (+/-) Saldo de Caixa Inicial ( = ) Saldo de Caixa Final Observa-se que a DFC, elaborada segundo o mtodo indireto, parte do resultado do exerccio (lucro ou prejuzo), ajustado pelos valores que compem este resultado, mas que, efetivamente, no afetaram as disponibilidades ou por no serem parte das atividades das operaes. Este resultado ajustado obtido a partir da Demonstrao do Resultado do Exerccio, com adio das despesas de depreciao, amortizao, exausto, proviso para devedores duvidosos e ainda, pela variao dos saldos das contas Fornecedores ou Duplicatas a Pagar, Clientes ou Duplicatas a Receber e variao da conta representativa de investimentos avaliados pelo Mtodo da Equivalncia Patrimonial. Enfim, quaisquer valores que foram considerados na DRE e que no representem efetivos desembolsos ou ingressos de disponibilidades. Assim, a DFC elaborada pelo mtodo indireto se assemelha, em sua estrutura, DOAR, assumindo os mesmos predicados da demonstrao exigida pela lei societria, ou seja, complexa e de difcil entendimento. A DFC elaborada pelo mtodo direto, por sua vez, mais objetiva e de mais fcil entendimento e interpretao sendo, por isso, estimulada a sua elaborao.

6.2.2.

MTODO DIRETO

Pelo mtodo direto da DFC, no fluxo das atividades operacionais, so apresentados os ingressos e as sadas no disponvel em lugar do resultado do exerccio ajustado que utilizado na demonstrao pelo mtodo indireto. Isso possibilita uma viso mais clara das movimentaes de recursos financeiros, pois apresenta, em nico demonstrativo, as operaes que influenciaram as disponibilidades, facilitando a anlise aos usurios, principalmente aos que no possuem grandes conhecimentos em contabilidade. No tocante demonstrao do fluxo de caixa das atividades de investimento e de financiamento, o mtodo direto idntico ao mtodo indireto. Desta forma, a diferena bsica entre os dois mtodos (Indireto e o Direto) reside na apresentao ou do fluxo de caixa das atividades operacionais, pois no mtodo indireto partirmos do resultado do exerccio, ajustando-o pelos valores operacionais considerados na DRE que no representam, efetivamente, ingressos ou sadas de recursos financeiros. J no mtodo direto, no fluxo de caixa das atividades operacionais, consideramos os

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ingressos de recursos e as sadas de recursos oriundos das operaes da entidade, desconsiderando-se a DRE. As atividades de financiamentos e investimentos sero apresentadas exatamente da mesma forma nos dois mtodos. Assim, a estrutura de apresentao da DFC pelo mtodo direto, por grupo de atividades, segue, basicamente, o seguinte roteiro: Fluxo de caixa das atividades operacionais: ( + ) Recebimentos de clientes (cobrana em carteira) ( + ) Desconto de Duplicatas ( + ) Dividendos recebidos ( + ) Juros recebidos ( + ) Aluguis recebidos ( + ) Recebimentos por reembolso de seguros ( + ) Recebimentos de lucros de subsidirias ( + ) Venda vista de mercadorias e servios ( + ) Outros recebimentos ( - ) Devolues de vendas ( - ) Pagamento a fornecedores ( - ) Compras vista ( - ) Pagamentos de Salrios ( - ) Pagamento de encargos sociais dos empregados ( - ) Pagamento de Impostos de renda e outras despesas legais e tributrias ( - ) Juros pagos sobre atividades das operaes ( - ) Pagamento de Despesas com vendas ( - ) Pagamento de Despesas administrativas ( - ) Pagamento de Despesas financeiras ( - ) Outros pagamentos ( = ) Caixa lquido das atividades operacionais Fluxo de caixa das atividades de investimentos (+) Alienao de imobilizado (+) Alienao de investimentos (-) Aquisio de imobilizado (-) Aquisio de investimentos (=) Caixa Lquido das Atividades de Investimentos Fluxo de caixa das atividades de financiamentos (+) Emprstimos lquidos tomados

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(+) Aumento do capital social (-) Pagamentos de lucros e dividendos (-) Juros pagos por emprstimos tomados (-) Pagamentos de emprstimos/debntures (principal) (=) Caixa Lquido das atividades de financiamentos (=) Aumento ou reduo de Caixa Lquido (+/-) Saldo de Caixa Inicial ( = ) Saldo de Caixa Final Verifica-se que a demonstrao do fluxo de caixa pelo mtodo direto torna a avaliao da solvncia e da liquidez da empresa mais fceis, pois evidencia toda a movimentao dos recursos financeiros decorrentes das operaes, demonstrando as origens dos recursos de disponibilidades e suas respectivas aplicaes. Pelo exposto, podemos concluir que o fluxo de caixa representa uma poderosa e imprescindvel ferramenta de gesto disposio do administrador, no s pelo aspecto financeiro, mas, tambm, sob o aspecto decisrio. Neste contexto, o fluxo de caixa projetado serve de planejamento e acompanhamento dos ingressos e sadas dos recursos financeiros, ao passo que o fluxo de caixa realizado serve, para o administrador, como meio de controle e para o usurio externo serve para anlise de tendncia e do comportamento dos ingressos e sadas de recursos do disponvel. Para finalizar e ressaltar a diferena existente entre as duas formas bsicas de elaborao e demonstrao desse demonstrativo complementar, apresenta-se o quadro seguinte contemplando, de forma simplificada, os dois mtodos de elaborao: MTODO DIRETO Ingressos Operacionais (-) Desembolsos Operacionais (=) Fluxo de Caixa Operacional MTODO INDIRETO Resultado do Exerccio (DRE) ( +/_ ) Ajustes (=) Fluxo de Caixa Operacional

( +/_ ) Fluxo de Caixa das atividades de Investimentos ( +/_ ) Fluxo de Caixa das atividades de Financiamentos (=) Variao Lquida do Disponvel

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7.

EXERCCIO DESENVOLVIDO

No balancete de encerramento do ms de novembro, de 20X4, da empresa BONSFLUXOS S.A, aps o registro dos ajustes necessrios foram levantados, entre outros, os seguintes saldos:12345678910 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 Contas Alienao de imobilizado vista Aquisio de imobilizado a prazo Aumento de Resultado de Exerccios Futuros Compras lquidas a prazo Compras lquidas vista Custo das mercadorias vendidas Custo do imobilizado vendido Desconto de Duplicatas (realizados no ms) Despesa com proviso para devedores duvidosos Despesas com depreciao Despesas de Juros do ms e pagas Devolues de vendas vista Dividendos recebidos Duplicatas a receber (saldo inicial) Mercadorias Estoque inicial Emprstimos lquidos tomados no ms Ganhos pela equivalncia patrimonial de controladas ICMS sobre vendas (j pago no ms) Integralizao de capital recebida Juros pagos Juros recebidos de emprstimos concedidos Despesas administrativas do ms e pagas Despesas com vendas do ms e pagas Despesas financeiras do ms e pagas Pagamento de encargos sociais dos empregados Pagamento aos fornecedores Pagamento de Impostos de renda do ms anterior Pagamento de seguros antecipados Pagamentos de emprstimos/debntures (principal) Pagamentos de lucros e dividendos Pagamento de salrios do ms PIS/COFINS sobre faturamento do ms (j pago) Proviso para devedores duvidosos (saldo anterior) Proviso para IR e CSLL Recebimento de lucros de controladas Recebimentos de clientes (cobrana em carteira) Receita de Aluguel recebida no ms Receitas de Juros recebidas no ms Saldo inicial de Disponibilidades Venda vista de mercadorias e servios Vendas de mercadorias e servios a prazo R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ Saldos (R$) 27.530,00 22.400,00 18.000,00 127.590,00 312.000,00 678.000,00 41.380,00 12.000,00 6.540,00 22.540,00 6.400,00 5.200,00 6.200,00 123.650,00 412.000,00 2.400,00 248.000,00 111.300,00 17.340,00 6.200,00 6.940,00 7.800,00 6.200,00 2.720,00 21.400,00 337.000,00 17.400,00 7.800,00 18.900,00 11.400,00 78.560,00 29.680,00 7.240,00 22.540,00 124.000,00 96.800,00 7.400,00 1.800,00 57.420,00 742.680,00 345.250,00

Com base nestes dados, solicita-se: 1 Demonstrar o Fluxo de Caixa pelo mtodo direto e indireto, de acordo com as atividades operacionais, de investimento e de financiamento;

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2 Demonstrar o fluxo de recebimentos do ms em questo, decorrentes de vendas de mercadorias e servios; SOLUO: Comecemos a soluo do exerccio proposto pela DRE.Demonstrao do Resultado do Exerccio Discriminao Venda vista de mercadorias e servios ( + ) Vendas de mercadorias e servios a prazo ( = ) Receita Bruta de vendas - mercadorias e servios ( - ) Devoluo de vendas ( - ) ICMS sobre vendas ( - ) PIS/COFINS sobre faturamento ( = ) Receita Lquida de vendas - mercadorias e servios ( - ) Custo da Mercadorias e Servios Vendidos ( = ) Lucro Bruto ( +/_ ) Outras Receitas e Despesas Operacionais Receita de Aluguis Receita de Juros Ganho EP controladas Juros recebidos de emprstimos concedidos (+) Total de Outras Receitas Operacionais Despesas com Vendas Despesas de salrios Encargos sociais empregados Despesas Financeiras Despesa de Juros Despesas Administrativas Despesas com Proviso DD Despesas de Depreciao Juros pagos sobre emprstimo para imobilizado ( - ) Total de Outras Despesas Operacionais ( = ) Resultado Operacional Lquido ( + ) Venda de Imobilizado vista ( - ) Custo de Imobilizado Alienado ( = ) Lucro antes de IR e CSLL ( - ) Proviso para IR e CSLL ( = ) Resultado Lquido do Exerccio

Valor (R$) 742.680,00 345.250,00 1.087.930,00 (5.200,00) (111.300,00) (29.680,00) 941.750,00 (678.000,00) 263.750,00 7.400,00 1.800,00 248.000,00 6.940,00 264.140,00 (6.200,00) (78.560,00) (21.400,00) (2.720,00) (6.400,00) (7.800,00) (6.540,00) (22.540,00) (6.200,00) (158.360,00) 369.530,00 27.530,00 (41.380,00) 355.680,00 (22.540,00) 333.140,00

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De posse do Resultado do Exerccio possvel elaborar a Demonstrao do Fluxo de Caixa pelo Mtodo Indireto.Fluxo de Caixa - Mtodo Indireto Discriminao ORIGENS DE RECURSOS FINANCEIROS Resultado Lquido do Exerccio (DRE) ( + ) Depreciaes ( + ) Despesa com Devedores Duvidosos ( + ) Proviso para IR e CSLL ( + ) Custo de Imobilizado Alienado ( + ) Juros pagos sobre emprstimo para imobilizado ( + ) Compras a prazo e diminuio de estoques ( - ) Vendas a prazo ( - ) Alienao de Imobilizado vista ( - ) Ganho pela Equivalncia Patrimonial Controladas ( = ) Lucro Lquido Ajustado ( + ) Recebimento de clientes ( + ) Duplicatas descontadas ( + ) Aumento de Resultado de Exerccios Futuros ( + ) Dividendos recebidos de controladas ( + ) Recebimento lucros de controladas ( - ) Pagamento de fornecedores ( - ) Impostos pagos no ms ( - ) Pagamento de seguros antecipados 1 - Caixa gerado pelas operaes ( + ) Alienao de imobilizado vista ( - ) Aquisio de Investimento vista 2 - Caixa gerado pelos Investimentos ( + ) Integralizao de Capital recebida ( + ) Emprstimos lquidos tomados ( - ) Juros pagos sobre emprstimo para imobilizado ( - ) Pagamento de Lucros e Dividendos ( - ) Pagamento de emprstimos/debntures 3 - Caixa gerado pelos Financiamentos ( = ) Variao Lquida do caixa no ms ( 1 + 2 + 3) ( + ) Saldo inicial do Disponvel ( = ) Saldo final do Disponvel

Valor (R$) 333.140,00 22.540,00 6.540,00 22.540,00 41.380,00 6.200,00 366.000,00 (345.250,00) (27.530,00) (248.000,00) 177.560,00 96.800,00 12.000,00 18.000,00 6.200,00 124.000,00 (337.000,00) (17.400,00) (7.800,00) 72.360,00 27.530,00 (12.200,00) 15.330,00 17.340,00 2.400,00 (6.200,00) (11.400,00) (18.900,00) (16.760,00) 70.930,00 57.420,00 128.350,00

Observaes e esclarecimentos importantes: 1 As despesas de depreciao e de proviso para devedores duvidosos, consideradas no clculo da DRE, no representam desembolsos de disponvel, por isso foram adicionadas ao Resultado do Exerccio para eliminar os seus efeitos; 2 A proviso para o IR e CSLL, que foram deduzidas para obter o resultado lquido do exerccio, no foi paga. Desta forma, ela foi adicionada ao lucro, visto no ter havido desembolso; 3 O custo do Ativo Permanente alienado (Imobilizado), deve ser excludo das atividades das operaes porque sero analisados nas atividades de investimentos, se representarem efetivos desembolsos;

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4 Os juros pagos sobre emprstimo para imobilizado foram excludos das atividades operacionais porque devem fazer parte das atividades de financiamentos; 5 As compras a prazo e diminuio do estoque so valores que fazem parte do CMV e no representam sadas de disponibilidades. O valor apresentado foi encontrado segundo o seguinte clculo: CMV Compras vista; 6 As vendas a prazo no representam ingressos, por isso foram excludas do resultado; 7 A alienao do Ativo Permanente (Imobilizado vista) ser computado nas atividades de Investimentos e a alienao a prazo no representa ingresso de recursos, por esta razo foram eliminados das atividades das operaes; 8 O ganho pela equivalncia patrimonial no representa ingresso de recursos de disponvel, logo foi excludo. Neste particular, os dividendos e lucros recebidos representam aumento de disponibilidades. Poder-se-ia excluir apenas a variao lquida dos investimentos, mas, com o objetivo de ampliar a evidenciao, preferiu-se excluir todo ganho para depois adicionar os valores recebidos a ttulo de lucros e dividendos para adequar o procedimento aos ditames da Instruo CVM 247/96. Desta forma, obtivemos o lucro ajustado aos efetivos ingressos e desembolsos de disponibilidades; 9 O recebimento de clientes, o aumento de REF, o desconto de duplicatas, o recebimento de dividendos e lucros decorrentes da equivalncia patrimonial representam ingressos que no fazem parte do resultado do exerccio, por isso so adicionados para obter o fluxo lquido gerado pelas atividades das operaes; 10 O pagamento aos fornecedores e impostos relativos a fatos geradores de meses anteriores no foram considerados na DRE, porm representam desembolsos, razo pela qual foram excludos; 11 O pagamento de seguros antecipados, que representa um efetivo desembolso no ms, no despesa e no foi considerado na DRE, em funo da adoo do regime de competncia, logo deve ser excludo. Assim, obtivemos as disponibilidades geradas pelas atividades das operaes no valor de R$ 72.360,00; 12 A alienao do imobilizado vista representa ingresso e se constitui em atividade de investimento, sendo somado a este grupo; Desta forma este grupo das atividades de investimentos contribuiu na formao do caixa lquido com o valor de R$ 15.330,00; 13 A integralizao de Capital recebida e os emprstimos lquidos tomados representam origens de recursos financeiros das operaes de financiamento, por isso so somados a esse item; 14 Os juros pagos sobre emprstimos para aplicao no imobilizado, o pagamento de lucros e dividendos e o pagamento ou reembolso de

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emprstimos/debntures representam aplicaes de recursos financeiros na atividade de financiamento. As atividades de financiamento, desta forma, absorveram recursos financeiros no valor de R$ 16.760,00.Fluxo de Caixa - Mtodo Direto Discriminao INGRESSOS DE RECURSOS Aumento de Resultado de Exerccios Futuros Desconto de Duplicatas (realizados no ms) Dividendos recebidos (controladas) Recebimento de lucros de controladas Recebimentos de clientes (cobrana em carteira) Receita de Aluguis recebidos Receitas de Juros recebidos Juros Recebidos de emprstimos concedidos Venda vista de mercadorias e servios Compras lquidas vista Despesas administrativas pagas Despesas com vendas pagas Despesas de Juros pagos Despesas financeiras pagas Devolues de vendas ICMS sobre vendas (j pago) Pagamento de encargos sociais dos empregados Pagamento de fornecedores Pagamento de Impostos de renda do ms anterior Pagamento de seguros antecipados Pagamentos Salrios PIS/COFINS sobre faturamento (j pago) 1 - Caixa gerado pelas operaes ( + ) Alienao de imobilizado vista ( - ) Aquisio de Investimento vista 2 - Caixa gerado pelos Investimentos ( + ) Integralizao de Capital recebida ( + ) Emprstimos lquidos tomados ( - ) Juros pagos sobre emprstimo para imobilizado ( - ) Pagamento de Lucros e Dividendos ( - ) Pagamento de emprstimos/debntures 3 - Caixa gerado pelos Financiamentos ( = ) Variao Lquida do caixa no ms ( 1 + 2 + 3) ( + ) Saldo inicial do Disponvel ( = ) Saldo final do Disponvel

Valor (R$) 18.000,00 12.000,00 6.200,00 124.000,00 96.800,00 7.400,00 1.800,00 6.940,00 742.680,00 (312.000,00) (7.800,00) (6.200,00) (6.400,00) (2.720,00) (5.200,00) (111.300,00) (21.400,00) (337.000,00) (17.400,00) (7.800,00) (78.560,00) (29.680,00) 72.360,00 27.530,00 (12.200,00) 15.330,00 17.340,00 2.400,00 (6.200,00) (11.400,00) (18.900,00) (16.760,00) 70.930,00 57.420,00 128.350,00

Analisando a Demonstrao do Fluxo de Caixa pelo mtodo direto, percebe-se a maneira simples com que ela elaborada, sendo possvel a qualquer pessoa, com conhecimentos elementares em contabilidade, compreend-la. Constata-se que os valores finais so idnticos aos encontrados na demonstrao pelo mtodo indireto e que a efetiva diferena existente entre esta forma de demonstrao com a forma indireta reside nas informaes contidas no fluxo das atividades das operaes.

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No mtodo direto, no fluxo das atividades das operaes, so apresentadas todas as contas que interferiram na formao das disponibilidades, ao passo que pelo mtodo indireto no se possui esta informao, visto que se parte do Resultado do Exerccio ou perodo considerado. Assim, est respondido o quesito 1 do nosso exerccio. Para satisfazer o quesito 2 podemos utilizar dois caminhos diferentes. Um deles, quando dispomos de todos os valores, adotar o mtodo direto fazendo constar nele os recebimentos lquidos dos clientes no perodo considerado. O outro modo de obtermos o fluxo de caixa decorrente das vendas de mercadorias e servios partir do saldo anterior de clientes ou duplicatas a receber. Vejamos a demonstrao, inicialmente, pelo mtodo direto:Fluxo de Caixa decorrente de vendas de mercadorias e servios Discriminao Valor (R$) INGRESSOS DE RECURSOS Aumento de Resultado de Exerccios Futuros 18.000,00 Desconto de Duplicatas (realizados no ms) 12.000,00 Recebimentos de clientes (cobrana em carteira) 96.800,00 Venda vista de mercadorias e servios 742.680,00 ( - ) Devolues de vendas (5.200,00) ( = )Recebimentos lquidos de clientes no perodo 864.280,00

Pelo outro modo de demonstrar o fluxo de caixa decorrente de vendas de mercadorias e servios, devemos tomar como referncia os valores relativos a clientes (duplicatas a receber, PDD, perdas de crdito) constantes no balano patrimonial atual e do perodo imediatamente anterior e das vendas vista realizadas no perodo. Assim, necessitamos os valores a receber de clientes no incio do perodo e no final do perodo, alm dos valores a receber dos clientes necessrio que se tenha os valores da proviso para devedores duvidosos no incio do perodo, o aumento de Resultados de Exerccios Futuros, o valor de duplicatas descontadas, as perdas no recebimento de crdito de clientes que no estavam provisionados e, principalmente, o valor das vendas totais, descontadas de vendas canceladas ou devolvidas. Assim, se tivssemos o balano patrimonial dos dois perodos, isto , no incio de novembro e no final de novembro, teramos o seguinte segmento de balano:Contas ATIVO Duplicatas a receber clientes ( - ) Proviso para devedores duvidosos ( - ) Duplicatas descontadas PASSIVO Resultado de Exerccios Futuros Incio 123.650,00 (7.240,00) ----------Final 364.860,00 (6.540,00) (12.000,00)

-----------

18.000,00

O saldo final de clientes foi obtido com emprego do seguinte raciocnio:

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Saldo inicial ( - ) PDD ( - ) Recebimentos no perodo ( + ) Vendas a prazo no perodo ( = ) Saldo final de clientes

R$ R$ R$ R$ R$

123.650,00 (7.240,00) (96.800,00) 345.250,00 364.860,00

Percebe-se que o valor referente a PDD do incio do perodo foi excludo para apurar o saldo final de clientes, isto se deve ao fato de no haver meno de reverso dessa proviso, presumindo-se, assim, que ela foi utilizada, ou seja, a previso ou estimativa inicial de que certa quantia dos clientes no seria recebida foi confirmada. Desta forma, o valor do Fluxo de caixa gerado pelos clientes pode ser representado do seguinte modo: FLUXO DE CAIXA GERADO PELOS CLIENTES Vendas totais ( - ) Vendas devolvidas ( = ) Vendas lquidas ( + ) Clientes (incio do perodo) ( + ) Duplicatas descontadas no perodo ( + ) Aumento de REF ( - ) Proviso Devedores Duvidosos (incio) ( - ) Clientes (final do perodo) ( = ) Ingressos lquidos de caixa de clientes 1.087.930,00 (5.200,00) 1.082.730,00 123.650,00 12.000,00 18.000,00 (7.240,00) (364.860,00) 864.280,00

interessante notar que adotamos o seguinte critrio para determinar os ingressos decorrentes de vendas (clientes): 1 Soma dos valores que poderiam ter sido recebidos de clientes como as vendas totais, o saldo da conta clientes no incio do perodo, o aumento de REF e os valores referentes a duplicatas descontadas no perodo. 2 Subtrao das vendas canceladas, devolvidas, clientes no final do perodo, proviso para devedores duvidosos no incio do perodo e perdas no provisionadas com clientes. 3 Saldo = (1) (2).

Ateno! Nas provas de concursos dispomos, geralmente, apenas dos elementos para apurar os valores recebidos de clientes por este mtodo, ou seja, dispomos dos balanos de dois perodos mais as receitas de vendas do perodo considerado.

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8.

ASPECTOS LEGAIS E FISCAIS

A legislao brasileira no exige a Demonstrao do Fluxo de Caixa, no entanto prev que as companhias e por extenso todas as empresas podero apresentar outros demonstrativos que tragam maior evidenciao aos demonstrativos obrigatrios ou os complementem. O art. 176, 4 da Lei n 6.404/76, estabelece esta permissibilidade:Art. 176. Ao fim de cada exerccio social, a diretoria far elaborar, com base na escriturao mercantil da companhia, as seguintes demonstraes financeiras, que devero exprimir com clareza a situao do patrimnio da companhia e as mutaes ocorridas no exerccio: I - balano patrimonial; II - demonstrao dos lucros ou prejuzos acumulados; III - demonstrao do resultado do exerccio; e IV - demonstrao das origens e aplicaes de recursos. ... 4 As demonstraes sero complementadas por notas explicativas e outros quadros analticos ou demonstraes contbeis necessrios para esclarecimento da situao patrimonial e dos resultados do exerccio. (grifouse).

Para o fisco no h exigncia desse demonstrativo. No entanto, ele pode ser til na anlise de solicitao de parcelamentos de dbitos bem como meio de verificao para comprovar se as receitas foram efetivamente registradas. Outro aspecto que pode gerar algum interesse para o fisco o concernente a avaliao da CPMF. Noutro aspecto que ele pode ser extremamente til na anlise de viabilidade financeira da empresa, principalmente na habilitao para operar no comrcio exterior. 9. EXERCCIOS RESOLVIDOS

A fim de facilitar a vida de vocs, resolvemos apresentar a maioria dos exerccios resolvidos desta aula, pois como se trata de assunto novo para a maioria, a soluo poderia trazer algumas dvidas. Ao final, trazemos mais questes propostas. Desta forma, faam bom proveito!

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Dadas as informaes a seguir: I - As Demonstraes Contbeis, de trs perodos consecutivos, da CIA. MARACAN, registram nas contas abaixo, os seguintes saldos:SALDOS FINAIS 1999 2000 Vendas 15.000.000 25.000.000 Custo das Mercadorias Vendidas 3.500.000 14.500.000 Despesa c/ Devedores Duvidosos 10.000 12.000 Clientes 13.000.00 22.000.000 Estoques 30.000 65.000 PDD 10.000 12.000 Reverso de PDD ----Fornecedores 1.450.000 2.600.000 Despesas do Perodo 3.000.000 4.500.000 Contas a Pagar 220.000 350.000 Perdas com Clientes --8.000 II - O Balano Patrimonial de 1998 evidenciava como saldos finais valores: Estoques 100.000 Fornecedores 1.070.000 Clientes 3.000.000 PDD 3.000 2001 32.000.000 18.000.000 15.000 26.000.000 70.000 15.000 4.000 3.900.000 5.000.000 400.000 --das contas a seguir os Contas a Pagar 150.000

III - A empresa utilizava Contas a Pagar somente para registrar despesas a prazo. Com base unicamente nas informaes fornecidas, responda s questes de 01 a 04. 01) (AFRF-2002-Esaf) O valor das compras efetuadas pela empresa em 2001 : a) 18.005.000 b) 17.935.000 c) 16.705.000 d) 14.535.000 e) 13.385.000 SOLUO: A soluo deste exerccio relativamente simples, basta conhecermos a frmula de apurao do custo das mercadorias vendidas, seno vejamos: Para o exerccio social de 2001 devemos considerar como estoque inicial o valor do estoque final do exerccio social anterior, como de resto para todas as contas patrimoniais. Neste caso temos que o estoque inicial (Ei) foi de R$ 65.000,00. O estoque final (Ef) fornecido no prprio balano encerrado em 2001, cujo valor de R$ 70.000,00. Alm destes valores, foi fornecido o Custo das Mercadorias Vendidas (CMV), no valor de R$ 18.000.000,00. Assim, partindo do conceito de CMV = Ei + Co Ef, onde Co representam as compras lquidas do perodo, teremos que Co a nica varivel que deve ser encontrada. Logo, substituindo na frmula os valores j conhecidos, temos: 18.000.000,00 = 65.000,00 + Co 70.000,00 Co = 18.000.000,00 65.000,00 + 70.000,00 Co = R$ 18.005.000,00 Desta forma, a opo correta a representada pela alternativa a. 02) (AFRF-2002-Esaf) O valor de ingresso no Fluxo de Caixa, nos trs perodos, proveniente das Vendas :

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 02 FLUXO DOS CAIXAS Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia 1999 a) 15.000.000 b) 13.000.000 c) 12.997.000 d) 9.007.000 e) 4.997.000 SOLUO: Perceba que foi solicitado o ingresso proveniente das vendas, logo a anlise h de ser feita em relao ao aumento de disponibilidades geradas pelas vendas, que no precisam ser, necessariamente, as vendas do perodo considerado! Vamos analisar o fato ano por ano: 1999: As vendas efetuadas foram no montante de R$ 15.000.000,00, entretanto esse valor no foi recebido integralmente, conforme se pode perceber pelo aumento da conta de clientes que passou de R$ 3.000.000,00 (1998) para 13.000.000,00 (1999). Isto pode ser interpretado da seguinte forma: Os clientes, devedores de 1998, efetuaram os seus pagamentos, e no ano de 1999 foram realizadas vendas a prazo pelo valor de R$ 13.000.000,00. Somente por esse fato poderamos dizer que houve o ingresso de R$ 5.000.000,00. Mas, no podemos nos esquecer que dos clientes devedores de 1998 no foram recebidos R$ 3.000,00 referentes a PDD. Assim, o valor efetivamente recebido em 1999, decorrente de vendas, foi de R$ 4.997.000,00, discriminados ou demonstrados da seguinte forma: Vendas no perodo = R$ 15.000.000,00 (+) Clientes (1998) = R$ (-) PDD (1998) Total Recebido = R$ = R$ 3.000.000,00 3.000,00 4.997.000,00 (-) Clientes (1999) = R$ 13.000.000,00 2000 25.000.000 22.002.000 22.000.000 21.992.000 15.982.000 2001 32.000.000 31.998.000 31.992.000 27.988.000 27.992.000

de se anotar, ainda, que a soma das vendas no perodo com valores a receber de clientes do perodo anterior representa o valor passvel de recebimento, considerando-se para tanto que as vendas tivessem sido realizadas vista e que os clientes pagariam, integralmente, seus compromissos, ou seja, haveria a necessidade de reverter a PDD constituda no perodo anterior. Porm, como no houve reverso da PDD do perodo anterior e as vendas no foram todas vista, os seus saldos devem ser deduzidos dos valores passveis de recebimento, cujo resultado representa o efetivo ingresso de recursos decorrentes de vendas. 2000: Seguiremos praticamente o mesmo raciocnio adotado para o ano anterior. No entanto devemos atentar ao fato de que neste ano foi baixado o valor de R$ 8.000 referentes a perdas

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 02 FLUXO DOS CAIXAS Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia com clientes. Tecnicamente isto quer dizer que, alm da PDD que no foi suficiente, a quantia de R$ 8.000,00 no foi recebida dos clientes. Desta forma, podemos elaborar o seguinte demonstrativo: Vendas no perodo (+) Clientes (1999) (-) Clientes (2000) (-) PDD (1999) (-) Perdas (2000) Total recebido 2001: Agora j podemos ir diretamente ao demonstrativo, pois as explicaes relativas aos exerccios sociais anteriores so tambm aplicadas aqui, com a ressalva de que neste exerccio houve uma reverso de proviso no valor de R$ 4.000,00, cujo valor dever ser subtrado de PDD do perodo anterior. Vendas no perodo (+) Clientes (1999) (-) Clientes (2000) (-) PDD (1999) (+) Reverso PDD Total recebido = = = = = = R$ R$ R$ R$ R$ R$ 32.000.000,00 22.000.000,00 26.000.000,00 12.000,00 4.000,00 27.992.000,00 = = = = = = R$ R$ R$ R$ R$ R$ 25.000.000,00 13.000.000,00 22.000.000,00 10.000,00 8.000,00 15.982.000,00

Assim, a resposta correta est contemplada na alternativa de letra e.

03) (AFRF-2002-Esaf) Se 10% das Despesas do ano de 2000 representarem valores ligados a itens provisionados, pode-se afirmar que o valor das sadas de caixa decorrentes de pagamento de despesas : a) 3.700.000 b) 3.920.000 c) 4.150.000 d) 4.500.000 e) 4.720.000 SOLUO: Conforme o saldo apresentado em despesas, para o ano de 2000, tem-se que o seu total foi de R$ 4.500.000,00. Nos fornecida a informao que 10% delas foram provisionados, isto quer dizer que os valores provisionados ainda no foram pagos, logo no houve desembolso ou diminuio das disponibilidades no valor de R$ 450.000,00. Outra informao que merece ser analisada diz respeito a contas a pagar, visto que elas no representam um provisionamento de despesas, mas sim o seu reconhecimento ou a sua apropriao. Percebe-se que nesta rubrica houve um aumento de R$ 130.000,00 do ano de 1999 para o ano de 2000, logo devemos deduzir tambm este valor do total de despesas para apurar o efetivo desencaixe pelo pagamento de despesas. Assim, teremos o seguinte demonstrativo do desembolso por pagamento de despesas: Despesas do perodo (-) Despesas provisionadas (-) Despesas a pagar Total desembolsado por despesas R$ 4.500.000,00 R$ 450.000,00 R$ 130.000,00 R$ 3.920.000,00

Desta forma, a resposta correta a representada pela letra b.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 02 FLUXO DOS CAIXAS Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia Interessante enfatizar que, se no lugar de haver aumento de contas a pagar tivesse havido diminuio, a diferena teria de ser adicionada as despesas do perodo na apurao do desencaixe. 04) (AFRF-2002-Esaf) No perodo de 2000 os pagamentos efetuados pela empresa aos fornecedores foram no valor de: a) 18.005.000 b) 17.935.000 c) 16.705.000 d) 14.535.000 e) 13.385.000 SOLUO: Para apurarmos os pagamentos inicialmente, o valor das compras. efetuados aos fornecedores precisamos saber,

Partindo do mesmo raciocnio empregado na soluo da questo 01, teremos: Para o exerccio social de 2000 devemos considerar como estoque inicial o valor do estoque final do exerccio social anterior. Assim. o estoque inicial (Ei) foi de R$ 30.000,00. O estoque final (Ef) fornecido no prprio balano encerrado em 2000, cujo valor de R$ 65.000,00. Alm destes valores, foi fornecido o Custo das Mercadorias Vendidas (CMV), no valor de R$ 14.500.000,00. Portanto, partindo do conceito de CMV = Ei + Co Ef, onde Co representam as compras lquidas do perodo, teremos que Co a nica varivel que deve ser encontrada. Logo, substituindo na frmula os valores j conhecidos, temos: 14.500.00,00 = 30.000,00 + Co 65.000,00 Co = 14.500.000,00 30.000,00 + 65.000,00 Co = R$ 14.535.000,00 Uma vez conhecido o valor total de compras, resta-nos verificar os pagamentos efetuados aos fornecedores e, para tanto, devemos analisar a conta Fornecedores. Na anlise desta conta, devemos entender o seguinte: se houve aumento no seu saldo de um perodo anterior para o de anlise, ento nem todas as compras do perodo foram pagas; se houve diminuio no seu saldo, ento no perodo, alm do pagamento de todas as compras foram pagas compras do perodo anterior, ou ento, foram pagas contas do perodo anterior em valor maior do que as no pagas do perodo atual. Desta forma, constatado que no exerccio em anlise houve aumento no saldo de fornecedores e para bem estruturar uma demonstrao do desembolso ocorrido pelo pagamento a Fornecedores, partimos do princpio que poderiam ser pagos todos os valores devidos de exerccios anteriores mais as compras realizadas no perodo. Do montante assim obtido, subtrai-se a quantia no paga: Compras do perodo (+) Fornecedores (1999) (-) Fornecedores (2000) Total de desembolso R$ 14.535.000,00 R$ 1.450.000,00 R$ 2.600.000,00 R$ 13.385.000,00

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 02 FLUXO DOS CAIXAS Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia Desta forma, a resposta correta a representada pela letra e.

05) (AFRF-2002-Esaf) Das operaes listadas a seguir, indique aquela que no tem como conseqncia alterao nas disponibilidades. a) diminuies de financiamentos por amortizaes b) novos investimentos de longo prazo c) aumento de imobilizados por reavaliaes d) crditos concedidos a coligadas e controladas e) operaes com debntures conversveis em aes SOLUO: A forma usual de amortizar financiamentos pelo pagamento, logo o fato da alternativa a gera alterao de disponibilidades, diminuindo-as. A contratao de novos emprstimos e financiamentos, tanto a curto ou a longo prazo, aumenta as disponibilidades pelo ingresso dos recursos em Caixa ou Bancos. Assim, a alternativa b tambm est incorreta, por alterar as disponibilidades. A reavaliao de ativos merece um lanamento a dbito na conta do bem reavaliado (Ativo Imobilizado) e crdito na conta de reserva de reavaliao (Patrimnio Lquido). Desta forma, haver aumento do PL, no entanto no h ingresso de recursos em disponibilidades. Assim, a alternativa c representa a opo que no altera as disponibilidades, sendo, portanto, a alternativa correta. Os crditos concedidos a controladas e coligadas tero como contrapartida uma conta de disponibilidades, que ser creditada, diminuindo o seu saldo. A alternativa d est incorreta. As operaes com debntures representam a contratao de emprstimo, geralmente a longo prazo, havendo ingresso de recursos financeiros em disponibilidades. Logo a alternativa e tambm est errada.

06) (AFRF-2002-2-Esaf) A composio da diferena entre o Lucro Contbil com o Fluxo de Caixa Operacional Lquido evidenciada: a) na Demonstrao das Origens e Aplicaes de Recursos. b) no Fluxo de Caixa Indireto. c) na Demonstrao de Resultados. d) no fluxo gerado por Investimentos. e) na composio dos financiamentos de Caixa. SOLUO: Note que no texto, quando definimos o fluxo de caixa pelo mtodo direto, falamos que pelo mtodo direto da DFC, no fluxo das atividades operacionais, so apresentados os ingressos e as sadas no disponvel em lugar do resultado do exerccio ajustado que utilizado na demonstrao do mtodo indireto. Isto responde a questo, pois pelo mtodo indireto de apresentao da DFC partimos, efetivamente, do resultado do exerccio e o ajustamos por receitas e despesas operacionais que no representaram ingressos e sadas de disponibilidades. Logo, a resposta correta a letra b. 07- (AFRF-2002-2-Esaf) O valor de resgate referente a aplicaes financeiras de longo

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 02 FLUXO DOS CAIXAS Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia prazo classificado no Fluxo de Caixa como item: a) de Empreendimentos b) de Financiamentos c) de Operaes d) de Amortizaes e) de Investimentos SOLUO: Conforme definimos no texto, no item 3, as atividades de investimentos compreendem as transaes com os ativos financeiros, as aquisies ou vendas de participaes em outras entidades e de ativos utilizados na produo de bens ou prestao de servios ligados ao objeto social da Entidade. As atividades de investimentos no compreendem a aquisio de ativos com o objetivo de revenda. Desta forma, o resgate de emprstimos de curto e longo prazo sero demonstradas na DFC no grupo Atividades de Investimentos, pois se constituem em ativos financeiros. Logo a resposta correta a letra e. Das demonstraes contbeis da Cia. Azulo foram extradas seus respectivos saldos: Perodo Contas 2000 Fornecedores 23.000 CMV 800.000 Compras 750.000 Vendas 2.500.000 Despesas Antecipadas 15.000 Despesas Totais do Perodo 1.200.000 Depreciao do Perodo 320.000 as contas abaixo com os

2001 32.000 1.300.000 1.200.000 6.500.000 240.000 4.000.000 540.000

Tomando como base os dados fornecidos, responda s questes de n 08 a 10. 08) (AFRF-2002-2-Esaf) O valor pago pelas compras no ano de 2001 foi: a) 1.300.000 b) 1.200.000 c) 1.191.000 d) 1.101.000 e) 1.091.000 SOLUO: O valor total das compras no perodo foi de R$ 1.200.000,00. Porm, o valor que poderia ter sido pago no perodo pelas compras aquele valor das compras realizadas durante o perodo atual mais o saldo das compras do perodo anterior que no foram pagas, representadas pela conta Fornecedores. Na mesma linha de raciocnio, devemos excluir, do valor total que poderia ser pago no perodo, o valor de compras realizadas a prazo. Ento, em forma de demonstrativo, teremos o seguinte valor pago pelas compras em 2001: Compras do perodo (+) Fornecedores (2000) = Total pagvel em 2001 (-) Fornecedores em 2001 = Total compras pagas em 2001 = = = = = R$ 1.200.000,00 R$ 23.000,00 R$ 1.223.000,00 R$ (32.000,00) R$ 1.191.000,00

Assim, a resposta correta a representada pela letra c.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 02 FLUXO DOS CAIXAS Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia 09) (AFRF-2002-2/Esaf) Se o valor do estoque final for 90.000, o estoque inicial ser: a) 190.000 b) 180.000 c) 120.000 d) 100.000 e) 90.000 SOLUO: A soluo deste exerccio semelhante a do exerccio 01, ou seja, devemos aplicar os conceitos envolvendo o Custo das Mercadorias Vendidas (CMV). Ef. O CMV, matematicamente, obtido pela aplicao da seguinte frmula: CMV = Ei + Co

Ora, das quatro variveis envolvidas na frmula possumos trs, ou seja, nos foi fornecido o valor do CMV, Co e o Ef. Desta forma, basta substituir os valores das variveis na frmula e apurar o valor do Ei: 1.300.000,00 = Ei + 1.200.000,00 90.000,00 Ei = 1.300.000,00 + 90.000,00 1.200.000,00 Ei = R$ 190.000,00 Desta forma, a opo correta a representada pela alternativa a. 10) (AFRF-2002-2/Esaf) Considerando que o Passivo Circulante da empresa era formado unicamente pela rubrica fornecedores e o Balano Patrimonial no evidenciava a existncia de Realizvel a Longo Prazo, pode-se afirmar que o valor das Despesas pagas no perodo : a) 3.220.000 b) 3.445.000 c) 3.460.000 d) 3.685.000 e) 4.000.000 SOLUO: A evidenciao e o entendimento das despesas pagas no perodo vai alm do conceito de despesas do perodo, pois houve o pagamento de despesas antecipadas no perodo e que se referem a despesas do perodo seguinte, visto que foi informado no haver realizvel a longo prazo. Outro aspecto a ser considerado que a depreciao conta de despesa e sobre a qual no houve desembolso, logo o seu valor est dentro do montante de despesas do perodo e deve ser excludo para apurar o valor da despesa paga. Ainda, sob o mesmo ponto de vista, as despesas antecipadas do perodo anterior esto dentro do valor das despesas totais do perodo, mas j foram pagas antecipadamente, logo sua excluso requerida na apurao do valor das despesas pagas no perodo. Perceba que se fosse argido sobre o valor das despesas do perodo, ento o valor das despesas antecipadas do perodo anterior seriam adicionadas s despesas do perodo, ao passo que as pagas antecipadamente no perodo em anlise seriam excludas. Assim, em forma de demonstrao, teremos: Despesas totais do perodo (+) Despesas antecipadas (2001) (-) Despesas antecipadas (2000) (-) Depreciao do perodo = Total de despesas pagas em 2001 = = = = = R$ R$ R$ R$ R$ 4.000.000,00 240.000,00 15.000,00 540.000,00 3.685.000,00

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 02 FLUXO DOS CAIXAS Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia Desta forma, a opo correta a representada pela alternativa d. Dados da Cia. Comercial Santarm: 1 Balano Patrimonial de Disponibilidades Estoques Clientes Prov. p/Devedores Duvidosos Duplicatas Descontadas Participaes Societrias Terrenos Bens de Uso Depreciaes Acumuladas Total Ativo C/ a Pagar Fornecedores Proviso p/ Imposto de Renda Dividendos a Pagar Emprstimos de L. Prazo Capital Social Reservas de Lucros Lucros Prejuzos Acumulados Total P+PL

19x8 e 19x9 19x8 19x9 2.000 4.000 6.500 4.000 25.000 42.000 (250) (300) (8.750) (6.200) 10.000 12.000 15.000 15.000 13.000 18.000 (2.000) (3.500) 60.500 85.000 5.000 7.000 10.000 13.500 1.000 2.000 1.000 10.000 30.000 500 3.000 60.500 3.500 16.000 40.000 1.000 2.000 85.000

2 Demonstrao do Resultado dos Exerccios de 19x8 e 19x9 19x8 19x9 Vendas 160.000 300.000 CMV (80.000) (180.000) Resultado Bruto Operacional 80.000 120.000 Despesas Administrativas (49.700) (70.000) Depreciao (1.000) (1.500) Devedores Duvidosos (250) (300) Despesas Financeiras (3.750) (8.700) Despesas de Vendas (19.800) (31.500) Resultado Antes do Imp. de Renda 5.500 8.000 Proviso p/ Imposto de Renda (1.000) (2.000) Resultado Lquido do Exerccio 4.500 6.000 3 Outras informaes: Do resultado de 19x9 foram destinados: 3.500 para os acionistas e 500 para Reservas de Lucros. Tomando como base apenas os dados acima fornecidos, responder as questes de nos 11 a 17 a seguir: 11) SERPRO/2001-ESAF - O valor do Ativo Circulante em 19x9 : 50.000 46.000 43.500 36.500 24.000

a) b) c) d) e)

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SOLUO: O ativo circulante do perodo solicitado obtido diretamente no Balano de 19x9 Contas 19x9 Disponibilidades 4.000 Estoques 4.000 Clientes 42.000 Prov. p/Devedores Duvidosos (300) Duplicatas Descontadas (6.200) Total 43.500,00 Logo, a resposta correta a representada pela letra c. 12) SERPRO/2001-ESAF - O valor do Passivo No Circulante para as dois perodos : 19x8 19x9 43.500 59.000 41.500 43.500 36.000 40.500 24.500 29.500 17.000 26.000 SOLUO: O pargrafo segundo do art. 178 da Lei n 6.404/76, dispe que: Art. 178. No balano, as contas sero classificadas segundo os elementos do patrimnio que registrem, e agrupadas de modo a facilitar o conhecimento e a anlise da situao financeira da companhia. ... 2 No passivo, as contas sero classificadas nos seguintes grupos: a) passivo circulante; b) passivo exigvel a longo prazo; c) resultados de exerccios futuros; d) patrimnio lquido, dividido em capital social, reservas de capital, reservas de reavaliao, reservas de lucros e lucros ou prejuzos acumulados. Desta forma, segundo a lei, o passivo compreende o PC, PELP, REF e o PL. Logo, para resolvermos o nosso exerccio devemos considerar essa disposio legal. Contas 19x8 19x9 Emprstimos de L. Prazo 10.000 16.000 Capital Social 30.000 40.000 Reservas de Lucros 500 1.000 Lucros Prejuzos Acumulados 3.000 2.000 Total 43.500 59.000 Desta forma, a resposta correta est representada pela letra a.

a) b) c) d) e)

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 02 FLUXO DOS CAIXAS Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia 13) SERPRO/2001-ESAF - O Capital Circulante Lquido nos dois perodos : 19x8 19x9 a) (17.500) 26.000 b) 17.500 (26.000) c) 10.000 (24.500) d) (7.500) 17.500 e) 7.500 17.500 SOLUO: O Capital Circulante Lquido definido como sendo a diferena entre o Ativo Circulante e o Passivo Circulante, cuja interpretao que se deve dar ao resultado que ele ser positivo quando o ativo circulante supera o passivo circulante e ser negativo quando o passivo circulante for maior que o ativo circulante. Ativo Circulante Disponibilidades Estoques Clientes Prov. p/Devedores Duvidosos Duplicatas Descontadas Total Passivo Circulante C/ a Pagar Fornecedores Proviso p/ Imposto de Renda Dividendos a Pagar Total P+PL Capital Circulante Lquido Ativo Circulante ( - ) Passivo Circulante CCL 19x8 2.000 6.500 25.000 (250) (8.750) 24.500 19x8 5.000 10.000 1.000 1.000 17.000 19x8 24.500 (17.000) 7.500 19x9 4.000 4.000 42.000 (300) (6.200) 43.500 19x9 7.000 13.500 2.000 3.500 26.000 19x9 43.500 (26.000) 17.500

Desta forma, a resposta correta a letra e. a) b) c) d) e) 14) SERPRO/2001-ESAF - O valor das compras de mercadorias efetuadas em 19x9 : 180.000 177.500 177.000 173.500 173.000

SOLUO: A soluo desta questo comea pelo conhecimento do Custo das Mercadorias Vendidas (CMV), cujo valor fornecido de R$ 180.000,00. Os outros componentes do CMV como estoque inicial e estoque final tambm foram informados. O estoque inicial representa o estoque de mercadorias no final do perodo de 19x8, cujo valor de R$ 6.500,00. O estoque final o prprio estoque de mercadorias constante no Balano do exerccio de 19x9, com valor de R$ 4.000,00. Como o CMV = Ei + Co Ef, teremos: 180.000,00 = 6.500,00 + Co 4.000,00, logo

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 02 FLUXO DOS CAIXAS Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia Co = 180.000,00 6.500,00 + 4.000,00 Co = 177.500,00 Assim, a resposta correta a letra b. 15) SERPRO/2001-ESAF - Com base unicamente nos dados fornecidos pode-se identificar que: a) foi efetuado um pagamento de dividendos na ordem de 3.500 b) a Liquidez Imediata apresenta uma acentuada queda em 19x9 c) ocorreram perdas com clientes na ordem de 300 em 19x8 d) houve um aumento de capital com aporte de recursos dos scios e) as atividades de investimento geraram um aumento nas disponibilidades SOLUO: Conforme se depreende da anlise dos Balanos de 19x8 e 19x9, havia dividendos a pagar no final de 19x8 no valor de 1.000,00 e no final de 19x9 no valor de 3.500. Como no exerccio de 19x9 foi destinado o valor de 3.500,00 a ttulo de dividendos, de se concluir que o dividendo total distribudo foi de, no mnimo, 4.500,00. Logo a alternativa a est errada. O ndice de liquidez imediata representa o quociente entre as disponibilidades e o passivo circulante. Assim, o ndice, em 19x8, era de 2.000,00/17.000,00 = 0,1176 ou 1/8,5. No exerccio de 19x9 o mesmo ndice apresenta o valor de 4.000,00/26.000,00 = 0,1538 ou 1/6,5. Ora, 1/6,5 maior do que 1/8,5, logo o ndice cresceu e a alternativa b est errada. A PDD constituda em 19x8 foi de 250,00. No foi informado que houve reverso de parte ou de toda essa proviso e tampouco que houve alguma baixa da conta clientes por perdas, logo a perda com devedores duvidosos no exerccio social de 19x8 foi de apenas 250,00. Assim, a alternativa c est errada. No exerccio social de 19x9 houve um aumento do capital social na ordem de 10.000,00. Analisando a origem desse aumento, constata-se que 1.000,00 vieram de lucros acumulados e os outros 9.000,00 vieram de recursos externos, isto , dos scios. Logo a alternativa d est correta. As atividades de investimento compreendem os seguintes valores: Alienao de imobilizado (+) Alienao de investimentos (+) Resgate de investimentos temporrios (-) Integralizao de capital em sociedade investida (-) Aquisio de imobilizado (-) Aquisio de investimentos (-) Aplicao no Diferido Se apurarmos os valores, percebe-se que os investimentos absorveram recursos de disponibilidades, pois no houve alienao de Ativo Permanente. Houve, isto sim, aquisio de Permanente. Logo a alternativa e est errada. 16) SERPRO/2001-ESAF - Em 19x9 o valor dos ingressos de disponibilidades originados por vendas : 300.000 296.500 283.200 280.200 280.000

a) b) c) d) e)

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 02 FLUXO DOS CAIXAS Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia SOLUO: Seguiremos o emprego do mesmo raciocnio adotado para questes anteriores. Desta forma, podemos elaborar o seguinte demonstrativo: Vendas no perodo (+) Clientes (19x8) (-) Clientes (19x9) (-) PDD (19x8) (-) Dup. Desc. (19x8) (+) Dup. Desc. (19x9) Total recebido = R$ 300.000 = R$ 25.000 = R$ = R$ = R$ = R$ 42.000 250 8.750 6.200

= R$ 280.200

Logo a alternativa correta a letra d.

17) SERPRO/2001-ESAF - O valor apurado, em 19x9, como pagamento de Despesas, no Fluxo de Caixa pelo Mtodo Direto : a) 173.500 b) 173.200 c) 108.200 d) 78.200 e) 68.000 SOLUO: As despesas pagas, em 19x9, podem ser apuradas basicamente pela DRE, devendo-se ter o cuidado de excluir os valores que no representam sadas de disponibilidades como depreciao e devedores duvidosos. Outro aspecto que merece ateno o aumento em contas a pagar de R$ 2.000,00. Assim, teremos o seguinte demonstrativo de despesas pagas em 19x9: Despesas administrativas 70.000 Despesas financeiras 8.700 Despesas de vendas 31.500 (-) Aumento de c/ a pagar (2.000) Total = 108.200 Desta forma, a resposta correta a letra c.

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10.

EXERCCIOS PROPOSTOS

Instrues para resoluo das questes de ns 01 a 07. Em uma operao de verificao dos livros contbeis, realizada na Cia. Luanda, foi possvel identificar os seguintes dados: I - O Balano Patrimonial dos exerccios 20x1 e 20x2 CONTAS DO ATIVO 20x1 Disponibilidades 8.000 Clientes 12.000 (-) Prov. p/ Crditos de Liq. Duvidosa (300) Estoques 2.000 Participaes Societrias 5.300 Imveis 12.000 Equipamentos 15.000 Veculos 20.000 (-) Depreciao Acumulada (2.000) TOTAL DO ATIVO 72.000 CONTAS DO PASSIVO+PL Contas a Pagar Fornecedores Dividendos a Pagar Impostos Provisionados Notas Promissrias a Pagar Financiamentos de Longo Prazo Capital Social Reservas de Lucros Lucros/Prejuzos Acumulados TOTAL DO PASSIVO+PL 20x1 1.000 9.000 ---1.000 10.000 16.000 30.000 4.000 1.000 72.000 20x2 6.000 22.500 (800) 6.500 5.300 12.000 20.000 20.000 (7.500) 84.000 20x2 4.000 6.000 3.000 2.000 ---22.000 40.000 0 7.000 84.000

II - A Demonstrao das Mutaes do Patrimnio Lquido CAPITAL RESERVA LUCROS/ PRESOCIAL DE LUCROS JUZOS AC. Saldo em 31.12.20x1 30.000 4.000 1.000 Transferncias p/Capital 4.000 (4.000) Novas Subscries 9.000 Incorporao do

TOTAL 35.000 0 9.000

Resultado Lquido 20x2Distribuio do Resultado Dividendos Saldo em 31.12.20x2 40.000 0 (3.000) 7.000 0 (3.000) 47.000

III - Itens da Demonstrao de Resultado do Exerccio Itens Adicionais 20x1 Vendas 100.000 CMV 64.000 Despesas totais do perodo 34.000 Resultado antes do IR 2.000 Variaes Cambiais Passivas ----

20x2 152.000 82.000 59.000 11.000 6.000

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 02 FLUXO DOS CAIXAS Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia Despesas de Depreciaes Proviso p/ pagamento do Imposto de Renda Proviso p/ Crditos de Liquidao Duvidosa 2.000 1.000 300 5.500 2.000 800

IV - Outras informaes adicionais . As Notas Promissrias vencem em 180 dias. . Os financiamentos foram contratados junto ao Banco ABC em 30.12.20x1 pelo prazo de 8 anos, com carncia de 3 anos e juros de 5% anuais, pagveis ao final de cada perodo contbil. O saldo devedor corrigido pela variao da moeda x, com pagamento do principal em 5 parcelas anuais aps o perodo de carncia. Com base unicamente nos dados fornecidos, responder s questes de nmeros 01 a 07. 01) (AFRF-2003) O valor dos ingressos de caixa gerado pelas vendas no perodo examinado foi: a) 159.500 b) 150.000 c) 141.200 d) 139.500 e) 139.200 02) (AFRF-2003) Examinando os dados, verifica-se que a empresa pagou aos fornecedores o valor de: a) 89.500 b) 86.500 c) 85.000 d) 82.000 e) 75.500 03) (AFRF-2003) Com base nos dados identificados, pode-se afirmar que a sada de caixa para o pagamento de despesas foi: a) 52.700 b) 50.700 c) 44.700 d) 45.500 e) 43.700 04) (AFRF-2003) No perodo a empresa efetuou compras de estoques no valor de: a) 89.500 b) 86.500 c) 85.000 d) 82.000 e) 75.500 05) (AFRF-2003) Com os dados fornecidos e aplicando o mtodo indireto para elaborar o fluxo de caixa, pode-se afirmar que a contribuio do resultado ajustado para a formao das disponibilidades : a) 21.300 b) 12.000 c) 17.500 d) 20.500 e) 6.000

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 02 FLUXO DOS CAIXAS Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia 06) (AFRF-2003) O valor dos itens de Investimentos que contriburam para a variao das disponibilidades : a) (5.500) b) (5.000) c) (500) d) 5.000 e) 5.500 07) (AFRF-2003) O valor do caixa lquido consumido nas atividades operacionais : a) (9.300) b) (8.000) c) (3.000) d) 7.000 e) 9.000 08) (AFRF-2003) Representam operaes que no afetam o fluxo de caixa: a) recebimento por doao de terrenos e depreciaes lanadas no perodo. b) aquisio de bens no de uso e quitao de contrato de mtuo. c) alienao de participaes societrias e depreciaes lanadas no perodo. d) amortizaes efetuadas no perodo de diferidos e venda de aes emitidas. e) repasse de recursos para empresas coligadas e aquisio de bens. 09) (AFRF-2003) Na elaborao do fluxo de caixa so classificveis como atividade de financiamento: a) desembolso por emprstimos concedidos a empresas coligadas e controladas. b) aquisio de mquinas, veculos ou equipamentos atravs de contrato de arrendamento mercantil. c) recebimento de contribuies de carter permanente para aquisio de terrenos para expanso da capacidade instalada da empresa. d) venda de aes emitidas e recebimento de valores decorrentes da alienao de participaes societrias. e) recebimento de juros sobre emprstimos concedidos a outras empresas. Nas questes de nmeros 10 a 45, marque C (certo) ou E (errado). 10) (INSS-CESPE-2003) A demonstrao do fluxo de caixa objetiva destacar as principais atividades que, direta ou indiretamente, causam impacto no fluxo de caixa e, portanto, influenciam o saldo geral de caixa. Divide-se, formalmente, em duas sees: atividades operacionais e atividades no operacionais. 11) (INSS-CESPE-2003) O fluxo de caixa pode ser demonstrado pelos mtodos direto ou indireto. Enquanto o primeiro, partindo da receita de vendas, reconstri a demonstrao de resultado de exerccio de cima a baixo quanto ao fluxo de caixa, a fim de determinar o caixa lquido gerado pelas atividades operacionais, o segundo mtodo, tambm conhecido como mtodo da reconciliao, parte do lucro lquido e, por meio de remoo de quaisquer itens que no afetem o fluxo de caixa, ajusta-se para o regime de caixa. O mtodo indireto considerado mais vantajoso do que o mtodo direto por que evidencia as eventuais diferenas entre o lucro lquido e o dinheiro lquido gerado nas atividades operacionais. 12) (PETROBRAS-CESPE-2004) As normas complementares tornaram obrigatria, para todas as empresas sob a gide da legislao societria, a divulgao da demonstrao dos fluxos de caixa (DFC), que objetiva mostrar como ocorreram as movimentaes de disponibilidades durante determinado perodo. Em alguns pases, a DFC j substituiu a DOAR por ser de mais utilidade e facilidade de entendimento para os usurios.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 02 FLUXO DOS CAIXAS Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia 13) (PETROBRAS-CESPE-2004) A demonstrao de fluxo de caixa pelo mtodo direto elaborada a partir do lucro lquido ajustado para o regime de caixa. Os valores que afetam o fluxo de caixa so removidos diretamente do lucro lquido, obtendo-se, por essa via, o dinheiro lquido gerado pelas atividades operacionais. 14) (PETROBRAS-CESPE-2004) O mtodo direto, que recomendado e incentivado pelo FASB (Financial Accounting Standards Boards) Conselho de Padres de Contabilidade Financeira norte-americano para fins de divulgao externa - , mais vantajoso que o indireto, uma vez que evidencia as eventuais diferenas entre o lucro lquido e o dinheiro lquido gerados pelas atividades operacionais no perodo. 15) (PETROBRAS-CESPE-2004) O objetivo da demonstrao de fluxo de caixa destacar as principais atividades que, direta ou indiretamente, causam impacto no mesmo e, assim, influenciam o saldo geral de caixa. Caixa utilizado em sentido amplo, ou seja, devem ser considerados no apenas o dinheiro em espcie mas tambm os demais ativos equivalentes de caixa que possuam liquidez imediata. 16) A Lei n 10.303/01, ao alterar a Lei n 6.404/76, tornou obrigatria a DFC para as companhias abertas que tenham suas aes negociadas no mercado secundrio, cuja divulgao deve ser auditada por auditor independente registrado na CVM. 17) Por disponibilidades entende-se o dinheiro em caixa, os valores depositados em conta corrente bancria e as aplicaes de liquidez imediata, sendo que s ltimas d-se a denominao de equivalentes de caixa. 18) O fluxo de caixa projetado ganha nfase quando o objetivo da empresa o planejamento a curto e mdio prazos. 19) O fluxo de caixa realizado, quando elaborado por diversos perodos sucessivos, alm da funo do controle oramentrio, permite anlise de tendncia, sendo, portanto, ferramenta importante para a elaborao do fluxo de caixa projetado. 20) O moderno administrador de empresas pode planejar seus pagamentos e ter em suas mos a programao financeira a longo prazo se elaborar o fluxo de caixa projetado. No entanto, a programao financeira a curto prazo somente ser obtida se elaborar o fluxo de caixa realizado. 21) A DFC evidencia as origens e aplicaes de recursos que alteram o disponvel ao passo que a DOAR evidencia as origens e aplicaes de recursos que alteram o capital circulante lquido. 22) O fluxo de caixa pode ser apresentado pelo mtodo direto ou indireto. Em ambos os mtodos de apresentao ou elaborao, recomenda-se a segmentao por atividades por haver melhor compreenso do seu contedo. 23) As atividades operacionais compreendem as transaes que envolvem a consecuo do objeto social da Entidade. 24) As atividades de investimentos compreendem as transaes com os ativos financeiros, as aquisies ou vendas de participaes em outras empresas e de ativos utilizados na produo de bens ou prestao de servios ligados ao objeto social da Entidade. 25) Entre as atividades de financiamentos temos a captao de recursos junto aos acionistas ou cotistas e seu retorno em forma de lucros ou dividendos, a captao de emprstimos ou outros recursos, sua amortizao e remunerao, bem como o recebimento de doaes ou subvenes.

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26) Quando, pela sua natureza, pagamentos e recebimentos paream ser classificveis tanto nas atividades operacionais, nas atividades de investimentos ou nas atividades de financiamentos, deve-se levar em conta a atividade preponderante da Entidade para a correta classificao da atividade no fluxo de caixa. 27) A aquisio ou alienao de imveis considerada atividade de investimento, independentemente do objeto social da Entidade. 28) As informaes sobre atividades de investimentos e de financiamentos que resultarem em reconhecimento de um ativo ou de um passivo, sem o efetivo pagamento ou recebimento, como o reconhecimento de variaes cambiais ativas e passivas, no devem fazer parte da DFC. 29) A conciliao entre o resultado e o fluxo de caixa lquido gerado pelas atividades operacionais visa fornecer informaes sobre os efeitos lquidos das transaes operacionais e de outros eventos que afetam o resultado. 30) As informaes contidas numa demonstrao dos fluxos de caixa, quando elaborada criteriosamente, substituem com vantagens as demais demonstraes contbeis, dispensando-se, neste caso, a sua elaborao e divulgao. 31) A par de a DFC no ser de elaborao obrigatria, a doutrina ainda no est pacfica sobre qual o mtodo mais vantajoso, havendo aqueles que apontam o mtodo direto como o mais recomendado e outros vem vantagens no mtodo indireto. 32) Um das vantagens atribudas ao mtodo indireto a possibilidade de comparao do resultado com o caixa gerado pelas atividades operacionais, a partir do lucro lquido ajustado. 33) Na elaborao da DFC pelo mtodo indireto parte-se do resultado do exerccio que deve ser ajustado mediante adio das despesas que no representaram sadas de caixa e diminudo das receitas que no geraram ingressos de recursos em disponibilidades. 34) O aumento de contas a pagar como: Salrios, Aluguis, Telefone, etc., ficam excludos do resultado ajustado, devendo ser considerados apenas os resultados de exerccios futuros e as depreciaes no lucro ajustado. 35) Na DFC, pelo mtodo direto, tem-se como vantagem a possibilidade de visualizar o item de maior contribuio para a formao do caixa lquido. 36) O recebimento de duplicatas de emisso da Entidade, contribui para o aumento do caixa lquido do perodo, mesmo que as vendas tenham sido realizadas no perodo anterior. 37) Alm dos valores recebidos de clientes, incluem-se nas atividades operacionais os recebimentos de dividendos e lucros de subsidirias. 38) Numa empresa que possui como objeto social a incorporao imobiliria, a venda de imveis a prazo ser lanada na DFC como atividade operacional. 39) O aumento ou a reduo do PL que possua correspondncia em disponibilidades e que no esteja includo no resultado do perodo considerado, deve ser apresentado na DFC como atividade de financiamento.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 02 FLUXO DOS CAIXAS Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia 40) O caixa gerado pelas vendas em dado perodo deve considerar a diminuio do saldo da conta clientes do perodo anterior e o aumento do saldo da conta clientes do perodo atual, bem como o valor da PDD constituda no final do perodo atual. 41) O fluxo de caixa gerado pelo aumento de resultados de exerccios futuros somente deve ser reconhecido como disponibilidade com a ocorrncia do fato gerador da receita, pois do contrrio estaremos desrespeitando o princpio da competncia. 42) O aumento de obrigaes decorrentes de variaes cambiais, na elaborao da DFC, deve ser adicionado ao resultado do perodo a fim de obtermos o lucro ajustado, pois tais aumentos de passivos no representam desembolsos de disponibilidades. 43) O resultado positivo, na avaliao de investimentos pelo mtodo da equivalncia patrimonial, deve ser excludo do lucro lquido do exerccio na determinao do lucro ajustado, quer na elaborao da DOAR, quer na elaborao da DFC, pois no representa ingresso de disponibilidades e no h aumento de capital circulante. 44) Em certas circunstncias ou de modo genrico, poder-se-ia dizer que os ajustes que se fazem necessrios ao resultado do exerccio, para obter o lucro ajustado, consistem em considerar os aumentos do ativo circulante como aplicaes de recursos e os aumentos do passivo circulante como sendo origens de recursos. 45) A demonstrao do fluxo de caixa pelo mtodo indireto se assemelha em quase todos os aspectos elaborao da DOAR, sendo que a diferena consiste em considerar, tambm, as variaes ocorridas no capital circulante lquido.

11.01 C 06 B 11 - C 16 E 21 C 26 C 31 C 36 C 41 E

GABARITO DOS EXERCCIOS PROPOSTOS02 A 07 D 12 - E 17 C 22 C 27 E 32 C 37 C 42 C 03 E 08 A 13 E 18 C 23 C 28 C 33 C 38 E 43 C 04 B 09 C 14 E 19 C 24 C 29 C 34 E 39 C 44 C 05 D 10 - E 15 - C 20 E 25 C 30 E 35 C 40 E 45 - C

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Aula 03Caros alunos(as), para o concurso de AFRFB no h mais a diviso por reas. No entanto, no edital temos o inquietante item 15 Legislao societria atualizada e normas da CVM. Considerando que quando havia as reas de especializao, na rea de auditoria quase a metade da prova era sobre o tema Avaliao de Investimentos (14 questes em um total de 30) e mais 9 questes sobre Fluxo de Caixa. Por isso, entendemos que em relao ao item 15 podem aparecer duas ou trs questes na prova desse concurso que se aproxima e mais uma ou duas questes sobre a DFC, que j vimos na aula 02. Assim, entre DFC e o item 15, acreditamos que possam ser cobradas at 5 questes! Desta forma, no h outro jeito a no ser estudar a matria com todo cuidado! No estudo dessa matria, tomamos o cuidado de trazer a legislao societria, da CVM e a legislao fiscal pertinente, alm de no final transcrevermos a ntegra da norma da CVM (Instruo 247/96). Apresentaremos o tema em trs aulas (Aula 03, 04 e 05), apresentando ao final de cada aula questes de provas da Esaf e de outras instituies sobre o assunto.

AVALIAO DE INVESTIMENTOS PARTE I1 ASPECTOS INICIAIS Uma administrao empresarial eficiente envolve, entre outros aspectos, o adequado gerenciamento dos recursos financeiros de modo a otimiz-los. Isto se faz necessrio pelo fato de os recursos financeiros representarem, geralmente, o fator de produo mais escasso, e em conseqncia o mais caro, especialmente em nosso Pas onde as taxas de juros praticadas tem sido, historicamente, elevadssimas. Diante de tal situao o administrador moderno deve buscar a melhor soluo de rentabilidade para os recursos de sua empresa, alocando-os no objeto social de sua entidade, a includos os estoques de mercadorias, matrias-primas, vendas a prazo, ativo permanente imobilizado e diferido. Se, porm, a entidade apresentar riqueza prpria em excesso ou excesso de disponibilidades, mesmo que temporrios, dever aplic-los em investimentos que, dependendo da natureza e freqncia dessas sobras, podem ser temporrios ou permanentes, pois deixar esses recursos ociosos, sem nada produzir, seria considerado desperdcio inadmissvel e indicativo de administrao deficiente. Por estes aspectos apresentados que as empresas, mesmo que no seja seu objeto social principal, aplicam os excessos de recursos, temporrios ou permanentes, em investimentos que podem assumir natureza diversa, porm sempre objetivando a melhor alocao destes e buscando rentabilidade, que , em ltima anlise, o objetivo principal de qualquer empreendimento empresarial.

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2 APLICAES FINANCEIRAS DE LIQUIDEZ IMEDIATA Uma empresa, quando possui excesso de disponibilidades temporrias, no necessrios para honrar os compromissos imediatos, faz aplicaes financeiras visando se proteger da desvalorizao da moeda e para auferir alguma vantagem financeira. Na hiptese de estas aplicaes financeiras serem do tipo que podem ser resgatadas a qualquer tempo, como, por exemplo, os Fundos de Renda Fixa, elas devero ser classificadas no ativo circulante, no subgrupo disponibilidades. Para a correta avaliao das aplicaes financeiras de liquidez imediata, quando, no final do exerccio, existirem saldos em aplicaes dessa natureza, em observncia ao regime de competncia, devemos contabilizar os rendimentos j ganhos (receitas auferidas ou incorridas) at aquela data e som-los ao investimento, isto , a conta investimentos de liquidez imediata ser debitada, devendo ser creditada uma conta de resultado (rendimentos em aplicaes financeiras, por exemplo), gerando o lanamento a seguir: Aplicaes financeiras de liquidez imediata a Receita operacional de variao cambial e/ou juros Procedendo desta forma teremos, no balano final do exerccio, o valor atualizado do investimento. neste sentido que dispe o final do inciso I do art. 183 da Lei n 6.404/76: Art. 183. No balano, os elementos do ativo sero avaliados segundo os seguintes critrios: I - os direitos e ttulos de crdito, e quaisquer valores mobilirios no classificados como investimentos, pelo custo de aquisio ou pelo valor do mercado, se este for menor; sero excludos os j prescritos e feitas as provises adequadas para ajust-lo ao valor provvel de realizao, e ser admitido o aumento do custo de aquisio, at o limite do valor do mercado, para registro de correo monetria, variao cambial ou juros acrescidos; 3 ALGUMAS DEFINIES PRELIMINARES Ttulos de Crdito Quando falamos de ttulos de crdito vm tona aqueles papis emitidos por entidades financeiras como: Letras de Cmbio, Certificado de Depsito Bancrio e outros. Porm, o conceito de ttulos de crdito mais abrangente, envolvendo, tambm, os ttulos emitidos por entidades no financeiras como: Debntures, Notas Promissrias e as Duplicatas. Todos so emitidos com finalidade de captar recursos no mercado financeiro ou de financiar as atividades da entidade. Todos esses papis possuem prazo de vencimento e, explicitamente ou implicitamente, rendem juros que podem ser pr-fixados ou ps-fixados. Valores Mobilirios Representam os ttulos e papis emitidos por entidades financeiras e outras entidades comerciais. Constituem-se de fraes de um patrimnio como as aes e quotas ou de direitos sobre a participao patrimonial de uma entidade como, por exemplo, o bnus de subscrio, as partes beneficirias e as debntures.

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Aplicaes Financeiras As aplicaes financeiras se caracterizam pela alocao de recursos em ttulos e papis de natureza monetria, constituindo-se em direito ou ttulos de crdito. Esses direitos ou ttulos de crdito se apresentam com prazo de vencimento e taxas de rentabilidade pr ou ps-fixados. So exemplos representativos de direitos ou ttulos dessa natureza: ) ) ) ) Certificados de Depsito Bancrios Caderneta de Poupana Debntures conversveis ou no em aes Depsitos a prazo fixo

Investimentos Diferentemente das aplicaes financeiras, os investimentos se caracterizam mais por alocaes de recursos em bens de natureza no monetria. So as aplicaes em valores mobilirios que no possuem prazo de vencimento e tampouco taxa de rendimento predeterminados, como as participaes societrias e mesmo em bens imveis e bens mveis como obras de arte. Entretanto, tambm so considerados investimentos as alocaes de recursos em papis de natureza monetria representados por direitos ou ttulos de crdito como, por exemplo, aes adquiridas ou cotadas em mercado de valores mobilirios (bolsa de valores); quotas de capital; investimentos em ouro; fundo de aes, que no possuem a caracterstica de permanncia. Alm destas definies, a Instruo CVM No 387, de 28 de abril de 2003, que estabelece normas e procedimentos a serem observados nas operaes realizadas com valores mobilirios, em prego e em sistemas eletrnicos de negociao e de registro em bolsas de valores e de bolsas de mercadorias e futuros e d outras providncias, trouxe em seu artigo 2 definies que, por sua relevncia e afinidade aos temas aqui tratados, esto a seguir transcritos: Corretora de Valores: a sociedade habilitada a negociar ou registrar operaes com valores mobilirios por conta prpria ou por conta de terceiros em bolsa e entidades de balco organizado; Corretora de Mercadorias: a sociedade habilitada a negociar ou registrar operaes com valores mobilirios negociados em bolsa de mercadorias e futuros; Operador Especial: pessoa natural ou firma individual detentora de ttulo de bolsa de mercadorias e futuros, habilitada a atuar no prego e nos sistemas eletrnicos de negociao e de registro de operaes, executando operaes por conta prpria e por conta de corretoras, desde que autorizadas pela bolsa; Entidade de Balco Organizado: pessoa jurdica que administra sistema eletrnico de negociao e de registro de operaes com valores mobilirios; Comitente ou Cliente: a pessoa, natural ou jurdica, e a entidade, por conta da qual as operaes com valores mobilirios so efetuadas; Cmara de Compensao e de Liquidao: cmara ou prestador de servios de registro, compensao e liquidao de operaes com valores mobilirios, integrante do Sistema de Pagamentos Brasileiro SPB; Membro de Compensao ou Agente de Compensao: a pessoa jurdica, instituio financeira ou a ela equiparada, responsvel perante aqueles a quem presta servios e perante a cmara de compensao e de liquidao pela compensao e liquidao das operaes com valores mobilirios sob sua responsabilidade;

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Ordem: ato mediante o qual o cliente determina a uma corretora que compre ou venda valores mobilirios, ou registre operao, em seu nome e nas condies que especificar; Oferta: ato mediante o qual a corretora ou o operador especial apregoa ou registra a inteno de comprar ou vender valores mobilirios; Participante com Liquidao Direta: instituio financeira detentora de ttulo de membro de compensao que realiza e liqida operaes para sua carteira prpria ou para fundos sob sua administrao. 4 INVESTIMENTOS TEMPORRIOS 4.1 - CONCEITO Em economia de preos crescentes e taxas de juros atrativas, os investimentos em ttulos e valores mobilirios a curto e mdio prazo se constituem em boas alternativas para alocar as disponibilidades que no sero necessrias durante o perodo de aplicao. As principais opes no mercado financeiro e no de capitais para aplicao dos excessos de recursos so: ) Aplicaes Temporrias em Aes ) Aplicaes Temporrias em Ouro ) Bnus do Tesouro Nacional - BTN ) Certificado de Depsito Bancrio (RDB/CDB) ) Commodities ) Depsitos a Prazo Fixo ) Fundo de Aplicao Financeira - FAF ) Fundo de Curto Prazo ) Fundo de Investimentos de Renda Fixa ou Varivel ) Letras de Cmbio ) Letras Financeiras do Tesouro - LFT Desta forma, pode-se conceituar investimento temporrio como sendo a alocao de recursos ou disponibilidades temporrias em aplicaes de carter no permanentes, isto , aqueles investimentos que possuem o carter e a inteno de realizao, classificveis no ativo circulante ou no ativo realizvel a longo prazo. 4.2 CLASSIFICAO E CRITRIOS DE AVALIAO O art. 179, inciso III, da Lei n 6.404/1976 determina que as participaes permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, no classificveis no ativo circulante, e que no se destinem manuteno da atividade da companhia ou da empresa, devem ser classificadas no grupo do Ativo Permanente no subgrupo Investimento. Desta forma, a lei aventa a hiptese de haver investimentos classificveis no Ativo Circulante. H, porm, a possibilidade da classificao de investimentos no Ativo Realizvel a Longo Prazo, quando o prazo de resgate assim o requerer ou quando a entidade adquirente assim o desejar. Antes de seguirmos em nosso estudo, porm a ele pertinente, cabe uma ressalva no concernente classificao das contas relativas ao investimento em ouro.

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Sobre o tema a Comisso de Valores Mobilirios (CVM), pronunciou-se com maestria por meio do item 4 do Parecer de Orientao n 18, de 18 de janeiro de 1990 (PO n 18/90), dispondo que: 4. APLICAES EM OURO Classificveis, junto s empresas que no tenham por objeto social a sua comercializao ou industrializao, como Ativo Circulante ou Realizvel a Longo Prazo. Tal tipo de aplicao dever ser avaliada pelo custo de aquisio atualizado monetariamente pelo BTN fiscal de final do perodo ou pelo valor de mercado, dos dois o menor, devendo, quando for o caso, ser constituda proviso para ajuste ao valor de mercado. Entende-se por: - custo de aquisio: o preo pago na compra do ouro e constante do documento representativo da transao em bolsa ou emitido por empresa habilitada ao comrcio do metal, acrescido da corretagem, emolumentos e taxas efetivamente devidos pelo comprador; - valor de mercado: a mdia aritmtica ponderada das cotaes dirias, ocorridas durante o prego da bolsa do pas em que se verificar o maior volume de negociaes, no dia do encerramento do exerccio social ou, se nesse dia no houver prego, no dia do ltimo prego anterior. Portanto, resta cristalino que os investimentos em ouro devem ser classificados ou no ativo circulante ou no ativo realizvel a longo prazo, dependendo da inteno da investidora quanto a sua realizao. J nas empresas que possuem como objeto social a sua comercializao ou industrializao, como o caso das fabricantes de jias, a classificao do ouro ser, sempre, no ativo circulante, em estoques de matrias-primas ou mercadorias, nesse ltimo caso quando os produtos estiverem acabados. Agora, aps este breve esclarecimento sobre a classificao do ouro, cabe acrescentar que a avaliao dos demais investimentos temporrios deve seguir a orientao contida no art. 183, inciso I da lei societria, isto , os investimentos em Valores Mobilirios no permanentes, que possuem caracterstica de realizao, devem ser avaliados pelo custo de aquisio ou valor de mercado, dos dois o menor. de ressaltar ainda que o ajuste ao valor de mercado efetuado por meio de proviso para ajuste ao valor de mercado. Para dar maior clareza ao assunto, transcrevemos a seguir a ntegra do art. 183 da Lei n 6.404, de 30 de outubro de 1976, que se constitui no diploma legal a respeito de avaliao de ativos, entre eles os investimentos. Art. 183. No balano, os elementos do ativo sero avaliados segundo os seguintes critrios: I - os direitos e ttulos de crdito, e quaisquer valores mobilirios no classificados como investimentos, pelo custo de aquisio ou pelo valor do mercado, se este for menor; sero excludos os j prescritos e feitas as provises adequadas para ajust-lo ao valor provvel de realizao, e ser admitido o aumento do custo de aquisio, at o limite do valor do mercado, para registro de correo monetria, variao cambial ou juros acrescidos;

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II - os direitos que tiverem por objeto mercadorias e produtos do comrcio da companhia, assim como matrias-primas, produtos em fabricao e bens em almoxarifado, pelo custo de aquisio ou produo, deduzido de proviso para ajust-lo ao valor de mercado, quando este for inferior; III - os investimentos em participao no capital social de outras sociedades, ressalvado o disposto nos artigos 248 a 250, pelo custo de aquisio, deduzido de proviso para perdas provveis na realizao do seu valor, quando essa perda estiver comprovada como permanente, e que no ser modificado em razo do recebimento, sem custo para a companhia, de aes ou quotas bonificadas; IV - os demais investimentos, pelo custo de aquisio, deduzido de proviso para atender s perdas provveis na realizao do seu valor, ou para reduo do custo de aquisio ao valor de mercado, quando este for inferior; V - os direitos classificados no imobilizado, pelo custo de aquisio, deduzido do saldo da respectiva conta de depreciao, amortizao ou exausto; VI - o ativo diferido, pelo valor do capital aplicado, deduzido do saldo das contas que registrem a sua amortizao.

1 Para efeitos do disposto neste artigo, considera-se valor de mercado: a) das matrias-primas e dos bens em almoxarifado, o preo pelo qual possam ser repostos, mediante compra no mercado; b) dos bens ou direitos destinados venda, o preo lquido de realizao mediante venda no mercado, deduzidos os impostos e demais despesas necessrias para a venda, e a margem de lucro; c) dos investimentos, o valor lquido pelo qual possam ser alienados a terceiros. 2 A diminuio de valor dos elementos do ativo imobilizado ser registrada periodicamente nas contas de: a) depreciao, quando corresponder perda do valor dos direitos que tm por objeto bens fsicos sujeitos a desgaste ou perda de utilidade por uso, ao da natureza ou obsolescncia; b) amortizao, quando corresponder perda do valor do capital aplicado na aquisio de direitos da propriedade industrial ou comercial e quaisquer outros com existncia ou exerccio de durao limitada, ou cujo objeto sejam bens de utilizao por prazo legal ou contratualmente limitado; c) exausto, quando corresponder perda do valor, decorrente da sua explorao, de direitos cujo objeto sejam recursos minerais ou florestais, ou bens aplicados nessa explorao. 3 Os recursos aplicados no ativo diferido sero amortizadosperiodicamente, em prazo no superior a 10 (dez) anos, a partir do incio da operao normal ou do exerccio em que passem a ser usufrudos os benefcios deles decorrentes, devendo ser registrada a perda do capital aplicado quando abandonados os empreendimentos

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ou atividades a que se destinavam, ou comprovado que essas atividades no podero produzir resultados suficientes para amortizlos. 4 Os estoques de mercadorias fungveis destinadas venda podero ser avaliados pelo valor de mercado, quando esse for o costume mercantil aceito pela tcnica contbil. Assim, para enfatizar o que se disse at o momento, os investimentos em ouro devem ser classificados no ativo circulante ou no ativo realizvel a longo prazo e sero avaliados pelo custo de aquisio ou valor de mercado, dos dois o menor, sendo que o ajuste ao valor de mercado feito por meio de proviso prpria, tomando por base a cotao do metal. Outros investimentos temporrios devem seguir a sorte do investimento em ouro, tanto no concernente classificao quanto no de sua avaliao, isto , devem ser avaliados pelo custo de aquisio ou valor de mercado, dos dois o menor. Tendo em vista que a correta avaliao de ativos no pode ser dissociada de sua correta classificao e considerando a relevncia societria e tributria que o tema possui, vejamos a ntegra do art. 179 da Lei n 6.404/76, que dispe sobre a classificao do ativo, a includos os investimentos: Art. 179. As contas sero classificadas do seguinte modo: I - no ativo circulante: as disponibilidades, os direitos realizveis no curso do exerccio social subseqente e as aplicaes de recursos em despesas do exerccio seguinte; II - no ativo realizvel a longo prazo: os direitos realizveis aps o trmino do exerccio seguinte, assim como os derivados de vendas, adiantamentos ou emprstimos a sociedades coligadas ou controladas (artigo 243), diretores, acionistas ou participantes no lucro da companhia, que no constiturem negcios usuais na explorao do objeto da companhia; III - em investimentos: as participaes permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, no classificveis no ativo circulante, e que no se destinem manuteno da atividade da companhia ou da empresa; IV - no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens destinados manuteno das atividades da companhia e da empresa, ou exercidos com essa finalidade, inclusive os de propriedade industrial ou comercial; V - no ativo diferido: as aplicaes de recursos em despesas que contribuiro para a formao do resultado de mais de um exerccio social, inclusive os juros pagos ou creditados aos acionistas durante o perodo que anteceder o incio das operaes sociais. Pargrafo nico. Na companhia em que o ciclo operacional da empresa tiver durao maior que o exerccio social, a classificao no circulante ou longo prazo ter por base o prazo desse ciclo. Analisando, conjuntamente, as disposies do artigo 179 e do artigo 183, ambos da Lei n 6.404/76, chegamos as seguintes concluses no concernente a classificao e modos de avaliao para os investimentos:

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1 As aplicaes financeiras de liquidez imediata, como os Fundos de Renda Fixa, devem ser classificados no Ativo Circulante Disponvel e avaliados pelo custo de aquisio mais rendimentos ganhos at a data do encerramento do exerccio. Ressalte-se que os rendimentos ganhos sero computados consoante o regime de competncia, isto , ao final de cada perodo devemos reconhecer as receitas nele ganhas. Veja que no h a possibilidade de provisionamento para ajuste ao valor de mercado, pois estamos tratando de valores monetrios; 2 Aplicaes financeiras com liquidez at o final do exerccio seguinte, como os Certificados de Depsito Bancrios e as Debntures, devem ser classificados no Ativo Circulante, em Aplicaes Temporrias e devem ser avaliados pelo custo de aquisio mais rendimentos auferidos no perodo considerado. Este tipo de ativo tambm no comporta proviso para ajuste ao valor de mercado; 3 Aplicaes financeiras com liquidez aps o final do exerccio seguinte, como os Certificados de Depsito Bancrios e as Debntures, devem ser classificados no Ativo Realizvel a Longo Prazo, em Aplicaes Temporrias e devem ser avaliados pelo custo de aquisio mais rendimentos ganhos no exerccio. Atente-se ao fato que na avaliao desses ativos, at este momento, no foi invocada a necessidade de se constituir proviso para ajuste ao valor de mercado quando este seja menor, isto , estes investimentos (itens 1 a 3) so avaliados pelo custo de aquisio mais rendimentos, se houver, no se considerando uma provvel reduo em face do valor de mercado por ocasio de sua avaliao, visto tratar-se de valores monetrios; 4 O Estoque em Ouro com liquidez imediata ou no, como, por exemplo, as operaes de compra e venda de ouro, devem ser classificadas no ativo circulante ou ativo realizvel a longo prazo, conforme previso de realizao e devem ser avaliados pelo custo de aquisio e ajustados por proviso para desvalorizao quando o valor de mercado for menor; 5 Participaes Societrias com inteno de realizao at o final do exerccio social subseqente, como as aes e quotas de outras sociedades comerciais, devem ser classificados como Ativo Circulante em subgrupo de Investimentos Temporrios, cuja avaliao deve ser pelo custo de aquisio ajustado por proviso para ajuste ao valor de mercado quando este for menor. O ajuste ser feito tomando por base a cotao em bolsa de valores de maior movimento no ltimo dia til do exerccio; 6 Participaes Societrias com inteno de realizao aps o final do exerccio social subseqente, como aes e quotas de outras sociedades, devem ser classificadas no Ativo Realizvel a Longo Prazo e avaliadas pelo custo de aquisio e ajustados ao valor de mercado quando este for menor. interessante frisar que os investimentos relativos aos itens 1 a 6 compem o ativo realizvel ou possuem a natureza ou inteno de realizao, fato este que no est presente nos investimentos do ativo permanente; 7 Participaes societrias em empresas no controladas e cujo investimento no seja relevante, mas com inteno de permanncia, como aes ou quotas de outras empresas, devem ser classificadas no Ativo Permanente Investimentos e avaliados pelo Custo de Aquisio ajustado por proviso para perdas quando comprovadas como permanentes; 8 Participaes Societrias em empresas controladas ou em sociedades coligadas e equiparadas a coligadas quando o investimento relevante e a sociedade investidora exera influncia na administrao da sociedade investida ou

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cujo investimento representa 20% ou mais do capital social da investida, com inteno de permanncia ou de fazer parte do corpo social da outra empresa, como aes e quotas de sociedades controladas e coligadas ou equiparadas a coligadas, devem ser classificadas no Ativo Permanente Investimento e avaliados pelo Mtodo da Equivalncia Patrimonial (MEP); 9 Outros ativos com inteno de permanncia, como obras de arte, terrenos, edificaes que no sejam de uso, devem ser classificados no Ativo Permanente Investimento e avaliados pelo custo de aquisio e ajustados por proviso para perdas provveis ou ajuste a valor de mercado (art. 183, IV). V-se que cada aplicao ou investimento possui caractersticas prprias em relao ao prazo para resgate, taxa de rendimento, forma de rentabilidade, liquidez, inteno da empresa na sua aquisio etc. Entretanto, na sua classificao nos interessa, to-somente, quando podemos dispor desses valores ou qual a inteno da empresa em relao a sua realizao. Por isso, os ttulos resgatveis de pronto devem ser classificados como disponibilidade e, quando no possuem essa caracterstica, devem classificados como investimento temporrio. Se, porm, h a inteno de permanncia, eles devero ser classificados no grupo do ativo permanente em subgrupo investimentos, onde sero separados pela sua forma de avaliao, isto , mtodo do custo ou mtodo da equivalncia patrimonial. Percebe-se que o ativo permanente representa o ativo que no possui a caracterstica de realizao, pois se possuir essa caracterstica dever ser classificado no ativo circulante ou no realizvel a longo prazo. Outro aspecto interessante, a cuja concluso chegamos pela leitura dos dispositivos legais sob anlise, diz respeito correta classificao de aes de coligadas. No nosso modo de entender o assunto, estas devem ser sempre classificadas no ativo permanente investimento, pois somente podemos falar em coligadas quando participamos do capital social da sociedade investida com inteno de permanncia. Desta forma, em questes de provas, quando nos so fornecidos aqueles balancetes, se aparecer a conta valores mobilirios, sem outra designao, estes sero classificados no ativo realizvel (circulante ou longo prazo). Por outro lado, se aparecer a conta aes de coligadas, esta deve ser classificada no ativo permanente. Ainda no concernente a avaliao de investimentos, a CVM, por meio da Instruo CVM n 235, de 23 de maro de 1995, disps sobre a divulgao, em nota explicativa, do valor de mercado dos instrumentos financeiros, reconhecidos ou no nas demonstraes financeiras das companhias abertas e d outras providncias. Estabelece aquele ato normativo que as companhias abertas que possuam instrumentos financeiros, reconhecidos ou no como ativo ou passivo em seu balano patrimonial, devem evidenciar, em nota explicativa anexa s suas demonstraes financeiras e s informaes trimestrais- ITR, o valor de mercado desses instrumentos financeiros. Devem constar, ainda, em nota explicativa, os critrios e as premissas adotados para determinao desse valor de mercado, bem como as polticas de atuao e controle das operaes nos mercados derivativos e os riscos envolvidos. Entende-se por instrumento financeiro todo contrato que d origem a um ativo financeiro em uma entidade e a um passivo financeiro ou ttulo representativo do patrimnio em outra entidade, reconhecidos ou no como ativo ou passivo em seu balano. Assim, so considerados ativos financeiros as disponibilidades, os direitos contratuais recebveis em moeda ou em instrumentos financeiros de outra entidade, os direitos contratuais de troca de resultados financeiros (swaps) ou instrumentos

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financeiros, e os ttulos representativos de participao no patrimnio de outra entidade. Por outro lado, so caracterizados como passivos financeiros as obrigaes contratuais de pagamento de determinada importncia em moeda ou em instrumentos financeiros de troca de resultados financeiros ou instrumentos financeiros. Para os fins desta avaliao, a CVM considera valor de mercado o valor que se pode obter com a negociao do instrumento financeiro em um mercado ativo, em que comprador e vendedor possuam conhecimento do assunto e independncia entre si, sem que corresponda a uma transao compulsria ou decorrente de um processo de liquidao, ou na ausncia de um mercado ativo para um determinado instrumento financeiro o valor que se pode obter com a negociao de outro instrumento financeiro de natureza, prazo e risco similares, em um mercado ativo, ou o valor presente lquido dos fluxos de caixa futuros a serem obtidos, ajustado com base na taxa de juros vigente no mercado, na data do balano, para instrumentos financeiros de natureza, prazo e risco similares. No carecem de evidenciao nas notas explicativas os seguintes crditos ou dbitos da entidade: as duplicatas a receber, nas empresas emissoras, e as duplicatas a pagar; os contratos de seguro, nas empresas seguradas; os contratos de arrendamento mercantil, na arrendatria; os investimentos em aes que no possuam valor de mercado; e as obrigaes com planos de penso, aposentadoria, seguro e sade dos empregados da entidade. Na negociao de instrumentos financeiros feita por valor acima do valor de mercado e conjugada com operao de crdito deve ser observado o seguinte: I - nas companhias abertas vendedoras dos ttulos e financiadoras da operao de crdito, o ganho decorrente da diferena entre o valor de venda e o valor de mercado do ttulo deve ser registrado como reduo do ativo representativo de crdito, para apropriao ao resultado,como receita financeira, na mesma base e perodo em que forem apropriadas as receitas de juros relativas a essa operao de crdito; II - nas companhias abertas compradoras dos ttulos, a diferena entre o valor da aquisio e o valor de mercado do ttulo deve ser registrada em conta redutora do ativo e da obrigao devendo ser essa conta redutora da obrigao apropriada ao resultado,como despesa financeira, na mesma base e perodo em que forem apropriadas as despesas de juros relativas operao de crdito. O ganho na aquisio de um instrumento financeiro cujo valor de mercado seja inferior ao seu valor de face, mesmo nos casos em que este possa ser utilizado para liquidao de dvidas, somente ser reconhecido medida em que for efetivamente realizado. 4.3 ASPECTOS CONTBEIS Os investimentos temporrios, no Balano Patrimonial, compem um subgrupo prprio dentro do ativo circulante ou do ativo realizvel a longo prazo, possuindo a seguinte forma de apresentao: Ativo Circulante - Investimentos Temporrios - ttulos e valores mobilirios - aplicaes em certificados de depsito bancrio

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- investimentos em ouro ativo financeiro (-) proviso para ajuste ao valor de mercado Ativo Realizvel a Longo Prazo - Investimentos Temporrios - ttulos e valores mobilirios - aplicaes em certificados de depsito bancrio - investimentos em ouro ativo financeiro (-) proviso para ajuste ao valor de mercado Estas contas possuem a funo de registrar as alocaes dos investimentos temporrios no mercado financeiro ou de capitais, os rendimentos ganhos at o encerramento do exerccio social e a proviso para ajust-los ao valor de mercado, quando este for menor, segundo disposio do art. 183 da Lei 6.404/76. Cabe ressaltar que a contrapartida da proviso para ajuste ao valor de mercado considerada despesa indedutvel pela legislao do Imposto de Renda, devendo, pois, ser adicionada ao Lucro Lquido do Exerccio na determinao do Lucro Real que a base de clculo do IRPJ. No concernente ao funcionamento das contas representativas de investimentos temporrios, e considerando que so contas do ativo, podemos observar o seguinte: os seus saldos aumentam por meio de dbitos e diminuem mediante crditos. J as contas de proviso, que so contas retificadoras de ativo, possuem funcionamento inverso ao das contas do seu grupo, isto , aumentam seus saldos mediante crditos e diminuem seus saldos mediante dbitos. Portanto, para a correta avaliao dos investimentos pendentes de resgate, segundo os princpios fundamentais de contabilidade, por ocasio do encerramento do exerccio social, devemos calcular a rentabilidade alcanada no perodo e registr-la como receita financeira em contrapartida da conta do investimento temporrio, bem como verificar se o valor de mercado corresponde ao valor de aquisio do investimento. Caso o valor de mercado seja menor, deve-se fazer o provisionamento da diferena em contrapartida de despesas com proviso. Exemplo: empresa ALFA adquire 10.000 cotas de um Fundo de Aes em 02/10/2004, quando cada cota estava avaliada em R$ 1,20. Em 31/12/2004, o valor da cota alcanava R$ 1,35. Lanamento na aquisio das aes Investimentos em Fundo de Aes a Caixa R$ 12.000,00

Valor do investimento em 31/12/2004 = 10.000 x R$ 1,35 = R$ 13.500,00 A diferena (R$ 13.500,00 R$ 12.000,00 = R$ 1.500,00) dever ser lanada como receita do exerccio de 2004, conforme o princpio da competncia. Assim: Lanamento no encerramento do exerccio de 2004 Investimentos em Fundo de Aes a Receita Financeira 4.4 ASPECTOS LEGAIS A Lei das sociedades por aes (Lei n 6.404/1976), em seu art. 175, dispe que o exerccio social ter a durao de 01 (um) ano, cuja data do trmino ser fixada no estatuto. O art. 179, por sua vez, estabelece os critrios de classificao dos ativos. R$ 1.500,00

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No pargrafo nico do mencionado artigo, a lei vincula a classificao preconizada nos incisos I e II ao ciclo operacional da empresa, para o caso de ele ser superior a um ano. Desta forma, a regra que o exerccio social ter a durao de um ano, mas a prpria lei admite excees como o caso no ano de incio da atividade e no caso do ano de encerramento das atividades da empresa: Art. 175. O exerccio social ter durao de 1 (um) ano e a data do trmino ser fixada no estatuto. Pargrafo nico. Na constituio da companhia e nos casos de alterao estatutria o exerccio social poder ter durao diversa. ... Art. 179. As contas sero classificadas do seguinte modo: ... Pargrafo nico. Na companhia em que o ciclo operacional da empresa tiver durao maior que o exerccio social, a classificao no circulante ou longo prazo ter por base o prazo desse ciclo. No art. 183 da mesma lei encontramos os critrios da avaliao do ativo e no seu pargrafo 1, alnea b, est definida a expresso valor de mercado para os investimentos. Art. 183. ... 1 Para efeitos do disposto neste artigo, considera-se valor de mercado: ... b) dos bens ou direitos destinados venda, o preo lquido de realizao mediante venda no mercado, deduzidos os impostos e demais despesas necessrias para a venda, e a margem de lucro; c) dos investimentos, o valor lquido pelo qual possam ser alienados a terceiros. Por seu turno, os ganhos decorrentes dos investimentos temporrios, mesmo os no realizados, em face da aplicao do princpio contbil da competncia, sero levados Demonstrao do Resultado do Exerccio (DRE), conforme disposio do 1 do art. 187 da lei societria. Art. 187. ... 1 Na determinao do resultado do exerccio sero computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos independentemente da sua realizao em moeda; e no perodo,

b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. No concernente s notas explicativas, o art. 176, pargrafo 5, da Lei n 6.404/1976, estabelece que devero ser indicados os principais critrios de avaliao dos elementos patrimoniais, os ajustes e as provises para atender a perdas provveis e os investimentos em outras sociedades. Vejamos o dispositivo: Art. 176. ...

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5 As notas devero indicar: a) os principais critrios de avaliao dos elementos patrimoniais, especialmente estoques, dos clculos de depreciao, amortizao e exausto, de constituio de provises para encargos ou riscos, e dos ajustes para atender a perdas provveis na realizao de elementos do ativo; b) os investimentos em outras sociedades, quando relevantes (art. 247, pargrafo nico); O Conselho Federal de Contabilidade (CFC) se pronunciou por meio da NBC T 4, estabelecendo as seguintes regras de avaliao: a) Os componentes do patrimnio com clusula de atualizao monetria ps-fixada so atualizados at a data da avaliao; b) As aplicaes em ouro, como ativo financeiro, so avaliadas pelo valor de mercado; c) Os investimentos temporrios so avaliados ao custo de aquisio e, quando aplicvel, acrescidos de atualizao monetria, dos juros e outros rendimentos auferidos; d) Os direitos, ttulos de crdito e quaisquer outros crditos mercantis, financeiros e outros prefixados, so ajustados em valor presente. A Comisso de Valores Mobilirios (CVM), por meio do Parecer de Orientao n 17 de 1989 (PO-17/89), se pronunciou da seguinte forma a respeito da proviso para ajuste ao valor de mercado: PROVISO PARA AJUSTE A VALOR DE MERCADO. (PO-17/89) Para efeito da constituio das provises previstas nos incisos I e III, do artigo 183, da Lei n 6.404/76, o valor de mercado, que servir de parmetro para a avaliao de ttulos e valores mobilirios, dever considerar a mdia aritmtica ponderada da ltima cotao diria ocorrida no exerccio, na Bolsa de maior volume de negociao, desprezando-se, se existentes, cotaes derivadas de negociaes atpicas. A Instruo CVM n 247, de 27 de maro de 1996, entretanto, preconizou a adoo de outros critrios em se tratando de investimentos permanentes, pois neste caso somente se constitui a proviso para perdas quando a sociedade investida apresentar diminuio no seu patrimnio lquido e desde que essa diminuio seja permanente. Por estrita correlao ao assunto, vale a pena discorrermos algumas linhas a respeito da avaliao de passivos, consoante o disposto no art. 184 da lei das sociedades annimas. Diz aquele dispositivo que as obrigaes, encargos e riscos, conhecidos ou calculveis, inclusive Imposto sobre a Renda a pagar com base no resultado do exerccio, sero computados pelo valor atualizado at a data do balano; as obrigaes em moeda estrangeira, com clusula de paridade cambial, sero convertidas em moeda nacional taxa de cmbio em vigor na data do balano; a as obrigaes sujeitas correo monetria sero atualizadas at a data do balano.

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Percebe-se que, segundo a lei, tambm as contas do passivo tero seu valor atualizado quando conhecidos os riscos ou quando calculveis os seus valores, como o caso dos juros, variaes cambiais e monetrias. 5 INVESTIMENTOS PERMANENTES Conforme disposio do art. 179 da Lei n 6.404/1976, as participaes permanentes em outras sociedades e os bens e direitos de qualquer natureza, no classificveis no ativo circulante ou no ativo realizvel a longo prazo, e que no se destinem manuteno da atividade da companhia ou da empresa, so classificados no Ativo Permanente no subgrupo INVESTIMENTOS. Observa-se que os bens e direitos a serem classificados nesse subgrupo no podem ser classificveis no ativo circulante ou realizvel a longo prazo, ou seja, no devem possuir a caracterstica de realizao e no devem constituir-se em meios consecuo da atividade econmica da empresa, pois, neste ltimo caso, devero ser classificados no Ativo Permanente - Imobilizado. Da inteligncia do dispositivo societrio em anlise, infere-se que estamos diante de dois tipos de Investimentos classificveis no subgrupo investimentos: as participaes permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, no classificveis no ativo circulante ou longo prazo. As participaes permanentes em outras sociedades so os investimentos efetuados pala aquisio de aes ou quotas do capital social de outras empresas, com inteno de permanncia. Essas participaes societrias, quando em sociedades controladas ou em sociedades coligadas, cujo investimento seja relevante e haja o exerccio de influncia administrativa, tm tratamento legal prprio definido nos arts. 248 a 250 da lei das sociedades por aes e regulamentado pela Instruo CVM n 247/96. Os bens e direitos de qualquer natureza, no classificveis no ativo circulante ou realizvel a longo prazo, e que no se destinem manuteno da atividade da companhia ou da empresa compreendem os investimentos que no se constituem em meios necessrios consecuo da finalidade da entidade. So exemplos de investimentos dessa natureza os direitos de propriedade sobre obras de artes, as antigidades e os imveis no de uso, os quais apresentam, geralmente, uma expectativa de realizao em valores que ultrapassam o custo de aquisio. Convm frisar que a expectativa de realizao apenas para fins de avaliao, pois os bens do ativo permanente no possuem na realizao a sua caracterstica, sendo a principal caracterstica deste grupo a inteno de permanncia. Para satisfazer uma das finalidades da contabilidade, que a evidenciao de todos os fatos contbeis, e para possibilitar interpretao e anlise exata das demonstraes financeiras, os bens e direitos de qualquer natureza, no classificveis no ativo circulante e realizvel a longo prazo, e que no se destinem manuteno da atividade da companhia ou da empresa devem ser agrupadas em subcontas prprias. Adotando essa prtica se obtm a identificao de cada bem ou direito de imediato, mesmo por ocasio da baixa ou sada destes do Ativo Permanente. Vejamos como os investimentos permanentes podem ser apresentados no Balano Patrimonial: ATIVO PERMANENTE

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Investimentos Participaes permanentes em outras sociedades AVALIADAS PELO MTODO DO CUSTO DE AQUISIO Participaes permanentes em outras empresas Aes da Cia. SEMPREBEM Aes da Cia. BELOMONTE ( - ) proviso para perdas provveis Quotas de Capital da Empresa PAMONHA Ltda. Investimentos Incentivados EMBRAER FINAM FINOR FISET (-) Proviso para Perdas Provveis na Realizao AVALIADAS PELO MTODO DA EQUIVALNCIA PATRIMONIAL Em sociedades controladas Cia. QUEBRA-GALHO S.A. gio na aquisio do investimento Cia. BOMNEGCIO S.A.( - ) desgio na aquisio do investimento

EMPRESA COQUEIROS Ltda. ( - ) proviso para perdas provveis Investimentos relevantes e influentes em sociedades coligadas TAMBO BOM LEITE S.A. OUTROS INVESTIMENTOS PERMANENTES Obras de Artes e Antigidades (-) Proviso para perdas provveis na realizao Imveis de renda no destinado ao uso (-) Depreciao acumulada 5.1 CONCEITO Os investimentos permanentes so as aplicaes de recursos em participaes no capital social de outras sociedades e em direitos de qualquer natureza no classificveis no ativo realizvel (circulante e longo prazo) e que no se destinem manuteno da atividade da empresa. O carter que os distingue dos investimentos temporrios ou realizveis exatamente a inteno de permanncia que deve estar manifestada. Esta inteno normalmente manifestada no momento da aquisio do investimento e materializada pelo simples registro no grupo do Ativo Permanente no subgrupo Investimento, porm ela pode ser manifestada em momento posterior com inscrio no mesmo subgrupo.

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5.2 CRITRIOS LEGAIS Consoante dispe o art. 179 da Lei n 6.404/76, inciso III, tais direitos devem ser classificados no ativo permanente: Art. 179. As contas sero classificadas do seguinte modo: ... III - em investimentos: as participaes permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, no classificveis no ativo circulante, e que no se destinem manuteno da atividade da companhia ou da empresa; Conforme j vimos, so dois os tipos de investimentos que devem ser classificados no subgrupo de Investimentos, ou seja, as Participaes Permanentes em outras Sociedades e Outros Investimentos Permanentes. As Participaes Permanentes em Outras Sociedades so aquelas participaes no Capital Social das outras sociedades, representadas por aes e quotas do capital social. Para que sejam considerados integrantes desse subgrupo esses investimentos devem ter a caracterstica de permanente e devem estar aplicados na formao de capital de outras sociedades. Portanto, excetuam-se desse conceito os investimentos de natureza temporria e puramente especulativos, sobre os quais a sociedade detentora possui a inteno de realizao e no de permanncia. As Participaes Societrias Permanentes em outras Sociedades podem ser de natureza voluntria ou serem decorrentes de incentivos fiscais, que dentro de certas circunstncias tambm so participaes voluntrias, pois ningum est obrigado, compulsoriamente, a investir em incentivos fiscais, constituindo o seu exerccio mera liberalidade. Os Investimentos Voluntrios so aqueles realizados pelas empresas em outras sociedades, considerando-se a sociedade investida como se fosse uma extenso das atividades da prpria empresa investidora. A sociedade investida pode ser uma coligada, controlada ou simplesmente uma sociedade na qual se pretende, de forma permanente, participar do capital social. Os Investimentos decorrentes de Incentivos Fiscais tm origem por destinao de parcela do Imposto de Renda devido em projetos como: FINOR (Fundo de Investimentos do Nordeste) e FINAM (Fundo de Investimento da Amaznia). 5.3 MTODOS DE AVALIAO A lei societria, por meio do art. 183, inciso III, estabelece a forma de avaliao dos investimentos permanentes no capital de outras sociedades. Como este o tipo de investimento que interessa ao nosso estudo no momento e porque ele quem traz as maiores dificuldades aos estudantes, em particular aos concursandos, vejamos, novamente, a letra do texto legal: Art. 183. No balano, os elementos do ativo sero avaliados segundo os seguintes critrios: ... III - os investimentos em participao no capital social de outras sociedades, ressalvado o disposto nos artigos 248 a 250, pelo custo de

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aquisio, deduzido de proviso para perdas provveis na realizao do seu valor, quando essa perda estiver comprovada como permanente, e que no ser modificado em razo do recebimento, sem custo para a companhia, de aes ou quotas bonificadas; Da leitura do texto legal, depreende-se que so duas as formas de avaliao das Participaes Permanentes em outras Sociedades. Uma delas, sendo inclusive a regra geral, a avaliao dos investimentos pelo custo de aquisio, ajustado por proviso para perdas quando esta estiver comprovada como permanente. A outra forma de avaliao das participaes societrias a encontrada no art. 248 da lei societria. O dispositivo trata da avaliao dos investimentos pelo Mtodo da Equivalncia Patrimonial (MEP). O uso de uma ou de outra forma de avaliao das Participaes Societrias no Capital de outras Empresas no constitui liberalidade da sociedade avaliadora ou investidora. O MEP s pode ser utilizado nos casos expressamente determinados pela Lei e, subsidiariamente, pela Comisso de Valores Mobilirios (CVM). Nos demais casos, isto , quando no cabvel a aplicao do MEP, os investimentos devem ser, obrigatoriamente, avaliados pelo Mtodo do Custo. O MEP, conforme disposto no art. 248 da lei societria e regulamentado pela Instruo CVM n 247/96, usado para avaliao dos investimentos em sociedades controladas e dos investimentos relevantes, sobre cuja administrao se exera influncia ou que represente mais de 20% do capital social de sociedades coligadas e equiparadas a coligadas. O Mtodo do Custo usado para avaliao dos investimentos em outras sociedades, ou seja, sociedades que no so coligadas nem controladas ou que, mesmo sendo sociedades coligadas, o investimento no relevante para a investidora ou esta no exerce influncia na administrao da sociedade investida ou nas quais o valor do investimento seja menor do que 20% do capital social da investida. Assim, podemos resumir os critrios de avaliao dos investimentos nas seguintes situaes a seguir (mais adiante veremos as definies de investimentos relevantes, influentes, sociedades coligadas e controladas): MTODO MEP MEP MEP CUSTO CUSTO COLIGADA > 20% NO NO SIM SIM NO CONTROLADA SIM NO NO NO NO RELEVANTE NO SIM SIM NO SIM INFLUENTE NO SIM NO SIM NO

6 MTODO DO CUSTO DE AQUISIO Utiliza-se este mtodo de avaliao de participao societria na forma de aes ou quotas em sociedades que no sejam coligadas ou controladas, bem como os investimentos em sociedades coligadas, desde que no sejam relevantes,

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individualmente ou no seu conjunto, e sobre cuja administrao no se exera influncia. A lei das Sociedades Annimas conceitua investimentos relevantes, sociedades coligadas e controladas, cujo estudo faremos no tpico em que trataremos da avaliao de investimentos pelo Mtodo da Equivalncia Patrimonial. Porm, pode-se dizer, por hora, que so avaliados pelo mtodo do custo de aquisio quase todos os investimentos em que a participao da sociedade investidora for inferior a 20% do capital social realizado na sociedade investida. Na adoo deste mtodo, a entidade investidora registra e avalia os investimentos pelo custo de aquisio, deduzidos de proviso para perdas, conforme dispe o art. 183, III, da Lei, ressalvando que essa proviso necessria para se obter o valor de mercado, visto que o critrio custo de aquisio ou valor de mercado, dos dois o menor. Ressalte-se que a proviso para perdas somente poder ser constituda quando a perda estiver comprovada como permanente. Entende-se que a perda permanente quando a sociedade investida estiver em recuperao judicial ou extra-judicial (antiga concordata) ou quando for declarada a sua falncia. Tambm pode haver a constituio dessa proviso em casos de a sociedade investida apresentar, em perodos consecutivos, prejuzos acumulados. Assim, a proviso cabvel apenas quando houver reflexo no patrimnio lquido da sociedade investida, no sendo plausvel constituir a proviso pelo fato de a cotao das aes daquela empresa estar em baixa na data do balano. Os lucros ou dividendos que cabem investidora, por este mtodo, devem ser registrados como receita operacional no momento em que a empresa investida os distribuir ou provisionar, no se fazendo, na empresa investidora, qualquer alterao no valor do investimento efetuado com base no custo de aquisio. ATENO!!! No mtodo de avaliao de investimentos pelo CUSTO, o aumento do Patrimnio Lquido na investida, pela gerao de lucros ou reservas, mesmo a reserva por reavaliao de ativos, no deve se traduzir em alterao na participao societria da investidora. Porm, a reduo do PL da investida h de ser registrada pela sociedade investidora sob a forma de proviso para perdas, quando esta reduo ou perda estiver comprovada como permanente.

6.1 - CUSTO DE AQUISIO Por tudo o que j se viu, podemos definir que custo de aquisio representa o valor lquido e efetivo despendido na operao de aquisio da participao societria. Assim, o custo de aquisio engloba os valores relativos a: B Valor aplicado na formao de capital para constituio de nova sociedade; B Valor despendido na aquisio ou subscrio de novas aes ou quotas por aumento de capital, inclusive gio; B Montante pago pela compra de aes de terceiros, inclusive gio ou desgio; B Valor pago a ttulo de corretagem.

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Para consolidar o estudo, buscamos o auxlio de exemplos prticos a fim de registrarmos a operao de aquisio: EXEMPLO 1: A Companhia Tambaqui, com boa situao financeira, resolveu aplicar parcela de seus recursos, de forma permanente, na empresa Tucunar Ltda., cujo capital social de R$ 20.000,00, representado por 20.000 quotas. A aquisio, vista, da Cia Tambaqui se limitou a 1.500 quotas ao custo unitrio de R$ 1,10, isto , com gio de R$ 0,10 por quota e mais uma taxa de corretagem de R$ 50,00. Assim, os valores despendidos pela Cia Tambaqui foram: 1.500 quotas x R$ 1,00 Corretagem Total = = = R$ 1.500,00 R$ R$ 150,00 50,00 gio de R$ 0,10 por quota =

R$ 1.700,00

Esse fato dever ser contabilizado pela Cia Tambaqui da seguinte forma: Investimento na empresa Tucunar Ltda. a Caixa/Bancos R$ 1.700,00

Perceba que o valor despendido a ttulo de gio foi integrado ao valor do investimento, bem como o foi o valor da corretagem. Na aquisio de investimento pelo mtodo do custo assim que se procede! EXEMPLO 2: A Cia Salmo adquiriu da Cia Trutas 500 aes, pagando vista o montante de R$ 5.000,00. O capital da Cia Trutas composto por 6.000 aes, com valor individual de R$ 10,00. Desta forma, o lanamento contbil da operao, na Cia Salmo, ser: Investimento na Cia Trutas a Caixa/Bancos R$ 5.000,00

Observe que no houve gio/desgio e outros custos de aquisio, logo o valor a ser registrado como custo de aquisio apenas o gasto efetivamente realizado na aquisio deste investimento. EXEMPLO 3: A Cia Pica Pau adquiriu da Cia Colibri a quantia de 12.000 aes pelo preo de R$ 9.000,00. O capital da Cia Colibri de R$ 100.000,00, representado por 100.000 aes. Houve, portanto, um desgio na operao de R$ 3.000,00. O lanamento contbil na Cia Pica Pau ser: Investimentos na Cia Colibri a Caixa/Bancos R$ 9.000,00

Importante notar que o valor do desgio foi considerado como diminuio de custo de aquisio, sendo registrado apenas o valor lquido do investimento adquirido. Portanto, para investimentos que sero avaliados pelo mtodo do custo, todos os gastos realizados para sua aquisio o integraro, no se fazendo o destaque do gio ou do desgio quando existirem, isto , o investimento ser registrado pelo valor

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efetivamente gasto na sua aquisio, a includo o valor da corretagem e do gio. J o valor do desgio ser deduzido, registrando-se o investimento pelo valor lquido da transao. 6.2 - PROVISO PARA PERDAS Por determinao da lei societria, os investimentos avaliados pelo Mtodo do Custo de Aquisio, devem ser registrados pelo custo de aquisio, deduzidos de proviso para perdas e corrigidos monetariamente. Corroboram com esse dispositivo os Princpios Contbeis da Prudncia, Registro pelo Valor Original, Oportunidade, Atualizao Monetria e Competncia. Por pertinente, cabe ressaltar que esta proviso indedutvel para fins de Imposto de Renda a partir de 01 de janeiro de 1996, por fora do disposto na lei n 9.249/1995. Entretanto, como o objetivo da contabilidade mais amplo, no se restringindo aos preceitos da legislao fiscal, essa proviso h de ser constituda quando houver perdas provveis na realizao do valor do investimento, desde que essas perdas sejam comprovadas como permanentes consoante previso na lei societria. Para fins fiscais, quando da apurao do Lucro Real, os valores das despesas com proviso dessa natureza sero adicionados no LALUR (Livro de Apurao do Lucro Real) ao Lucro Lquido do Exerccio. Dessa forma, quando houver reduo no Patrimnio Lquido da sociedade investida, decorrente de resultados negativos, isto , prejuzos acumulados por diversos exerccios, o valor patrimonial das aes sofrer reduo e esta dever ser registrada na sociedade investidora. Note que valor patrimonial das aes que sofrer reduo e no a sua cotao na bolsa de valores. Portanto, a regra para os investimentos permanentes diferente da aplicada aos investimentos temporrios que so passveis de proviso quando a cotao das aes em bolsa de valores estiver abaixo do custo de aquisio. EXEMPLO 4: Supondo que a Cia Investemal seja detentora de aes da Cia Falidos, adquiridas e registradas em seu patrimnio pelo custo de R$ 10.000,00 e que as aes da Cia Falidos esto desvalorizadas em funo de sucessivos resultados negativos e que isto traga um reflexo para a investidora no valor de R$ 800,00, o lanamento contbil pertinente ser o seguinte: Perdas na participao societria a Proviso para Perdas em Participao Societria R$ 800,00 Por se caracterizar em perda de capital, o valor da perda na participao societria uma despesa no operacional e a proviso conta retificadora de Ativo Permanente Investimento. Portanto, no Balano Patrimonial o fato ficar registrado no Ativo Permanente Investimento, do seguinte modo: Ativo Permanente Investimentos Aes na Cia Falidos (-) Proviso para perdas

10.000,00 (800,00)

Por pertinente, cabe destacar que, por ocasio da reverso desta proviso, esta reverso se constituir em receita no-operacional.

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6.3 - DIVIDENDOS RECEBIDOS OU DECLARADOS No Balano Patrimonial de qualquer empresa deve estar designada a destinao do lucro do exerccio, quer no Patrimnio Lquido, sob a forma de Lucros ou Prejuzos Acumulados ou Reservas, quer no Passivo, sob a forma de Dividendos a Pagar ou Dividendos Propostos. de salientar, ainda, que consoante o disposto no art. 186 da lei societria, os dividendos sero declarados a partir da conta Lucros Acumulados, com base em um Lucro Ajustado nos termos do art. 202 da mesma lei. Veja que o dividendo ser debitado a conta de lucros ou prejuzos acumulados, porm a apurao do seu valor ter por base o lucro ajustado. A sociedade investidora deve providenciar a obteno dessa informao junto a sociedade investida, isto , deve procurar saber se houve a declarao de dividendo ou a proposio de dividendo, a fim de efetuar o devido lanamento desse dividendo no seu balano patrimonial, se for o caso. Em se tratando de distribuio de lucro pela investida, mediante registro no passivo (dividendos a pagar ou propostos), a investidora dever reconhecer esse direito com o correspondente registro no ativo circulante ou realizvel a longo prazo em conta prpria de "Dividendos a Receber" em contrapartida de conta de receita operacional, "Receita de Dividendos". Os registros contbeis sero os seguintes: 1 - Pelo reconhecimento do direito ao dividendo: Dividendos a Receber a Receita de Dividendos Caixa/Bancos a Dividendos a Receber R$ 2.000,00

2 Pelo efetivo recebimento do dividendo: R$ 2.000,00

Perceba que a sociedade investida deve comunicar sociedade investidora desse seu direito ao dividendo. Caso a sociedade investidora no seja informada desse direito, ela somente o reconhecer quando do efetivo recebimento, dispensando-se, assim, o primeiro lanamento por desconhecimento do fato e o dividendo ser contabilizado pelo seu recebimento conforme o regime de caixa da seguinte forma: Caixa/Bancos a Receita de Dividendos R$ 2.000,00

Nota-se, assim, que, nas sociedades que avaliam seus investimentos pelo Mtodo do Custo de Aquisio, os dividendos so sempre considerados receita operacional na empresa investidora, ao passo que as perdas so consideradas despesa no operacional. Convm frisar que nas sociedades que avaliam seus investimentos pelo Mtodo da Equivalncia Patrimonial o dividendo declarado pela sociedade investida reduz o valor do investimento, no havendo o porqu se falar em receita quando do recebimento de dividendo, pois a receita ser reconhecida na avaliao do investimento pela Equivalncia Patrimonial.

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Ateno! Outro aspecto a analisar o caso em que a investidora recebe dividendo quando a aquisio do investimento conta com menos de 06 (seis) meses. Entende-se, pela anlise da legislao fiscal (art. 380 do RIR/99, transcrito a seguir), que nessa hiptese a investidora adquiriu, alm da participao, o direito ao dividendo, ou seja, o dividendo j era devido ao tempo da transao ou aquisio do investimento. Assim, por ocasio do recebimento do dividendo, nessas condies, ele no ser considerado receita operacional, mas uma reduo do prprio investimento. Art. 380. Os lucros ou dividendos recebidos pela pessoa jurdica, em decorrncia de participao societria avaliada pelo custo de aquisio, adquirida at seis meses antes da data da respectiva percepo, sero registrados pelo contribuinte como diminuio do valor do custo e no influenciaro as contas de resultado (Decreto-lei n 2.072, de 1983, art. 2). O lanamento desse fato ser contabilizado da seguinte forma: Caixa/Bancos a Investimentos Permanentes a Investimentos na Cia ZETA

R$ 1.000,00

Percebe-se que houve um crdito em investimentos permanentes e dentro desse grupo foi creditada a conta especfica do investimento. Este lanamento no precisa ser, necessariamente, desta forma, pois bastaria que creditssemos a conta especfica do investimento. Porm, lanamento com essa forma de apresentao j foi cobrado em prova de concurso e sempre bom estar preparado para o que der e vier! Ressalte-se, entretanto, que se a empresa investidora adquiriu o investimento em janeiro de 20x3, e a empresa investida apurou lucro e a conseqente declarao de dividendo em 20x2, a empresa investidora no ter direito de receber esse dividendo, pois ele pertence aos detentores ou titulares de aes no final do exerccio de 20x2, quando o dividendo foi declarado, ou seja, a detentora da participao societria da poca j havia registrado em seu ativo o direito ao dividendo e este era nominal a ela.

6.4 ASPECTOS FISCAIS Os dividendos recebidos pela investidora so receitas operacionais e no so tributadas pelo imposto de renda, portanto podem ser excludos do lucro contbil na apurao do lucro real (lucro fiscal = base de clculo do imposto de renda). No so dedutveis para fins de apurao do lucro real as provises para perdas provveis. Por isso, na apurao do Lucro Real, as contrapartidas dessas provises devem ser adicionados ao resultado contbil.

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Os ganhos apurados na alienao da participao societria so tributveis pelo imposto de renda ao passo que as perdas so passveis de deduo da base de clculo do mesmo imposto. Vale frisar que tanto os ganhos quanto as perdas, decorrentes da alienao de participao societria permanente, so receitas ou despesas no operacionais.

6.5 ASPECTOS LEGAIS E CONTBEIS Observando o critrio de ordem decrescente do grau de liquidez estabelecido no art. 178, 1, a lei societria insere os Investimentos Permanentes no primeiro subgrupo do Ativo Permanente, ao passo que o art. 179, da mesma lei, determina quais contas devem integrar este subgrupo investimentos. Deduz-se da que, mesmo sendo parte do ativo permanente, os investimentos apresentam uma certa expectativa de realizao o que no afeto ao imobilizado e ao diferido ou, em outras palavras, o ativo permanente investimentos , dentre o permanente, o primeiro grupo que pode ser alienado em caso de crise de liquidez. Art. 178. No balano, as contas sero classificadas segundo os elementos do patrimnio que registrem, e agrupadas de modo a facilitar o conhecimento e a anlise da situao financeira da companhia. 1 No ativo, as contas sero dispostas em ordem decrescente de grau de liquidez dos elementos nelas registrados, nos seguintes grupos: ... c) ativo permanente, dividido em investimentos, ativo imobilizado e ativo diferido. ... Art. 179. As contas sero classificadas do seguinte modo:... III em investimentos: as participaes permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, no classificveis no ativo circulante, e que no se destinem manuteno da atividade da companhia ou da empresa; No art. 188 da lei societria, que trata da elaborao da Demonstrao das Origens e Aplicaes de Recursos (DOAR), nos apresentada a seguinte norma: Art. 188. A demonstrao das origens e aplicaes de recursos indicar as modificaes na posio financeira da companhia, discriminando: I as origens dos recursos, agrupadas em: ... c) recursos de terceiros, originrios do aumento do passivo exigvel a longo prazo, da reduo do ativo realizvel a longo prazo e da alienao de investimentos e direitos do ativo imobilizado; II as aplicaes de recursos, agrupadas em: a) dividendos distribudos; ...

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c) aumento do ativo realizvel a longo prazo, dos investimentos e do ativo diferido; No que for pertinente a avaliao desses investimentos, encontramos amparo legal no inciso III do art. 183. Este dispositivo estabelece que os investimentos devem ser avaliados pelo custo de aquisio, corrigido monetariamente e ajustado por proviso para perdas comprovadas como permanentes: Art. 183. No balano, os elementos do ativo sero avaliados segundo os seguintes critrios: ... III os investimentos em participao no capital social de outras sociedades, ressalvado o disposto nos arts. 248 a 250, pelo custo de aquisio, deduzido de proviso para perdas provveis na realizao do seu valor, quando essa perda estiver comprovada como permanente, e que no ser modificado em razo do recebimento, sem custo para a companhia, de aes ou quotas bonificadas; Da anlise desse inciso III extramos as seguintes concluses: 1 - Em relao s participaes societrias permanentes, a lei estabelece dois critrios de avaliao: Pelo custo de aquisio Mtodo de Custo Pelo valor do patrimnio lquido Mtodo da Equivalncia Patrimonial O Mtodo do Custo o que estamos analisando. O Mtodo da Equivalncia Patrimonial ser objeto de anlise no tpico seguinte. 2 Os investimentos pelo Mtodo do Custo de Aquisio sero avaliados pelo custo de aquisio e deduzido de proviso para perdas provveis na realizao do seu valor, quando essa perda estiver comprovada como permanente. 3 - A perda ser comprovada como permanente quando a sociedade investida apresentar prejuzos acumulados, estiver em processo de recuperao judicial ou extra-judicial ou for decretada a falncia. Veja que todas as hipteses acabam reduzindo o valor do patrimnio lquido, sendo, em ltima anlise essa a causa que pode ensejar a constituio da proviso para perdas. Outro aspecto a salientar diz respeito ao princpio contbil da prudncia, pois este reclama a constituio de proviso quando existir incerteza de grau varivel. Desta forma, para constituirmos uma proviso, qualquer que seja, deve haver alguma incerteza, seja em relao ao valor, ao fato ou outro aspecto qualquer, pois se no h essa incerteza a perda de fato e nesse caso devemos baixar o investimento por perecimento, cuja baixa ter como contrapartida uma despesa no operacional e ser dedutvel pela legislao fiscal. 4 Na parte final do inciso sob anlise est grifado ... e que no ser modificado em razo do recebimento, sem custo para a companhia, de aes ou quotas bonificadas. Essas aes ou quotas bonificadas podem surgir pelo aumento do capital social com utilizao de reservas ou lucros acumulados. Veja-se que nesse caso h aumento do capital social sem que os acionistas ou scios tivessem desembolsado recursos financeiros. A sociedade investida pode emitir, neste caso, as chamadas aes ou quotas bonificadas, repassando-as, de forma proporcional, aos

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detentores de aes ou quotas. Pode, tambm, aumentar o valor nominal das aes j existentes. Em ambos os casos, no h custo para a sociedade investidora. Conforme disposto nos arts. 592 a 594 do Decreto n 3.000/1990 - Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), as empresas tributadas com base no lucro real podero optar por aplicaes em incentivos fiscais, com parte do Imposto de Renda devido: Opo na Declarao Art. 592. A pessoa jurdica tributada com base no lucro real poder optar pela aplicao de parcelas do imposto de renda devido, nos termos do disposto neste Captulo, em incentivos fiscais especificados nos arts. 609, 611 e 613 (Decreto-lei n 1.376, de 12 de dezembro de 1974, art. 1). Art. 593. O valor do imposto recolhido na forma dos arts. 454 e 455, mantidas as demais disposies sobre a matria, integrar o clculo dos incentivos fiscais destinados ao FINOR, FINAM e FUNRES (Lei n 8.541, de 1992, art. 11). Art. 594. Os incentivos a que se refere este Captulo no se aplicam aos impostos devidos por lanamento de ofcio ou suplementar, observado ainda o disposto no 11 do art. 394 (Lei n 4.239, de 1963, art. 18, 5, alnea "a", e Decreto-lei n 756, de 1969, art. 1, 6).

7 MTODO DA EQUIVALNCIA PATRIMONIAL A avaliao de investimentos pelo Mtodo da Equivalncia Patrimonial significa que a sociedade investidora avaliar sua participao societria, na sociedade investida, utilizando como parmetro o percentual de sua participao no capital social daquela sociedade. Esse percentual de participao no capital social da sociedade investida ser aplicado sobre o Patrimnio Lquido daquela Sociedade, resultando no valor do investimento da Sociedade Investidora. Com a adoo desse mtodo de avaliao de Investimentos os resultados das controladas e coligadas sero reconhecidos pela sociedade investidora no exerccio em que forem gerados. Alm dos resultados, tambm sero reconhecidos pela Sociedade Investidora quaisquer outros efeitos no Patrimnio Lquido da Sociedade Investida como, por exemplo, o aumento ou reduo de Reservas de Reavaliao e de Reservas de Capital, as quais no transitam por resultado na sociedade investida enquanto se constituem em reservas. O fundamento ou a lgica do mtodo da equivalncia patrimonial consiste, pois, em se considerar que o Patrimnio Lquido Contbil representa o capital prprio ou a riqueza prpria de uma entidade. Assim, se determinada empresa possui participao no capital social de outra, ento ela ter direito participao no Patrimnio Lquido dessa outra sociedade na mesma proporo de sua participao no capital social. Desta forma, por exemplo, se a empresa CITRICA S/A participa com 20% do capital social da empresa LARANJEIRAS S/A, ela (a empresa CITRICA S/A) ter direito de participar, tambm, de 20% no Patrimnio Lquido da empresa LARANJEIRAS S/A, ou de outra forma, 20% do Patrimnio Lquido da empresa LARANJEIRAS S/A pertencem empresa CITRICA S/A.

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Para ilustrar o assunto, de forma preliminar, tomemos o seguinte exemplo: a sociedade Deleitos S.A. adquire aes ordinrias da Cia Soneca, que no conjunto representam 30% do Capital Social desta. A CIA Soneca possui seu capital dividido em aes ordinrias e aes preferenciais de forma equnime. A Deleitos S.A. avaliar, invariavelmente, essa participao considerando aquele percentual sobre o Patrimnio Lquido da Cia Soneca. Desta forma, se no momento da aquisio o Patrimnio Lquido da Cia Soneca foi de R$ 100.000,00, a participao societria ser registrada, na Deleitos S.A., pelo valor de R$ 30.000,00 que o valor patrimonial das aes. Registro da aquisio do investimento: Participaes Societrias Cia Soneca a Caixa R$ 30.000,00

Contudo, se a Cia Soneca auferir lucros, mesmo que no haja distribuio de dividendos, a participao da Deleitos S.A. aumentar. Por exemplo, o PL da Cia Soneca aumentou em R$ 10.000,00 decorrente de resultados obtidos, passando o PL a ser R$ 110.000,00. Imediatamente a Deleitos S.A. reconhecer essa variao patrimonial na sociedade investida, aumentando o valor do seu investimento em R$ 3.000,00. A contrapartida desse lanamento ser uma receita operacional (ganho por equivalncia patrimonial ou resultado positivo da equivalncia patrimonial), a ser registrado na investidora Deleitos. A sua participao passar para R$ 33.000,00 (30% de R$ 100.000,00, valor original; mais 30% de R$ 10.000,00, valor do resultado gerado na sociedade investida). Perceba que o percentual de participao societria no foi alterado, pois no houve mudana na estrutura do Capital Social da sociedade investida. Registro na Cia Deleitos dos lucros auferidos na investida: Participaes Societrias Cia Soneca a Ganhos por Equivalncia Patrimonial R$ 3.000,00

Tentamos, com esse exemplo, de forma singela, demonstrar o princpio deste mtodo de avaliao de investimentos. Contudo, o mtodo da equivalncia patrimonial apresenta algumas particularidades prprias e se configura, no todo, em operaes mais complexas do que a acima apresentada. Nos tpicos seguintes procuraremos explicar suficientemente os aspectos especficos deste mtodo de avaliao, de modo que voc possa resolver, com segurana, quaisquer questes de provas envolvendo o assunto. A par dessa introduo modesta, podemos conceituar o mtodo da equivalncia patrimonial como sendo aquele em que os investimentos da sociedade investidora so avaliados tendo como referncia o percentual de participao no capital social da sociedade investida aplicado sobre o Patrimnio Lquido desta mesma sociedade investida, consignando, com isso, os resultados e quaisquer variaes patrimoniais na sociedade investida a partir do momento de sua gerao, independentemente de o resultado ser positivo ou negativo e de haver ou no distribuio de dividendos ou lucros.

7.1 DEFINIES FUNDAMENTAIS Para que possamos entender o processo de avaliao de investimentos pelo Mtodo da Equivalncia Patrimonial MEP, necessrio que algumas definies, como sociedade controladora, sociedade coligada normal e sociedade coligada por equiparao, relevncia, exerccio de influncia etc. sejam analisadas de forma pormenorizada. Para tanto, nos socorremos dos enunciados da Lei n 6.404/76 e dos

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preceitos da Instruo CVM n 247/96, esta ltima complementada por nota explicativa emitida pela prpria CVM. Outra definio, que nos fornecida pelo caput do art. 4 da lei societria, diz respeito a definio de companhia aberta e de companhia fechada. Para a Lei, a companhia aberta ou fechada conforme os valores mobilirios de sua emisso estejam ou no admitidos negociao no mercado de valores mobilirios. 7.1.1 CONTROLADA E CONTROLADORA O conceito oficial dessas duas figuras jurdicas encontrado no 2 do art. 243 da lei societria, que assim preceitua: Art. 243. O relatrio anual da administrao deve relacionar os investimentos da companhia em sociedades coligadas e controladas e mencionar as modificaes ocorridas durante o exerccio. ... 2 Considera-se controlada a sociedade na qual a controladora, diretamente ou atravs de outras controladas, titular de direitos de scio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderncia nas deliberaes sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores.(Grifamos). Do comando legal se extrai que sociedade controladora aquela que possui a titularidade de mais da metade (ou mais de 50%) das quotas ou aes com direito a voto de outra sociedade, que ser controlada. O controle no necessita ser direto, podendo ser por intermdio de outra controlada, isto , admite-se o controle indireto. Assim, por exemplo, se a sociedade Anchova S.A. participa com 51% do capital votante da sociedade Baleia S.A. e, esta, por sua vez, participa da com 60% do Capital votante da sociedade Car S.A., ento a sociedade Anchova S.A. controladora da sociedade Baleia S.A. de forma direta e da sociedade Car S.A. de forma indireta, que so suas controladas. Isto assim porque, se a sociedade Anchova S.A. dita as regras que devem ser seguidas pela sociedade Baleia S.A., ela, de forma indireta, estar ditando, tambm, a conduta da sociedade Car S.A., pois esta ltima controlada da sociedade Baleia S.A., logo seguir as diretrizes por ela traada. A sociedade Baleia S.A. traar diretrizes para a sociedade Car S.A. conforme orientaes de sua controladora, a sociedade Anchova S.A.. Controle Anchova S.A. Direto Baleia S.A. Controle direto Controle indireto Car S.A. de se salientar, ainda, que a titularidade do Capital Social h de ser permanente, pois quando no possui esse carter, o investimento classificado no Ativo Circulante ou Realizvel a Longo Prazo, conforme j vimos no incio do nosso estudo e corroborado por orientao da prpria CVM.

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Outro aspecto interessante o que diz respeito preponderncia nas deliberaes sociais. De regra, tem-se preponderncia quando se possui a maioria do Capital Votante. Entretanto, na prtica, em situaes no raras, possvel que uma parcela do capital votante, menor que a maioria, defina os rumos de uma sociedade. o caso em que as aes da sociedade investida esto pulverizadas no mercado de forma que, nas assemblias deliberativas, parte dos acionistas detentores de aes ordinrias com direito a voto, no participam das deliberaes tomadas pela maioria presente. Por oportuno, cabe mencionar que a lei das Sociedades Annimas, em seu art. 15, 2, preceitua que as aes sem direito a voto no podero exceder a 50% do total das aes de uma companhia. Com isto, a lei admite a possibilidade de o Capital Votante estar representado por apenas 50% do Capital Total. Art. 15. As aes, conforme a natureza dos direitos ou vantagens que confiram a seus titulares, so ordinrias, preferenciais, ou de fruio. 1 As aes ordinrias da companhia fechada e as aes preferenciais da companhia aberta e fechada podero ser de uma ou mais classes. 2 O nmero de aes preferenciais sem direito a voto, ou sujeitas a restrio no exerccio desse direito, no pode ultrapassar 50% (cinqenta por cento) do total das aes emitidas. (Redao dada pela Lei n 10.303, de 31.10.2001). Ora, ocorrendo essa hiptese, 25% do Capital Total mais uma ao pode representar a maioria do Capital Votante, isto , a deteno, de forma permanente, de 25,01% do Capital Total pode representar a preponderncia nas deliberaes sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores, desde que a companhia tenha 50% do seu capital representado por aes sem direito a voto e que o investidor ou investidora com participao de 25,01% possua somente aes ordinrias, isto , aes representativas do capital votante. Atente-se ao fato que o art. 15 da lei societria foi sensivelmente alterada pela Lei n 10.303, de 31/10/2001. Antes dessa alterao, o dispositivo apregoava que as aes preferenciais sem direito a voto no poderiam exceder a 2/3 do total das aes. Com isto se admitia a hiptese de uma empresa ser constituda sob a forma de S.A. com apenas 1/3 do total de suas aes serem ordinrias. Ora, para exercer a preponderncia nas deliberaes necessrio que se detenha a maioria do capital votante. Este poderia ser obtido com a deteno de apenas 16,7% do total das aes, desde que todas fossem com direito a voto e a sociedade investida tivesse seu capital formado conforme os limites mximos admitidos por lei, isto , 2/3 em aes preferenciais e 1/3 em aes ordinrias. No 3 do art. 243 da lei das sociedades annimas, observa-se a exigncia da intervenincia da CVM, desta feita com relao as informaes que devem ser divulgadas ou veiculadas pelas companhias abertas: Art. 243. O relatrio anual da administrao deve relacionar os investimentos da companhia em sociedades coligadas e controladas e mencionar as modificaes ocorridas durante o exerccio. ... 3 A companhia aberta divulgar as informaes adicionais, sobre coligadas e controladas, que forem exigidas pela Comisso de Valores Mobilirios. Com respeito ao assunto e dentro de sua competncia, delegada pela lei, a CVM, por meio da Instruo 247/96, assim se pronunciou:

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Art. 3 - Considera-se controlada, para os fins desta Instruo: I - Sociedade na qual a investidora, diretamente ou indiretamente, seja titular de direitos de scio que lhe assegurem, de modo permanente: a) - preponderncia nas deliberaes sociais; e b) - o poder de eleger ou destituir a maioria dos administradores. II - Filial, agncia, sucursal, dependncia ou escritrio de representao no exterior, sempre que os respectivos ativos e passivos no estejam includos na contabilidade da investidora, por fora de normatizao especfica; e III - Sociedade na qual os direitos permanentes de scio, previstos nas alneas "a" e "b" do inciso I deste artigo estejam sob controle comum ou sejam exercidos mediante a existncia de acordo de votos, independentemente do seu percentual de participao no capital votante. Pargrafo nico - Considera-se, ainda, controlada a subsidiria integral, tendo a investidora como nica acionista. Percebe-se, portanto, que, com relao definio de sociedade controladora e controlada, a CVM reproduziu, basicamente, o texto da lei. Entretanto, a autarquia avanou no conceito inserindo no rol das sociedades controladas as filiais, agncias, sucursais, dependncias e escritrios de representao no exterior de sociedades brasileiras, quando estas extenses necessitam se constituir com personalidade jurdica prpria em face da legislao do pas estrangeiro onde estejam. Importante salientar que, nestas circunstncias, as filiais, sucursais etc. tero personalidade jurdica prpria e, em respeito ao princpio da entidade, se constituem em entidade diversa da matriz. Portanto, nestas condies, as filiais, sucursais etc. sero subsidirias integrais da sociedade brasileira, isto , sero empresas de capital brasileiro com um nico scio ou acionista. A respeito de subsidiria integral e antes que haja interpretao equivocada sobre o essa forma jurdica, convm frisar que esta figura no ocorre somente quando uma empresa brasileira possua filiais, sucursais etc. no exterior que necessitam se revestir de personalidade jurdica prpria, em face da legislao daqueles pases, pois esta figura jurdica perfeitamente compatvel com a legislao nacional. Assim, poderemos ter uma empresa nacional constituda com capital subscrito por uma nica e outra empresa nacional. Ento, subsidiria integral aquela empresa de capital nacional que possui como nica scia ou acionista outra empresa brasileira, seja por fora de legislao aliengena ou por ato voluntrio da empresa nacional. Por fim, cabe tecer um breve comentrio sobre outra forma de controle, o controle comum. Esta forma de controle muito utilizada na prtica pelos grandes grupos empresariais onde diversas pessoas ou empresas so participantes do capital social de outra ou outras, cuja participao individual no atinge percentual suficiente para garantir a preponderncia nas deliberaes. Por questes de interesses e de administrabilidade, algumas pessoas ou empresas, leia-se scios ou acionistas, pactuam no sentido de unir seus capitais formando um grupo que, no conjunto, representa a maioria do capital votante. de salientar que, para esta figura jurdica, o percentual de participao de cada uma das sociedades investidoras na sociedade investida irrelevante, pois o controle se dar pelo conjunto de sociedades investidoras que conseguem juntar a maioria do capital votante da empresa investida. Para dar maior clareza ao assunto, tomemos o seguinte exemplo:

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A empresa BOMCAIXA S/A possui o seu capital social, de R$ 6.780.000,00, formado por 2.712.000 aes preferencias e 4.068.000 aes ordinrias. O seu estatuto prev que somente as aes ordinrias tm direito a voto nas principais deliberaes da companhia. Desta forma, o detentor ou detentores de 2.034.001 aes (mais de 50% do capital votante) tero assegurados a preponderncia nas deliberaes da companhia. Porm, nenhum acionista, de forma isolada, possui esta quantidade de aes. A empresa CAIXACURTO S/A possui 2.013.660 (49,5% do capital votante) o que no lhe assegura a preponderncia absoluta nas deliberaes da companhia. H a empresa GRANACURTA LTDA que investiu apenas R$ 24.408,00, adquirindo 24.408 aes ordinrias (0,6% do capital votante e 0,36% do capital total) da empresa BOMCAIXA S/A. As duas sociedades investidoras acordaram no sentido de tomarem as deliberaes em conjunto, isto , formaram um acordo para manterem o controle comum. Como o somatrio de suas aes ordinrias representa 50,1% do capital votante da companhia BOMCAIXA S/A, elas passaram a ser as controladoras daquela empresa. O perfeito entendimento do exemplo acima ser muito til para dirimir certas dvidas que podero surgir ao longo do nosso estudo, principalmente no concernente a quem deve avaliar os seus investimentos pelo MEP. Perceba que, pelo exemplo, a empresa GRANACURTA LTDA, com apenas 0,6% do capital votante da empresa BOMCAIXA S/A, o que representa somente 0,36% do capital total, a sua controladora, juntamente com a empresa CAIXACURTO S/A!!! 7.1.1.1 NORMAS DE TRANSIO DA LEI N 10.303/01 Com a edio da Lei n 10.303, de 31 de outubro de 2001, algumas alteraes significativas foram introduzidas na Lei n 6.404/76. A maioria dessas alteraes j esto consolidadas nos textos legais apresentados ao longo do presente trabalho. Entretanto, algumas normas, especificamente em relao a vigncia e a aplicao das alteraes, necessitam de detalhamento maior. Neste contexto, os arts. 6 ao 9 dessa lei merecem a transcrio e alguns comentrios para reforar o seu entendimento. Art. 6o As companhias existentes devero proceder adaptao do seu estatuto aos preceitos desta Lei no prazo de 1 (um) ano, a contar da data em que esta entrar em vigor, devendo, para este fim, ser convocada assemblia-geral dos acionistas. Veremos no art. 8, principalmente no inciso III, que esta regra no absoluta, havendo casos em que a situao anterior a lei reformadora poder perdurar por tempo, dependendo da vontade das empresas de capital aberto j constitudas. Art. 7o O disposto no art. 254-A da Lei no 6.404, de 1976, no se aplica s companhias em processo de desestatizao que, at a data da promulgao desta Lei, tenham publicado um edital. Art. 8o A alterao de direitos conferidos s aes existentes em decorrncia de adequao a esta Lei no confere o direito de recesso de que trata o art. 137 da Lei no 6.404, de 1976, se efetivada at o trmino do ano de 2002. 1o A proporo prevista no 2o do art. 15 da Lei no 6.404, de 1976, ser aplicada de acordo com o seguinte critrio: I - imediatamente s companhias novas;

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II - s companhias fechadas existentes, no momento em que decidirem abrir o seu capital; e III - as companhias abertas existentes podero manter proporo de at dois teros de aes preferenciais, em relao ao total de aes emitidas, inclusive em relao a novas emisses de aes. Chamamos ateno a essa regra ou permissibilidade dada s companhias abertas que podem manter 2/3 de suas aes representadas por aes preferenciais e apenas 1/3 de aes ordinrias. Essa disposio de extrema importncia, pois segundo ela podemos ter duas formas de determinao do controle com participao em percentuais diferenciados no capital votante da sociedade investida. Percebe-se que com 2/3 de aes preferenciais restam 1/3 de aes ordinrias, vale dizer, apenas 33,33% do capital total pode estar representado por capital votante. Com isto, se a sociedade (companhia aberta) que foi constituda nesses percentuais, algum que detenha apenas 16,7% das aes e desde que sejam com direito a voto, pode ser o controlador, pois poder possuir a maioria do capital votante. 2o Nas emisses de aes ordinrias por companhias abertas que optarem por se adaptar ao disposto no art. 15, 2o, da Lei no 6.404, de 1976, com a redao que lhe conferida por esta Lei, poder no ser estendido aos acionistas titulares de aes preferenciais, a critrio da companhia, o direito de preferncia a que se refere o art. 171, 1o, alnea b, da Lei no 6.404, de 1976. Uma vez reduzido o percentual de participao em aes preferenciais, no mais ser lcito companhia elev-lo alm do limite atingido. 3o As companhias abertas somente podero emitir novas aes preferenciais com observncia do disposto no art. 17, 1o, da Lei no 6.404, de 1976, com a redao dada por esta Lei, devendo os respectivos estatutos ser adaptados ao referido dispositivo legal no prazo de 1 (um) ano, aps a data de entrada em vigor desta Lei. 4o At a assemblia-geral ordinria que se reunir para aprovar as demonstraes financeiras do exerccio de 2004, inclusive, o conselheiro eleito na forma do 4o, inciso II, ou do 5o do art. 141, da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, ser escolhido em lista trplice elaborada pelo acionista controlador; e, a partir da assembliageral ordinria de 2006, o referido conselheiro ser eleito nos termos desta Lei, independentemente do mandato do conselheiro a ser substitudo. Art. 9o Esta Lei entra em vigor aps decorridos 120 (cento e vinte) dias de sua publicao oficial, aplicando-se, todavia, a partir da data de publicao, s companhias que se constiturem a partir dessa data. sempre importante verificar quando que uma norma entra em vigor, pois somente poder produzir efeitos a partir daquela data, ficando os atos praticados no interregno da edio da lei e da sua vigncia aos auspcios da legislao anterior. No presente caso, a lei foi publicada em 31/10/2001.

7.1.2 COLIGADA

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O conceito legal de Sociedade Coligada nos fornecido pelo 1, do art. 243 da lei das sociedades annimas que assim dispe: Art. 243. O relatrio anual da administrao deve relacionar os investimentos da companhia em sociedades coligadas e controladas e mencionar as modificaes ocorridas durante o exerccio. 1 So coligadas as sociedades quando uma participa, com 10% (dez por cento) ou mais, do capital da outra, sem control-la. Desta forma, a nica condio para que se considere uma sociedade coligada de outra que haja uma participao com, no mnimo, de 10% do Capital Social da outra sociedade (investida). Perceba que na lei no h previso de participao indireta e tampouco referncia espcie de aes ou do tipo societrio adotado na constituio da empresa. Portanto, pode haver coligao de Sociedade Annima em Limitada e vice-versa e, no caso de ser a investida uma Sociedade Annima, no importa se a participao constituda por aes preferenciais ou ordinrias. Para caracterizar a coligao importa apenas que as aes possudas pela sociedade investidora sejam em percentual igual ou superior a 10% do Capital Social da sociedade investida. Um exemplo hipottico nos ajudar a elucidar os conceitos antes desenvolvidos. Supondo que a CIA TUCUNAR tenha participao no Capital Social em diversas empresas, como segue: 1 11% do Capital Social, sem direito a voto, da CIA CAR; 2 6% do Capital Social, aes com direito a voto e 7% do Capital Social, aes sem direito a voto da CIA TAMBAQUI; 3 4% do Capital com direito a voto e 5% do capital sem direito a voto da CIA TRUTA; e 4 3% do Capital com direito a voto e 4% do Capital no votante da CIA SALMO. Considerando, to somente, essas participaes societrias da CIA TUCUNAR, conclui-se que: 1 A CIA CAR e a CIA TAMBAQUI so suas coligadas; 2 A CIA TRUTA e a CIA SALMO no so coligadas da CIA TUCUNAR. 7.1.3 EQUIPARADA A COLIGADA Pelo disposto nas alneas a e b do pargrafo nico do art. 2 da Instruo CVM n 247/96, constata-se a hiptese da existncia de sociedade equiparada coligada. Alm disto, salienta aquela autarquia, que a equiparao pode ser de forma direta ou indireta. Observa-se que, embora no conste na lei a figura da coligao indireta, na norma da CVM existe esta possibilidade com relao coligao por equiparao. Nesse conceito de sociedade equiparada coligada, no nos interessa o percentual de participao do capital social como um todo. Interessa-nos o percentual de participao no capital votante representado pelas aes ordinrias. Portanto, consoante o disposto no art. 15 da lei societria, que limita o percentual mximo de aes preferenciais em 50% (para as empresas que j estavam constitudas em 31/10/2001 o limite pode continuar 1/3), e supondo que estamos diante de uma empresa que tenha seu capital social constitudo com aquele

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percentual de aes preferenciais, uma sociedade que participa com 10% do capital votante dessa outra empresa ser considerada coligada por equiparao. No entanto, sua participao no capital social da sociedade investida ser de apenas 5%. Outro aspecto a merecer nossa ateno diz respeito participao indireta, fazendo surgir, tambm, a figura da coligada por equiparao. Nesse particular, tomemos o seguinte exemplo: A empresa Aspa S/A detm 25% do capital social da empresa Corintos S/A, sem control-la. Salienta-se que as aes possudas por Aspa S/A so todas do tipo ordinrias, ou com direito a voto. Corintos S/A coligada de Aspa S/A. A Empresa Corintos S/A participa do capital votante da empresa Bfalo S/A com 40%, sem control-la. de salientar que o capital de Bfalo S/A composto de aes ordinrias e preferenciais, logo a participao de Corintos S/A em Bfalo S/A pode representar apenas em 20% do capital total, sendo certo de que a participao de Corintos S/A no capital total de Bfalo S/A menor do que 40% . Mesmo assim, Bfalo S/A coligada de Corintos S/A. A participao indireta de Aspa S/A no capital votante de Bfalo S/A de 10% (25% de 40% ou 0,25 x 0,4 = 0,10, ou seja 10%), logo Bfalo S/A coligada de Aspa S/A por equiparao indireta. interessante notar que a participao indireta de Aspa S/A no capital total de Bfalo S/A menor do que 10%, mas como j o dissemos, no nos interessa a participao no capital total. Interessa-nos, na anlise da equiparao, apenas, a participao direta ou indireta no capital votante. Esquematicamente, a participao societria total e participao societria no capital votante se apresenta da seguinte forma: Participao capital total Aspa S/A 25% Corintos S/A 20% Bfalo S/A 5% Participao no capital votante Aspa S/A 25% Corintos S/A 40% Bfalo S/A 10%

Para fechar o tpico, transcrevemos o art. 2 da Instruo CVM n 247/96: Art. 2 - Consideram-se coligadas as sociedades quando uma participa com 10% (dez por cento) ou mais do capital social da outra, sem control-la. Pargrafo nico - Equiparam-se s coligadas, para os fins desta Instruo: a) - as sociedades quando uma participa indiretamente com 10% (dez por cento) ou mais do capital votante da outra, sem control-la;

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b) - as sociedades quando uma participa diretamente com 10% (dez por cento) ou mais do capital votante da outra, sem control-la, independentemente do percentual da participao no capital total. Por meio do OFCIO-CIRCULAR/CVM/SNC/SEP N 01/2005, a CVM se manifestou do seguinte modo acerca do assunto: Dvidas tem surgido quanto forma de se ajustar o MEP nos casos de participao indireta. Neste caso, a companhia aberta deve ajustar o balano da controlada/coligada em que detenha a participao direta para efeitos de aplicao do MEP, ou solicitar-lhe, quando aplicvel, que j contemple tais efeitos nas suas demonstraes. Esse mesmo entendimento aplicvel nos casos em que individualmente o investimento de coligadas/controladas no atinja o percentual necessrio para caracterizar a coligao, porm o somatrio das participaes caracterize a empresa como equiparada coligada. importante ressaltar ainda que, na aplicao do MEP em sociedades equiparadas, devero ser observadas as mesmas condies de relevncia do investimento e de influncia na administrao definidas nos artigos 4 e 5 da Instruo CVM n 247/96, e aplicveis s coligadas. Um cuidado adicional que as companhias abertas devem ter, quando da aplicao do MEP em sociedades equiparadas, quanto ao percentual de participao a ser utilizado. Lembramos que o percentual anteriormente referido, de 10% ou mais do capital votante, serve para medir a equiparao, no representando, necessariamente, o percentual a ser utilizado para aplicao do MEP.

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EXERCCIOS PROPOSTOS01) (AFTN-1994-2-Esaf) nas sociedades annimas devem ser avaliados pelo custo de aquisio menos a proviso para perdas provveis na realizao do seu valor, quando essa perda estiver comprovada como permanente, os investimentos em: (com adaptaes). a) marcas, patentes e outros bens intangveis b) participaes permanentes no capital social de outras sociedades, exceto as controladas e coligadas que tenham seus investimentos avaliados pelo mtodo da equivalncia patrimonial c) veculos, mveis e utenslios, equipamentos e instalaes d) ativos diferveis durante a fase anterior ao incio das operaes e) estoques dos imveis destinados revenda ou utilizados no processo produtivo. 02) (AFTN-96-Esaf) Segundo o texto da Lei Societria, os direitos e ttulos de crdito no classificveis como Investimentos Permanentes devem ser avaliados pelo: a) Custo de aquisio ou valor de mercado, dos dois o menor b) Valor de reposio ou valor de mercado, dos dois o menor c) Valor de realizao ou pelo custo histrico, dos dois o menor d) Custo de aquisio deduzidas as despesas para realizao e) Valor corrigido de realizao ou valor reposio corrigido 03) (AFTN-96-Esaf) As aes adquiridas no mercado de balco podero ser classificadas como: a) Ativo permanente desde que no ocorra flutuao de preos durante 2 exerccios subsequentes b) Ativo circulante desde que ocorra flutuao de preos e a inteno seja de tornar-se acionista da entidade c) Realizvel a longo prazo desde que no ocorra flutuao de preos durante 2 exerccios subsequentes d) Ativo permanente desde que a aquisio no seja efetuada com a inteno de participar da sociedade e) Ativo circulante desde que a aquisio seja efetuada com a inteno de no participar da sociedade 04) (AFTN-96-Esaf) So mtodos de avaliao das Participaes Societrias: a) Mtodo de Custo e Custo ou Mercado, dos dois o menor b) Mtodo do Valor Presente e Equivalncia Patrimonial c) Mtodo do Custo e Equivalncia Patrimonial d) Mtodo do Valor de Realizao e Equivalncia Patrimonial e) Mtodo do Valor de Realizao e Valor Presente 05) (AFTN-98-Esaf) De acordo com a Lei 6.404/76 os investimentos, classificados como temporrios, devero ser avaliados pelo a) valor presente do fluxo de caixa futuro b) custo histrico de aquisio c) valor de realizao futura d) valor de reposio e) custo de aquisio ou mercado, dos dois o menor

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06) (AFTN-98-Esaf) Os resultados decorrentes de avaliao de investimento no exterior, pelo mtodo da equivalncia patrimonial, tero o seguinte tratamento: a) no sero reconhecidos na apurao do resultado b) se negativos, no sero reconhecidos c) sero reconhecidos at o limite do valor de realizao d) sero reconhecidos pelo mtodo do custo e) recebero o mesmo tratamento dado aos investimentos locais Utilizando apenas as informaes contidas na tabela abaixo, responda s questes 07 e 08. Quadro de composio acionria da CIA ITARAR nas companhias Mau e Rondon: Composio do Capital Empresas Cia. Cia. Outros Total Itarar Caxias Acionistas de aes Cia. Mau 2.000 4.000 4.000 10.000 Cia. Rondon 16.000 2.000 2.000 20.000 Cia. Caxias 35.000 -----15.000 50.000 07) (AFRF-2001-Esaf) A Cia. Itarar tem uma participao total nas investidas na seguinte ordem: a) 67% na Cia. Rondon, 30% na Cia. Caxias e 40% na Cia. Mau b) 70% na Cia. Rondon, 70% na Cia. Caxias e 38% na Cia. Mau c) 70% na Cia. Rondon, 70% na Cia. Caxias e 20% na Cia. Mau d) 87% na Cia. Rondon, 70% na Cia. Caxias e 48% na Cia. Mau e) 10% na Cia. Rondon, 70% na Cia. Caxias e 40% na Cia. Mau 08) (AFRF-2001-Esaf) O percentual de participao indireta da Cia. Itarar nas empresas Mau e Rondon : a) 18% na Cia. Mau e 77% na Cia. Rondon b) 28% na Cia. Mau e 20% na Cia. Rondon c) 28% na Cia. Mau e 7% na Cia. Rondon d) 8% na Cia. Mau e 28% na Cia. Rondon e) 7% na Cia. Mau e 70% na Cia. Rondon 09) (AFRF-2001-Esaf) De acordo com a Instruo 247/96 da CVM, so consideradas participaes societrias equiparadas s coligadas quando uma sociedade participa da outra a) com 5% ou mais do capital votante e mais de 20% do Exigvel a Longo Prazo sem, entretanto, ocorrer dependncia financeira b) com 5% do capital votante sem, entretanto, control-la, independentemente da participao total do capital da investida c) com 10% ou mais do capital total da investida sem, entretanto, control-la, independentemente da participao total no Exigvel da investida d) com 10% ou mais do capital votante exercendo o controle econmico e administrativo, independentemente da participao total do capital da investida e) com 10% ou mais do capital votante sem, entretanto, control-la, independentemente da participao total do capital da investidaExcludo: 30 Excludo: 31

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 03 AVALIAO DE INVESTIMENTOS -IProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia 10) (AFRF-2001-Esaf) Os direitos de qualquer natureza, no classificveis no Ativo Circulante, e que no se destinem manuteno da atividade da companhia ou da empresa, segundo o texto da Lei 6.404/76, so classificados como: a) Disponibilidades b) Contas a Receber c) Investimentos d) Imobilizados e) Diferido 11) (AFRF-2001-Esaf) O critrio da avaliao contbil a ser aplicado aos ttulos de crdito, e a quaisquer valores mobilirios no classificados como Investimentos Permanentes : a) Custo ou mercado dos dois o menor b) Custo histrico como base de valor c) Custo corrente ou o de reposio d) Custo de Realizao acrescido dos rendimentos e) Custo original como base de valor 12) (AFRF-2001-Esaf) Aplicaes em Investimentos Temporrios caractersticas de liquidez imediata so classificadas no Ativo como: a) Valores Realizveis b) Investimentos c) No Circulante d) Permanente e) Disponvel 13) (AFRF-2002-Esaf) A avaliao de valores mobilirios, no que apresentem

classificados

como

investimentos, estabelecida no artigo 183 da Lei 6.404/76, utiliza como base os critrios contbeis a) do denominador comum monetrio. b) da conveno de consistncia. c) do custo histrico e da materialidade. d) do custo ou mercado, dos dois o menor. e) da prudncia e do custo de oportunidade. 14) (AFRF-2002-Esaf) No final de 2000, a Cia. Quartzo apura o resultado do exerccio e provisiona 1.000.000 de reais como dividendos devidos a seus acionistas. A Cia. Cristal, que possui uma participao societria no relevante nessa empresa, ao registrar os dividendos a que tem direito, credita a conta: a) Reservas de Capital b) Receitas de Dividendos c) Participaes Societrias d) Resultados de Exerccios Futuros e) Valores a Receber

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 03 AVALIAO DE INVESTIMENTOS -IProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia A configurao grfica do Conglomerado Alfabtico a seguinte: CIA A

20% 60%

30%

CIA. B

CIA. C

CIA. D

100%

10%

70%

30%

CIA. G

CIA. F

100%

CIA. H

CIA. E 25%

20%

OUTROS 55%

CIA. I Com base no grfico fornecido, responda s questes de 15 a 17. 15) (AFRF-2002-Esaf) De acordo com a figura apresentada pode-se afirmar que a) a Cia. G controlada indireta da Cia. B. b) as empresas C e I so controladas da Cia. A. c) a Cia. A participa indiretamente na Cia. I com 9%. d) a participao indireta da Cia. A na Cia. H de 51%. e) a participao indireta da Cia. A nas empresas F e H idntica. 16) (AFRF-2002-Esaf) Sendo o percentual de participao da Cia. A na Cia B relativo ao capital total, pode-se afirmar que a) a Cia. B equiparada a controlada de A. b) a Cia. B coligada de A. c) a participao de A em B relevante. d) a Cia. A controladora de B. e) irrelevante se B for dependente da tecnologia de A. 17) (AFRF-2002-Esaf) Sendo o percentual de participao da Cia. A na Cia. B relativo ao capital total, pode-se afirmar que a) a Cia. I equiparada a controlada de D. b) a Cia. B participa indiretamente de I com 7%. c) a participao de A em B relevante em I. d) a Cia. A participa indiretamente de I com 10,7%. e) a Cia. H participa indiretamente de I com 10,7%.Excludo: 47 Excludo: 49

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 03 AVALIAO DE INVESTIMENTOS -IProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia 18) (AFRF-2002-2-Esaf) De acordo com a Instruo CVM 247/1996 considerada controlada: a) uma empresa que participa indiretamente de outra com at 10% do capital total e o valor contbil do investimento no excede a 5% do patrimnio lquido da investidora. b) uma empresa que participa diretamente da outra com at 10% do capital total e o valor contbil do investimento no excede a 5% do patrimnio lquido da investidora. c) filial ou escritrio no exterior, sempre que os ativos e passivos no estejam includos na contabilidade da investidora, por fora de legislao especfica. d) uma empresa que participa indiretamente da outra com at 5% do capital preferencial e o valor contbil do investimento no excede a 8% do patrimnio lquido da investidora. e) filial ou agncia de investida localizada no pas cuja participao societria da investidora seja de at 5% do capital votante e o valor contbil do investimento inferior a 10% do seu patrimnio lquido. Utilizando as informaes contidas no quadro de composio acionria das companhias, responder s questes de n 19 a 21. (Quadro de composio Acionria - quantidade de aes) Investidores Empresas Total de Cia. Cia. Outro(s) Investidas Aes Itarar Itacolomi Acionista(s) Cia. Itajub 80.000 90.000 30.000 200.000 Cia. Itaipu 195.000 90.000 15.000 300.000 Cia. Itamarac 40.000 ..... 10.000 50.000 Cia. Itacolomi 120.000 ..... 30.000 150.000 19) (AFRF-2002-2-Esaf) O percentual de participao indireta da Cia. Itarar na Cia. Itaipu : a) 20% b) 24% c) 30% d) 34% e) 52% 20) (AFRF-2002-2-Esaf) As empresas em questo formam um grupo de empresas, localizadas em diversos estados brasileiros e possuem como atividade principal a extrao, beneficiamento, industrializao e comercializao de mrmores, granitos e pedras de diversos tipos; sua empresa holding a Cia. ITA. Se essa empresa a investidora direta das empresas Itarar e Itacolomi, indique o percentual mximo de participao direta, no capital da empresa Itacolomi, que a Cia. Ita poderia ter: a) 100% b) 88% c) 52% d) 40% e) 20% 21) (AFRF-2002-2-Esaf) Se a participao societria da Cia. Ita na Cia. Itacolomi for de 20% do capital total, a participao dessa empresa na Cia. Itajub : a) considerada indireta no valor de 45%. b) nula porque a Cia. Itajub no ligada Cia. lta. c) considerada direta no valor de 20%. d) evidenciada em notas explicativas. e) nula por no haver relao direta entre elas.

Excludo: 58 Excludo: 6 Excludo: 5

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 03 AVALIAO DE INVESTIMENTOS -IProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia 22) (AFRF-2003) Na avaliao de ativos financeiros temporrios, quando da no existncia de um mercado ativo para um determinado instrumento financeiro, a resoluo CVM 235/95 considera como uma das formas de identificar o valor de mercado, aquele que: a) se pode obter com a negociao de outro instrumento financeiro de natureza, prazo e risco similares, em um mercado ativo. b) seria obtido com a negociao em um mercado ativo que corresponda a um processo de liquidao. c) seria obtido em uma transao entre comprador e vendedor cujo valor corresponda ao valor futuro dos fluxos de caixa futuros. d) representa o valor correspondente ao valor lquido futuro ajustado com base na taxa mdia de juros vigentes projetada para o vencimento do ttulo. e) se pode obter com a negociao em um mercado ativo que corresponda a uma transao compulsria. 23) (AFRF-2003) So atributos necessrios para identificar a existncia dos ativos Permanente Investimento a) constiturem direitos de qualquer natureza, essncia ou forma destinados continuidade da empresa. b) representarem direitos de qualquer natureza, essncia ou forma destinados ao desenvolvimento da atividade principal da empresa. c) no possurem a caracterstica de realizao e no se destinarem manuteno da atividade da empresa. d) serem destinados ao desenvolvimento da atividade principal da empresa e capacidade de transformao em moeda. e) somente representarem direitos no destinados utilizao no desenvolvimento da atividade principal da empresa.

GABARITOS 01 B 06 E 11 A 16 B 21 D 02 A 07 D 12 E 17 D 22 - A 03 E 08 C 13 D 18 C 23 - C 04 C 09 E 14 B 19 B 05 E 10 C 15 D 20 E

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Aula 04Continuando o nosso estudo sobre a Avaliao de Investimentos, hoje veremos mais algumas particularidades deste assunto muito interessante e que ser cobrado na prova.

AVALIAO DE INVESTIMENTOS - PARTE II7.1.4 INVESTIMENTO RELEVANTE O conceito de investimento relevante diz respeito, unicamente, sociedade investidora. A definio legal de investimento relevante nos fornecido pelo pargrafo nico do art. 247 da lei societria que assim dispe: Art. 247. As notas explicativas dos investimentos relevantes devem conter informaes precisas sobre as sociedades coligadas e controladas e suas relaes com a companhia, indicando: ... Pargrafo nico. Considera-se relevante o investimento: a) em cada sociedade coligada ou controlada, se o valor contbil igual ou superior a 10% (dez por cento) do valor do patrimnio lquido da companhia; b) no conjunto das sociedades coligadas e controladas, se o valor contbil igual ou superior a 15% (quinze por cento) do valor do patrimnio lquido da companhia. Constata-se que um investimento relevante se ele representa, no mnimo e isoladamente, 10% do Patrimnio Lquido da sociedade investidora e que seja em sociedade coligada, ou, se no conjunto das sociedades coligadas e controladas, o valor contbil do investimento for equivalente a, no mnimo, 15% do Patrimnio Lquido da companhia investidora. A CVM, com fundamento na competncia que lhe foi delegada pela lei societria, se pronunciou, por meio da Instruo CVM n 247/96, do seguinte modo: Art. 4 - Considera-se relevante o investimento: I - Quando o valor contbil do investimento em cada coligada for igual ou superior a 10% (dez por cento) do patrimnio lquido da investidora; ou II - Quando o valor contbil dos investimentos em controladas e coligadas, considerados em seu conjunto, for igual ou superior a 15% (quinze por cento) do patrimnio lquido da investidora. 1 - O valor contbil do investimento em coligada e controlada abrange o custo de aquisio mais a equivalncia patrimonial e o gio no amortizado, deduzido do desgio no amortizado e da proviso para perdas.

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2 - Para determinao dos percentuais referidos nos incisos I e II deste artigo, ao valor contbil do investimento dever ser adicionado o montante dos crditos da investidora contra suas coligadas e controladas. Percebe-se que, pelo inciso I deste ato normativo, a anlise a ser efetuada para determinar a relevncia de um investimento de forma isolada deve considerar, exclusivamente, os investimentos em sociedades coligadas. Assim, no se faz a anlise da relevncia dos investimentos em controladas, de forma isolada, pois entende aquela autarquia que os investimentos em sociedades controladas so sempre relevantes. J na anlise da relevncia dos investimentos, tomados em conjunto, devemos considerar tambm os investimentos que a sociedade investidora possua em controladas. Assim, na anlise conjunta somamos todos os investimentos em coligadas e controladas. Se o valor contbil alcanar 15% ou mais do Patrimnio Lquido da sociedade investidora, ento os investimentos em sociedades coligadas sero, tambm, relevantes, visto que os investimentos em controladas so sempre relevantes! Outro aspecto que merece relevo o pertinente ao disposto no 2 do ato normativo acima transcrito, pois, conforme nele consta, devem ser adicionados aos investimentos o montante dos crditos da investidora contra suas coligadas e controladas. Atente-se ao fato de que no so todos os crditos da investidora contra suas controladas e coligadas que devem ser somados ao valor do investimento para determinar a relevncia. Somente os crditos de natureza no operacional, tais como os adiantamentos para futuro aumento de capital e os emprstimos que devem compor o clculo. Isto se deve ao fato de que, com a adio desses crditos, se procura alcanar os investimentos aplicados em aes ou que possuam essa finalidade. Logo os crditos operacionais normais, tais como contas a receber decorrentes de operaes comerciais comuns realizadas com qualquer tipo de cliente, no devem ser considerados no clculo da relevncia. Pode-se dizer, assim, que os crditos contra as sociedades coligadas e controlados, classificados no circulante, no devem figurar no clculo, visto que l s devem ser registrados os crditos normais (operacionais) contra as sociedades coligadas e controladas. Por outro lado, no podemos concluir que todos os crditos contra as sociedades coligadas e controladas classificadas no Ativo Realizvel a Longo Prazo devam compor o clculo, pois pode haver crditos operacionais contra coligadas/controladas com prazo de realizao aps o final do exerccio social subseqente, que no devem ser considerados. De resto, aqueles crditos decorrentes de transaes no normais, que sempre devem ser classificados no ARLP, devem ser adicionados ao valor do investimento para analisar a relevncia. de ressaltar, ainda, que dbitos no operacionais a favor de coligadas ou a favor de controladas so desconsiderados na apurao da relevncia. Apenas os crbitos no operacionais contra as coligadas e controladas devem ser adicionados aos investimentos na determinao da relevncia. Ateno!!! Veja que o valor dos crditos decorrentes de emprstimos ou outros direitos s entram no clculo para se estabelecer a relevncia, mas o valor contbil do investimento no contempla essas somas.

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Convm destacar que a Lei n 6.404/76, no 1 do art. 248, tambm se manifesta acerca do assunto, dispondo que devem ser considerados os crditos no operacionais existentes no Ativo Realizvel a Longo Prazo da empresa investidora empresa investida, no somatrio para verificar a relevncia. Excetuam-se desta regra os emprstimos feitos pela investidora, instituio financeira, s suas coligadas ou controladas em decorrncia de serem estes oriundos de sua atividade operacional. 1 Para efeito de determinar a relevncia do investimento, nos casos deste artigo, sero computados como parte do custo de aquisio os saldos de crditos da companhia contra as coligadas e controladas. prudente, ainda, que fiquemos atentos ao fato de que o valor contbil, segundo orientao da CVM deve ser apurado antes de registrar o resultado da respectiva equivalncia patrimonial e o seu reflexo no Patrimnio Lquido da sociedade investidora. Segundo a CVM, a adoo dessa metodologia traz maior simplicidade na apurao da relevncia. Perceba que esta forma de proceder altera os percentuais do Patrimnio Lquido representados por participaes societrias em coligadas ou coligadas/controladas, conforme estamos diante da anlise isolada ou conjunta. Este fato poder ser denotado nos exemplos seguintes. EXEMPLO 1 Consideremos que a investidora Tubaro S.A., cujo Patrimnio Lquido de R$ 100.000,00 e que vende habitualmente a prazo, indistintamente a qualquer cliente que comprove capacidade de pagamento, possua as seguintes participaes societrias em suas coligadas: Valor do investimento R$ 10.500,00 R$ 5.000,00 R$ 4.000,00 R$ 19.500,00 R$ 7.000,00 R$ 7.000,00 R$ 15.000,00 R$ 15.000,00 R$ 1.500,00 Emprstimo para futuro aumento de capital Duplicatas a receber Duplicatas a pagar R$ 1.500,00

Investida Tambaqui Tucunar Truta TOTAIS

Analisando esses investimentos quanto ao aspecto da relevncia, teremos: a) Isoladamente O investimento de R$ 10.500,00, na investida Tambaqui, relevante porque representa 10,5% do PL da sociedade investidora. Salienta-se que o valor de Duplicatas a Pagar no deve influenciar no clculo da relevncia do investimento, conforme vimos na definio de relevncia apresentada acima. O investimento de R$ 5.000,00, na investida Tucunar, somado ao emprstimo para futuro aumento de capital de R$ 7.000,00, relevante, pois representa 12% do Patrimnio Lquido da sociedade Tubaro. Atente-se ao fato que emprstimo para futuro aumento de capital, como de resto qualquer emprstimo quando isto no se constitui em operao normal, so crditos no operacionais da sociedade investidora quando ela no possua, evidentemente, essa atividade como objeto social.

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O investimento de R$ 4.000,00, na investida Truta, no relevante, visto que representa apenas 4% do PL da sociedade investidora. Ressalta-se que o valor de Duplicatas a Receber no deve influenciar o clculo da relevncia do investimento, pois decorrente de atividade operacional. b) No conjunto Os investimentos efetuados nas sociedades Tambaqui e Tucunar continuam sendo relevantes, pois a anlise do conjunto dos investimentos no lhes tira aquela condio adquirida quando analisadas isoladamente. Perceba que o somatrio dos investimentos, ou valor contbil dos investimentos, de R$ 19.500,00. A esse valor devemos adicionar o montante de R$ 7.000,00, relativo ao emprstimo para aumento de capital. Assim, o valor dos investimentos, com a finalidade especfica de analisar a relevncia, de R$ 26.500,00. Logo, o investimento na sociedade Truta passa a ser relevante, pois o somatrio dos investimentos em coligadas e controladas ultrapassam a 15% do PL da sociedade investidora. A propsito, o VALOR CONTBIL do investimento determinado conforme a seguir demonstrado: (+) valor registrado corrigido monetariamente (+) saldo do gio no amortizado (- ) saldo do desgio no amortizado (- ) proviso para perdas provveis, se houver (=) VALOR CONTBIL DO INVESTIMENTO (+) crditos decorrentes de emprstimos ou outros direitos no operacionais (=) BASE DE CLCULO, PARA FINS DE SE ESTABELECER A RELEVNCIA EXEMPLO 2 A Cia Tucunar, cujo Patrimnio Lquido de R$ 80.000,00, possui as seguintes participaes societrias: - R$ 8.100,00 na coligada Cia Salmo - R$ 3.500,00 na controlada Cia Truta Analisando esses investimentos, conclui-se que os dois investimentos da Cia Tucunar so relevantes, pois os investimentos em sociedades controladas so sempre relevantes e o investimento de R$ 8.100,00 na Cia Salmo, isoladamente, relevante, visto que R$ 8.100,00 superior a 10% do seu Patrimnio Lquido. Perceba que o investimento na Cia Truta inferior a 10% do PL da Cia Tucunar. Entretanto, por se tratar de controlada, o investimento na Cia Truta h de ser avaliado pelo MEP, conforme disposto no art. 248 da Lei n 6.404/76 e corroborado pelos arts. 1 e 5 da Instruo CVM n 247/96. Por isso, quando se trata de controlada no h razo de se determinar a relevncia do investimento, a no ser para verificar se os investimentos em coligadas so relevantes quando analisados em conjunto com os investimentos em controladas. EXEMPLO 3 A Cia Colibri, cujo Patrimnio Lquido de R$ 30.000.000,00, possui os seguintes participaes societrias:

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- R$ 120.000,00 na sociedade Canrio Ltda., cujo capital social R$ 800.000,00; - R$ 140.000,00 na empresa Papagaio S.A., cujo capital social, constitudo exclusivamente de aes ordinrias, de R$ 270.000,00; - R$ 280.000,00 na empresa Periquito Ltda., cujo capital social de R$ 700.000,00 e formado exclusivamente por aes ordinrias. Esta sociedade participa no capital votante da empresa Pavo S.A. com R$ 60.000,00, o que representa 30% do capital votante. O Capital Social desta empresa composto por 50% de aes ordinrias e de 50% de aes preferenciais, cujo montante de R$ 400.000,00; - R$ 4.400.000,00 na Cia Sabi, cujo capital social de R$ 20.000.000,00; e - R$ 2.000.000,00 na Cia Urubu, cujo capital social de R$ 25.000.000,00, constitudo exclusivamente de aes ordinrias. Analisando esses investimentos da Cia Colibri, constata-se que: 1 A sociedade Canrio Ltda. sua coligada, visto que participa com 15% do capital social desta empresa. O investimento, todavia, analisado de forma isolada no relevante, pois no alcana 10% do PL da sociedade investidora; 2 A empresa Papagaio S.A. sua controlada, visto que detm mais da metade das aes com direito a voto, o que lhe assegura a preponderncia nas deliberaes. Logo, este investimento relevante j que todos os investimentos em controladas so relevantes; 3 A empresa Periquito Ltda. sua coligada, pois o seu investimento representa 40% do capital social daquela empresa, mas o investimento, por si s, no relevante; 4 a empresa Pavo S.A. sua coligada por equiparao indireta, pois o investimento indireto da Cia Colibri representa 12% do capital votante daquela empresa (40% de 30%). Perceba que a participao indireta Cia Colibri no capital total da empresa Pavo S.A. representa apenas 6% e, mesmo assim, ela coligada por equiparao; 5 A Cia Sabi sua coligada, pois a sua participao alcana mais de 10% do capital social daquela empresa (ela representa 22% do capital da investida). Esse investimento tambm relevante, pois representa, de forma isolada, mais do que 10% do PL da Cia Colibri; 6 A Cia Urubu no sua coligada, pois o investimento representa menos do que 10% do capital social daquela empresa. Assim, por enquanto, pela anlise individual dos investimentos, podemos afirmar que dos investimentos da Cia Colibri, so relevantes o realizado na empresa Papagaio S.A., pelo fato de esta ser sua controlada e o investimento realizado na Cia Sabi, pois representa mais do que 10% do seu PL. A anlise dos investimentos de forma conjunta deve considerar apenas os investimentos realizados em coligadas e controladas. Portanto, o investimento realizado na Cia Urubu no ser considerado. Tambm no ser considerado, para a apurao do percentual do PL representado por investimentos em coligadas e controladas, o investimento indireto na empresa Pavo S.A., pois o valor desse investimento ser computado no investimento realizado na empresa Periquito Ltda. Assim, a Cia Colibri possui o seguinte quadro de investimentos em coligadas e controladas: - R$ 120.000,00 na coligada Canrio Ltda.; - R$ 140.000,00 na controlada Papagaio S.A.;

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- R$ 280.000,00 na coligada Periquito Ltda.; e - R$ 4.400.000,00 na coligada Cia Sabi. O montante dos investimentos em sociedades coligadas e controladas de R$ 4.940.000,00, o que representa 16,47% do PL da Cia Colibri (4.940.000 / 30.000.000 X 100), logo todos os investimentos em coligadas so, tambm, relevantes pela anlise em conjunto. 7.1.5 INVESTIMENTO INFLUENTE A exata definio do que seja investimento influente o ltimo aspecto a ser analisado para que possamos determinar se um investimento em sociedade coligada deve ou no ser avaliado pelo MEP. Tanto o art. 248 da Lei n 6.404/76, quanto o art. 5 da Instruo CVM n 247/96, condicionam a avaliao dos investimentos em sociedades coligadas pelo MEP ao exerccio da influncia na administrao da sociedade investida. So exemplos do exerccio de influncia da sociedade investidora na sociedade investida, entre outros, os seguinte fatos: a) participao nas suas deliberaes sociais, inclusive com a existncia de administradores comuns; b) poder de eleger ou destituir um ou mais de seus administradores; c) volume relevante de transaes, inclusive com o fornecimento de assistncia tcnica ou informaes tcnicas essenciais para as atividades da investidora; d) significativa dependncia tecnolgica e/ou econmico-financeira; e) recebimento permanente de informaes contbeis detalhadas, bem como de planos de investimento; ou f) uso comum de recursos materiais, tecnolgicos ou humanos. Tambm se considera influente, pela leitura do art. 248 da lei e do art. 5 do ato normativo expedido pela CVM, o investimento quando ele representa no mnimo 20% do capital social da sociedade investida. Esta disposio apresenta, hoje, em nosso modo de analisar o assunto, pelo menos duas impropriedades. Seno vejamos: 1 que tipo de influncia podia exercer uma empresa que detinha, por exemplo, 25% das aes de outra sociedade se estas aes eram todas preferenciais? Certamente esta disposio foi includa no art. 248 da lei e tambm no art. 5 do ato normativo da CVM em funo do que estava disposto no 4 do art. 141 da Lei n 6.404/76, que apresentava a seguinte redao: 4 Se o nmero de membros do conselho de administrao for inferior a 5 (cinco), facultado aos acionistas que representem 20% (vinte por cento), no mnimo, do capital com direito a voto, a eleio de um dos membros do conselho, observado o disposto no 1. Percebe-se que os acionistas detentores de 20% (vinte por cento), no mnimo, do capital com direito a voto, podiam eleger um dos membros do conselho de administrao, o que representa, efetivamente, o exerccio de influncia. Mas veja-se que a classe de aes teria de ser com direito a voto. justamente neste aspecto que o legislador pecou ao redigir o texto do art. 248, pois no fez referncia a qual tipo de capital social, quando deveria estar presente a figura do capital votante!

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2 O segundo equvoco que entendemos haver, hoje, que o 4 do art. 141 da Lei n 6.404/76 teve sua redao modificada pela Lei n 10.303, de 31/10/2001. A matria passou a ter a seguinte redao, inclusive com o acrscimo dos 5 a 8 ao referido artigo: 4 Tero direito de eleger e destituir um membro e seu suplente do conselho de administrao, em votao em separado na assembliageral, excludo o acionista controlador, a maioria dos titulares, respectivamente: (Redao dada pela Lei n 10.303, de 31.10.2001) I - de aes de emisso de companhia aberta com direito a voto, que representem, pelo menos, 15% (quinze por cento) do total das aes com direito a voto; e (Inciso includo pela Lei n 10.303, de 31.10.2001); II - de aes preferenciais sem direito a voto ou com voto restrito de emisso de companhia aberta, que representem, no mnimo, 10% (dez por cento) do capital social, que no houverem exercido o direito previsto no estatuto, em conformidade com o art. 18. (Inciso includo pela Lei n 10.303, de 31.10.2001). 5 Verificando-se que nem os titulares de aes com direito a voto e nem os titulares de aes preferenciais sem direito a voto ou com voto restrito perfizeram, respectivamente, o quorum exigido nos incisos I e II do 4, ser-lhes- facultado agregar suas aes para elegerem em conjunto um membro e seu suplente para o conselho de administrao, observando-se, nessa hiptese, o quorum exigido pelo inciso II do 4. (Pargrafo includo pela Lei n 10.303, de 31.10.2001); 6 Somente podero exercer o direito previsto no 4 os acionistas que comprovarem a titularidade ininterrupta da participao acionria ali exigida durante o perodo de 3 (trs) meses, no mnimo, imediatamente anterior realizao da assemblia-geral. (Pargrafo includo pela Lei n 10.303, de 31.10.2001); 7 Sempre que, cumulativamente, a eleio do conselho de administrao se der pelo sistema do voto mltiplo e os titulares de aes ordinrias ou preferenciais exercerem a prerrogativa de eleger conselheiro, ser assegurado a acionista ou grupo de acionistas vinculados por acordo de votos que detenham mais do que 50% (cinqenta por cento) das aes com direito de voto o direito de eleger conselheiros em nmero igual ao dos eleitos pelos demais acionistas, mais um, independentemente do nmero de conselheiros que, segundo o estatuto, componha o rgo. (Pargrafo includo pela Lei n 10.303, de 31.10.2001); 8 A companhia dever manter registro com a identificao dos acionistas que exercerem a prerrogativa a que se refere o 4. (Pargrafo includo pela Lei n 10.303, de 31.10.2001). Denota-se que o exerccio da influncia, fixada em percentual, foi sensivelmente modificado e, no entanto, no art. 248 no houve nenhuma alterao. bem verdade que se uma empresa detm participao no capital votante de outra que alcance 20%, ela ter efetivamente o direito de designar um elemento do conselho de administrao. Porm, com as alteraes introduzidas no art. 141, esse direito ser exercido com participao de apenas 15% no capital votante ou se ela detiver aes preferenciais que representem pelo

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menos 10% do capital total ou, ainda, somando-se aes com direito a voto e preferenciais que perfaam 15% do capital social! Assim, de qualquer forma a redao do art. 248 imprpria, quer por no fazer referncia ao capital votante, quer porque o percentual ali constante foi alterado. No nosso entender, aquele dispositivo deveria ter a redao alterada, substituindo-se o trecho ... ou de que participe com 20% (vinte por cento) ou mais do capital social,... por ... ou que tenha o direito de eleger um representante do conselho de administrao conforme definido nos 4 ao 8 do art. 141, ..., visto que, com a nova redao do art. 141 at mesmo os acionistas preferenciais possuem o poder exercer esse direito e para isto necessitam de apenas 10% das aes representativas do capital social. Observa-se, entretanto, que os acionistas detentores da maioria do capital votante continuam com o direito de eleger a maioria dos administradores. Desta forma, entendemos que se um investidor possuir 15% do capital social de outra empresa, nos termos do art. 141 da lei, ele ter o direito de eleger um representante do conselho de administrao e seu suplente e o conseqente exerccio de influncia. Entretanto, como o art. 248 da lei no foi alterado at a edio deste livro, aquela regra tambm est valendo, o que pode gerar srias discusses se o assunto for cobrado em provas! Outra questo que ficou assente diz respeito ao pargrafo 7, pois nele est grafado que os acionistas controladores (detentores de mais de 50% das aes com direito a voto) tm o direito de eleger mais do que 50% dos membros do conselho de administrao, o que bastante sensato, pois se algum possui a maioria do capital votante razovel que ele possa traar os destinos do empreendimento. 7.2 OBRIGATORIEDADE DE EQUIVALNCIA PATRIMONIAL (MEP) AVALIAO PELO MTODO DA

A lei estabelece no art. 248, caput, que os investimentos relevantes em sociedades coligadas e sobre cuja administrao tenha influncia, ou de que participe com 20% ou mais do Capital Social, e os investimentos em sociedades controladas, sero avaliados pelo mtodo da equivalncia patrimonial. A Instruo CVM n 247, de 27 de maro de 1996, em seu art. 5, regulamentando as disposies da lei societria, estabelece que devero ser avaliados pelo mtodo da equivalncia patrimonial os investimentos em cada controlada e os investimentos relevantes em cada coligada ou equiparada a coligada. Ressalta-se que a investidora deve exercer influncia na administrao ou possuir no mnimo 20% do capital social da sociedade coligada. Portanto, para enfatizar os preceitos da Instruo CVM n 247/96, todos os investimentos em controladas devem ser avaliados pelo Mtodo da Equivalncia Patrimonial (MEP). J para os investimentos em coligadas e equiparadas a coligadas, devemos determinar se o investimento relevante conforme visto no item 7.1.5. Sendo relevante o investimento, verifica-se se a participao no capital da coligada ou equiparada superior a 20%. Sendo a participao superior a 20%, ento o investimento avaliado pelo MEP. No caso de o investimento relevante ser inferior a 20% do capital social da coligada ou equiparada, devemos verificar se a investidora exerce influncia na administrao da sociedade investida, pois os investimentos dessa natureza somente devero ser avaliados pelo MEP quando existir essa influncia.

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Consoante o disposto nos 4 a 8 do art. 141 da lei societria, todos os investimentos relevantes que representam 15% ou mais do capital votante da sociedade investida devem ser avaliados pelo MEP, pois quando possuem essa caracterstica haver o exerccio da influncia administrativa, visto que lhes assegurado eleger 01 (um) conselheiro do conselho de administrao e o respectivo suplente. Alm dessa participao no capital votante, aquele dispositivo tambm assegura ao detentor de 10% de aes preferenciais a eleio de um representante do conselho de administrao e o seu respectivo suplente, sendo mais uma forma do exerccio da influncia administrativa. Assim, os investimentos em coligadas e equiparadas somente sero avaliados pelo MEP quando forem relevantes. Alm de relevantes devem ser superiores a 20% do capital social da investida ou, caso no atinjam esse percentual, a investidora deve exercer influncia na coligada ou equiparada, o que pode ser atingido com a deteno de forma permanente de 15% do capital votante ou de 10% do capital social da investida representado apenas por aes preferenciais ou ainda a deteno de 15% do capital somadas as aes com direito a voto e as preferenciais. A legislao fiscal, por seu turno, a par das disposies da Lei n 6.404/76 e da Instruo CVM n 247/96, invoca, por meio do art. 384 do Decreto n 3.000/99 (RIR/99), a necessidade de avaliao pelo MEP, reproduzindo, basicamente, o texto da lei societria ou comercial com os mesmos vcios j comentados quando da anlise da relevncia. Concluindo, as empresas que se enquadram nas condies analisadas devem avaliar pelo MEP os seus investimentos em controladas e os investimentos relevantes, quando influentes, em coligadas e equiparadas a coligadas. Essa avaliao pelo MEP h de ser realizada tanto pela legislao comercial ou societria quanto pela legislao fiscal! Entretanto, se o investimento no satisfizer aquelas condies, ento ele no poder ser avaliado pelo MEP e dever ser avaliado pelo Mtodo do Custo de Aquisio. 7.3 ASPECTOS LEGAIS A fundamentao legal e obrigatoriedade da adoo deste mtodo de avaliao de investimentos encontram assento, como matriz primria, no art. 248 da Lei n 6.404/1976. Embora j tenhamos transcritos este preceito de forma segmentada, oportuna a sua transcrio integral, que assim dispe: Art. 248. No balano patrimonial da companhia, os investimentos relevantes (artigo 247, pargrafo nico) em sociedades coligadas sobre cuja administrao tenha influncia, ou de que participe com 20% (vinte por cento) ou mais do capital social, e em sociedades controladas, sero avaliados pelo valor de patrimnio lquido, de acordo com as seguintes normas: I - o valor do patrimnio lquido da coligada ou da controlada ser determinado com base em balano patrimonial ou balancete de verificao levantado, com observncia das normas desta Lei, na mesma data, ou at 60 (sessenta) dias, no mximo, antes da data do balano da companhia; no valor de patrimnio lquido no sero computados os resultados no realizados decorrentes de negcios com a companhia, ou com outras sociedades coligadas companhia, ou por ela controladas;

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II - o valor do investimento ser determinado mediante a aplicao, sobre o valor de patrimnio lquido referido no nmero anterior, da porcentagem de participao no capital da coligada ou controlada; III - a diferena entre o valor do investimento, de acordo com o nmero II, e o custo de aquisio corrigido monetariamente; somente ser registrada como resultado do exerccio: a) se decorrer de lucro ou prejuzo apurado na coligada ou controlada; b) se corresponder, comprovadamente, a ganhos ou perdas efetivos; c) no caso de companhia aberta, com observncia das normas expedidas pela Comisso de Valores Mobilirios. 1 Para efeito de determinar a relevncia do investimento, nos casos deste artigo, sero computados como parte do custo de aquisio os saldos de crditos da companhia contra as coligadas e controladas. 2 A sociedade coligada, sempre que solicitada pela companhia, dever elaborar e fornecer o balano ou balancete de verificao previsto no nmero I. Conforme podemos observar da leitura do texto legal, a alnea c, do inciso III, a Comisso de Valores Mobilirios (CVM) entidade apta a expedir normas complementares sobre equivalncia patrimonial. No concernente ao caput do dispositivo legal no cabe, portanto, outra interpretao seno aquela dada pela CVM. Ressalte-se que existem autores relutantes na adoo desse entendimento, pois insistem na idia de que, segundo a lei, o investimento em controladas tambm deve ter a sua relevncia aferida. Desta forma, para que no pairem dvidas aos leitores, reforamos os enunciados da Instruo CVM, do seguinte modo: 1 Podemos, perfeitamente e sem perder o sentido, fazer a seguinte leitura do caput do art. 248: No balano patrimonial da companhia, os investimentos relevantes em sociedades coligadas ... e os investimentos em sociedades controladas, sero avaliados pelo valor de patrimnio lquido ... 2 A lei delegou competncia CVM para que esta expedisse normas complementares sobre a avaliao de investimentos pelo mtodo da equivalncia patrimonial. Certamente, a delegao h de englobar a interpretao da prpria lei e aquela autarquia o fez por meio da Instruo 247. A CVM, no exerccio da competncia recebida por delegao legal, emitiu a Instruo CVM n 247, de 27 de maro de 1996, alterada pela Instruo CVM n 285, de 31 de julho de 1998, a qual determina nos arts. 1 e 5, que: Art. 1 - O investimento permanente de companhia aberta em coligadas, suas equiparadas e em controladas, localizadas no pas e no exterior, deve ser avaliado pelo mtodo da equivalncia patrimonial, observadas as disposies desta Instruo. Pargrafo nico - Equivalncia patrimonial corresponde ao valor do investimento determinado mediante a aplicao da percentagem de participao no capital social sobre o patrimnio lquido de cada coligada, sua equiparada e controlada. ... Art. 5 - Devero ser avaliados pelo mtodo da equivalncia patrimonial:

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I - o investimento em cada controlada; e II - o investimento relevante em cada coligada e/ou em sua equiparada, quando a investidora tenha influncia na administrao ou quando a porcentagem de participao, direta ou indireta da investidora, representar 20% (vinte porcento) ou mais do capital social da coligada. Pargrafo nico - Sero considerados exemplos de evidncias de influncia na administrao da coligada: a) participao nas suas deliberaes sociais, inclusive com a existncia de administradores comuns; b) poder de eleger ou destituir um ou mais de seus administradores; c) volume relevante de transaes, inclusive com o fornecimento de assistncia tcnica ou informaes tcnicas essenciais para as atividades da investidora; d) significativa dependncia tecnolgica e/ou econmico-financeira; e) recebimento permanente de informaes contbeis detalhadas, bem como de planos de investimento; ou f) uso comum de recursos materiais, tecnolgicos ou humanos. Depreende-se da leitura do caput do art. 1, que o Mtodo da Equivalncia Patrimonial (MEP) aplicado tanto aos investimentos efetuados em sociedades localizadas no Pas quanto aos investimentos realizados em empresas localizadas no exterior. H, entretanto, uma ressalva a fazer, pois segundo a CVM os investimentos permanentes das companhias abertas que so susceptveis de avaliao pelo MEP, o que est perfeitamente de acordo com o texto da lei, visto que em sua ementa est expresso que ela Dispe sobre as Sociedades por Aes. Outro aspecto legal que merece ser mencionado e apresentado o pertinente a legislao fiscal, que por meio do art. 384, do Decreto n 3.000/99, reproduzindo o texto da lei comercial, assim dispe: Art. 384. Sero avaliados pelo valor de patrimnio lquido os investimentos relevantes da pessoa jurdica (Lei n 6.404, de 1976, art. 248, e Decreto-lei n 1.598, de 1977, art. 67, inciso XI): I - em sociedades controladas; e II - em sociedades coligadas sobre cuja administrao tenha influncia, ou de que participe com vinte por cento ou mais do capital social. 1 So coligadas as sociedades quando uma participa, com dez por cento ou mais, do capital da outra, sem control-la (Lei n 6.404, de 1976, art. 243, 1). 2 Considera-se controlada a sociedade na qual a controladora, diretamente ou atravs de outras controladas, titular de direitos de scio que lhe assegurem, de modo permanente, preponderncia nas deliberaes sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores (Lei n 6.404, de 1976, art. 243, 2). 3 Considera-se relevante o investimento (Lei n 6.404, de 1976, art. 247, pargrafo nico):

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I - em cada sociedade coligada ou controlada, se o valor contbil igual ou superior a dez por cento do valor do patrimnio lquido da pessoa jurdica investidora; II - no conjunto das sociedades coligadas e controladas, se o valor contbil igual ou superior a quinze por cento do valor do patrimnio lquido da pessoa jurdica investidora. 7.4 TRATAMENTO DOS ITENS NO REALIZADOS A instruo CVM n 247/96, em seus arts. 9 a 11, normatiza os procedimentos de avaliao de investimentos pelo mtodo da equivalncia patrimonial a serem adotados para a obteno do valor do investimento. Analisando tais dispositivos normativos, percebemos que a nfase maior dada parcela de lucros no realizada intercompanhias: Art. 9 - O valor do investimento, pelo mtodo da equivalncia patrimonial, ser obtido mediante o seguinte clculo: I - Aplicando-se a percentagem de participao no capital social sobre o valor do patrimnio lquido da coligada e da controlada; e II - Subtraindo-se, do montante referido no inciso I, os lucros no realizados, conforme definido no 1 deste artigo, lquidos dos efeitos fiscais. 1 - Para os efeitos do inciso II deste artigo, sero considerados lucros no realizados aqueles decorrentes de negcios com a investidora ou com outras coligadas e controladas, quando: a) - o lucro estiver includo no resultado de uma coligada e controlada e correspondido por incluso no custo de aquisio de ativos de qualquer natureza no balano patrimonial da investidora; ou b) - o lucro estiver includo no resultado de uma coligada e controlada e correspondido por incluso no custo de aquisio de ativos de qualquer natureza no balano patrimonial de outras coligadas e controladas. 2 - Os prejuzos decorrentes de transaes com a investidora, coligadas e controladas no devem ser eliminados no clculo da equivalncia patrimonial. 3 - Os lucros e os prejuzos, assim como as receitas e as despesas decorrentes de negcios que tenham gerado, simultnea e integralmente, efeitos opostos nas contas de resultado das coligadas e controladas, no sero excludos para fins de clculo do valor do investimento. Art. 10 - Para os efeitos do disposto no artigo 9, o patrimnio lquido da coligada e controlada dever ser determinado com base nas demonstraes contbeis levantadas na mesma data das demonstraes contbeis da investidora. 1 - Na impossibilidade de cumprimento ao disposto no caput deste artigo, admite-se a utilizao de demonstraes contbeis da coligada e controlada em um perodo mximo de defasagem de at 60 (sessenta) dias antes da data das demonstraes contbeis da investidora.

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2 - O perodo de abrangncia das demonstraes contbeis da coligada e controlada dever ser idntico ao da investidora, independentemente das respectivas datas de encerramento. 3 - Admite-se a utilizao de perodos no idnticos, nos casos em que este fato representar melhoria na qualidade da informao produzida, sendo a mudana evidenciada em nota explicativa. Art. 11 - Para a determinao do valor da equivalncia patrimonial, a investidora dever: I - Eliminar os efeitos decorrentes da diversidade de critrios contbeis, em especial, referindo-se a investimentos no exterior; II - Excluir o montante correspondente s participaes recprocas; III - Reconhecer os efeitos decorrentes de eventos relevantes ocorridos no perodo intermedirio, no caso de demonstraes contbeis levantadas em datas diversas; e IV - Reconhecer os efeitos decorrentes de classes de aes com direito preferencial de dividendo fixo, dividendo cumulativo e com diferenciao na participao de lucros.

7.4.1 - ELIMINAO DE RESULTADOS NO REALIZADOS Com a edio da resoluo 247/96, a CVM adotou uma nova sistemtica de clculo do lucro no realizado. Primeiro aplica-se o percentual de participao sobre o patrimnio lquido para, desse montante, subtrarem-se os lucros no realizados. Isto porque a figura do lucro no realizado existe somente na relao entre a empresa investidora e as suas controladas/coligadas ou entre estas ltimas. Para os demais scios/acionistas da investida o lucro efetivo, vale dizer, realizado. Exemplo: Supondo a seguinte situao em determinada companhia A, que possua um investimento em sua controlada companhia B. O valor contbil do investimento de A em B de R$ 150.000,00, antes do clculo da equivalncia patrimonial, o que representa 60% do Capital Social de B. O Patrimnio Lquido de B de R$ 300.000,00, porm esto computados em lucros acumulados os lucros obtidos em vendas realizadas A, no valor de R$ 10.000,00, cujos bens esto no patrimnio de A. Patrimnio Lquido da controlada B % de participao de A em B Lucros no realizados no PL de B Valor contbil do investimento de A em B Clculo da equivalncia patrimonial Patrimnio Lquido de B % de participao Total do investimento de A em B (-) Lucros no realizados Total do Investimento lquido de A em B (-) Valor contbil do Investimento A em B R$ 300.000,00 60% R$ 10.000,00 R$ 150.000,00

R$ 300.000,00 60% R$ 180.000,00 (R$ 10.000,00) R$ 170.000,00 (R$ 150.000,00)

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Resultado da Equivalncia Patrimonial R$

20.000,00

Vale enfatizar que, pela nova Instruo, apenas os lucros no realizados so eliminados na apurao do Resultado da Equivalncia Patrimonial. Os prejuzos decorrentes de transaes com a investidora, controladas e coligadas, no devem ser eliminados no clculo da equivalncia patrimonial. Ressalte-se que, para adoo deste procedimento, o patrimnio lquido da sociedade investida dever ser determinado com base nas demonstraes contbeis levantadas na mesma data das demonstraes contbeis da sociedade investidora. Entretanto, admite-se uma defasagem de no mximo 60 dias, isto , as sociedades investidas podero elaborar seus demonstrativos contbeis em prazo de at 60 dias antes dos demonstrativos da sociedade investidora. O que no possvel a sociedade investidora elaborar seus demonstrativos antes da sociedade investida, pois o resultado desta ltima h de constar nos demonstrativos daquela investidora. Outra possibilidade de utilizao de perodos no idnticos de apurao e levantamento das demonstraes quando a adoo desta prtica possibilite a apresentao de informaes de melhor qualidade, sendo que neste caso h de ser efetuado uma referncia em nota explicativa dessa divergncia de datas. 7.4.2 IDENTIFICAO DE RESULTADOS NO REALIZADOS Consideram-se no realizados os resultados quando, por exemplo, a empresa controlada (B) vende com lucro matrias-primas sociedade controladora (C) e esta no as revender (para fora do grupo). Quando consideramos controladora (C) e controlada (B) como entidade nica, verifica-se que no houve lucro, pois o valor relativo ao suposto lucro est no estoque da sociedade controladora (C) . Por isso, esse resultado deve ser eliminado na avaliao do investimento (de C em B), visto que a operao no saiu de dentro do grupo econmico. No houve transao com terceiros. Se, porm, a controladora efetuar a venda dessa matria-prima para terceiros (D) , ento no mais se exclui esse efeito, em face da realizao do resultado. Analisando o assunto sob outro enfoque, imaginando, por exemplo, uma sociedade conjugal, na qual a mulher vende ao marido um bem com lucro e que este bem permanea em poder do marido. Percebe-se que a famlia (o casal), composta neste caso pelo marido e a mulher, no ganhou absolutamente nada com esta transao. Agora, se o marido tivesse vendido o bem, mesmo que por igual preo pago mulher, a famlia (a sociedade conjugal) teria um ganho, isto , o lucro que a mulher obteve na venda ao marido. Com as empresas acontece exatamente a mesma coisa, isto , suponha que o homem ou a mulher seja a empresa controladora a mulher ou o homem seja a empresa controlada. Assim, o resultado no realizado aquele que no saiu de dentro do grupo econmico. No caso do exemplo acima ele est dentro do estoque de matriasprimas da sociedade controladora (C). Vejam o esquema a seguir:

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Empresa Avenda com lucro

Empresa B Controlada de C

venda com

Empresa C Controladora de B

lucro

Empresa D

Na situao acima, a empresa C controla a empresa B. Assim, o resultado da venda da mercadoria de B para C, mercadoria essa que foi adquirida de A, enquanto no vendida para fora do grupo patrimonial de B e C, ou seja, para D, ser considerado um lucro no realizado, devendo ser excludo do resultado da equivalncia patrimonial do investimento de C em B. Agora, se a operao for realizada com prejuzo, ele no deve ser eliminado, isto , o efeito negativo gerado na sociedade controlada ser repassado sociedade controladora por meio da equivalncia patrimonial (art. 9, 2, da Instruo CVM n 247/96). 7.4.3 PROCEDIMENTOS PARA APURAO DOS RESULTADOS NO REALIZADOS Conforme disposio da Instruo da CVM, o resultado no realizado deve ser determinado lquido de impostos. Para o caso de estoques de produtos acabados e mercadorias essa apurao relativamente simples, pois se sabe o valor de aquisio e o valor dos impostos incidentes na transao. Entretanto, em se tratando de produtos em elaborao, em processo contnuo, o valor da matria-prima ali includo de apurao mais difcil. Neste caso devemos partir para o conceito de margem de rentabilidade da empresa vendedora, que parece ser o meio mais hbil para se chegar ao valor do custo. EXEMPLO: Se uma coligada X vender para a investidora Y o total de R$ 20.000,00 em matrias-primas, durante determinado exerccio, e se estas matrias-primas tiveram um custo de R$ 12.000,00 includos os tributos, ela (X) teve uma rentabilidade de 40% sobre o preo de venda.

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LUCRO = R$ 20.000,00 R$ 12.000,00 = R$ 8.000,00 Esse lucro (R$ 8.000,00) equivale a 40% das vendas (R$ 20.000,00) Se no final do exerccio considerado a investidora Y ainda tiver no estoque um saldo de matrias-primas adquiridas de sua coligada no valor de R$ 1.000,00, ento o lucro no realizado ser de R$ 400,00 (40% de margem de lucro na venda pela coligada), cujo valor deve ser excludo da participao societria, conforme vimos no item anterior. 7.5 ASPECTOS TCNICOS E LEGAIS DAS ALTERAES DO PATRIMNIO LQUIDO DAS INVESTIDAS E OS REFLEXOS NA AVALIAO 7.5.1 - DAS PERDAS PERMANENTES EM INVESTIMENTOS AVALIADOS PELO MTODO DA EQUIVALNCIA PATRIMONIAL O art. 12 da Instruo CVM n 247/96, determina que quando existir passivo a descoberto na sociedade investida e houver inteno manifesta da investidora de manter o seu apoio investida, dever ser constituda a proviso para tal perda at o valor do investimento. O excesso deve ser lanado em conta prpria do passivo, por constituir obrigao da sociedade investidora. De ressaltar que essa proviso ter de ser registrada em contrapartida de resultado no operacional. Ateno!!! Os prejuzos apurados no decorrer da avaliao pelo MEP (resultado negativo na Equivalncia Patrimonial) so considerados despesas operacionais, no entanto as demais perdas relativas ao investimento so consideradas despesas no operacionais. Segundo aquele ato normativo, as provises devem ser constitudas em funo de perdas efetivas, quando decorrentes de eventos que resultarem em perdas no provisionadas pelas coligadas e controladas em suas demonstraes contbeis e quando decorrentes de responsabilidade formal ou operacional para cobertura de passivo a descoberto. Assim, a proviso ser constituda por perdas efetivas quando houver qualquer evento, efetivo, que reduza drasticamente o patrimnio da sociedade investida, cujo fato no tenha sido previsto nesta sociedade por meio de proviso. Como exemplo, podemos citar o caso em que a sociedade investida estiver sendo alvo de ao judicial por seus empregados. Esse fato deveria ter sido provisionado como contingncias trabalhistas. Caso no haja a constituio desta proviso na investida, ento a sociedade investidora dever constituir uma proviso para perdas. O lanamento na investidora seria:

D Despesa com Perdas em Investimentos (NOP) C Proviso para Perdas em InvestimentosOutra possibilidade de constituir a proviso para perdas permanentes quando h passivo a descoberto na sociedade investida e a sociedade investidora assumiu compromisso formal para honrar certos compromissos de sua coligada ou controlada. Neste ltimo caso, a investidora, alm de constituir proviso para perdas

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permanentes at o valor do investimento, tornando o seu valor contbil nulo, ter de constituir uma proviso no passivo exigvel, caso o valor do compromisso ultrapasse o valor do investimento. Ora, se a sociedade investida apresenta passivo a descoberto e a investidora assumiu compromisso formal de honrar obrigaes de sua afiliada, ento praticamente certo que o ter de fazer, pois a falncia da investida , praticamente, inevitvel. Salienta-se que nesta hiptese, o PL da investida se torna negativo aps a participao societria. Outro aspecto a considerar que a sociedade investida pode ser uma controlada do tipo subsidiria integral, onde a controladora possui relao direta com a investida. Nesse caso, a sua falncia sem que os compromissos sejam honrados acarretaria controladora prejuzos morais e de credibilidade irreversveis. A possibilidade de constituir a proviso para perdas de investimentos no se limita s perdas efetivas. H a possibilidade de constituir a proviso para perdas potenciais. Estas perdas potenciais devem ser estimadas quando houver tendncia de perecimento do investimento, elevado risco de paralisao de operaes de coligadas e controladas, eventos que possam prever perda parcial ou total do valor contbil do investimento ou do montante de crditos contra as coligadas e controladas, ou, ainda, para cobertura de garantias, avais, fianas, hipotecas ou penhor concedidos, em favor de coligadas e controladas, referentes a obrigaes vencidas ou vincendas quando caracterizada a incapacidade de pagamentos pela controlada ou coligada. A par da proviso constituda por perdas efetivas, deve ser constituda ainda proviso para perdas potenciais, quando existir passivo a descoberto e houver inteno manifesta da investidora em manter o seu apoio financeiro investida. Veja-se que esta proviso decorre de ato voluntrio, intencional da investidora, que assumir tal postura na expectativa de uma provvel reverso da situao deficitria da sociedade investida, pois por mais que haja passivo a descoberto, isto nem sempre definitivo, podendo haver recuperao da sociedade, mesmo que remota. Outra hiptese o caso j analisado, referente prpria imagem da sociedade investidora. A CVM, por meio da Instruo 247/96, regulamentou a questo da seguinte forma: Art. 12 - A investidora dever constituir proviso para cobertura de: I - Perdas efetivas, em virtude de: a) - eventos que resultarem em perdas no provisionadas pelas coligadas e controladas em suas demonstraes contbeis; ou b) - responsabilidade formal ou operacional para cobertura de passivo a descoberto. II - Perdas potenciais, estimadas em virtude de: a) - tendncia de perecimento do investimento; b) - elevado risco de paralisao de operaes de coligadas e controladas; c) - eventos que possam prever perda parcial ou total do valor contbil do investimento ou do montante de crditos contra as coligadas e controladas; ou d) - cobertura de garantias, avais, fianas, hipotecas ou penhor concedidos, em favor de coligadas e controladas, referentes a

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obrigaes vencidas ou vincendas quando caracterizada a incapacidade de pagamentos pela controlada ou coligada. 1 - Independentemente do disposto na letra " b" do inciso I, deve ser constituda ainda proviso para perdas, quando existir passivo a descoberto e houver inteno manifesta da investidora em manter o seu apoio financeiro investida. 2 - A proviso para perdas dever ser apresentada no ativo permanente por deduo e at o limite do valor contbil do investimento a que se referir, sendo o excedente apresentado em conta especfica no passivo.

7.5.2 DA RESERVA DE LUCROS A REALIZAR, DOS DIVIDENDOS E BONIFICAES EM AES RECEBIDOS PELA INVESTIDORA O resultado positivo originado pela aplicao do MEP gera, para o sociedade investidora, uma receita operacional que integrar a estrutura da Demonstrao do Resultado do Exerccio. Todavia, pela sistemtica adotada por esta forma de avaliao do investimento, quando o resultado reconhecido pelo fato de a sociedade investida registrar aumento do PL, no h efetivo ingresso de recursos. Isso quer dizer que a investidora registrar o aumento do investimento (dbito na conta Investimentos) em contrapartida ao ganho por equivalncia patrimonial (receita operacional). Essa receita auferida, por sua vez, carece de realizao financeira. Em face de o valor representado pelo ganho na aplicao do MEP carecer de realizao, factvel a constituio de Reserva de Lucros a Realizar, observado, obviamente, o disposto nos arts. 197 e 202 da Lei n 6.404/76. A CVM, por meio do art. 17 da Instruo 247/96, prev que somente podero ser considerados lucros a realizar, na constituio da reserva de lucros a realizar, o resultado lquido positivo da equivalncia patrimonial, considerando-se, para tanto, a soma algbrica do resultado do conjunto dos investimentos em controladas/coligadas. Desta forma, se determinada investidora controlar duas empresas diferentes e em uma delas for apurado resultado positivo e noutra resultado negativo, o valor que poder ser considerado para fins de constituio da Reserva de Lucros a Realizar ser o resultado lquido do conjunto dos investimentos, no caso o investimento nas duas controladas. Exemplo: a investidora ALFA possui a seguinte situao em seu ativo: Ativo Permanente Investimentos Aes da Coligada BETA Aes da Controlada DELTA R$ 80.000,00 R$ 45.000,00

Considere que ALFA teve R$ 5.000,00 de ganhos com equivalncia patrimonial do investimento em BETA e R$ 3.000,00 de perdas com equivalncia patrimonial do investimento em DELTA. Assim:

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Ganhos com EQP Perdas com EQP (=) Lucros a Realizar

R$ (R$ R$

5.000,00 3.000,00) 2.000,00

Art. 16 - A diferena verificada, ao final de cada perodo, no valor do investimento avaliado pelo mtodo da equivalncia patrimonial, dever ser apropriada pela investidora como: I - Receita ou despesa operacional, quando corresponder: a) - a aumento ou diminuio do patrimnio lquido da coligada e controlada, em decorrncia da apurao de lucro lquido ou prejuzo no perodo ou que corresponder a ganhos ou perdas efetivos em decorrncia da existncia de reservas de capital ou de ajustes de exerccios anteriores; e b) - a variao cambial de investimento em coligada e controlada no exterior. II - Receita ou despesa no operacional, quando corresponder a eventos que resultem na variao da porcentagem de participao no capital social da coligada e controlada; III - Aplicao na amortizao do gio em decorrncia do aumento ocorrido no patrimnio lquido por reavaliao dos ativos que lhe deram origem; e IV - Reserva de reavaliao quando corresponder a aumento ocorrido no patrimnio lquido por reavaliao de ativos na coligada e controlada, ressalvado o disposto no inciso anterior. Pargrafo nico - No obstante o disposto no artigo 12, o resultado negativo da equivalncia patrimonial ter como limite o valor contbil do investimento, conforme definido no pargrafo 1 do artigo 4 desta Instruo Art. 17 - Para fins de constituio da reserva de lucros a realizar, somente poder ser considerado como lucro a realizar o resultado lquido positivo da equivalncia patrimonial sobre o conjunto dos investimentos, apurado nos termos dos incisos I e II, do artigo 16. Tambm est grifado por aquela entidade normativa que as bonificaes recebidas sem custo pela companhia no devem ser objeto de lanamento na conta do investimento na coligada e controlada. As bonificaes sem custo decorrem ou surgem quando a sociedade investida utiliza reservas de lucros ou de capital ou mesmo lucros acumulados para aumentar o capital social. Esse aumento pode ser representado por aumento no valor contbil das aes ou pela distribuio de novas aes. Em ambas as situaes no ocorrem quaisquer alteraes no PL da investida e, em decorrncia, no deve haver qualquer registro na conta de investimento da sociedade investidora, pois sendo o investimento avaliado pela equivalncia patrimonial esses valores j estavam consignados em investimentos. Entretanto, a incorporao de reservas e de lucros acumulados ao capital social da investida forma de realizao destas reservas e lucros. Assim, se na investidora houver Reservas de Lucros a Realizar decorrentes de ganhos em participao societria avaliado pelo MEP, estes devem ser revertidos para Lucros ou Prejuzos Acumulados, na proporo da realizao em capital social na sociedade investida.

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Art. 18 - As bonificaes recebidas sem custo pela investidora, quer sejam por emisso de novas aes, quer sejam por aumento do valor nominal das aes, no devem ser objeto de contabilizao na conta do investimento na coligada e controlada. Pargrafo nico - Em decorrncia do previsto no caput deste artigo, dever ser revertida para a conta de lucros ou prejuzos acumulados a correspondente parcela que tiver sido destinada para reserva de lucros a realizar, a que se refere o artigo 17. Ampliando o espectro de utilizao da reserva de lucros a realizar, quando tenha sido realizado em sua totalidade ou apenas uma parcela, o inciso III do artigo 19 da Instruo 247/96, prev a possibilidade da sua destinao, aps computado o dividendo obrigatrio, para a constituio de outras reservas de lucros, inclusive reteno em lucros acumulados, ou para absoro de prejuzo do exerccio ou acumulados. Art. 19 - A parcela revertida da reserva de lucros a realizar para a conta de lucros ou prejuzos acumulados, se no absorvida por prejuzos, dever ser considerada no clculo, em separado, do dividendo obrigatrio no exerccio em que for feita a reverso. O excedente poder ser destinado para: I - Aumento de capital; II - Distribuio de dividendo; e III - Constituio de outras reservas de lucros, inclusive reteno justificada em lucros acumulados, ou absoro do prejuzo do exerccio, atendidas as exigncias legais. Aqui cabe uma observao importante em face das alteraes introduzidas na Lei n 6.404/1976 pela Lei n 10.303/2001, pois segundo esta norma reformadora, a reserva de lucros a realizar deve ser constituda a partir do dividendo declarado e se este for em valor superior aos lucros realizados. Alm disso, os lucros que forem sendo realizados devem permanecer nesta reserva para serem adicionados ao primeiro dividendo declarado se no tiverem sido absorvidos por prejuzos em exerccios anteriores. 7.5.3 OUTROS FATOS QUE ALTERAM O VALOR DA PARTICIPAO Alm dos fatos j analisados que produzem reflexos na participao societria, tambm a alteram: os ajustes de exerccios anteriores, a reavaliao de ativos da sociedade investida e as doaes e subvenes para investimentos, como de resto as demais reservas de capital. 7.5.3.1 AJUSTES DE EXERCCIOS ANTERIORES Os ajustes de exerccios anteriores, na sociedade investida, sero registrados diretamente em Lucros ou Prejuzos Acumulados. Com esse procedimento, os valores da decorrentes no transitam pelo resultado do exerccio, porque, efetivamente, no se referem ao exerccio findo e sim a outros exerccios anteriores, porm aumentam (ou reduzem) o PL da sociedade investida. Por isso, a sociedade investidora deve reconhecer esse ajuste pela equivalncia patrimonial em contrapartida da conta de receita ou despesa operacional, transitando pelo resultado do exerccio.

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Ateno! Em que pese os ajustes no transitarem por resultado na sociedade investida, visto que so registrados diretamente em conta de Lucros ou Prejuzos Acumulados, transitaro por resultado na sociedade investidora, e sero receita operacional para esta sociedade.

Exemplo: A investidora ALFA detm 40% do capital de BETA. A investida BETA realiza um ajuste em 31/12/X1 de seu imposto de renda de X0, que foi provisionado em R$ 10.000,00 a maior. O lanamento em BETA ser: D Proviso para imposto de renda C Lucros ou Prejuzos Acumulados R$ 10.000,00 R$ 10.000,00

Esse lanamento gerou um aumento no PL da investida BETA de R$ 10.000,00, no proveniente de lucro do exerccio. Mesmo assim, a investidora ALFA deve reconhecer a receita por equivalncia patrimonial: Ganho por equivalncia patrimonial = 40% x R$ 10.000,00 = R$ 4.000,00 Lanamento em ALFA: D Investimentos em BETA C Ganho por Equivalncia Patrimonial R$ 4.000,00 R$ 4.000,00

7.5.3.2 REAVALIAO DE BENS DA SOCIEDADE INVESTIDA A reavaliao de bens do Ativo tangvel da sociedade investida gera um aumento em seu PL, cujo valor no advm do resultado do exerccio. O registro contbil desse fato se apresenta do seguinte modo: Lanamento na investidora: Dbito: Crdito: Subconta representativa do bem reavaliado ATIVO Reserva de Reavaliao Patrimnio Lquido

A sociedade investidora deve reconhecer esse aumento do PL pela Reavaliao de Ativos da sociedade investida na proporo de sua participao no capital social, mediante registro em conta de investimento e em contrapartida, em registro especfico, no Patrimnio Lquido em conta de Reserva de Reavaliao de controladas e coligadas avaliadas pela equivalncia patrimonial. O fato merece o seguinte lanamento contbil: Lanamento na investida: Dbito: Crdito: Investimento em coligada/controlada Ativo Reserva de Reavaliao em bens de coligada/controlada - PL

Obs.: A reserva de reavaliao na sociedade investidora ser revertida para lucros acumulados na proporo da realizao dos bens reavaliados na sociedade investida. As

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formas de realizao mais comuns so pela alienao, baixa por perecimento, depreciao, amortizao e exausto.

7.5.3.3 - DOAES E SUBVENES PARA INVESTIMENTO Quando a sociedade investida receber doaes e subvenes para investimentos e outras origens de recursos classificveis como reservas de capital (artigo 182, 1, da Lei 6.404/76), ela os registrar em reservas de capital, dentro do Patrimnio Lquido. Por esse motivo, essas doaes acabam aumentando o valor do PL sem que seu efeito tenha transitado por resultado daquelas empresas. A sociedade investidora dever reconhecer esse fato mediante registro contbil da proporo que lhe cabe nesse aumento do PL da investida, por meio da equivalncia patrimonial, mesmo que esse aumento no seja decorrente do resultado do exerccio. Ressalte-se que novamente um fato que no representa receita na sociedade investida deve ser considerado receita operacional na investidora! Outras reservas de capital merecem igual tratamento contbil, visto que aumentam o PL da sociedade investida. Exemplo: Investidora ALFA possui 60% das aes de BETA. Supondo que BETA receba um imvel no valor de R$ 100.000,00 como doao, os registros a serem realizados sero: Lanamento na investida BETA: Dbito: Imveis (Ativo Permanente) Crdito: Reserva de Capital Doaes (PL) Lanamento na investidora ALFA: Dbito: Investimento em BETA (Ativo Permanente) Crdito: Ganho por EQP (Receita Operacional) 7.5.4 - VARIAO NA PORCENTAGEM DE PARTICIPAO Em caso de a sociedade investida intentar aumentar seu Capital Social, mediante subscrio de novas aes, os atuais scios ou acionistas, de regra, tm preferncia na subscrio das novas aes proporcionalmente ao nmero de aes que possuem antes do aumento de capital. Assim, se determinada empresa detm 40% das aes de outra, ela ter o direito de subscrever 40% das novas aes. O art. 171 da Lei 6.404/76 se constitui na matriz legal deste direito dos acionistas antigos: Art. 171 - Na proporo do nmero de aes que possurem, os acionistas tero preferncia para a subscrio do aumento de capital. R$ 60.000,00 R$ 60.000,00 R$ 100.000,00 R$ 100.000,00

1 Se o capital for dividido em aes de diversas espcies ou classese o aumento for feito por emisso de mais de uma espcie ou classe, observar-se-o as seguintes normas: a) no caso de aumento, na mesma proporo, do nmero de aes de todas as espcies e classes existentes, cada acionista exercer o direito de preferncia sobre aes idnticas s de que for possuidor;

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b) se as aes emitidas forem de espcies e classes existentes, mas importarem alterao das respectivas propores no capital social, a preferncia ser exercida sobre aes de espcies e classes idnticas s de que forem possuidores os acionistas, somente se estendendo s demais se aquelas forem insuficientes para lhes assegurar, no capital aumentado, a mesma proporo que tinham no capital antes do aumento; c) se houver emisso de aes de espcie ou classe diversa das existentes, cada acionista exercer a preferncia, na proporo do nmero de aes que possuir, sobre aes de todas as espcies e classes do aumento.

2 No aumento mediante capitalizao de crditos ou subscrio embens, ser sempre assegurado aos acionistas o direito de preferncia e, se for o caso, as importncias por eles pagas sero entregues ao titular do crdito a ser capitalizado ou do bem a ser incorporado.

3 Os acionistas tero direito de preferncia para subscrio dasemisses de debntures conversveis em aes, bnus de subscrio e partes beneficirias conversveis em aes emitidas para alienao onerosa; mas na converso desses ttulos em aes, ou na outorga e no exerccio de opo de compra de aes, no haver direito de preferncia.

4 O estatuto ou a assemblia-geral fixar prazo de decadncia, noinferior a 30 (trinta) dias, para o exerccio do direito de preferncia.

5 No usufruto e no fideicomisso, o direito de preferncia, quandono exercido pelo acionista at 10 (dez) dias antes do vencimento do prazo, poder s-lo pelo usufruturio ou fideicomissrio.

6 O acionista poder ceder seu direito de preferncia. 7 Na companhia aberta, o rgo que deliberar sobre a emissomediante subscrio particular dever dispor sobre as sobras de valores mobilirios no subscritos, podendo: a) mandar vend-las em bolsa, em benefcio da companhia; ou b) rate-las, na proporo dos valores subscritos, entre os acionistas que tiverem pedido, no boletim ou lista de subscrio, reserva de sobras; nesse caso, a condio constar dos boletins e listas de subscrio e o saldo no rateado ser vendido em bolsa, nos termos da alnea anterior. 8 Na companhia fechada, ser obrigatrio o rateio previsto na alnea b do 7, podendo o saldo, se houver, ser subscrito por terceiros, de acordo com os critrios estabelecidos pela assembliageral ou pelos rgos da administrao. Desta forma, quando todos os acionistas exercem o direito estabelecido no dispositivo da lei, isto , a preferncia na subscrio de novas aes, a porcentagem da participao fica inalterada e no existiro ganhos ou perdas de capital para nenhum deles. Haver, isto sim, mero aumento da participao societria, o que no gera nenhum resultado ou alterao do Patrimnio Lquido da sociedade investidora, ou seja, o fato meramente permutativo e dever ser lanado mediante dbito na

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conta investimento e crdito na conta que originou o recurso para tal aumento de participao societria. Exemplo: A Cia. FUNDOSPERDIDOS, que possua capital de R$ 2.000.000,00, resolveu aumentar seu Capital Social em R$ 3.000.000,00 com emisso de novas aes previamente autorizado pela Assemblia Geral. A Controladora TOPA-TUDO S/A, com participao de 40% no Capital Social (maioria do capital votante) da Cia. FUNDOSPERDIDOS, exerceu o seu direito plenamente e na exata proporo de sua participao no Capital Social, isto , subscreveu 40% das novas aes, cujos recursos tiveram origem da conta Bancos Conta Movimento. O lanamento contbil pertinente na sociedade investidora TOPA-TUDO S/A deve ser o seguinte: Dbito: Ativo Permanente Investimentos Participao em sociedades controladas Cia. FUNDOSPERDIDOS Bancos conta movimento BANCO FUNDO FALSO S/A

R$ 1.200.000,00 R$ 1.200.000,00

Crdito:

Pela percepo lgica do disposto no 6o do artigo 171 da Lei 6.404/76. acima transcrito, os acionistas antigos no so obrigados a subscrever aes na mesma proporo do nmero de aes que detinham anteriormente. Desta forma podem abrir mo desse seu direito de subscrio de novas aes. Quando algum acionista declinar desse seu direito surge a oportunidade de outro subscrever essas aes, o que acarreta, para este outro, um aumento na proporo das aes que possua antes da nova subscrio, ocorrendo, assim, variao na percentagem de participao no Capital Social. A variao na porcentagem de participao no Capital Social pode gerar ganhos ou perdas para a sociedade investidora, conforme houver aumento ou diminuio na porcentagem de participao. Este fato ocorre quando h no Patrimnio Lquido da sociedade investida outros valores alm do Capital Social, como, por exemplo, Reservas de Capital, Reservas de Lucros, Lucros ou Prejuzos Acumulados etc. Exemplo: A Cia. FUNDOSPERDIDOS, que possua capital de R$ 2.000.000,00, aumentou seu Capital Social com emisso de novas aes, em 02/01/2004, que foram subscritas e integralizadas na razo de R$ 1,00 por ao. O volume de aes emitidas com prvia autorizao pela assemblia geral foi de 3.000.000 de aes. Com isto, o Capital social aumentou em R$ 3.000.000,00. Os subscritores integralizaram o Capital Social por meio de depsito bancrio em favor da sociedade investida. o Capital Social da sociedade investida passou, com esse aumento, para R$ 5.000.000,00, composto por 5.000.000 de aes. Alm do Capital Social, a sociedade investida possua em contas do Patrimnio Lquido os seguintes valores: Reserva de gio na emisso de aes R$ 200.000,00; Doaes e subvenes para Investimento R$ 600.000,00; Reservas de Lucros R$ 1.200.000,00; e Lucros Acumulados de R$ 1.000.000,00. Desta forma, o PL da investida que era de R$ 5.000.000,000, com a subscrio e integralizao das novas aes passou a ser de R$ 8.000.000,00.

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a controladora TOPA-TUDO S/A, que por disposio legal tinha o direito de subscrever 1.200.000 das novas aes, pois participava com 40% no capital social da Cia. FUNDOSPERDIDOS, subscreveu 1.500.000 aes, isto , outros acionistas no exerceram o direito de preferncia na subscrio de 300.000 aes e ela pde aumentar a sua participao. Na Cia. FUNDOSPERDIDOS (investida) o aumento do Capital Social ser registrado mediante um lanamento em que ser debitada a conta Bancos Conta Movimento e em contrapartida ser creditada a conta Capital Social pelo valor de R$ 3.000.000,00. Lanamento na investida FUNDOSPERDIDOS: Bancos conta Movimento a Capital Social R$ 3.000.000,00

Pelo fato de a controladora TOPA-TUDO S/A haver subscrito quantidade maior de aes do que a proporo cabida de direito, e considerando que o Patrimnio Lquido da sociedade investida composto por outros valores alm do Capital Social, necessrio que a investidora proceda, alm dos registros normais da aquisio do investimento, ao lanamento de ajuste, haja vista a variao na porcentagem de participao. 7.5.4.1 - Registro do aumento da participao societria O lanamento resume-se ao registro do valor das aes adquiridas, que importou em R$ 1.500.000,00, na conta representativa do investimento, pois no houve nenhum gio ou desgio: Lanamento na investidora TOPA-TUDO S/A: Dbito: ATIVO PERMANENTE INVESTIMENTOS PARTICIPAO EM SOCIEDADES CONTROLADAS Cia. FUNDOSPERDIDOS R$ 1.500.000,00 BANCOS C/ MOVIMENTO BANCO DA PRAA S/A R$ 1.500.000,00

Crdito:

7.5.4.2 - Ajuste pela variao percentual do investimento A participao inicial da controladora TOPA-TUDO S/A no Capital Social da Cia. FUNDOSPERDIDOS era de 40%. Como poca o Capital Social da Cia. FUNDOSPERDIDOS era de R$ 2.000.000,00, o investimento da controladora no Capital Social representava R$ 800.000,00. Com a nova subscrio de 1.500.000 aes, ela passou a possuir o total de 2.300.000 aes de um total de 5.000.000 aes emitidas pela investida. Logo, o novo percentual de participao no Capital Social passa a ser de 46%. Desse momento em diante, a equivalncia patrimonial ser calculada por esse novo percentual. O Patrimnio Lquido da Cia. FUNDOSPERDIDOS antes do aumento do Capital Social era de R$ 5.000.000,00. Com isso, o Investimento da controladora TOPA-TUDO S/A na Cia. FUNDOSPERDIDOS, avaliado pela equivalncia patrimonial, era de R$ 2.000.000,00. Porm, com a variao do percentual de participao, necessrio que se refaa o valor patrimonial do investimento, aplicando-se sobre o novo valor do

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Patrimnio Lquido da sociedade investida o novo percentual de participao no seu Capital Social. Valor Patrimonial = R$ 8.000.000,00 x 46% = R$ 3.680.000,00 Vejam a tabela abaixo: Variao na proporo do investimento de TOPA-TUDO S/A na investida FUNDOSPERDIDOS:Inicial Capital Social da Investida Patrimnio Lquido da Investida Quantidade total de aes emitida por FUNDOSPERDIDOS Quantidade de aes possuda pela Controladora TOPA-TUDO Percentual de participao de TOPATUDO em FUNDOSPERDIDOS Valor do investimento de TOPA-TUDO R$ 2.000.000,00 R$ 5.000.000,00 2.000.000 800.000 40% R$ 2.000.000,00 Aps a nova emisso R$ 5.000.000,00 R$ 8.000.000,00 5.000.000 2.300.000 46% R$ 3.680.000,00

Como o valor do investimento avaliado pelo mtodo da equivalncia patrimonial era de R$ 2.000.000,00 e houve um lanamento a dbito de R$ 1.500.000,00 nesse investimento, referente compra das novas aes, ele est agora representado pelo valor de R$ 3.500.000,00. Percebe-se que este valor diferente do acima apurado. Portanto, deve-se proceder ao ajuste necessrio para adequ-lo ao novo valor. VALOR PATRIMONIAL (-) SALDO NA CONTA DE INVESTIMENTO = GANHO de Capital R$ 3.680.000,00 R$ 3.500.000,00 R$ 180.000,00

O adequado registro contbil deste fato ser: Dbito: ATIVO PERMANENTE INVESTIMENTOS PARTICIPAO EM SOCIEDADES CONTROLADAS Cia. FUNDOSPERDIDOS R$ 180.000,00 GANHOS EM PARTICIPAES SOCIETRIAS Cia. FUNDOSPERDIDOS R$ 180.000,00

Crdito:

interessante notar que esse ganho de capital representa uma receita no operacional, pois foi gerado por alterao do percentual na participao acionria e no da atividade operacional da sociedade investida, ou seja, no teve origem nos resultados obtidos pela investida. Desta forma, ele representa um ganho pelo fato de outras sociedades ou acionistas no terem exercido o seu direito de subscrio e por isso eles perderam essa quantia, logo houve um ganho de capital, que sempre no operacional.

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A legislao do Imposto de Renda, por meio do art. 428 do RIR/99, determina que este acrscimo ou eventual reduo de capital em funo da variao do percentual de participao acionria no ser computado na apurao do Lucro Real: Art. 428. No ser computado na determinao do lucro real o acrscimo ou a diminuio do valor de patrimnio lquido de investimento, decorrente de ganho ou perda de capital por variao na percentagem de participao do contribuinte no capital social da coligada ou controlada (Decreto-lei n 1.598, de 1977, art. 33, 2, e Decreto-lei n 1.648, de 1978, art. 1, inciso V). Porm, o mesmo efeito no ocorre com relao Contribuio Social Sobre o Lucro, pois esta excluso no est prevista em lei para essa contribuio. Assim, o ganho decorrente da variao percentual de investimento deve ser computado na apurao da CSLL, ao passo que a perda pode ser deduzida da sua base de clculo. Acabamos de demonstrar a hiptese de haver ganho pela variao do percentual de participao no capital social da sociedade investida. Entretanto, pode ocorrer de haver perda de capital por essa variao. A perda possvel e encontra justificativa se a sociedade investidora subscrever aes em quantidade menor do que a participao percentual no capital social da sociedade investida e se esta possuir outros valores no PL alm do Capital Social. Em ocorrendo este fato, haver diminuio no percentual de participao o que acarretar perda de capital, de forma inversa ao exemplo apresentado. Essa perda ser registrada na sociedade investidora mediante lanamento a crdito de investimento e a dbito de conta de resultado no operacional como perda de capital. 7.6 - PERDA, INTENO DE ALIENAO DO INVESTIMENTO E REDUO DO VALOR CONTBIL Conforme se depreende da leitura do art. 6 da Instruo CVM 247/96, os investimentos em sociedades controladas e coligadas, quando apresentarem efetiva e clara evidncia de descontinuidade de suas operaes ou quando elas estejam operando com severas restries a logo prazo que prejudiquem a capacidade de transferir recursos sociedade investidora, devem deixar de ser avaliados pelo Mtodo da Equivalncia Patrimonial. Esse procedimento h de ser adotado juntamente com a constituio da respectiva proviso para perdas quando estas forem consideradas como permanentes, tanto as efetivas quanto as em potencial, conforme vimos em tpico anterior. Destarte, oportuno esclarecer que a perda de continuidade do investimento fica caracterizada pela ocorrncia de uma das seguintes condies: 1 A sociedade investida apresenta prejuzos sucessivos, os quais no possuem capacidade aparente de reverso; 2 A sociedade investida apresenta severas dificuldades de liquidez; 3 Os produtos da sociedade investida devem sair do mercado em funo de superao tecnolgica ou em face de forte concorrncia e da incapacidade de competio com os produtos rivais; e 4 A sociedade investida pediu concordata ou teve sua falncia decretada.

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interessante o leitor atentar-se ao fato de que os investimentos em sociedades coligadas e controladas, cuja venda por parte da investidora, em futuro prximo, tenha efetiva e clara evidncia de realizao, continuaro sendo avaliados pelo mtodo da equivalncia patrimonial at a data-base considerada para a venda. Vejam que no h razo para no avaliar os investimentos pelo MEP enquanto a transao de alienao no estiver concluda, visto que, em conformidade com os princpios de contabilidade, os registros contbeis devem ser fundamentados em fatos e no apenas em intenes que no sejam evidncias de realizao. Visto que os investimentos em controladas devem ser, sempre, avaliados pelo MEP, a reduo do valor contbil destes investimentos no lhes tira aquela condio, no havendo a necessidade de analis-los sob esta tica. Entretanto, o investimento em sociedade coligada que, por reduo do valor contbil do investimento, deixar de ser relevante, continuar sendo avaliado pela equivalncia patrimonial, caso essa reduo no seja considerada de carter permanente. Nesse caso, os reflexos do fato devem ser evidenciados, segregadamente, em nota explicativa. Contudo, quando a reduo assumir o carter de permanente e, se com isto, o investimento deixar de ser relevante, configurando-se a descontinuidade do mesmo, os saldos das reservas de reavaliao constitudas pela investidora devero ser revertidos em contrapartida ao respectivo valor contbil do investimento, pois, neste caso, o investimento passar a ser avaliado pelo Mtodo do Custo de Aquisio e, por este mtodo de avaliao, no reconhecemos, na sociedade investidora, os efeitos decorrentes da reavaliao de ativos na sociedade coligada. Percebe-se que com este procedimento reduzimos o valor contbil do investimento e tambm o valor do Patrimnio Lquido da investidora. Vejamos o que dispe a Instruo CVM n 247 a esse respeito: Art. 6 - Dever deixar de ser avaliado pelo mtodo da equivalncia patrimonial, sem prejuzo do disposto no artigo 12, o investimento em sociedades coligadas e controladas com efetiva e clara evidncia de perda de continuidade de suas operaes ou no caso em que estas estejam operando sob severas restries a longo prazo que prejudiquem significativamente a sua capacidade de transferir recursos para a investidora. Art. 7 - O investimento em sociedade coligada e controlada cuja venda por parte da investidora, em futuro prximo, tenha efetiva e clara evidncia de realizao, continuar sendo avaliado pelo mtodo da equivalncia patrimonial at a data-base considerada para a venda. Art. 8 - O investimento em coligada que, por reduo do valor contbil do investimento, deixar de ser relevante, continuar sendo avaliado pela equivalncia patrimonial, caso essa reduo no seja considerada de carter permanente, devendo todos os seus reflexos ser evidenciados, segregadamente, em nota explicativa. Pargrafo nico - Na hiptese de descontinuidade do investimento, principalmente aquelas previstas nos artigos 6 e 7, os saldos das reservas de reavaliao constitudas pela investidora devero ser revertidos em contrapartida ao respectivo valor contbil do investimento.

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7.7 DOS PROCEDIMENTOS DE AVALIAO DE INVESTIMENTOS PELO MTODO DA EQUIVALNCIA PATRIMONIAL O valor do investimento avaliado pelo mtodo da equivalncia patrimonial ser obtido pela aplicao da porcentagem de participao no capital social sobre o patrimnio lquido da controlada, coligada e equiparada. Salienta-se que devem ser eliminados os lucros no realizados, entendidos como no realizados os lucros decorrentes de negcios com a investidora ou com outras coligadas e controladas que estejam includos no resultado da sociedade investida. Esses lucros devem ser eliminados lquidos dos efeitos fiscais. Por outro lado, o prejuzo decorrente de tais transaes no deve ser eliminado. Para os efeitos de avaliao de investimentos pelo MEP, consideram-se no realizados os lucros decorrentes de negcios com a investidora ou com outras coligadas e controladas, quando o lucro estiver includo no resultado de uma coligada e controlada e correspondido por incluso no custo de aquisio de ativos de qualquer natureza no balano patrimonial da investidora ou de outras coligadas e controladas. Os prejuzos decorrentes de transaes com a investidora, coligadas e controladas no devem ser eliminados no clculo da equivalncia patrimonial. J os lucros e os prejuzos, assim como as receitas e as despesas decorrentes de negcios que tenham gerado, simultnea e integralmente, efeitos opostos nas contas de resultado das coligadas e controladas, no sero excludos para fins de clculo do valor do investimento, pois j possuem os seus efeitos compensados entre as sociedades investidas. Art. 9 - O valor do investimento, pelo mtodo da equivalncia patrimonial, ser obtido mediante o seguinte clculo: I - Aplicando-se a percentagem de participao no capital social sobre o valor do patrimnio lquido da coligada e da controlada; e II - Subtraindo-se, do montante referido no inciso I, os lucros no realizados, conforme definido no 1 deste artigo, lquidos dos efeitos fiscais. 1 - Para os efeitos do inciso II deste artigo, sero considerados lucros no realizados aqueles decorrentes de negcios com a investidora ou com outras coligadas e controladas, quando: a) - o lucro estiver includo no resultado de uma coligada e controlada e correspondido por incluso no custo de aquisio de ativos de qualquer natureza no balano patrimonial da investidora; ou b) - o lucro estiver includo no resultado de uma coligada e controlada e correspondido por incluso no custo de aquisio de ativos de qualquer natureza no balano patrimonial de outras coligadas e controladas. 2 - Os prejuzos decorrentes de transaes com a investidora, coligadas e controladas no devem ser eliminados no clculo da equivalncia patrimonial. 3 - Os lucros e os prejuzos, assim como as receitas e as despesas decorrentes de negcios que tenham gerado, simultnea e integralmente, efeitos opostos nas contas de resultado das coligadas e controladas, no sero excludos para fins de clculo do valor do investimento.

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Art. 10 - Para os efeitos do disposto no artigo 9, o patrimnio lquido da coligada e controlada dever ser determinado com base nas demonstraes contbeis levantadas na mesma data das demonstraes contbeis da investidora. 1 - Na impossibilidade de cumprimento ao disposto no caput deste artigo, admite-se a utilizao de demonstraes contbeis da coligada e controlada em um perodo mximo de defasagem de at 60 (sessenta) dias antes da data das demonstraes contbeis da investidora. 2 - O perodo de abrangncia das demonstraes contbeis da coligada e controlada dever ser idntico ao da investidora, independentemente das respectivas datas de encerramento. 3 - Admite-se a utilizao de perodos no idnticos, nos casos em que este fato representar melhoria na qualidade da informao produzida, sendo a mudana evidenciada em nota explicativa. Art. 11 - Para a determinao do valor da equivalncia patrimonial, a investidora dever: I - Eliminar os efeitos decorrentes da diversidade de critrios contbeis, em especial, referindo-se a investimentos no exterior; II - Excluir o montante correspondente s participaes recprocas; III - Reconhecer os efeitos decorrentes de eventos relevantes ocorridos no perodo intermedirio, no caso de demonstraes contbeis levantadas em datas diversas; e IV - Reconhecer os efeitos decorrentes de classes de aes com direito preferencial de dividendo fixo, dividendo cumulativo e com diferenciao na participao de lucros. 7.7.1 MOMENTO DO LEVANTAMENTO DAS DEMONSTRAES O art. 10 da Instruo CVM n 247/96 nos revela que, para fins de equivalncia patrimonial, o perodo de abrangncia das demonstraes contbeis da investida deve ser idntico ao da investidora. Admite-se, no entanto, a utilizao de perodos no idnticos, desde que possibilite a apresentao de informaes de melhor qualidade. Enfatiza-se, entretanto, que a defasagem entre a elaborao das demonstraes da sociedade investida e a apurao ou elaborao das demonstraes da sociedade investidora no pode ser superior a 60 (sessenta) dias, sendo que a sociedade investida h de elaborar seus demonstrativos antes da sociedade investidora. Quando os perodos de elaborao das demonstraes no forem idnticos, como no caso de adotar o prazo de at 60 dias de diferena, o fato deve ser evidenciado em nota explicativa.

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EXERCCIOS PROPOSTOS01) (AFTN-96-Esaf) Quando a Participao Societria for relevante, o efeito gerado por prejuzos apurados na investida deve ser registrado pela empresa controladora da seguinte forma: a) Lucros / Prejuzos Acumulados a Participaes Societrias b) Participaes Societrias a Lucros / Prejuzos Acumulados c) Lucros / Prejuzos Acumulados a Participao nos Resultados de Coligadas e Controladas d) Participao nos Resultados de Coligadas e Controladas a Lucros / Prejuzos Acumulados e) Participao nos Resultados de Coligadas e Controladas a Participaes Societrias 02) (AFTN-96-Esaf) Nas participaes Societrias relevantes, os dividendos pagos pelas investidas so tratados como: a) Receitas no operacionais b) Resultados de exerccios futuros c) Receitas operacionais do perodo d) Reduo do valor dos investimentos e) Resultado positivo de equivalncia Em 31.12.1994 os balancetes finais das Cias. PAR e SERGIPE eram os seguintes : CIA. PAR CIA. SERGIPE Contas Saldos Saldos Ajustados Ajustados Ativo Circulante 12.000 5.000 Ativo Realizvel a Longo Prazo 18.000 --Ativo Permanente Investimentos 30.000 --Imobilizado Lquido 110.000 49.000 Passivo Circulante 25.000 15.000 Passivo Exigvel a Longo Prazo 15.000 5.000 Patrimnio Lquido: Capital 80.000 50.000 Reservas 10.000 1.000 Lucros/Prejuzos Acumulados 20.000 (14.000) Despesas Operacionais 60.000 45.000 Receitas Operacionais 80.000 42.000 Outras informaes: Ipara apurao dos resultados de 1994, das empresas, falta apenas a avaliao dos Investimentos Permanentes. II - a Cia PAR detinha 60% do capital da Cia. SERGIPE e constitua-se na nica participao societria da empresa . III - a inflao no perodo foi ZERO IV - at o exerccio contbil de 1993 os investimentos no eram avaliados pela equivalncia patrimonial Com base nas informaes anteriores, identifique a resposta correta para as questes de nmeros 03 a 05.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 04 AVALIAO DE INVESTIMENTOS -IIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia 03) (AFTN-96-Esaf) Aplicando o mtodo da equivalncia patrimonial, o valor correto dos Investimentos Permanentes na Cia PAR seria: a) $ 30.000 b) $ 20.400 c) $ 9.600 d) $ 22.000 e) $ 1.800 04) (AFTN-96-Esaf) O resultado apurado na aplicao da equivalncia patrimonial deveria ser lanado pela Cia. PAR como: a) Lucros/ Prejuzos Acumulados - Ajustes de Exerccios Anteriores 7.800 Outras Despesas Operacionais - Lucros e Prejuzos de Participaes em outras Companhias 1.800 a Investimentos 9.600 b) Proviso para Perdas com Investimentos Permanentes 9.600 a receitas no Operacionais - Ganhos c/ Investimentos 7.800 a Investimentos 1.800 c) Lucros / Prejuzos Acumulados - Ajustes de Exerccios Anteriores 1.800 Outras Despesas Operacionais - Lucros e Prejuzos de Participaes em outras Companhias 7.800 a Investimentos 9.600 d) Ganhos / Perdas com Alienao de Investimentos 7.800 Despesas no-operacionais - Lucros e Prejuzos de Participaes em outras Companhias 1.800 a Investimentos 9.600 e) Investimentos 1.800 Despesas no-operacionais - Lucros e Prejuzos de Participaes em outras Companhias 7.800 a Ganhos e Perdas c/ Investimentos 9.600 05) (AFTN-96-Esaf) Considerando o valor apurado na equivalncia patrimonial, o Resultado do Exerccio de 19x4 da Cia. PAR : a) $.24.200 b) $.10.400 c) $.12.200 d) $.22.200 e) $.18.200 06) (AFTN-98-Esaf) Na determinao da equivalncia patrimonial, os lucros no realizados, referentes a negcios entre coligada ou controlada com a investidora, devero ser (com adaptaes). a) includos no PL da investida b) includos no PL da investida e investidora c) excludos aps a aplicao do percentual de participao no capital social sobre o PL da investida d) includos no Ativo da investida e) excludos do Passivo da investidora 07) (AFTN-98-Esaf) A Cia. Continental uma empresa de capital aberto com investimentos em 4 outras empresas, sendo o valor contbil de seus investimentos, em 31.12.19x7, o seguinte: Na Cia. A R$ 50.000 - representa 8% do capital da empresa "A"; Na Cia. B R$ 100.000 - representa 15% do capital da empresa "B"; Na Cia. C R$ 150.000 - representa 25% do capital da empresa "C"; Na Cia. D R$ 500.000 - representa 40% do capital da empresa "D".

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 04 AVALIAO DE INVESTIMENTOS -IIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia O Patrimnio Lquido da Cia. Continental na mesma data R$ 5.000.000. As Participaes Societrias que devero ser avaliadas pelo mtodo da equivalncia patrimonial so as das Cias: a) C, D b) B, C, D c) A, B, C d) A, C, D e) A, B, C, D 08) (AFTN-98-Esaf) Na aquisio de Participao Societria relevante, o custo de aquisio deve ser registrado, desdobradamente, em valor a) pago dentro do exerccio e a pagar no exerccio seguinte b) conta de Ativo e de Patrimnio Lquido c) de Participao Societria e de gio ou desgio na aquisio d) de mercado do investimento e de realizao futura e) de lucros esperados e perdas no-recuperveis 09) (ESAF/98-Esaf) A empresa Dona S/A possui capital social formado por 2 milhes de aes. Ns, a empresa Scia S/A, possumos 30% desse capital e avaliamos o nosso investimento pelo mtodo da Equivalncia Patrimonial. No fim do exerccio social a empresa Dona S/A, tendo apurado lucro lquido de R$ 300.000,00, resolveu contabilizar a distribuio de dividendos calculados em 40% deste lucro. O nosso Contador, ao ser comunicado deste fato, promoveu o seguinte lanamento no Dirio da empresa Scia S/A, para registrar o dividendo a ela distribudo: a) Equivalncia Patrimonial a Investimentos Permanentes a Aes da Empresa Dona S/A Pelo valor que nos cabe como acionista R$ 90.000,00 b) Dividendos a Receber a Receitas de Dividendos Pelo valor que nos cabe como acionista R$ 36.000,00 c) Investimentos Permanentes / Aes da Empresa Dona S/A a Receita da Equivalncia Patrimonial Pelo valor que nos cabe como acionista R$ 90.000,00 d) Dividendos a Receber a Receitas de Dividendos Pelo valor que nos cabe como acionista R$ 90.000,00 e) Dividendos a Receber a Investimentos Permanentes a Aes da Empresa Dona S/A Pelo valor que nos cabe como acionista R$ 36.000,00 10) (AFTN-98-Esaf) Quando uma sociedade coligada ou controlada proceder reavaliao, a investidora, que avalia esse investimento pelo mtodo da equivalncia patrimonial, dever efetuar o seguinte lanamento contbil: a) Dbito de Ativo Permanente e crdito de Lucros e Perdas b) Crdito de Ativo Permanente e dbito de Lucros e Perdas c) Dbito de Ativo Permanente e crdito de Patrimnio Lquido d) Dbito de Ativo Permanente e crdito de Exigvel a Longo Prazo e) Dbito de Ativo Permanente e crdito de Resultado de Exerccios Futuros 11) (TCU-2000-Esaf) A empresa Cia. Aos Especiais investiu R$ 200.000,00 em aes da empresa S.A. Armamentos Gerais e contabilizou o investimento em Aes de Coligadas, constituindo uma participao acionria de 30%, a ser avaliada pelo mtodo da equivalncia patrimonial.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 04 AVALIAO DE INVESTIMENTOS -IIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia No fim do exerccio de 1999 a S.A. Armamentos Gerais contabilizou um lucro lquido anual de R$ 20.000,00 e destinou 25% desse lucro para dividendos na forma do lanamento abaixo: Lucros (ou Prejuzos) Acumulados a Dividendos a Pagar Valor que ora se distribui aos acionistas ............R$ 5.000,00. Ao receber a comunicao sobre os dividendos propostos e contabilizados na forma acima, o Contador da empresa investidora, Cia. Aos Especiais, dever promover o seguinte lanamento: a) Dividendos a Receber a Receitas de Dividendos R$ 1.500,00 b) Aes de Coligadas a Receitas de Dividendos R$ 1.500,00 c) Dividendos a Receber a Aes de Coligadas R$ 1.500,00 d) Dividendos a Receber a Receitas de Dividendos R$ 5.000,00 e) Aes de Coligadas a Receitas de Dividendos R$ 6.000,00 12) (AFRF-2001-Esaf) De acordo com a Instruo CVM 247/96, para determinao do clculo do valor do Investimento e o respectivo clculo da equivalncia patrimonial no so excludos a) os prejuzos decorrentes de transaes com a investidora, coligadas e controladas b) os resultados obtidos em transaes realizadas com controladas indiretas e coligadas equiparadas c) todos os resultados apurados em venda de imobilizados e transferncia de realizveis ocorrida entre controladas, coligadas e a investidora d) os lucros apurados em operaes de venda de Imobilizados das empresas coligadas efetivas para a investidora e) quaisquer resultados obtidos em transaes efetuadas entre investidora, coligadas e controladas 13) (AFRF-2001-Esaf) De acordo com a Instruo 247/96 da CVM, so consideradas participaes societrias equiparadas s coligadas quando uma sociedade participa da outra a) com 5% ou mais do capital votante e mais de 20% do Exigvel a Longo Prazo sem, entretanto, ocorrer dependncia financeira b) com 5% do capital votante sem, entretanto, control-la, independentemente da participao total do capital da investida c) com 10% ou mais do capital total da investida sem, entretanto, control-la, independentemente da participao total no Exigvel da investida d) com 10% ou mais do capital votante exercendo o controle econmico e administrativo, independentemente da participao total do capital da investida e) com 10% ou mais do capital votante sem, entretanto, control-la, independentemente da participao total do capital da investida 14) (AFRF-2001-Esaf) O mtodo da Equivalncia Patrimonial reconhece, na investidora, as alteraes ocorridas nas empresas investidas quando estas afetarem: a) O Ativo Circulante das Controladas e Coligadas. b) O Ativo Permanente das empresas Controladas. c) Os ativos no circulantes das companhias Investidas.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 04 AVALIAO DE INVESTIMENTOS -IIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia d) O Patrimnio Lquido das empresas Investidas. e) O Passivo Exigvel de Longo Prazo das Investidas. 15) (AFRF-2001-Esaf) De acordo com a Lei das S/A. no 6.404/76, Art. 247, considera-se relevante o investimento: a) Em cada sociedade coligada ou controlada, se o valor contbil igual a 5% do valor do patrimnio lquido da companhia investidora. b) No conjunto das sociedades coligadas e controladas, se o valor corrente igual ou superior a 20% do valor do patrimnio lquido da companhia investidora. c) Em cada sociedade coligada ou controlada, se o valor contbil igual ou superior a 10% do valor do patrimnio lquido da companhia investidora. d) No conjunto das sociedades coligadas e controladas, se o valor de mercado igual ou superior a 25% do valor do patrimnio lquido da companhia investidora. e) Em cada sociedade coligada ou controlada, se o valor de realizao igual ou superior a 15% do valor do patrimnio lquido da companhia investidora. 16) (AFRF-2001-Esaf) Em um investimento avaliado pelo mtodo da equivalncia patrimonial, a constituio da Reserva de Reavaliao de Ativo Imobilizado na investida origina o seguinte lanamento na investidora: a) Dbito de Ativo Permanente - Investimentos, subgrupo Reserva de Reavaliao de Coligadas e Controladas e crdito de Resultado do Exerccio, subgrupo Resultado Apurado na Equivalncia Patrimonial. b) Dbito do Patrimnio Lquido subgrupo Reserva de Reavaliao de Coligadas e Controladas e crdito do Ativo Permanente subgrupo Reserva de Reavaliao de Coligadas e Controladas. c) Dbito de Resultado do Exerccio subgrupo Resultado da Equivalncia Patrimonial e crdito de Ativo Permanente subgrupo Investimentos Avaliados pela Equivalncia Patrimonial. d) Dbito de Ativo Permanente Imobilizado e crdito do Patrimnio Lquido subgrupo Reserva de Reavaliao de Coligadas e Controladas. e) Dbito de Ativo Permanente - Investimentos subgrupo Investimentos Avaliados pela Equivalncia Patrimonial e crdito no Patrimnio Lquido subgrupo Reserva de Reavaliao de Coligadas e Controladas. Dados para a resoluo das questes de nmero 17 e 18. A Cia. XAVANTE, detentora de 60% do capital ordinrio da Cia. CARIRI, ao final do exerccio contbil de 1999, evidencia em seu Balano Patrimonial o valor de 900.000 reais para este investimento societrio. Por ocasio do encerramento do exerccio de 2000, a contabilidade da investida forneceu os valores a seguir para os itens: Itens identificados na Contabilidade da Investida: Patrimnio Lquido Ajustado R$ 2.150.000,00 Vendas de Estoques para a Investidora R$ 2.500.000,00 Margem de Lucro das Vendas 20% intercompanhias 17) (AFRF-2002-Esaf) Se ao final do exerccio de 2000 restassem, na Cia. Xavante, R$ 500.000,00 dos estoques adquiridos da Cia. Cariri e o valor contbil da participao societria registrada na mesma data fosse R$ 900.000,00, de acordo com a Instruo CVM 247/96, o valor a ser registrado pela investidora como resultado de equivalncia patrimonial seria uma:

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 04 AVALIAO DE INVESTIMENTOS -IIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia a) despesa de R$ 390.000,00 b) despesa de R$ 330.000,00 c) receita de R$ 330.000,00 d) despesa de R$ 290.000,00 e) receita de R$ 290.000,00 18) (AFRF-2002-Esaf) Se o estoque adquirido pela investidora tivesse sido repassado integralmente a terceiros, o valor ao final dessa participao seria: a) R$ 1.190.000,00 b) R$ 1.230.000,00 c) R$ 1.290.000,00 d) R$ 1.309.000,00 e) R$ 1.390.000,00 19) (AFRF-2002-Esaf) A empresa Juru S/A, controladora do Grupo Solimes, evidencia, em um determinado perodo, os valores de 140 milhes como Participaes Societrias e 250 milhes como total de Patrimnio Lquido. No mesmo perodo, essa empresa possui 5% do capital preferencial da Cia. Rio Negro, que de 90.000. Com base nas informaes anteriores, identifique o procedimento contbil correto a ser aplicado nessas circunstncias. a) os dividendos, quando pagos pela investida, devem ser registrados como receita. b) as alteraes ocorridas no Patrimnio Lquido da investida so simultaneamente reconhecidas na investidora. c) a empresa investida reconhecida como equiparada empresa Coligada no processo de Consolidao. d) na distribuio dos lucros da investida, os dividendos provisionados representam ingressos de Disponibilidades. e) na avaliao dessa participao societria, aplica-se a equivalncia patrimonial. 20) (AFRF-2002-2-Esaf) Um investimento considerado relevante quando: a) o valor inscrito na conta de participao societria de cada coligada e controlada, considerado em seu conjunto, no exceder a 5% do Patrimnio Lquido da investidora. b) o valor contbil dos investimentos em controladas e coligadas considerados em seu conjunto for igual ou superior a 15% do Patrimnio Lquido da investidora. c) o valor inscrito em investimento permanente em cada uma das empresas coligadas for igual ou inferior a 5% do Patrimnio Lquido da investidora. d) o custo de aquisio do investimento nas coligadas for igual ou inferior a 5% do patrimnio lquido da investidora e igual a 8% do Patrimnio Lquido da investida. e) o valor pago na aquisio do investimento em coligadas for igual ou inferior a 5% do patrimnio lquido da investidora e igual a 8% do Patrimnio Lquido da investida.

Utilizando as informaes contidas no quadro de composio acionria das companhias, responder s questes de n 21 e 22. (Quadro de composio Acionria - quantidade de aes) Investidores Empresas Total de Cia. Cia. Outro(s) Investidas Aes Itarar Itacolomi Acionista(s) Cia. Itajub 80.000 90.000 30.000 200.000 Cia. Itaipu 195.000 90.000 15.000 300.000 Cia. Itamarac 40.000 ..... 10.000 50.000 Cia. Itacolomi 120.000 ..... 30.000 150.000 21) (AFRF-2002-2-Esaf) Em dezembro de 2000 a Cia. Itamarac distribui dividendos a seus

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 04 AVALIAO DE INVESTIMENTOS -IIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia acionistas; esse procedimento gera um lanamento de: a) crdito na conta Lucros/Prejuzos Acumulados da Cia. Itamarac. b) crdito em conta do Ativo Permanente Investimentos da Cia. Itarar. c) dbito em conta do Ativo Circulante Disponibilidades da Cia. Itacolomi. d) dbito na conta de Participaes Societrias da Cia. Itamarac. e) reconhecimento de receita de dividendos na sua investidora. 22) (AFRF-2002-2-Esaf) Em junho de 2001 a Cia. Itacolomi efetua a reavaliao de seus Ativos Imobilizados; este fato gera: a) um ganho de capital a ser reconhecido e tributado, no resultado da empresa investida. b) a necessidade de um registro contbil de reduo do investimento societrio na Cia. Itarar. c) apenas a evidenciao em notas explicativas do fato no sendo necessrio nenhum registro contbil na empresa investidora. d) o reconhecimento proporcional Participao Societria de uma Reserva de Reavaliao na investidora. e) a formao de uma Reserva de Capital no valor correspondente ao valor da reavaliao efetuada. Com as instrues fornecidas a seguir, responder s questes de ns 23 a 25. I. A Cia. Boa Vista, companhia atuante no mercado imobilirio, em 20.10.20x1 faz uma aplicao financeira em Ttulos e Valores Mobilirios de R$ 500.000, resgatvel em 180 dias pelo valor de R$ 590.000, com Imposto de Renda Retido na Fonte de 10%; II. O imposto retido compensvel com o Imposto de Renda devido sobre o lucro apurado no perodo fiscal; III. O perodo contbil da empresa, estabelecido em seu estatuto, abrange o intervalo de tempo entre 01.01 a 31.12 de cada ano. 23) (AFRF-2003) O valor a ser incorporado como custo de aquisio da operao a) R$ 590.000 b) R$ 536.000 c) R$ 534.000 d) R$ 530.000 e) R$ 500.000 24) (AFRF-2003) Se a empresa utilizar o critrio linear para apropriao dos rendimentos gerados por esta operao, correto afirmar que: a) o valor proporcional ao Imposto de Renda Retido na Fonte deve ser computado em conta corretiva do ativo. b) em 31.12.20x1 a empresa dever ter registrado como resultado do exerccio, em conta de Receitas Financeiras, 2/5 dos rendimentos contratados. c) os rendimentos contratados somente sero apropriados ao resultado da empresa na ocasio do vencimento da aplicao. d) a empresa dever registrar como Resultado de Exerccios Futuros o valor total dos rendimentos contratados na ocasio da contratao e efetivao da operao. e) a Demonstrao do Resultado do Exerccio encerrado em 31.12.20x1 dessa empresa dever ser afetado por receitas financeiras correspondentes a 19,01% dos rendimentos. 25) (AFRF-2003) Em 31.12.20x1 o valor de mercado dos ttulos que lastreiam essa aplicao temporria era de R$ 532.000 e as despesas de negociao e corretagem R$ 2.000. Em casos como este o procedimento contbil a ser efetivado seria: a) computar o rendimento efetivo de R$ 27.000, j deduzido do Imposto de Renda retido na fonte, registrando o valor apurado em conta do ativo.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 04 AVALIAO DE INVESTIMENTOS -IIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia b) debitar em conta de ativo o ajuste de R$ 32.000 correspondente ao valor de mercado dos ttulos a crdito de conta de receita financeira. c) evidenciar em notas explicativas o ganho efetivo de R$ 30.000 em funo do custo de oportunidade da empresa em relao a essa aplicao. d) efetuar o provisionamento de R$ 6.000 para atender o ajuste ao valor de mercado, forma de avaliao aplicada a este tipo de ativo. e) registrar o ganho de R$ 4.000 resultantes da comparao entre o valor pago na data do balano e o valor contbil da aplicao. Para responder s questes de ns 26 e 27 considere a situao descrita a seguir. A Cia. Boreal, empresa agrcola atuante nesse mercado h 22 anos, no incio de 1997 participa como acionista na constituio da Cia. Beneficiadora de Cereais, cujo capital social totalmente integralizado e formado por 1.200.000 aes distribudas, de acordo com os limites legais, em aes ordinrias e preferenciais com valores nominais de R$10,00 cada uma. No incio de 2003 a diretoria da Cia. Boreal, obedecendo a seu planejamento estratgico para expanso, decide fazer uma proposta de aquisio para o controle acionrio da Cia. Transportadora Carga Pesada que, no momento, passa por problemas de gesto, apesar de ter sido constituda em janeiro de 2002, dentro dos limites mximos de classes de aes permitidos pela legislao da poca. Com capital social representado por 900.000 aes ordinrias e preferenciais com valor unitrio de R$10,00/ao, seus acionistas esto dispostos a negociar a venda do controle acionrio pelo valor nominal das aes desde que essa operao seja realizada a vista. 26) (AFRF-2003) Com base nas informaes acima, indique o valor mnimo que a Cia. Boreal deveria pagar para tornar-se a controladora da empresa transportadora. a) R$ 4.500.000 b) R$ 3.000.010 c) R$ 3.000.000 d) R$ 2.250.010 e) R$ 1.500.000 27) (AFRF-2003) Para possuir a preponderncia nas deliberaes sociais de modo permanente e com segurana na Cia. Beneficiadora de Cereais, a Cia. Boreal deve possuir pelo menos: a) 50% do capital total da investida. b) 40% das aes totais da investida. c) 33,3% do patrimnio lquido da investida. d) 25% das aes ordinrias da investida. e) 16,7% do capital votante da investida. 28) (AFRF-2003) Indique a opo que no corresponde a procedimentos exigidos pela Instruo CVM 247/96 para a determinao da base de clculo da equivalncia patrimonial. a) O resultado positivo includo no lucro apurado de companhia investidora que corresponda incluso no custo de aquisio de ativos imobilizados no balano patrimonial da controlada. b) O resultado positivo includo no lucro apurado de companhia controlada que corresponda incluso no custo de aquisio de estoques de matrias-primas no balano patrimonial da investidora. c) O lucro no realizado includo no lucro apurado de companhia controlada que corresponda incluso no custo de aquisio de bens no de uso no balano patrimonial de outra empresa coligada. d) O resultado positivo includo no lucro apurado de companhia controlada que corresponda incluso no custo de aquisio de ativos imobilizados no balano patrimonial da investidora. e) O resultado positivo includo no lucro apurado de companhia controlada que corresponda incluso no custo de aquisio de ativos imobilizados no balano patrimonial de outra controlada.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 04 AVALIAO DE INVESTIMENTOS -IIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia 29) (AFRF-2003) Entre as afirmativas a seguir, indicar aquela que faz parte dos procedimentos efetuados pela investidora para a determinao do valor da equivalncia patrimonial. a) Reconhecer os efeitos decorrentes de classe de aes com direito preferencial ou no de dividendo fixo, dividendo cumulativo e com diferenciao na participao de lucros. b) Reconhecer os efeitos decorrentes de classe de aes com direito preferencial de dividendo fixo, dividendo cumulativo e com diferenciao na participao de lucros. c) Eliminar os efeitos decorrentes da diversidade de critrios contbeis, excetuando, quando se referir a investimento no exterior. d) Verificar os efeitos decorrentes de eventos no relevantes ocorridos no caso das demonstraes contbeis de mesma data e efeitos postecipados. e) Admitir a excluso do montante correspondente s participaes recprocas quando estas apresentarem carter eventual e irrelevncia. 30) (AFRF-2003) A diferena verificada, ao final do perodo, entre o valor da participao societria relevante de companhia aberta e o resultante da aplicao do percentual de sua participao no patrimnio lquido da empresa investida, registrado como item do resultado operacional quando corresponder: a) a eventos que provoquem diminuio do percentual de participao no capital da investida se esta for uma coligada. b) a aumento no patrimnio lquido da empresa coligada decorrente da reavaliao de seus ativos. c) a eventos resultantes de aumentos do percentual de participao no capital social da empresa controlada. d) a variao cambial de investimento em coligada ou controlada e controlada no exterior. e) a diminuies do patrimnio lquido de coligadas provocadas por reavaliaes de ativos.

GABARITOS 01 E 06 C 11 C 16 E 21 B 26 - D 02 D 07 A 12 A 17 E 22 D 27 - E 03 B 08 C 13 E 18 C 23 - E 28 - A 04 A 09 E 14 D 19 A 24 - B 29 - B 05 E 10 C 15 C 20 B 25 - D 30 - D

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Aula 05Agora para concluir o assunto! Para isto, no poderia ser diferente. Temos ainda os aspectos mais complicados sobre a avaliao de investimentos (tratamento do gio e desgio e investimentos no exterior). Ao final da aula transcrevemos a ntegra da Instruo CVM 248/96, que trata da Avaliao de Investimentos e da Consolidao das demonstraes financeiras. No acreditamos que a consolidao seja cobrada, mas sempre interessante a sua leitura para que no haja surpresa!

AVALIAO DE INVESTIMENTOS PARTE III7.8 TRATAMENTO CONTBIL E LEGAL DO GIO E DESGIO gio, na avaliao de investimentos pelo mtodo da equivalncia patrimonial, representa a diferena a maior entre o valor que a investidora pagou pelo investimento e o valor patrimonial das aes da investida. Portanto, ocorre o pagamento do gio quando aes so adquiridas por valor superior ao valor patrimonial. O desgio representa situao inversa, isto , quando o valor das aes adquiridas for menor que o seu valor patrimonial. Valor patrimonial das aes equivale ao valor do patrimnio lquido da investina dividido pelo nmero de aes do capital social. Salienta-se que no estamos tratando do mesmo gio que constitui reserva de capital na sociedade emissora de aes, pois aquele gio em decorrncia da diferena do valor realizado com a colocao de aes e o valor nominal dessas aes. No lanamento do investimento avaliado pelo mtodo da equivalncia patrimonial, o custo de aquisio dever ser seccionado em investimento, propriamente dito, avaliado pelo Patrimnio Lquido da investida e, se for o caso, no valor do gio ou desgio, que no integram o valor do investimento. Enfatizamos que na avaliao de investimentos pelo Mtodo do Custo de Aquisio o gio pago na aquisio do investimento compe o valor do investimento, isto , ele incorporado ao valor do investimento e lanado em conta nica de custo de aquisio!!! Exemplo: Suponha que a CIA Tubaro S.A. adquiriu as seguintes participaes societrias: Capital Patrimnio Lquido Aquisio Percentual Valor Patrimonial Custo de Aquisio gio (Desgio) Cia Tucunar 20.000 aes R$ 100.000,00 10.000 aes 50% R$ 50.000,00 R$ 55.000,00 R$ 5.000,00 Cia Tambaqui 100.000 aes R$ 200.000,00 20.000 aes 20% R$ 40.000,00 R$ 38.000,00 (R$ 2.000,00)

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Os lanamentos contbeis no Livro Razo da Cia Tubaro S.A. seriam os seguintes: AES DA CIA TUCUNAR 50.000,00 AES DA CIA TAMBAQUI 40.000,00 CAIXA/BANCOS 55.000,00 38.000,00 DESGIO 2.000,00

GIO 5.000,00

Dessa forma, no Balano Patrimonial da Cia Tubaro S.A., o registro de participaes permanentes em outras sociedades, avaliados pelo mtodo da equivalncia patrimonial, deve apresentar-se como segue: ATIVO ... PERMANENTE INVESTIMENTOS - PARTICIPAES SOCIETRIAS PERMANENTES Avaliados pelo mtodo da equivalncia patrimonial Aes da Cia Tucunar R$ 50.000,00 gio nas aes da Cia Tucunar R$ 5.000,00 Aes da Cia Tambaqui R$ 40.000,00 (-) Desgio nas aes da Cia Tambaqui ( R$ 2.000,00) Salientamos que o desgio conta retificadora do ativo e deve estar registrado logo abaixo do investimento a que estiver retificando, no podendo ser compensado com o gio pago em outro investimento. Um fato a ser ressaltado que, at pouco tempo atrs, se imaginava que o gio ou o desgio s poderiam ocorrer em transaes diretas entre empresas. Hoje, entretanto, j existe o entendimento, inclusive da CVM, de que o gio ou o desgio podem tambm surgir em decorrncia de uma subscrio de capital, quer na constituio de empresa nova, quer no aumento do capital social. 7.8.1 RAZES DO GIO E DO DESGIO Destaca-se, inicialmente, que o gio ou o desgio no podem ser constitudos, exclusivamente, pela vontade do investidor ou do vendedor da participao societria. O seu cmputo, na ocasio da aquisio ou subscrio do investimento, dever ser contabilizado com indicao do fundamento econmico que o determinou. Constituem fundamentos econmicos para computar o gio ou o desgio, os seguintes fatos: 1 Diferena entre o valor de mercado (valor econmico) de parte ou de todos os bens do ativo da coligada e controlada e o respectivo valor contbil; 2 - Expectativa de resultado futuro; e

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3 - gio decorrente da aquisio do direito de explorao, concesso ou permisso delegadas pelo Poder Pblico. Assim, extremamente relevante que as razes do gio ou desgio estejam expressas nos registros da investidora, pois a amortizao ou realizao futura se dar com fundamento em tais razes. Analisando as razes que podem suscitar a ocorrncia de gio ou desgio na aquisio de investimentos em participao societria, avaliado pelo Mtodo da Equivalncia Patrimonial, chega-se as seguintes concluses a respeito das mesmas: a) Por diferena de valor de mercado dos bens: Nessa hiptese, o valor do Patrimnio Lquido da sociedade investida no contempla o valor de mercado dos bens, pois estes podem estar registrados com valores contbeis menores ou maiores do que o de mercado, gerando, respectivamente o gio ou o desgio por ocasio da aquisio da participao societria. b) Por valor de rentabilidade futura: Os investimentos realizados em sociedades que apresentam, historicamente, altos ndices de rentabilidade ou que tenham a expectativa de significativos rendimentos futuros, ensejam a figura do gio. Em ocorrendo o contrrio, a operao realizada com desgio. c) Decorrente da aquisio do direito de explorao, concesso ou permisso delegada pelo Poder Pblico: Nesta hiptese fica afastada a figura do desgio. A hiptese se constitui pelo fato de a sociedade investida possuir contrato em vigncia com o poder pblico, que no entanto no est representado no seu Patrimnio Lquido. Contratos dessa natureza garantem a sade financeira das empresas e conseqentemente suas aes ficam valorizadas. Ressalte-se ainda que, de acordo com normas da CVM, o gio sem fundamentao econmica deve ser reconhecido imediatamente como perda no resultado do exerccio, fazendo constar em nota explicativa as razes de sua existncia. 7.8.2 AMORTIZAO DO GIO E DO DESGIO Por expressa disposio da CVM, o valor do gio ou do desgio h de ser contabilizado separadamente do valor do investimento, com indicao obrigatria de sua origem (fundamento econmico). A amortizao do gio est atrelada causa que lhe deu origem. Assim, o gio ou desgio por diferena de valor de mercado dos bens s ser amortizado quando da realizao dos bens na investida. A realizao dos bens na sociedade investida, bem como em qualquer outra sociedade, ocorre por depreciao, amortizao ou exausto ou por baixa em decorrncia de alienao ou por perecimento dos bens ou do prprio investimento. Desta forma, ho de ser efetuados controles criteriosos na administrao do gio e do desgio, pois a realizao dos bens individualizada e o gio ou desgio somente podero ser amortizados com a ocorrncia do fundamento econmico que lhe deu causa. Assim, no h um prazo mximo para que se considere o gio/desgio realizado quando decorrente de valor econmico de ativo. J o gio ou desgio constitudos em funo de rentabilidade futura, ter seu valor amortizado levando em conta o lapso temporal em que tais rendas ou prejuzos seriam realizados ou incorridos. De regra se considera que a realizao ocorra no

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prazo mximo para amortizao do gio ou do desgio, que de 10 anos, conforme estabelecido na norma da CVM. O gio decorrente da aquisio do direito de explorao, concesso ou permisso delegadas pelo Poder Pblico, deve ser amortizado no prazo estimado ou contratado de utilizao, de vigncia ou de perda de substncia econmica, ou pela baixa por alienao ou perecimento do investimento. Quanto amortizao do gio ou desgio decorrente de qualquer outra causa, salienta-se que o gio deve ser reconhecido como perda no prprio exerccio em que ocorre, isto , no primeiro balano. J o desgio somente poder ser amortizado quando da baixa por alienao ou perecimento do investimento. Neste caso deve ser evidenciado, em notas explicativas, as razes de sua existncia. EXEMPLO 1: A Cia Sucuri efetuou investimento em participao societria na Cia Cascavel, cujo Patrimnio Lquido de R$ 2.300.000,00. A participao societria da Cia Sucuri de 30% do Patrimnio Lquido da Cia Cascavel, cujo investimento relevante para a investidora e a participao de 30% no Capital Social da investida lhe assegura influncia administrativa. A Cia Cascavel possua em seu ativo imobilizado um terreno com valor contbil de R$ 200.000,00, entretanto, por ocasio da operao de participao societria, o referido imvel foi avaliado, corretamente, pelo valor de mercado por R$ 300.000,00. A diferena entre o valor contbil e o valor de mercado gerou um custo adicional (gio) no investimento da Cia Sucuri no valor de R$ 30.000,00 (30% de R$ 100.000,00). O pertinente registro contbil pela aquisio de investimento em participao societria na Cia Sucuri o seguinte: ATIVO PERMANENTE PARTICIPAES SOCIETRIAS PERMANENTES Aes da Cia Cascavel R$ 690.000,00 gio nas aes da Cia Cascavel R$ 30.000,00 Algum tempo aps a aquisio do investimento pela Cia Sucuri, a Cia Cascavel realizou o bem (no caso de terreno a realizao ocorre no momento da alienao, visto que no passvel de depreciao). Com esse fato, o gio deve ser amortizado pelo seguinte lanamento contbil: Amortizao de gio a gio nas aes da Cia Cascavel R$ 30.000,00

Salienta-se que a conta Amortizao de gio representa uma despesa, no caso despesa operacional. EXEMPLO 2: Supondo que a Cia Flores investiu na Cia Rosas com aquisio de 10% do Capital votante desta, o que representa o valor de R$ 2.500.000,00. Este investimento se caracteriza relevante Cia Flores e lhe assegura o exerccio de influncia na administrao da Cia Rosas. Por ocasio da transao, a Cia Rosas possua em seu imobilizado uma mquina, cujo valor contbil era de R$ 68.000,00 e que foi avaliado, para fins de alienao, pelo valor de R$ 80.000,00. Desta forma, a Cia Flores pagou gio no valor de R$ 1.200,00 na aquisio do investimento (10% de R$ 12.000,00). No laudo de avaliao ficou estabelecido que a vida til remanescente da referida mquina era de 6 anos.

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Portanto, o gio ter de ser amortizado razo de R$ 200,00 por ano, em virtude de depreciao (realizao do gio), conforme demonstrado nos lanamentos a seguir. 1 PELA AQUISIO DO INVESTIMENTO: PARTICIPAES SOCIETRIAS PERMANENTES Aes da Cia Rosas R$ 2.500.000,00 gio nas aes da Cia Rosas R$ 1.200,00 2 PELA AMORTIZAO DO GIO NO FINAL DE CADA EXERCCIO: Amortizao de gio a gio nas aes da Cia Rosas R$ 200,00

Esse procedimento efetuado at que todo gio seja amortizado pela realizao do bem por depreciao, quando, ento, desaparece a conta do gio na sociedade investidora. EXEMPLO 3: A Cia Sucupira adquiriu investimento relevante da Cia Canjica, adquirindo 12% do Patrimnio Lquido desta. Esta participao assegura investidora o direito de eleger um membro do conselho de administrao da sociedade investida. A Cia Canjica possui em seu ativo permanente um investimento em terreno registrado contabilmente por R$ 100.000,00. Alguns anos aps a aquisio deste terreno pela Cia CAnjica, mas antes da alienao societria, o Estado construiu, em terreno contguo, um presdio de segurana mxima para albergar reclusos de alta periculosidade. Em face dessas circunstncias, o terreno foi avaliado, para fins de alienao, pelo valor de R$ 50.000,00. Desta forma, a Cia Sucupira obteve desgio de R$ 6.000,00 na aquisio de seu investimento. O valor patrimonial das aes adquiridas pela Cia Sucupira atinge o montante de R$ 700.000,00. Desta forma, os lanamentos pertinentes aquisio e a amortizao do desgio, por ocasio da efetiva alienao do referido terreno, na Cia Sucupira, so: 1 PELA AQUISIO DO INVESTIMENTO: PARTICIPAO SOCIETRIA PERMANENTE Aes da Cia Canjica R$ 700.000,00 (-) Desgio nas aes da Cia Canjica ( R$ 6.000,00) 2 PELA ALIENAO DO BEM NA INVESTIDA: Desgio nas aes da Cia Canjica a Amortizao de desgio R$ 6.000,00

Percebe-se que a conta Amortizao de Desgio conta de receita, classificada como outras receitas operacionais. Para reforar o assunto, salienta-se que a Instruo da CVM prev apenas trs tipos de gio e desgio com fundamento econmico: I) gio/desgio decorrente da diferena entre o valor de mercado dos bens e respectivo valor contbil; II) gio/desgio em funo de expectativa de resultado futuro; e III) gio decorrente da aquisio do direito de explorao, concesso ou permisso delegadas pelo Poder Pblico. Entende-se, ainda, que a existncia de gio por fundo de comrcio, intangveis etc., est diretamente relacionada expectativa de rentabilidade futura.

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Por outro lado, nos casos de gio ou desgio sem fundamentao econmica justificada, a CVM determina que o gio seja imediatamente reconhecido como perda no resultado do exerccio, enquanto que o desgio somente poder ser amortizado quando da baixa por alienao ou perecimento do investimento. Por fim, foi estabelecido, ainda, um prazo mximo de 10 (dez) anos para amortizao do gio/desgio decorrente de perspectiva de rentabilidade futura. J o gio decorrente da diferena entre o valor de mercado dos bens e respectivo valor contbil no possui prazo determinado para realizao ou amortizao, o que bastante plausvel, visto que se decorrer, por exemplo, da diferena de preo de um terreno, que no passvel de depreciao, o valor poder ser realizado aps longo prazo. J o gio decorrente da aquisio de investimento, cujo sociedade investida possua contrato de direito de explorao, concesso ou permisso delegadas pelo poder pblico devem ser amortizados no prazo previsto no referido contrato. Os saldos do gio ou do desgio que ainda no estiverem amortizados na elaborao do balano patrimonial devem ser apresentados no ativo permanente, em contas distintas, somados ao investimento em caso de gio e subtrados do investimento se se tratar de desgio. o que prev o art. 15 da Instruo CVM. Art. 13 - Para efeito de contabilizao, o custo de aquisio de investimento em coligada e controlada dever ser desdobrado e os valores resultantes desse desdobramento contabilizados em subcontas separadas: I - Equivalncia patrimonial baseada em demonstraes contbeis elaboradas nos termos do art. 10; e II - gio ou desgio na aquisio ou na subscrio, representado pela diferena para mais ou para menos, respectivamente, entre o custo de aquisio do investimento e a equivalncia patrimonial. Art. 14 - O gio ou desgio computado na ocasio da aquisio ou subscrio do investimento dever ser contabilizado com indicao do fundamento econmico que o determinou. 1 - O gio ou desgio decorrente da diferena entre o valor de mercado de parte ou de todos os bens do ativo da coligada e controlada e o respectivo valor contbil, dever ser amortizado na proporo em que o ativo for sendo realizado na coligada e controlada, por depreciao, amortizao, exausto ou baixa em decorrncia de alienao ou perecimento desses bens ou do investimento. 2 - O gio ou o desgio decorrente da diferena entre o valor pago na aquisio do investimento e o valor de mercado dos ativos e passivos da coligada ou controlada, referido no pargrafo anterior, dever ser amortizado da seguinte forma. (NR)* a) - o gio ou o desgio decorrente de expectativa de resultado futuro no prazo, extenso e proporo dos resultados projetados, ou pela baixa por alienao ou perecimento do investimento, devendo os resultados projetados serem objeto de verificao anual, a fim de que sejam revisados os critrios utilizados para amortizao ou registrada a baixa integral do gio; e b) - o gio decorrente da aquisio do direito de explorao, concesso ou permisso delegadas pelo Poder Pblico no prazo estimado ou contratado de utilizao, de vigncia ou de perda de substncia

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econmica, ou investimento.

pela

baixa

por

alienao

ou

perecimento

do

3 - O prazo mximo para amortizao do gio previsto na letra "a" do pargrafo anterior no poder exceder a dez anos;(NR)* 4 - Quando houver desgio no justificado pelos fundamentos econmicos previstos nos pargrafos 1 e 2, a sua amortizao somente poder ser contabilizada em caso de baixa por alienao ou perecimento do investimento. 5 - O gio no justificado pelos fundamentos econmicos, previstos nos pargrafos 1 e 2, deve ser reconhecido imediatamente como perda, no resultado do exerccio, esclarecendo-se em nota explicativa as razes da sua existncia. Art. 15 - Na elaborao do balano patrimonial da investidora, o saldo no amortizado do gio ou desgio deve ser apresentado no ativo permanente, adicionado ou reduzido, respectivamente, equivalncia patrimonial do investimento a que se referir. 7.9 - DA DIFERENA RESULTANTE DA AVALIAO BASEADA NO MTODO DA EQUIVALNCIA PATRIMONIAL Neste tpico trataremos, de forma definitiva, das destinaes dadas aos valores envolvendo a avaliao de investimentos pelo Mtodo da Equivalncia Patrimonial MEP. A diferena verificada, ao final de cada perodo, no valor do investimento em cada controlada e coligada, avaliado pelo MEP, dever ser apropriada, na sociedade investidora, como receita ou despesa operacional, quando corresponder a aumento ou diminuio do patrimnio lquido, em decorrncia da apurao de lucro lquido ou prejuzo no perodo ou que corresponder a ganhos ou perdas efetivos em decorrncia da existncia de reservas de capital ou de ajustes de exerccios anteriores, cujo lanamento ser o seguinte: Investimentos a Resultado positivo na equivalncia Patrimonial (outras receitas operacionais) Perceba que com o lanamento contbil acima estaremos aumentando o valor contbil do investimento na sociedade investidora. J o lanamento a seguir, que se refere ao reconhecimento de resultado negativo avaliado pela equivalncia patrimonial, causa reduo no valor do investimento! Resultado negativo na equivalncia Patrimonial (outras despesas operacionais) a Investimentos em controladas e coligadas Ressalte-se que, se o investimento sob avaliao estiver localizado no exterior, a diferena verificada no final de cada perodo decorrente da variao cambial dever ser registrada em variao cambial de investimento em coligada e controlada no exterior, que tambm constitui receita ou despesa operacional.

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Investimentos a Variaes cambiais ativas (Aumento de investimento no Exterior por variao cambial) ou Variaes cambiais passivas a Investimentos (pela reduo do investimento no exterior por variao cambial) O registro pertinente relativo a eventos que resultem na variao da porcentagem de participao no capital social da coligada e controlada devem possuir como contrapartida contas de receita ou despesa no operacional. Investimentos a Receitas no operacionais (aumento no valor do investimento decorrente da variao no percentual de participao) ou Despesas no operacionais (pela diminuio do percentual de participao societria) a Investimentos A amortizao do gio ter como contrapartida uma conta de despesa operacional, ao passo que a amortizao do desgio ter como contrapartida uma receita operacional. Amortizao de gio a gio em investimento (pelo reconhecimento da realizao das razes do gio na sociedade investida) Vejam que com este procedimento houve uma postergao do reconhecimento da despesa relativa ao valor pago a maior na aquisio do investimento. Desgio na aquisio de investimento a Amortizao do desgio (pela implementao das razes que suscitaram o desgio) Perceba que houve o implemento da condio que suscitou o desgio, ou seja, a Amortizao do desgio considerado uma receita operacional. O aumento do PL de controladas e coligadas, decorrente de reavaliao de ativos, ter de ser registrado na investidora como aumento do investimento em contrapartida de Reserva de Reavaliao, em conta especfica de reavaliao de ativos em sociedades controladas e coligadas. Na sociedade investida teremos o seguinte lanamento: D Conta do Imobilizado tangvel C Conta do PL Reserva de Reavaliao

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Na sociedade investidora, o lanamento dever estar devidamente segregado, isto , deve estar em conta especfica de Reserva de Reavaliao em controladas e coligadas, na proporo de sua participao no capital social daquela sociedade: D Investimento C Reserva de Reavaliao Reavaliao em controladas e coligadas

7.10 - PARTICIPAO RECPROCA O art. 244 da lei das S.As. veda a participao recproca entre a companhia e suas coligadas ou controladas. Desta forma, no pode a investida ser investidora na sociedade da qual coligada ou controlada. Entretanto, essa vedao apenas relativa, pois os 1 e 5, abrem excees. A primeira diz respeito a aquisio das prprias aes ( 1) e a outra, o caso de incorporao, fuso ou ciso. Portanto, em questes de prova aparecendo a afirmao de que a participao recproca sempre vedada, com certeza voc deve consider-la incorreta, visto que existem duas excees. O texto legal retrata o assunto do seguinte modo: Art. 244. vedada a participao recproca entre a companhia e suas coligadas ou controladas. 1 O disposto neste artigo no se aplica ao caso em que ao menos uma das sociedades participa de outra com observncia das condies em que a lei autoriza a aquisio das prprias aes (artigo 30, 1, alnea b). ... 5 A participao recproca, quando ocorrer em virtude de incorporao, fuso ou ciso, ou da aquisio, pela companhia, do controle de sociedade, dever ser mencionada nos relatrios e demonstraes financeiras de ambas as sociedades, e ser eliminada no prazo mximo de 1 (um) ano; no caso de coligadas, salvo acordo em contrrio, devero ser alienadas as aes ou quotas de aquisio mais recente ou, se da mesma data, que representem menor porcentagem do capital social. 6 A aquisio de aes ou quotas de que resulte participao recproca com violao ao disposto neste artigo importa responsabilidade civil solidria dos administradores da sociedade, equiparando-se, para efeitos penais, compra ilegal das prprias aes. J o art. 11 da Instruo CVM n 247/96, inciso II, reconhece a existncia de participaes recprocas: Art. 11 - Para a determinao do valor da equivalncia patrimonial, a investidora dever: I - Eliminar os efeitos decorrentes da diversidade de critrios contbeis, em especial, referindo-se a investimentos no exterior; II - Excluir o montante correspondente s participaes recprocas;

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III - Reconhecer os efeitos decorrentes de eventos relevantes ocorridos no perodo intermedirio, no caso de demonstraes contbeis levantadas em datas diversas; e IV - Reconhecer os efeitos decorrentes de classes de aes com direito preferencial de dividendo fixo, dividendo cumulativo e com diferenciao na participao de lucros. EXEMPLO: A empresa Abaslargas S/A possui participao acionria na empresa Chuvagrossa S/A. A Cia Barrofrio, que detm participao acionria na empresa Abaslargas S/A, incorporada pela empresa Chuvagrossa S/A. Como resultado dessa transao, as empresas Abaslargas S/A e Chuvagrossa S/A passaram a ser scias recprocas uma da outra. Ressalte-se que essa participao recproca deve ser eliminada por ocasio da avaliao do investimento. 7.11 - DAS NOTAS EXPLICATIVAS Pelo art. 20 da norma da CVM so apresentadas as informaes que devem ser grafadas em notas explicativas aos investimentos avaliados pelo MEP. Destacam-se as seguintes informaes em relao s coligadas/controladas: I) avais, garantias, fianas, hipotecas ou penhor concedidos pela investidora; II) montante dos dividendos propostos ou pagos no exerccio; III) memria de clculo da equivalncia; IV) critrios, taxa de desconto e prazos utilizados na projeo de resultado que justifica a existncia de gio/desgio; V) participaes recprocas existentes; e VI) efeitos decorrentes de investimentos descontinuados. Veja-se a ntegra do dispositivo normativo, salientando-se que a Lei das S.As. tambm estabelece quais os elementos que devem ser informados em notas explicativas e que estas no so coincidentes com as a seguir apresentadas. As notas que veremos aqui so aplicveis no caso de coligadas e controladas. Art. 20 - As notas explicativas que acompanham as demonstraes contbeis devem conter informaes precisas das coligadas e das controladas, indicando, no mnimo: I - Denominao da coligada e controlada, o nmero, espcie e classe de aes ou de cotas de capital possudas pela investidora, o percentual de participao no capital social e no capital votante e o preo de negociao em bolsa de valores, se houver; II - Patrimnio lquido, lucro lquido ou prejuzo do exerccio, assim como o montante dos dividendos propostos ou pagos, relativos ao mesmo perodo; III - Crditos e obrigaes entre a investidora e as coligadas e controladas especificando prazos, encargos financeiros e garantias; IV - Avais, garantias, fianas, hipotecas ou penhor concedidos em favor de coligadas ou controladas; V - Receitas e despesas em operaes entre a investidora e as coligadas e controladas; VI - Montante individualizado do ajuste, no resultado e patrimnio lquido, decorrente da avaliao do valor contbil do investimento pelo

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mtodo da equivalncia patrimonial, bem como o saldo contbil de cada investimento no final do perodo; VII - Memria de clculo do montante individualizado do ajuste, quando este no decorrer somente da aplicao do percentual de participao no capital social sobre os resultados da investida, se relevante; VIII - Base e fundamento adotados para constituio e amortizao do gio ou desgio e montantes no amortizados, bem como critrios, taxa de desconto e prazos utilizados na projeo de resultados; IX - Condies estabelecidas em acordo de acionistas com respeito a influncia na administrao e distribuio de lucros, evidenciando os nmeros relativos aos casos em que a proporo do poder de voto for diferente da proporo de participao no capital social votante, direta ou indiretamente; X - Participaes recprocas existentes; e XI - Efeitos no ativo, passivo, patrimnio lquido e resultado decorrentes de investimentos descontinuados (artigos 6 e 7).

7.12 CONTABILIZAO DO DIVIDENDO Pelo que j analisamos sobre o Mtodo da Equivalncia Patrimonial, sabemos que o reconhecimento da receita ou da despesa, ou seja, do resultado ocorre no momento da realizao da Equivalncia Patrimonial. Perceba que a equivalncia Patrimonial reconhece o resultado na investidora no momento da sua gerao, mediante registro a dbito em investimento e como contrapartida a conta Resultado da Equivalncia Patrimonial. D Investimento C Resultado na Avaliao pelo MEP Quando a sociedade investida distribuir dividendos, fato que normalmente ocorre em momento posterior ao da apurao do resultado, haver uma diminuio do seu patrimnio lquido, o que gera, como conseqncia, uma reduo do valor do investimento na investidora proporcionalmente a sua participao no capital social da investida. Desta forma, o recebimento de dividendo deve ser entendido como uma realizao do investimento, quando ento ser alimentada a conta caixa mediante dbito e sua contrapartida ser um crdito na conta de investimento. Entretanto, o valor pode ser depositado diretamente na conta bancria ou ainda apenas haver o reconhecimento do dividendo declarado. Desta forma, as contas que podem ser debitadas pela diminuio do investimento so as contas Caixa, Bancos Conta Movimento ou Dividendos a Receber. Caixa, Bancos ou Dividendos a Receber a Investimento (pelo recebimento ou reconhecimento de dividendo) O fato de a sociedade investidora receber dividendo ou o seu reconhecimento poder trazer outros reflexos, principalmente se os ganhos pela equivalncia patrimonial foram destinados formao de Reservas de Lucros a Realizar. Neste momento, os lucros consideram-se realizados na proporo dos dividendos recebidos e, dentro da tica do art.

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202 da lei societria, eles devem ser adicionados ao primeiro dividendo declarado pela sociedade investidora, se esta foi a origem da reserva. Assim, para reforar o nosso estudo, quando a investidora receber dividendos de suas controladas ou coligadas uma parcela do investimento estar sendo realizada. Por isso, no momento do seu recebimento ou reconhecimento devemos baixar a parcela realizada do investimento mediante crdito na conta de investimento e dbito na conta da aplicao dos recursos advindos desta realizao, isto , debitamos uma conta do AC e creditamos Investimentos. Devemos reconhecer essa mesma realizao na conta de Reserva de Lucros a Realizar, quando existente, para adicionar o valor assim realizado ao primeiro dividendo declarado. Porm, neste ltimo caso, no ser realizado nenhum lanamento pois os lucros realizados, quando decorrentes do dividendo mnimo obrigatrio, permanecero na conta de reserva at que seja declarado novo dividendo ou o seu valor seja absorvido por prejuzos de exerccios subseqentes! 7.13 ASPECTOS FISCAIS DA ADOO DO MTODO DA EQUIVALNCIA PATRIMONIAL 7.13.1 RESULTADO DA EQUIVALNCIA PATRIMONIAL Conforme disposto no Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n 3.000/99, os resultados na equivalncia patrimonial sero tratados da seguinte forma na apurao do Lucro Real: Se positivo, poder ser excludo do resultado contbil, pois o Imposto de Renda j incidiu sobre o lucro na sociedade investida; Se negativo, dever ser adicionado ao resultado do exerccio social visto que o resultado da equivalncia no faz parte da base de clculo do Lucro Real, porm ele faz parte no resultado contbil. Com a excluso do valor negativo estaremos eliminando o efeito da equivalncia patrimonial que no deve ser considerada na apurao do Lucro Real. Isto quer dizer que lucros e dividendos recebidos de outra pessoa jurdica, exceto os dividendos no contabilizados em resultado, integraro o lucro operacional e sero excludos do lucro lquido, para efeito de determinar o lucro real, quando estiverem sujeitos tributao nas firmas ou sociedades que os distriburam. Para fins legais e fiscais, a avaliao de investimentos pelo mtodo da equivalncia patrimonial obrigatria nos casos determinados pela Lei n 6.404/76. Se o contribuinte no estiver obrigado, no pode se utilizar deste critrio, ou seja, no opcional a adoo do critrio. Se avaliar seus investimentos em desacordo com as normas legais e fiscais e se, como conseqncia, aumentar o valor contbil de suas participaes societrias, tal procedimento ser considerado pelo fisco como reavaliao espontnea de ativos e, portanto, tributvel! 7.13.2 - AMORTIZAO DE GIO OU DESGIO As contrapartidas das amortizaes do gio no so dedutveis e as contrapartidas da amortizao do desgio no so tributadas. Este o tratamento dado s operaes peridicas, as normais. Entretanto, de forma concomitante, deve ser mantido controle na parte B do LALUR, pois por ocasio da alienao ou da liquidao do investimento, a contrapartida do gio ser dedutvel e a do desgio ser adicionada ao valor de alienao, isto , ser tributado. Assim, se ter uma espcie de diferimento da tributao do desgio e do reconhecimento da despesa decorrente da amortizao do gio.

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7.13.3 GANHO OU PERDA DE CAPITAL EM DECORRNCIA MODIFICAO DO PERCENTUAL DE PARTICIPAO EM COLIGADAS CONTROLADAS

DA OU

No ser computado na determinao do lucro real o acrscimo ou a diminuio do valor de patrimnio lquido de investimento, decorrente de ganho ou perda de capital por variao na percentagem de participao do contribuinte no capital social da coligada ou controlada. 7.13.4 RECEBIMENTO DE DIVIDENDOS A sociedade investidora dever registrar os dividendos recebidos como diminuio do valor do investimento. Dessa forma, o recebimento de dividendos, decorrentes de investimentos em coligadas e em controladas avaliados pelo mtodo da equivalncia patrimonial, no altera o resultado da investidora, por no ser considerado receita. Logo, o recebimento de dividendos nessas condies no deve ser tributado pelo imposto de renda, ou melhor, pelo fato de representar apenas um fato permutativo no merece anlise em termos de resultado. 7.13.5 PROVISES PARA PERDAS O art. 418 do RIR/99 dispe que sero classificados como ganhos ou perdas de capital, e computados na determinao do lucro real, os resultados na alienao, na desapropriao, na baixa por perecimento, extino, desgaste, obsolescncia ou exausto, ou na liquidao de bens do ativo permanente. Portanto, as contrapartidas de provises para perdas no so dedutveis do resultado do exerccio para fins de apurao do lucro real, devendo ser, portanto, adicionadas ao lucro contbil na apurao do lucro fiscal. Exceo a regra a desapropriao para fins de reforma agrria que no ser tributada, por disposio constitucional. 7.13.6 RESULTADO DA ALIENAO DA PARTICIPAO SOCIETRIA Com base no mesmo art. 418 do RIR/99, conclui-se que os ganhos de capital apurados na alienao dos investimentos em participao societria em outras empresas, independentemente do mtodo de avaliao, so tributados pelo imposto de renda, com exceo da desapropriao para reforma agrria, por disposio constitucional. Por outro lado, as perdas de capital decorrentes da alienao de investimento so dedutveis na determinao do lucro real.

7.14 INVESTIMENTOS EM COMPANHIAS NO EXTERIOR 7.14.1 CONSIDERAES INICIAIS Conforme se depreende da leitura do caput do art. 1 da Instruo CVM n 247/96, os investimentos permanentes no exterior devem ser avaliados da mesma forma como os investimentos nacionais. Portanto, o mtodo da Equivalncia Patrimonial deve ser, tambm, adotado para a avaliao de investimentos permanentes no exterior que se amoldem s regras estabelecidas para a adoo deste mtodo.

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Os investimentos no exterior tambm devem ser demonstrados na consolidao de Balanos, caso esta seja elaborada. Todavia, alguns aspectos importantes dos investimentos no exterior ho de ser observados, como adoo de critrios contbeis uniformes, adequada converso dos elementos constantes nas demonstraes financeiras para a moeda nacional e observncia das legislaes quanto a remessa de lucros. 7.14.2 TRATAMENTO CONTBIL E LEGAL Como se pode observar pelo disposto no art. 1 da Instruo CVM n 247/96, a seguir transcrito, os investimentos no Pas e no exterior ho de ser avaliados pelo mtodo da equivalncia patrimonial quando assim o investimento o exigir. Art. 1 - O investimento permanente de companhia aberta em coligadas, suas equiparadas e em controladas, localizadas no pas e no exterior, deve ser avaliado pelo mtodo da equivalncia patrimonial, observadas as disposies desta Instruo. Pargrafo nico - Equivalncia patrimonial corresponde ao valor do investimento determinado mediante a aplicao da percentagem de participao no capital social sobre o patrimnio lquido de cada coligada, sua equiparada e controlada. No mesmo ato normativo, mais precisamente em seu art. 21 mencionado que ao fim de cada exerccio social, demonstraes contbeis consolidadas devem ser elaboradas por companhia aberta que possuir investimento em sociedade controlada, incluindo as sociedades controladas em conjunto. Vejamos o referido dispositivo: Art. 21 - Ao fim de cada exerccio social, demonstraes contbeis consolidadas devem ser elaboradas por: I - Companhia aberta que possuir investimento em sociedades controladas, incluindo as sociedades controladas em conjunto referidas no artigo 32 desta Instruo; e II - Sociedade de comando de grupo de sociedades que inclua companhia aberta. Para as empresas que possuem investimentos permanentes em outros pases, na forma de participaes societrias, surge a indagao de como tratar contabilmente tais investimentos, principalmente no concernente adoo do mtodo da equivalncia patrimonial de suas coligadas ou controladas e com relao a consolidao de Demonstraes Contbeis que devam incluir as controladas no Exterior. de ressaltar que continuam valendo todas as informaes trazidas aplicveis aos investimentos no Pas, principalmente no concernente a condio ou inteno de permanncia do investimento, pois quando no h essa inteno, os investimentos no podem ser considerados permanentes. Pela legislao societria e pelos princpios de contabilidade, tais investimentos devem ser ajustados ao valor do patrimnio lquido na contabilidade da empresa investidora no Brasil, de forma que se reconhea sua participao nos resultados dessas empresas no Exterior medida que so gerados, vele dizer, com observncia do regime de competncia, similarmente ao que ocorre com investimentos em outras

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empresas sediadas no prprio Pas. O grande problema com que se depara uma empresa nessas circunstncias exatamente a necessidade de dispor das demonstraes contbeis dessas coligadas e controladas no Exterior expressas em moeda nacional e elaboradas segundo critrios contbeis que guardem uniformidade com os praticados no Brasil. De fato, tais coligadas e controladas tero sua contabilidade e demonstraes contbeis oficiais desenvolvidas e aplicadas, atendendo s normas e legislao do pas onde operam e, logicamente, expressas na respectiva moeda. Assim, o grande problema na avaliao destes investimentos consiste em estabelecer critrios que devem ser adotados no tratamento contbil de Investimentos no Exterior e na Converso das Demonstraes Contbeis de Outras Moedas para a moeda nacional. A equalizao deste problema complexa, principalmente porque o assunto novo em nosso Pas, j que a exportao de capital fato recente em nossa economia. Porm, em termos internacionais, em face da maior experincia na exportao de capitais, h inmeros estudos e normas sobre a converso de demonstraes contbeis para outras moedas. Ressalte-se que, com a crescente globalizao da economia, o assunto tende a crescer de importncia, principalmente nos concursos pblicos para a rea fiscal. 7.14.3 - APLICABILIDADE A legislao brasileira, principalmente as normas reguladoras emitidas pela CVM, especificam que tipos de investimentos devem ser avaliados pelo mtodo de equivalncia patrimonial. Essas normas so, tambm, aplicveis aos investimentos em empresas no Exterior. Assim, as participaes societrias em controladas e as relevantes em coligadas no exterior devem ser avaliadas pelo mtodo da equivalncia patrimonial e devem, tambm, ser includas no processo de consolidao das demonstraes contbeis. de ressaltar que o termo relevante empregado na definio de investimentos que devem compor as demonstraes consolidadas no deve ser confundido com o conceito de investimento relevante adotado para fins de equivalncia patrimonial. Esse critrio de relevncia aplicado apenas para fins de consolidao das demonstraes contbeis, pois a Lei n 6.404/1976, em seu art. 249 determina que a companhia aberta que tiver mais de 30% do valor do seu patrimnio lquido representado por investimentos em sociedades controladas dever elaborar e divulgar, juntamente com suas demonstraes financeiras, demonstraes consolidadas. A Instruo CVM n 247/96, a partir do art. 21, dispe no mesmo sentido. Portanto, enfatiza-se, no se deve confundir a relevncia aqui referida com o investimento relevante para fins de aplicao do MEP. As filiais, agncias, sucursais ou dependncias de empresas brasileiras situados no exterior que, por exigncia da legislao aliengena, adquirirem personalidade jurdica prpria, constituem-se em subsidiria integral da empresa brasileira, logo sero avaliadas pelo MEP. Todavia, quando no se caracterizam como empresas juridicamente independentes, devem ter seus ativos, passivos e resultados, integrados contabilidade da matriz no Brasil como qualquer outra filial, agncia, sucursal ou dependncia mantida no prprio Pas, consoante o disposto pelo princpio da entidade.

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A filial, sucursal, agncia e outras dependncias, geralmente no possuem personalidade jurdica prpria, isto , elas operam como se fosse extenso de matriz. Esta contabiliza todo o patrimnio como nico. No entanto, em se tratando de filiais, sucursais e agncias no exterior, necessrio, por vezes em funo de legislao especfica daqueles pases, que essas dependncias se constituam com personalidade jurdica prpria, quando ento passaro a ter patrimnio prprio. Nestas circunstncias deixaro de ser filiais, sucursais e agncias para assumirem a condio de subsidiria integral, ou seja, empresas que possuem como scia ou acionista uma nica e outra empresa, nesta condio devem ser avaliadas pelo MEP e ser includas na consolidao quando o investimento for relevante, alm de observar os critrios de converso das demonstraes s normas e moeda nacionais. 7.14.4 - CONTABILIZAO DA CONTA DE INVESTIMENTOS NO EXTERIOR Os critrios adotados na contabilizao das transaes de investimentos realizados no exterior devem ser idnticos aos adotados para investimentos realizados no Pas. Assim, as integralizaes de Capital devem ser registradas pelo custo efetivamente incorrido, segundo as regras do princpio do registro pelo valor original. As transaes efetuadas em moeda estrangeira devem ser registradas em moeda nacional convertidas taxa de cmbio da data da remessa das divisas para integralizao de capital. Outras remessas de recursos que no tenham correspondente de capital social representam crditos da empresa brasileira e no devem compor o custo de aquisio do investimento, mas integraro o cmputo dos investimentos para a determinao da relevncia. As aes ou quotas bonificadas recebidas sem custo pela investidora de suas coligadas ou controladas no Exterior no devem ter registro equivalente em moeda nacional, pois no representam, efetivamente, custo e tampouco remessa ou recebimento de recursos financeiros. Os dividendos recebidos de investimentos realizados no exterior, avaliados pelo MEP, devem ser registrados como reduo da conta de investimentos da mesma forma como fazemos para outros investimentos realizados no Brasil. Algumas regras, no entanto, devem ser observadas: 1 A contabilizao deve ser evidenciada em moeda nacional; 2 A converso para moeda nacional deve se dar taxa de cmbio vigente na data do efetivo ingresso dos recursos financeiros; 3 - Como o dividendo no exterior calculado na moeda estrangeira e no considerado o fato da variao cambial que ocorre com a moeda nacional, esse valor dever ser segregado da seguinte forma: a - parte que ser registrada como reduo da conta de investimento pelo valor do dividendo recebido em moeda estrangeira convertido para a moeda nacional taxa de cmbio vigente na data da ltima equivalncia patrimonial registrada; e b - parte representativa da diferena entre o valor em moeda nacional do dividendo efetivamente recebido e o valor apurado conforme (a), que ser registrada como ganho ou perda cambial corrente de investimentos societrios no exterior, em conta prpria do resultado operacional do exerccio.

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Este item , talvez, o de maior relevncia sobre o assunto em termos de estudo para concursos, pois traz em si algumas regras que podem ser cobradas pelas bancas examinadoras e requerem, por isso, um cuidado maior na sua preparao. Para que este tpico fique devidamente esclarecido, tomemos o seguinte exemplo: A CIA GIRAMUNDO, empresa genuinamente brasileira, cujo patrimnio lquido de R$ 12.000.000,00, possui investimento de R$ 3.600.000,00 na CIA HOLZBACH, empresa alem, que pelas normas brasileiras sua coligada, pois o investimento representa 25% do capital social da empresa investida. No final do exerccio social de 2002 a CIA HOLZBACH obteve lucro lquido de 2.000.000,00 de EUROS. A cotao do EURO, nesta data, era de R$ 4,00. Em 30 de abril de 2003, a CIA HOLZBACH resolveu distribuir a ttulo de dividendos a quantia de 800.000,00 EUROS, representando 40% do lucro lquido, quando a cotao do EURO era de R$ 3,20. Soluo: 1 A participao da empresa brasileira na empresa alem 25%. 2 O valor do resultado do exerccio que compete empresa brasileira, a ttulo de ganho pela equivalncia patrimonial, de 500.000,00 EUROS, o que equivale a R$ 2.000.000,00 pela cotao do EURO do dia da apurao do resultado. 3 O lanamento contbil a ser efetuado pela empresa brasileira, reconhecendo o resultado da equivalncia patrimonial, o seguinte: Investimento na CIA HOLZBACH a Ganho pela equivalncia patrimonial R$ 2.000.000,00 4 Do dividendo de 800.000,00 EUROS, compete empresa brasileira a quantia de 200.000,00, que devem ser convertidos para Reais. Aqui entra a particularidade insculpida na norma brasileira, pois a converso h de ser efetuada taxa de cmbio vigente na data do efetivo ingresso da moeda estrangeira no Pas. Assim, o valor em Reais ingressado no Pas de R$ 640.000,00. No entanto, sabemos que o dividendo recebido, quando o investimento avaliado pelo MEP, diminui o valor do investimento. Essa diminuio do investimento deve se referir a data da apurao do resultado, logo a taxa de cmbio a ser empregada a vigente naquela data. Assim, o investimento deve ser diminudo em R$ 800.000,00, pois representa o valor de 200.000,00 EUROS na data do reconhecimento do resultado da equivalncia patrimonial, quando a taxa de cmbio era de R$ 4,00. Teremos, ento, a seguinte situao: o valor efetivamente ingressado no Pas de R$ 640.000,00, porm o reconhecimento na diminuio do investimento deve ser de R$ 800.000,00, pois o resultado se refere a data em que a cotao do EURO era de R$ 4,00. Surge, destarte, a diferena do valor de R$ 160.000,00, que oriundo da diferena da cotao do EURO entre a data do reconhecimento da equivalncia patrimonial e a data do recebimento do dividendo. Essa diferena se constitui em perda cambial e representa uma despesa operacional. O lanamento do recebimento de dividendos ser apresentado do seguinte modo: Diversos

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a Investimentos na CIA HOLZBACH Dividendos recebidos - Bancos R$ 640.000,00 Perdas Cambiais (despesa operacional) R$ 160.000,00

R$ 800.000,00

Analisamos o caso de recebimento de dividendo em situao onde houve valorizao da moeda nacional. Se, porm, tivesse havido desvalorizao da moeda nacional, teramos tido um ganho de variao cambial ou variao cambial ativa. Outro aspecto de relevncia que deve ser evidenciado na contabilizao o fato de os dividendos estarem sujeitos tributao no pas de origem. Nestas circunstncias, h de ser observado se existe acordo tributrio entre o Brasil e aquele pas, pois caso exista acordo, os tributos sero recuperveis at o limite na nossa legislao, assim eles constituiro crditos na investidora. Se, porm, eles no forem recuperveis, representam um nus da investidora, logo sero registrados como despesas. de ressaltar que o Brasil mantm convnio com alguns pases para evitar a bitributao do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer natureza. Havendo convnio com o Pas de origem dos recursos ou rendimentos, gera para a sociedade receptora o direito de compensar esses tributos internamente. Portanto, nessa hiptese, ela pode se creditar do valor do imposto pago no exterior. Caso no haja convnio, no ter esse direito quando arcar com o nus do imposto cobrado pelo pas aliengena. Assim, no se pode fazer uma afirmao conclusiva a respeito da tributao sendo necessria uma anlise individualizada de cada caso. Deve-se, sempre que possvel, reconhecer a despesa gerada pela tributao com observncia do regime de competncia, isto , a despesa deve compor o resultado do perodo em que foi gerado o ganho pela MEP, mas perceba que a tributao incidir apenas sobre o valor do dividendo e no sobre todo o valor do ganho na equivalncia. Destarte, no se faz a proviso para o Imposto de Renda relativo aos lucros que se pretendam manter na empresa no Exterior, quer para reinvestimento em futuro aumento de capital quer na forma de reservas de lucros. Por fim cabe informar que todos esses fatores envolvendo a tributao sobre investimentos realizados no exterior devem ser elucidados em notas explicativas, principalmente quando o fato acarreta nus investidora. 7.14.5 - AJUSTE AO VALOR DA EQUIVALNCIA PATRIMONIAL A apurao do valor da equivalncia patrimonial na data do balano deve ser idntica a dos investimentos realizados no Brasil, isto , deve-se aplicar a porcentagem de participao no capital da investida no Exterior sobre o seu patrimnio lquido convertido para moeda nacional. O patrimnio lquido da investida no Exterior tambm dever ser ajustado pela investidora quando houver resultados no realizados, oriundos de transaes dessa investida com a investidora ou outras coligadas e controladas. O ajuste decorrente de comparao do valor final em relao ao valor contbil do investimento corrigido representar um ajuste conta de investimentos, tendo, como contrapartida, conta de resultado do exerccio, na medida em que corresponda a ganhos ou perdas efetivos, relativamente participao da investidora no resultado do exerccio da coligada ou controlada. Tal ganho ou perda deve ser apresentado em

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destaque nas demonstraes contbeis, sendo que o resultado da equivalncia patrimonial representa resultado operacional. As demonstraes contbeis da coligada ou controlada que sero utilizadas para a apurao do valor da equivalncia patrimonial do investimento, comentadas acima, devero ser elaboradas e apuradas segundo os mesmo critrios adotados no Pas, devendo, se for o caso, ser efetuados os respectivos ajustes para manter a uniformidade de registros e apresentao. 7.14.6 - DEMONSTRAES CONTBEIS DA COLIGADA OU CONTROLADA UNIFORMIDADE DE CRITRIOS CONTBEIS Para que dois demonstrativos contbeis possam ser comparados, fundamental que eles estejam elaborados segundo os mesmos critrios. Assim, as demonstraes contbeis da coligada ou controlada no exterior que serviro de base aos ajustes da conta de investimentos ou consolidao devem ser elaboradas com Uniformidade de critrios em relao aos princpios contbeis do Brasil, pois neste contexto que a investidora nacional elaborar seus demonstrativos. Atenta-se ao fato que as empresas no Exterior podem adotar, em suas demonstraes contbeis oficiais, critrios que atendam a requisitos legais ou fiscais dos respectivos pases. Este procedimento poder ocasionar divergncias, provocando distores de efeitos relevantes, em relao aos princpios contbeis vigentes no Brasil. Dessa forma, quando se est diante de Demonstraes Contbeis oficiais da coligada ou controlada que requeiram ajustes para adequ-los as normas nacionais, estes devero ser apurados de forma extracontabil, dentro do conceito de demonstraes oficiais do pas de localizao da investida, obtendo-se, como resultado, Demonstraes Contbeis Ajustadas elaboradas segundo os princpios de contabilidade vigentes na poca no Brasil, no que tange avaliao de ativos e registros de passivos, particularmente quanto ao regime de competncia. Salienta-se que deve ser dada especial considerao ao reflexo no imposto de renda sobre esses ajustes e, se cabvel, deve-se efetuar o devido diferimento. A extenso dos ajustes deve considerar os propsitos a que se destinaro, pois se o objetivo for apenas a avaliao dos investimentos pelo mtodo de equivalncia o importante que o patrimnio lquido da coligada ou controlada tenha seu valor apurado segundo os critrios nacionais, quando eventuais divergncias de nomenclatura ou de classificao das demais contas do Balano ou da Demonstrao do Resultado sero irrelevantes. Porm, se as demonstraes contbeis ho de fazer parte de processo de Consolidao de Demonstraes Contbeis, necessrio, tambm, a adaptao de nomenclatura e classificao de contas relativas s demonstraes contbeis, conforme critrios de apresentao adotados no Brasil. 7.14.7 - CONVERSO DAS DEMONSTRAES CONTBEIS PARA MOEDA NACIONAL Os mtodos de converso de demonstraes contbeis expressas em uma moeda para a de outro pas so muitos. Deve-se utilizar um mtodo que produza a

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apurao de demonstraes contbeis expressas em moeda nacional que reflita adequadamente sua posio patrimonial e financeira e os resultado de suas operaes, de acordo com os princpios contbeis vigentes em nosso Pas e aplicados de maneira uniforme entre os exerccios. Existem diversas tcnicas e formas de converso de balanos de uma moeda para outra. As mais utilizadas, entretanto, so: mtodo da taxa corrente; mtodo da taxa histrica; Taxa corrente significa a taxa de cmbio em vigor na data do balano que se pretenda converter. Trata-se do mtodo mais simples quanto mecnica, pois consiste em tomar todos os valores das demonstraes contbeis expressa sem uma moeda e convert-las pela taxa corrente de cmbio, apurando-se os valores correspondentes na outra moeda. Entretanto, convm assinalar novamente que essa converso h de ser feita a partir das demonstraes contbeis ajustadas da empresa do outro pas. O mtodo da taxa histrica baseia-se no princpio de que a converso das demonstraes contbeis feita interpretando-se as transaes como se tivessem ocorrido na moeda para a qual se pretende converter. de se destacar que este mtodo mais apropriado nos casos de empresas investidoras sediadas em pases de moeda forte que tenham investimentos em pases com elevada inflao e no adotam sistemas de correo monetria. Na converso pelo mtodo da taxa histrica utiliza-se da seguinte tcnica: 1) Balano Patrimonial a) Os saldos de ativos e passivos monetrios constantes do balano so convertidos pela taxa corrente de cmbio. b) Os ativos no monetrios so convertidos pela aplicao das taxas histricas de cmbio, vigentes nas datas de aquisio dos itens que formam estes ativos na data do balano, sobre os valores originais de custo de aquisio das transaes respectivas. Em face da utilizao de taxas histricas de cmbio, os valores eventualmente constantes dos saldos das contas no monetrias originrias de correes monetrias no so convertidos, ou seja, tm equivalncia nula na outra moeda. c) As contas que formam o patrimnio lquido so tambm de natureza no monetria sendo que, por esse mtodo de converso, o valor total do patrimnio lquido convertido apurado pela equivalncia contbil, ou seja, pela diferena entre o ativo total e exigibilidade totais. 2) Mutaes do Patrimnio Lquido a) Os aumentos de capital so convertidos pela taxa histrica em vigor nas datas das integralizaes efetivas. b) Os dividendos distribudos so convertidos pela taxa histrica, ou seja, pela taxa de cmbio em vigor na data de distribuio dos dividendos ou, se forem dividendos contabilizados como propostos na data do balano, pela taxa em vigor na data do balano. c) Os demais acrscimos ou redues patrimoniais que representarem ganhos ou perdas patrimoniais efetivos, apesar de no transitarem pelo resultado do exerccio, so convertidos s taxas histricas de formao. d) Acrscimo do patrimnio lquido oriundos de correes monetrias no so convertidos.

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e) Os eventuais acrscimos registrados oriundos de novas avaliaes de ativos (similares a Reservas de Reavaliao no Brasil) devem ser convertidos pela taxa de cmbio em vigor na data de reavaliao, de forma idntica converso dos acrscimos nos ativos correspondentes. Nessa hiptese, o acrscimo equivalente na conta de investimento da empresa no Brasil deve ser registrado em conta especfica de Reserva de Reavaliao, para ser baixada medida da realizao dos ativos que lhe deram origem na empresa no Exterior. f) O lucro ou prejuzo apurado pela diferena de patrimnios inicial e final, aps a considerao dos itens a a e acima. 3) Demonstraes do Resultado do Exerccio a) As receitas e despesas so convertidas pelas taxas em vigor nos perodos respectivos de sua formao, normalmente numa base mensal, utilizando-se da taxa mdia do ms. b) As depreciaes so apuradas pela aplicao das taxas de depreciao sobre os custos dos bens depreciveis j convertidos. c) O custo das vendas deve levar em conta os estoques iniciais e finais convertidos pelas taxas histricas e os ingressos (compras, por exemplo) pelas taxas de formao. 7.14.8 - CONSIDERAES FINAIS Independentemente do mtodo de converso adotado, deve-se dar adequada considerao para a taxa de cmbio que ser utilizada, tendo em vista que cada pas pode ter polticas prprias. Em princpio, devem ser adotadas taxas de cmbio oficiais de venda do banco central. Deve-se sempre analisar a legislao do pas onde se tem o investimento quanto remessa de lucros e retorno de capital e considerar a prpria estabilidade econmica e poltica do pas para avaliar-se a real possibilidade de realizao ou de recuperao do capital e dividendos. Na situao de perdas provveis, em face de tais fatores, a empresa no Brasil dever constituir proviso para perdas aplicveis a tais investimentos. Nas notas explicativas de investimentos devero constar, tambm, os dados de cada coligada ou controlada no Exterior, conforme prtica em nosso Pas. Devero ser mencionados, no sumrio das prticas contbeis, os critrios de apurao e das demonstraes contbeis dessas investidas no Exterior e os critrios de converso para moeda nacional. A eventual mudana no mtodo de converso ou no critrio de avaliao dos investimentos representa uma mudana de prtica contbil que deve ser contabilmente tratada como tal, mediante registro de seus efeitos como ajustes de exerccios anteriores e feita a nota explicativa correspondente. A seguir a transcrio da Instruo 247/96. Chamamos a ateno ao fato de que at o art. 20 a norma trata da avaliao de investimentos e a partir do art. 21 ela trata da Consolidao das Demonstraes Contbeis , cujo assunto no veremos neste curso pelo fato de entendermos de ele ser pouco relevante para o concurso. Porm, cabe uma leitura dos dispositivos para no serem pegos de surpresa!

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 05 AVALIAO DE INVESTIMENTOS -IIIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia TEXTO INTEGRAL DA INSTRUO CVM N 247, DE 27 DE MARO DE 1996, COM AS ALTERAES INTRODUZIDAS PELAS INSTRUES CVM Ns 269/97 E 285/98. INSTRUO CVM N 247, DE 27 DE MARO DE 1996. Dispe sobre a avaliao de investimentos em sociedades coligadas e controladas e sobre os procedimentos para elaborao e divulgao das demonstraes contbeis consolidadas, para o pleno atendimento aos Princpios Fundamentais de Contabilidade, altera e consolida as Instrues CVM n 01, de 27 de abril de 1978, n 15, de 03 de novembro de 1980, n 30, de 17 de janeiro de 1984, e o artigo 2 da Instruo CVM n 170, de 03 de janeiro de 1992, e d outras providncias. O Presidente da Comisso de Valores Mobilirios - CVM torna pblico que o Colegiado, em sesso realizada em 22.03.96, com fundamento no disposto na alnea "c" do inciso III do artigo 248, no pargrafo nico do artigo 249 e no pargrafo nico do artigo 291 da LEI N 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e nos incisos I, II e IV do pargrafo nico do artigo 22 da LEI N 6.385, de 07 de dezembro de 1976, resolveu: DO MTODO DA EQUIVALNCIA PATRIMONIAL Art. 1 - O investimento permanente de companhia aberta em coligadas, suas equiparadas e em controladas, localizadas no pas e no exterior, deve ser avaliado pelo mtodo da equivalncia patrimonial, observadas as disposies desta Instruo. Pargrafo nico. Equivalncia patrimonial corresponde ao valor do investimento determinado mediante a aplicao da percentagem de participao no capital social sobre o patrimnio lquido de cada coligada, sua equiparada e controlada. DAS COLIGADAS E CONTROLADAS Art. 2 - Consideram-se coligadas as sociedades quando uma participa com 10% (dez por cento) ou mais do capital social da outra, sem control-la. Pargrafo nico. Equiparam-se s coligadas, para os fins desta Instruo: a. as sociedades quando uma participa indiretamente com 10% (dez por cento) ou mais do capital votante da outra, sem control-la; b. as sociedades quando uma participa diretamente com 10% (dez por cento) ou mais do capital votante da outra, sem control-la, independentemente do percentual da participao no capital total. Art. 3 - Considera-se controlada, para os fins desta Instruo: I. Sociedade na qual a investidora, diretamente ou indiretamente, seja titular de direitos de scio que lhe assegurem, de modo permanente: a. b. II. preponderncia nas deliberaes sociais; e o poder de eleger ou destituir a maioria dos administradores.

Filial, agncia, sucursal, dependncia ou escritrio de representao no exterior, sempre que os respectivos ativos e passivos no estejam includos na contabilidade da investidora, por fora de normatizao especfica; e Sociedade na qual os direitos permanentes de scio, previstos nas alneas "a" e "b" do inciso I deste artigo estejam sob controle comum ou sejam exercidos mediante a existncia de acordo de votos, independentemente do seu percentual de participao no capital votante.

III.

Pargrafo nico. Considera-se, ainda, controlada a subsidiria integral, tendo a investidora como nica acionista. DA DETERMINAO DA RELEVNCIA DO INVESTIMENTO Art. 4 - Considera-se relevante o investimento:

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 05 AVALIAO DE INVESTIMENTOS -IIIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia I. II. Quando o valor contbil do investimento em cada coligada for igual ou superior a 10% (dez por cento) do patrimnio lquido da investidora; ou Quando o valor contbil dos investimentos em controladas e coligadas, considerados em seu conjunto, for igual ou superior a 15% (quinze por cento) do patrimnio lquido da investidora.

1 - O valor contbil do investimento em coligada e controlada abrange o custo de aquisio mais a equivalncia patrimonial e o gio no amortizado, deduzido do desgio no amortizado e da proviso para perdas. 2 - Para determinao dos percentuais referidos nos incisos I e II deste artigo, ao valor contbil do investimento dever ser adicionado o montante dos crditos da investidora contra suas coligadas e controladas. DOS INVESTIMENTOS A SEREM AVALIADOS PELO MTODO DA EQUIVALNCIA PATRIMONIAL Art. 5 - Devero ser avaliados pelo mtodo da equivalncia patrimonial: I. II. O investimento em cada controlada; e O investimento relevante em cada coligada e/ou em sua equiparada, quando a investidora tenha influncia na administrao ou quando a porcentagem de participao, direta ou indireta da investidora, representar 20% (vinte por cento) ou mais do capital social da coligada.

Pargrafo nico. Sero considerados exemplos de evidncias de influncia na administrao da coligada: a. participao nas suas administradores comuns; deliberaes sociais, inclusive com a existncia de

b. poder de eleger ou destituir um ou mais de seus administradores; c. volume relevante de transaes, inclusive com o fornecimento de assistncia tcnica ou informaes tcnicas essenciais para as atividades da investidora; d. significativa dependncia tecnolgica e/ou econmico-financeira; e. recebimento permanente de informaes contbeis detalhadas, bem como de planos de investimento; ou f. uso comum de recursos materiais, tecnolgicos ou humanos. Art. 6 - Dever deixar de ser avaliado pelo mtodo da equivalncia patrimonial, sem prejuzo do disposto no artigo 12, o investimento em sociedades coligadas e controladas com efetiva e clara evidncia de perda de continuidade de suas operaes ou no caso em que estas estejam operando sob severas restries a longo prazo que prejudiquem significativamente a sua capacidade de transferir recursos para a investidora. Art. 7 - O investimento em sociedade coligada e controlada cuja venda por parte da investidora, em futuro prximo, tenha efetiva e clara evidncia de realizao, continuar sendo avaliado pelo mtodo da equivalncia patrimonial at a data-base considerada para a venda. Art. 8 - O investimento em coligada que, por reduo do valor contbil do investimento, deixar de ser relevante, continuar sendo avaliado pela equivalncia patrimonial, caso essa reduo no seja considerada de carter permanente, devendo todos os seus reflexos ser evidenciados, segregadamente, em nota explicativa. Pargrafo nico. Na hiptese de descontinuidade do investimento, principalmente aquelas previstas nos artigos 6 e 7, os saldos das reservas de reavaliao constitudas pela investidora devero ser revertidos em contrapartida ao respectivo valor contbil do investimento.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 05 AVALIAO DE INVESTIMENTOS -IIIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia DOS PROCEDIMENTOS DE AVALIAO DE INVESTIMENTOS PELO MTODO DA EQUIVALNCIA PATRIMONIAL Art. 9 - O valor do investimento, pelo mtodo da equivalncia patrimonial, ser obtido mediante o seguinte clculo: I. II. Aplicando-se a percentagem de participao no capital social sobre o valor do patrimnio lquido da coligada e da controlada; e Subtraindo-se, do montante referido no inciso I, os lucros no realizados, conforme definido no 1 deste artigo, lquidos dos efeitos fiscais.

1 - Para os efeitos do inciso II deste artigo, sero considerados lucros no realizados aqueles decorrentes de negcios com a investidora ou com outras coligadas e controladas, quando: a. o lucro estiver includo no resultado de uma coligada e controlada e correspondido por incluso no custo de aquisio de ativos de qualquer natureza no balano patrimonial da investidora; ou b. o lucro estiver includo no resultado de uma coligada e controlada e correspondido por incluso no custo de aquisio de ativos de qualquer natureza no balano patrimonial de outras coligadas e controladas. 2 - Os prejuzos decorrentes de transaes com a investidora, coligadas e controladas no devem ser eliminados no clculo da equivalncia patrimonial. 3 - Os lucros e os prejuzos, assim como as receitas e as despesas decorrentes de negcios que tenham gerado, simultnea e integralmente, efeitos opostos nas contas de resultado das coligadas e controladas, no sero excludos para fins de clculo do valor do investimento. Art. 10 - Para os efeitos do disposto no artigo 9, o patrimnio lquido da coligada e controlada dever ser determinado com base nas demonstraes contbeis levantadas na mesma data das demonstraes contbeis da investidora. 1 - Na impossibilidade de cumprimento ao disposto no caput deste artigo, admite-se a utilizao de demonstraes contbeis da coligada e controlada em um perodo mximo de defasagem de at 60 (sessenta) dias antes da data das demonstraes contbeis da investidora. 2 - O perodo de abrangncia das demonstraes contbeis da coligada e controlada dever ser idntico ao da investidora, independentemente das respectivas datas de encerramento. 3 - Admite-se a utilizao de perodos no idnticos, nos casos em que este fato representar melhoria na qualidade da informao produzida, sendo a mudana evidenciada em nota explicativa. Art. 11 - Para a determinao do valor da equivalncia patrimonial, a investidora dever: I. II. III. IV. Eliminar os efeitos decorrentes da diversidade de critrios contbeis, em especial, referindo-se a investimentos no exterior; Excluir o montante correspondente s participaes recprocas; Reconhecer os efeitos decorrentes de eventos relevantes ocorridos no perodo intermedirio, no caso de demonstraes contbeis levantadas em datas diversas; e Reconhecer os efeitos decorrentes de classes de aes com direito preferencial de dividendo fixo, dividendo cumulativo e com diferenciao na participao de lucros.

DAS PERDAS PERMANENTES EM INVESTIMENTOS AVALIADOS PELO MTODO DA EQUIVALNCIA PATRIMONIAL Art. 12 - A investidora dever constituir proviso para cobertura de: I. Perdas efetivas, em virtude de:

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 05 AVALIAO DE INVESTIMENTOS -IIIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia a. b. II. a. b. c. d. eventos que resultarem em perdas no provisionadas pelas coligadas e controladas em suas demonstraes contbeis; ou responsabilidade formal ou operacional para cobertura de passivo a descoberto. tendncia de perecimento do investimento; elevado risco de paralisao de operaes de coligadas e controladas; eventos que possam prever perda parcial ou total do valor contbil do investimento ou do montante de crditos contra as coligadas e controladas; ou cobertura de garantias, avais, fianas, hipotecas ou penhor concedidos, em favor de coligadas e controladas, referentes a obrigaes vencidas ou vincendas quando caracterizada a incapacidade de pagamentos pela controlada ou coligada.

Perdas potenciais, estimadas em virtude de:

1 - Independentemente do disposto na letra " b" do inciso I, deve ser constituda ainda proviso para perdas, quando existir passivo a descoberto e houver inteno manifesta da investidora em manter o seu apoio financeiro investida. 2 - A proviso para perdas dever ser apresentada no ativo permanente por deduo e at o limite do valor contbil do investimento a que se referir, sendo o excedente apresentado em conta especfica no passivo. DO GIO OU DESGIO NA AQUISIO DE INVESTIMENTO AVALIADO PELO MTODO DA EQUIVALNCIA PATRIMONIAL Art. 13 - Para efeito de contabilizao, o custo de aquisio de investimento em coligada e controlada dever ser desdobrado e os valores resultantes desse desdobramento contabilizados em sub-contas separadas: I. II. Equivalncia patrimonial baseada em demonstraes contbeis elaboradas nos termos do art. 10; e gio ou desgio na aquisio ou na subscrio, representado pela diferena para mais ou para menos, respectivamente, entre o custo de aquisio do investimento e a equivalncia patrimonial.

Art. 14 - O gio ou desgio computado na ocasio da aquisio ou subscrio do investimento dever ser contabilizado com indicao do fundamento econmico que o determinou. 1 - O gio ou desgio decorrente da diferena entre o valor de mercado de parte ou de todos os bens do ativo da coligada e controlada e o respectivo valor contbil, dever ser amortizado na proporo em que o ativo for sendo realizado na coligada e controlada, por depreciao, amortizao, exausto ou baixa em decorrncia de alienao ou perecimento desses bens ou do investimento. 2 - O gio ou o desgio decorrente da diferena entre o valor pago na aquisio do investimento e o valor de mercado dos ativos e passivos da coligada ou controlada, referido no pargrafo anterior, dever ser amortizado da seguinte forma. (NR)* a. o gio ou o desgio decorrente de expectativa de resultado futuro no prazo, extenso e proporo dos resultados projetados, ou pela baixa por alienao ou perecimento do investimento, devendo os resultados projetados serem objeto de verificao anual, a fim de que sejam revisados os critrios utilizados para amortizao ou registrada a baixa integral do gio; e b. o gio decorrente da aquisio do direito de explorao, concesso ou permisso delegadas pelo Poder Pblico no prazo estimado ou contratado de utilizao, de vigncia ou de perda de substncia econmica, ou pela baixa por alienao ou perecimento do investimento.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 05 AVALIAO DE INVESTIMENTOS -IIIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia 3 - O prazo mximo para amortizao do gio previsto na letra "a" do pargrafo anterior no poder exceder a dez anos;(NR)* 4 - Quando houver desgio no justificado pelos fundamentos econmicos previstos nos pargrafos 1 e 2, a sua amortizao somente poder ser contabilizada em caso de baixa por alienao ou perecimento do investimento. 5 - O gio no justificado pelos fundamentos econmicos, previstos nos pargrafos 1 e 2, deve ser reconhecido imediatamente como perda, no resultado do exerccio, esclarecendo-se em nota explicativa as razes da sua existncia. Art. 15 - Na elaborao do balano patrimonial da investidora, o saldo no amortizado do gio ou desgio deve ser apresentado no ativo permanente, adicionado ou reduzido, respectivamente, equivalncia patrimonial do investimento a que se referir. DA DIFERENA RESULTANTE EQUIVALNCIA PATRIMONIAL DA AVALIAO BASEADA NO MTODO DA

Art. 16 - A diferena verificada, ao final de cada perodo, no valor do investimento avaliado pelo mtodo da equivalncia patrimonial, dever ser apropriada pela investidora como: I. Receita ou despesa operacional, quando corresponder: a. a aumento ou diminuio do patrimnio lquido da coligada e controlada, em decorrncia da apurao de lucro lquido ou prejuzo no perodo ou que corresponder a ganhos ou perdas efetivos em decorrncia da existncia de reservas de capital ou de ajustes de exerccios anteriores; e a variao cambial de investimento em coligada e controlada no exterior.

b. II. III. IV.

Receita ou despesa no operacional, quando corresponder a eventos que resultem na variao da porcentagem de participao no capital social da coligada e controlada; Aplicao na amortizao do gio em decorrncia do aumento ocorrido no patrimnio lquido por reavaliao dos ativos que lhe deram origem; e Reserva de reavaliao quando corresponder a aumento ocorrido no patrimnio lquido por reavaliao de ativos na coligada e controlada, ressalvado o disposto no inciso anterior.

Pargrafo nico. No obstante o disposto no artigo 12, o resultado negativo da equivalncia patrimonial ter como limite o valor contbil do investimento, conforme definido no pargrafo 1 do artigo 4 desta Instruo. DA RESERVA DE LUCROS A REALIZAR E DOS DIVIDENDOS E BONIFICAES EM AES RECEBIDOS PELA INVESTIDORA Art. 17 - Para fins de constituio da reserva de lucros a realizar, somente poder ser considerado como lucro a realizar o resultado lquido positivo da equivalncia patrimonial sobre o conjunto dos investimentos, apurado nos termos dos incisos I e II, do artigo 16. Art. 18 - As bonificaes recebidas sem custo pela investidora, quer sejam por emisso de novas aes, quer sejam por aumento do valor nominal das aes, no devem ser objeto de contabilizao na conta do investimento na coligada e controlada. Pargrafo nico. Em decorrncia do previsto no caput deste artigo, dever ser revertida para a conta de lucros ou prejuzos acumulados a correspondente parcela que tiver sido destinada para reserva de lucros a realizar, a que se refere o artigo 17. Art. 19 - A parcela revertida da reserva de lucros a realizar para a conta de lucros ou prejuzos acumulados, se no absorvida por prejuzos, dever ser considerada no clculo, em separado, do dividendo obrigatrio no exerccio em que for feita a reverso. O excedente poder ser destinado para : I. Aumento de capital;

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 05 AVALIAO DE INVESTIMENTOS -IIIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia II. III. Distribuio de dividendo; e Constituio de outras reservas de lucros, inclusive reteno justificada em lucros acumulados, ou absoro do prejuzo do exerccio, atendidas as exigncias legais.

DAS NOTAS EXPLICATIVAS Art. 20 - As notas explicativas que acompanham as demonstraes contbeis devem conter informaes precisas das coligadas e das controladas, indicando, no mnimo: I. Denominao da coligada e controlada, o nmero, espcie e classe de aes ou de cotas de capital possudas pela investidora, o percentual de participao no capital social e no capital votante e o preo de negociao em bolsa de valores, se houver; Patrimnio lquido, lucro lquido ou prejuzo do exerccio, assim como o montante dos dividendos propostos ou pagos, relativos ao mesmo perodo; Crditos e obrigaes entre a investidora e as coligadas e controladas especificando prazos, encargos financeiros e garantias; Avais, garantias, fianas, hipotecas ou penhor concedidos em favor de coligadas ou controladas; Receitas e despesas em operaces entre a investidora e as coligadas e controladas; Montante individualizado do ajuste, no resultado e patrimnio lquido, decorrente da avaliao do valor contbil do investimento pelo mtodo da equivalncia patrimonial, bem como o saldo contbil de cada investimento no final do perodo; Memria de clculo do montante individualizado do ajuste, quando este no decorrer somente da aplicao do percentual de participao no capital social sobre os resultados da investida, se relevante; Base e fundamento adotados para constituio e amortizao do gio ou desgio e montantes no amortizados, bem como critrios, taxa de desconto e prazos utilizados na projeo de resultados; Condies estabelecidas em acordo de acionistas com respeito a influncia na administrao e distribuio de lucros, evidenciando os nmeros relativos aos casos em que a proporo do poder de voto for diferente da proporo de participao no capital social votante, direta ou indiretamente; Participaes recprocas existentes; e Efeitos no ativo, passivo, patrimnio lquido e resultado decorrentes de investimentos descontinuados (artigos 6 e 7).

II. III. IV. V. VI.

VII.

VIII.

IX.

X. XI.

DAS DEMONSTRAES CONTBEIS CONSOLIDADAS DO DEVER DE ELABORAR E DIVULGAR DEMONSTRAES CONTBEIS CONSOLIDADAS Art. 21 - Ao fim de cada exerccio social, demonstraes contbeis consolidadas devem ser elaboradas por: I. II. Companhia aberta que possuir investimento em sociedades controladas, incluindo as sociedades controladas em conjunto referidas no artigo 32 desta Instruo; e Sociedade de comando de grupo de sociedades que inclua companhia aberta.

Art. 22 - Demonstraes contbeis consolidadas compreendem o balano patrimonial consolidado, a demonstrao consolidada do resultado do exerccio e a demonstrao consolidada das origens e aplicaes de recursos, complementadas por notas explicativas e outros quadros analticos necessrios para esclarecimento da situao patrimonial e dos resultados consolidados. DAS CONTROLADAS EXCLUDAS NAS DEMONSTRAES CONTBEIS CONSOLIDADAS

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 05 AVALIAO DE INVESTIMENTOS -IIIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia Art. 23 - Podero ser excludas das demonstraes contbeis consolidadas, sem prvia autorizao da CVM, as sociedades controladas que se encontrem nas seguintes condies: I. II. Com efetivas e claras evidncias de perda de continuidade e cujo patrimnio seja avaliado, ou no, a valores de liquidao; ou Cuja venda por parte da investidora, em futuro prximo, tenha efetiva e clara evidncia de realizao devidamente formalizada.

1 - Em casos especiais justificados, podero ser ainda excludas da consolidao, mediante prvia autorizao da Comisso de Valores Mobilirios, as sociedades controladas cuja incluso, a critrio da CVM, no represente alterao relevante na unidade econmica consolidada ou que venha distorcer essa unidade econmica. 2 - No balano patrimonial consolidado, o valor contbil do investimento na sociedade controlada excluda da consolidao dever ser avaliado pelo mtodo da equivalncia patrimonial. 3 - No ser considerada justificvel a excluso, nas demonstraes contbeis consolidadas, de sociedade controlada cujas operaes sejam de natureza diversa das operaes da investidora ou das demais controladas. DA ELABORAO DAS DEMONSTRAES CONTBEIS CONSOLIDADAS Art. 24 - Para a elaborao das demonstraes contbeis consolidadas, a investidora dever observar, alm do disposto no artigo 10, os seguintes procedimentos: I. II. III. Excluir os saldos de quaisquer contas ativas e passivas, decorrentes de transaes entre as sociedades includas na consolidao; Eliminar o lucro no realizado que esteja includo no resultado ou no patrimnio lquido da controladora e correspondido por incluso no balano patrimonial da controlada. Eliminar do resultado os encargos de tributos correspondentes ao lucro no realizado, apresentando-os no ativo circulante/realizvel a longo prazo - tributos diferidos, no balano patrimonial consolidado.

Pargrafo nico. No processo de consolidao das demonstraes contbeis, no poder ser efetuada a compensao de quaisquer ativos ou passivos pela deduo de outros passivos ou ativos, a no ser que exista um direito de compensao e a compensao represente a expectativa quanto realizao do ativo e liquidao do passivo. Art. 25 - A participao dos acionistas no controladores, no patrimnio lquido das sociedades controladas, dever ser destacada em grupo isolado, no balano patrimonial consolidado, imediatamente antes do patrimnio lquido. Art. 26 - O montante correspondente ao gio ou desgio proveniente da aquisio/subscrio de sociedade controlada, no excludo nos termos do inciso I do artigo 24, dever: I. Quando decorrente da diferena prevista no pargrafo 1 do artigo 14, ser divulgado como adio ou retificao da conta utilizada pela sociedade controlada para registro do ativo especificado; e Quando decorrente da diferena prevista no pargrafo 2 do artigo 14: a. b. ser divulgado em item destacado no ativo permanente, quando representar gio; e ser divulgado em conta apropriada de resultados de exerccios futuros, quando representar desgio.

II.

Art. 27 - A parcela correspondente proviso para perdas constituda na investidora deve ser deduzida do saldo da conta da controlada que tenha dado origem constituio da proviso, ou apresentada como passvo exigvel, quando representar expectativa de converso em exigibilidade.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 05 AVALIAO DE INVESTIMENTOS -IIIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia Art. 28 - Para a elaborao da demonstrao consolidada do resultado do exerccio a investidora dever: I. Incluir os resultados de sociedade controlada, adquirida ou vendida no transcorrer do exerccio social, tomando por base a data do respectivo registro ou baixa nos seus investimentos permanentes; e Excluir todas as receitas e despesas decorrentes de negcios entre a investidora e as sociedades controladas, bem como entre estas.

II.

Art. 29 - A participao dos acionistas no controladores no lucro lquido ou prejuzo do exerccio das controladas dever ser destacada e apresentada, respectivamente, como deduo ou adio ao lucro lquido ou prejuzo consolidado. Art. 30 - A demonstrao consolidada das origens e aplicaes dos recursos dever ser elaborada de maneira consistente com o contido nesta Instruo. DAS NOTAS EXPLICATIVAS S DEMONSTRAES CONTBEIS CONSOLIDADAS Art. 31 - As notas explicativas que acompanham as demonstraes contbeis consolidadas devem conter informaes precisas das controladas, indicando: I. II. Critrios adotados na consolidao e as razes pelas quais foi realizada a excluso de determinada controlada; Eventos subseqentes data de encerramento do exerccio social que tenham, ou possam vir a ter, efeito relevante sobre a situao financeira e os resultados futuros consolidados; Efeitos, nos elementos do patrimnio e resultado consolidados, da aquisio ou venda de sociedade controlada, no transcorrer do exerccio social, assim como da insero de controlada no processo de consolidao, para fins de comparabilidade das demonstraes contbeis; e Eventos que ocasionaram diferena entre os montantes do patrimnio lquido e lucro lquido ou prejuzo da investidora, em confronto com os correspondentes montantes do patrimnio lquido e do lucro lquido ou prejuzo consolidados. CONTBEIS DE SOCIEDADES

III.

IV.

DA CONSOLIDAO DAS DEMONSTRAES CONTROLADAS EM CONJUNTO

Art. 32 - Os componentes do ativo e passivo, as receitas e as despesas das sociedades controladas em conjunto devero ser agregados s demonstraes contbeis consolidadas de cada investidora, na proporo da participao destas no seu capital social. 1 - Considera-se controlada em conjunto aquela em que nenhum acionista exerce, individualmente, os poderes previstos no artigo 3 desta Instruo. 2 - No caso de uma das sociedades investidoras passar a exercer direta ou indiretamente o controle isolado sobre a sociedade controlada em conjunto, a controladora final dever passar a consolidar integralmente os elementos do seu patrimnio. Art. 33 - Em nota explicativa s demonstraes contbeis consolidadas, referidas no artigo anterior, devero ser divulgados ainda o montante dos principais grupos do ativo, passivo e resultado das sociedades controladas em conjunto, bem como o percentual de participao em cada uma delas. Art. 34 - Aplica-se o disposto nos artigos 23 a 31 elaborao das demonstraes contbeis consolidadas de sociedades controladas em conjunto, no que no colidir com as normas previstas nos artigos 32 e 33. DAS DISPOSIES FINAIS Art. 35 - As demonstraes contbeis consolidadas e respectivas notas explicativas sero objeto de exame e de parecer de auditores independentes.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 05 AVALIAO DE INVESTIMENTOS -IIIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia Pargrafo nico. A auditoria referida no caput deste artigo dever incluir o exame das demonstraes contbeis de todas as controladas, abertas ou fechadas, includas na consolidao, realizado por auditor registrado nesta Comisso. Art. 36 - As demonstraes contbeis consolidadas, assim como as notas explicativas e quadros analticos, referidos nesta Instruo, integram, em cada exerccio social, as demonstraes contbeis da companhia aberta investidora ou da sociedade de comando de grupo de sociedades que inclua companhia aberta. Art. 37 - A companhia aberta filiada de grupo de sociedades deve indicar, em nota explicativa s suas demonstraes contbeis, o rgo e, se possvel, a data de publicao das demonstraes contbeis consolidadas da sociedade de comando de grupo de sociedades a que estiver filiada. Art. 38 - Os ajustes iniciais, decorrentes das alteraes introduzidas por esta Instruo, devero ser registrados como receita ou despesa de equivalncia patrimonial, no resultado no operacional, com divulgao do fato e os valores envolvidos em nota explicativa. 1 - Aplica-se, ainda, o disposto no caput deste artigo aos investimentos que, por se tornarem relevantes, passarem a ser avaliados pelo mtodo da equivalncia patrimonial. 2 - O disposto neste artigo no implicar reelaborao das demonstraes contbeis individuais ou consolidadas relativas ao exerccio social anterior. Art. 39 - As companhias abertas devero manter em boa ordem, pelo prazo de 3 (trs) anos e por quaisquer meios adequados, a guarda dos papis de trabalho e memrias de clculo relativos elaborao de suas demonstraes contbeis consolidadas. Pargrafo nico. O descumprimento ao disposto aos artigos 1, 21, 32 e 35 desta Instruo ser considerado falta grave, para fins do artigo 11 da LEI N 6.385, de 07 de dezembro de 1976, ensejando a aplicao das penalidades previstas na legislao pertinente. Art. 40 - Todas as disposies relativas s sociedades coligadas, contidas nesta Instruo, aplicam-se ainda s sociedades equiparadas conforme definio contida no pargrafo nico do artigo 2. Art. 41 - Esta Instruo entra em vigor na data de sua publicao, aplicando-se demonstraes contbeis relativas aos exerccios sociais a se encerrarem a partir de 1 dezembro de 1996, quando ficaro revogadas as Instrues CVM n 01, de 27 de abril 1978, n 15, de 03 de novembro de 1980, n 30, de 17 de janeiro de 1984, o artigo 2 Instruo CVM n 170, de 03 de janeiro de 1992, e as demais disposies em contrrio. s de de da

Pargrafo nico. Adaptam-se presente Instruo as demais normas da CVM que tratam dessa matria. Original assinado por FRANCISCO DA COSTA E SILVA PRESIDENTE

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EXERCCIOS PROPOSTOS

01) (AFTN-96-Esaf) A figura contbil do gio pode ocorrer por origens e circunstncias diversas, entre elas a expectativa: a) De rentabilidade futura da Participao Societria adquirida b) Das despesas futuras da Participao Societria adquirida c) De o valor do Imobilizado Lquido da empresa investida tender para zero d) De prejuzos futuros da Participao Societria adquirida e) De o Patrimnio Lquido da empresa investida ser negativo 02) (AFTN-96-Esaf) O efeito da reavaliao de bens efetuados nas empresas coligadas, quando as participaes societrias so avaliadas pelo mtodo de custo: a) No gera nenhum registro contbil na investidora b) tambm registrado pela investidora imediatamente c) registrado pela investidora no ano subsequente ao fato d) Gera o reconhecimento de receita no-operacional na investidora e) Gera um registro contbil de receita operacional na investidora 03) (AFTN-96-Esaf) Quando uma empresa controlada faz reavaliao de seus bens, a empresa investidora deve registrar: a) O fato apenas juridicamente e evidenci-lo nas Notas Explicativas na ocasio da publicao do seu balano b) Contabilmente a parcela correspondente ao percentual de participao como contrapartida de receita realizada no perodo c) Contabilmente a parcela correspondente ao percentual de participao como contrapartida de receita de exerccios futuros d) Contabilmente a parcela correspondente ao percentual de participao como contrapartida de reserva de reavaliao e) Contabilmente a parcela correspondente ao percentual de participao de reduo do valor do investimento 04) (TCU-1998-CESPE) De acordo com a Instruo CVM n. 247, de 27 de maro de 1996, que dispe, entre outras coisas, a respeito da avaliao de investimentos em sociedades coligadas e controladas, julgue os itens abaixo. 1. O valor contbil do investimento relevante e influente em coligada ou controlada abrange o custo de aquisio mais a equivalncia patrimonial e o gio no-amortizado, deduzidos o desgio noamortizado e a proviso para perdas. 2. O investimento em controlada deve ser avaliado pelo mtodo da equivalncia patrimonial. 3. considerada exemplo de evidncia de influncia na administrao da coligada a significativa dependncia tecnolgica e/ou econmico-financeira. 4. O investimento em sociedade coligada ou controlada, cuja venda por parte da investidora, em futuro prximo, tenha efetiva e clara evidncia de realizao, deixar de ser avaliado pelo mtodo da equivalncia patrimonial, imediatamente aps a deciso de venda. 5. O investimento em coligada que, por reduo do valor contbil do investimento, deixar de ser relevante, deixar de ser avaliado pela equivalncia patrimonial, mesmo que a reduo no seja considerada de carter permanente.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 05 AVALIAO DE INVESTIMENTOS -IIIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia Responda s questes 05 a 09, utilizando os dados do enunciado a seguir: Em 10 de janeiro de 19x8, a Cia. Alfa pagou R$ 700.000 por 100.000 aes que representavam 30% das aes da Cia. Beta. O gio pago pela Cia. Alfa ser amortizado em 10 anos. Em 31 de dezembro de 19x8, a Cia. Beta apresentou um lucro do exerccio 19x8 de R$ 300.000. Em 10 de julho de 19x8, a empresa Beta pagou, em caixa, dividendos de R$ 100.000. A Cia. Alfa exerce significativa influncia sobre a Cia. Beta e avalia seus investimentos pelo mtodo da equivalncia patrimonial. O valor apurado como Lucros e Prejuzos de Participaes em outras Sociedades reportado pela Cia. Alfa foi de R$ 80.000 em 31.12.19x8. 05) (AFTN-98-Esaf) O valor do gio pago por Alfa, por ocasio da aquisio das aes da Cia. Beta, foi de a) R$ 100.000,00 b) R$ 30.000,00 c) R$ 90.000,00 d) R$ 80.000,00 e) R$ 60.000,00 06) (AFTN-98-Esaf) Ao final do exerccio de 19x8, o valor apurado na aplicao da Equivalncia Patrimonial foi de a) R$ 30.000,00 b) R$ 60.000,00 c) R$ 100.000,00 d) R$ 80.000,00 e) R$ 90.000,00 07) (AFTN-98-Esaf) O valor registrado na Conta Participaes Permanentes em Outras Sociedades pela Cia. Alfa foi de a) R$ 700.000,00 b) R$ 300.000,00 c) R$ 600.000,00 d) R$ 900.000,00 e) R$ 800.000,00 08) (AFTN-98-Esaf) O valor nominal unitrio das aes adquiridas da Cia. Beta foi de a) R$ 8,00 b) R$ 9,00 c) R$ 2,00 d) R$ 6,00 e) R$ 3,00 09) (AFTN-98-Esaf) O valor do gio amortizado, ao final do exerccio de 19x8, pela Cia. Alfa foi de a) R$ 10.000,00 b) R$ 90.000,00 c) R$ 70.000,00 d) R$ 30.000,00 e) R$ 60.000,00 10) (TRT-4/ANAL.JUD.-2001) A controladora detm 60% do capital da investida, que teve no exerccio um lucro de 5.000 e lhe atribuiu lucros acumulados de 2.000, resultando em acrscimo do valor desse seu investimento: a) 1 000 b) 1 800 c) 3 000 d) 5 000 e) 7 000

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11) (AFRF-2001-Esaf) O gio na compra de investimento avaliado pelo mtodo da equivalncia patrimonial determinado pelo valor pago que exceder a) ao valor do capital da investidora. b) ao valor de cotao em bolsa. c) ao valor do capital da investida. d) ao valor patrimonial da ao. e) ao valor do capital e reservas de capital da investida. 12) (AFRF-2001-Esaf) Em circunstncias que determinem situaes que configurem a existncia de perdas j previstas mas no contabilizadas pelas coligadas ou controladas, deve ser constituda uma proviso para perdas em Investimentos. Sobre esse assunto a Instruo CVM 247/96, em seu artigo 12 inciso II, estabelece como perdas potenciais a) responsabilidade formal ou operacional para cobertura de passivo a descoberto e tendncia de perecimento de investimento b) tendncia de perecimento do investimento e elevado risco de paralisao de operaes de coligadas e controladas c) eventos que resultarem em perdas no provisionadas pelas coligadas ou controladas em suas demonstraes contbeis d) elevado risco de paralisao de operaes de coligadas e controladas e responsabilidade formal ou operacional para cobertura de passivo a descoberto e) perdas decorrentes de sinistros j ocorridos e ainda no registradas contabilmente pela controlada ou coligada 13) (AFRF-2002-Esaf) A avaliao de valores mobilirios, no classificados como

investimentos, estabelecida no artigo 183 da Lei 6.404/76, utiliza como base os critrios contbeis a) do denominador comum monetrio. b) da conveno de consistncia. c) do custo histrico e da materialidade. d) do custo ou mercado, dos dois o menor. e) da prudncia e do custo de oportunidade. 14) (AFRF-2002-Esaf) Assinale a opo que corresponde a um correto tratamento contbil relativo a investimentos no exterior. a) Os investimentos em controladas ou coligadas existentes no exterior devem obrigatoriamente fazer a consolidao de balanos independentemente da relevncia do valor investido. b) O mtodo da equivalncia patrimonial deve ser adotado para avaliar participaes societrias tanto em controladas como em coligadas, sempre que essas forem relevantes. c) Independentemente da relevncia do investimento no exterior, deve ser utilizado o mtodo de equivalncia patrimonial mesmo quando se tratar de filiais ou agncias no exterior. d) A avaliao de investimentos societrios em empresas estrangeiras dever ser feita pelo mtodo do custo identificado pela taxa mdia de cmbio do ms em que o mesmo for efetivado. e) Na adoo de critrios contbeis divergentes daqueles utilizados pela investidora brasileira, os valores apurados no exterior devem ser apenas convertidos taxa de cmbio mdia do perodo contbil de referncia.

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15) (AFRF-2002-Esaf) O registro contbil efetuado quando da aquisio de participaes societrias relevantes com desgio, de acordo com a Instruo CVM 247/76, envolve: a) lanamentos em subcontas do grupo Permanente Investimentos. b) reconhecimento de receitas no-operacionais de lucros com investimentos. c) lanamento de crdito em ganhos com investimentos permanentes. d) registro em participao societria apenas pelo valor lquido pago. e) a apropriao em resultados de exerccios futuros do valor do desgio. 16) (AFRF-2002-Esaf) O prazo mximo para amortizao do gio ou desgio decorrente de expectativa de resultado futuro, conforme estabelecido por Instruo/CVM, de: a) 3 anos b) 5 anos c) 7 anos d) 8 anos e) 10 anos 17) (AFRF-2002-2-Esaf) As perdas permanentes em investimentos avaliados pelo mtodo da equivalncia patrimonial so denominadas de perdas efetivas, segundo a Instruo CVM 247/96, quando provenientes de: a) Eventos que possam indicar perda total de crditos contra coligadas e controladas. b) Perdas resultantes do processo de produo industrial de controladas e coligadas no provisionadas. c) Eventos que possam prever perda parcial ou total do valor contbil do investimento. d) Eventos que resultarem em perdas no provisionadas pelas coligadas e controladas em suas demonstraes contbeis. e) Situao de elevado risco de paralisao de operaes de coligadas ou controladas. 18) (AFRF-2002-2-Esaf) A diferena verificada, ao final de cada perodo, no valor do investimento avaliado pelo mtodo da equivalncia patrimonial, quando relativo variao cambial de investimento em coligada ou controlada no exterior, deve ser apropriada pela investidora a) como reserva de capital quando o saldo for credor. b) sempre como conta de despesa no operacional. c) como receita ou despesa operacional. d) sempre como ganho de capital. e) como subconta do ativo permanente diferido. 19) (AFRF-2002-2-Esaf) Poder deixar de ser avaliado pelo mtodo da equivalncia patrimonial: a) o investimento em coligada no valor contbil superior a 20% do patrimnio lquido da investidora. b) o investimento indireto em outra empresa com valor contbil superior a 20% do capital votante da investida. c) o investimento indireto em empresas, com valor contbil superior a 30% do capital votante da investida que apresente prejuzos em dois perodos subseqentes. d) o investimento em sociedades controladas ou coligadas que apresentar efetiva e clara evidncia de perda de continuidade. e) o investimento direto em empresas, com valor contbil superior a 30% do capital votante da investida que apresente prejuzos em trs perodos subseqentes.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 05 AVALIAO DE INVESTIMENTOS -IIIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia Utilizando as informaes contidas no quadro de composio acionria das companhias, responder s questes de n 20 a 22. (Quadro de composio Acionria - quantidade de aes) Investidores Empresas Total de Cia. Cia. Outro(s) Investidas Aes Itarar Itacolomi Acionista(s) Cia. Itajub 80.000 90.000 30.000 200.000 Cia. Itaipu 195.000 90.000 15.000 300.000 Cia. Itamarac 40.000 ..... 10.000 50.000 Cia. Itacolomi 120.000 ..... 30.000 150.000 20) (AFRF-2002-2-Esaf) O valor nominal unitrio das aes da Cia. Itaipu R$2,00; em maro de 2002 a empresa aumenta o seu capital ordinrio em 60.000 aes ordinrias para subscrio apenas no mercado primrio. A Cia. Itarar subscreve e integraliza nessa operao o valor de R$60.000,00; esse fato contbil gera: a) um fato contbil misto aumentativo na contabilidade da investida. b) um percentual de participao maior da investidora na investida. c) a identificao da perda do controle indireto da Cia. Ita. d) o reconhecimento de uma perda de capital pela investidora. e) o registro de um ganho de capital pela Cia. Itarar. 21) (AFRF-2002-2-Esaf) Cia. Itamarac tem como atividade o transporte de cargas e foi constituda apenas para prestar esse tipo de servio s empresas do grupo. Nesse caso a divulgao desse fato em notas explicativas: a) no necessria se as empresas do grupo estiverem obrigadas a consolidar suas demonstraes. b) obrigatria por ferir possveis interesses de acionistas minoritrios e afetar a tributao do Imposto de Renda. c) facultativa desde que esta deciso no afete o fato gerador para o clculo do ICMS e do Imposto sobre a Renda. d) no necessria por eventualmente vir a gerar transferncias no remuneradas entre as partes relacionadas. e) indispensvel por se tratar de operao entre partes relacionadas e afetar a tributao. 22) (AFRF-2002-2-Esaf) Por deciso das diretorias das empresas do grupo ficou estabelecido como perodo de exerccio contbil para todas as empresas o ano civil. Na verificao da ocorrncia de uma venda de um bem imobilizado, com lucro, da Cia. Itacolomi para a Cia. Itarar e, ao final do perodo contbil de ambas, a compradora ainda mantinha em seu patrimnio esse bem. O resultado apurado nessa operao classificado contabilmente como: a) resultado de investimento. b) ganho de capital. c) resultado no-realizado. d) perda de capital. e) lucro das operaes.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 05 AVALIAO DE INVESTIMENTOS -IIIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia 23) (TCU-1995-CESPE) A legislao comercial, em particular a aplicvel s sociedades por aes, define os principais critrios de avaliao patrimonial. Com base nessa legislao, nos princpios e na doutrina contbil, julgue os itens a seguir. 1. Os imveis classificados como "Investimentos" sero avaliados pelo custo de aquisio, ajustado, para mais ou para menos, ao valor de mercado. 2. Os emprstimos sujeitos a correo monetria sero atualizados com base no ndice oficial e acrescidos de todos os encargos calculveis at a data do vencimento. 3. As participaes societrias no capital social de outras sociedades, quando ficarem caracterizados a relevncia e o controle, sero avaliadas com base na equivalncia patrimonial. 4. Os crditos em moeda estrangeira sero convertidos em moeda nacional, atualizados com base na variao cambial e deduzidos das provises adequadas ao valor provvel de realizao. 5. As matrias-primas e outros insumos de produo sero avaliados pelo custo de aquisio, ajustado ao valor de mercado, que corresponde ao preo pelo qual possam ser revendidos. 24) (AFRF-2003) A Cia. ABC adquire 2% do total de aes da Cia. Lavandisca. Na ocasio da operao, o preo acordado envolvia o valor das aes e dividendos adquiridos, relativos a saldos, de Reservas e Lucros Acumulados, pr-existentes e ainda no distribudos. No momento em que ocorrer o efetivo pagamento dos dividendos referentes a esses itens, o tratamento contbil dado a esse evento dever ser: a) creditar o valor correspondente a esse dividendo em conta de receita no operacional em contrapartida do registro do ingresso do recurso no caixa. b) ajustar o resultado do exerccio e creditar o valor correspondente a esse dividendo em conta de desgio em aquisio de investimentos permanentes em contrapartida do registro do ingresso do recurso no caixa. c) lanar o valor correspondente a esse dividendo a crdito da conta participao societria em contrapartida do registro do ingresso do recurso no caixa. d) registrar os dividendos recebidos como receita operacional em contrapartida ao lanamento de dbito na conta caixa. e) considerar o valor recebido como receita no operacional e debitando em contrapartida da conta gio em investimentos societrios. 25) (AFRF-2003) A Cia. Jovial, controlada da Cia. poca, em um determinado exerccio reconhece como ajustes de exerccios os efeitos relevantes decorrentes de efeitos da mudana de critrio contbil. Neste caso, a controladora que avalia seu investimento pelo mtodo de equivalncia patrimonial, dever: a) registrar o efeito correspondente sua participao em seu resultado como item operacional. b) proceder realizao de assemblia extraordinria e dar conhecimento aos acionistas minoritrios do fato ocorrido na controlada. c) apenas efetuar a evidenciao do fato em notas explicativas e constar em ata de assemblia extraordinria. d) lanar tambm como Ajustes de Exerccios Anteriores o valor proporcional sua participao societria. e) apenas fazer a evidenciao do fato em notas explicativas, tendo em vista que o fato no afeta o seu resultado.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 05 AVALIAO DE INVESTIMENTOS -IIIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia 26) (AFRF-2003) A Cia. Jaguaribe, em 01.03.2000, recebe em doao, do municpio x, um terreno industrial avaliado em R$ 250.000, para instalar uma nova unidade fabril. Essa operao, prevista no planejamento estratgico da empresa no item expanso, envolve um investimento total de 15,5 milhes com previso para entrar em operao nos prximos dois anos. Indique o procedimento contbil que a Cia. Boa Sorte, detentora de 60% do capital votante dessa empresa, dever ter em relao doao do bem. a) Aplicar o percentual de participao no capital da controlada e registrar o valor apurado como Reserva de Lucros a Realizar. b) Reconhecer em seu resultado, no momento em que o evento ocorreu, uma receita operacional de valor proporcional sua participao. c) Registrar em seu patrimnio lquido, como Reserva de Capital, o valor proporcional sua participao societria. d) Indicar em notas explicativas o acrscimo patrimonial de sua investida e a potencialidade de um provvel ganho de capital. e) Lanar ao final do exerccio no qual a controlada registrou a incorporao do terreno como um ganho de capital relativo doao. 27) (AFRF-2003) Na verificao de participao recproca em operaes de incorporao, o procedimento exigido pela Lei 6.404/76 ser: a) a empresa incorporada dever alienar, no perodo de seis meses, a parcela de aes ou quotas que no excederem o valor dos lucros e reservas. b) somente a empresa incorporadora dever publicar o fato em jornal de grande circulao no local onde estiver sediada, justificando a natureza e o valor da operao. c) mencionar o fato nos relatrios e demonstrao financeira de ambas as sociedades e eliminar esse tipo de participao, no prazo mximo de um ano. d) mencionar esse fato apenas no relatrio da administrao, justificando a necessidade da operao e indicando as classes e valor nominal das aes envolvidas. e) alienar, no perodo de seis meses, a parcela de aes ou quotas que no excederem o valor dos lucros acumulados da incorporadora.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 05 AVALIAO DE INVESTIMENTOS -IIIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia GABARITOS 01 A 06 E 11 D 16 E 21 A 26 - B 02 A 07 C 12 B 17 D 22 - C 27 - C 03 D 08 D 13 D 18 C 23- E E C C E 04 C,C,C,E,E 09 A 14 B 19 D 24 - C 05 A 10 A 15 A 20 D 25 - A

Alguns exerccios resolvidos:

Questes da aula 03.Empresas Cia. Mau Cia. Rondon Cia. Caxias Cia. Itarar 2.000 16.000 35.000

Quadro de composio acionria da CIA ITARAR nas companhias Mau e Rondon: Composio do Capital Cia. Caxias 4.000 2.000 -----Outros Acionistas 4.000 2.000 15.000 Total de aes 10.000 20.000 50.000

Resoluo: Para facilitar a visualizao da participao acionria, conveniente passar as informaes do quadro para um grfico, em que representaremos a participao de uma empresa em outro traando setas no sentido da participao:ITARAR 20% MAU 70% 40% CAXIAS 10% 80% RANDON

07) (AFRF-2001-Esaf) A Cia. Itarar tem uma participao total nas investidas na seguinte ordem: a) 67% na Cia. Rondon, 30% na Cia. Caxias e 40% na Cia. Mau b) 70% na Cia. Rondon, 70% na Cia. Caxias e 38% na Cia. Mau c) 70% na Cia. Rondon, 70% na Cia. Caxias e 20% na Cia. Mau d) 87% na Cia. Rondon, 70% na Cia. Caxias e 48% na Cia. Mau e) 10% na Cia. Rondon, 70% na Cia. Caxias e 40% na Cia. Mau

Percebe-se que a ITARAR possui participao direta de 20% na Mau, de 80% na Randon e de 70% na Caxias. Entretanto, a Caxias possui investimento de 40% na Mau e de 10% na Randon, o que constitui investimento indireto na ITARAR naquelas duas empresas. Desta forma, o investimento da Itarar na Randon de 80% mais 10% de 70%, ou seja, mais 7%. Isto totaliza 87%. de notar que 10% = 10/100 e 70% = 70/100. A participao na Caxias apenas a direta de 70%. A participao na Mau de 20% de forma direta e mais 28% de forma indireta (40% de 70%), totalizando 48%. Assim, a resposta correta a letra d.08) (AFRF-2001-Esaf) O percentual de participao indireta da Cia. Itarar nas empresas Mau e Rondon : a) 18% na Cia. Mau e 77% na Cia. Rondon b) 28% na Cia. Mau e 20% na Cia. Rondon c) 28% na Cia. Mau e 7% na Cia. Rondon d) 8% na Cia. Mau e 28% na Cia. Rondon

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 05 AVALIAO DE INVESTIMENTOS -IIIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagiae) 7% na Cia. Mau e 70% na Cia. Rondon

Resoluo: Conforme resoluo da questo anterior, a resposta correta a letra c.A configurao grfica do Conglomerado Alfabtico a seguinte:CIA A

20%

60%

30%

CIA. B

CIA. C

CIA. D

100%

10%

70%

30%

CIA. G

CIA. F

100%

CIA. H

20% CIA. E 25% CIA. I OUTROS 55%

Com base no grfico fornecido, responda s questes de 15 a 17. 15) (AFRF-2002-Esaf) De acordo com a figura apresentada pode-se afirmar que a) a Cia. G controlada indireta da Cia. B. b) as empresas C e I so controladas da Cia. A. c) a Cia. A participa indiretamente na Cia. I com 9%. d) a participao indireta da Cia. A na Cia. H de 51%. e) a participao indireta da Cia. A nas empresas F e H idntica.

Resoluo: a) A CIA G subsidiria integral da CIA B, pois a CIA B possui 100% do capital de G, logo controlada direta. b) A participao de A em C de 60%, donde pode-se concluir que C controlada de Porm, a participao de A em I apenas indireta, cujo valor pode ser assim apurado: olhando de frente para a figura, pela direita temos a participao de: 30% de 30% de 20%, ou seja: 0,3 x 0,3 x 0,2 = 0,018 x 100 = 1,8%. Agora pelo centro, a participao de 60% de 70% de 20%, ou seja, 0,6 x 0,7 x 0,2 = 0,084 x 100 = 8,4%. Ainda pela esquerda, com participao de 20% de 10% de 25%, ou seja, 0,2 x 0,1 x 0,25 = 0,005 x 100 = 0,5%. Ento, a participao de A em I de 1,8% + 8,4% + 0,5% = 10,7%, o que no caracteriza o controle. c) Acabamos de calcular a participao indireta de A em I, que de 10,7%. d) Percebam que a empresa A no possui participao direta em H. A participao indireta e se d por intermdio das Cias. C e D. A participao por meio da Cia C de 42% (70% de 60%) A participao por intermdio de D de 9% (30% de 30%). Logo, a participao indireta de A em H de 51%. a resposta correta. e) A participao indireta de A em H j vimos que de 51%. A participao de A em F de apenas 2%.16) (AFRF-2002-Esaf) Sendo o percentual de participao da Cia. A na Cia B relativo ao capital total, pode-se afirmar que

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 05 AVALIAO DE INVESTIMENTOS -IIIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagiaa) a Cia. B equiparada a controlada de A. b) a Cia. B coligada de A. c) a participao de A em B relevante. d) a Cia. A controladora de B. e) irrelevante se B for dependente da tecnologia de A.

Resoluo: O investimento de A em B de 20%. No sabemos a composio acionria de B, logo a participao pode ser em aes sem direito a voto. Entretanto, uma coisa certa: A Cia B coligada de A. Conforme vimos em nossas aulas, a relevncia se mede em relao ao PL da investidora. Como no dispomos desses dados, fiquemos com a resposta da letra b.17) (AFRF-2002-Esaf) Sendo o percentual de participao da Cia. A na Cia. B relativo ao capital total, pode-se afirmar que a) a Cia. I equiparada a controlada de D. b) a Cia. B participa indiretamente de I com 7%. c) a participao de A em B relevante em I. d) a Cia. A participa indiretamente de I com 10,7%. e) a Cia. H participa indiretamente de I com 10,7%.

Resoluo: Se voltarmos questo 15) veremos que a Cia A participa indiretamente em I com 10,7%. Resposta correta letra d.19) (AFRF-2002-2-Esaf) (Quadro de composio Acionria - quantidade de aes) Investidores Empresas Cia. Cia. Outro(s) Investidas Itarar Itacolomi Acionista(s) Cia. Itajub 80.000 90.000 30.000 Cia. Itaipu 195.000 90.000 15.000 Cia. Itamarac 40.000 ..... 10.000 Cia. Itacolomi 120.000 ..... 30.000 O percentual de participao indireta da Cia. Itarar na Cia. Itaipu : a) 20% b) 24% c) 30% d) 34% e) 52%

Total de Aes 200.000 300.000 50.000 150.000

Resoluo: Novamente, para facilitar a visualizao, devemos fazer o grfico da relao de investimentos:ITARAR 65% ITAIPU 80% ITAMARAC 80% 30% ITACOLOMI 45% 40% ATAJUB

A participao indireta da Itarar na Itaipu ocorre por meio da Itacolomi. Ento, 30% de 80% resulta em 24%. A resposta correta a letra b.20) (AFRF-2002-2-Esaf) (Quadro de composio Acionria - quantidade de aes) Investidores Empresas Total de Cia. Cia. Outro(s) Investidas Aes Itarar Itacolomi Acionista(s) Cia. Itajub 80.000 90.000 30.000 200.000 Cia. Itaipu 195.000 90.000 15.000 300.000 Cia. Itamarac 40.000 ..... 10.000 50.000 Cia. Itacolomi 120.000 ..... 30.000 150.000 As empresas em questo formam um grupo de empresas, localizadas em diversos estados brasileiros e possuem como atividade principal a extrao, beneficiamento, industrializao e comercializao de mrmores, granitos e pedras de diversos tipos; sua empresa holding a Cia. ITA. Se essa empresa a investidora direta das empresas

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 05 AVALIAO DE INVESTIMENTOS -IIIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto MissagiaItarar e Itacolomi, indique o percentual mximo de participao direta, no capital da empresa Itacolomi, que a Cia. Ita poderia ter: a) 100% b) 88% c) 52% d) 40% e) 20%

Resoluo: Como a Itarar possui 80% das aes da Itacolimi, a ITA poder ter, no mximo, 20% do capital dessa empresa. Resposta correta letra e.21) (AFRF-2002-2-Esaf) (Quadro de composio Acionria - quantidade de aes) Investidores Empresas Total de Cia. Cia. Outro(s) Investidas Aes Itarar Itacolomi Acionista(s) Cia. Itajub 80.000 90.000 30.000 200.000 Cia. Itaipu 195.000 90.000 15.000 300.000 Cia. Itamarac 40.000 ..... 10.000 50.000 Cia. Itacolomi 120.000 ..... 30.000 150.000 Se a participao societria da Cia. Ita na Cia. Itacolomi for de 20% do capital total, a participao dessa empresa na Cia. Itajub : a) considerada indireta no valor de 45%. b) nula porque a Cia. Itajub no ligada Cia. lta. c) considerada direta no valor de 20%. d) evidenciada em notas explicativas. e) nula por no haver relao direta entre elas.

Resoluo: A participao societria direta e indireta em controladas e coligadas deve ser evidenciada em notas explicativas, salvo se a empresa elaborar demonstraes consolidadas. Resposta correta letra d.

Questes da aula 04:01) (AFTN-96-Esaf) Quando a Participao Societria for relevante, o efeito gerado por prejuzos apurados na investida deve ser registrado pela empresa controladora da seguinte forma : a) Lucros / Prejuzos Acumulados a Participaes Societrias b) Participaes Societrias a Lucros / Prejuzos Acumulados c) Lucros / Prejuzos Acumulados a Participao nos Resultados de Coligadas e Controladas d) Participao nos Resultados de Coligadas e Controladas a Lucros / Prejuzos Acumulados e) Participao nos Resultados de Coligadas e Controladas a Participaes Societrias

Resoluo: Inicialmente devemos observar que a questo se refere a uma prova realizada em 1996. De l at a presente data ocorreram algumas alteraes na Lei e a CVM entrou em campo editando normas sobre o assunto. O registro do resultado da equivalncia patrimonial lanado diretamente no ativo permanente investimento em contrapartida de conta de resultado. Caso o resultado da equivalncia seja positivo, o investimento ser debitado e creditado o resultado. Quando a sociedade investida (controlada ou coligada avaliada pela equivalncia) apurar prejuzo, o resultado da equivalncia ser negativo. Neste caso, o investimento ser creditado e ser debitada conta de resultado. Desta forma, o lanamento correto o da letra e.

Em 31.12.1994 os balancetes finais das Cias. PAR e SERGIPE eram os seguintes : Contas CIA. PAR

CIA. SERGIPE

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 05 AVALIAO DE INVESTIMENTOS -IIIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto MissagiaSaldos Ajustados Ativo Circulante Ativo Realizvel a Longo Prazo Ativo Permanente Investimentos Imobilizado Lquido Passivo Circulante Passivo Exigvel a Longo Prazo Patrimnio Lquido: Capital Reservas Lucros/Prejuzos Acumulados Despesas Operacionais 80.000 10.000 20.000 60.000 50.000 1.000 (14.000) 45.000 30.000 110.000 25.000 15.000 --49.000 15.000 5.000 12.000 18.000 Saldos Ajustados 5.000 ---

Receitas Operacionais 80.000 42.000 Outras informaes: Ipara apurao dos resultados de 1994, das empresas, falta apenas a avaliao dos Investimentos Permanentes. II a Cia PAR detinha 60% do capital da Cia. SERGIPE e constitua-se na nica participao societria da empresa . III a inflao no perodo foi ZERO IV at o exerccio contbil de 1993 os investimentos no eram avaliados pela equivalncia patrimonial. Com base nas informaes anteriores, identifique a resposta correta para as questes de nmeros 03 a 05. 03) (AFTN-96-Esaf) Aplicando o mtodo da equivalncia patrimonial, o valor correto dos Investimentos Permanentes na Cia PAR seria: a) $ 30.000 b) $ 20.400 c) $ 9.600 d) $ 22.000 e) $ 1.800

Resoluo: O valor do investimento ser apurado pela aplicao de 60% sobre o Patrimnio Lquido da Cia SERGIPE. O PL da Cia Sergipe, considerando que no perodo teve prejuzo de R$ 3.000,00 (42.000 45.000), ser de: Capital social R$ 50.000,00 + Reservas R$ 1.000,00 (-) P. Acumulados R$ 17.000,00 Patrimnio Lquido R$ 34.000,00 Aplicando o percentual de participao (60%), teremos que o investimento da empresa PAR na Sergipe vale R$ 20.400,00. Resposta correta letra b.04) (AFTN-96-Esaf) O resultado apurado na aplicao da equivalncia patrimonial deveria ser lanado pela Cia. PAR como: a) Lucros/ Prejuzos Acumulados - Ajustes de Exerccios Anteriores 7.800 Outras Despesas Operacionais - Lucros e Prejuzos de Participaes em outras Companhias 1.800 a Investimentos 9.600 b) Proviso para Perdas com Investimentos Permanentes 9.600 a receitas no Operacionais - Ganhos c/ Investimentos 7.800 a Investimentos 1.800 c) Lucros / Prejuzos Acumulados - Ajustes de Exerccios Anteriores 1.800 Outras Despesas Operacionais - Lucros e Prejuzos de Participaes em outras Companhias 7.800 a Investimentos 9.600 d) Ganhos / Perdas com Alienao de Investimentos 7.800 Despesas no-operacionais - Lucros e Prejuzos de Participaes em outras Companhias 1.800 a Investimentos 9.600 e) Investimentos 1.800 Despesas no-operacionais - Lucros e Prejuzos de Participaes em outras Companhias 7.800 a Ganhos e Perdas c/ Investimentos 9.600

Resoluo:

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 05 AVALIAO DE INVESTIMENTOS -IIIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia Percebam que a participao da Cia Par no capital da Cia Sergipe de 60% e que o Capital Social da Cia Sergipe de R$ 50.000,00. Isto nos leva a concluir que a Cia Par investiu R$ 30.000,00. At aqui, tudo tranqilo?! Muito bem, na questo anterior apuramos que o investimento, em 31/12/1994, vale apenas R$ 20.400. Logo, a Cia Par est arcando com resultado negativo de R$ 9.600,00. Outro aspecto que deve ser considerado que o investimento no vinha sendo avaliado pela EP at o ano de 1993. A o bicho comea a pegar. Mas, vamos em frente. Uma coisa j deve ter ficado certo. Como o investimento passou a ser avaliado pelo MEP e ele vale apenas R$ 20.400,00, o investimento deve ser creditado no valor de R$ 9.600,00. Mas a contrapartida no deve ser toda no resultado do exerccio, pois no ano de 1994 o prejuzo da Cia Sergipe foi de apenas R$ 3.000,00 e, se aplicado o percentual de participao (60%), apenas R$ 1.800,00 deve ter como contrapartida o resultado do exerccio atual. Os outros R$ 7.800,00 se referem a prejuzos que a Cia Sergipe teve em exerccios anteriores. Os ajustes de exerccios anteriores na Cia Par ho de ser realizados diretamente em conta de Lucros ou Prejuzos Acumulados, em funo do princpio da competncia. Desta forma, o lanamento correto est representado pela letra a.05) (AFTN-96-Esaf) Considerando o valor apurado na equivalncia patrimonial, o Resultado do Exerccio de 19x4 da Cia. PAR : a) $.24.200 b) $.10.400 c) $.12.200 d) $.22.200 e) $.18.200

Resoluo: Confrontando as receitas e despesas do exerccio, temos: Receitas operacionais R$ 80.000,00 (-) Desp. Operacionais R$ 60.000,00 (-) Resultado da EP R$ 1.800,00 = Resultado do Exerccio R$ 18.200,00 Resposta correta letra e.

09) (ESAF/98-Esaf) A empresa Dona S/A possui capital social formado por 2 milhes de aes. Ns, a empresa Scia S/A, possumos 30% desse capital e avaliamos o nosso investimento pelo mtodo da Equivalncia Patrimonial. No fim do exerccio social a empresa Dona S/A, tendo apurado lucro lquido de R$ 300.000,00, resolveu contabilizar a distribuio de dividendos calculados em 40% deste lucro. O nosso Contador, ao ser comunicado deste fato, promoveu o seguinte lanamento no Dirio da empresa Scia S/A, para registrar o dividendo a ela distribudo: a) Equivalncia Patrimonial a Investimentos Permanentes a Aes da Empresa Dona S/A Pelo valor que nos cabe como acionista R$ 90.000,00 b) Dividendos a Receber a Receitas de Dividendos Pelo valor que nos cabe como acionista R$ 36.000,00 c) Investimentos Permanentes / Aes da Empresa Dona S/A a Receita da Equivalncia Patrimonial Pelo valor que nos cabe como acionista R$ 90.000,00 d) Dividendos a Receber a Receitas de Dividendos Pelo valor que nos cabe como acionista R$ 90.000,00 e) Dividendos a Receber a Investimentos Permanentes a Aes da Empresa Dona S/A Pelo valor que nos cabe como acionista R$ 36.000,00

Resoluo: Essa questo poder ter pego alguns de surpresa. Mas, se ordenarmos as coisas como devem ser, certamente, nunca mais cairo em ciladas como esta.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 05 AVALIAO DE INVESTIMENTOS -IIIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia No enunciado fala a respeito do registro do dividendo. Ora, para registrar o dividendo o contador da nossa empresa j sabia do lucro de R$ 300.000,00 e j havia registrado o resultado da equivalncia patrimonial no valor de R$ 90.000,00, aumentando o investimento em contrapartida de resultado. No recebimento do dividendo ou na sua declarao pela sociedade investida o lanamento deve ser a dbito de AC (dividendos a receber ou caixa/bancos) e a crdito de investimento. Como o lucro foi de R$ 300.000,00 e o dividendo proposto foi de 40% do lucro, houve a proposta de dividendos a pagar no valor de R$ 120.000,00. A nossa empresa possui direito a receber 30% desse valor, ou seja, R$ 36.000,00. Assim, o lanamento correto o da letra e.19) (AFRF-2002-Esaf) A empresa Juru S/A, controladora do Grupo Solimes, evidencia, em um determinado perodo, os valores de 140 milhes como Participaes Societrias e 250 milhes como total de Patrimnio Lquido. No mesmo perodo, essa empresa possui 5% do capital preferencial da Cia. Rio Negro, que de 90.000. Com base nas informaes anteriores, identifique o procedimento contbil correto a ser aplicado nessas circunstncias. a) os dividendos, quando pagos pela investida, devem ser registrados como receita. b) as alteraes ocorridas no Patrimnio Lquido da investida so simultaneamente reconhecidas na investidora. c) a empresa investida reconhecida como equiparada empresa Coligada no processo de Consolidao. d) na distribuio dos lucros da investida, os dividendos provisionados representam ingressos de Disponibilidades. e) na avaliao dessa participao societria, aplica-se a equivalncia patrimonial.

RESOLUO: Percebam que o investimento da empresa Juru S/A na Cia. Rio Negro no relevante e to pouco a Cia. Rio Negro sua coligada, logo o investimento deve ser avaliado pelo Mtodo do Custo de Aquisio. Por esta forma de avaliao de investimentos os dividendos, quando recebidos, devem ser lanados diretamente como receita operacional. Resposta correta letra A.23) (AFRF-2003) I. A Cia. Boa Vista, companhia atuante no mercado imobilirio, em 20.10.20x1 faz uma aplicao financeira em Ttulos e Valores Mobilirios de R$ 500.000, resgatvel em 180 dias pelo valor de R$ 590.000, com Imposto de Renda Retido na Fonte de 10%; II. O imposto retido compensvel com o Imposto de Renda devido sobre o lucro apurado no perodo fiscal; III. O perodo contbil da empresa, estabelecido em seu estatuto, abrange o intervalo de tempo entre 01.01 a 31.12 de cada ano. Em 31.12.20x1 o valor de mercado dos ttulos que lastreiam essa aplicao temporria era de R$ 532.000 e as despesas de negociao e corretagem R$ 2.000. Em casos como este o procedimento contbil a ser efetivado seria: a) computar o rendimento efetivo de R$ 27.000, j deduzido do Imposto de Renda retido na fonte, registrando o valor apurado em conta do ativo. b) debitar em conta de ativo o ajuste de R$ 32.000 correspondente ao valor de mercado dos ttulos a crdito de conta de receita financeira. c) evidenciar em notas explicativas o ganho efetivo de R$ 30.000 em funo do custo de oportunidade da empresa em relao a essa aplicao. d) efetuar o provisionamento de R$ 6.000 para atender o ajuste ao valor de mercado, forma de avaliao aplicada a este tipo de ativo. e) registrar o ganho de R$ 4.000 resultantes da comparao entre o valor pago na data do balano e o valor contbil da aplicao.

RESOLUO: Percebam que, de 20/10/x1 at 31/12/x1 so 72 dias. Como o rendimento previsto para 180 dias de R$ 90.000,00, ento o rendimento dirio ser de R$ 500,00 (R$ 90.000,00 / 180 dias). Assim, para o perodo de 72 dias teremos de considerar o rendimento de R$ 36.000,00 (72 d x R$ 500,00 / d). Desta forma, no final de X1 o investimento dever ser avaliado por R$ 536.000,00. No entanto, o valor de mercado de apenas 532.000,00 e o valor de realizao de R$ 530.000,00, visto que a empresa teria de pagar corretagem de 2.000,00 para alienar esse investimento. Como o investimento foi avaliado por R$ 536.000,00 e o valor de realizao, leia-se valor de mercado, de apenas 530.000,00, deve-se constituir uma proviso de 6.000,00! Resposta correta letra D.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 05 AVALIAO DE INVESTIMENTOS -IIIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia28) (AFRF-2003) Indique a opo que no corresponde a procedimentos exigidos pela Instruo CVM 247/96 para a determinao da base de clculo da equivalncia patrimonial. a) O resultado positivo includo no lucro apurado de companhia investidora que corresponda incluso no custo de aquisio de ativos imobilizados no balano patrimonial da controlada. b) O resultado positivo includo no lucro apurado de companhia controlada que corresponda incluso no custo de aquisio de estoques de matrias-primas no balano patrimonial da investidora. c) O lucro no realizado includo no lucro apurado de companhia controlada que corresponda incluso no custo de aquisio de bens no de uso no balano patrimonial de outra empresa coligada. d) O resultado positivo includo no lucro apurado de companhia controlada que corresponda incluso no custo de aquisio de ativos imobilizados no balano patrimonial da investidora. e) O resultado positivo includo no lucro apurado de companhia controlada que corresponda incluso no custo de aquisio de ativos imobilizados no balano patrimonial de outra controlada.

Resoluo: A base de clculo da equivalncia patrimonial est definida no art. 9 da Instruo CVM n 247: Art. 9 - O valor do investimento, pelo mtodo da equivalncia patrimonial, ser obtido mediante o seguinte clculo: I - Aplicando-se a percentagem de participao no capital social sobre o valor do patrimnio lquido da coligada e da controlada; e II - Subtraindo-se, do montante referido no inciso I, os lucros no realizados, conforme definido no 1 deste artigo, lquidos dos efeitos fiscais. 1 - Para os efeitos do inciso II deste artigo, sero considerados lucros no realizados aqueles decorrentes de negcios com a investidora ou com outras coligadas e controladas, quando: a) - o lucro estiver includo no resultado de uma coligada e controlada e correspondido por incluso no custo de aquisio de ativos de qualquer natureza no balano patrimonial da investidora; ou b) - o lucro estiver includo no resultado de uma coligada e controlada e correspondido por incluso no custo de aquisio de ativos de qualquer natureza no balano patrimonial de outras coligadas e controladas. 2 - Os prejuzos decorrentes de transaes com a investidora, coligadas e controladas no devem ser eliminados no clculo da equivalncia patrimonial. 3 - Os lucros e os prejuzos, assim como as receitas e as despesas decorrentes de negcios que tenham gerado, simultnea e integralmente, efeitos opostos nas contas de resultado das coligadas e controladas, no sero excludos para fins de clculo do valor do investimento. Desta forma, na alternativa c h uma inverso das companhias, pois o lucro a que se refere a CVM o das controladas e coligadas e no da controladora que estiver no ativo de suas filiadas. Alternativa correta letra c.29) (AFRF-2003) Entre as afirmativas a seguir, indicar aquela que faz parte dos procedimentos efetuados pela investidora para a determinao do valor da equivalncia patrimonial. a) Reconhecer os efeitos decorrentes de classe de aes com direito preferencial ou no de dividendo fixo, dividendo cumulativo e com diferenciao na participao de lucros. b) Reconhecer os efeitos decorrentes de classe de aes com direito preferencial de dividendo fixo, dividendo cumulativo e com diferenciao na participao de lucros. c) Eliminar os efeitos decorrentes da diversidade de critrios contbeis, excetuando, quando se referir a investimento no exterior. d) Verificar os efeitos decorrentes de eventos no relevantes ocorridos no caso das demonstraes contbeis de mesma data e efeitos postecipados. e) Admitir a excluso do montante correspondente s participaes recprocas quando estas apresentarem carter eventual e irrelevncia.

Resoluo: A presena de classes de aes com direito preferencial de dividendo fixo, dividendo cumulativo e com diferenciao na participao de lucros altera o valor do Patrimnio Lquido da sociedade investida. Desta forma, a existncia desse fato deve ser observado pela investidora na determinao da equivalncia patrimonial.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 05 AVALIAO DE INVESTIMENTOS -IIIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia Resposta correta letra b.

QUESTES DA AULA 05:14) (AFRF-2002-Esaf) A empresa Juru S/A, controladora do Grupo Solimes, evidencia, em um determinado perodo, os valores de 140 milhes como Participaes Societrias e 250 milhes como total de Patrimnio Lquido. No mesmo perodo, essa empresa possui 5% do capital preferencial da Cia. Rio Negro, que de 90.000. Com base nas informaes anteriores, identifique o procedimento contbil correto a ser aplicado nessas circunstncias. a) os dividendos, quando pagos pela investida, devem ser registrados como receita. b) as alteraes ocorridas no Patrimnio Lquido da investida so simultaneamente reconhecidas na investidora. c) a empresa investida reconhecida como equiparada empresa Coligada no processo de Consolidao. d) na distribuio dos lucros da investida, os dividendos provisionados representam ingressos de Disponibilidades. e) na avaliao dessa participao societria, aplica-se a equivalncia patrimonial.

RESOLUO: Percebam que o investimento da empresa Juru S/A na Cia. Rio Negro no relevante e to pouco a Cia. Rio Negro sua coligada, logo o investimento deve ser avaliado pelo Mtodo do Custo de Aquisio. Por esta forma de avaliao de investimentos os dividendos, quando recebidos, devem ser lanados diretamente como receita operacional. Resposta correta letra A.17) (AFRF-2002-2-Esaf) As perdas permanentes em investimentos avaliados pelo mtodo da equivalncia patrimonial so denominadas de perdas efetivas, segundo a Instruo CVM 247/96, quando provenientes de: a) Eventos que possam indicar perda total de crditos contra coligadas e controladas. b) Perdas resultantes do processo de produo industrial de controladas e coligadas no provisionadas. c) Eventos que possam prever perda parcial ou total do valor contbil do investimento. d) Eventos que resultarem em perdas no provisionadas pelas coligadas e controladas em suas demonstraes contbeis. e) Situao de elevado risco de paralisao de operaes de coligadas ou controladas.

RESOLUO: Conforme disposto no art. 12 da Instruo CVM 247, as perdas podem ser efetivas ou potenciais. As efetivas esto previstas no inciso I daquele dispositivo: Art. 12 - A investidora dever constituir proviso para cobertura de: I - Perdas efetivas, em virtude de: a) - eventos que resultarem em perdas no provisionadas pelas coligadas e controladas em suas demonstraes contbeis; ou b) - responsabilidade formal ou operacional para cobertura de passivo a descoberto Percebe-se que a alternativa D representa transcrio literal da alnea a do dispositivo, sendo a resposta correta.20) (AFRF-2002-2-Esaf) (Quadro de composio Acionria - quantidade de aes) Investidores Empresas Total de Cia. Cia. Outro(s) Investidas Aes Itarar Itacolomi Acionista(s) Cia. Itajub 80.000 90.000 30.000 200.000 Cia. Itaipu 195.000 90.000 15.000 300.000 Cia. Itamarac 40.000 ..... 10.000 50.000 Cia. Itacolomi 120.000 ..... 30.000 150.000 O valor nominal unitrio das aes da Cia. Itaipu R$ 2,00; em maro de 2002 a empresa aumenta o seu capital ordinrio em 60.000 aes ordinrias para subscrio apenas no mercado primrio. A Cia. Itarar subscreve e integraliza nessa operao o valor de R$ 60.000,00; esse fato contbil gera: a) um fato contbil misto aumentativo na contabilidade da investida. b) um percentual de participao maior da investidora na investida. c) a identificao da perda do controle indireto da Cia. Ita. d) o reconhecimento de uma perda de capital pela investidora. e) o registro de um ganho de capital pela Cia. Itarar.

Resoluo:

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 05 AVALIAO DE INVESTIMENTOS -IIIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto MissagiaO percentual de participao da Itarar na Itaipu de 65%. Como o valor nominal das aes de R$ 2,00 e a Itarar subscreveu o valor de R$ 60.000,00, ento ela subscreveu apenas 50% das novas aes, no exercendo o seu direito pleno que era a subscrio de 65%. Este fato pode gerar perda de capital para a investidora se o PL da Itaipu for composto de outros valores positivos que no seja o capital social. Percebam que, tecnicamente, no h resposta correta, porm, como a nica possibilidade neste caso considerar a existncia de valores positivos no PL, ento a resposta correta a letra d.21) (AFRF-2002-2-Esaf) (Quadro de composio Acionria - quantidade de aes) Investidores Empresas Total de Cia. Cia. Outro(s) Investidas Aes Itarar Itacolomi Acionista(s) Cia. Itajub 80.000 90.000 30.000 200.000 Cia. Itaipu 195.000 90.000 15.000 300.000 Cia. Itamarac 40.000 ..... 10.000 50.000 Cia. Itacolomi 120.000 ..... 30.000 150.000 A Cia. Itamarac tem como atividade o transporte de cargas e foi constituda apenas para prestar esse tipo de servio s empresas do grupo. Nesse caso a divulgao desse fato em notas explicativas: a) no necessria se as empresas do grupo estiverem obrigadas a consolidar suas demonstraes. b) obrigatria por ferir possveis interesses de acionistas minoritrios e afetar a tributao do Imposto de Renda. c) facultativa desde que esta deciso no afete o fato gerador para o clculo do ICMS e do Imposto sobre a Renda. d) no necessria por eventualmente vir a gerar transferncias no remuneradas entre as partes relacionadas. e) indispensvel por se tratar de operao entre partes relacionadas e afetar a tributao.

RESOLUO: Inicialmente cabe destacar que esta questo consta do rol de exerccios por engano, pois trata da consolidao das demonstraes, cujo tema estritamente de contabilidade avanada. Entretanto, vamos a resoluo j que a questo a est. Pelas normas da CVM, quando uma empresa presta exclusivamente servios a outra ou outras, mas determinadas, empresas entre ela considerada parte relacionada ou dependente das empresas para as quais ela presta servios e tal fato deve ser mencionado em notas explicativas ou revelado de alguma forma ao pblico em geral. Um grupo de sociedades, em certos casos, quando forem companhias abertas, deve divulgar demonstraes consolidadas. Quando elaborarem as demonstraes consolidadas e as publicarem, o fato de serem interligadas fica evidenciado, logo, nesta hiptese, o fato no carece estar em nota explicativa. Resposta correta letra A.25) (AFRF-2003) A Cia. Jovial, controlada da Cia. poca, em um determinado exerccio reconhece como ajustes de exerccios os efeitos relevantes decorrentes de efeitos da mudana de critrio contbil. Neste caso, a controladora que avalia seu investimento pelo mtodo de equivalncia patrimonial, dever: a) registrar o efeito correspondente sua participao em seu resultado como item operacional. b) proceder realizao de assemblia extraordinria e dar conhecimento aos acionistas minoritrios do fato ocorrido na controlada. c) apenas efetuar a evidenciao do fato em notas explicativas e constar em ata de assemblia extraordinria. d) lanar tambm como Ajustes de Exerccios Anteriores o valor proporcional sua participao societria. e) apenas fazer a evidenciao do fato em notas explicativas, tendo em vista que o fato no afeta o seu resultado.

Resoluo:

O art. 16 da Instruo CVM 247 prev que: Art. 16 - A diferena verificada, ao final de cada perodo, no valor do investimento avaliado pelo mtodo da equivalncia patrimonial, dever ser apropriada pela investidora como:I - Receita ou despesa operacional, quando corresponder: a) - a aumento ou diminuio do patrimnio lquido da coligada e controlada, em decorrncia da apurao de lucro lquido ou prejuzo no perodo ou que corresponder a ganhos ou perdas efetivos em decorrncia da existncia de reservas de capital ou de ajustes de exerccios anteriores; e b) - a variao cambial de investimento em coligada e controlada no exterior.

Desta forma, o ajuste de exerccios anteriores efetuados em coligadas e controladas, que naquelas sociedades so lanados diretamente em conta de lucros ou prejuzos acumulados, devem ser reconhecidos como resultado da equivalncia patrimonial, como receita operacional. Resposta correta letra a.

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CONSOLIDAO DAS DEMONSTRAES CONTBEIS1. CONSIDERAES INICIAIS A Lei das sociedades annimas, por meio dos arts. 249 e 275, dispe sobre a necessidade da elaborao de demonstraes contbeis consolidadas por parte das companhias abertas que dever seguir as normas emanadas pelo art. 250 da mesma lei. Nesses dispositivos, a lei prev que a companhia aberta que tiver mais de 30% do valor do seu patrimnio lquido representado por investimentos em sociedades controladas e o grupo de sociedades devero elaborar e divulgar, juntamente com suas demonstraes financeiras, demonstraes consolidadas nos termos do art. 250. Dispem, ainda, aqueles dispositivos que a CVM poder expedir normas sobre as sociedades cujas demonstraes devam ser abrangidas na consolidao bem como incluir na consolidao sociedades que no sejam controladas, desde que sejam dependentes financeira ou administrativamente da companhia. A CVM poder autorizar, em casos especiais, a excluso de uma ou mais sociedades controladas. No caso de grupo de sociedades, a sociedade de comando estar sempre obrigada a elaborao de demonstraes consolidadas, independentemente de ser sociedade annima ou outro tipo societrio. Desta forma, no contexto da vida empresarial contempornea, no qual as empresas esto formando grupos econmicos constitudos por diversos segmentos industriais, comerciais, financeiros e de prestao de servios, h a necessidade de as empresas de comando ou controladoras evidenciarem de forma clara e transparente todas as transaes efetuadas e principalmente as realizadas com relao a outras empresas do mesmo grupo econmico. Assim, com fundamento no princpio da entidade, surge a necessidade da consolidao das demonstraes contbeis. Antes de adentrarmos nos conceitos mais tcnicos e para que possamos entend-los adequadamente, poder-se-ia dizer que consolidao das demonstraes financeiras se constitui no trabalho de eliminar toda e qualquer transao realizada entre os componentes do grupo empresarial para que o grupo possa apresentar um demonstrativo nico. como se fosse uma famlia em que o filho realizasse uma venda ao seu pai e obtivesse lucro nessa venda. Esse lucro deve ser eliminado do patrimnio da famlia, pois a famlia, como unidade econmica (entidade autnoma), no ganhou, ainda, absolutamente nada. A consolidao de balanos, como mais conhecida, um demonstrativo que ganha importncia cada vez maior em face da crescente busca de capital por parte das empresas junto ao mercado de aes. As demonstraes financeiras no consolidadas das empresas pertencentes a um grupo empresarial perdem muitas informaes, no sendo, muitas vezes, adequadas na anlise da tomada de decises por parte dos acionistas minoritrios e pblico em geral que so a razo principal da consolidao. Por meio da consolidao das demonstraes financeiras podemos conhecer a efetiva posio financeira da empresa controladora juntamente com as suas controladas e sociedades dependentes. Muitos grupos empresariais so constitudos por suas atividades serem complementares umas das outras. exatamente neste contexto que devemos analisar as demonstraes financeiras, pois representam um conjunto de atividades empresariais. Esta anlise somente ser vlida quando realizada com base nas demonstraes consolidadas.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 06 CONSOLIDAOProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia Neste contexto surgem as Entidades de Propsito Especfico (EPE) que, nos termos da Instruo CVM n 408/04, devem ser includas na consolidao e avaliadas pelo MEP, nos termos da Instruo CVM 247/96. Ateno! Aqui temos consolidao. mais uma possibilidade de avaliao pelo MEP, alm da

No concernente ao aspecto legal, j vimos que a Lei 6.404/76, por meio dos arts. 249 e 275 determina a exigibilidade da consolidao nos termos do art. 250, alm de delegar competncia normativa CVM. A CVM, por meio da Instruo 247/96, com alteraes posteriores, editou os procedimentos que devem ser adotados nas demonstraes financeiras consolidadas, as quais analisaremos detalhadamente a seguir. O Conselho Federal de Contabilidade, no mbito de sua competncia, por meio da Norma Brasileira de Contabilidade norma Tcnica n 8 (NBC T 8), editou procedimentos a serem observados pelos contabilistas na consolidao das demonstraes contbeis, reproduzindo, basicamente, o pronunciamento proferido pela CVM, dando nfase aos aspectos contbeis. O objetivo da consolidao , destarte, apresentar aos interessados, principalmente acionistas minoritrios e credores, os resultados e a posio financeira da sociedade controladora juntamente com suas controladas, como unidade econmica nica. Isto obtido mediante a eliminao da maioria das transaes realizadas entre os componentes do grupo econmico. Ter-se-, assim, por meio da consolidao, uma viso global do empreendimento o que facilita uma anlise mais abrangente do grupo empresarial, tendo em vista que na anlise individual das demonstraes algumas informaes so perdidas ou no detectadas. 2 - ASPECTOS LEGAIS DA CONSOLIDAO A seguir, dentro do propsito do item 15 do edital de AFRF, apresentaremos a legislao pertinente a consolidao das demonstraes contbeis, para, depois, analisarmos os aspectos de consolidao com exemplos prticos, quando cabvel. Mas, salientamos, daremos nfase a parte da legislao porque assim que est no edital. 2.1 - LEI DAS Sociedades Annimas (Lei das S.A.) As disposies da Lei das S.A., embora poucas, so enfticas e bastante precisas no que versa sobre consolidao. Por meio da leitura dos artigos a seguir transcritos, percebe-se que a consolidao das demonstraes financeiras obrigatria em alguns casos pontuais, geralmente quando h o envolvimento de companhias de capital aberto e no caso de grupos empresariais: Lei das S.A. Art. 249. A companhia aberta que tiver mais de 30% (trinta por cento) do valor do seu patrimnio lquido representado por investimentos em sociedades controladas dever elaborar e divulgar, juntamente com suas demonstraes financeiras, demonstraes consolidadas nos termos do art. 250. Pargrafo nico. A Comisso de Valores Mobilirios poder expedir normas sobre as sociedades cujas demonstraes devam ser abrangidas na consolidao, e: a) determinar a incluso de sociedades que, embora no controladas, sejam financeira ou administrativamente dependentes da companhia; b) autorizar, em casos especiais, a excluso de uma ou mais sociedades controladas.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 06 CONSOLIDAOProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia Normas sobre Consolidao Art. 250. Das demonstraes financeiras consolidadas sero excludas: I - as participaes de uma sociedade em outra; II - os saldos de quaisquer contas entre as sociedades; III - as parcelas dos resultados do exerccio, dos lucros ou prejuzos acumulados e do custo de estoques ou do ativo permanente que corresponderem a resultados, ainda no realizados, de negcios entre as sociedades. 1 A participao dos acionistas no controladores no patrimnio lquido e no lucro do exerccio ser destacada, respectivamente, no balano patrimonial e na demonstrao do resultado do exerccio. (Redao dada pela Lei n 9.457, de 5.5.1997) 2 A parcela do custo de aquisio do investimento em controlada, que no for absorvida na consolidao, dever ser mantida no ativo permanente, com deduo da proviso adequada para perdas j comprovadas, e ser objeto de nota explicativa. 3 O valor da participao que exceder do custo de aquisio constituir parcela destacada dos resultados de exerccios futuros at que fique comprovada a existncia de ganho efetivo. 4 Para fins deste artigo, as sociedades controladas, cujo exerccio social termine mais de 60 (sessenta) dias antes da data do encerramento do exerccio da companhia, elaboraro, com observncia das normas desta Lei, demonstraes financeiras extraordinrias em data compreendida nesse prazo. ... Art. 274. Os administradores do grupo e os investidos em cargos de mais de uma sociedade podero ter a sua remunerao rateada entre as diversas sociedades, e a gratificao dos administradores, se houver, poder ser fixada, dentro dos limites do 1 do artigo 152 com base nos resultados apurados nas demonstraes financeiras consolidadas do grupo. ... Art. 275. O grupo de sociedades publicar, alm das demonstraes financeiras referentes a cada uma das companhias que o compem, demonstraes consolidadas, compreendendo todas as sociedades do grupo, elaboradas com observncia do disposto no art. 250. 1 As demonstraes consolidadas do grupo sero publicadas juntamente com as da sociedade de comando. 2 A sociedade de comando dever publicar demonstraes financeiras nos termos desta lei, ainda que no tenha a forma de companhia. 3 As companhias filiadas indicaro, em nota s suas demonstraes financeiras publicadas, o rgo que publicou a ltima demonstrao consolidada do grupo a que pertencer. 4 As demonstraes consolidadas de grupo de sociedades que inclua companhia aberta sero obrigatoriamente auditadas por auditores independentes registrados na Comisso de Valores Mobilirios, e observaro as normas expedidas por essa comisso. ... Art. 295. A presente Lei entrar em vigor 60 (sessenta) dias aps a sua publicao, aplicando-se, todavia, a partir da data da publicao, s companhias que se constiturem. ...

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 06 CONSOLIDAOProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia c) elaborao e publicao de demonstraes financeiras consolidadas, que somente sero obrigatrias para os exerccios iniciados a partir de 1 de janeiro de 1978. Percebe-se que a lei deu amplos poderes CVM para regulamentar e inclusive inserir outras companhias ou casos no rol das empresas que devem consolidar suas demonstraes contbeis. 2.2 A Comisso de Valores Mobilirios - CVM A CVM, autarquia constituda pela Lei no 6.385, de 7 de dezembro de 1976, com a finalidade de regular e fiscalizar as operaes de valores mobilirios no mbito de sua competncia, estabelece normas sobre as demonstraes contbeis das sociedades annimas de capital aberto que, em certas circunstncias, so aplicadas s demais sociedades. Em termos de consolidao das demonstraes contbeis, h a obrigao legal de cumprimento, por parte das investidoras de capital aberto que possurem participaes societrias em controladas, das normas expedidas pela CVM. Esta autarquia, por meio das Instrues 247/96 e 408/2004, normatizou os procedimentos relativos avaliao de investimentos permanentes pelo MEP e os de consolidao de demonstraes contbeis. A Instruo 247/96 trata da consolidao a partir do art. 21. J a Instruo n 408/04, trata da incluso de Entidades de Propsito Especfico EPE nas demonstraes contbeis consolidadas das companhias abertas e na avaliao pelo MEP. Instruo CVM 247/96 DAS DEMONSTRAES CONTBEIS CONSOLIDADAS DO DEVER DE ELABORAR E DIVULGAR DEMONSTRAES CONTBEIS CONSOLIDADAS Art. 21 - Ao fim de cada exerccio social, demonstraes contbeis consolidadas devem ser elaboradas por: I - Companhia aberta que possuir investimento em sociedades controladas, incluindo as sociedades controladas em conjunto referidas no artigo 32 desta Instruo; e II - Sociedade de comando de grupo de sociedades que inclua companhia aberta. Art. 22 - Demonstraes contbeis consolidadas compreendem o balano patrimonial consolidado, a demonstrao consolidada do resultado do exerccio e a demonstrao consolidada das origens e aplicaes de recursos, complementadas por notas explicativas e outros quadros analticos necessrios para esclarecimento da situao patrimonial e dos resultados consolidados. DAS CONTROLADAS EXCLUDAS NAS DEMONSTRAES CONTBEIS CONSOLIDADAS Art. 23 - Podero ser excludas das demonstraes contbeis consolidadas, sem prvia autorizao da CVM, as sociedades controladas que se encontrem nas seguintes condies: I - Com efetivas e claras evidncias de perda de continuidade e cujo patrimnio seja avaliado, ou no, a valores de liquidao; ou II - Cuja venda por parte da investidora, em futuro prximo, tenha efetiva e clara evidncia de realizao devidamente formalizada.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 06 CONSOLIDAOProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia 1 - Em casos especiais justificados, podero ser ainda excludas da consolidao, mediante prvia autorizao da Comisso de Valores Mobilirios, as sociedades controladas cuja incluso, a critrio da CVM, no represente alterao relevante na unidade econmica consolidada ou que venha distorcer essa unidade econmica. 2 - No balano patrimonial consolidado, o valor contbil do investimento na sociedade controlada excluda da consolidao dever ser avaliado pelo mtodo da equivalncia patrimonial. 3 - No ser considerada justificvel a excluso, nas demonstraes contbeis consolidadas, de sociedade controlada cujas operaes sejam de natureza diversa das operaes da investidora ou das demais controladas. DA ELABORAO DAS DEMONSTRAES CONTBEIS CONSOLIDADAS Art. 24 - Para a elaborao das demonstraes contbeis consolidadas, a investidora dever observar, alm do disposto no artigo 10, os seguintes procedimentos: I - Excluir os saldos de quaisquer contas ativas e passivas, decorrentes de transaes entre as sociedades includas na consolidao; II - Eliminar o lucro no realizado que esteja includo no resultado ou no patrimnio lquido da controladora e correspondido por incluso no balano patrimonial da controlada. III - Eliminar do resultado os encargos de tributos correspondentes ao lucro no realizado, apresentando-os no ativo circulante/realizvel a longo prazo tributos diferidos, no balano patrimonial consolidado. Pargrafo nico - No processo de consolidao das demonstraes contbeis, no poder ser efetuada a compensao de quaisquer ativos ou passivos pela deduo de outros passivos ou ativos, a no ser que exista um direito de compensao e a compensao represente a expectativa quanto realizao do ativo e liquidao do passivo. Art. 25 - A participao dos acionistas no controladores, no patrimnio lquido das sociedades controladas, dever ser destacada em grupo isolado, no balano patrimonial consolidado, imediatamente antes do patrimnio lquido. Art. 26 - O montante correspondente ao gio ou desgio proveniente da aquisio/subscrio de sociedade controlada, no excludo nos termos do inciso I do artigo 24, dever: I - Quando decorrente da diferena prevista no pargrafo 1 do artigo 14, ser divulgado como adio ou retificao da conta utilizada pela sociedade controlada para registro do ativo especificado; e II - Quando decorrente da diferena prevista no pargrafo 2 do artigo 14: a) - ser divulgado em item destacado no ativo permanente, quando representar gio; e b) - ser divulgado em conta apropriada de resultados de exerccios futuros, quando representar desgio. Art. 27 - A parcela correspondente proviso para perdas constituda na investidora deve ser deduzida do saldo da conta da controlada que tenha dado origem constituio da proviso, ou apresentada como passivo exigvel, quando representar expectativa de converso em exigibilidade. Art. 28 - Para a elaborao da demonstrao consolidada do resultado do exerccio a investidora dever: I - Incluir os resultados de sociedade controlada, adquirida ou vendida no transcorrer do exerccio social, tomando por base a data do respectivo registro ou baixa nos seus investimentos permanentes; e

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 06 CONSOLIDAOProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia II - Excluir todas as receitas e despesas decorrentes de negcios entre a investidora e as sociedades controladas, bem como entre estas. Art. 29 - A participao dos acionistas no controladores no lucro lquido ou prejuzo do exerccio das controladas dever ser destacada e apresentada, respectivamente, como deduo ou adio ao lucro lquido ou prejuzo consolidado. Art. 30 - A demonstrao consolidada das origens e aplicaes dos recursos dever ser elaborada de maneira consistente com o contido nesta Instruo. DAS NOTAS EXPLICATIVAS S DEMONSTRAES CONTBEIS CONSOLIDADAS Art. 31 - As notas explicativas que acompanham as demonstraes contbeis consolidadas devem conter informaes precisas das controladas, indicando: I - Critrios adotados na consolidao e as razes pelas quais foi realizada a excluso de determinada controlada; II - Eventos subseqentes data de encerramento do exerccio social que tenham, ou possam vir a ter, efeito relevante sobre a situao financeira e os resultados futuros consolidados; III - Efeitos, nos elementos do patrimnio e resultado consolidados, da aquisio ou venda de sociedade controlada, no transcorrer do exerccio social, assim como da insero de controlada no processo de consolidao, para fins de comparabilidade das demonstraes contbeis; e IV - Eventos que ocasionaram diferena entre os montantes do patrimnio lquido e lucro lquido ou prejuzo da investidora, em confronto com os correspondentes montantes do patrimnio lquido e do lucro lquido ou prejuzo consolidados. DA CONSOLIDAO DAS DEMONSTRAES CONTBEIS DE SOCIEDADES CONTROLADAS EM CONJUNTO Art. 32 - Os componentes do ativo e passivo, as receitas e as despesas das sociedades controladas em conjunto devero ser agregados s demonstraes contbeis consolidadas de cada investidora, na proporo da participao destas no seu capital social. 1 - Considera-se controlada em conjunto aquela em que nenhum acionista exerce, individualmente, os poderes previstos no artigo 3 desta Instruo. 2 - No caso de uma das sociedades investidoras passar a exercer direta ou indiretamente o controle isolado sobre a sociedade controlada em conjunto, a controladora final dever passar a consolidar integralmente os elementos do seu patrimnio. Art. 33 - Em nota explicativa s demonstraes contbeis consolidadas, referidas no artigo anterior, devero ser divulgados ainda o montante dos principais grupos do ativo, passivo e resultado das sociedades controladas em conjunto, bem como o percentual de participao em cada uma delas. Art. 34 - Aplica-se o disposto nos artigos 23 a 31 elaborao das demonstraes contbeis consolidadas de sociedades controladas em conjunto, no que no colidir com as normas previstas nos artigos 32 e 33. DAS DISPOSIES FINAIS Art. 35 - As demonstraes contbeis consolidadas e respectivas notas explicativas sero objeto de exame e de parecer de auditores independentes. Pargrafo nico - A auditoria referida no caput deste artigo dever incluir o exame das demonstraes contbeis de todas as controladas, abertas ou

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 06 CONSOLIDAOProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia fechadas, includas na consolidao, realizado por auditor registrado nesta Comisso. Art. 36 - As demonstraes contbeis consolidadas, assim como as notas explicativas e quadros analticos, referidos nesta Instruo, integram, em cada exerccio social, as demonstraes contbeis da companhia aberta investidora ou da sociedade de comando de grupo de sociedades que inclua companhia aberta. Art. 37 - A companhia aberta filiada de grupo de sociedades deve indicar, em nota explicativa s suas demonstraes contbeis, o rgo e, se possvel, a data de publicao das demonstraes contbeis consolidadas da sociedade de comando de grupo de sociedades a que estiver filiada. Art. 38 - Os ajustes iniciais, decorrentes das alteraes introduzidas por esta Instruo, devero ser registrados como receita ou despesa de equivalncia patrimonial, no resultado no operacional, com divulgao do fato e os valores envolvidos em nota explicativa. 1 - Aplica-se, ainda, o disposto no caput deste artigo aos investimentos que, por se tornarem relevantes, passarem a ser avaliados pelo mtodo da equivalncia patrimonial. 2 - O disposto neste artigo no implicar reelaborao das demonstraes contbeis individuais ou consolidadas relativas ao exerccio social anterior. Art. 39 - As companhias abertas devero manter em boa ordem, pelo prazo de 3 (trs) anos e por quaisquer meios adequados, a guarda dos papis de trabalho e memrias de clculo relativos elaborao de suas demonstraes contbeis consolidadas. Pargrafo nico - O descumprimento ao disposto aos artigos 1, 21, 32 e 35 desta Instruo ser considerado falta grave, para fins do artigo 11 da LEI N 6.385, de 07 de dezembro de 1976, ensejando a aplicao das penalidades previstas na legislao pertinente. Art. 40 - Todas as disposies relativas s sociedades coligadas, contidas nesta Instruo, aplicam-se ainda s sociedades equiparadas conforme definio contida no pargrafo nico do artigo 2. Art. 41 - Esta Instruo entra em vigor na data de sua publicao, aplicandose s demonstraes contbeis relativas aos exerccios sociais a se encerrarem a partir de 1 de dezembro de 1996, quando ficaro revogadas as Instrues CVM n 01, de 27 de abril de 1978, n 15, de 03 de novembro de 1980, n 30, de 17 de janeiro de 1984, o artigo 2 da Instruo CVM n 170, de 03 de janeiro de 1992, e as demais disposies em contrrio. Pargrafo nico - Adaptam-se presente Instruo as demais normas da CVM que tratam dessa matria.

Percebe-se que a CVM, dentro de sua competncia normativa, alargou a abrangncia das empresas que devem apresentar, obrigatoriamente, a consolidao para toda e qualquer controlada, no importando o percentual do PL da investidora representado pelo investimento, afastando, desta forma, a limitao dos 30% estabelecidos pela lei. Assim, com base na lei e na norma da CVM, esto obrigados elaborao das demonstraes contbeis consolidadas e outras imposies: 1 2 A companhia aberta que possua investimentos em controladas; Outras sociedades cuja incluso tenha sido determinado pela CVM, desde que sejam dependentes financeira ou administrativamente da companhia, como o caso de Entidades de Propsito Especfico - EPE;

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 06 CONSOLIDAO3 4 Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia O grupo de sociedades, independentemente da forma jurdica, juntamente com as demonstraes da sociedade de comando; As companhias pertencentes a um grupo de sociedades, que no sejam a sociedade de comando, devero indicar em nota explicativa s suas demonstraes financeiras publicadas, o rgo que publicou a ltima demonstrao consolidada do grupo a que pertencer; A excluso de uma ou mais sociedades controladas das demonstraes consolidadas deve ser autorizada pela CVM; Quando includo companhia aberta em demonstraes consolidadas de grupo de sociedades, estas demonstraes consolidadas devero ser auditadas por auditor independentes registrados na CVM; e Quando as transaes entre partes relacionadas estiverem includas em demonstraes consolidadas, fica dispensada a sua insero em notas explicativas.

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Recentemente, por meio da Instruo n 408, a CVM incluiu mais uma exigncia a ser observada, tanto na Consolidao quanto na avaliao de investimentos pelo MEP. INSTRUO CVM No 408, DE 18 DE AGOSTO DE 2004 Dispe sobre a incluso de Entidades de Propsito Especfico EPE nas demonstraes contbeis consolidadas das companhias abertas O PRESIDENTE DA COMISSO DE VALORES MOBILIRIOS CVM torna pblico que o Colegiado, em reunio realizada nesta data, com fundamento nos arts. 8o, inciso I e 22o, 1o incisos II e IV, da Lei no 6.385, de 7 de dezembro de 1976, e nos arts. 177, 3o, e 249 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, RESOLVEU baixar a seguinte Instruo: Art. 1o Para fins do disposto na Instruo CVM no 247, de 27 de maro de 1996, as demonstraes contbeis consolidadas das companhias abertas devero incluir, alm das sociedades controladas, individualmente ou em conjunto, as entidades de propsito especfico EPE, quando a essncia de sua relao com a companhia aberta indicar que as atividades dessas entidades so controladas, direta ou indiretamente, individualmente ou em conjunto, pela companhia aberta. Pargrafo nico. Considera-se que existem indicadores de controle das atividades de uma EPE quando tais atividades forem conduzidas em nome da companhia aberta ou substancialmente em funo das suas necessidades operacionais especficas, desde que, alternativamente, direta ou indiretamente: I a companhia aberta tenha o poder de deciso ou os direitos suficientes obteno da maioria dos benefcios das atividades da EPE, podendo, em conseqncia, estar exposta aos riscos decorrentes dessas atividades; ou II a companhia aberta esteja exposta maioria dos riscos relacionados propriedade da EPE ou de seus ativos. Art. 2o As participaes societrias em EPE includas na consolidao devero ser avaliadas pelo mtodo de equivalncia patrimonial, nos termos da Instruo CVM no 247, de 1996. Pargrafo nico. Os ajustes decorrentes das alteraes produzidas pela aplicao do mtodo de equivalncia patrimonial previstos neste artigo no

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 06 CONSOLIDAOProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia constituem ajustes de exerccios anteriores, devendo ser registrados conforme o disposto na Instruo no 247, de 1996. Art. 3o Em nota explicativa s suas demonstraes contbeis consolidadas, a companhia aberta dever divulgar, alm das informaes requeridas nos arts. 20 e 31 da Instruo CVM no 247, de 1996, no que for aplicvel, as seguintes informaes: I a natureza, propsito e atividades da EPE; II - a natureza do seu envolvimento com a EPE; III - o tipo de exposio a perdas decorrentes desse envolvimento com a EPE; e IV o tipo e o valor dos ativos consolidados que tenham sido dados em garantia das obrigaes da EPE. Art. 4o A companhia aberta que tenha direitos suficientes obteno de benefcios relevantes das atividades da EPE, ou que esteja exposta a riscos tambm relevantes, relacionados s atividades da EPE ou de seus ativos, sem, contudo, enquadrar-se no disposto no art. 1o, dever divulgar, em nota explicativa, as seguintes informaes: I a natureza, o propsito e as atividades da EPE; II a natureza do seu envolvimento com a EPE; III EPE; o tipo de exposio a perdas decorrentes desse envolvimento com a

IV a identificao do beneficirio principal ou grupo de beneficirios principais das atividades da EPE; e V as informaes requeridas no art. 20 da Instruo CVM no 247, de 1996, no que couber. Pargrafo nico. Para os efeitos do caput deste artigo, no sero consideradas como EPE entidades com autonomia operacional e financeira, tais como clientes e fornecedores da companhia aberta, sem prejuzo do disposto na Deliberao CVM n 26, de 5 de fevereiro de 1986. Art. 5o As companhias abertas com exerccio social encerrado at 31 de dezembro de 2004 devem divulgar, em nota explicativa s respectivas demonstraes contbeis, no mnimo, as seguintes informaes: I denominao, natureza, propsito e atividades desenvolvidas pela EPE; II participao no patrimnio e nos resultados da EPE; III natureza de seu envolvimento com a EPE e tipo de exposio a perdas, se houver, decorrentes desse envolvimento; IV montante e natureza dos crditos, obrigaes, receitas e despesas entre a companhia e a EPE, ativos transferidos pela companhia e direitos de uso sobre ativos ou servios da EPE; V total dos ativos, passivos e patrimnio de cada EPE; VI avais, fianas, hipotecas ou outras garantias concedidas em favor da EPE; e VII a identificao do beneficirio principal ou grupo de beneficirios principais das atividades da EPE, na hiptese a que se refere o art. 4o. Art. 6o Ressalvado o disposto no artigo anterior, as companhias abertas devero observar as demais disposies desta Instruo nas demonstraes

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 06 CONSOLIDAOProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia contbeis consolidadas relativas aos exerccios sociais encerrados a partir de 1o de janeiro de 2005, facultada a sua aplicao imediata. Pargrafo nico. Para fins de comparabilidade, as demonstraes contbeis consolidadas do exerccio anterior devero ser divulgadas incluindo as EPE existentes poca em que essas demonstraes foram originalmente elaboradas. Art. 7o Esta Instruo entra em vigor na data da sua publicao no Dirio Oficial da Unio. 2.2.1 Entidades de Propsito Especfico EPE Uma entidade pode ser constituda para realizar um propsito especfico e bem definido como, por exemplo, efetuar um arrendamento mercantil, desenvolver atividades de pesquisa e desenvolvimento, de explorao de energia eltrica ou trmica, gs ou uma securitizao de ativos financeiros. Tal Entidade de Propsito Especfico - "EPE" - pode ter a forma de uma companhia, fundao, sociedade ou, ainda, uma outra que no seja uma forma societria usual. Freqentemente so criadas EPE com disposies legais, estatutria ou contratuais que impem limites rgidos ao processo de tomada de decises de seus rgos pelos seus gestores. Essas disposies geralmente especificam que a poltica que guia as atividades contnuas da EPE no pode ser modificada, a no ser, talvez, por seu instituidor ou patrocinador, ou seja, elas operam em um mecanismo denominado de "piloto automtico" ("autopilot"). O patrocinador ou a entidade em cujo benefcio a EPE foi criada pode transferir ativos EPE, obter o direito de executar servios ou de usar os ativos por ela possudos , enquanto outras partes, consideradas "fornecedores de capital", podem prover os recursos para financiamento da Entidade de Propsito Especfico, cobrando por esses recursos uma espcie de aluguel, tarifa ou mesmo uma participao nos resultados. Uma companhia que mantm transaes com uma Entidade de Propsito Especfico, normalmente o instituidor ou o patrocinador, pode substancialmente controlar a EPE. A constituio de uma EPE busca, em muitas das vezes, a utilizao de oportunidades de financiamento, mediante a segregao dos riscos especficos dos ativos ou de atividades dos riscos globais da empresa beneficiada pela sua criao. A participao nos benefcios por ela gerados pode, por exemplo, tomar a forma de um instrumento de dvida, de um instrumento patrimonial, de um direito de participao, de uma participao residual ou de um arrendamento. Alguns interesses nesses benefcios simplesmente podem retribuir o proprietrio com uma taxa de retorno fixa ou declarada, enquanto outras do ao proprietrio direito ou acesso a outros benefcios econmicos futuros das atividades da EPE. Na maioria dos casos, o instituidor ou patrocinador retm uma participao significativa nos benefcios das atividades da EPE, embora possa ter uma parcela pequena ou nenhuma participao no patrimnio lquido da EPE.

3 EMPRESAS CONTROLADAS EXCLUDAS DA CONSOLIDAO Conforme previsto no pargrafo nico, inciso b, do art. 249 da lei societria, h situaes em que, mesmo presentes os requisitos para a elaborao da consolidao das demonstraes contbeis, a CVM pode determinar que elas no devem ser includas na consolidao. Veja-se que a lei se restringiu a mencionar que poderia haver casos em que a consolidao no seria necessria, remetendo CVM a competncia para disciplinar ou divulgar tais casos. Atendendo os requisitos da Lei, a CVM, por meio do art. 23 da Instruo 247/96, regulamentou as possibilidades de excluso de empresas do processo de consolidao. Naquele dispositivo h dois tipos de excluso, ou seja, os que no necessitam de qualquer autorizao prvia da CVM, pois esto claramente definidos pela norma e os que necessitam de anuncia prvia da CVM.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 06 CONSOLIDAOProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia Enquadram-se no primeiro tipo as sociedades controladas que se encontrem com efetivas e claras evidncia de perda de continuidade e cujo patrimnio seja avaliado, ou no, a valores de liquidao; ou cuja venda por parte da investidora, em futuro prximo, tenha efetiva e clara evidncia de realizao devidamente formalizada. Salienta-se que no caso de venda do investimento, este deve estar formalizado, com documentao hbil. Desta forma, o simples fato de a investidora intencionar alienar o investimento no suficiente para consider-lo excludo da consolidao. necessrio um documento em que conste que o fato irreversvel, inclusive com sinal (entrada) de pagamento. No segundo grupo de empresas que podem ser excludas da consolidao, para as quais h a necessidade de autorizao especial da CVM que, a seu critrio, poder conceder ou no a autorizao, esto as empresas que no representam alterao relevante na unidade econmica consolidada ou em alguns casos se a incluso de determinada entidade venha a distorcer a demonstrao consolidada. O fato de uma sociedade controlada ficar excludo do processo de consolidao no dispensa o consolidador de qualquer procedimento, pois, neste caso, o valor contbil do investimento na sociedade controlada excluda da consolidao dever ser avaliado pelo mtodo da equivalncia patrimonial. A excluso de sociedade controlada, cujas operaes sejam de natureza diversa das operaes da investidora ou das demais controladas no representa uma justificativa aceitvel. Assim, se num grupo de empresas ligadas ao setor industrial houver uma ligada ao setor de transportes, a excluso da empresa dedicada ao transporte no representa justificativa aceitvel se no mrito da excluso estiver presente o fato de ela destoar da uniformidade do grupo quanto ao objeto social. 4 NECESSIDADE DA CONSOLIDAO NAS EMPRESAS FECHADAS Pelo que depreendemos da leitura do texto legal, as demonstraes financeiras consolidadas so obrigatrias somente para as companhias abertas que controlem outras empresas e quando essa participao represente 30% do seu PL e nos grupos de sociedade. Contudo, em decorrncia de certos incentivos fiscais que outrora foram concedidos s empresas constitudas sob a forma de Sociedade Annima, no Brasil existem muitas empresas de capital fechado. Muitas destas empresas nacionais possuem empresas controladas no abrangidas pela obrigatoriedade da consolidao. Entretanto, mesmo assim, as elaboram para fins gerenciais sem divulgao externa. Cabe acrescentar, ainda, que a principal finalidade das demonstraes o fornecimento de informaes teis aos usurios. Desta forma, plausvel que os aspectos legais sejam, muitas vezes, ultrapassados para atingir essa finalidade. Alis, isto vem a corroborar com o esprito do legislador que conferiu s empresas a liberalidade para elaborar outros demonstrativos para dar maior transparncia e evidenciao aos fatos contbeis. neste contexto, mesmo no obrigadas, que as empresas de capital fechado podero elaborar demonstraes contbeis consolidadas.

5 CONCEITOS BSICOS 5.1 - DEMONSTRAES CONTBEIS CONSOLIDADAS A consolidao das demonstraes contbeis visa reunir em uma nica pea contbil todas as demonstraes das diversas empresas que fazem parte de um grupo econmico, mediante a eliminao das transaes realizadas entre essas empresas para evidenciar o resultado obtido com entes alheios ao grupo. O Conselho Federal de Contabilidade conceitua demonstraes consolidadas da seguinte forma:

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 06 CONSOLIDAOProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia Demonstraes Contbeis Consolidadas so aquelas resultantes da agregao das demonstraes contbeis, estabelecidas pelas Normas Brasileiras de Contabilidade, de duas ou mais entidades, das quais uma tem o controle direto ou indireto sobre a(s) outra(s). Desta forma, podemos conceituar demonstraes contbeis consolidadas como sendo o fruto da adio de todas as demonstraes contbeis das empresas sob comando nico realizadas com pessoas que no pertenam ao grupo econmico. Consoante a nossa legislao, devem ser consolidadas as seguintes demonstraes contbeis: o balano patrimonial, a demonstrao do resultado do exerccio e a demonstrao das origens e aplicaes de recursos. Da mesma forma como ocorre com as demonstraes individuais ou no consolidadas de cada uma das empresas do grupo econmico, as demonstraes consolidadas devem ser complementadas por notas explicativas e outros quadros analticos julgados necessrios completa evidenciao da situao patrimonial e dos resultados consolidados. Exemplo: Supondo que a empresa Caf S/A participa do capital social das empresa Preto S/A e Doce S/A. A empresa Caf S/A exerce o controle das outras duas, com as quais transaciona comercialmente. Estamos diante de trs empresas que possuem personalidade jurdica prpria e esto, individualmente, obrigadas a elaborar suas demonstraes contbeis. Apesar de serem empresas distintas, elas formam o grupo Caf Preto e Doce. Este grupo no possui personalidade jurdica, porm deve elaborar demonstraes contbeis consolidadas para mensurar o seu patrimnio ou a posio econmica e financeira. Para tal, necessrio somar os valores constantes nas demonstraes contbeis de todas as participantes e eliminar os resultados e saldos decorrentes de transaes realizadas entre essas empresas. Desta forma, as demonstraes consolidadas representam o somatrio das demonstraes das empresas pertencentes ao grupo societrio de cuja soma subtrado o resultado de operaes realizadas entre empresas deste mesmo grupo. Se somarmos linha a linha das demonstraes contbeis das empresas do grupo Caf Preto e Doce e subtraindo o resultado de operaes entre as empresa Caf, Preto e Doce, teremos o resultado consolidado do grupo Caf Preto e Doce. Conforme enfatizamos, o grupo Caf Preto e Doce no possui personalidade jurdica e no faz registros contbeis. Ela existe apenas para fins de consolidao. Os nicos registros utilizados na consolidao so os papis de trabalho de consolidao, os quais devem ser guardados pelo prazo de trs anos para fins de auditoria. Salientamos que cada empresa, individualmente, dever realizar as suas demonstraes contbeis e a controladora que dever elaborar as demonstraes consolidadas. 5.2 EFEITOS FISCAIS E SOCIAIS NA CONSOLIDAO Como a demonstrao consolidada no pertence a uma pessoa jurdica ela no gera nenhum efeito fiscal ou societrio, pois: 1Os efeitos do imposto de renda e demais tributos so calculados individualmente em cada empresa pertencentes do grupo societrio. Assim, mesmo que determinada empresa pertencente ao grupo tenha prejuzo contbil ou fiscal, no poder compens-lo com o lucro de outra e vice-versa. Em termos societrios, os dividendos so calculados sobre o lucro de cada empresa e no sobre o lucro consolidado do grupo. Compete a cada uma das empresas individualmente satisfazer ou suprir os acionistas dos dividendos a que fazem jus.

2-

O tratamento dos impostos na consolidao ser objeto de estudo no item 8 desta aula.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 06 CONSOLIDAOProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia 5.3 INTERESSE DOS INVESTIDORES NA CONSOLIDAO Os investidores e os credores podem utilizar a consolidao das demonstraes contbeis para efetuar uma anlise detalhada de suas garantias e possibilidade de rendimentos, pois podem, por meio da consolidao, visualizar a gerao de resultados, tanto por empresa quanto pelo grupo. 5.4 A CONSOLIDAO E A GESTO EMPRESARIAL O aspecto mais importante e de maior utilidade da consolidao das demonstraes contbeis , sem dvida, o benefcio administrativo e gerencial, ou seja, a gesto empresarial, visto que evidencia a aplicao dos recursos financeiros e econmicos gerados pelo grupo. A consolidao possibilita a anlise do desempenho de cada uma das empresas participantes do grupo empresarial, bem como do grupo consolidado. Embora a consolidao no traga efeitos tributrios diretos, de grande valia para um adequado planejamento tributrio, podendo ser ponto de partida para uma reorganizao societria, tendo em vista o pagamento de tributos sobre lucros no realizados. Por meio da consolidao e com criteriosa anlise a administrao da empresa pode visualizar a necessidade de recursos financeiros, quer sejam de terceiros ou dos prprios acionistas. 6 PROCEDIMENTOS DE CONSOLIDAO O CFC disciplinou os procedimentos de consolidao preconizando a adoo das seguinte regras: A consolidao o processo de agregar saldos de contas e/ou de grupos de contas de mesma natureza, de eliminar saldos de transaes e de participaes entre entidades que formam a unidade de natureza econmico-contbil e de segregar as participaes de no-controladores, quando for o caso. A controladora deve consolidar as demonstraes contbeis de entidade controlada a partir da data em que assume seu controle, individual ou em conjunto. Os ajustes e as eliminaes decorrentes do processo de consolidao devem ser realizados em documentos auxiliares, no originando nenhum tipo de lanamento na escriturao das entidades que formam a unidade de natureza econmico-contbil. Quando o controle for exercido de forma conjunta, os saldos das contas devem ser agregados s demonstraes contbeis consolidadas de cada controladora, na proporo da participao destas no capital social da controlada. No caso de uma das entidades controladoras passar a exercer direta ou indiretamente o controle da entidade sob controle conjunto, a controladora final deve passar a consolidar integralmente os elementos do patrimnio da controlada. As entidades que formam a unidade de natureza econmico-contbil devem segregar, em contas especficas, as transaes realizadas entre si. As demonstraes contbeis das entidades controladas, para fins de consolidao, devem ser levantadas na mesma data ou at no mximo 60 (sessenta) dias antes da data das demonstraes contbeis da controladora. Quando demonstraes contbeis com datas diferentes so consolidadas, devem ser efetuados ajustes que reflitam os efeitos de eventos relevantes nas entidades, que ocorrerem entre aquelas datas e a data-base das demonstraes contbeis da unidade de natureza econmico-contbil.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 06 CONSOLIDAOProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia Quando o percentual de participao da controladora no capital da controlada variar durante o exerccio, os resultados devem ser includos proporcionalmente s percentagens de participao, perodo por perodo. Das demonstraes contbeis consolidadas so eliminados: a) os valores dos investimentos da controladora em cada controlada e o correspondente valor no patrimnio lquido da controlada; b) os saldos de quaisquer contas decorrentes de transaes entre as entidades includas na consolidao; c) as parcelas dos resultados do exerccio, do patrimnio lquido e do custo de ativos de qualquer natureza que corresponderem a resultados ainda no realizados de negcios entre as entidades, exceto quando representarem perdas permanentes. Os resultados ainda no realizados, provenientes de negcios entre as entidades que formam a unidade de natureza econmico-contbil, somente se consideram realizados quando resultarem de negcios efetivos com terceiros. No processo de consolidao das demonstraes contbeis, no se podem compensar quaisquer ativos ou passivos pela deduo de outros passivos ou ativos, a no ser que exista um direito de compensao, e este represente a expectativa quanto realizao do ativo e liquidao do passivo. Os impostos e contribuies relacionados s transaes entre as entidades que formam a unidade de natureza econmico-contbil devem ser reconhecidos na mesma proporo dos resultados ainda no realizados, e classificados no ativo ou passivo a curto ou a longo prazo como tributos diferidos. Os resultados de entidade controlada devem ser includos nas demonstraes contbeis consolidadas: a) b) a partir da data da aquisio da participao; at a data da sua baixa.

As demonstraes contbeis de todas as entidades controladas, no Pas ou no exterior, incluindo a filial, agncia, sucursal, dependncias ou escritrio de representao, devem ser consolidadas sempre que os respectivos ativos e passivos no estejam includos na contabilidade da controladora por fora de normatizao especfica. Devem ser excludas das demonstraes contbeis consolidadas as entidades controladas que se encontrem nas seguintes condies: a) com efetivas e claras evidncias de perda de continuidade e cujo patrimnio seja avaliado, ou no, a valores de liquidao; ou b) cuja venda por parte da controladora, em futuro prximo, tenha efetiva e clara evidncia de realizao devidamente formalizada. No balano patrimonial consolidado, o valor contbil do investimento na entidade controlada excluda da consolidao deve ser avaliado pelo mtodo da equivalncia patrimonial. Sempre que houver efeito relevante em razo de excluso de entidade controlada, as demonstraes contbeis consolidadas devem ser ajustadas para fins de comparao. A falta de semelhana das operaes de entidade controlada com as da entidade controladora no gera sua excluso das demonstraes contbeis consolidadas. O montante correspondente ao gio ou desgio proveniente da aquisio ou subscrio de capital de entidade controlada quando decorrente da diferena entre o valor de mercado de parte ou de todos os bens do ativo da controlada e o respectivo valor contbil, deve ser apresentado como adio ou retificao da conta utilizada pela entidade controlada para registro do ativo especificado.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 06 CONSOLIDAOProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia O gio ou desgio decorrente de expectativa de resultado futuro, representado pela diferena entre o valor pago na aquisio do investimento e o valor de mercado dos ativos da controlada, deve ser apresentado: a) em conta destacada no ativo permanente, em caso de gio; e b) em conta especfica de resultados de exerccios futuros, em caso de desgio. O valor correspondente proviso para perdas constituda na entidade controladora deve ser deduzido do saldo da conta da entidade controlada que tenha dado origem constituio da proviso, ou apresentado como passivo exigvel, quando representar expectativa de converso em exigibilidade. Considerando que o objetivo principal da consolidao apresentar a posio financeira e os resultados das operaes das diversas empresas do grupo, de forma agregada em pea contbil nica, como se estivssemos apresentando a demonstrao de uma entidade autnoma ou empresa nica, ou como se fosse uma famlia, os saldos das contas devem ser adicionadas, uma a uma, ou linha por linha. Desta forma, de posse das demonstraes financeiras de todas as empresas que compem um grupo econmico, teremos em mos a matria prima para o produto final que a consolidao. A tcnica adotada ser, a princpio, somar os saldos das contas de mesma natureza de todas essas demonstraes. Exemplo: Considerando a existncia de quatro empresas que possuam os seguintes valores de estoques de mercadorias para revenda em suas demonstraes, a consolidao ser assim processada: Pantera S.A. Felina S.A. Bichano S.A. Gatuno S.A. Total Consolidado 6.400,00 1.700,00 2.100,00 4.100,00 14.300,00

Desta forma, o estoque consolidado do grupo econmico formado pelas quatro empresas acima de R$ 14.300,00. Este o procedimento bsico de consolidao que dever ser adotado para todas as contas do balano, como Disponibilidades, Realizvel no curso do exerccio social subseqente, despesas do exerccio seguinte, ARLP, AP, duplicatas a pagar etc. 6.1 UNIFORMIDADE DE CRITRIOS CONTBEIS Como o procedimento de consolidao consiste na soma dos saldos das contas de mesma natureza, necessrio que os critrios de registro e de avaliao adotados por todas as empresas do grupo sejam uniformes. No caso de consolidao pela controladora, compete a ela elaborar um Manual de Diretrizes Contbeis do Grupo, que deve ser adotado pela controladora e por todas as controladas na escriturao, avaliao de elementos patrimoniais e na elaborao das demonstraes contbeis. O referido Manual de Diretrizes Contbeis do Grupo deve conter, no mnimo:

Elenco de Contas Padronizado; Definio das Prticas Contbeis Uniformes; Uniformidade de reavaliao; Manual de consolidao;

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Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia Modelos de Demonstraes Financeiras;

Ressalte-se que os planos de contas de todas as empresas componentes do grupo econmico devem prever um controle segregado das contas e operaes que sero objeto de eliminao na consolidao. 6.2 ELIMINAES DE CONSOLIDAO A soma dos saldos das contas de mesma natureza o procedimento bsico da consolidao. Entretanto, a consolidao no consiste somente nesta soma dos saldos de cada conta das diversas empresas. Aquele procedimento, bsico, muito importante e geralmente simples sem maiores complexidades. Para uma consolidao consistente, preciso que sejam eliminados os saldos existentes ou transaes realizadas entre as empresas do grupo. Esta tarefa , talvez, a mais difcil, tendo em vista que a segregao das operaes nem sempre est adequadamente registrada. A eliminao das transaes entre as empresas participantes do grupo h de ser efetuada no Balano Patrimonial e na Demonstrao do Resultado do Exerccio. Do balano patrimonial deve ser excludo o lucro no realizado que esteja includo no resultado ou no patrimnio lquido da controladora e correspondido por incluso no balano patrimonial da controlada. Do Resultado do exerccio devem ser excludos ou eliminados os encargos de tributos correspondentes ao lucro no realizado, apresentando-os no ativo circulante/realizvel a longo prazo - tributos diferidos, no balano patrimonial consolidado. Dada a relevncia, a seguir apresentamos alguns exemplos de eliminaes que se fazem necessrias:

6.2.1 ELIMINAES DO BALANO PATRIMONIAL 6.2.1.1 ELIMINAES DE DUPLICATAS A RECEBER Quando uma empresa faz vendas a prazo outra, ela registrar este fato em conta de Duplicatas a Receber. A compradora registrar o fato em Duplicatas a Pagar. Se estas empresas fizerem parte do mesmo grupo econmico, cujas demonstraes devam ser consolidadas, ento esses valores ho de ser eliminados do Balano consolidado. O procedimento de excluso consiste em debitar a conta representativa da obrigao (Duplicatas a Pagar ou Fornecedores) e creditar a conta representativa do direito (Clientes ou Duplicatas a Receber). Imaginemos que a empresa Morab S/A tenha efetuado vendas a prazo a sua controlada Barom S/A no valor de R$ 23.400,00. A eliminao ser efetuada mediante o seguinte lanamento: Fornecedores (empresa Barom S/A) a Duplicatas a Receber (empresa Morab S/A) Dbito 23.400,00 Crdito 23.400,00

Outras contas que representem transaes entre as empresas merecem igual tratamento na eliminao.

6.2.1.2 - INVESTIMENTOS

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 06 CONSOLIDAOProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia Os investimentos na participao do capital de outras sociedades participantes do grupo econmico no representam, para o grupo, recursos externos, logo devem ser eliminados contra contas do patrimnio lquido da sociedade investida. Sabemos que os investimentos relevantes so contabilizados pelo MEP, com isso haver na sociedade investidora um valor proporcional ao valor do patrimnio lquido das sociedades investidas, por fora da aplicao do MEP. Como as demonstraes financeiras da investidora que sero usadas na consolidao tero os seus investimentos contabilizados pelo mtodo da equivalncia patrimonial, a sua eliminao ser feita contra as contas do patrimnio lquido da sociedade investida. A apurao dos valores a eliminar deve ser feita mediante um clculo de proporcionalidade tomando por base o percentual de participao no capital social da sociedade investida, aplicado sobre cada uma das contas do patrimnio lquido, pois os valores a serem eliminados sero em cada uma das contas do PL. Desta forma, considerando um investimento de R$ 14.600,00, teremos o seguinte lanamento de eliminao dos investimentos: Dbito Diversos a Investimentos da Controladora Capital Social das Controladas Reservas de Capital das Controladas Reservas de Lucros das Controladas Lucros Acumulados das Controladas Crdito

8.800,00 2.600,00 1.400,00 2.100,00

14.600,00

Nota-se que o investimento na participao societria representa a sada de recursos da empresa investidora e o ingresso de recursos na empresa investida. A investidora registra este investimento no ativo permanente e estar includo em seu PL. A sociedade investida registra o valor na conta Capital Social em contrapartida de um ativo qualquer. Se forem somados os patrimnios das duas empresas o valor do investimento deve ser eliminado para que no haja a contabilizao em dobro. Para uma maior elucidao, imagine-se o seguinte exemplo: A empresa Alfa, cujo patrimnio formado exclusivamente pelas contas Capital Social e Caixa, no valor de R$ 10.000,00, investe a metade de suas disponibilidades na formao do Capital Social da empresa Beta que ser sua subsidiria integral, ou seja, o PL de Beta ser de R$ 5.000,00. Se somarmos os dois patrimnios, sem considerar nenhuma outra atividade, teremos como resultado um PL de R$ 15.000,00. Agora, se eliminarmos o valor do investimento (R$ 5.000,00), o grupo apresentar no Balano consolidado o valor de R$ 10.000,00 no PL, que efetivamente o que o grupo possui, visto que no foi agregado nenhum outro valor.

6.2.2 ELIMINAO NA DRE 6.2.2.1 VENDAS INTERCOMPANHIAS As transaes entre as companhias do mesmo grupo econmico, como no so com agentes externos, no trazem reflexos patrimoniais na consolidao, por isso devem ser eliminados para que no haja uma falsa interpretao de terceiros de boa f. Imagine-se a seguinte situao: A empresa B controlada (subsidiria integral) de A. As duas empresas fazem vendas mutuas uma a outra, sem nada vender a terceiras empresas ou pessoas. Ora, na consolidao esses valores devem ser eliminados, pois se no fossem, poder-se-ia chegar a lucros com valores astronmicos, quando de fato no houve lucro algum para o grupo!

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 06 CONSOLIDAOProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia O simples fato de eliminar as vendas inter-companhias da DRE no suficiente para ajustar os valores realidade. necessrio que se eliminem, tambm, os custos das mercadorias vendidas, isto , a eliminao das transaes deve representar um estorno dessas transaes, como se elas no tivessem existido para o grupo. Vendas (Empresa A) a Custo dos Produtos Vendidos (Empresa B) Dbito 1.650,00 Crdito 1.650,00

Percebe-se que a contrapartida para eliminao das vendas o custo dos produtos vendidos. Parece paradoxal, visto que nas vendas pode haver resultado. Desta forma, em outro item trataremos da eliminao do resultado. 6.2.2.2 - COMISSES SOBRE VENDAS, JUROS E OUTROS Tal qual ocorre com as vendas, os valores decorrentes de comisses sobre vendas, juros e outros quaisquer valores realizados entre as companhias, devem ser eliminados na consolidao das demonstraes contbeis, mediante o seguinte lanamento: Receitas comisses e juros (Empresa A) a Despesas comisses e juros (Empresa B) Dbito 1.400,00 Crdito 1.400,00

6.3 TRANSAES ENTRE EMPRESAS DO GRUPO Com o objetivo de efetuar a eliminao das operaes realizadas entre as empresas do grupo no momento da consolidao, necessrio que essas transaes e os saldos intercompanhias sejam controlados em registros extra contbeis, para permitir a apurao dos valores de vendas, juros, comisses e outras receitas ocorridas durante o exerccio que devem ser eliminados.

6.4 REGISTROS DA CONSOLIDAO A consolidao das demonstraes contbeis, conforme j frisamos, no gera nenhum registro contbil nas empresas componentes do grupo que ter seus demonstrativos consolidados. Entretanto, o processo de consolidao h de ser documentado em papis de trabalho, que so documentos extra-contbeis e devem ser guardados pelo perodo de trs anos para fins de auditoria, visto que as demonstraes consolidadas tambm so passiveis de auditoria nas companhias abertas. Desta forma, o processo de consolidao ser registrado em documentos extracontbeis como papis de trabalho elaborados manualmente, ou pela utilizao de fichas de razo. 6.5 RESULTADOS INTERCOMPANHIAS Conforme disposio do art. 250 da Lei das S/A, das demonstraes financeiras consolidadas sero excludas, entre outras, as parcelas dos resultados do exerccio, dos lucros ou prejuzos acumulados e do custo de estoques ou do ativo permanente que corresponderem a resultados, ainda no realizados, de negcios entre as sociedades. Em item anterior fizemos a excluso de vendas inter-companhias para o qual foi utilizado como contra partida a conta custo das vendas. Entretanto, as vendas poderiam ter sido realizadas com lucros ou prejuzos que tambm devem ser eliminados no processo de consolidao. Os casos mais corriqueiros de resultados inter empresas de um mesmo grupo econmico so os juros cobrados, as comisses de vendas, os dividendos declarados e os

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 06 CONSOLIDAOProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia lucros ou prejuzos de operaes de vendas entre as sociedades que estejam includos em ativos da compradora. Os juros, comisses e outras receitas inter-companhias, originariamente, so registradas como receita em uma das empresas e como despesa na outra. Entretanto, esses valores no representam resultado efetivo com terceiros. Desta forma, esses valores devem ser eliminados por meio de lanamentos de estorno, como segue: a) Eliminao de juros inter-companhias Receita de Juros a Despesas de Juros R$ 1.000,00 b) Eliminao de comisses de vendas Receita de Comisses de Vendas a Despesas de Comisses de Vendas R$ 500,00

Com relao aos dividendos, necessrio verificar se a sociedade investidora avalia o investimento pelo MEP ou pelo Mtodo do Custo. Caso o investimento seja avaliado pelo MEP os dividendos recebidos diminuem o valor do investimento e no haver excluso a fazer, pois o valor do dividendo, neste caso, no ir para o resultado. J os dividendos recebidos pelas investidoras, que avaliam seus investimentos pelo mtodo do custo de aquisio, comporo o resultado da investidora. Neste caso, o valor dos dividendos recebidos devem ser eliminados na consolidao para no figurarem duplamente como resultado do grupo econmico. Entretanto, este no um fato corriqueiro, pois a maioria dos investimentos que participam do processo de conciliao devem ser avaliados pelo MEP. A eliminao de lucros ou prejuzos em transaes inter companhias pela venda de ativos bastante comum e deve ser estudada adequadamente. Neste particular pode haver lucros nos estoques adquiridos de sociedade do grupo ou de bens do ativo permanente. Nas transaes ao preo de custo no h lucro e o fato ser eliminado pela eliminao da venda e do custo. Entretanto, este um caso raro, mesmo nas transaes intercompanhias, pois geralmente as transaes so realizadas a valores de mercado, donde pode resultar que a empresa adquirente j tenha vendido o bem, realizando o lucro ou, ento, as mercadorias esto no estoque ou no ativo da empresa adquirente. Quando a adquirente tenha vendido o estoque ou os bens, no h mais lucro a ser eliminado, sendo necessrio, apenas, eliminar as operaes de venda e custo original entre as companhias. Porm, se os bens permanecerem em estoque, mesmo que parcialmente, na data da consolidao haver lucros no realizados que devem ser eliminados. Outro aspecto que merece nossa ateno diz respeito ao gio ou desgio. Neste particular, cabe ressaltar que somente as empresas avaliadas pelo MEP registram, de forma segregada, o gio ou desgio. Os valores do gio e do desgio figuraro no balano consolidado como ativo, tal qual constam do balano da sociedade investidora, quando decorrentes de diferena de valor econmico de ativo da sociedade investida e em consta especfica do ativo permanente ou em REF quando o fundamento econmico tenha sido a perspectiva de resultados futuros.

7 TRATAMENTO DAS PARTICIPAES MINORITRIAS A Consolidao das Demonstraes contbeis condicionada, na maioria dos casos, ao fato de existir o controle de uma empresa sobre outra. Conforme estudamos em captulos anteriores, o controle pode ser total, quando teremos a chamada subsidiria integral, ou com a

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 06 CONSOLIDAOProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia deteno da maioria das aes do capital votante pela controladora caso em que no haver o controle total. No caso de subsidiria integral temos como acionista nico outra empresa nacional, logo no h participao de acionistas minoritrios ou no controladores. O problema da participao dos acionistas minoritrios consiste na consolidao das demonstraes contbeis das controladas que possuem o seu capital pulverizado, ou seja, alm do controlador h outros acionistas que no so controladores. Desta forma, o controle do acionista majoritrio apenas relativo. A denominao de acionistas minoritrios surge quando a controladora a acionista majoritria, isto , ela possui mais de 50% do total das aes. J a designao de acionistas no controladores surge em face de a controladora no ser a acionista majoritria, situao em que possui apenas a maioria das aes com direito a voto o que lhe d a condio de controladora. Em ambas as situaes, a participao dos acionistas no controladores deve ser evidenciada destacadamente no balano patrimonial consolidado. No Patrimnio Lquido do Balano Patrimonial Consolidado deve aparecer apenas o valor pertencente ao grupo ou acionistas da empresa controladora. Desta forma, consoante disposio legal, a participao dos acionistas minoritrios e/ou majoritrios no controladores deve ser lanada no Passivo, imediatamente antes do Patrimnio Lquido e aps os Resultados de Exerccios Futuros, quando for o caso. Assim, um Balano Patrimonial Consolidado, com presena de acionistas minoritrios, apresentar-se- da seguinte forma no lado do passivo, caso tenhamos, por hiptese, uma participao de acionistas minoritrios no valor de R$ 210.000,00: Ativo Passivo Passivo Circulante Passivo Exigvel a Longo Prazo Resultado de Exerccios Futuros Participao minoritria em controlada consolidada Patrimnio Lquido 123.000,00 78.000,00 47.000,00 210.000,00 786.000,00

Assim, a participao de no-controladores a parcela do capital, reservas e resultados pertencentes a acionistas ou scios minoritrios. No Balano Patrimonial, essa participao deve ser destacada em grupo isolado no balano patrimonial consolidado, imediatamente antes do grupo patrimnio lquido. A participao de no-controladores no lucro ou prejuzo lquido, do exerccio, das controladas deve ser destacada e apresentada, respectivamente, como deduo ou adio ao lucro ou prejuzo lquido consolidado, na Demonstrao Consolidada do Resultado do Exerccio. Na hiptese de consolidao proporcional, no h parcelas a destacar no Balano Patrimonial Consolidado e na Demonstrao do Resultado Consolidado, visto que, neste caso, esses valores no aparecem na Consolidao, j que somente os valores pertencentes ao grupo controlador so levados aos demonstrativos consolidados. Para calcular o valor da participao dos acionistas minoritrios aplica-se sobre o Patrimnio Lquido o percentual de participao desses acionistas no capital social da sociedade investida (controlada).

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 06 CONSOLIDAOProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia Exemplo: Suponha que a controlada Piau S/A possua o seu capital social dividido em 500.000 aes com valor nominal de R$ 1,00 por ao e que seu Patrimnio Lquido seja constitudo conforme a seguir demonstrado: Patrimnio Lquido Capital Social Reservas de Capital Reservas de Lucros Lucros Acumulados Total R$ 980.000,00 196.000,00 147.000,00 98.000,00 1.421.000,00

Considerando, por hiptese, que 49% das 500.000 aes no pertencem Controladora (que est fazendo a consolidao), logo devemos aplicar essa mesma percentagem sobre as demais contas do patrimnio lquido, pois esse valor pertence ou de direito dos acionistas minoritrios ou no controladores. Teremos, ento, a seguinte situao: Patrimnio Lquido da Controlada Piau S/A Contas Capital Social Reservas de Capital Reservas de Lucros Lucros Acumulados Total Valor total 980.000,00 196.000,00 147.000,00 98.000,00 1.421.000,00 Participao minoritrios (49%) 480.200,00 96.040,00 72.030,00 48.020,00 696.290,00 Controladora Antares S/A (51%) 499.800,00 99.960,00 74.970,00 49.980,00 724.710,00

Percebe-se que do Patrimnio Lquido da Controlada Piau S/A, R$ 696.290,00. pertencem aos acionistas minoritrios, cujo valor deve ser apresentado destacadamente no Balano Patrimonial Consolidado. Para destacar esse valor, ser necessrio o seguinte lanamento contbil, que ser realizado nos papis de trabalho, sem nenhum registro contbil em qualquer livro: Diversos a Participao Minoritria em Controladas Consolidadas Capital Social Reserva de Capital Reserva de Lucros Lucros Acumulados R$ 480.200,00 R$ R$ R$ 96.040,00 72.030,00 48.020,00 R$ 696.290,00

No demais repetir que o valor de R$ 696.290,00 dever constar no Balano Patrimonial Consolidado fora do Patrimnio Lquido, logo acima deste e abaixo de Resultados de Exerccios Futuros. Na Demonstrao do Resultado de Exerccio Consolidado, devemos destacar a parcela do lucro das controladas consolidadas que se refere participao minoritria. Tomemos, a guisa de exemplo, o percentual de participao dos acionistas no controladores de 49% e consideremos que a empresa controlada tenha obtido um Lucro

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 06 CONSOLIDAOProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia Lquido do Exerccio no valor de R$ 300.000,00. Assim sendo, o valor a ser destacado na consolidao referente a participao minoritria ser de R$ 147.000,00 (49% de R$ 300.000,00). A seguir apresentaremos um exemplo da forma de apresentao, no qual admitimos que a controladora Asteca S/A tenha obtido um lucro de R$ 500.000,00 e o lucro da Controlada Piau S/A tenha sido de R$ 300.000,00, totalizando um lucro de R$ 800.000,00 entre controladora e controlada. No demonstrativo consolidado devemos destacar a participao dos acionistas minoritrios, que pode ser da seguinte forma: DEMONSTRAO CONSOLIDADA DO RESULTADO DO EXERCCIO da controladora Asteca S/A e da Controlada Piau S/A Receita Bruta Lucro Bruto Despesas Operacionais ... Lucro Lquido Total (-) Participaes Minoritrias da Investida nos resultados consolidados Lucro Lquido Consolidado 800.000,00 (147.000,00) 653.000,00

Devemos atentar ao fato de que a eliminao dos valores pertencentes aos acionistas minoritrios e aos acionistas no controladores deve ser realizada mesmo quando existem lucros no realizados no patrimnio lquido das controladas, o que afetar o resultado da controladora, mas no poder afetar a participao minoritria (ou no controladores), pois o lucro estar no realizado na relao de controlada e controladora, mas estar realizado para os demais acionistas. Assim, esses minoritrios tm direito de participar no resultado das controladas de que so scios, ainda que haja lucro decorrente de operaes com a controladora, pois esse lucro ser eliminado para apurar o valor pertencente ao grupo econmico, mas no para apurar a participao dos minoritrios ou no controladores. Alis, este um dos principais objetivos da consolidao e apurao da participao dos acionistas minoritrios.

8 TRATAMENTO DE IMPOSTOS NO PROCESSO DE CONSOLIDAO 8.1 IMPOSTO DE RENDA NA TRANSAO ENTRE SOCIEDADES DO GRUPO ECONMICO A maioria das transaes com lucros esto sujeitas ao Imposto de Renda. Como na consolidao eliminamos os lucros no realizados decorrentes de transaes entre empresas do grupo econmico devemos eliminar, tambm, as despesas com o imposto de renda sobre aquele resultado se o resultado for passvel de realizao e adio em consolidao futura, quando o imposto excludo ser tambm adicionado. Entretanto, se o lucro for eliminado na consolidao de forma definitiva, isto , se ele nunca mais for adicionado por carecer de realizao, ento a tributao pelo Imposto de Renda ser considerada definitiva e no ser excluda na consolidao. Exemplo: Na venda de estoques, com lucro, da controlada sua controladora, com incidncia de Imposto de Renda, e se esses estoques no forem vendidos pelo adquirente (parcial ou

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 06 CONSOLIDAOProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia totalmente), a parcela do lucro no realizado deve ser eliminada na consolidao, bem como a proporo do imposto de renda incidente sobre esse lucro. Os lanamentos de eliminao do Imposto (ajustes) so os seguintes: a) No Balano Patrimonial Consolidado A conta Lucros ou Prejuzos Acumulados, do Patrimnio Lquido, deve ser creditada para eliminar o efeito do Imposto de Renda no Resultado que foi incorporado a esta conta. Como contrapartida, devemos debitar uma conta do Ativo Circulante ou ARLP em conta de Antecipao de Imposto de Renda ou Imposto de Renda a Compensar, visto que quando da realizao do lucro esse imposto ser devido pela controladora. Imposto de Renda a Compensar a Lucros ou Prejuzos Acumulados b) Na Demonstrao Consolidada do Resultado do Exerccio Neste demonstrativo o ajuste dever ser no valor da parcela referente proviso para imposto de renda, relativa a despesa como se fosse uma partida simples.

8.2 ICMS e IPI Sabemos que os impostos recuperveis no fazem parte do custo de aquisio dos estoques da adquirente e tampouco faro parte da receita lquida de vendas da sociedade vendedora. Mesmo assim, em face da necessidade de eliminao do resultado no realizado, alguns ajustes se fazem necessrios, conforme veremos no exemplo a seguir. Exemplo: A controlada Piau S/A faz a venda de seu estoque pelo valor de R$ 50.000,00 (com incidncia de ICMS de 18% e de IPI de 12%) a sua controladora Asteca S/A. O custo do estoque foi de 28.000,00, j deduzidos os tributos recuperveis. Assim, ela apresentar a seguinte estrutura de resultado: Faturamento bruto ............................................ (-) IPI .............................................................. Receita bruta .................................................... (-) ICMS .......................................................... Receita lquida .................................................. (-) CPV ............................................................ Lucro bruto ...................................................... 56.000,00 (6.000,00) 50.000,00 (9.000,00) 41.000,00 (28.000,00) 13.000,00

Como a empresa Piau S/A faz sua escriturao de forma regular, ela debitou e creditou os valores do IPI e do ICMS nas contas prprias. A controladora Asteca S/A pode no ter vendido todo esse estoque adquirido de sua controlada, o que acarreta os seguintes efeitos, considerando que no houve a venda da metade do estoque: a) No Balano Patrimonial Consolidado Somente o lucro no realizado no valor de R$ 6.500,00 deve ser eliminado. Com relao ao IPI e ao ICMS nada deve ser feito, visto que os saldos a recolher ou a compensar desses tributos tambm so obrigaes ou direitos vlidos no demonstrativo consolidado. b) Na Demonstrao Consolidada do Resultado do Exerccio

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 06 CONSOLIDAOProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia Todos os valores relativos ao lucro no realizado devem ser eliminados, a includos o Custo dos Produtos Vendidos, a Receita Lquida, o ICMS, a Receita Bruta, o IPI e do Faturamento Bruto proporcionalmente a parcela no realizada. Os ajustes a serem efetuados para eliminar esses valores na Demonstrao Consolidada do Resultado sero os seguintes: Dbito Faturamento Bruto a IPI a ICMS a CPV a Estoques (lucros no realizados) 28.000,00 3.000,00 4.500,00 14.000,00 6.500,00 Crdito

interessante observar que se for efetuado o ajuste do Faturamento Bruto, do IPI, do ICMS e do CPV, os valores relativos a Receita Bruta, Receita Lquida e Lucro Bruto estaro tambm ajustados. 9 - NOTAS EXPLICATIVAS S DEMONSTRAES CONTBEIS CONSOLIDADAS As demonstraes contbeis consolidadas devem ser complementadas por notas explicativas que contenham, pelo menos, as seguintes informaes: 1. as denominaes das entidades controladas includas na consolidao, bem como o percentual de participao da controladora em cada entidade controlada, englobando a participao direta e a indireta por intermdio de outras entidades controladas; as caractersticas principais das entidades controladas includas na consolidao; os procedimentos adotados na consolidao; o valor dos principais grupos do ativo, do passivo e do resultado das entidades sob controle conjunto; a razo pela qual os componentes patrimoniais de uma ou mais controladas no foram avaliados pelos mesmos critrios utilizados pela controladora; a exposio dos motivos que determinaram a incluso ou excluso de uma entidade controlada durante o exerccio, bem como os efeitos, nos elementos do Patrimnio Lquido e Resultado Consolidados, decorrentes dessa incluso ou excluso; a natureza e os montantes dos ajustes efetuados em decorrncia da defasagem de datas de que trata o item 8.2.6, quando couber; a base e o fundamento para a amortizao do gio ou desgio no absorvido na consolidao; a conciliao entre os montantes do Patrimnio Lquido e Lucro Lquido da controladora com montantes do patrimnio lquido ou prejuzo consolidados, e os respectivos esclarecimentos, se necessrios;

2. 3. 4. 5. 6.

7. 8. 9.

10. os eventos subseqentes data de encerramento do exerccio ou perodo que tenham ou possam vir a ter efeito relevante sobre as demonstraes contbeis consolidadas; 11. o efeito da variao do percentual de participao da controladora na controlada dentro de um mesmo exerccio.

ISSO, PESSOAL. Agora j podem fazer os exerccios e percebam que bastante tericos!

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EXERCCIOS PROPOSTOS01) (AFTN-96-Esaf): No devem integrar os Demonstrativos Consolidados os patrimnios de empresas controladoras nas quais: a) O controle seja apenas temporrio b) O controle ocorra de forma integral c) Ocorra total dependncia tecnolgica d) Ocorra dependncia financeira integral e) O controle seja permanente e total 02) (AFTN-96-Esaf): Para que os procedimentos de Consolidao das Demonstraes Contbeis dos conglomerados reflitam tecnicamente a relao do grupo para com terceiros, importante seja mantida a uniformidade a) De polticas de captao de recursos, de formao dos estoques e mantidos os mesmos credores b) De fornecedores, de estocagem de produtos e utilizem os mesmos rgos financiadores c) De polticas de compra e venda de produtos, de estocagem de produtos e mantidos os mesmos credores d) Diretiva em todas as empresas do conglomerado com os mesmos diretores nas empresas e) De critrios e procedimentos contbeis entre as empresas consolidadas A empresa LM era subsidiria integral da Cia ABC, que tambm possua 60% do capital da Cia XY. Em 31.12.19x1 os balanos patrimoniais da Cia ABC e de suas controladas eram os seguintes : A empresa LM era subsidiria integral da Cia. ABC, que tambm possua 60 % do capital da Cia. XY. Em 31/12/19X1 os balanos patrimoniais da Cia. ABC e de suas controladas eram os seguintes: Controladora Controlada Controlada ABC LM XY ATIVO CIRCULANTE Disponibilidades 1.000 15.000 22.000 Valores a receber 25.000 5.000 34.000 Estoques 45.000 20.000 ATIVO PERMANENTE INVESTIMENTOS Participaes Societrias Cia. LM 20.000 Participaes societrias Cia. XY 60.000 IMOBILIZADO LQUIDO 100.000 10.000 54.000 TOTAL DO ATIVO 251.000 30.000 130.000 PASSIVO CIRCULANTE Valores a pagar PASSIVO EXIGVEL A LONGO PRAZO Emprstimos Bancrios PATRIMNIO LQUIDO Capital Social TOTAL PASSIVO + PL 16.000 35.000 200.000 250.000 10.000 20.000 30.000 5.000 25.000 100.000 130.000

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 06 CONSOLIDAOProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia Outras informaes: * o saldo das conta Valores a Pagar da Cia. XY correspondia a operaes de repasses financeiros realizadas com a controladora. * em 31.12.19x1 a Cia. LM tinha a receber $.2.000 de sua controladora . Com base nas informaes anteriores, identifique as respostas das questes 03 a 08 . 03) (AFTN-96-Esaf) O valor participaes minoritrias : a) $ 20.000 b) $ 200.000 c) $ 100.000 d) $ 120.000 e) $ 40.000 apurado na consolidao dos demonstrativos para a

04) (AFTN-96-Esaf) Em 31.12.19x1 o grupo tinha a receber de terceiros: a) $ 57.000 b) $ 64.000 c) $ 34.000 d) $. 5.000 e) $ 25.000 05) (AFTN-96-Esaf) O valor consolidado do capital social do grupo era: a) $ 320.000 b) $ 200.000 c) $ 300.000 d) $ 220.000 e) $ 100.000 06) (AFTN-96-Esaf) Em 31.12.19x1 as obrigaes totais do grupo eram: a) $ 14.000 b) $ 70.000 c) $ 84.000 d) $ 16.000 e) $ 51.000 07) (AFTN-96-Esaf) O valor do Ativo Permanente Consolidado em 31.12.19x1 era: a) $ 244.000 b) $ 224.000 c) $ 234.000 d) $ 164.000 e) $ 184.000 08) (AFTN-96-Esaf) O valor do Patrimnio Lquido Consolidado : a) $ 200.000 b) $ 240.000 c) $ 300.000 d) $ 220.000 e) $ 120.000 09) (AFTN-96-Esaf) Em 10/10/19x2, a Cia. Amazonas vende vista para a sua subsidiria integral, Cia Solimes , um imobilizado pelo valor de $ 15.000.000, obtendo um lucro na operao de $ 3.500.000. Em 31/12/19x2, por ocasio da Consolidao das Demonstraes Contbeis, o procedimento de eliminao do lucro no realizado intercompanhias seria : a) Terrenos a Lucros No-Realizados Intercompanhias $ 3.500.000 b) Resultado Operacional a Terrenos $ 3.500.000

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 06 CONSOLIDAOProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia c) Lucro na Alienao de Imobilizados a Terrenos d) Terrenos a Lucros na Alienao de Imobilizados e) Terrenos a Ajustes de Lucros No-Realizados Intercompanhias $ 3.500.000 $ 3.500.000 $ 3.500.000

10) (AFTN-98-Esaf) As participaes de acionistas minoritrios ou no controladores, quando da consolidao, devero ser a) deduzidas do valor do investimento no Ativo Permanente b) acrescidas ao valor do investimento no Ativo Permanente c) consolidadas sem qualquer referncia especial d) segregadas em conta especfica no Ativo Permanente e) segregadas em conta especfica fora do Patrimnio Lquido consolidado 11) (AFTN-98-Esaf) Na consolidao dos Balanos de Controladora e Controlada todos os itens abaixo devero ser excludos, exceto a) participaes societrias de empresas no controladas e no pertencentes ao grupo b) lucro na venda de Ativos Imobilizados entre controladora e controlada c) investimento permanente da controladora na controlada d) lucro no realizado nas transaes de mercadorias entre controladora e controlada e) contas a receber que representam contas a pagar na controlada 12) (AFTN-98-Esaf) O imposto de renda oriundo de lucro ainda no realizado, referente a operaes efetuadas entre as empresas em consolidao, dever ser a) lanado contra estoques, quando proveniente de transaes de mercadorias b) considerado e pago quando for o caso c) eliminado para posterior tributao d) lanado contra impostos a compensar no Passivo Circulante e) lanado contra impostos a compensar no Exigvel a Longo Prazo 13) (AFTN-98-Esaf) Na Consolidao de Demonstraes Financeiras, o gio oriundo de investimento de controladora em controlada avaliado pelo mtodo da equivalncia patrimonial dever ser a) eliminado proporcionalmente participao da controladora na controlada b) eliminado na consolidao no aparecendo na demonstrao consolidada c) mantido na consolidao e aparecendo na demonstrao consolidada d) transferido para conta de receita no resultado da controladora e) transferido ao Lucros e Perdas do Balano consolidado 14) (AFRF-2001-Esaf) No processo de elaborao da consolidao das demonstraes no so excludos os(as): a) lucros no realizados decorrentes de operaes de venda de ativos entre as empresas do grupo b) vendas de qualquer natureza realizadas entre a empresa controlada e sua controladora c) dividendos recebidos por conta de participaes societrias avaliadas por equivalncia patrimonial d) receitas auferidas por conta de juros cobrados em contrato de mtuo realizado entre empresas do grupo e) vendas de servios realizadas entre a empresa controladora e suas controladas 15) (AFRF-2001-Esaf) De acordo com a Instruo CVM 247/96, podero ser excludas da obrigatoriedade de Consolidao de Demonstraes Financeiras: a) todas as companhias abertas que tiverem mais de 30% do seu patrimnio lquido representado por investimentos em controladas b) sociedades controladas que apresentarem efetivas e claras evidncias de perda de continuidade

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 06 CONSOLIDAOProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia c) sociedades controladas que apresentarem efetivas e claras evidncias de manuteno da continuidade d) todas as companhias abertas que tiverem menos de 30% do seu patrimnio lquido representado por investimentos em controladas e) sociedades controladas que no se configurem como parte relacionada e no operem com a controladora Tomando como base unicamente as informaes a seguir, responda s questes de 16 a 23. I Balano Patrimonial: Controladora - A Controlada - B Ativo Disponvel 95.000 125.000 Contas a Receber terceiros 120.000 Contas a Receber intercompanhias 140.000 Estoques 70.000 20.000 Investimentos na controlada B 125.000 Imobilizado 350.000 35.000 Total do Ativo 760.000 320.000 Passivo + Patrimnio Lquido Passivo Fornecedores terceiros 50.000 120.000 Fornecedores intercompanhias 140.000 Outras contas a pagar 40.000 55.000 Patrimnio Lquido Capital 500.000 125.000 Lucros Acumulados 30.000 20.000 Total Passivo e Patrimnio Lquido 760.000 320.000 II Demonstraes do Resultado de Exerccio: Demonstrao de Resultados Controladora - A Controlada - B Vendas 80.000 140.000 Custo das Vendas (70.000) (100.000) Lucro Bruto 10.000 40.000 Resultado da equivalncia 20.000 Lucro Lquido 30.000 40.000 III Outras informaes adicionais: A controladora A constituiu a controlada B da qual tem 100% do capital. A controlada B vendeu para a controladora A, por R$ 140.000,00, mercadorias que lhe custaram R$ 100.000,00. A Controladora A vendeu metade dos estoques comprados da controlada B pelo preo de R$ 80.000,00. No perodo foram distribudos dividendos, pela controlada B, na ordem de R$ 20.000,00. 16) (AFRF-2001-Esaf) O valor do Lucro Bruto Consolidado de: a) 30.000 b) 20.000 c) 10.000 d) 40.000 e) 50.000 17) (AFRF-2001-Esaf) O valor do Custo das Vendas Consolidado de: a) 30.000 b) 170.000

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 06 CONSOLIDAOProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia c) d) e) 70.000 100.000 50.000

18) (AFRF-2001-Esaf) O valor das Receitas de Vendas Consolidadas de: a) 220.000 b) 80.000 c) 120.000 d) 140.000 e) 50.000 19) (AFRF-2001-Esaf) No processo de consolidao das demonstraes contbeis, o valor do lucro no-realizado : a) 50.000 b) 20.000 c) 30.000 d) 40.000 e) 10.000 20) (AFRF-2001-Esaf) Aps a consolidao dos Balanos, o valor total do Ativo : a) 795.000 b) 815.000 c) 1.080.000 d) 720.000 e) 700.000 21) (AFRF-2001-Esaf) Aps a consolidao dos Balanos, o valor dos Lucros Acumulados : a) 80.000 b) 40.000 c) 50.000 d) 30.000 e) 140.000 22) (AFRF-2001-Esaf) Aps a consolidao dos Balanos, o valor total das Exigibilidades : a) 95.000 b) 265.000 c) 255.000 d) 170.000 e) 295.000 23) (AFRF-2001-Esaf) Receber a) 120.000 b) 140.000 c) 260.000 d) 80.000 e) 20.000 Aps a consolidao dos Balanos, o valor total das Contas a

24) (AFRF-2002-Esaf) No processo de consolidao, a participao societria dos acionistas no pertencentes ao grupo deve ser evidenciada como: a) Patrimnio Lquido b) Ativo c) Passivo d) Receitas e) Reservas

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 06 CONSOLIDAOProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia 25) (AFRF-2002-Esaf) As demonstraes contbeis consolidadas, exigidas nos termos da Instruo CVM 247/96, so: a) Demonstrao Consolidada dos Fluxos dos Caixas, Demonstrao Consolidada das Mutaes Patrimoniais, Demonstrao Consolidada do Resultado do Exerccio e Balano Patrimonial Consolidado. b) Balano Patrimonial Consolidado, Demonstrao Consolidada do Resultado do Exerccio e Demonstrao Consolidada das Origens e Aplicaes de Recursos. c) Demonstrao Consolidada do Resultado do Exerccio, Balano Patrimonial Consolidado, Demonstrao Consolidada dos Fluxos dos Caixas e os Fluxos dos Caixas de cada uma da empresas componentes do grupo. d) Demonstrao Consolidada das Origens e Aplicaes de Recursos, Demonstrao Consolidada das Mutaes Patrimoniais e Demonstrao Consolidada do Resultado do Exerccio. e) Demonstrao Consolidada da conta Lucros/Prejuzos Acumulados, Balano Patrimonial Consolidado e Demonstrao Consolidada do Resultado do Exerccio. 26) (AFRF-2002-Esaf) O saldo em aberto de operaes de repasse de recursos efetuadas da controladora para as controladas e coligadas por ocasio da elaborao da consolidao dos balanos ser: a) avaliado b) realizado c) incorporado d) anulado e) registrado 27) (AFRF-2002-2-Esaf)Para a elaborao das Demonstraes Contbeis Consolidadas, a investidora deve: a) em nenhuma hiptese utilizar perodos contbeis no idnticos, mesmo que este fato represente melhoria na qualidade da informao produzida. b) utilizar demonstraes contbeis e do patrimnio lquido das investidas apuradas na mesma data das demonstraes contbeis da investidora. c) compensar quaisquer ativos ou passivos pela deduo de outros ativos ou passivos mesmo na inexistncia de direito de compensao. d) utilizar demonstraes contbeis de coligadas e controladas elaboradas at 90 dias antes da data das demonstraes contbeis da investidora. e) eliminar saldos de quaisquer contas de ativas e passivas resultantes de transaes das sociedades includas na consolidao. 28) (AFRF-2002-2-Esaf)Dos procedimentos listados a seguir, indique aquele que no corresponde ao processo contbil de elaborao das demonstraes consolidadas. a) Eliminao das despesas e receitas de variao cambial efetuadas com instituies financeiras indicadas pela controladora. b) Excluso de saldos de ativos e passivos em aberto de operaes realizadas entre controladas e a controladora. c) Valores de despesas e receitas de prestao de servios realizados entre empresas do grupo. d) Valores no realizados existentes nos ativos decorrentes de operaes de compra e venda de ativos intercompanhias. e) Operaes de vendas efetuadas entre as empresas do grupo que efetuar a consolidao. 29) (AFRF-2003) A empresa Chu S.A. possui investimentos na empresa Oiapoque S.A., tendo, de acordo com as determinaes da Lei das Sociedades por Aes, a obrigatoriedade de efetuar a consolidao. No ano de 2002 a empresa Chu adquiriu da empresa Oiapoque R$100.000,00 de fios eltricos para reformar suas instalaes. Pressupondo que este lucro ser eliminado e nunca mais realizado, podese: a) eliminar agora o Imposto de Renda e a contribuio social sobre ele incidente. b) excluir definitivamente o Imposto de Renda e a contribuio social pois no so devidos. c) excluir o Imposto de Renda e manter a contribuio social como despesa do perodo.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 06 CONSOLIDAOProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia d) manter o Imposto de Renda e eliminar a contribuio social das demonstraes. e) manter o Imposto de Renda e a contribuio social pois ambos so despesas do perodo. 30) (AFRF-2003) A empresa Fortaleza S.A. consolida em suas demonstraes financeiras a empresa controlada Rio Branco S.A. No ano de 2002 a empresa Fortaleza comprou da empresa Rio Branco S.A. mercadorias para revenda no valor de R$ 10.000.000,00, que ainda permanecem em seus estoques. Considerando uma alquota de 25% de Imposto de Renda e 9% da Contribuio Social, totalizando 34%, indique o lanamento a ser efetuado no Balano Patrimonial Consolidado, relativo ao Imposto de Renda e Contribuio Social. a) Nenhum, pois o Imposto de Renda e a Contribuio Social so despesas do Perodo. b) Dbito de Lucros Acumulados e Crdito do Passivo Circulante no valor de R$ 3.400.000,00. c) Dbito no Ativo Circulante e Crdito nos Lucros Acumulados no valor de R$ 3.400.000,00. d) Dbito no Passivo Circulante e Crdito nos Lucros Acumulados no valor de R$ 3.400.000,00. e) Dbito de Ativo Realizvel a Longo Prazo e Crdito de Passivo Circulante no valor de R$ 2.500.000,00, pois somente o Imposto de Renda deve ser eliminado. Com base no que dispe a Lei das Sociedades Annimas (Lei n 6.404/1976) e os atos normativos da CVM, a propsito da consolidao de demonstraes financeiras e outros aspectos relativos s demonstraes contbeis, marque (C) para CERTO e (E) para ERRADO nas questes ns 31 a 48. 31) (INSS-CESPE-2003) A consolidao de demonstraes financeiras s obrigatria para os casos de grupos empresariais que se constiturem formalmente em grupos de sociedades na forma das sociedades annimas (S.A.), independentemente de serem ou no companhias abertas, e ainda que a sociedade de comando no seja uma S.A. 32) (INSS-CESPE-2003) Deve-se excluir das demonstraes consolidadas, sempre com a anuncia prvia da Comisso de Valores Mobilirios (CVM), os investimentos cuja incluso possam provocar distoro na representao patrimonial e financeira do grupo. Nesse caso, o investimento excludo deve ser avaliado pelo mtodo de equivalncia patrimonial (MEP) e ser objeto de nota explicativa que explique as razes que determinaram a excluso. 33) (Petrobras-CESPE-2004) As companhias abertas so obrigadas a publicar o relatrio da administrao que deve conter, entre outras, informaes relativas a aquisio de debntures de emisso prpria e a poltica de reinvestimentos de lucros e distribuio de dividendos constantes no acordo de acionistas. 34) (Petrobras-CESPE-2004) As demonstraes consolidadas devem incluir todas as empresas controladas, sendo proibida, em qualquer situao, a excluso de qualquer uma dessas empresas sem anuncia prvia da Comisso de Valores Mobilirios (CVM). 35) (Petrobras-CESPE-2004) As companhias fechadas e os conjuntos de sociedades que no estejam enquadradas na definio legal de grupos de sociedades esto dispensados da elaborao e da divulgao das demonstraes contbeis consolidadas, que so obrigatrias para as companhias abertas e para os referidos grupos de sociedades. 36) (Petrobras-CESPE-2004) Para as companhias abertas e para as instituies financeiras, a lei tornou obrigatria a publicao, juntamente com as demonstraes financeiras exigidas, dos pareceres de Conselho Fiscal e de auditores independentes registrados na CVM. 37) (Petrobras-CESPE-2004) O grau de evidenciao das demonstraes contbeis deve propiciar o suficiente entendimento do que cumpre demonstrar, inclusive com o uso de notas explicativas que, entretanto, no podero substituir o que intrnseco s demonstraes.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 06 CONSOLIDAOProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia 38) (Petrobras-CESPE-2004) Para efeito de consolidao das demonstraes contbeis, uma entidade controladora de outra, ou seja, exerce o comando direto sobre a outra entidade, quando detm a maioria do capital votante da mesma ou exerce o comando indireto, quando dispe de outras condies que lhe assegurem, ainda que temporariamente, a preponderncia nas deliberaes sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores. 39) (Petrobras-CESPE-2004) Quando a participao percentual da controladora no capital da controlada variar durante o exerccio, os resultados devem ser includos proporcionalmente s percentagens de participao, perodo por perodo. 40) (Petrobras-CESPE-2004) A consolidao o processo de agregar saldos de contas e (ou) de grupo de contas de mesma natureza, de eliminar saldos de transaes e de participaes entre entidades que formam o conjunto e de segregar o interesse de minoritrios, quando for o caso. Esses ajustes e eliminaes so realizados mediante lanamentos efetuados na escriturao da entidade controladora. 41) (Petrobras-CESPE-2004) As companhias abertas so obrigadas a elaborar e publicar, juntamente com as demais demonstraes societrias obrigatrias, a demonstrao das mutaes do patrimnio lquido (DMPL), que dever conter, em uma de suas colunas, a demonstrao de lucros ou prejuzos acumulados (DLPA), ficando, assim, dispensadas da elaborao e da publicao da DLPA em separado. 42) (Petrobras-CESPE-2004) Os juros sobre o capital prprio devem ser contabilizados como destinao dos lucros, diretamente na conta lucros acumulados, sem transitar pelo resultado do exerccio. Assim, as empresas que tiverem contabilizado tais juros como despesa financeira, para fins de dedutibilidade fiscal, ficam obrigadas a efetuar a reverso do seu valor, na ltima linha da demonstrao do resultado, antes do saldo da conta de lucro ou prejuzo do exerccio. 43) (Petrobras-CESPE-2004) A princpio todo o resultado do exerccio deve ser distribudo aos acionistas, a no ser que existam fortes razes para no faz-lo. Nesse caso, as razes para a reteno do lucro devem ser suficientes para justificar a no-distribuio, alm de serem devidamente evidenciadas em nota explicativa. 44) (Petrobras-CESPE-2004) As participaes nos lucros atribudas a terceiros, no relativas ao investimento dos acionistas, devem ser registradas como despesas da empresa, antes de se apurar o lucro lquido do exerccio. A base de clculo legal para apurao, porm, o lucro lquido, antes do imposto de renda e da contribuio social, e antes das participaes, deduzido do eventual saldo de prejuzos acumulados. 45) (Petrobras-CESPE-2004) No balano, os saldos de depsitos bancrios em outros pases devem ser convertidos em moeda nacional, sendo suficiente e admitido para esse procedimento to-somente a adoo da taxa cambial de compra corrente da data do balano. 46) (Petrobras-CESPE-2004) A variao cambial correspondente ao ajuste do saldo em moeda nacional taxa de cmbio utilizada na data da converso deve ser contabilizada em resultado do exerccio, em conta segregada, no grupo despesas e receitas financeiras, sendo admitido, para esse registro, o aumento do custo de aquisio at o limite de valor do mercado. 47) (CESPE/Unb-INMETRO-2001) Acerca de consolidao de demonstraes contbeis, assinale a opo correta. a) Podero ser excludas das demonstraes contbeis consolidadas, sem prvia autorizao da CVM, as sociedades controladas com efetivas e claras evidncias de perda de continuidade e cujo patrimnio seja avaliado, ou no, a valores de liquidao.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 06 CONSOLIDAOProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia b) No balano patrimonial consolidado, o valor contbil do investimento na sociedade controlada excluda da consolidao dever ser avaliado pelo mtodo de custo. c) Nas demonstraes contbeis consolidadas, ser tambm considerada justificvel a excluso de sociedade controlada cujas operaes sejam de natureza diversa das operaes da investidora ou das demais controladas. d) Para a elaborao das demonstraes contbeis consolidadas, a investidora dever excluir os saldos de quaisquer contas ativas e passivas, decorrentes de transaes entre as sociedades excludas na consolidao. e) No processo de consolidao das demonstraes contbeis, poder ser efetuada a compensao de quaisquer ativos ou passivos pela deduo de outros passivos ou ativos, mesmo que no exista direito de compensao. 48) (CESPE/Unb-INMETRO-2001) Com referncia ao PIS/PASEP, COFINS, IRRF, imposto de renda das pessoas jurdicas e contribuio social sobre o lucro lquido, julgue os itens abaixo. I - O PIS/PASEP e COFINS incidem sobre a receita de vendas das empresas, depois de deduzidos os valores de IPI e ICMS. II - O IRRF sobre aplicaes financeiras pago pelas empresas s pode ser utilizado para deduo do imposto devido em cada ms no exerccio seguinte ao de sua reteno. III - A proviso para devedores duvidosos contabilizada em determinado perodo pode ser deduzida imediatamente para fins de clculo do lucro real, mesmo antes do reconhecimento da perda efetiva do recebvel. IV - A proviso para contingncias s ser dedutvel na apurao do lucro real e constituir base de clculo da contribuio social sobre o lucro lquido no pagamento ou na liquidao do passivo. V - O ganho de equivalncia patrimonial no-operacional, por variao do percentual de participao, uma receita no-tributvel para fins de imposto de renda e contribuio social sobre o lucro lquido. Esto certos apenas os itens a) I e II. C) II e III. E) IV e V. b) I e IV. D) III e V. GABARITO 01 A 06 C 11 A 16 A 21 D 26 D 31 E 36 E 41 C 46 C 02 E 07 D 12 C 17 E 22 B 27 E 32 C 37 C 42 C 47 A 03 E 08 A 13 C 18 B 23 A 28 A 33 C 38 E 43 C 48 E 04 A 09 C 14 C 19 B 24 C 29 - E 34 E 39 C 44 C 05 B 10 E 15 B 20 A 25 B 30 - C 35 C 40 E 45 E

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REORGANIZAO DE SOCIEDADES1. INTRODUO

Com o advento da nova ordem econmica mundial - a globalizao da economia -, as sociedades comerciais ou com fins lucrativos necessitam se adaptar a essa realidade para que possam competir nesse mercado turbulento, carecendo para tanto, muitas vezes, de reorganizao da sua estrutura societria. Reorganizaes societrias so procedimentos espordicos atravs dos quais, por diversas razes, sociedades so transformadas, fundidas, incorporam ou so incorporadas, dividem-se ou simplesmente vendem ou encerram atividades de unidade fabril ou diviso de produtos. O tema , freqentemente, cobrado em concursos de nvel superior como AFRF, AFPS, Analista de diversos rgos, entre outros. Trataremos, portanto, do processo de reorganizao societria decorrente das operaes de transformao, incorporao, fuso e ciso de empresas, as formas de dissoluo e os consrcios de empresas, pois nesses termos que o assunto cobrado nos principais concursos. Assim, o processo de reorganizao societria envolve a transformao, a concentrao e a desconcentrao de empresas. As principais razes que levam as sociedades a se reorganizar so: A busca de competitividade no mercado em face da conjuntura socioeconmica; O planejamento fiscal, objetivando minimizar a carga tributria; Afastar divergncia entre acionistas; Descentralizao administrativa ou concentrao administrativa; Melhorar a imagem da empresa perante a opinio pblica.

2.

FORMAS DE CONCENTRAO

A Lei das sociedades annimas, no art. 223, prev trs formas de concentrao societria com tratamento jurdico prprio: A Incorporao, Fuso e Ciso: Art. 223. A incorporao, fuso ou ciso podem ser operadas entre sociedades de tipos iguais ou diferentes e devero ser deliberadas na forma prevista para a alterao dos respectivos estatutos ou contratos sociais. 1 Nas operaes em que houver criao de sociedade sero observadas as normas reguladoras da constituio das sociedades do seu tipo. 2 Os scios ou acionistas das sociedades incorporadas, fundidas ou cindidas recebero, diretamente da companhia emissora, as aes que lhes couberem. 3 Se a incorporao, fuso ou ciso envolverem companhia aberta, as sociedades que a sucederem sero tambm abertas, devendo obter o

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 07 Reorganizao Societria Parte IProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia respectivo registro e, se for o caso, promover a admisso de negociao das novas aes no mercado secundrio, no prazo mximo de cento e vinte dias, contados da data da assemblia-geral que aprovou a operao, observando as normas pertinentes baixadas pela Comisso de Valores Mobilirios. 4 O descumprimento do previsto no pargrafo anterior dar ao acionista direito de retirar-se da companhia, mediante reembolso do valor das suas aes (art. 45), nos trinta dias seguintes ao trmino do prazo nele referido, observado o disposto nos 1 e 4 do art. 137. Pela leitura do dispositivo legal, percebe-se que o processo de reorganizao pode envolver sociedades de diversos tipos societrios, no entanto devem observar as formas de alterao dos atos constitutivos de cada tipo societrio, isto , a deliberao deve ocorrer conforme disposto em contrato social ou estatuto. Assim, se determinado estatuto estabelece que poder ser alterado somente com a aprovao unnime dos integrantes do quadro social dessa forma que o processo de reorganizao deve ser conduzido. Quando do processo de reorganizao resultar sociedade nova, esta dever ser constituda conforme os preceitos legais para o tipo societrio resultante adotado. Pela norma esculpida no pargrafo 3, que de fundamental importncia, percebe-se que a reorganizao societria envolvendo Sociedade Annima de capital aberto (aes negociadas em bolsa de valores) a sociedade resultante tambm ser aberta e deve providenciar na obteno do respectivo registro em at 120 dias. Caso no obtenha esse registro, ou no observe o prazo para a obteno, dar-se- aos acionistas o direito de retirarem-se da companhia.

3.

TRANSFORMAO

Aps constituda uma sociedade sob determinado tipo societrio, pode ela mudar de tipo, passando, por exemplo, de LTDA para Sociedade Annima e vice-versa. No se trata de concentrao de sociedades, visto que muda apenas a sua forma jurdica. A lei, no art. 220, define a transformao com o seguinte contexto: A transformao a operao pela qual a sociedade passa, independentemente de dissoluo e liquidao, de um tipo para outro. Portanto, o que caracteriza o processo de transformao a passagem da sociedade de um tipo societrio para outro. interessante a regra contida no pargrafo nico do art. 220, pois ele estabelece que os preceitos a obedecer na transformao so os que regem a constituio e o registro do tipo societrio a ser adotado pela sociedade. Vale dizer, se a sociedade passar de Sociedade por Quotas de Responsabilidade Limitada para Sociedade Annima, todo procedimento dever ser o estabelecido na Lei n 6.404/76, alm das Instrues pertinentes ao assunto emitidas pela Comisso de Valores Mobilirios (CVM), se a sociedade resultante for uma sociedade de capital aberto. A primeira vista, a operao parece ser muito simples. Entretanto, a lei impe alguns freios sua efetivao, pois estabelece que deve haver o consentimento de todos os scios ou acionistas. Ressalva, contudo, a aprovao de forma linear pelos scios ou acionistas quando haja expressa disposio nos atos constitutivos no sentido de possibilitar a transformao, isto , o estatuto ou o contrato social da sociedade podem prever que a

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 07 Reorganizao Societria Parte IProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia empresa ser passvel de transformao, estabelecendo inclusive o forme de sua operacionalizao. Porm, no presente no contrato social ou estatuto previso de transformao, assegurado ao scio ou acionista dissidente o direito de retirar-se da sociedade com o devido reembolso das aes ou quotas a que faa jus, se o estabelecido na lei no for observado. Se a lei assegurou garantias aos scios ou acionistas, com mais razo o fez em relao aos credores quando estipula, no art. 222, que a transformao jamais prejudicar o direito dos credores, devendo o tipo resultante oferecer as mesmas garantias do tipo anterior satisfao integral dos crditos anteriores transformao. Assim, se uma sociedade que antes da transformao conferia responsabilidade ilimitada aos scios e se esta sociedade adotou, por transformao, tipo societrio que restrinja a responsabilidade dos scios ou acionistas, estes continuaro a responder pelas obrigaes assumidas pela sociedade, antes da transformao, de forma ilimitada em caso de dissoluo ou insolvncia da sociedade de tipo diferente decorrente da transformao. Para evitar que pessoas, de m f, utilizem o processo de transformao envolvendo ou responsabilizando terceiros em futuro processo de falncia, o estatuto legal, no pargrafo nico do art. 222, tambm imps um limite, estabelecendo que se os credores do tipo anterior pedirem a falncia da sociedade, respondero pelo processo os scios anteriores ao tipo resultante, ou seja, os que eram scios ao tempo em que surgiram as obrigaes. Art. 220. A transformao a operao pela qual a sociedade passa, independentemente de dissoluo e liquidao, de um tipo para outro. Pargrafo nico. A transformao obedecer aos preceitos que regulam a constituio e o registro do tipo a ser adotado pela sociedade. Deliberao Art. 221. A transformao exige o consentimento unnime dos scios ou acionistas, salvo se prevista no estatuto ou no contrato social, caso em que o scio dissidente ter o direito de retirar-se da sociedade. Pargrafo nico. Os scios podem renunciar, no contrato social, ao direito de retirada no caso de transformao em companhia. Direito dos Credores Art. 222. A transformao no prejudicar, em caso algum, os direitos dos credores, que continuaro, at o pagamento integral dos seus crditos, com as mesmas garantias que o tipo anterior de sociedade lhes oferecia. Pargrafo nico. A falncia da sociedade transformada somente produzir efeitos em relao aos scios que, no tipo anterior, a eles estariam sujeitos, se o pedirem os titulares de crditos anteriores transformao, e somente a estes beneficiar.

4.

ASPECTOS LEGAIS NA INCORPORAO, CISO E FUSO

O processo de reorganizao societria envolvendo as operaes de incorporao, fuso ou ciso regido pelos arts. 223 a 234 da Lei n 6.404/76. (Lei das S.As.) Ressalte-se que, embora a lei regente das operaes envolvendo reorganizao societria seja a das sociedades por aes, tais procedimentos no so vedados a outros tipos de empresas, podendo se beneficiar do processo de reorganizao qualquer empreendimento empresarial, independentemente do tipo societrio adotado. As operaes de concentrao e

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 07 Reorganizao Societria Parte IProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia desconcentrao de pessoas jurdicas so igualmente importantes, tanto para as sociedades por aes quanto para as sociedades constitudas por quotas de responsabilidade limitada (Ltda.) ou outra forma jurdica adotada. A Lei 6.404/76, ao regulamentar as operaes de incorporao, fuso ou ciso, deixou de ser uma lei especfica para as sociedades por aes, ao prescrever no artigo 223, e pargrafos, que: Art. 223 - A incorporao, fuso ou ciso podem ser entre sociedades de tipos iguais ou diferentes e devero ser deliberadas na forma prevista para a alterao dos estatutos ou contratos sociais. 1 - Nas operaes em que houver criao de sociedades, sero observadas as normas reguladoras da constituio das sociedades do seu tipo. 2 - Os scios ou acionistas das sociedades incorporadas, fundidas ou cindidas recebero, diretamente da companhia emissora, as aes que lhes couberem. 3. Se a incorporao, fuso ou ciso envolverem companhia aberta, as sociedades que a sucederem sero tambm abertas, devendo obter o respectivo registro e, se for o caso, promover a admisso de negociao das novas aes no mercado secundrio, no prazo mximo de cento e vinte dias, contados da data da assemblia-geral que aprovou a operao, observando as normas pertinentes baixadas pela Comisso de Valores Mobilirios (CVM). 4. O descumprimento do previsto no pargrafo anterior dar ao acionista direito de retirar-se da companhia, mediante reembolso do valor das suas aes (art. 45), nos trinta dias seguintes ao trmino do prazo nele referido, observado o disposto nos 1 e 4 do art. 137. (Grifou-se).

4.1.

PROTOCOLO

Segundo a Lei das Sociedades por Aes, as condies de incorporao, fuso ou ciso constaro de protocolo firmado pelos rgos da administrao ou dos scios das empresas interessadas no processo. O protocolo basicamente uma proposta ou contrato firmado pelos rgos da administrao ou pelos scios das empresas que integraro o processo de incorporao, fuso ou ciso, devendo ser, posteriormente, objeto de deliberao, em assemblia, pelos acionistas ou scios dessas mesmas sociedades. O protocolo ou proposta de incorporao, fuso e ciso deve apresentar os elementos constantes no artigo 224 da Lei n 6.404/76: Art. 224. As condies da incorporao, fuso ou ciso com incorporao em sociedade existente constaro de protocolo firmado pelos rgos de administrao ou scios das sociedades interessadas, que incluir: I - o nmero, espcie e classe das aes que sero atribudas em substituio dos direitos de scios que se extinguiro e os critrios utilizados para determinar as relaes de substituio; II - os elementos ativos e passivos que formaro cada parcela do patrimnio, no caso de ciso;

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 07 Reorganizao Societria Parte IProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia III - os critrios de avaliao do patrimnio lquido, a data a que ser referida a avaliao, e o tratamento das variaes patrimoniais posteriores; IV - a soluo a ser adotada quanto s aes ou quotas do capital de uma das sociedades possudas por outra; V - o valor do capital das sociedades a serem criadas ou do aumento ou reduo do capital das sociedades que forem parte na operao; VI - o projeto ou projetos de estatuto, ou de alteraes estatutrias, que devero ser aprovados para efetivar a operao; VII - todas as demais condies a que estiver sujeita a operao. Pargrafo nico. Os valores sujeitos a determinao sero indicados por estimativa. A Lei n 6.404/76, no seu artigo 226, exige laudo pericial, para avaliao dos ativos das sociedades envolvidas no processo de reorganizao. A sociedade que tiver patrimnio absorvido por outra dever levantar balano especfico para esse fim, no qual os bens e direitos sero avaliados pelo valor contbil ou de mercado, nos termos do art. 8 da lei, na mesma data e com os mesmos critrios de avaliao para todas as empresas envolvidas no processo. Assim, a forma de apurar o valor do acervo lquido tomado no processo de incorporao, fuso ou ciso opcional: contbil ou mercado. necessrio que fiquemos atentos a esse fato, pois no devemos confundir essa avaliao, que tem fim especial, com a dos ativos, cujo fim a demonstrao do Balano Patrimonial em que a regra : custo ou mercado, dos dois o menor. Tampouco devemos confundir a avaliao aqui tratada com o processo de reavaliao de ativos, cujo fim ajustar os elementos patrimoniais o mais prximo possvel ao valor de mercado ou de reposio no estado em que se encontram os bens.

4.2.

JUSTIFICAO

A justificao ou justificativa vem a ser a exposio de motivos e finalidades da incorporao, fuso ou ciso, que devem ser submetidas deliberao da assemblia geral. Tambm se evidencia o interesse das sociedades no processo. Os aspectos que constaro da justificativa esto previstos nos incisos I a IV, do art. 225 da Lei n 6.404/76: Art. 225. As operaes de incorporao, fuso e ciso sero submetidas deliberao da assemblia geral das companhias interessadas mediante justificao, na qual sero expostos: I - os motivos ou fins da operao, e o interesse da companhia na sua realizao; II - as aes que os acionistas preferenciais recebero e as razes para a modificao dos seus direitos, se prevista; III - a composio, aps a operao, segundo espcies e classes das aes, do capital das companhias que devero emitir aes em substituio s que se devero extinguir; IV - o valor de reembolso das aes a que tero direito os acionistas dissidentes.

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4.3.

FORMAO DO CAPITAL

Pelo que dispe no art. 226, a seguir transcrito, denota-se que a participao em processo de reorganizao de sociedades, quando h passivo a descoberto, vedada. Os patrimnios ou os patrimnios lquidos a serem vertidos, para a formao do capital social da companhia sucessora, devem ser de no mnimo iguais ao capital social a realizar. Compete aos peritos avaliadores a incumbncia de certificarem a satisfao dessa condio. Quando a sociedade incorporadora for titular de parcela das aes ou quotas da sociedade incorporada, o valor representativo dessa participao poder ser extinto ou substitudo por aes em tesouraria, visto que estar adquirindo aes de sua prpria emisso, observado o limite de lucros acumulados e de reservas de lucros originrias de ato voluntrio da sociedade, excetuando-se, para esse fim, a reserva legal. Art. 226. As operaes de incorporao, fuso e ciso somente podero ser efetivadas nas condies aprovadas se os peritos nomeados determinarem que o valor do patrimnio ou patrimnios lquidos a serem vertidos para a formao de capital social , ao menos, igual ao montante do capital a realizar. 1. As aes ou quotas do capital da sociedade a ser incorporada que forem de propriedade da companhia incorporadora podero, conforme dispuser o protocolo de incorporao, ser extintas, ou substitudas por aes em tesouraria da incorporadora, at o limite dos lucros acumulados e reservas, exceto a legal. 2. O disposto no 1 aplicar-se- aos casos de fuso, quando uma das sociedades fundidas for proprietria de aes ou quotas de outra, e de ciso com incorporao, quando a companhia que incorporar parcela do patrimnio da cindida for proprietria de aes ou quotas do capital desta.

4.4.

DIREITO DE RETIRADA NO PROCESSO DE REORGANIZAO

O direito de retirada de acionista de companhia est previsto no art. 137 da Lei n 6.404/76. Dentre os motivos arrolados naquele dispositivo constam a incorporao e a fuso de sociedades. Para o acionista dissidente o direito de retirada comea a fluir a partir da publicao da ata da assemblia que aprovar o protocolo. Entretanto, o pagamento s ser efetivado caso a operao seja de fato concretizada. A deliberao sobre a fuso da companhia ou sua incorporao em outra est sujeita aprovao de acionistas que representem metade, no mnimo, das aes com direito a voto. Pode o estatuto estabelecer quorum maior quando no tiver aes negociadas em bolsa ou no mercado de balco. O acionista dissidente tem direito de retirar-se da companhia, mediante reembolso do valor das aes. Este reembolso deve ser reclamado companhia no prazo de trinta dias contados da publicao da ata da assemblia-geral. Art. 230. Nos casos de incorporao ou fuso, o prazo para exerccio do direito de retirada, previsto no art. 137, inciso II, ser contado a partir da

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 07 Reorganizao Societria Parte IProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia publicao da ata que aprovar o protocolo ou justificao, mas o pagamento do preo de reembolso somente ser devido se a operao vier a efetivar-se Pargrafo nico. O prazo para o exerccio desse direito ser contado da publicao da ata da assemblia que aprovar o protocolo ou justificao da operao, mas o pagamento do preo de reembolso somente ser devido se a operao vier a efetivar-se. O art. 45 da mesma lei, ao tratar do reembolso, determina que: Reembolso Art. 45. O reembolso a operao pela qual, nos casos previstos em lei, a companhia paga aos acionistas dissidentes de deliberao da assembliageral o valor de suas aes. 1 O estatuto pode estabelecer normas para a determinao do valor de reembolso, que, entretanto, somente poder ser inferior ao valor de patrimnio lquido constante do ltimo balano aprovado pela assembliageral, observado o disposto no 2, se estipulado com base no valor econmico da companhia, a ser apurado em avaliao ( 3 e 4). 2 Se a deliberao da assemblia-geral ocorrer mais de 60 (sessenta) dias depois da data do ltimo balano aprovado, ser facultado ao acionista dissidente pedir, juntamente com o reembolso, levantamento de balano especial em data que atenda quele prazo. Nesse caso, a companhia pagar imediatamente 80% (oitenta por cento) do valor de reembolso calculado com base no ltimo balano e, levantado o balano especial, pagar o saldo no prazo de 120 (cento e vinte), dias a contar da data da deliberao da assemblia-geral. 3 Se o estatuto determinar a avaliao da ao para efeito de reembolso, o valor ser o determinado por trs peritos ou empresa especializada, mediante laudo que satisfaa os requisitos do 1 do art. 8 e com a responsabilidade prevista no 6 do mesmo artigo. 4 Os peritos ou empresa especializada sero indicados em lista sxtupla ou trplice, respectivamente, pelo Conselho de Administrao ou, se no houver, pela diretoria, e escolhidos pela Assemblia-geral em deliberao tomada por maioria absoluta de votos, no se computando os votos em branco, cabendo a cada ao, independentemente de sua espcie ou classe, o direito a um voto. 5 O valor de reembolso poder ser pago conta de lucros ou reservas, exceto a legal, e nesse caso as aes reembolsadas ficaro em tesouraria. 6 Se, no prazo de cento e vinte dias, a contar da publicao da ata da assemblia, no forem substitudos os acionistas cujas aes tenham sido reembolsadas conta do capital social, este considerar-se- reduzido no montante correspondente, cumprindo aos rgos da administrao convocar a assemblia-geral, dentro de cinco dias, para tomar conhecimento daquela reduo. 7 Se sobrevier a falncia da sociedade, os acionistas dissidentes, credores pelo reembolso de suas aes, sero classificados como quirografrios em quadro separado, e os rateios que lhes couberem sero imputados no

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 07 Reorganizao Societria Parte IProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia pagamento dos crditos constitudos anteriormente data da publicao da ata da assemblia. As quantias assim atribudas aos crditos mais antigos no se deduziro dos crditos dos ex-acionistas, que subsistiro integralmente para serem satisfeitos pelos bens da massa, depois de pagos os primeiros. 8 Se, quando ocorrer a falncia, j se houver efetuado, conta do capital social, o reembolso dos ex-acionistas, estes no tiverem sido substitudos, e a massa no bastar para o pagamento dos crditos mais antigos, caber ao revocatria para restituio do reembolso pago com reduo do capital social, at a concorrncia do que remanescer dessa parte do passivo. A restituio ser havida, na mesma proporo, de todos os acionistas cujas aes tenham sido reembolsadas.

4.5.

DIREITO DOS DEBENTURISTAS NA REORGANIZAO

O processo de incorporao, fuso ou ciso de Sociedades Annimas com debntures em circulao somente poder efetivar-se aps aprovado em assemblia de debenturistas convocada com esse fim. Entretanto, se assegurado pela ata que publicar a operao de reorganizao, o resgate das debntures no prazo mnimo de 6 meses, poder ser dispensada essa formalidade. Porm, a responsabilidade pela satisfao da obrigao ser solidria entre a sociedade cindida e as sucessoras. Art. 231. A incorporao, fuso ou ciso da companhia emissora de debntures em circulao depender da prvia aprovao dos debenturistas, reunidos em assemblia especialmente convocada com esse fim. 1. Ser dispensada a aprovao pela assemblia se for assegurado aos debenturistas que o desejarem, durante o prazo mnimo de 6 (seis) meses a contar da data da publicao das atas das assemblias relativas operao, o resgate das debntures de que forem titulares. 2. No caso do 1, a sociedade cindida e as sociedades que absorverem parcelas do seu patrimnio respondero solidariamente pelo resgate das debntures.

4.6.

DIREITO DOS CREDORES NA INCORPORAO E FUSO

O credor anterior a operao de incorporao e fuso, e por ela prejudicado, tem direito de pleitear a anulao judicial da operao. O prazo fatal para o exerccio deste direito se extingue 60 dias depois de publicados os atos da definitividade da operao. Para evitar esse percalo, a companhia poder consignar em pagamento a importncia que prejudicar a anulao ou poder oferecer garantia execuo o que suspender a anulao do ato. Em caso de falncia da sociedade incorporadora, os credores anteriores podero pedir a separao dos patrimnios para que os seus crditos sejam satisfeitos pelo patrimnio da sociedade devedora original, isto , pela devedora de antes do processo de reorganizao. Porm, essa faculdade s se aplica em caso de ocorrer a falncia da sociedade incorporadora dentro dos mesmos 60 dias da incorporao. Art. 232. At 60 (sessenta) dias depois de publicados os atos relativos incorporao ou a fuso, o credor anterior por ela prejudicado poder pleitear judicialmente a anulao da operao; findo o prazo, decair do direito o credor que no o tiver exercido.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 07 Reorganizao Societria Parte IProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia 1. A consignao da importncia em pagamento prejudicar a anulao pleiteada. 2. Sendo ilquida a dvida, a sociedade poder garantir-lhe a execuo, suspendendo-se o processo de anulao. 3. Ocorrendo, no prazo deste artigo, a falncia da sociedade incorporadora ou da sociedade nova, qualquer credor anterior ter o direito de pedir a separao dos patrimnios, para o fim de serem os crditos pagos pelos bens das respectivas massas.

4.7.

DIREITO DOS CREDORES NA CISO

As obrigaes da sociedade cindida, anteriores ciso, sero suportadas de forma solidria pelas sociedades resultantes do processo de ciso. Assim, quando houver verso total do patrimnio da cindida, as sucessoras respondero em condies iguais. J, quando a verso do patrimnio no for total, as sucessoras respondero com a cindida de forma solidria. Entretanto, o ato de ciso parcial pode amenizar essa obrigao dos sucessores, estabelecendo que estas respondam somente pelas obrigaes que lhes forem transferidas, afastando a solidariedade com as demais sociedades envolvidas no processo. Nesse caso, porm, os credores anteriores ciso podem se opor ressalva, desde que o faam dentro de 90 dias da publicao dos atos de ciso, mediante notificao s sociedades participantes do processo. Art. 233. Na ciso com extino da companhia cindida, as sociedades que absorverem parcelas do seu patrimnio respondero solidariamente pelas obrigaes da companhia extinta. A companhia cindida que subsistir e as que absorverem parcelas do seu patrimnio respondero solidariamente pelas obrigaes da primeira anteriores ciso. Pargrafo nico. O ato de ciso parcial poder estipular que as sociedades que absorverem parcelas do patrimnio da companhia cindida sero responsveis apenas pelas obrigaes que lhes forem transferidas, sem solidariedade entre si ou com a companhia cindida, mas, nesse caso, qualquer credor anterior poder se opor estipulao, em relao ao seu crdito, desde que notifique a sociedade no prazo de 90 (noventa) dias a contar da data da publicao dos atos da ciso.

4.8.

AVERBAO DA SUCESSO

Uma vez realizada a reorganizao, quer por incorporao, fuso ou ciso, a administrao da sociedade sucessora dever providenciar o registro na junta comercial e demais rgos competentes (CVM se for o caso de S/A de capital aberto). A certido fornecida pelo registro de comrcio documento hbil para a averbao, nos demais registros competentes, de bens, direitos e obrigaes do novo patrimnio. Art. 234. A certido, passada pelo Registro do Comrcio, da incorporao, fuso ou ciso, documento hbil para a averbao, nos registros pblicos competentes, da sucesso, decorrente da operao, em bens, direitos e obrigaes.

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5.

O PROCESSO DE INCORPORAO 5.1. CONCEITO

At o momento vimos o processo de reorganizao de forma genrica e nos aspectos que so comuns entre suas modalidades. Doravante veremos cada uma das formas de reorganizao de modo mais minucioso, comeando pela incorporao. Incorporao a operao pela qual uma ou mais sociedades so absorvidas por outra que lhes sucede em todos os direitos e obrigaes, vale dizer, na incorporao, a empresa sucedida extingue-se, totalmente, dando lugar a outra (sucessora) que lhes sucede em todos os direitos e obrigaes. O processo de incorporao realizado entre sociedades, e no entre os titulares dos direitos de acionista ou quotista. Cabe a estes, entretanto, deliberar como partes integrantes do corpo social. O aumento do capital social verificado na sociedade incorporadora, cujo valor vem da sociedade incorporada. Verifica-se, a, uma operao de subscrio de capital de sociedade para sociedade, sendo a sociedade incorporada a subscritora e a incorporadora quem recebeu a subscrio. Os administradores da sociedade a ser incorporada devero obter, da assemblia geral, autorizao para subscrever o aumento de capital da incorporadora. Assim, quem far a subscrio sero os administradores da sociedade a ser incorporada em nome da sociedade e no os acionistas ou scios. Ressalte-se, ainda, que a escriturao de todos os fatos envolvendo a incorporao deve ser transcrita no livro dirio da sociedade incorporadora, que, afinal, sucede a ou as incorporadas em todos os direitos e obrigaes. O entendimento acima exposto encontra guarida nos pargrafos 1 e 2 do artigo 227, da Lei 6.404/76: Art. 227. A incorporao a operao pela qual uma ou mais sociedades so absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigaes. 1. A assemblia geral da companhia incorporadora, se aprovar o protocolo da operao, dever autorizar o aumento de capital a ser subscrito e realizado pela incorporada mediante verso do seu patrimnio lquido, e nomear os peritos que o avaliaro. 2. A sociedade que houver de ser incorporada, se aprovar o protocolo da operao, autorizar seus administradores a praticarem os atos necessrios incorporao, inclusive a subscrio do aumento de capital da incorporadora. 3. Aprovados pela assemblia geral da incorporadora o laudo de avaliao e a incorporao, extingue-se a incorporada, competindo primeira promover o arquivamento e a publicao dos atos da incorporao.

5.2.

ASPECTOS CONTBEIS E LEGAIS PRATICADOS NO BRASIL

A incorporao o processo em que uma sociedade preexistente, a incorporadora, incorpora o patrimnio de outras sociedades, sucedendo-lhes em direitos e obrigaes.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 07 Reorganizao Societria Parte IProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia Assim, por exemplo, se a empresa Aqurios S.A. absorver o patrimnio das sociedades Birita Ltda. e Cansao S.A., as duas ltimas deixaro de existir, sendo a sociedade Aqurios S.A. a nica a responder, dentro da normalidade, pelos direitos e obrigaes. Birita Ltda. Patrimnios Cansao S.A. No caso de no haver participao acionria ou no capital social entre as sociedades objeto da incorporao e quando esta se opera pelos valores contbeis dos patrimnios, o procedimento contbil bastante simples: Os ativos e passivos das sociedades incorporadas (Birita Ltda. e Cansao S.A.) so transferidos para o patrimnio da incorporadora Aqurios S.A. Aqurios S.A.

5.3.

INCORPORAO DE SOCIEDADES SOB CONTROLE COMUM E AVALIAO PELO VALOR CONTBIL

Considerando os seguintes elementos, a ttulo de exemplo, podemos desenvolver o assunto de forma mais contundente: A empresa Annimos S.A., no final do exerccio de 20X4, incorporou a empresa Birib Ltda. O capital de Annimos S.A. e o capital de Birib Ltda. so possudos pelas mesmas pessoas, logo, temos a um controle comum. As empresas envolvidas no processo de reorganizao possuem, de forma resumida, os patrimnios a seguir demonstrados: Annimos S.A. ATIVO Circulante Realizvel a Longo Prazo Permanente PASSIVO Circulante Exigvel a Longo Prazo Patrimnio Lquido 28.800,00 40.000,00 59.200,00 128.000,00 12.800,00 8.000,00 107.200,00 128.000,00 Birib Ltda. 8.000,00 11.200,00 14.400,00 33.600,00 6.400,00 4.800,00 22.400,00 33.600,00

Para efetuar os registros contbeis, em situaes anlogas a acima apresentada, basta transferir o patrimnio da empresa Birib Ltda. Para a incorporadora Annimos S.A. A verso do patrimnio ser feita linha por linha. Com este procedimento haver o aumento do capital social em Annimos S.A. de R$ 22.400,00, equivalente a entrada de recursos, pela passagem de todo o patrimnio (bens, direitos e obrigaes) para a formao do capital da Incorporadora, cujos lanamentos contbeis pertinentes apresentamos a seguir: a) Os valores do ativo e do passivo da empresa Birib Ltda sero transferidos para a sociedade Annimos S.A., em conseqncia da incorporao, mediante o seguinte lanamento: Conta de incorporao a AC a RLP D 33.600,00 C 8.000,00 11.200,00

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 07 Reorganizao Societria Parte Ia AP PC PELP a Conta de Incorporao Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia 14.400,00 6.400,00 4.800,00 11.200,00

Com o lanamento acima foi encerrado o ativo e o passivo da empresa Birib Ltda. A conta Conta de Incorporao transitria e possui o objetivo especfico de receber as contrapartidas dos ativos e passivos da sociedade incorporada e ser zerada pela descarga desses valores nas respectivas contas na sociedade incorporadora. b) Com o lanamento anterior foram baixados os ativos e os passivos. Falta baixar, ainda, as contas do Patrimnio Lquido, o qual faremos mediante o seguinte lanamento: Patrimnio Lquido a Conta de Incorporao D 22.400,00 C 22.400,00

Assim, a sociedade Birib Ltda no possui mais contas de ativo e de passivo. Possui apenas as contas transitrias de incorporao, que sero zeradas tendo como contrapartida as contas de ativo, passivo e patrimnio lquido da empresa Annimos S.A., a sociedade incorporadora, cujos lanamentos apresentaremos a seguir. a) A incorporao dos ativos e dos passivos da sociedade Birib Ltda ao patrimnio da empresa Annimos S.A. ser efetivada mediante o seguinte lanamento: AC RLP AP a Conta de incorporao Conta de Incorporao A PC a PELP D 8.000 11.200 14.400 11.200 C

33.600 6.400 4.800

b) A incorporao do patrimnio lquido da sociedade Birib Ltda ao patrimnio da empresa Annimos S.A. se dar mediante o aumento do Capital Social desta ltima, cujo lanamento contbil pertinente o seguinte: Conta de Incorporao a Capital Social D 22.400 C 22.400

Executada a incorporao do patrimnio da sociedade Birib Ltda ao patrimnio da empresa Annimos S.A., aquela sociedade deixa de existir formalmente para que seus scios passem a integrar a estrutura social desta. Assim, a estrutura patrimonial resultante passar a ter a seguinte configurao: ATIVO AC ARLP AP TOTAL 36.800 51.200 73.600 161.600 PC PELP PL TOTAL PASSIVO 19.200 12.800 129.600 161.600

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 07 Reorganizao Societria Parte IProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia Ressalte-se que a incorporao ocorreu considerando-se os valores contbeis dos bens, direitos e obrigaes. Isto foi possvel em face de o controle estar nas mos das mesmas pessoas de forma proporcional, o que no trouxe nenhum prejuzo aos scios da extinta sociedade Birib Ltda. Os valores poderiam, igualmente, ser avaliados a valor de mercado. Em suma, estamos admitindo que o laudo de avaliao tenha apontado os saldos contbeis como hbeis para a incorporao, tendo em vista que o laudo pea indispensvel no processo de incorporao.

5.4.

INCORPORAO DA CONTROLADA PELA CONTROLADORA

Admitindo-se que a empresa Annimos S.A. possua investimento em participao societria na empresa Birib Ltda., cujo investimento avaliado pelo mtodo da equivalncia patrimonial por tratar-se de subsidiria integral e utilizando os valores do exemplo anterior com os ajustes necessrios em face da participao societria. Considerando que a empresa Annimos S.A. tenha desembolsado a quantia de R$ 28.800,00 na aquisio da participao social, a includo o pagamento de um gio no valor de R$ 6.400, fundamentado economicamente no fato de os bens do ativo permanente imobilizado da sociedade investida estarem sub-avaliados por esse valor. Desta forma, considerando que o ativo permanente imobilizado seja composto por equipamentos, a empresa Annimos S.A. ter a seguinte estrutura no ativo permanente: Ativo Permanente Investimentos Avaliados pelo Mtodo da Equivalncia Patrimonial Participao na empresa Birib Ltda. gio Imobilizado Equipamentos R$ 30.400,00 R$ R$ 22.400,00 6.400,00

Na contabilizao de processos de incorporao dessa natureza faremos a transferncia de todos os bens, direitos e obrigaes da mesma forma como foram transferidos no processo do exemplo anterior. Porm, no haver a transferncia do patrimnio lquido da sociedade incorporada para a incorporadora pelo fato de que este j pertence 100% a sociedade incorporadora. Assim, no haver aumento de capital social na sociedade incorporadora, pois o patrimnio lquido da sociedade incorporada est representado como investimento da incorporadora. Os lanamentos contbeis relativos a essa incorporao sero os seguintes: a) Na empresa Birib Ltda. (a incorporada). Os ativos e passivos incorporados sero transferidos para a conta Conta de Incorporao para, posteriormente, serem transferidos sociedade Annimos S.A. em face da incorporao: Conta de incorporao a AC a RLP a AP D 33.600 C 8.000 11.200 14.400

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 07 Reorganizao Societria Parte IProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia PC PELP a Conta de Incorporao 6.400 4.800 11.200

Da mesma forma que os ativos e passivos, tambm as contas do Patrimnio Lquido sero transferidos para a contra Conta de Incorporao: Patrimnio Lquido a Conta de Incorporao D 22.400 C 22.400

Em que pese o Patrimnio Lquido ter sido baixado em contrapartida de conta de incorporao, na sociedade incorporadora, no haver o aumento de capital. A baixa necessria apenas para extinguir a empresa Birib Ltda. e ter na sociedade incorporadora a funo de eliminar o investimento realizado na sociedade investida. b) Na empresa Annimos S.A. (a incorporadora) Os valores dos ativos e passivos recebidos pela incorporadora sero registrados contabilmente da seguinte forma: AC RLP AP a Conta de incorporao Conta de Incorporao A PC a PELP D 8.000 11.200 14.400 11.200 6.400 4.800 C

33.600

A baixa da conta de Investimento em Birib Ltda. avaliado pelo MEP: Conta de Incorporao a Investimento valor da EP D 22.400 C 22.400

Percebe-se que o investimento da empresa Annimos S.A. na empresa Birib Ltda., avaliado pelo mtodo da equivalncia patrimonial, foi baixado com o lanamento acima. Entretanto, o processo de incorporao no est concludo, pois resta destinar o gio pago na aquisio do investimento. Lembrando que o gio possui fundamento econmico na subavaliao dos bens do ativo permanente imobilizado da extinta empresa Birib Ltda. Os bens que suscitaram o pagamento do gio foram incorporados ao patrimnio da empresa Annimos S.A.. Logo, o valor do gio dever ser somado a esses bens, cujo lanamento ser o seguinte: Ativo Permanente Imobilizado Bens transferidos de Birib Ltda. a gio pago na aquisio de Birib Ltda. R$ 6.400,00

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 07 Reorganizao Societria Parte IProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia Ressalte-se que o gio pde ser incorporado aos bens do imobilizado pelo fato de a fundamentao econmica haver sido a diferena de valor de ativo. Se assim no fosse, o gio deveria ser baixado como perda no exato momento da aquisio do investimento pela empresa Annimos S/A. A apresentao do Balano Patrimonial da empresa resultante da incorporao, a Annimos S.A., estar com os seguintes valores: ATIVO AC ARLP AP IMOBILIZADO TOTAL PASSIVO 36.800 51.200 51.200 139.200 PC PELP PL TOTAL 19.200 12.800 107.200 139.200 estar

O Patrimnio Lquido da empresa Annimos S/A, aps a incorporao, representado com os seguintes valores consolidados: Patrimnio Lquido Anterior ( + ) Diferena entre os Ativos e Passivos Incorporados ( - ) Eliminao dos Investimentos em Birib Patrimnio Lquido 107.200 22.400 (22.400) 107.200

Para finalizar o presente tpico cabe uma observao com relao ao gio, visto que se o mesmo tivesse sido amortizado entre a aquisio do investimento e a incorporao, o valor do Patrimnio Lquido teria diminudo em R$ 6.400, pois a amortizao do gio representa despesa para a investidora, reduzindo o PL.

5.5.

INCORPORAO COM AVALIAO DE BENS A VALORES DE MERCADO

Por enquanto analisamos o processo de reorganizao considerando a avaliao dos bens pelo seu valor contbil, o que factvel dentro daquelas circunstncias. No entanto, na prtica, a maioria das incorporaes d-se com a avaliao do patrimnio a valores de mercado, avaliado por peritos ou empresa especializada, conforme apregoado pelo art. 8 da lei societria. A razo principal da avaliao dos patrimnios a valores de mercado est na possibilidade de esta forma corroborar para uma justa relao de substituio das aes dos acionistas, principalmente aos no controladores. Ademais, com este procedimento de avaliao dos patrimnios envolvidos no processo de incorporao, se estar protegendo a todos os acionistas, independentemente de sua participao acionria. Desta forma, para que haja uma justa relao de substituio das aes dos acionistas, necessrio que os patrimnios envolvidos sejam adequada e criteriosamente avaliados, decorrendo deste procedimento a correta atribuio de aes aos acionistas da empresa incorporada pela verso do Patrimnio Lquido empresa incorporadora e o conseqente aumento do Capital Social desta ltima. A partir desse momento o valor contbil abandonado, visto que os patrimnios envolvidos foram avaliados a valor de mercado pelos peritos ou empresa especializada, fazendo-o constar no laudo de avaliao nos termos do art. 8 da lei societria. O processo de incorporao, da forma como foi posto, constitui-se em ato eminentemente negocial, envolvendo os acionistas da(s) empresa(s) incorporada(s) e da

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 07 Reorganizao Societria Parte IProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia empresa incorporadora. Consiste o ato na transferncia do patrimnio das empresas incorporadas empresa incorporadora. Esta retribui o patrimnio recebido com aes. interessante notar que no processo de incorporao no h contraprestao pecuniria por parte da empresa incorporadora aos acionistas que para ela migraram. Com base nessa premissa, conclui-se que pode haver a incorporao da controladora por sua controlada que possui patrimnio, presumivelmente, menor do que sua controladora. Com o objetivo de assegurar uma justa relao de substituio das aes dos acionistas, recomenda-se que pelo menos os seguintes procedimentos sejam observados: 1 Os balanos patrimoniais de todas as empresas envolvidas no processo devem ser elaborados na mesma data-base com observncia aos princpios fundamentais de contabilidade, vale dizer, deve-se adotar critrios uniformes, pois no momento da atribuio das aes o patrimnio ser considerado nico para esse fim, no podendo haver em um nico patrimnio avaliaes distintamente elaboradas, visto que no se pode comparar ou analisar aspectos desiguais; 2 O patrimnio de todas as empresas envolvidas dever ser avaliado a valores de mercado por peritos ou empresa especializada com utilizao de critrios uniformes. de ressaltar que se houver companhia aberta envolvida no processo, os patrimnios devero, obrigatoriamente, ser avaliados por empresa especializada, conforme dispe o 1 do art. 264 da lei societria, no valendo nesse caso a avaliao efetuada por peritos de forma isolada; 3 - Como os patrimnios envolvidos foram avaliados a valor de mercado, certamente haver diferenas em relao aos valores registrados na contabilidade das empresas. Portanto, necessrio que se proceda ao registro da diferena apurada, obtendo-se, como resultado, os patrimnios avaliados aos seus valores de mercado na incorporadora; 4 A incorporao poder ser efetivada pelos valores contbeis anteriores a avaliao ou aos valores de mercado. O que importa que a relao de substituio das aes seja feita com base nos valores de mercado. Entretanto, quando os acionistas forem as mesmas pessoas e a participao em todas as sociedades envolvidas no processo for equnime, ou seja, proporcional, ento a substituio poder dar-se pelo valor contbil do patrimnio, visto que neste caso no haver perda para nenhum acionista; 5 O preo de emisso das novas aes representativas do novo capital social tomar por base o valor patrimonial apurado a valores de mercado ou valor contbil, conforme o critrio adotado na verso do patrimnio para a sociedade resultante; 6 - vedada a adoo, nas relaes de substituio das aes dos acionistas no controladores, da cotao de bolsa das aes das companhias envolvidas, salvo se essas aes integrarem ndices gerais representativos de carteira de aes admitidos negociao em bolsas de futuros. Para consolidar nosso estudo em relao ao processo de incorporao a valores de mercado vejamos o seguinte exemplo: Em 06 de junho de 2005, os administradores das empresas Cia. ABASLARGAS e da Cia. BONSNEGCIOS comearam entendimento no sentido de a Cia. ABASLARGAS incorporar a Cia. BONSNEGCIOS. A Cia. BONSNEGCIOS possui aes negociadas no mercado secundrio. Ambas as empresas convocaram assemblia geral nas quais foi apresentado o protocolo e a justificativa da incorporao. As assemblias deliberaram favoravelmente incorporao e indicaram a empresa especializada para proceder a avaliao de ambos os patrimnios. No havia participao societria entre as empresas e seus patrimnios estavam assim constitudos antes da avaliao:

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 07 Reorganizao Societria Parte IProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia Discriminao ATIVO CIRCULANTE Caixa Bancos c/Movimento Investimentos Temporrios Clientes ( - ) Proviso Deved. Duvid. Estoques Despesas Antecipadas REALIZVEL A LONGO PRAZO Investimentos Temporrios Emprstimos a Diretores Despesas Antecipadas PERMANENTE INVESTIMENTOS Participao Societria IMOBILIZADO Mveis e Utenslios ( - ) Deprec. Acumulada Veculos ( - ) Deprec. Acumulada Imveis ( - ) Deprec. Acumulada Marcas e Patentes Direitos de Explorao ( - ) Amort. Acumulada TOTAL DO ATIVO Discriminao PASSIVO CIRCULANTE Salrios a Pagar Tributos a Recolher Emprstimos Fornecedores Receitas Antecipadas EXIGVEL A LONGO PRAZO Emprstimos RESULT. DE EXERC. FUTUROS PATRIMNIO LQUIDO Capital Social Reservas de Capital Reservas de Lucros Lucros Acumulados TOTAL DO PASSIVO Cia. ABASLARGAS 397.000,00 47.000,00 13.000,00 42.000,00 140.000,00 (14.000,00) 142.000,00 27.000,00 198.000,00 127.000,00 17.000,00 54.000,00 64.000,00 64.000,00 689.000,00 120.000,00 (54.000,00) 240.000,00 (150.000,00) 380.000,00 (34.000,00) 17.000,00 340.000,00 (170.000,00) 1.348.000,00 Cia. ABASLARGAS 168.000,00 61.000,00 37.000,00 7.000,00 50.000,00 13.000,00 112.000,00 112.000,00 237.000,00 831.000,00 600.000,00 111.000,00 95.000,00 25.000,00 1.348.000,00 Cia. BONSNEGCIOS 226.000,00 51.000,00 12.000,00 11.000,00 80.000,00 (12.000,00) 74.000,00 10.000,00 12.000,00 12.000,00 0,00 0,00 0,00 0,00 782.000,00 178.000,00 (31.000,00) 135.000,00 (34.000,00) 420.000,00 (62.000,00) 176.000,00 0,00 0,00 1.020,000.00 Cia. BONSNEGCIOS 295.000,00 102.000,00 40.000,00 122.000,00 31.000,00 0,00 97.000,00 97.000,00 74.000,00 554.000,00 500.000,00 0,00 14.000,00 40.000,00 1.020.000,00

O valor nominal das aes, nas duas empresa, de R$ 1,00. Portanto, os acionistas da Cia. ABASLARGAS possuem 600.000 aes e os acionistas da Cia. BONSNEGCIOS possuem 500.000 aes, em face do capital social das empresas ser, respectivamente, de R$ 600.000,00 e R$ 500.000,00.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 07 Reorganizao Societria Parte IProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia Os dois balanos foram examinados pelos auditores independentes com fins especficos incorporao, conforme determina a lei societria e emitiram parecer sem ressalva, donde podemos concluir que as demonstraes satisfazem as normas brasileiras de contabilidade (NBC), os princpios de contabilidade e as leis societrias e fiscais, isto , as demonstraes foram elaboradas de acordo com as prticas contbeis adotadas no Brasil. Como o patrimnio da Cia. BONSNEGCIOS ser incorporado a valores de mercado e para que haja uma justa relao de substituio das aes, necessrio que os dois patrimnios sejam avaliados a valores de mercado. de ressaltar que, por fora do disposto no 1 do art. 264 da Lei n 6.404/76, os patrimnios devem ser avaliados por empresa especializada, visto que est envolvida no processo uma empresa que possui aes negociadas no mercado secundrio (bolsa de valores). Aps a avaliao, os dois patrimnios tiveram alteraes no Ativo Permanente Imobilizado decorrente da avaliao pela empresa especializada. Percebe-se que houve alteraes nos seus valores, cujas contrapartidas foram lanadas em reserva de reavaliao no Patrimnio Lquido de cada empresa. As variaes ocorridas no imobilizado das duas empresas foram as seguintes:Aumento pelo Laudo 20.000 130.000,00 194.000,00 0,00 50.000,00 394.000,00 Aumento pelo Laudo 17.677,00 8.000,00 22.000,00 0,00 0,00 47.677,00 Novo valor contbil 86.000,00 220.000,00 540.000,00 17.000,00 220.000,00 1.083.000,00 Novo valor contbil 164.677,00 109.000,00 380.000,00 176.000,00 0,00 829.677,00

Cia. ABASLARGAS Mveis e Utenslios ( - ) Deprec. Acumulada Veculos ( - ) Deprec. Acumulada Imveis ( - ) Deprec. Acumulada Marcas e Patentes Direitos de Explorao ( - ) Amort. Acumulada TOTAL DO IMOBILIZADO

Valores originais 120.000,00 (54.000,00) 240.000,00 (150.000,00) 380.000,00 (34.000,00) 17.000,00 340.000,00 (170.000,00) 689.000,00

Valor contbil 66.000,00 90.000,00 346.000,00 17.000,00 170.000,00 689.000,00

Cia. BONSNEGCIOS Mveis e Utenslios ( - ) Deprec. Acumulada Veculos ( - ) Deprec. Acumulada Imveis ( - ) Deprec. Acumulada Marcas e Patentes Direitos de Explorao ( - ) Amort. Acumulada TOTAL DO IMOBILIZADO

Valores originais 178.000,00 (31.000,00) 135.000,00 (34.000,00) 420.000,00 (62.000,00) 176.000,00 0,00 0,00 782.000,00

Valor contbil 147.000,00 101.000,00 358.000,00 176.000,00 0,00 782.000,00

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 07 Reorganizao Societria Parte IProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia Os Balanos, aps avaliao, passaram a ser os seguintes: Discriminao ATIVO CIRCULANTE Caixa Bancos c/Movimento Investimentos Temporrios Clientes ( - ) Proviso Deved. Duvid. Estoques Despesas Antecipadas REALIZVEL A LONGO PRAZO Investimentos Temporrios Emprstimos a Diretores Despesas Antecipadas PERMANENTE INVESTIMENTOS Participao Societria IMOBILIZADO Mveis e Utenslios Veculos Imveis Marcas e Patentes Direitos de Explorao TOTAL DO ATIVO Discriminao PASSIVO CIRCULANTE Salrios a Pagar Tributos a Recolher Emprstimos Fornecedores Receitas Antecipadas EXIGVEL A LONGO PRAZO Emprstimos RESULT. DE EXERC. FUTUROS PATRIMNIO LQUIDO Capital Social Reservas de Capital Reserva de Reavaliao Reservas de Lucros Lucros Acumulados TOTAL DO PASSIVO Cia. ABASLARGAS 397.000,00 47.000,00 13.000,00 42.000,00 140.000,00 (14.000,00) 142.000,00 27.000,00 198.000,00 127.000,00 17.000,00 54.000,00 64.000,00 64.000,00 1083.000,00 86.000,00 220.000,00 540.000,00 17.000,00 220.000,00 1.742.000,00 Cia. ABASLARGAS 168.000,00 61.000,00 37.000,00 7.000,00 50.000,00 13.000,00 112.000,00 112.000,00 237.000,00 1.225.000,00 600.000,00 111.000,00 394.000,00 95.000,00 25.000,00 1.742.000,00 Cia. BONSNEGCIOS 226.000,00 51.000,00 12.000,00 11.000,00 80.000,00 (12.000,00) 74.000,00 10.000,00 12.000,00 12.000,00 0,00 0,00 0,00 0,00 829.677,000 164.677,00 109.000,00 380.000,00 176.000,00 0,00 1.067.677,00 Cia. BONSNEGCIOS 295.000,00 102.000,00 40.000,00 122.000,00 31.000,00 0,00 97.000,00 97.000,00 74.000,00 601.677,00 500.000,00 0,00 47.677,000 14.000,00 40.000,00 1.067.677,00

Para o clculo da justa relao de substituio das aes sero tomados os dois patrimnios lquidos avaliados a valores de mercado. O processo consiste na soma dos dois patrimnios lquidos e estabelecer o percentual com que cada empresa participa do Patrimnio Lquido resultante.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 07 Reorganizao Societria Parte IProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia R$ 1.225.000,00 601.677,00 1.826.677,00 % 67,06 32,94 100

Patrimnio Liquido Ajustado de Cia. ABASLARGAS Patrimnio Liquido Ajustado de Cia. BONSNEGCIOS Patrimnio Lquido Total

Desta forma, os antigos acionistas da Cia. BONSNEGCIOS faro jus a 32,94% das aes e os antigos acionistas da Cia. ABASLARGAS faro jus a receber 67,06% das aes. Ressaltese que o objetivo da avaliao dos dois patrimnios exatamente o de estabelecer a participao de cada grupo de acionistas no novo capital social, no sendo necessrio que se adote o valor avaliado na formao do novo patrimnio, porm, repete-se, a relao calculada h de permanecer na distribuio das aes. Assim, surgem diversas possibilidades de formao do Capital Social no processo de reavaliao, dentre as quais destacamos: 1 Todo Patrimnio Lquido contbil das duas empresas, antes da avaliao, formar o Capital Social resultante; 2 - Todo Patrimnio Lquido das duas empresas, aps a avaliao, formar o Capital Social resultante; 3 - Todo Patrimnio Lquido contbil da Cia. BONSNEGCIOS, antes da avaliao, ser agregado ao Capital Social que j havia na Cia. ABASLARGAS, no havendo verso dos outros elementos do patrimnio lquido da Cia. ABASLARGAS ao capital social; 4 - Todo Patrimnio Lquido da Cia. BONSNEGCIOS, aps a avaliao, ser agregado ao Capital Social resultante, sendo que os outros elementos do patrimnio lquido da Cia. ABASLARGAS no sero incorporados ao capital social; 5 As contas do Patrimnio Lquido resultante podem representar a soma de linha por linha, isto , somam-se os valores de Capital Social, de Reservas de Capital, de Reservas de Reavaliao, de Reservas de Lucros e de Lucros ou Prejuzos Acumulados. Seguindo no nosso exemplo, vamos supor que o critrio adotado, constante no protocolo e aprovado por ambas as assemblias, seja o da soma de linha por linha, considerando-se os valores aps a avaliao. Assim, o Capital Social resultante, aps a verso dos valores da Cia. BONSNEGCIOS para a Cia. ABASLARGAS ser de R$ 1.100.000,00. O valor nominal das novas aes poder ter por base o valor patrimonial a valores de mercado ou outro valor qualquer. O que importa que seja guardada a relao percentual acima calculada para a conferncia das novas aes. Para simplificar, considerando que o Capital Social ser de R$ 1.100.000,00, consideramos que o valor nominal de cada ao seja de R$ 1,00. Desta forma, os antigos acionistas da Cia. ABASLARGAS recebero 737.660 aes (67,06%) e os antigos acionistas da Cia. BONSNEGCIOS recebero 362.340 aes (32,94%). Como resultado da aplicao desse critrio, de forma resumida, teremos a seguinte estrutura de Patrimnio Lquido: CONTAS Cia. ABASLARGAS Capital Social 600.000,00 Reservas de Capital 111.000,00 Reserva de Reavaliao 394.000,00 Reservas de Lucros 95.000,00 Lucros Acumulados 25.000,00 PATRIMNIO LQUIDO 1.225.000,00 Cia. BONSNEGCIOS 500.000,00 0,00 47.677,000 14.000,00 40.000,00 601.677,00 CONSOLIDADO 1.100.000,00 111.000,00 441.677,00 109.000,00 65.000,00 1.826.677,00

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5.6.

INCORPORAO DE CONTROLADORA POR SUA CONTROLADA

A princpio, pode parecer paradoxal que a controlada venha a incorporar a sua controladora, principalmente se imaginarmos que a controlada pode ser subsidiria integral da controladora. Devemos lembrar que o processo de reorganizao societria no uma transao comercial de compra e venda de empresas. Neste processo no h desembolsos de nenhuma das partes envolvidas, logo a incorporao da controladora por sua controlada no deve apresentar estranheza. Diversas so as razes que podem levar uma controlada a incorporar a sua controladora, girando o negcio resultante sob sua denominao e marca. De forma meramente ilustrativo, tomemos como exemplo a hiptese em que a controlada seja uma empresa que apresenta prejuzos fiscais e a controladora uma empresa que apresenta lucro fiscal. A legislao do Imposto de Renda garante sucessora praticamente todos os direitos das sucedidas, com exceo de a sucessora poder compensar prejuzos fiscais de sua sucedida. Nestas condies, ser vantajoso para o grupo societrio que a controladora se extinga e migre o seu patrimnio para a estrutura da controlada, pois desta forma a sociedade resultante (controlada) poder compensar os seus prejuzos fiscais com os resultados positivos gerados em exerccios futuros pelo patrimnio da controladora. A Instruo CVM n 319, de 3 de dezembro de 1999, que dispe sobre as operaes de incorporao, fuso e ciso envolvendo companhia aberta, tambm trata do assunto, principalmente no que concerne ao tratamento legal do gio e do desgio, que possuem tratamento especial neste tipo de incorporao. Ressalva-se que os procedimentos a seguir arrolados so aplicados, independentemente da respectiva forma societria, s sociedades comerciais que faam parte das operaes de incorporao, fuso e ciso envolvendo companhia aberta. Alm disto, equiparam-se s companhias abertas as sociedades beneficirias de recursos oriundos de incentivos fiscais registradas na CVM, e as demais sociedades cujas aes sejam admitidas negociao nas entidades do mercado de balco organizado, nos termos da Instruo CVM no 243, de 1o de maro de 1996.

5.6.1.

DA DIVULGAO DE INFORMAES

As condies de incorporao, fuso ou ciso envolvendo companhia aberta devero ser comunicadas pela companhia, at quinze dias antes da data de realizao da assemblia geral que ir deliberar sobre o respectivo protocolo e justificao, CVM e s bolsas de valores ou entidades do mercado de balco organizado nas quais os valores mobilirios de emisso da companhia estejam admitidos negociao, assim como divulgadas na imprensa, mediante publicao nos jornais utilizados habitualmente pela companhia. A comunicao e a divulgao devero conter, no mnimo, as seguintes informaes: 1 - os motivos ou fins da operao, e o interesse da companhia na sua realizao, destacando-se, notadamente: a) os benefcios esperados, de natureza empresarial, patrimonial, legal, financeira e quaisquer outros efeitos positivos, bem como os eventuais fatores de risco envolvidos;

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 07 Reorganizao Societria Parte IProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia b) se for o caso, e nos termos da legislao tributria, o montante do gio que poder ser amortizado a ttulo de benefcio fiscal e as condies de seu aproveitamento pela companhia; e c) a quantificao estimativa, razoavelmente discriminada em itens, dos custos de realizao da operao. 2 - a indicao dos atos societrios e negociais que antecederam a operao; 3 - o nmero, espcie e classe das aes que sero atribudas em substituio dos direitos de scio que se extinguiro, os critrios utilizados para determinar as relaes de substituio e as razes pelas quais a operao considerada eqitativa para os acionistas da companhia; 4 - a comparao, em quadro demonstrativo, entre as vantagens polticas e patrimoniais das aes do controlador e dos demais acionistas antes e depois da operao, inclusive das alteraes dos respectivos direitos; 5 - as aes que os acionistas preferenciais recebero, as razes para a modificao dos seus direitos, se houver, bem como eventuais mecanismos compensatrios; 6 - se for o caso de incorporao de companhia aberta por sua controladora, ou desta por companhia aberta controlada, ou de fuso de controladora com controlada, o clculo das relaes de substituio das aes dos acionistas no controladores da controlada com base no valor do patrimnio lquido das aes da controladora e da controlada, avaliados os dois patrimnios segundo os mesmos critrios e na mesma data, a preos de mercado, para efeito da comparao prevista no art. 264 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976; 7 - os elementos ativos e passivos que formaro cada parcela do patrimnio, no caso de ciso; 8 - os critrios de avaliao do patrimnio lquido, a data a que ser referida a avaliao, e o tratamento das variaes patrimoniais posteriores; 9 - a soluo a ser adotada quanto s aes ou quotas do capital de uma das sociedades possudas por outra; 10 - o valor do capital das sociedades a serem criadas ou do aumento ou reduo do capital das sociedades que forem parte na operao; 11 - a composio, aps a operao, segundo espcies e classes das aes, do capital das companhias que devero emitir aes em substituio s que se devero extinguir; caso; 12 - o valor de reembolso das aes a que tero direito os acionistas dissidentes, se for o

13 - o detalhamento da composio dos passivos e das contingncias passivas no contabilizadas a serem assumidas pela companhia resultante da operao, na qualidade de sucessora legal; 14 - a identificao dos peritos ou da empresa especializada, cuja nomeao ser submetida aprovao da assemblia geral, para avaliar o patrimnio lquido da companhia, com a declarao da existncia ou no, em relao aos mesmos, de qualquer conflito ou comunho de interesses, atual ou potencial, com o controlador da companhia, ou em face de acionista(s) minoritrio(s) da mesma, ou relativamente outra sociedade envolvida, seus respectivos scios, ou no tocante prpria operao;

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 07 Reorganizao Societria Parte IProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia 15 - se a operao foi ou ser submetida aprovao das autoridades reguladoras ou de defesa da concorrncia brasileiras e estrangeiras; 16 - todas as demais condies a que estiver sujeita a operao, bem como outras informaes relevantes referentes a planos futuros na conduo dos negcios sociais, notadamente no que se refere a eventos societrios especficos que se pretenda promover na companhia; e 17 - a indicao dos locais onde estaro disponveis o projeto ou projetos de estatuto, ou de alteraes estatutrias, que devero ser aprovados para se efetivar a operao, e a discriminao dos demais documentos colocados disposio dos acionistas da companhia para exame e cpia, a partir da data de publicao das informaes acima, sendo obrigatrio o envio de cpia dos documentos de que trata o presente item CVM e s bolsas de valores ou entidades do mercado de balco organizado nas quais os valores mobilirios de emisso da companhia estejam admitidos negociao. Nas informaes assim prestadas, os valores sujeitos determinao devero ser indicados por estimativa. O protocolo, a justificao, bem como os pareceres jurdicos, contbeis, financeiros, laudos, avaliaes, demonstraes financeiras, estudos, e quaisquer outras informaes ou documentos que tenham sido postos disposio do controlador ou por ele utilizados no planejamento, avaliao, promoo e execuo de operaes de incorporao, fuso ou ciso envolvendo companhia aberta, devero ser obrigatoriamente disponibilizados a todos os acionistas desde a data de publicao das condies da operao, conforme os itens de 1 a 17 acima. As companhias abertas que divulgarem, no exterior, informaes, demonstraes financeiras ou quaisquer outros documentos adicionais, ou que, por qualquer motivo, tiverem contedo diverso em relao aos requeridos pela legislao societria e pelas demais normas expedidas pela CVM, acerca das operaes aqui tratadas, devero, simultaneamente, divulglos no pas e disponibiliz-los aos acionistas, mediante aviso publicado nos jornais utilizados habitualmente pela companhia, e comunic-los CVM e s bolsas e entidades do mercado de balco organizado nas quais os valores mobilirios de emisso da companhia estejam admitidos negociao. Os laudos definitivos devero ser disponibilizados aos acionistas assim que finalizados, mediante aviso publicado nos jornais utilizados habitualmente pela companhia, at a data de publicao do anncio de convocao da assemblia geral que ir deliberar sobre os mesmos. As empresas e os profissionais que tenham emitido opinies, certificaes, pareceres, laudos, avaliaes, estudos ou prestado quaisquer outros servios, relativamente s operaes de incorporao, fuso ou ciso envolvendo companhia aberta, sem prejuzo de outras disposies legais ou regulamentares aplicveis, devero: 1 - esclarecer, em destaque, no corpo das respectivas opinies, certificaes, pareceres, laudos, avaliaes, estudos ou quaisquer outros documentos de sua autoria, se tem interesse, direto ou indireto, na companhia ou na operao, bem como qualquer outra circunstncia relevante que possa caracterizar conflito de interesses; e 2 - informar, no termos do item anterior, se o controlador ou os administradores da companhia direcionaram, limitaram, dificultaram ou praticaram quaisquer atos que tenham ou possam ter comprometido o acesso, a utilizao ou o conhecimento de informaes, bens, documentos ou metodologias de trabalho relevantes para a qualidade das respectivas concluses.

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5.6.2.

DO TRATAMENTO CONTBIL DO GIO E DO DESGIO

O montante do gio ou do desgio, conforme o caso, resultante da aquisio do controle da companhia aberta que vier a incorporar sua controladora ser contabilizado, na incorporadora, da seguinte forma: 1 - nas contas representativas dos bens que lhes deram origem quando o fundamento econmico tiver sido a diferena entre o valor de mercado dos bens e o seu valor contbil, uma vez que os bens agora esto em patrimnio nico; 2 - em conta especfica do ativo imobilizado (como gio) quando o fundamento econmico tiver sido a aquisio do direito de explorao, concesso ou permisso delegadas pelo Poder Pblico; e 3 - em conta especfica do ativo diferido (em caso de gio) ou em conta especfica de resultado de exerccio futuro (no caso de desgio) quando o fundamento econmico tiver sido a expectativa de resultado futuro. Perceba que apareceu a verdadeira conta representativa de resultado de exerccio futuro, pois neste caso no h a menor possibilidade de devoluo e no se est diante de uma receita, pois o valor carece de realizao em funo do princpio da competncia. O registro do gio quando o fundamento econmico tiver sido a diferena entre o valor de mercado dos bens e o seu valor contbil ter como contrapartida reserva especial de gio na incorporao, constante do patrimnio lquido. Bens Ativo Permanente a Reserva Especial de gio - PL Quando o fundamento econmico do gio ou do desgio tiver sido a aquisio do direito de explorao, concesso ou permisso delegadas pelo Poder Pblico ou quando a fundamentao econmica tiver sido a expectativa de resultado futuro, a companhia deve observar o seguinte tratamento: a) constituir proviso, na incorporada, no mnimo, no montante da diferena entre o valor do gio e do benefcio fiscal decorrente da sua amortizao, que ser apresentada como reduo da conta em que o gio foi registrado; b) registrar o valor lquido (gio menos proviso) em contrapartida da conta de reserva especial de gio; c) reverter a proviso referida na letra a acima para o resultado do perodo, proporcionalmente amortizao do gio; e d) apresentar, para fins de divulgao das demonstraes contbeis, o valor lquido referido na letra a no ativo circulante e/ou realizvel a longo prazo, conforme a expectativa da sua realizao. A reserva especial de gio somente poder ser incorporada ao capital social, na medida da amortizao do gio que lhe deu origem, em proveito de todos os acionistas. Entretanto, o protocolo de incorporao de controladora por companhia aberta controlada poder prever que, nos casos em que a companhia vier a auferir benefcio fiscal, em decorrncia da amortizao do gio decorrente da expectativa de rentabilidade futura, a parcela da reserva especial de gio na incorporao correspondente a tal benefcio poder ser objeto de capitalizao em proveito do acionista controlador. Na ocorrncia desta hiptese, observado o disposto no art. 170 da Lei no 6.404/76, ser sempre assegurado aos demais acionistas o direito de preferncia e, se for o caso, as importncias por eles pagas sero entregues ao controlador. A capitalizao desta parcela da reserva especial referida, correspondente ao benefcio fiscal, somente poder ser realizada ao trmino de cada exerccio social e na medida em que esse benefcio represente uma efetiva diminuio dos tributos pagos pela companhia.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 07 Reorganizao Societria Parte IProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia Aps a incorporao, o gio ou o desgio continuar sendo amortizado e ser considerado realizado na medida desta amortizao, conforme previsto na Instruo CVM n 247/96. A companhia dever efetuar e divulgar, ao trmino de cada exerccio social, anlise sobre a recuperao do valor do gio, ainda que decorrente de expectativa de resultados futuros ou da aquisio do direito de explorao, concesso ou permisso delegadas pelo Poder Pblico, a fim de que sejam registradas as perdas de valor do capital aplicado quando evidenciado que no haver resultados suficientes para recuperao desse valor ou que sejam revisados e ajustados os critrios utilizados para a determinao da sua vida til econmica e para o clculo e prazo da sua amortizao.

5.6.3.

DAS RELAES DE SUBSTITUIO

Nas operaes de incorporao de companhia aberta por sua controladora, ou desta por companhia aberta controlada e na operao de fuso de controladora com controlada, o clculo da relao de substituio das aes dos acionistas no controladores dever excluir o saldo do gio pago na aquisio da controlada. No clculo das relaes de substituio das aes dos acionistas no controladores, que se extinguiro, estabelecidas no protocolo da operao, deve ser reconhecida a existncia de espcies e classes de aes com direitos diferenciados, sendo vedado favorecer, direta ou indiretamente, uma outra espcie ou classe de aes. vedada a adoo, nas relaes de substituio das aes dos acionistas no controladores e, por extenso, das aes dos acionistas controladores, da cotao de bolsa das aes das companhias envolvidas, salvo se essas aes integrarem ndices gerais representativos de carteira de aes admitidos negociao em bolsas de futuros. Percebe-se que o critrio h de ser nico, isto , se vedado a adoo da cotao de bolsa para os acionistas no controladores, este tambm o critrio para os acionistas controladores.

5.6.4.

AUDITORIA INDEPENDENTE

As demonstraes financeiras que servirem de base para operaes de incorporao, fuso e ciso envolvendo companhia aberta devero ser auditadas por auditor independente registrado na CVM. Ademais, demonstraes financeiras devero ser elaboradas de acordo com as disposies da legislao societria e normas da CVM e observaro, ainda, quando envolvido companhia aberta, critrios contbeis idnticos aos adotados pela companhia aberta, independentemente da forma societria da outra sociedade envolvida na operao.

5.6.5.

DO RELATRIO DA ADMINISTRAO

No relatrio da administrao, relativo ao exerccio em que tiver sido efetuada qualquer operao de incorporao, fuso e ciso envolvendo companhia aberta, dever ser dedicado captulo ou parte especfica, devidamente destacada, relacionado-se, item a item, todos os custos de transao suportados pela companhia em virtude da operao, assim como o quantitativo das economias e demais vantagens j auferidas em razo da mesma. O mesmo relatrio e os relatrios dos dois exerccios seguintes contero, sem prejuzo de outras informaes devidas, exposio pormenorizada das mudanas ocorridas na administrao e na conduo dos negcios, relacionadas ou decorrentes da operao.

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5.6.6.

DO EXERCCIO ABUSIVO DO PODER DE CONTROLE

Sem prejuzo de outras disposies legais ou regulamentares, so hipteses de exerccio abusivo do poder de controle: 1 - o aproveitamento direto ou indireto, pelo controlador, do valor do gio pago na aquisio do controle de companhia aberta no clculo da relao de substituio das aes dos acionistas no controladores, quando de sua incorporao pela controladora, ou nas operaes de incorporao de controladora por companhia aberta controlada, ou de fuso de controladora com controlada; 2 - a assuno, pela companhia, como sucessora legal, de forma direta ou indireta, de endividamento associado aquisio de seu prprio controle, ou de qualquer outra espcie de dvida contrada no interesse exclusivo do controlador; 3 - o no reconhecimento, no clculo das relaes de substituio das aes dos acionistas no controladores estabelecidas no protocolo da operao, da existncia de espcies e classes de aes com direitos diferenciados, com a atribuio de aes, com direitos reduzidos, em substituio quelas que se extinguiro, de modo a favorecer, direta ou indiretamente, uma outra espcie ou classe de aes; 4 - a adoo, nas relaes de substituio das aes dos acionistas no controladores, da cotao de bolsa das aes das companhias envolvidas, que no integrem ndices gerais representativos de carteira de aes admitidos negociao em bolsas de futuros; 5 - a no avaliao da totalidade dos dois patrimnios a preos de mercado, nas operaes de incorporao de companhia aberta por sua controladora, ou desta por companhia aberta controlada, e nas operaes de fuso entre controladora e controlada, para efeito da comparao prevista no art. 264 da Lei no 6.404/76; e 6 - a omisso, a inconsistncia ou o retardamento injustificado na divulgao de informaes ou de documentos que tenham sido postos disposio do controlador ou por ele utilizados no planejamento, avaliao, promoo e execuo de operaes de incorporao, fuso ou ciso envolvendo companhia aberta. Considera-se infrao grave a prtica de atos com exerccio abusivo do poder de controle. Esto sujeitos s penalidades previstas em lei, conforme o caso, a companhia aberta, os membros dos conselhos de administrao e fiscal, e da diretoria, os integrantes de seus rgos tcnicos ou consultivos, bem como quaisquer outras pessoas naturais ou jurdicas que tenham concorrido para a infrao.

5.6.7.

DO FLUXO DE DIVIDENDOS

Os dividendos atribudos s aes detidas pelos acionistas no controladores no podero ser diminudos pelo montante do gio amortizado em cada exerccio.

6.

PROCESSO DE FUSO DE SOCIEDADES 6.1. CONCEITO

A fuso a operao pela qual se unem duas ou mais sociedades para formar sociedade nova, que lhes sucede em todos os direitos e obrigaes. Ficam, portanto, extintas as sociedades fundidas.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 07 Reorganizao Societria Parte IProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia Na fuso h necessidade de no mnimo duas pessoas jurdicas participarem do processo que perdem a personalidade jurdica para dar lugar a uma nova sociedade com personalidade jurdica prpria, mas sucessora das anteriores, no tocante a seus direitos e obrigaes. J na incorporao, uma das participantes do processo de reorganizao uma sociedade preexistente que absorve o patrimnio da outra ou outras ou mesmo o patrimnio de uma pessoa fsica e continua com sua personalidade jurdica antes adotada. Para operacionalizar o processo de fuso, a assemblia geral de cada companhia que aprovar o protocolo dever nomear peritos que avaliaro o patrimnio lquido das demais sociedades envolvidas no processo. A constituio definitiva da sociedade fundida ser deliberada em assemblia geral com participao de todos os envolvidos, na qual sero aprovados, ou no, os laudos de avaliao dos patrimnios. Ressalte-se que vedada a aprovao do laudo de avaliao do patrimnio por scios ou acionistas da prpria empresa em que forem titulares de direito de scio ou acionista. Assim, os scios ou acionistas de uma empresa nomearo os peritos para avaliar o patrimnio das outras empresas e o analisaro, aprovando-o ou rejeitando-o. Os atos constitutivos sero levados ao registro pelos primeiros administradores da companhia ou sociedade resultante do patrimnio fundido. A Lei n 6.404/1976, em seu art. 228, trata a fuso da seguinte forma: Art. 228. A fuso a operao pela qual se unem duas ou mais sociedades para formar sociedade nova, que lhes suceder em todos os direitos e obrigaes. 1. A assemblia geral de cada companhia, se aprovar o protocolo de fuso, dever nomear os peritos que avaliaro os patrimnios lquidos das demais sociedades. 2. Apresentados os laudos, os administradores convocaro os scios ou acionistas das sociedades para uma assemblia geral, que deles tomar conhecimento e resolver sobre a constituio definitiva da nova sociedade, vedado aos scios ou acionistas votar o laudo de avaliao do patrimnio lquido da sociedade de que fazem parte. 3. Constituda a nova companhia, incumbir aos primeiros administradores promover o arquivamento e a publicao da fuso.

6.2.

ASPECTOS CONTBEIS E LEGAIS ENVOLVIDOS NO PROCESSO

Conforme visto pelo texto legal, a fuso a operao pela qual se unem duas ou mais sociedades para formar sociedade nova, que lhes suceder em todos os direitos e obrigaes. Imaginando a fuso de trs empresas. A Cia. ANDAS, a Cia. COMES e a empresa BEBES Ltda. As trs empresas unem seus patrimnios para formar a Cia. VIVOS.

Cia. ANDAS +Cia. COMES + BEBES Ltda. Cia. VIVOS

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 07 Reorganizao Societria Parte IProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia Com este processo, a Cia. ANDAS, a Cia. COMES e a empresa BEBES Ltda. perdem sua personalidade jurdica, pois deixam de existir. Da fuso de seus patrimnios surge a Cia. VIVOS que suceder as anteriores, no que diz respeito a todos os direitos e obrigaes. Quanto ao aspecto contbil, o processo de fuso se opera de forma muito semelhante ao processo de incorporao, isto , a Cia. ANDAS, a Cia. COMES e a empresa BEBES Ltda. transferem seus bens, direitos e obrigaes para a Cia. VIVOS criada especialmente para esse fim. Em termos prticos, os aspectos contbeis envolvidos nos processos de fuso so bastante simples. Devemos adotar os procedimentos necessrios para satisfazer as condies estabelecidas no protocolo, pois este o documento que d suporte ao processo. O primeiro aspecto a analisar que com a fuso criada uma nova empresa ou companhia. Assim, como toda empresa que comea suas atividades, o marco inicial a formao do capital inicial. No caso de fuso, os acionistas ou scios no necessitam subscrever e integralizar capital social, pois este vem das sociedades que se extinguem. Outro fato que merece ser mencionado no concernente ao processo de fuso diz respeito a possibilidade de os patrimnios serem unidos tomando por base os valores contbeis das participantes ou a valores de mercado. Inicialmente veremos um exemplo de fuso considerando os valores contbeis dos patrimnios. Imaginemos que os scios ou acionistas das empresas Laranja S/A e Limo Ltda. resolveram fundir seus patrimnios para criar a sociedade Ctricos S/A, que ser a sociedade nova e ser criada para esse fim. As empresas que se extinguiro possuem, de forma resumida, a seguinte estrutura patrimonial nos balanos levantados para essa finalidade e o conseqente patrimnio da sociedade Ctricos S/A:

Empresa Empresa Laranja S/A Limo Ltda.Ativos Passivos Patrimnio Lquido 1.135.742,00 783.694,00 352.048,00 847.521,00 538.451,00 309.070,00

Empresa Ctricos S/A1.983.263,00 1.322.145,00 661.118,00

Para satisfazer os aspectos contbeis necessrio que se criem contas transitrias de fuso nas duas empresas que se extinguiro e na empresa nova. O procedimento anlogo ao utilizado no processo de incorporao. Por fim, cabe salientar que se houver participao societria entre as empresas envolvidas no processo, devemos elimin-lo em contrapartida do Patrimnio Lquido correspondente a esse investimento.

6.3.

FUSO A VALORES DE MERCADO

Para que seja observada uma justa distribuio na participao aos futuros scios ou acionistas necessrio que os patrimnios sejam avaliados a valores de mercado. Para tanto, os patrimnios devem ser avaliados por peritos ou empresa especializada nomeados em assemblia para tal fim. de ressaltar que os scios ou acionistas de uma empresa indicam os peritos ou empresa que iro avaliar o patrimnio da outra empresa. Eles no podem aprovar o laudo da empresa em que sejam scios ou acionistas. O nmero de aes que competir a cada acionista ser proporcional ao patrimnio que detinha na empresa extinta computado no patrimnio total.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 07 Reorganizao Societria Parte IProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia Tomemos o seguinte exemplo para ilustrar o processo de fuso: Os acionistas das empresas GOIABA S.A. e ACAR S.A. deliberaram e aprovaram o protocolo e a justificativa para promover o processo de sua fuso. A sociedade resultante, a empresa GOIABADA S.A., receber todo o patrimnio das duas empresas avaliado a valores de mercado. Todos os atos legais, pertinentes ao processo, foram praticados (balanos, avaliaes, auditoria independente, protocolo, justificativa, assemblias gerais, etc.).

A - Situao das empresas antes e aps a fuso A.1 - Situao antes da fusoEmpresa GOIABA S.A. Ativo Passivo PL (CS + Reservas + Lucros Acumulados)

287.350,00 126.312,00 161.038,00 437.256,00 213.534,00 223.722,00

Empresa ACAR S.A. Ativo Passivo PL (CS + Reservas + Lucros Acumulados)

A.2 - Situao aps a fuso

Empresa GOIABADA S.A. Ativo Passivo PL (CS + Reservas + Lucros Acumulados)

724.606,00 339.846,00 384.760,00

Para fins especficos de fuso, ao Capital Social foram incorporados os Lucros Acumulados e as reservas de lucros, de capital e de reavaliao que constavam no Patrimnio Lquido das empresas participantes do processo. Desta forma, poder-se-ia dizer que houve uma distribuio entre os acionistas das sociedades, de forma proporcional a sua participao no capital social da empresa participante no processo antes do encerramento das sociedades. Para tanto foram realizados os respectivos lanamentos. Desta forma, consta no Patrimnio Lquido apenas o valor do Capital Social com o devido aumento pela absoro desses outros valores do PL.

B - Balano das empresas fusionadas antes do eventoOs balanos a seguir apresentados representam os valores avaliados com fim especfico da fuso, bem como foram auditadas por auditores independentes. de frisar que foram elaborados na mesma data-base.

BALANO PATRIMONIAL DA EMPRESA GOIABA S.A.ATIVO AC ARLP A. PERMANENTE INVESTIMENTO IMOBILIZADO TOTAL 98.000,00 42.000,00 49.850,00 97.500,00 287.350,00 PC PELP PATRIMNIO LQUIDO CAPITAL TOTAL PASSIVO 93.532,00 32.780,00

161.038,00 287.350,00

BALANO PATRIMONIAL DA EMPRESA ACAR S.A.ATIVO AC ARLP 111.734,00 21.744,00 PC PELP PASSIVO 154.150,00 59.384,00

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 07 Reorganizao Societria Parte IProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia A. PERMANENTE INVESTIMENTO IMOBILIZADO TOTAL 27.341,00 276.437,00 437.256,00 PATRIMNIO LQUIDO CAPITAL TOTAL

223.722,00 437.256,00

C - Lanamentos ContbeisPara encerrar as empresas que tiveram seus patrimnios fundidos e para a constituio da nova empresa, so necessrios os seguintes lanamentos contbeis:

C.1 - Na empresa GOIABA S.A. a. Pelo encerramento das contas do ativoConta de Dissoluo (fuso) a Diversos a AC a ARLP a A. Permanente 287.350,00 98.000,00 42.000,00 147.350,00

b. Pelo encerramento das contas do passivoDiversos a Conta de dissoluo (fuso) PC PELP Patrimnio Lquido a Conta de dissoluo (fuso) 126.312,00 93.532,00 32.780,00 161.038,00 161.038,00

c. Pela baixa das contas do patrimnio lquido

C.2 - Na empresa ACAR S.A. a. Pelo encerramento das contas do ativoConta de Dissoluo (fuso) a Diversos a AC a ARLP a A. Permanente 437.256,00 111.734,00 21.744,00 303.778,00

b. Pelo encerramento das contas do passivoDiversos a Conta de dissoluo (fuso) PC PELP 213.534,00 154.150,00 59.384,00

c. Pela baixa das contas do patrimnio lquidoPatrimnio Lquido a Conta de dissoluo (fuso) 223.722,00 223.722,00

C.3 - Na empresa GOIABADA S.A. resultante da fusoPara registrar a constituio da nova empresa, que foi precedida da subscrio do Capital Social, so necessrios os seguintes lanamentos: Transferncia dos elementos do Patrimnio Lquido (Capital Social), ativos e passivos de cada sociedade.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 07 Reorganizao Societria Parte I a. Pela constituio da nova empresa GOIABADA S.A.Conta de Fuso a Capital Social 384.760,00 384.760,00 Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia

b. Pelo recebimento dos ativosDiversos a Conta de Fuso AC ARLP A. Permanente 724.606,00 209.734,00 63.744,00 451.128,00

c. Pelo recebimento dos passivosConta de Fuso a Diversos a PC a PELP 339.846,00 247.682,00 92.164,00

D. Aps a fuso o balano de GOIABADA S.A. se apresentar da seguinte forma:

BALANO PATRIMONIAL DA EMPRESA GOIABADA S.A.ATIVO AC ARLP A. PERMANENTE INVESTIMENTO IMOBILIZADO TOTAL 209.734,00 63.744,00 77.191,00 373.937,00 724.606,00 PC PELP PATRIMNIO LQUIDO CAPITAL SOCIAL TOTAL PASSIVO 247.682,00 92.164,00

384.760,00 724.606,00

Na prxima aula daremos seguimento a esse assunto para tratar os aspectos finais e apresentaremos exerccios para resoluo. Bons estudos e um forte abrao a todos.

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Hoje veremos mais alguns aspectos sobre a reorganizao societria.1. O PROCESSO DE CISO DE SOCIEDADES 1.1. CONCEITO

A definio legal do processo de ciso provm do caput do art. 229 da Lei n 6.404, de 30 de outubro de 1976, que assim dispe: Art. 229. A ciso a operao pela qual a companhia transfere parcelas do seu patrimnio para uma ou mais sociedades, constitudas para esse fim ou j existentes, extinguindo-se a companhia cindida, se houver verso de todo o seu patrimnio, ou dividindo-se o seu capital, se parcial a verso. Depreende-se desse dispositivo legal, em seu aspecto conceitual, que a ciso difere do processo de incorporao e do processo de fuso, visto que na ciso poder haver vrios sucessores ou apenas um nico. Outra importante diferena diz respeito a extino da sociedade cindida, que no necessita ser, necessariamente, consumada. Desta forma, alm de haver a possibilidade de resultar apenas um sucessor, quando a ciso ser parcial, podero haver vrios sucessores, quando a ciso poder ser parcial ou total se houver a extino da sociedade cindida. Outro aspecto presente na definio acima apresentada que a sociedade receptora de parcela do patrimnio pode ser nova, quando ser constituda com essa finalidade, ou ser uma sociedade ou empresa preexistente. Os motivos que levam os empresrios a perseguir um processo de ciso podem ser diversos, dentre os quais a dissidncia entre scios e o aprimoramento de competitividade. Existe, ainda, a hiptese de os empresrios buscarem a ciso com fins de planejamento tributrio.

1.2.

RESPONSABILIDADE DOS SUCESSORES NA CISO

As responsabilidades dos sucessores na ciso esto dispostas no 1 do art. 229 e no art. 233, ambos da sei das sociedades annimas, ao dispor que: 1. Sem prejuzo do disposto no art. 233, a sociedade que absorver parcela do patrimnio da companhia cindida sucede a esta nos direitos e obrigaes relacionados no ato da ciso; no caso de ciso com extino, as sociedades que absorverem parcelas do patrimnio da companhia cindida sucedero a esta, na proporo dos patrimnios lquidos transferidos, nos direitos e obrigaes no relacionados. Art. 233. Na ciso com extino da companhia cindida, as sociedades que absorverem parcelas do seu patrimnio respondero solidariamente pelas obrigaes da companhia extinta. A companhia cindida que subsistir e as que absorverem parcelas do seu patrimnio respondero solidariamente pelas obrigaes da primeira anteriores ciso. Pargrafo nico. O ato de ciso parcial poder estipular que as sociedades que absorverem parcelas do patrimnio da companhia cindida sero responsveis apenas pelas obrigaes que lhes forem transferidas, sem solidariedade entre si ou com a companhia cindida, mas, nesse caso, qualquer credor anterior

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1

Contabilidade Tpicos Avanados Aula 08 Reorganizao Societria Parte IIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia poder se opor estipulao, em relao ao seu crdito, desde que notifique a sociedade no prazo de 90 (noventa) dias a contar da data da publicao dos atos da ciso. Observa-se que a responsabilidade dos sucessores em relao s obrigaes da companhia cindida antes da ciso est limitada a parcela ou na proporo do patrimnio recebido ou transferido. Da mesma forma, a sucessora participar dos direitos da companhia cindida na proporo do patrimnio recebido. Isto quer dizer que no momento da ciso, a sucessora receber parcela do patrimnio que ser composto por bens, direitos e obrigaes, observando-se a mesma proporo entre os elementos patrimoniais. Aspecto interessante ocorre quando h extino da sociedade cindida, pois neste caso as sociedades que absorveram o patrimnio respondero de forma solidria pelas obrigaes da companhia cindida, isto , se uma delas no honrar as obrigaes herdadas da companhia cindida, as demais tero de faz-lo, mas somente na proporo do patrimnio recebido. Se, porm, a companhia cindida no se extinguir as sucessoras so obrigadas solidrias para com ela pelas obrigaes que esta tinha antes da ciso, isto quer dizer que, se a companhia cindida no puder honrar os compromissos assumidos antes da ciso e que, no processo de ciso, ficaram sob sua responsabilidade, as sociedades resultantes ou as que receberam parcelas do patrimnio tero que assumir estes compromissos na proporo dos patrimnios recebidos. No entanto, essa solidariedade poder ser excluda em caso de ciso parcial desde que esta inteno conste no protocolo e seja aprovada pela assemblia geral que deliberar sobre a ciso. Alm deste aspecto no poder haver oposio dos credores anteriores a ciso. Entretanto, a oposio dos credores ser individual, isto , se algum credor no se opor ao afastamento da solidariedade em relao aos seus crditos, mediante notificao desta oposio sociedade no prazo de 90 dias a contar da efetivao da ciso, ele no poder invocar a solidariedade, prevalecendo, para ele, a estipulao ou a deliberao da assemblia.

1.3.

CISO PARCIAL

A lei trata da ciso parcial, alm dos aspectos j analisados, nos pargrafos 2 e 3 do art. 229, ao dispor que: 2. Na ciso com verso de parcela do patrimnio em sociedade nova, a operao ser deliberada pela assemblia geral da companhia vista de justificao que incluir as informaes de que tratam os ns do art. 224; a assemblia, se a aprovar, nomear os peritos que avaliaro a parcela do patrimnio a ser transferida, e funcionar como assemblia de constituio da nova companhia. 3. A ciso com verso de parcela de patrimnio em sociedade j existente obedecer s disposies sobre incorporao (art. 227). Desta forma, a deliberao sobre o processo de ciso parcial, quando h criao de sociedade nova, cabe assemblia geral a quem compete, tambm, em caso de aprovao da ciso, nomear os peritos que avaliaro o patrimnio a ser transferido. Incumbe a assemblia geral promover a constituio estatutria da nova empresa. J no processo de ciso parcial com verso do patrimnio para sociedade preexistente, a operao segue o roteiro ou disposies estabelecidas ao processo de incorporao, isto , h neste caso, tecnicamente, incorporao de parcela do patrimnio da sociedade cindida, funcionando a sociedade receptora como incorporadora.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 08 Reorganizao Societria Parte IIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia O arquivamento dos atos inerentes ao processo de fuso parcial na junta comercial e a sua publicao caber, conjuntamente, aos administradores da companhia cindida e aos administradores das empresas que absorverem parcela de seu patrimnio.

1.4.

CISO TOTAL

Tratando especificamente da ciso total, o pargrafo 4 do art. do art. 229, da lei societria estabelece que: 4. Efetivada a ciso com extino da companhia cindida, caber aos administradores das sociedades que tiverem absorvido parcelas do seu patrimnio promover o arquivamento e publicao dos atos da operao; na ciso com verso parcial do patrimnio, esse dever caber aos administradores da companhia cindida e da que absorver parcela do seu patrimnio. Portanto, em caso de ciso total com extino da companhia cindida, os procedimentos a serem observados so semelhantes aos procedimentos da ciso parcial. A diferena entre as duas formas de ciso consiste no fato de que a publicao e o arquivamento dos atos inerentes ao processo compete, exclusivamente, por razes bvias em face da extino da sociedade cindida, aos administradores das empresas resultantes ou que absorveram o patrimnio da sociedade extinta.

1.5.

SUBSTITUIO E ATRIBUIO DAS AES

Os titulares de aes da empresa cindida, que passaro condio de acionistas nas empresas sucessoras, recebero destas as aes que forem integralizadas com parcelas do patrimnio na exata proporo das aes que possuam na empresa cindida. Este , em sntese, o teor do pargrafo 5 do art. 229 da lei societria. 5. As aes integralizadas com parcelas de patrimnio da companhia cindida sero atribudas a seus titulares, em substituio s extintas, na proporo das que possuam; atribuio em proporo diferente requer aprovao de todos os titulares, inclusive das aes sem direito a voto.

1.6.

ASPECTOS CONTBEIS E LEGAIS

Conforme vimos, a ciso pode ser total ou parcial. Na ciso total a empresa cindida desaparece, enquanto que na ciso parcial a empresa cindida remanesce, porm com patrimnio menor, pois repassa parcela do seu patrimnio s empresas sucessoras. Assim, supondo que a empresa SYNO S.A. passe pelo processo de ciso, sendo criadas duas empresas novas para absorverem parcelas do seu patrimnio, poderemos ter as seguintes situaes: ESPCIE Ciso Parcial SOCIEDADE ORIGINAL SYNO S.A. RESULTANTES AOS S.A. SYNO S.A. COBRAS SOLTAS S.A. AOS S.A. Ciso Total SYNO S.A. COBRAS SOLTAS S.A.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 08 Reorganizao Societria Parte IIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia EXEMPLO PRTICO Vejamos o exemplo de uma ciso parcial com criao de uma nova empresa. Por ocasio da deciso dos acionistas, pela operao de ciso, a empresa possua o seguinte patrimnio: ATIVO Ativo Circulante Disponibilidades Contas a Receber Mercadorias - estoque Ativo Permanente Imobilizado Total do Ativo PASSIVO Passivo Circulante Emprstimos e Financiamentos Obrigaes sociais e tributrias Fornecedores PATRIMNIO LQUIDO Capital Social Reservas de Capital Reservas de Lucros Lucros Acumulados Total do Passivo Valor (R$) 90.000,00 145.000,00 70.000,00 305.000,00 245.000,00 550.000,00 Valor (R$) 150.000,00 95.000,00 40.000,00 285.000,00 150.000,00 25.000,00 50.000,00 40.000,00 265.000,00 550.000,00

Tomando por base este balano, que teoricamente apresenta valores de mercado, os acionistas decidiram que a nova empresa receberia parcelas proporcionais do ativo e do passivo. Desta forma, aps a ciso, cada empresa permanece com uma parcela dos bens, direitos e obrigaes proporcional ao percentual que lhe foi atribudo pelo processo de ciso. Isto nos faz imaginar que existe uma contabilidade segregada para tais ativos e passivos e, como conseqncia, dos resultados e do patrimnio lquido. recomendvel que todas as reservas e outras contas que integram o patrimnio lquido sejam capitalizadas antes de efetuar o processo de ciso. Este processo objetiva a converso da parcela do patrimnio lquido da sociedade cindida em capital social na sociedade resultante, afinal a sociedade resultante uma sociedade nova e como tal dever possuir em seu patrimnio lquido somente o capital social. Porm, se no houver essa capitalizao das contas do Patrimnio Lquido, elas sero transferidas na proporo da ciso. Caso interessante diz respeito a reserva de reavaliao, pois ela constar no patrimnio da empresa que receber os bens reavaliados como tal, isto , teremos no patrimnio lquido da sociedade que receber os bens a conta de reserva de reavaliao.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 08 Reorganizao Societria Parte IIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia Posio Patrimonial aps a Ciso Empresa Cindida ATIVO Circulante Disponibilidades Contas a Receber Mercadorias - estoque Permanente Imobilizado Empresa Nova

67.500,00 108.750,00 52.500,00 228.750,00 183.750,00 412.500,00

22.500,00 36.250,00 17.500,00 76.250,00 61.250,00 137.500,00

Total do Ativo PASSIVO Circulante Emprstimos e Financiamentos Obrigaes sociais e trabalhistas Fornecedores PATRIMNIO LQUIDO Capital Total do Passivo

112.500,00 71.250,00 30.000,00 213.750,00 198.750,00 412.500,00

37.500,00 23.750,00 10.000,00 71.250,00 66.250,00 137.500,00

Observe que neste caso os valores do patrimnio lquido foram capitalizados antes do processo de ciso e que o percentual transferido para a empresa nova foi de 25% do valor dos bens, direitos obrigaes e, como conseqncia, o mesmo percentual do patrimnio lquido.

1.7.

ASPECTOS CONTBEIS COMUNS REORGANIZAO DE SOCIEDADES

NOS

PROCESSOS

DE

Os processos de reorganizao de empresas, no que se refere aos aspectos contbeis, so relativamente simples quando conhecemos a natureza da operao e as condies estabelecidas no protocolo e na justificativa. Na anlise da documentao que instrui o processo devemos dar especial ateno s alteraes estatutrias ou contratuais, bem como ao protocolo e justificativa. Deve-se dar ateno, ainda, ao laudo dos peritos ou da empresa especializada que procedeu a avaliao do patrimnio, pois nele constaro valores e vida til remanescente a serem utilizados pelas empresas sucessoras. De posse dessas informaes, possvel efetuar os registros contbeis correspondentes aos processos de reorganizao societria.

1.7.1.

TRATAMENTO DO GIO/DESGIO

Quanto ao tratamento contbil do gio e do desgio, podemos ter as seguintes situaes: 1) Quando estejam envolvidas empresas de capital fechado ou quando a controladora absorver o patrimnio da controlada:

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 08 Reorganizao Societria Parte IIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia a) gio decorrente da diferena entre o valor de mercado de ativo na sociedade sucedida: esse valor dever ser adicionado ao respectivo ativo transferido para a empresa sucessora; b) desgio decorrente da diferena entre o valor de mercado de ativo na sociedade sucedida: esse valor deve ser subtrado do respectivo ativo transferido para a sucessora; c) gio e desgio fundamentados em expectativa de resultado futuro: devem continuar dando o mesmo tratamento na sucessora que teriam na sucedida, ou seja, includos no balano patrimonial e amortizados no prazo e na extenso das projees que os determinaram; d) o gio decorrente da aquisio do direito de explorao, concesso ou permisso delegadas pelo Poder Pblico: dever ser adicionado, no caso de gio, ou subtrado, em caso de desgio, do valor relativo ao direito transferido. 2) Quando a empresa controlada incorporar a sua controladora, a incorporadora dever contabilizar o gio e o desgio da seguinte forma: a) gio e desgio, quando o fundamento econmico tiver sido a diferena entre o valor de mercado dos bens e o seu valor contbil, devem ser contabilizados nas contas representativas dos bens que lhe deram origem. No caso de gio, a contrapartida ser uma reserva especial de gio no patrimnio lquido; b) em conta especfica do ativo imobilizado (gio) quando o fundamento econmico tiver sido a aquisio do direito de explorao, concesso ou permisso delegadas pelo Poder Pblico; c) em conta especfica do ativo diferido (gio) ou em conta especfica de resultado de exerccio futuro (desgio) quando o fundamento econmico tiver sido a expectativa de resultado futuro.

Ateno! Perceba que a contabilizao, no processo de incorporao, se diferencia em razo de a incorporadora ser a controlada ou a controladora. No caso de controladora ser incorporada pela sua controlada, o desgio vai para Resultados de Exerccios Futuros!

1.7.2.

ROTEIRO PARA CONTABILIZAO

A contabilizao dos processos de incorporao, fuso ou ciso, segue basicamente o seguinte roteiro: 1) Devemos elaborar os papis de trabalho do processo de reorganizao, com base no protocolo, na justificativa, no laudo de avaliao e das alteraes contratuais ou estatutrias que se fizerem necessrias; 2) A sociedade que sofre o processo de reorganizao (a sucedida) deve encerrar as contas de resultados relativas ao exerccio em que se opera a reorganizao, incorporando-o ao patrimnio lquido ou destinando-o de outra forma, conforme o protocolo;

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 08 Reorganizao Societria Parte IIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia 3) Para baixar os elementos patrimoniais, a sociedade sucedida encerra todas as contas de ativo, passivo e patrimnio lquido em contrapartida de uma conta denominada de contas de incorporao, contas de fuso ou contas de ciso; 4) A sociedade resultante (a sucessora), receptora de parte ou todo o patrimnio da sociedade sucedida, reconhecer os ativos, os passivos e o aumento do patrimnio lquido que poder ser exclusivamente na conta de capital social, em contrapartida das contas denominadas de contas de incorporao, contas de fuso ou contas de ciso. Quanto a contabilizao da operao na empresa resultante ou sucessora de salientar que, no grupo do patrimnio lquido, de regra haver apenas a conta de capital social no caso de criao de empresa nova. Porm, pode haver casos em que a verso do patrimnio seja efetuada linha por linha, conforme j vimos em tpicos anteriores, que no a forma mais recomendada, mas aceita pela doutrina e no contraria a legislao de regncia.

2.

ASPECTOS FISCAIS E TRIBUTRIOS DAS OPERAES DE FUSO, INCORPORAO E CISO

2.1.

RESPONSABILIDADE TRIBUTRIA DOS SUCESSORES

As pessoas jurdicas sucessoras das sociedades incorporadas, fusionadas, cindidas ou transformadas respondem pelo imposto devido pelas sucedidas. A responsabilidade aqui mencionada alcana os crditos tributrios definitivamente constitudos ou em curso de constituio na data dos atos citados e tambm os constitudos posteriormente, desde que relativos a obrigaes tributrias surgidas antes da referida data. O Cdigo Tributrio Nacional CTN trata da responsabilidade dos sucessores do seguinte modo: Art. 129. O disposto nesta Seo aplica-se por igual aos crditos tributrios definitivamente constitudos ou em curso de constituio data dos atos nela referidos, e aos constitudos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigaes tributrias surgidas at a referida data. ... Art. 132. A pessoa jurdica de direito privado que resultar de fuso, transformao ou incorporao de outra ou em outra responsvel pelos tributos devidos at data do ato pelas pessoas jurdicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Pargrafo nico. O disposto neste artigo aplica-se aos casos de extino de pessoas jurdicas de direito privado, quando a explorao da respectiva atividade seja continuada por qualquer scio remanescente, ou seu esplio, sob a mesma ou outra razo social, ou sob firma individual. Art. 133. A pessoa natural ou jurdica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer ttulo, fundo de comrcio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva explorao, sob a mesma ou outra razo social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos at data do ato:

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 08 Reorganizao Societria Parte IIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia I - integralmente, se o alienante cessar a explorao do comrcio, indstria ou atividade; II - subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na explorao ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienao, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comrcio, indstria ou profisso.

2.2.

DECLARAO DE RENDIMENTOS E PAGAMENTO DO IMPOSTO

Consoante o disposto no 7, do art. 235 do Decreto n 3.000, de 26 de maro de 1999, que aprovou o Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, a pessoa jurdica incorporada, fusionada ou cindida dever apresentar declarao de rendimentos correspondente ao perodo transcorrido durante o ano-calendrio, em seu prprio nome, at o ltimo dia til do ms subseqente ao do evento, com observncia do disposto no art. 810. O art. 810 do RIR/99 reproduz os dizeres do 7, antes mencionado. Com relao ao pagamento do imposto devido, o art. 861 do RIR/99 estabelece que: O pagamento do imposto correspondente a perodo de apurao encerrado em virtude de incorporao, fuso ou ciso e de extino da pessoa jurdica pelo encerramento da liquidao dever ser efetuado at o ltimo dia til do ms subseqente ao da ocorrncia do evento. Ressalta, ainda que neste caso no poder ser aplicada a forma de pagamento em at trs parcelas, isto , o prazo fatal e o pagamento deve ser efetuado em uma nica vez, ou seja, em cota nica.

2.3.

RESERVAS DE REAVALIAO

Nos processos normais de transformao, incorporao, fuso ou ciso, as reservas de reavaliao transferidas da empresa sucedida para a sucessora tero, na sucessora, igual tratamento tributrio que teriam na sucedida. Esta regra vlida, tambm, para a legislao do Imposto de Renda. Em casos de extino por liquidao, a reserva de reavaliao da sociedade que se extingue ser considerada realizada, devendo ser computada na apurao do lucro real de encerramento das atividades.

2.4.

COMPENSAO DE PREJUZOS FISCAIS

Os arts. 513 e 514 do RIR/99 estabelecem que: Art. 513. A pessoa jurdica no poder compensar seus prprios prejuzos fiscais se entre a data da apurao e da compensao houver ocorrido, cumulativamente, modificao de seu controle societrio e do ramo de atividade (Decreto-Lei n 2.341, de 29 de junho de 1987, art. 32). Art. 514. A pessoa jurdica sucessora por incorporao, fuso ou ciso no poder compensar prejuzos fiscais da sucedida (Decreto-Lei n 2.341, de 29 de junho de 1987, art. 33).

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 08 Reorganizao Societria Parte IIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia Pargrafo nico. No caso de ciso parcial, a pessoa jurdica cindida poder compensar os seus prprios prejuzos, proporcionalmente parcela remanescente do patrimnio lquido (Decreto-Lei n 2.341, de 29 de junho de 1987, art. 33, pargrafo nico). Desta forma, os prejuzos fiscais das pessoas jurdicas (empresas) fusionadas, incorporadas ou cindidas no podem ser compensados nas pessoas jurdicas (empresas) resultantes. Veja-se que o CTN estabelece que as sociedades resultantes dos processos de reorganizao societria sucedem a anterior em todos os direitos e obrigaes. No entanto, a compensao de prejuzo fiscal , em verdade, um benefcio fiscal. Neste caso, aplicvel o disposto no 6 do art. 150 da CF/88. Desta forma, a lei especfica h de prevalecer sobre a lei geral, isto , os prejuzos fiscais no podem passar da pessoa que os tenha gerado. Art. 150. Sem prejuzo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, vedado Unio, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municpios:

6 Qualquer subsdio ou iseno, reduo de base de clculo, concesso de crdito presumido, anistia ou remisso, relativas a impostos, taxas ou contribuies, s poder ser concedido mediante lei especfica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matrias acima e numeradas ou o correspondente tributo ou contribuio, sem prejuzo do disposto no artigo 155, 2, XII, g.

3.

FORMAS DE EXTINO

As sociedades so constitudas para exercer o objeto social inscrito nos seus atos constitutivos, enquanto que a dissoluo o marco final do exerccio dessa destinao. A dissoluo representa o fim da etapa produtiva da empresa, ingressando a sociedade, a partir da, em processo de liquidao, que, por sua vez, objetiva a extino ou o trmino jurdico da sociedade. Desta forma, durante a dissoluo e a liquidao a sociedade mantm a personalidade jurdica. Entretanto, durante essa fase, ela no pode realizar novos negcios. Consoante as disposies da Lei das S.A., a dissoluo poder ser operada de forma amigvel, judicial ou por ato do Poder Executivo. Ser amigvel quando os scios ou acionistas acordam, pacificamente, o encerramento da sociedade, quer por disposio estatutria ou contratual, quer por meio de um distrato firmado entre os interessados. J a dissoluo judicial depende de prvia provocao do poder judicirio por parte dos interessados e se opera por meio de sentena definitiva, com base na comprovao dos motivos alegados. Assim, estamos diante de um processo que se inicia com a dissoluo, que pode ser voluntria ou compulsria (judicial ou por ato de Autoridade Administrativa), seguido da liquidao, que consiste na realizao do ativo e na satisfao do passivo com distribuio de eventuais sobras, culminando com a extino da sociedade que consiste no desaparecimento da personalidade jurdica, pela prtica dos atos necessrios para tal junto aos rgos de registros competentes.

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3.1.

DISSOLUO

Dissoluo significa ruptura no sentido de desmanchar ou romper um elo jurdico de coisas ou pessoas, liberando-as dos compromissos assumidos quando da unio. Portanto, entende-se por dissoluo da sociedade o ato pelo qual se tem como extinta ou terminada a existncia legal da sociedade civil ou comercial. Pode decorrer de vrios motivos, isto , da vontade unnime dos scios ou por imposio da prpria lei. a) Formas de Dissoluo Dissolve-se a companhia da seguinte forma: I) De Pleno Direito: pelo trmino do prazo de durao; nos casos previstos nos estatutos; por deliberao da assemblia geral; pela existncia de um nico acionista, verificada em assemblia geral ordinria, se o mnimo de dois no for reconstitudo at do ano seguinte; pela extino, na forma da lei, da autorizao para funcionar.

II) Por Deciso Judicial quando anulada sua constituio, em ao proposta por qualquer acionista; quando provado que no pode preencher o seu fim em ao proposta por acionistas que representem 5% ou mais do capital social; em caso de falncia, na forma prevista na respectiva lei.

III) Por Deciso de Autoridade Administrativa Competente, nos casos e na Forma Previstos em Lei Especial. b) Efeitos A companhia dissolvida conserva a personalidade de jurdica, at a extino, com o fim de proceder a liquidao.

3.2.

LIQUIDAO

Liquidao representa a fase do processo de extino em que so realizados os ativos e liquidados os passivos, bem como a distribuio das sobras entre os acionistas ou scios da empresa em liquidao. A liquidao pode operar-se pelos rgos da companhia ou pelo Poder Judicirio: a) Liquidao pelos rgos da Companhia

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 08 Reorganizao Societria Parte IIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia Silenciando o estatuto, compete assemblia, nos casos de dissoluo de pleno direito da companhia, determinar o modo de liquidao e nomear o liquidante e o Conselho Fiscal que devem funcionar durante o perodo de liquidao. A companhia que tiver Conselho de Administrao poder mant-lo, competindo-lhe nomear o liquidante; o funcionamento do Conselho Fiscal ser permanente ou a pedido de acionistas, conforme dispuser o estatuto. O liquidante poder ser destitudo, a qualquer tempo, pelo rgo que o tiver nomeado.

b) Liquidao Judicial Alm dos casos j mencionados, a liquidao ser processada judicialmente: I a pedido de qualquer acionista, se os administradores ou a maioria de acionistas deixarem de promover a liquidao, ou a ela se opuserem, nos casos de dissoluo da companhia de pleno direito; II a requerimento do Ministrio Pblico, vista de comunicao da autoridade competente, se a companhia, nos 30 (trinta) dias subseqentes dissoluo, no iniciar a liquidao ou se, aps inici-la, interromp-la por mais de 15 (quinze) dias, no caso da extino, na forma da lei, da autorizao para funcionar. Na liquidao ser observado o disposto na lei processual, devendo o liquidante ser nomeado pelo juiz. So deveres do liquidante: arquivar e publicar a ata da assemblia geral, ou certido de sentena, que tiver liberado ou decidido a liquidao; arrecadar os bens, livros e documentos da companhia, onde quer que estejam; fazer levantar, de imediato, em prazo no superior ao fixado pela assemblia geral, ou pelo juiz, o balano patrimonial da companhia; ultimar os negcios da companhia, realizar o ativo, pagar o passivo, e partilhar o remanescente entre os acionistas; exigir dos acionistas, quando o ativo no bastar para a soluo do passivo, a integralizao de suas aes; convocar a assemblia geral, nos casos previstos em lei ou quando julgar necessrio; confessar a falncia da companhia e pedir concordata, nos casos previstos em lei; finda a liquidao, submeter assemblia geral relatrio dos atos e operaes da liquidao e suas contas finais; arquivar e publicar a ata da assemblia geral que houver encerrado a liquidao.

So poderes do Liquidante: Compete ao liquidante representar a companhia e praticar todos os atos necessrios liquidao, inclusive alienar bens mveis ou imveis, transigir, receber e dar quitao.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 08 Reorganizao Societria Parte IIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia Sem expressa autorizao da assemblia geral o liquidante no poder gravar bens e contrair emprstimos, salvo quando o indispensvel ao pagamento de obrigaes inadiveis, nem prosseguir, ainda que para facilitar a liquidao, na atividade social.

Quanto a denominao da Companhia: Em todos os atos ou operaes, o liquidante dever usar a denominao social seguida da palavra em liquidao.

As funes da Assemblia Geral: O liquidante convocar a assemblia geral a cada 6 (seis) meses, para prestar-lhe contas dos atos e operaes praticados no semestre e apresentar-lhe o relatrio e o balano do estado de liquidao; a assemblia geral pode fixar, para essas prestaes de contas, perodos menores ou maiores que, em qualquer caso, no sero inferiores a 3 (trs) nem superiores a 12 (doze) meses. Nas assemblias gerais da companhia em liquidao todas as aes gozam de igual direito de voto, tornando-se ineficazes as restries ou limitaes porventura existentes em relao s aes ordinrias ou preferenciais; cessando o estado de liquidao, restaura-se a eficcia das restries ou limitaes relativas ao direito de voto. No curso da liquidao judicial, as assemblias gerais necessrias para deliberar os interesses da liquidao sero convocadas por ordem do juiz, a quem compete presidi-las e resolver, sumariamente, as dvidas e litgios que forem suscitados. As atas das assemblias gerais sero, por cpias autnticas, apensadas ao processo judicial.

A satisfao do Passivo: Respeitados os direitos dos credores preferenciais, o liquidante pagar as dvidas sociais proporcionalmente e sem distino entre vencidas e vincendas, mas, em relao a estas, com desconto s taxas bancrias. Se o ativo for superior ao passivo, o liquidante poder, sob sua responsabilidade pessoal, pagar integralmente as dvidas vencidas.

Da Partilha do Ativo (saldo): A assemblia geral pode deliberar que antes de ultimada a liquidao, e depois de pagos todos os credores, se faam rateios entre os acionistas, proporo que se forem apurando os haveres sociais. facultado assemblia geral aprovar, pelo voto de acionistas que representem 90% (noventa por cento), no mnimo, das aes, depois de pagos ou garantidos os credores, condies especiais para a partilha do ativo remanescente, com a atribuio de bens aos scios, pelo valor contbil ou outro por ela fixado. Provado pelo acionista dissidente que as condies especiais de partilha visaram a favorecer a maioria, em detrimento de parcela que lhe tocaria, se inexistissem tais condies, ser a partilha suspensa, se no consumada, ou, se j consumada, os acionistas majoritrios indenizaro os minoritrios pelos prejuzos apurados.

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Da prestao de Contas: Pago o passivo e rateado o ativo remanescente, o liquidante convocar a assemblia geral para a prestao final de contas. Aprovadas as contas, encerra-se a liquidao e a companhia se extingue. O acionista dissidente ter o prazo de 30 (trinta) dias, a contar da publicao da ata, para promover a ao que lhe couber. Da responsabilidade na Liquidao: O liquidante ter as mesmas responsabilidades do administrador, e os deveres e responsabilidades dos administradores, fiscais e acionistas subsistiro at a extino da companhia. Do Direito do Credor no Satisfeito: Encerrada a liquidao, o credor no satisfeito s ter o direito de exigir dos acionistas, individualmente, o pagamento de seu crdito, at o limite da soma, por eles recebida, e de propor contra o liquidante, se for o caso, ao de perdas e danos. O acionista executado ter direito de haver dos demais a parcela que lhes couber no crdito pago.

3.3.

EXTINO

A extino o ato final do processo e consiste, basicamente, em dar baixa dos atos constitutivos e dos registros nos rgos competentes em nvel federal, estadual e municipal. A companhia ser extinta: I pelo encerramento da liquidao, assim entendido o processo pelo qual o liquidante paga o passivo e rateia o ativo remanescente entre os acionistas, atravs de prestao final de contas aprovadas por estes; II nos casos de incorporao por outra sociedade, fuso ou ciso total. Neste ltimo caso, no h devoluo do patrimnio aos scios, uma vez que este passa a fazer parte de uma outra empresa que sucede a extinta em seus direitos e obrigaes. Os scios recebem da sucessora as aes que lhe couberem em funo da incorporao, fuso ou ciso.

4.

CONSRCIO

Em muitas situaes requerido que as empresas apresentem grande capacidade operacional e tcnica, aliado a um elevado patrimnio lquido e que demonstrem liquidez satisfatria para fazer frente a determinados empreendimentos, principalmente os concernentes s obras e servios pblicos. Diante da escassez de empresas que satisfaam as condies requeridas, nessas circunstncias, comeou-se a facultar que as empresas se agrupassem, sem que cada uma perdesse a sua personalidade jurdica, formando consrcios de empresas para a consecuo de um fim especfico.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 08 Reorganizao Societria Parte IIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia Destarte, o consrcio no representa constituio de sociedade nova. As empresas se agrupam para fazer frente a um objetivo, mantendo cada uma a sua estrutura organizacional e jurdica. Por isso, cada empresa participante do consrcio responde pessoalmente por sua obrigaes assumidas perante terceiros, no havendo solidariedade entre as partes. Pelo exposto, conclui-se que consrcio e grupamento de empresas se constituem em expresses anlogas, cujo implemento se d por meio de um contrato que obriga os contraentes entre si, mantendo cada parte sua autonomia e responsabilidade perante terceiros. Embora sem personalidade jurdica prpria, o consrcio representado por um rgo de administrao constitudo pelos seus pares, que tambm os representa juridicamente. No se trata de forma de reorganizao societria e tampouco de formao de truste, por mais que se possa chegar a resultados semelhantes nos diversos institutos. Por fim, no h que se comparar o conscio com grupo de sociedades, que geralmente possui amplo espectro de atuao, visto que o consrcio constitudo para a execuo de fim especfico e determinado, encontrando-se sublinhado, como principal matriz legal, na lei das SA. A lei das SA trata do consrcio nos arts. 278 e 279. Conforme aquele dispositivo legal, infere-se que o consrcio possui carter mercantil e objetiva somar recursos operacionais e/ou financeiros, surgindo, assim, o consrcio operacional e o consrcio instrumental, conforme sejam os objetivos a consecuo de um fim especfico ou a execuo de determinados servios, obras e concesses. As empresas que participam do consrcio podem possuir objeto semelhante ou os objetos das diversas empresas se complemente para a execuo do objetivo comum. Em ambos os casos, no ser objetivo do consrcio a distribuio de resultados, pois carece de personalidade jurdica e, em conseqncia, no possui capital social. Quando o objetivo do consrcio a celebrao de contratos com o Poder Pblico, isto , um consrcio instrumental, aquele requer que uma das consorciadas seja a interlocutora ou a lder do grupo, recaindo, neste caso, a administrao e responsabilidade pelas obrigaes do consrcio sobre a empresa designada para tal. A doutrina classifica os consrcios em abertos e fechados, conforme seja admitida a entrada de nova empresa no grupo ou no, cuja estipulao precisa deve constar no contrato que implementa o consrcio. A supervenincia de falncia de uma das consorciadas no se estende s demais, persistindo o consrcio com as outras contratantes. Vejamos os dispositivos legais pertinentes ao assunto: Art. 278. As companhias e quaisquer outras sociedades, sob o mesmo controle ou no, podem constituir consrcio para executar determinado empreendimento, observado o disposto neste Captulo. 1 O consrcio no tem personalidade jurdica e as consorciadas somente se obrigam nas condies previstas no respectivo contrato, respondendo cada uma por suas obrigaes, sem presuno de solidariedade. 2 A falncia de uma consorciada no se estende s demais, subsistindo o consrcio com as outras contratantes; os crditos que porventura tiver a falida sero apurados e pagos na forma prevista no contrato de consrcio.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 08 Reorganizao Societria Parte IIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia Art. 279. O consrcio ser constitudo mediante contrato aprovado pelo rgo da sociedade competente para autorizar a alienao de bens do ativo permanente, do qual constaro: I - a designao do consrcio se houver; II - o empreendimento que constitua o objeto do consrcio; III - a durao, endereo e foro; IV - a definio das obrigaes e responsabilidade de cada sociedade consorciada, e das prestaes especficas; V - normas sobre recebimento de receitas e partilha de resultados; VI - normas sobre administrao do consrcio, contabilizao, representao das sociedades consorciadas e taxa de administrao, se houver; VII - forma de deliberao sobre assuntos de interesse comum, com o nmero de votos que cabe a cada consorciado; VIII - contribuio de cada consorciado para as despesas comuns, se houver. Pargrafo nico. O contrato de consrcio e suas alteraes sero arquivados no registro do comrcio do lugar da sua sede, devendo a certido do arquivamento ser publicada.

5.

RESUMO DOS SOCIETRIA

PRINCIPAIS

PRAZOS

NA

REORGANIZAO

5 DIAS 30 dias

60 dias 90 dias 120 dias

Prazo para realizao de Assemblia Geral quando houver diminuio do Capital Social pela absoro das aes em tesouraria. Retirada de Acionista se no promovida a admisso das novas aes no mercado secundrio; Exerccio do direito de preferncia na subscrio de aes, quando no for pblica a subscrio. O pedido de novo balano pelo acionista dissidente; Credor anterior pode pleitear, judicialmente, a anulao da incorporao e fuso. Credor anterior se opor a excluso da responsabilidade na ciso. Promover a admisso das novas aes no mercado secundrio; Pagar saldo a acionista dissidente; Substituir acionista de aes em tesouraria.

6.

NORMATIZAO DA CVMINSTRUO CVM No 319, DE 3 DE DEZEMBRO DE 1999 Dispe sobre as operaes de incorporao, fuso e ciso envolvendo companhia aberta. O Presidente da Comisso de Valores Mobilirios - CVM torna pblico que o Colegiado, em reunio realizada nesta data, com fundamento nos arts. 8o, inciso I, 9o, inciso I, alnea "g", e inciso II, 11, 3o, 21, 6o, inciso I, 22,

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 08 Reorganizao Societria Parte IIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia pargrafo nico e incisos I, II, IV, VI e VII, da Lei no 6.385, de 7 de dezembro de 1976, e tendo em vista os arts. 8o, 115, 116, 117, 1o, alneas b e h, 122, inciso VIII, 124, 136, incisos IV e IX, 157, 1o, alnea e c/c 4o e 5o, 158, 160, 170, 177, 3o, 163, inciso III, 165, 223 a 230, e 264, da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, RESOLVEU baixar a seguinte Instruo:

DO MBITO E FINALIDADE Art. 1o So regulados pelas disposies da presente Instruo, relativamente s operaes de incorporao, fuso e ciso envolvendo companhia aberta: I - a divulgao de informaes; II - o aproveitamento econmico e o tratamento contbil do gio e do desgio; III - a relao de substituio das aes dos acionistas no controladores; IV - a obrigatoriedade de auditoria independente das demonstraes financeiras; V - o contedo do relatrio da administrao; VI - hipteses de exerccio abusivo do poder de controle; e VII - o fluxo de dividendos dos acionistas no controladores. 1o O disposto nesta Instruo aplica-se, independentemente da respectiva forma societria, s sociedades comerciais que faam parte das operaes de que trata o caput deste artigo. 2o Para os efeitos desta Instruo, equiparam-se s companhias abertas as sociedades beneficirias de recursos oriundos de incentivos fiscais registradas na CVM, e as demais sociedades cujas aes sejam admitidas negociao nas entidades do mercado de balco organizado, nos termos da Instruo CVM no 243, de 1o de maro de 1996.(NR)* DA DIVULGAO DE INFORMAES Art. 2o Sem prejuzo do disposto na Instruo CVM no 31, de 8 de fevereiro de 1984, as condies de incorporao, fuso ou ciso envolvendo companhia aberta devero ser comunicadas pela companhia, at quinze dias antes da data de realizao da assemblia geral que ir deliberar sobre o respectivo protocolo e justificao, CVM e s bolsas de valores ou entidades do mercado de balco organizado nas quais os valores mobilirios de emisso da companhia estejam admitidos negociao, assim como divulgadas na imprensa, mediante publicao nos jornais utilizados habitualmente pela companhia. 1o A comunicao e a divulgao a que se refere o caput deste artigo devero conter, no mnimo, as seguintes informaes: I - os motivos ou fins da operao, e o interesse da companhia na sua realizao, destacando-se, notadamente: a) os benefcios esperados, de natureza empresarial, patrimonial, legal, financeira e quaisquer outros efeitos positivos, bem como os eventuais fatores de risco envolvidos;

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 08 Reorganizao Societria Parte IIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia b) se for o caso, e nos termos da legislao tributria, o montante do gio que poder ser amortizado a ttulo de benefcio fiscal e as condies de seu aproveitamento pela companhia; e c) a quantificao estimativa, razoavelmente discriminada em itens, dos custos de realizao da operao. II - a indicao dos atos societrios e negociais que antecederam a operao; III - o nmero, espcie e classe das aes que sero atribudas em substituio dos direitos de scio que se extinguiro, os critrios utilizados para determinar as relaes de substituio e as razes pelas quais a operao considerada eqitativa para os acionistas da companhia; IV - a comparao, em quadro demonstrativo, entre as vantagens polticas e patrimoniais das aes do controlador e dos demais acionistas antes e depois da operao, inclusive das alteraes dos respectivos direitos; V - as aes que os acionistas preferenciais recebero, as razes para a modificao dos seus direitos, se houver, bem como eventuais mecanismos compensatrios; VI - se for o caso de incorporao de companhia aberta por sua controladora, ou desta por companhia aberta controlada, ou de fuso de controladora com controlada, o clculo das relaes de substituio das aes dos acionistas no controladores da controlada com base no valor do patrimnio lquido das aes da controladora e da controlada, avaliados os dois patrimnios segundo os mesmos critrios e na mesma data, a preos de mercado, para efeito da comparao prevista no art. 264 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976; VII - os elementos ativos e passivos que formaro cada parcela do patrimnio, no caso de ciso; VIII - os critrios de avaliao do patrimnio lquido, a data a que ser referida a avaliao, e o tratamento das variaes patrimoniais posteriores; IX - a soluo a ser adotada quanto s aes ou quotas do capital de uma das sociedades possudas por outra; X - o valor do capital das sociedades a serem criadas ou do aumento ou reduo do capital das sociedades que forem parte na operao; XI - a composio, aps a operao, segundo espcies e classes das aes, do capital das companhias que devero emitir aes em substituio s que se devero extinguir; XII - o valor de reembolso das aes a que tero direito os acionistas dissidentes, se for o caso; XIII - o detalhamento da composio dos passivos e das contingncias passivas no contabilizadas a serem assumidas pela companhia resultante da operao, na qualidade de sucessora legal; XIV - a identificao dos peritos ou da empresa especializada, cuja nomeao ser submetida aprovao da assemblia geral, para avaliar o patrimnio lquido da companhia, com a declarao da existncia ou no, em relao aos mesmos, de qualquer conflito ou comunho de interesses, atual ou potencial,

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 08 Reorganizao Societria Parte IIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia com o controlador da companhia, ou em face de acionista(s) minoritrio(s) da mesma, ou relativamente outra sociedade envolvida, seus respectivos scios, ou no tocante prpria operao; XV - se a operao foi ou ser submetida aprovao das autoridades reguladoras ou de defesa da concorrncia brasileiras e estrangeiras; XVI - todas as demais condies a que estiver sujeita a operao, bem como outras informaes relevantes referentes a planos futuros na conduo dos negcios sociais, notadamente no que se refere a eventos societrios especficos que se pretenda promover na companhia; e XVII - a indicao dos locais onde estaro disponveis o projeto ou projetos de estatuto, ou de alteraes estatutrias, que devero ser aprovados para se efetivar a operao, e a discriminao dos demais documentos colocados disposio dos acionistas da companhia para exame e cpia, a partir da data de publicao das informaes a que se refere este artigo, observado o disposto no art. 3o desta Instruo, sendo obrigatrio o envio de cpia dos documentos de que trata o presente inciso CVM e s bolsas de valores ou entidades do mercado de balco organizado nas quais os valores mobilirios de emisso da companhia estejam admitidos negociao. 2o Os valores sujeitos determinao sero indicados por estimativa. Art. 3o O protocolo, a justificao, bem como os pareceres jurdicos, contbeis, financeiros, laudos, avaliaes, demonstraes financeiras, estudos, e quaisquer outras informaes ou documentos que tenham sido postos disposio do controlador ou por ele utilizados no planejamento, avaliao, promoo e execuo de operaes de incorporao, fuso ou ciso envolvendo companhia aberta, devero ser obrigatoriamente disponibilizados a todos os acionistas desde a data de publicao das condies da operao (art. 2o). Pargrafo nico. As companhias abertas que divulgarem, no exterior, informaes, demonstraes financeiras ou quaisquer outros documentos adicionais, ou que, por qualquer motivo, tiverem contedo diverso em relao aos requeridos pela legislao societria e pelas demais normas expedidas pela CVM, acerca das operaes tratadas nesta Instruo, devero, simultaneamente, divulg-los no pas e disponibiliz-los aos acionistas, mediante aviso publicado nos jornais utilizados habitualmente pela companhia, e comunic-los CVM e s bolsas e entidades do mercado de balco organizado nas quais os valores mobilirios de emisso da companhia estejam admitidos negociao. Art. 4o Os laudos definitivos devero ser disponibilizados aos acionistas assim que finalizados, mediante aviso publicado nos jornais utilizados habitualmente pela companhia, at a data de publicao do anncio de convocao da assemblia geral que ir deliberar sobre os mesmos. Art. 5o As empresas e os profissionais que tenham emitido opinies, certificaes, pareceres, laudos, avaliaes, estudos ou prestado quaisquer outros servios, relativamente s operaes de incorporao, fuso ou ciso envolvendo companhia aberta, sem prejuzo de outras disposies legais ou regulamentares aplicveis, devero:

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 08 Reorganizao Societria Parte IIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia I - esclarecer, em destaque, no corpo das respectivas opinies, certificaes, pareceres, laudos, avaliaes, estudos ou quaisquer outros documentos de sua autoria, se tem interesse, direto ou indireto, na companhia ou na operao, bem como qualquer outra circunstncia relevante que possa caracterizar conflito de interesses; e II - informar, no modo indicado no inciso anterior, se o controlador ou os administradores da companhia direcionaram, limitaram, dificultaram ou praticaram quaisquer atos que tenham ou possam ter comprometido o acesso, a utilizao ou o conhecimento de informaes, bens, documentos ou metodologias de trabalho relevantes para a qualidade das respectivas concluses. DO TRATAMENTO CONTBIL DO GIO E DO DESGIO Art. 6o O montante do gio ou do desgio, conforme o caso, resultante da aquisio do controle da companhia aberta que vier a incorporar sua controladora ser contabilizado, na incorporadora, da seguinte forma: I - nas contas representativas dos bens que lhes deram origem quando o fundamento econmico tiver sido a diferena entre o valor de mercado dos bens e o seu valor contbil (Instruo CVM no 247/96, art. 14, 1o); II - em conta especfica do ativo imobilizado (gio) quando o fundamento econmico tiver sido a aquisio do direito de explorao, concesso ou permisso delegadas pelo Poder Pblico (Instruo CVM no 247/96, art. 14, 2o, alnea b); e III - em conta especfica do ativo diferido (gio) ou em conta especfica de resultado de exerccio futuro (desgio) quando o fundamento econmico tiver sido a expectativa de resultado futuro (Instruo CVM no 247/96, art. 14, 2o, alnea a). 1o O registro do gio referido no inciso I deste artigo ter como contrapartida reserva especial de gio na incorporao, constante do patrimnio lquido, devendo a companhia observar, relativamente aos registros referidos nos incisos II e III, o seguinte tratamento (redao dada pela Instruo 349/01): a) constituir proviso, na incorporada, no mnimo, no montante da diferena entre o valor do gio e do benefcio fiscal decorrente da sua amortizao, que ser apresentada como reduo da conta em que o gio foi registrado (redao dada pela Instruo 349/01); b) registrar o valor lquido (gio menos proviso) em contrapartida da conta de reserva referida neste pargrafo (redao dada pela Instruo 349/01); c) reverter a proviso referida na letra a acima para o resultado do perodo, proporcionalmente amortizao do gio (redao dada pela Instruo 349/01); e d) apresentar, para fins de divulgao das demonstraes contbeis, o valor lquido referido na letra a no ativo circulante e/ou realizvel a longo prazo, conforme a expectativa da sua realizao (redao dada pela Instruo 349/01).

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 08 Reorganizao Societria Parte IIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia 2 A reserva referida no pargrafo anterior somente poder ser incorporada ao capital social, na medida da amortizao do gio que lhe deu origem, em proveito de todos os acionistas, excetuado o disposto no art. 7o desta Instruo. 3o Aps a incorporao, o gio ou o desgio continuar sendo amortizado observando-se, no que couber, as disposies das Instrues CVM no 247, de 27 de maro de 1996, e no 285, de 31 de julho de 1998. Art. 7o O protocolo de incorporao de controladora por companhia aberta controlada poder prever que, nos casos em que a companhia vier a auferir benefcio fiscal, em decorrncia da amortizao do gio referido no inciso III do art. 6o desta Instruo, a parcela da reserva especial de gio na incorporao correspondente a tal benefcio poder ser objeto de capitalizao em proveito do acionista controlador. 1o Na hiptese prevista no caput deste artigo, observado o disposto no art. 170 da Lei no 6.404/76, ser sempre assegurado aos demais acionistas o direito de preferncia e, se for o caso, as importncias por eles pagas sero entregues ao controlador. 2o A capitalizao da parcela da reserva especial referida no caput deste artigo, correspondente ao benefcio fiscal, somente poder ser realizada ao trmino de cada exerccio social e na medida em que esse benefcio represente uma efetiva diminuio dos tributos pagos pela companhia. Art. 8o A companhia dever efetuar e divulgar, ao trmino de cada exerccio social, anlise sobre a recuperao do valor do gio, ainda que registrado na forma dos incisos II e III do art. 6 desta Instruo, a fim de que sejam: a) registradas as perdas de valor do capital aplicado quando evidenciado que no haver resultados suficientes para recuperao desse valor; ou b) revisados e ajustados os critrios utilizados para a determinao da sua vida til econmica e para o clculo e prazo da sua amortizao. DAS RELAES DE SUBSTITUIO Art. 9o Nas operaes de incorporao de companhia aberta por sua controladora, ou desta por companhia aberta controlada, o clculo da relao de substituio das aes dos acionistas no controladores dever excluir o saldo do gio pago na aquisio da controlada. Pargrafo nico. O disposto no caput deste artigo tambm se aplica s operaes de fuso de controladora com controlada. Art. 10. No clculo das relaes de substituio das aes dos acionistas no controladores, que se extinguiro, estabelecidas no protocolo da operao, deve ser reconhecida a existncia de espcies e classes de aes com direitos diferenciados, sendo vedado favorecer, direta ou indiretamente, uma outra espcie ou classe de aes. Art. 11. vedada a adoo, nas relaes de substituio das aes dos acionistas no controladores, nas operaes de que trata esta Instruo, da cotao de bolsa das aes das companhias envolvidas, salvo se essas aes integrarem ndices gerais representativos de carteira de aes admitidos negociao em bolsas de futuros.o

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 08 Reorganizao Societria Parte IIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia AUDITORIA INDEPENDENTE Art. 12. As demonstraes financeiras que servirem de base para operaes de incorporao, fuso e ciso envolvendo companhia aberta devero ser auditadas por auditor independente registrado na CVM. Pargrafo nico. O disposto neste artigo aplica-se, ainda, aos casos de incorporao de aes previstos no art. 252 da Lei no 6.404/76. Art. 13. As demonstraes financeiras referidas no artigo anterior devero ser elaboradas de acordo com as disposies da legislao societria e normas da CVM e observaro, ainda, os critrios contbeis idnticos aos adotados pela companhia aberta, independentemente da forma societria da outra sociedade envolvida. DO RELATRIO DA ADMINISTRAO Art. 14. No relatrio da administrao, relativo ao exerccio em que tiver sido efetuada qualquer operao de incorporao, fuso e ciso envolvendo companhia aberta, dever ser dedicado captulo ou parte especfica, devidamente destacada, relacionado-se, item a item, todos os custos de transao suportados pela companhia em virtude da operao, assim como o quantitativo das economias e demais vantagens j auferidas em razo da mesma. Pargrafo nico. O relatrio aludido no caput deste artigo e os relatrios dos dois exerccios seguintes contero, sem prejuzo de outras informaes devidas, exposio pormenorizada das mudanas ocorridas na administrao e na conduo dos negcios, relacionadas ou decorrentes da operao. DO EXERCCIO ABUSIVO DO PODER DE CONTROLE Art. 15. Sem prejuzo de outras disposies legais ou regulamentares, so hipteses de exerccio abusivo do poder de controle: I - o aproveitamento direto ou indireto, pelo controlador, do valor do gio pago na aquisio do controle de companhia aberta no clculo da relao de substituio das aes dos acionistas no controladores, quando de sua incorporao pela controladora, ou nas operaes de incorporao de controladora por companhia aberta controlada, ou de fuso de controladora com controlada; II - a assuno, pela companhia, como sucessora legal, de forma direta ou indireta, de endividamento associado aquisio de seu prprio controle, ou de qualquer outra espcie de dvida contrada no interesse exclusivo do controlador; III - o no reconhecimento, no clculo das relaes de substituio das aes dos acionistas no controladores estabelecidas no protocolo da operao, da existncia de espcies e classes de aes com direitos diferenciados, com a atribuio de aes, com direitos reduzidos, em substituio quelas que se extinguiro, de modo a favorecer, direta ou indiretamente, uma outra espcie ou classe de aes; IV - a adoo, nas relaes de substituio das aes dos acionistas no controladores, da cotao de bolsa das aes das companhias envolvidas, que

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 08 Reorganizao Societria Parte IIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia no integrem ndices gerais representativos de carteira de aes admitidos negociao em bolsas de futuros; V - a no avaliao da totalidade dos dois patrimnios a preos de mercado, nas operaes de incorporao de companhia aberta por sua controladora, ou desta por companhia aberta controlada, e nas operaes de fuso entre controladora e controlada, para efeito da comparao prevista no art. 264 da Lei no 6.404/76 e no inciso VI do art. 2o desta Instruo; e VI - a omisso, a inconsistncia ou o retardamento injustificado na divulgao de informaes ou de documentos que tenham sido postos disposio do controlador ou por ele utilizados no planejamento, avaliao, promoo e execuo de operaes de incorporao, fuso ou ciso envolvendo companhia aberta. DO FLUXO DE DIVIDENDOS Art. 16. Os dividendos atribudos s aes detidas pelos acionistas no controladores no podero ser diminudos pelo montante do gio amortizado em cada exerccio. DAS INFRAES GRAVES Art. 17. Considera-se infrao grave, para os efeitos do art. 11, 3o, da Lei no 6.385, de 7 de dezembro de 1976, a infrao ao disposto nos arts. 170, 223, 224, 225, 226, 227, 228, 229, 230, 231 e 264, da Lei no 6.404/76, assim como a violao das obrigaes e o descumprimento dos prazos previstos nesta Instruo, e a prtica de atos com exerccio abusivo do poder de controle. Pargrafo nico. Esto sujeitos s penalidades previstas em lei, conforme o caso, a companhia aberta, os membros dos conselhos de administrao e fiscal, e da diretoria, os integrantes de seus rgos tcnicos ou consultivos, bem como quaisquer outras pessoas naturais ou jurdicas que tenham concorrido para a infrao. DISPOSIES FINAIS Art. 18. Aplica-se s operaes j concretizadas o disposto nos arts. 6o, incisos I a III e 3o, 8o, 14 e 16 desta Instruo, sem prejuzo da apurao de eventual prtica de exerccio abusivo do poder de controle. Art. 19. O estatudo nos arts. 2o, 3o, caput, 5o, 6o, 1o e 2o, 7o, 9o, 10 e 11 desta Instruo no ser aplicvel s operaes precedidas, nos ltimos sessenta dias, de oferta pblica voluntria de compra de aes, diretamente relacionada com a operao a ser realizada. Art. 20. Esta Instruo entra em vigor na data de sua publicao no Dirio Oficial da Unio. FRANCISCO DA COSTA E SILVA Presidente

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 08 Reorganizao Societria Parte IIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia EXERCCIOS PROPOSTOS 01) (AFTN-1996-Esaf) A operao pela qual uma ou mais sociedades so absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigaes, chamada de a) Fuso b) Consrcio c) Incorporao d) Ciso e) Monoplio 02) (AFTN-1998-Esaf) No processo de incorporao, uma das preocupaes garantir uma participao justa dos acionistas tanto da incorporadora quanto da incorporada no novo Patrimnio Lquido que surge. As opes abaixo representam procedimentos que garantiro esta justa participao, exceto a) proceder ao levantamento do Balano Patrimonial contbil na mesma data-base e com os mesmos critrios contbeis para ambas as empresas b) proceder incorporao pelos valores contbeis originais da data-base c) o aumento de capital na incorporadora tomar por base um preo de emisso das aes igual ao valor patrimonial d) proceder contabilizao das diferenas oriundas das avaliaes e) proceder, atravs de peritos, avaliao patrimonial de ambas as empresas aos seus valores de mercado, com base nos mesmos critrios de avaliao dos Ativos e Passivos 03) (AFRF-2001-Esaf) De acordo com a Lei 6.404/76 - Lei das S/A., incorporao operao pela qual a) se unem duas ou mais sociedades para formar sociedade nova que lhes suceder em todos os direitos e obrigaes. b) uma ou mais sociedades so absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigaes. c) a companhia transfere parcelas do seu patrimnio para uma ou mais sociedades, constitudas para esse fim, ou j existentes, extinguindo-se a companhia cindida, se houver verso de todo o seu patrimnio, e dividindo-se o seu capital, se parcial a verso. d) se unem duas ou mais sociedades sem formar uma sociedade nova. e) a companhia transfere parcelas do seu patrimnio para uma ou mais sociedades, sem extinguir a sociedade cindida. 04) (TEC/CEF-2000-CESPE) As aes de uma companhia aberta apresentaram uma forte queda na bolsa de valores em razo da divulgao de uma reorganizao societria, segundo a qual ela incorporaria oito outras empresas. O patrimnio lquido da empresa resultante seria formado pela soma do patrimnio lquido de todas as empresas envolvidas no processo de incorporao, linha por linha, de maneira a no alterar a situao de reservas, e a relao de troca entre as aes seria feita com base no valor patrimonial CONTBIL delas, apurado ao final do ms imediatamente anterior ao da aprovao da incorporao pela assemblia geral extraordinria convocada para tratar desse assunto. Como cada empresa envolvida nessa incorporao no possua qualquer participao acionria nas demais empresas participantes desse processo, poder-se-ia deduzir que a nova situao e as perspectivas de resultados futuros, conseqncias da reorganizao, no teriam sido bem-vistas pelo mercado de valores mobilirios, especialmente pelos investidores. As razes podem ser inmeras, como eventuais ativos ruins das empresas a serem incorporadas, dvidas elevadas dessas empresas etc. Nessa situao, a alternativa de incorporao que, talvez, pudesse ser mais bem-vista pelo mercado seria com a relao de trocas das aes feita com base no valor de mercado destas e no com base no valor patrimonial contbil. A partir da situao hipottica apresentada, julgue os itens abaixo. 1. De acordo com a legislao de regncia a sociedade incorporadora acima descrita uma sociedade por aes.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 08 Reorganizao Societria Parte II2. 3. 4. 5. Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia Na incorporao societria citada, todos os ativos e passivos das empresas envolvidas podem ser aglutinadas, exceto o capital social. Aps essa incorporao societria, eventuais dvidas e crditos entre as empresas envolvidas, anteriores ao ato de incorporao, seriam automaticamente anulados. No processo relatado, os acionistas/scios majoritrios das empresas incorporadas passam a ser acionistas/scios da empresa incorporadora, mas os acionistas minoritrios no poderiam ter essa opo, segundo a legislao de regncia. Em face da situao descrita, todos os lanamentos de incorporao deveriam ser feitos no livro dirio da incorporadora.

05) (AFTN-98-Esaf) Incorporao a operao pela qual uma (um) a) empresa adquire mais de 50% do controle acionrio de outra do mesmo grupo b) empresa une seu patrimnio a outra formando uma terceira c) edifcio construdo por uma empresa em um terreno previamente cedido pela outra d) empresa transfere a totalidade do Patrimnio para outra que a sucede em direitos e obrigaes e) empresa passa a ter acionistas comuns a uma outra empresa 06) (AFTN-1996-Esaf) O procedimento que deve ser observado no processo de fuso de sociedade : a) a nomeao dos peritos que avaliaro os patrimnios das sociedades deve ser feita apenas pela Assemblia Geral de Acionistas da companhia fundida b) a exigncia de entrega pela entidade que ser fundida dos Balanos Patrimoniais e das Demonstraes de Resultado de Exerccio dos ltimos 5 anos. c) a nomeao dos peritos que Avaliaro os patrimnios das sociedades feita apenas pela Assemblia Geral de Acionistas da companhia adquirente do Patrimnio d) a exigncia de entrega pela entidade que ser fundida dos Balanos Patrimoniais e das Demonstraes das Mutaes Patrimoniais dos ltimos 3 anos e) a nomeao dos peritos que avaliaro os patrimnios das sociedades envolvidas deve ser feita pela Assemblia Geral que aprovar o protocolo da operao da fuso 07) (AFTN-1998-Esaf) As empresas A, B e C encerram suas atividades atravs de uma fuso, transferindo seu Patrimnio Lquido para a formao de uma nova empresa denominada "D". Cada uma das empresas possui dois scios com igual participao no Capital. O Patrimnio Lquido de cada empresa antes da fuso era: Patrimnio Lquido A B C Capital 760 720 2.880 Lucros Acumulados 200 0 0 Reserva de Lucro 0 240 0 As empresas A e B aumentaram seu Capital antes da fuso, utilizando os saldos de Lucros Acumulados e Reserva de Lucro. A participao, individual, dos scios da empresa B aps a fuso equivalente a a) R$ 1.440,00 para cada um b) 10% do total c) 30% do total d) 50% do total e) R$ 380,00 para um e R$ 1.360,00 para outro 08) (AFTN-1998-Esaf)Com relao s reorganizaes societrias mediante os processos de incorporaes, fuses ou cises, podemos afirmar que todas as opes abaixo so corretas, exceto a) fuso a operao pela qual se unem duas ou mais sociedades para formar sociedade nova, que as suceder em todos os direitos e obrigaes b) uma companhia emissora de debntures em circulao ficar sempre obrigada prvia autorizao dos debenturistas sob pena de nulidade da incorporao, fuso ou ciso c) ciso a operao pela qual a companhia transfere parcelas do seu patrimnio para uma ou mais sociedades, constitudas para esse fim, ou j existentes, extinguindo-se a companhia

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 08 Reorganizao Societria Parte IIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia cindida, se houver verso de todo o seu patrimnio, e dividindo-se o seu capital, se parcial a verso d) interesses de natureza societria entre quotistas ou acionistas so fatores importantes a serem contemplados no processo de reorganizao e) incorporao a operao pela qual uma ou mais sociedades so absorvidas por outra, que a sucede em todos os direitos e obrigaes 09) (INSS-1998-CESPE) Fuso, incorporao e ciso so modalidades de reorganizao de sociedades, previstas em lei, que permitem s empresas, a qualquer tempo, promover as reformulaes que forem apropriadas, atendendo a diversos objetivos. Acerca desse assunto, julgue os itens abaixo. 1. Um processo de incorporao, fuso ou ciso, antes de se efetivar, requer que os rgos da administrao ou scios das sociedades interessadas firmem um protocolo, que incluir os critrios e as principais bases de efetivao da modalidade de reorganizao a ser implementada. 2. At sessenta dias aps publicados os atos relativos incorporao ou fuso. o credor por ela prejudicado poder pleitear judicialmente a anulao da operao. 3. Incorporao a operao pela qual se unem duas ou mais sociedades para formar sociedade nova, que lhes suceder em todos os direitos e obrigaes. 4. Fuso a operao pela qual a companhia transfere parcelas do seu patrimnio para uma ou mais sociedades. constitudas para esse fim, ou j existentes, extinguindo-se a companhia fusionada, se houver verso de todo o seu patrimnio, e dividindo-se o seu capital, se a verso for parcial. 5. Na incorporao, fuso ou ciso, a contabilidade pode adotar o critrio de avaliao dos ativos a valores de sada, na base de liquidao forada, decaindo os princpios de contabilidade, a menos que se trate de companhia aberta, com aes negociadas em bolsa de valores. 10) (TCU-1995-CESPE) A transformao, a incorporao, a fuso e a ciso so reguladas pela Lei das Sociedades por Aes (Lei n 6.404/76). Tomando por base a legislao sobre a matria, julgue os seguintes itens. 1. Havendo incorporao da sociedade B pela A, os scios da B participaro do decorrente aumento de capital na A, na proporo das participaes que detinham na B. 2. as sociedades A, B e C se fundem, desaparecem as trs, dando origem a uma nova, constituda pelos scios de A, B e C. 3. No caso de ciso parcial da sociedade A, no poder haver constituio de outra; se a ciso for total, ter de ocorrer, pelo menos, a constituio de uma outra sociedade. 4. Distingue-se a simples absoro da incorporao; no primeiro caso, a sociedade resultante adquire apenas o ativo e o passivo exigvel da que desaparece, cujos scios sero reembolsados. 5. A transformao, quando operada mediante modificao do quadro societrio, exige liquidao da sociedade e constituio de uma nova sociedade. 11) (INSS-1997-CESPE) H diversas formas, previstas na legislao, de reorganizao das sociedades por aes, as quais permitem s sociedades, a qualquer tempo, promover as reformulaes que lhes forem apropriadas, para atender a objetivos especficos. Acerca do assunto, julgue os itens que se seguem. 1. a incorporao a operao pela qual uma ou mais sociedades so absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigaes. 2. na concluso do processo de incorporao, aos acionistas de empresa incorporada ser sempre garantida a manuteno de igual quantitativo de aes possudas da empresa incorporada. 3. ser mantida, aps o processo de incorporao a situao de participao recproca existente entre incorporada e incorporadora. 4. a ciso a operao pela qual se unem duas ou mais sociedades para formar uma sociedade nova, que lhes suceder em todos os direitos e obrigaes. 5. a fuso a operao pela qual uma companhia transfere parcelas do seu patrimnio para uma ou mais sociedades, j existentes ou constitudas para esse fim, extinguindo-se a

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 08 Reorganizao Societria Parte IIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia companhia fusionada, se houver verso de todo o seu patrimnio, ou dividindo-se o seu capital, se parcial a verso. 12) (INSS-2001-CESPE) Julgue os itens abaixo, relativos a incorporao, ciso e fuso. 1. Na incorporao de uma sociedade annima por outra j existente constar de protocolo firmado pelos rgos de administrao ou pelos scios de sociedade interessada, entre outras coisas, o valor do aumento ou da reduo do capital social da sociedade incorporadora. 2. Na incorporao de sociedade annima pela sua controladora, a justificao apresentada assemblia-geral da controlada dever conter, alm de outras informaes, o clculo das relaes de substituio das aes dos acionistas no controladores da controlada com base no valor do patrimnio lquido das aes da controladora e da controlada. Esses dois patrimnios devero ser avaliados segundo os mesmos critrios e na mesma data, a preos de mercado. 3. Na incorporao da controladora por sua subsidiria integral, em uma situao em que a controladora seja uma holding que possua em seu ativo apenas os investimentos na companhia incorporadora, a sociedade resultante da incorporao ir possuir, ao final do processo, suas prprias aes registradas no ativo, em contrapartida de receita de incorporao do perodo. 4. Na fuso de duas empresas Alfa e Beta sob controle comum de, Celta, sem que haja participao entre as fusionadas, o acionista controlador de Celta e os seus minoritrios com participao preponderante em Alfa ou Beta passam a ser os nicos acionistas da nova empresa, perdendo as suas participaes os acionistas minoritrios de Alfa ou Beta cujas participaes fossem no-preponderantes, extinguindo-se contabilmente a parcela de patrimnio liquido correspondente s aes dos acionistas que perderam suas participaes no processo, em contrapartida de lucros ou prejuzos acumulados. 5. Em uma operao de ciso parcial, com a verso de parcelas patrimoniais para mltiplas empresas criadas, permitido pela Lei das Sociedades Annimas que os acionistas da empresa cindida sejam mantidos em todas as empresas resultantes do processo, com a mesma participao acionria que detinham na empresa objeto da ciso, com base em patrimnios lquidos de cada sociedade definidos no protocolo e na justificao de ciso. 13) (AFTN-98-Esaf)Nas operaes de ciso, podem ocorrer as seguintes situaes, exceto a) ciso total com a criao de duas ou mais empresas novas b) ciso total com verso de parte do Patrimnio Lquido para empresa nova e parte para empresa j existente c) ciso total com verso do patrimnio para empresas j existentes d) ciso parcial com verso de parte do patrimnio para empresas j existentes e) ciso parcial com verso de todo o patrimnio para a mesma sociedade 14) (AFRF-2001-Esaf) Nos processos de fuso, ciso ou incorporao envolvendo companhias abertas a divulgao das condies de negociaes deve ser feita: a) apenas aos acionistas minoritrios, Comisso de Valores Mobilirios, aos principais credores e s bolsas de valores 30 dias aps a data da realizao da assemblia geral que ir deliberar sobre o protocolo b) nos jornais utilizados habitualmente pela companhia e comunicada 10 dias antes da assemblia geral aos acionistas minoritrios, ao Ministrio da Fazenda e aos principais credores das companhias envolvidas c) apenas aos acionistas ordinrios, ao Banco Central, aos principais credores e a todas as bolsas de valores, na data da realizao da assemblia geral que ir deliberar sobre o protocolo de intenes d) dando destaque entre outros itens aos benefcios esperados de natureza patrimonial, empresarial, legal e financeira e demais efeitos positivos da operao bem como os eventuais fatores de risco envolvidos e) dando destaque apenas aos itens de natureza patrimonial, financeira e legal, no prazo de 30 dias aps a realizao da assemblia geral e publicando 90 dias aps a assemblia

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 08 Reorganizao Societria Parte IIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia 15) (CVM/2001-Esaf) Nas operaes de incorporao ou fuso de empresas, os credores dessas empresas podero: a) pleitear judicialmente a anulao da operao em at 60 dias depois de publicados os atos relativos a essas operaes, desde que os mesmos sejam prejudicados em seus direitos b) anular a operao durante a Assemblia Geral Ordinria, convocada para aprovao do protocolo da operao, desde que ocorra aumento do risco de recebimento de seus crditos c) pedir judicialmente o cancelamento da operao 15 dias aps a Assemblia Geral que aprovar o protocolo da operao, desde que comprovem prejuzo de recebimento de seus crditos d) na Assemblia Geral Ordinria, que tratar da aprovao do protocolo da operao, votar pela anulao da operao desde que comprovem a manipulao de dados em prejuzo do acionista minoritrio e) anular a operao aps 90 dias da Assemblia Geral Extraordinria, que aprovar o protocolo da operao, desde que comprovem aumento de dificuldades no recebimento de seus crditos 16) (AFTN-1998-Esaf) A conceituao de "Filial" a) o estabelecimento sede ou principal, ou seja, aquele que tem primazia na direo a que esto subordinados todos os demais b) o estabelecimento comercial que opera na dependncia da matriz c) qualquer estabelecimento mercantil industrial ou civil, dependente ou ligado a outro que, em relao a ele, tem ou detm o poder de comando d) uma companhia constituda mediante escritura pblica, tendo como nico acionista uma outra sociedade e) uma companhia com personalidade jurdica prpria distinta da sociedade controladora domiciliada no exterior 17) (AFTN-1998-Esaf) Indique, nas opes abaixo, aquela que no guarda relao quanto dissoluo de uma companhia. a) quando provado que no pode preencher o seu fim, em ao proposta por acionistas que representem 1% do capital social b) quando anulada a sua constituio, em ao proposta por qualquer acionista c) em caso de falncia, na forma prevista na respectiva lei d) pelo trmino do prazo de durao estabelecido para suas atividades e) nos casos previstos no estatuto 18) (AFTN-1998-Esaf) A reserva de reavaliao, transferida por ocasio da incorporao, fuso ou ciso, ter na sucessora o seguinte tratamento: a) ser desconsiderada na incorporao, fuso, encampao ou ciso b) ser considerada realizada, totalmente, na apurao do lucro real c) mesmo tratamento tributrio que teria na sucedida d) somente os bens comuns s duas sociedades devero ser reconhecidos como realizados e) na fuso deve ser includa na apurao do lucro real; na ciso e incorporao, no. 19) (AFRF-2002-Esaf) Em processo de incorporao, pela controladora, de companhia controlada, a avaliao dos dois patrimnios envolvidos, sendo ambas companhias abertas, deve ser feita por a) perito nomeado pela incorporada. b) trs peritos nomeados pela Assemblia Geral. c) empresa especializada em avaliao. d) perito nomeado ou empresa especializada. e) peritos nomeados pelo conselho de administrao. 20) (AFRF-2002-Esaf) A operao pela qual se unem duas ou mais sociedades para formar uma nova denominada a) fuso b) incorporao c) ciso

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 08 Reorganizao Societria Parte IIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia d) consrcio e) sucursal 21) (AFRF-2002-Esaf) As demonstraes financeiras de companhias abertas que servirem de base para operaes de fuso, ciso e incorporao devem a) ter seus valores patrimonais consolidados. b) ser auditadas por auditor registrado na CVM. c) ser assinadas por contador registrado na CVM. d) ter os dados apresentados confidencialmente aos interessados. e) divulgar o fluxo de dividendos dos acionistas controladores. 22) (AFRF-2002-Esaf) A deliberao sobre a transformao, fuso, incorporao e ciso da companhia, compete privativamente a) Assemblia Geral. b) ao conselho Fiscal. c) presidncia da sociedade. d) ao conselho de Administrao. e) diretoria da empresa. 23) (AFRF-2002-2-Esaf) De acordo com a Instruo CVM 358/2002 as operaes de fuso, ciso ou incorporao, realizadas por companhias abertas, caracterizam-se como: a) ato relevante por no influir na deciso do acionista minoritrio de comprar, vender ou manter valores imobilirios da empresa. b) fato relevante desde que possam influir na deciso dos investidores de comprar, vender ou manter valores mobilirios de emisso das companhias envolvidas na operao. c) ato administrativo por no influenciar na tomada de deciso do pblico para comprar, vender ou manter valores mobilirios emisso das companhias envolvidas na operao. d) fato contbil por no ser fator preponderante na deciso do acionista minoritrio comprar, vender ou manter esses valores imobilirios da companhia. e) ato no relevante por influir na deciso do pblico de comprar, vender ou manter aqueles valores imobilirios. 24) (AFRF-2002-2-Esaf) Nas operaes de Fuso envolvendo companhias abertas, (so) regulado(s) pelas disposies da Instruo CVM 319/1999: a) o tratamento financeiro dado ao gio, que deve ser comunicado a CVM at 45 dias antes da data da realizao da operao. b) o fluxo de dividendos dos acionistas controladores e a remunerao da diretoria quando se tratar de sociedade limitada. c) a relao de substituio das aes dos acionistas controladores e o fluxo de dividendos dos minoritrios. d) o contedo do relatrio da administrao, o aproveitamento econmico e o tratamento contbil do gio e do desgio. e) o relatrio de auditoria independente das demonstraes financeiras, que dever ser enviado a CVM at 30 dias antes da data da realizao da operao. 25) (AFRF-2002-2-Esaf) So denominadas sociedades controladas em conjunto a) as sociedades nas quais nenhum acionista possua direitos de scio que lhe assegure de modo permanente preponderncia nas deliberaes sociais ou poderes de eleger ou destituir a maioria dos administradores. b) as associaes de empresas constitudas sob a forma de consrcios, com finalidade prpria e determinada por estatuto nas quais o valor contbil investido por seus investidores tenha o mesmo percentual. c) o conjunto de sociedades desobrigadas da elaborao das demonstraes contbeis consolidadas por no serem companhias abertas mesmo que as participaes societrias dos acionistas sejam de idntico valor. d) as associaes de investidores constitudas na forma de participao recproca com finalidade prpria determinada por estatuto ou contrato social com prazo de vida til determinado.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 08 Reorganizao Societria Parte IIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia e) as associaes de investidores constitudas na forma de consrcio cujo patrimnio lquido seja respaldado apenas por disponibilidades e possua finalidade prpria determinada por estatuto ou contrato social com prazo de vida til determinado. 26) (AFRF-2002-2-Esaf) De acordo com o disposto na Instruo CVM 319/1999, nas operaes de fuso de companhia controladora com controlada, o clculo da relao de substituio das aes dos acionistas controladores, dever: a) avaliar em qualquer circunstncia a cotao das aes preferenciais em bolsa. b) incluir o saldo do gio pago na aquisio da controlada. c) eliminar o saldo do gio pago na aquisio da controlada. d) inserir o saldo do gio pago na aquisio da controladora. e) incluir o valor do gio pago favorecendo diretamente as aes preferenciais. 27) (AFRF-2002-2-Esaf) Em um processo de ciso parcial de empresa brasileira, havendo a existncia de prejuzo, o tratamento fiscal conseqente dado para o clculo do Imposto sobre a Renda : a) classificar o valor do prejuzo contbil cindido nas duas empresas como desgio. b) o aproveitamento do valor do prejuzo contbil no clculo do IR das empresas. c) a dedutibilidade do prejuzo contbil no clculo do IR nas duas empresas. d) o abatimento total do prejuzo do valor bruto da negociao. e) compensao do prejuzo fiscal remanescente na parte no vertida. 28) (AFRF-2002-2-Esaf) De acordo com o disposto na Instruo CVM 319/1999, nas operaes de incorporao de companhia aberta por sua controladora, ou desta por companhia aberta controlada, o clculo da relao de substituio das aes dos acionistas controladores, dever: a) excluir o saldo do gio pago na aquisio da controlada. b) incluir o saldo do gio pago na aquisio da controlada. c) favorecer com a incluso do gio pago nas aes de menor valor unitrio. d) inserir o saldo do gio pago na aquisio da controladora. e) incluir o valor do gio pago favorecendo diretamente as aes preferenciais. 29) (AFRF-2002-2-Esaf) De conformidade com o disposto na Instruo CVM 349/2001, o procedimento contbil relativo ao lanamento do montante do gio resultante da aquisio do controle da companhia aberta que vier a incorporar sua controladora registar em a) conta especfica do ativo diferido, quando o fundamento econmico tiver sido a aquisio de concesso ou permisso delegada pelo poder pblico. b) conta especfica do ativo permanente investimento, quando o fundamento econmico tiver sido a expectativa de resultado futuro. c) conta especfica do ativo imobilizado, quando o fundamento econmico tiver sido a expectativa de resultado futuro. d) conta de resultado especfica como Ganhos/Perdas, quando o fundamento econmico tiver sido a aquisio de concesso ou permisso delegada pelo poder pblico. e) conta especfica do ativo imobilizado, quando o fundamento econmico tiver sido a aquisio de concesso delegada pelo poder pblico. 30) (AFRF-2002-Esaf) De acordo com a Lei 6.404/76 - Lei das S/A., incorporao operao pela qual a) se unem duas ou mais sociedades sem formar uma sociedade nova. b) se unem duas ou mais sociedades para formar sociedade nova que lhes suceder em todos os direitos e obrigaes. c) a companhia transfere parcelas do seu patrimnio para uma ou mais sociedades, constitudas para esse fim, ou j existentes, extinguindo-se a companhia cindida, se houver verso de todo o seu patrimnio, e dividindo-se o seu capital, se parcial a verso. d) uma ou mais sociedades so absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigaes. e) a companhia transfere parcelas do seu patrimnio para uma ou mais sociedades, sem extinguir a sociedade cindida.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 08 Reorganizao Societria Parte IIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia 31) (AFRF-2003) fator condicional para a efetivao das condies aprovadas, de operao de fuso se os peritos nomeados determinarem que o valor dos patrimnios lquidos vertidos para a formao do novo capital social seja: a) inferior a 20% do capital preferencial das empresas envolvidas. b) pelo menos, igual ao montante do capital a realizar. c) no mximo 50% do capital ordinrio anterior de cada uma das empresas. d) inferior ao total do capital preferencial anterior de cada uma das empresas. e) totalmente integralizado e superior a 50% do capital ordinrio. 32) (AFRF-2003) A Cia. Alternativa emitiu debntures 1998, que ainda estavam em circulao em 2000, ano em que essa empresa passa por um processo de ciso. Com relao integridade dos direitos dos debenturistas, pode-se afirmar que: a) os scios dissidentes do processo de ciso respondero pelo prazo de 5 anos pelo valor de resgate das debntures. b) a responsabilidade pelo resgate das debntures somente poder ser repassada aos acionistas ordinrios que permanecerem nas novas sociedades. c) os scios dissidentes do processo de ciso respondero pelo prazo de 10 anos pelo valor de resgate das debntures. d) tanto a sociedade cindida quanto aquelas que absorveram parcelas de seu patrimnio respondem solidariamente pelo resgate das debntures. e) apenas as novas sociedades surgidas do processo de ciso sero responsveis pelo resgate das debntures na proporo registrada em seus passivos. 33) (AFRF-2003) Em casos de liquidao de sociedades no dado poder ao liquidante, sem a expressa autorizao de assemblia, de: a) alienar bens mveis e imveis da empresa em liquidao. b) receber e dar quitao em recebveis da empresa em liquidao. c) convocar assemblia geral a cada 6 meses para prestar contas das operaes praticadas. d) representar a companhia e praticar todos os atos necessrios liquidao. e) prosseguir na atividade social, ainda que, para facilitar o processo de liquidao, sem a expressa autorizao da assemblia geral. 34) (Petrobras-CESPE-2004) O acionista, quando dissidente em matrias relativas a incorporao, fuso e ciso, ter o direito incondicional de retirar-se da companhia mediante o reembolso do valor de suas aes. 35) (Petrobras-CESPE-2004) Se a companhia tiver debntures em circulao, a operao de incorporao, fuso ou ciso s ter validade se houver a prvia autorizao dos debenturistas em assemblia convocada especialmente para essa finalidade, ou se lhes for assegurado o resgate das debntures de que forem titulares no prazo mnimo de seis meses. 36) (Petrobras-CESPE-2004) Fuso uma operao pela qual se unem duas ou mais sociedades para formar sociedade nova, que lhes suceder em todos os direitos e obrigaes. Ciso refere-se transferncia total do patrimnio da companhia para uma ou mais sociedades, constitudas para esse fim, ou j existentes, extinguindo-se sempre a companhia cindida. 37) (Petrobras-CESPE-2004) A incorporao, a fuso ou a ciso pode ser operada entre sociedades de tipos iguais ou diferentes e dever ser deliberada na forma prevista para alterao dos respectivos estatutos ou contratos sociais. 38) (CESPE/Unb-INMETRO-2001) A respeito de fuso, incorporao e ciso de empresas e equivalncia patrimonial, assinale a opo correta. a) Incorporao a operao pela qual se unem duas ou mais sociedades para formar sociedade nova, que lhes suceder em todos os direitos e obrigaes.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 08 Reorganizao Societria Parte IIProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia b) Fuso a operao pela qual uma ou mais sociedades so absorvidas por outra, que lhe sucede em todos os direitos e obrigaes. c) Ciso a operao pela qual a companhia transfere parcelas do seu patrimnio para uma ou mais sociedades, constitudas para esse fim ou j existentes, extinguindo-se a companhia cindida, se houver verso de todo o seu patrimnio, ou dividindo-se o seu capital, se parcial a verso. d) Consideram-se coligadas apenas as sociedades quando uma participa com 20% ou mais do capital social da outra, sem control-la. e) Considera-se relevante o investimento somente quando o valor contbil do investimento em cada coligada for igual ou superior a 20% do patrimnio lquido da investidora.

GABARITO 01 C 06 E 11 C E E E E 16 B 21 B 26 C 31 - B 36 E 02 C 07 B 12 C C E E C 17 A 22 A 27 E 32 - D 37 C 03 B 08 B 13 E 18 C 23 B 28 A 33 - E 38 C 04 C E E E C 09 C C E E E 14 D 19 C 24 D 29 E 34 E 05 D 10 C C E C E 15 A 20 A 25 A 30 D 35 C

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Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia Anlise das Demonstraes Contbeis 1. CONCEITO Jos Carlos Marion, em seu livro Anlise das Demonstraes Contbeis, 2 Edio, Editora Atlas, diz que: Poderamos dizer que s teremos condies de conhecer a situao econmico-financeira de uma empresa por meio dos trs pontos fundamentais de anlise: Liquidez (Situao Financeira), Rentabilidade (Situao Econmica) e Endividamento (Estrutura de Capital). Nesse sentido apresentaremos esta aula, desenvolvendo os trs nveis que constam no edital do AFRFB. Anlise das Demonstraes Contbeis ou Financeiras a parte da Cincia Contbil que analisa e interpreta as Demonstraes Financeiras de uma entidade, visando fornecer informaes mais especficas sobre sua situao patrimonial. Para isto, o analista transforma os dados das demonstraes em informaes teis aos usurios. Para iniciar os trabalhos de anlise, deve-se passar por algumas etapas, a saber: 1) Identificao dos elementos: nesta fase que o analista deve identificar os componentes das demonstraes necessrios anlise e proceder ao ajuste das mesmas; 2) Padronizao dos elementos: Como o analista muitas vezes recorre a uma srie histrica para efetuar comparaes, somente ser bem-sucedido caso utilize elementos padronizados; 3) Modificaes na sistemtica contbil: o analista deve levar em considerao provveis alteraes nos procedimentos (ex: critrio de avaliao de estoques) no momento em que estabelecer as comparaes de valores; 4) Alteraes na moeda corrente: Os planos econmicos contemplando corte de zeros, alterao de moeda, e a prpria inflao, devem ser levados em conta pelo analista para que este no efetue comparaes absurdas. 2. AJUSTES DAS DEMONSTRAES Exclusivamente para fins de anlise algumas contas merecem ser ajustadas para a correta anlise. a) Conta Caixa o saldo da conta Caixa deve indicar o montante de moeda em espcie em poder da empresa. Portanto os valores referentes a vales, cheques pr-datados e outros valores devem ser reclassificados para contas de crditos em funo do prazo. INICIATIVA: PONTO DOS CONCURSOS 1

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Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia b) Clientes Duplicatas Descontadas deve figurar como passivo circulante e Proviso para Devedores Duvidosos deve ser deduzida de sua correspondente. c) Estoques Adiantamento a Fornecedores de mercadorias ou matrias-primas no devem figurar no subgrupo Estoques, mas sim como Outros Crditos. J o item Almoxarifado deve ser destacado, pois seu saldo no representa mercadorias para revenda. d) Despesas do exerccio seguinte Representa valores que sero consumidos no exerccio seguinte, no se convertendo em dinheiro, logo no pode ser usado para pagamento de dvidas. Deve ser reclassificado para despesa, diminuindo o PL. e) Passivo Circulante a conta Duplicatas Descontadas de curto prazo deve figurar neste grupo. Deve-se agrupar as contas de natureza equivalente nos seguintes subgrupos: Obrigaes com Fornecedores, Obrigaes Sociais e Tributrias e Obrigaes Financeiras. f) Resultado de Exerccios Futuros - recomendvel que, onde este grupo no tenha relevncia, seu saldo seja reclassificado para o Patrimnio Lquido no item Lucros ou Prejuzos Acumulados, uma vez que uma das caractersticas destas contas a impossibilidade de reverso do resultado.

3. TIPOS DE ANLISE Existem 3 tipos de anlise das demonstraes financeiras: a) Anlise de Estrutura ou Vertical; b) Anlise de Evoluo ou Horizontal; c) Anlise de ndices. 3.1 ANLISE VERTICAL

Consiste no estudo e comparaes de contas e subgrupos dentro da prpria demonstrao analisada. Identifica-se o percentual de participao de cada item da Demonstrao em relao a um grupo ou ao todo dentro de um perodo especfico. Utiliza-se a converso dos itens para percentuais atravs de regra de trs, estabelecendo uma base que equivale a 100%. Nos pontos seguintes utilizaremos os elementos dos seguinte balano para exercitar.

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Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia BALANOS PATRIMONIAIS 2002 ATIVO Circulante Disponibilidades Contas a Receber de vendas Estoque de mercadorias Despesas do perodo seguinte Realizvel a longo prazo Emprstimos a scios Permanente Investimentos Imobilizado Diferido Total PASSIVO Circulante Fornecedores Salrios a pagar Ttulos a pagar Aluguis a pagar Dividendos Emprstimos Patrimnio Lquido Capital Social Reservas de Capital Reservas de Lucros Lucros Acumulados Total 291.000 10.000 178.000 98.000 5.000 12.000 12.000 71.000 15.000 50.000 6.000 374.000 2003 424.860 15.000 267.000 135.580 7.280 9.600 9.600 214.000 68.000 138.000 8.000 675.460 2004 524.000 44.000 290.000 170.000 20.000 10.000 10.000 260.000 90.000 160.000 10.000 794.000

160.000 56.000 5.000 36.000 3.000 11.000 49.000 214.000 100.000 50.000 10.000 54.000 374.000

263.460 83.260 7.000 129.200 8.000 45.000 412.000 268.000 72.000 24.000 48.000 675.460

285.000 100.000 4.000 125.000 5.000 11.000 40.000 509.000 359.000 72.000 51.000 27.000 794.000

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Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia Alm do Balano Patrimonial, necessitamos, em nossas anlises, do Resultado do Exerccio.Demonstrao do Resultado do Exerccio vendas brutas tributos sobre as vendas vendas lquidas custo das mercadorias vendidas lucro bruto despesas com pessoal despesas com materiais e servios despesas com aluguis e seguros depreciao amortizao do diferido receitas financeiras de aplicao das disponibilidades de emprstimos de longo prazo despesas financeiras lucro antes de IR e CSLL IR e CSLL lucro lquido 2002 250.000 (46.250) 203.750 (91.688) 112.063 (12.000) (8.000) (12.000) (3.500) (300) 1.000 300 700 (2.400) 74.863 (25.453) 49.409 2003 340.000 (62.900) 277.100 (119.600) 157.500 (14.300) (9.000) (13.450) (5.800) (450) 3.400 2.000 1.400 (4.600) 113.300 (36.960) 76.340 2004 420.000 (77.700) 342.300 (148.520) 193.780 (16.300) (9.800) (17.800) (6.400) (500) 5.700 2.800 2.900 (6.400) 142.280 (46.952) 95.328

Ex: Participao do Ativo Circulante em relao ao patrimnio da empresa no balano de 31/12/2002: Patrimnio = R$ 374.000,00 (100%) Ativo Circulante = R$ 291.000,00 (X) X = (R$ 291.000,00/R$ 374.000,00) X 100% = 77,80% O analista pode ento verificar os seguintes aspectos: a) Ativo Circulante concentra mais de 3/4 dos recursos aplicados, estando mais concentrados em Clientes (61% em 2002) e em Estoques (34% em 2002). b) Ativo Realizvel a Longo Prazo este grupo no apresenta participao significativa para a empresa, pois representa apenas 3% do ativo. Com relao Demonstrao do Resultado do Exerccio a base de 100%, via de regra, a Receita lquida. Ex: Participao do CMV na Demonstrao: Receita Lquida 2002 = R$ 203.750,00 (100%) CMV = R$ 91.688,00 (X) X = (R$ 91.688,00 /R$ 203.750,00) X 100% = 45,00% INICIATIVA: PONTO DOS CONCURSOS 4

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Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia 3.2 ANLISE HORIZONTAL

Identifica a evoluo, ao longo do tempo, dos itens que compem a demonstrao. 3.2.1 ANLISE DE EVOLUO NOMINAL

Este tipo de anlise no considera a inflao ocorrida no perodo. O analista determina um perodo como sendo o base a atribui a este o valor de 100%. Ex: Anlise nominal da evoluo do Ativo Circulante (AC), considerando as Demonstraes de 31/12/2002 como base 100%. AC-2002 = R$ 291.000,00 = 100% AC-2003 = R$ 424.860,00 = X AC-2004 = R$ 524.000,00 = Y X = 424.860 / 291.000 = 146% Y = 524.000 / 291.000 = 180% Percebe-se que o AC cresceu 46% em 2003 e 34% em 2004 com base em 2002. A evoluo do Ativo total se comportou da seguinte forma: AT-2002 = R$ 374.000,00 = 100% AT-2003 = R$ 675.460,00 = X AT-2004 = R$ 794.000,00 = Y X = 675.460 / 374.000 = 180% Y = 794.000 / 374.000 = 212% Percebe-se que o ativo total cresceu mais do que o AC nesses perodos com base em 2002. No entanto, em 2004 se comparado a 2003, o AC cresceu mais do que o AT. 3.2.2 ANLISE DE EVOLUO REAL

Neste tipo de anlise deve ser adotado um ndice que corresponda inflao do perodo analisado, para anular os efeitos desta quando da comparao de valores de perodos distintos. Ex: IPC, INPC, IGV. Desta forma, adotando-se, por exemplo, uma inflao hipottica de 5% em 2003 e 6% em 2004, teramos a seguinte situao para os ndices acima: INICIATIVA: PONTO DOS CONCURSOS 5

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Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia Para que o analista coloque os valores num mesmo patamar de comparao, deve inflacionar os nmeros absolutos das demonstraes mais antigas ou deflacionar as demonstraes mais recentes. Assim, considerando que a inflao de 2004 incidiu sobre a inflao de 2003, os ndices inflacionrios a serem aplicados so:Perodo 01/01/2002 a 31/12/2002 01/01/2003 a 31/12/2003 01/01/1998 a 31/12/1998 ndice 1,0000 1,0500 1,1130

Assim, os valores do Ativo Circulante deflacionados para o ano de 2002 seriam os seguintes;Ano 2003 2004 Nominal 424.860 524.000 ndice 1,0500 1,1130 Clculo 424.860/1,050 524.000/1.113 Real 404.628,57 470.799,64

Agora sim, tomando como base 100% o ano de 2002, teramos as seguintes comparaes:AC-2003 = 100% X R$ 404.628,57 R$ 291.000,00 100% X R$ 470.799,64 R$ 291.000,00 = 139.04%

AC-2004 =

= 161,78%

O quadro comparativo abaixo nos permite uma melhor visualizao da situao:Anlise Nominal Real 2002 100,00 100,00 2003 146,00 139,04 2004 180,00 161,78

3.3

ANLISE POR MEIO DE NDICES

Tem por base as relaes existentes entre contas, grupos e subgrupos de contas das Demonstraes Financeiras. A anlise de ndices fundamental para o perfeito conhecimento da situao econmica, financeira e estrutura de capitais da empresa. Os ndices so divididos nos seguintes grupos: a) b) c) d) ndices ndices ndices ndices de de de de Liquidez ou Solvncia (financeiro); Estrutura de Capitais (endividamento); Rentabilidade (econmico); Rotao ou Giro. INICIATIVA: PONTO DOS CONCURSOS 6

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Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia Vamos tomar por base as demonstraes apresentadas anteriormente para os anos de 2002, 2003 e 2004. 3.3.1 NDICES DE SOLVNCIA OU LIQUIDEZ

A relao estabelecida visa apresentar a capacidade de pagamentos em funo de seus vencimentos e da realizao de seus direitos. A sua interpretao deve ser feita em conjunto com outros elementos. a) ndice de Liquidez ImediataLI = Ativo Disponvel Passivo Circulante

o ndice de Liquidez absoluta ou instantnea ou imediata. Representa a capacidade de a empresa cumprir seus compromissos de curto prazo com o que ela dispe no momento, para pagamento imediato. O Ativo Disponvel composto pelo saldo das contas Caixa, Bancos, Aplicaes Financeiras de Liquidez Imediata e numerrio em trnsito (cueca). Ex: Em 31/12/2003:LI = R$ 15.00,00 R$ 263.460,00 = 0,0569

Isto quer dizer que a empresa possui condies de saldar de imediato 5,56% de suas obrigaes. b) ndice de Liquidez SecaLS = Ativo Circulante Lquido Passivo Circulante

Por Ativo Circulante Lquido entende-se os recursos conversveis em moeda no curto prazo, ou seja, deduz-se do total do Ativo Circulante o valor dos Estoques e das Despesas Antecipadas do Exerccio Seguinte, sendo que alguns autores consideram somente Ativo Circulante menos Estoques. Ex: Em 31/12/2002: ACL = 291.000 98.000,00 5.000,00 = 188.000,00LS = R$ 188.000,00 R$ 160.000,00 = 1,175

Isto demonstra que a empresa conseguir saldar suas dvidas de curto prazo se conseguir receber os seus crditos sem que para isto seja necessrio fazer qualquer venda adicional. INICIATIVA: PONTO DOS CONCURSOS

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Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia c) ndice de Liquidez CorrenteLC = Ativo Circulante Passivo Circulante

Representa a capacidade de a empresa cumprir seus compromissos de curto prazo com os recursos de qualquer natureza de curto prazo. d) ndice de Liquidez GeralLG = AC + ARLP PC + PELP

Representa a capacidade de a empresa honrar os capitais de terceiros, sem necessitar mexer em seu ativo permanente. 3.3.2 NDICES DE ESTRUTURA DE CAPITAIS (endividamento)

Oferecem subsdios para a avaliao da participao dos capitais prprios e de terceiros no patrimnio da empresa. Indica o grau de endividamento da empresa. a) ndice de Imobilizao do PLIPL = Ativo Permanente Patrimnio Lquido

b) ndice de Imobilizao dos Recursos PermanentesIRP = Ativo Permanente PELP + PL

c) ndice de Participao de Capitais de Terceiros a garantia que os capitais de terceiros tm em relao ao capital prprio da empresa. Quanto menor for o ndice, melhor ser a situao econmica e financeira e menor ser o endividamento.Exigvel Total Patrimnio Lquido

ICT =

d) ndice de Endividamento Total Representa quanto a empresa deve em relao ao seu investimento total.

INICIATIVA: PONTO DOS CONCURSOS

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Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto MissagiaIET = Exigvel Total Ativo Total

e) ndice de Composio do Endividamento Indica o perfil das dvidas da empresa, sendo possvel identificar a necessidade ou no de alongamento das mesmas.Passivo Circulante Exigvel Total

ICE =

f) ndice de Endividamento de Curto PrazoPassivo Circulante Ativo Total

IECP =

g) Garantia do Capital prprio ao capital de terceiros (CP/CT)CP/CT = PL Capital de Terceiros (PC + PELP)

Identifica a garantia ao capital de terceiros oferecida pelo capital prprio, ou seja, quanto para cada $ 1,00 de capital de terceiros h de prprio, como garantia. 3.3.3 NDICES DE RENTABILIDADE

Verificam o desempenho econmico da entidade. Com eles, os investidores podem comparar o rendimento obtido com os demais oferecidos pelo mercado financeiro. a) ndice de Rentabilidade do PL a relao na qual se verifica a lucratividade dos capitais prprios.IRPL = Lucro Lquido PL mdio PL inicial + PL final 2

PL mdio=

Ex: 31/12/2004PLm = R$ 412.000,00 + R$ 509.000,00 2

INICIATIVA: PONTO DOS CONCURSOS

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Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia PL m = R$ 460.500,00IRPL = 95.328,00 460.500,00 = 0,207

Em 2004, houve rentabilidade de 20,70% do PL Tempo para retorno do investimento:100% Rentabilidade (%) Em 2004: 100% Prazo = = 4,83 20,7 Prazo =

Mantendo o atual nvel de rentabilidade, o investimento retornar em aproximadamente 5 anos. b) ndice de Rentabilidade do Ativo indica em quanto a lucratividade superou as aplicaes no ativo.IRA = Lucro Lquido Ativo Total

c) ndice de Giro do Ativo o valor das vendas para cada $1,00 de investimento. Deve ser estudado em conjunto com os demais ndices de rentabilidade.IGA = Vendas Lquidas Ativo Total Mdio

Ex: 2003 Ativo Total mdio = (R$ 374.000,00 + R$ 675.460,00) / 2 = R$ 524.730,00IGA = 277.100,00 524.730,00 = 0,528

d) ndice de Margem Lquida o lucro obtido para cada $1,00 de vendas lquidas.IML = Lucro Lquido Vendas Lquidas

e) Margem Bruta revela o percentual remanescente de receita lquida, aps a deduo do CMV.IMB = Lucro Bruto

INICIATIVA: PONTO DOS CONCURSOS

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Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto MissagiaVendas Lquidas

e) Margem Operacional indica o desempenho operacional da entidade exclusivamente em funo das suas operaes normais.IMO = Lucro Operacional Vendas Lquidas

3.3.4

NDICES DE ROTAO OU GIRO

Fornecem informaes sobre o tempo necessrio (giro) para a renovao de determinados elementos patrimoniais, como estoques, fornecedores, contas a receber. a) ndice de Rotao de Estoques indica quantas vezes o estoque vendido e reposto novamenteIRE = CMV Estoque mdio EI+EF 2

Estoque Mdio =

Ex: No ano de 2003Em = 98.000 + 135.580 2 = 116.790,00

Rotao:IRE-2003 = 119.600,00 116.790,00 = 1,024

Os estoques foram renovados, em mdia, 4 vezes no ano de 97.Prazo de Rotao= n dias no perodo Rotao dos estoques

Em 2003:Prazo= 365 1,024 = 356 dias

A empresa possui uma baixssima rotao de estoques.

INICIATIVA: PONTO DOS CONCURSOS

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Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia Obs: Empresas com baixo ndice de liquidez SECA necessitam girar mais rapidamente seus estoques. Pode-se fazer isso reduzindo a margem de lucro. b) ndice de Prazo Mdio de Contas a Receber indica quantas vezes o saldo mdio da conta duplicatas a receber foi renovado. Quanto maior o ndice, mais rpido ser o giro de Clientes e, portanto, o prazo concedido pela empresa para pagamento nas vendas a prazo ser menor.IPCR= Vendas Brutas aPrazo Mdia de Contas a receber

Obs: A informao de vendas brutas a prazo no est, via de regra, nas Demonstraes. Assim:Vendas Brutas a Prazo 2002 R$ 230.000,00 2003 R$ 290.000,00 Valor Mdio Clientes= Em 2003: Clientes Mdio= 178.000 + 267.000 2 = 1,30 = 222.500 Clientesinicial

+ Clientes 2

final

Rotao=

290.000,00 222.500,00 365 1,30 = 280 dias

Prazo =

Ou seja, os clientes levam, em mdia, 9 meses 10 dias para liquidar suas dvidas. c) ndice de Prazo Mdio de Contas a Pagar indica quantas vezes o saldo mdio de contas a pagar foi renovado. Neste caso, quanto menor o ndice, maior o prazo para pagar aos fornecedores.IPCP= Compras aPrazo Mdia de Contas a Pagar

Compras Brutas a Prazo 2002 R$ 135.000 2003 R$ 125.000

Ex: INICIATIVA: PONTO DOS CONCURSOS 12

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Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia No ano de 2003:Fornecedores Mdio= 56.000 + 83.260 2 = 69.630,00

Giro de Fornecedores= 365 1,79

125.000 69.630,00

= 1,79

Prazo =

= 203 dias

Ou seja, a empresa levou em mdia 6.5 meses para pagar aos fornecedores em 2003. d) ndice de Prazos Relativos quanto menor a relao, maior ser o ciclo financeiro, indicando maior folga financeira para pagar fornecedores utilizando os crditos de clientes. IPR= Ex: Em 2003: IPR = 280 203 = 1,37 Prazo mdio de recebimento Prazo mdio de pagamento

CICLO FINANCEIRO (2003) = 203- 280 = (77) dias O ndice financeiro negativo significa que a empresa est utilizando recursos prprios para financiar as vendas. 3.3.5.1 NDICES PADRO

a comparao dos ndices obtidos pela entidade com a mdia dos ndices alcanados pelas demais empresas do mesmo setor de atividade com caractersticas semelhantes. A) Grupo Quanto menor, melhor - ndices de Estrutura de Capitais (quanto menor o ndice, menor a imobilizao ou o endividamento) - ndice do Prazo Mdio de Contas a Pagar (quanto menor, maior o nmero de dias para pagar) - ndice de Prazos Relativos INICIATIVA: PONTO DOS CONCURSOS 13

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Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia B) Grupo Quanto maior, melhor - ndices de Liquidez - ndices de Rentabilidade - ndice de Rotao dos Estoques ndice do Prazo Mdio de Contas a Receber (quanto maior o ndice, menor o prazo para recebimento) Grau de alavancagem financeira

-

3.3.5.2

O clculo do grau de alavancagem financeira (GAF) indica a influncia que os acionistas esto recebendo pela participao dos recursos nos negcios da empresa. GAF = Rentabilidade dos capitais prprios Rentabilidade da empresa e RE = LL + desp. Financeira / Ativo total

RCP = LL / PL

Sempre que o GAF maior que 1, os capitais de terceiros esto influenciando positivamente o retorno do capital prprio da empresa, isto , vale a pena para a empresa captar recursos de terceiros. Ex. 2003. RCP = 76.340,00 / 412.000,00 = 0,18529 RE = (76.340,00 + 4.600) / 675.460,00 = 0,11982 GAF = 0,18529 / 0,11982 GAF = 1,54 EXERCCIOSAnalista previdencirio com formao em contabilidade 44 durante o processo denominado Padronizao das Demonstraes Financeiras, cujo objetivo preparar as demonstraes para anlise, a conta Duplicatas Descontadas, se existir, dever ser: (A) reduzida do montante de Duplicatas a Receber, figurando apenas o valor lquido. (B) Somada Proviso para Crditos de Liquidao Duvidosa, e o total, reduzido de Duplicatas a Receber. (C) Alocada no grupo do Patrimnio Lquido, porm com sinal trocado, representando uma conta redutora.

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Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia(D) Transferida para o Realizvel a Longo Prazo, para no prejudicar a pureza dos ndices de liquidez. (E) Transferida para o Passivo Circulante. 45 Se a conta Bancos c/Movimento de uma empresa apresentou um saldo de R$ 250.000,00 em 2002 e de R$ 185.000,00 em 2003, pode-se afirmar que na(s) anlise(s): (A) Horizontal verificou-se uma reduo de 26,0% de 2002 para 2003. (B) Horizontal de 2003 foi apurada uma participao de 35,1%. (C) Vertical de 2003 foi apurada uma participao de 35,1%. (D) Vertical verificou-se uma reduo de 26,0% de 2002 para 2003. (E) Vertical e horizontal verificou-se um aumento de 35,1% de 2002 para 2003. 46 Considerando-se que o grau de liquidez corrente da Cia. Beta, obtido em 2003, foi igual a 1,3, pode-se afirmar que para cada: (A) R$ 130,00 de Ativo Circulante, a empresa deve R$ 100,00. (B) R$ 130,00 de Ativo Circulante, o Passivo Circulante de R$ 100,00. (C) R$ 130,00 de disponibilidades, a empresa deve R$ 100,00. (D) R$ 100,00 de Ativo Circulante, o Passivo Circulante de R$ 130,00. (E) R$ 100,00 de Ativo Total, a empresa deve R$ 130,00. Gabarito: 44 E, 45 A; 46 B

31 O exame detalhado das demonstraes financeiras e a crtica s suas respectivas contas, realizados pelo analista das demonstraes antes de iniciar seu trabalho, so conhecidos por: (A) avaliao das demonstraes. (B) anlise prvia das demonstraes. (C) padronizao das demonstraes. (D) estudo prvio da empresa. (E) verificao da classificao das contas. 32 Na anlise horizontal encadeada do estoque de comprimidos antitrmicos Febril do Hospital So Gregrio, foi apurada a seguinte situao: 1998 1999 2000 2001 2002 Comprimido Febril 100% 105% 85% 80% 90% Na avaliao analtica dos indicadores acima, pode-se afirmar que o estoque do comprimido Febril, em 2002: (A) apresenta um aumento de 10% em relao a 2001. (B) apresenta um aumento de 12,5% em relao a 2000. (C) corresponde a 90% do estoque de 1998. (D) corresponde a 72% do estoque de 2001. (E) corresponde a 15% do estoque de 1999. 33

INICIATIVA: PONTO DOS CONCURSOS

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Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto MissagiaNos ltimos cinco Balanos da Casa de seguinte composio do endividamento: 1999 Composio das dvidas 70% A srie acima indica que o melhor perfil da (A) 1999 (B) 2000 (C) 2001 (D) 2002 (E) 2003 C, C, A Sade Santa Madalena Ltda. foi apurada a 2000 2001 2002 90% 100% 75% dvida ocorreu no ano de: 2003 80%

AFRF 1998

18- A empresa Simplificada, para conhecimento do mercado, publicou as seguintes informaes sobre seu patrimnio: - no h recursos realizveis a longo prazo; - o quociente de solvncia 2,5 mas apenas R$ 10.000,00 so exigibilidades de longo prazo; - estas, as exigibilidades no circulantes, contidas no Grupo Patrimonial chamado Passivo Exigvel a Longo Prazo", tm um coeficiente de estrutura patrimonial (Anlise Vertical) igual a 0,05; - 60% dos recursos aplicados esto financiados com capital prprio; - o quociente de liquidez corrente de 1,4, enquanto que a liquidez imediata alcana apenas o ndice 0,4. Considerando que os clculos da anlise supra indicada esto absolutamente corretos, no havendo nenhuma outra informao a ser utilizada, podemos afirmar que, no Balano Patrimonial, o valor a) das disponibilidades : R$ 28.000,00 b) do Ativo Circulante : R$ 120.000,00 c) do Ativo Permanente : R$ 88.000,00 d) do Passivo Circulante : R$ 80.000,00 e) do Patrimnio Lquido : R$ 200.000,00 18- A

Pessoal, as questes seguintes no so todas de anlise, mas so bons testes de contabilidade geral e avanada. Aproveitem! UnB / CESPE Cmara dos Deputados Prova 1 Objetiva 2.a Parte Concurso Pblico Aplicao: 29/9/2002 Cargo: Analista Legislativo / Assistente Tcnico FC de Consultor Legislativo rea III 1 / 13

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Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto MissagiaQUESTO 75

INICIATIVA: PONTO DOS CONCURSOS

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Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia(1) (2) Com relao a aspectos diversos de contabilidade e s demonstraes contbeis apresentadas acima, julgue os itens a seguir. Caso o resultado de equivalncia patrimonial fosse elevado para R$ 900.000,00 a parte A do livro de apurao do lucro real (LALUR) receberia reflexo disso. Caso a empresa tivesse liquidado a dvida de financiamento de R$ 70.000.000,00 15 dias antes do encerramento do exerccio social, o seu resultado no teria sofrido alterao, mesmo considerando diferentes taxas para remunerar ativos financeiros e reconhecimento de encargos do passivo. O estoque, caso fosse reduzido de R$ 95.800.000,00 para R$ 50.000.000,00, por problema de avaliao e inventrio, implicaria reduo do lucro do perodo e do patrimnio lquido. Pelos princpios de contabilidade, as despesas comerciais s devem ser apropriadas quando pagas. Considerando uma empresa com o ciclo operacional normal, as despesas do perodo seguinte constantes do ativo circulante devem ser apropriadas para despesa no prazo mximo de um ano.

(3) (4) (5)

QUESTO 76 Acerca de contabilidade de companhia aberta, julgue os itens abaixo. (1) Os recursos aplicados no ativo diferido sero amortizados periodicamente, em prazo no-superior a dez anos, a partir do incio da operao normal ou do exerccio em que passem a ser usufrudos os benefcios deles decorrentes, devendo ser registrada a perda do capital aplicado, quando abandonados os empreendimentos ou atividades a que se destinavam ou comprovado que essas atividades no podero produzir resultados suficientes para amortiz-los. (2) O aumento do valor de elementos do ativo em virtude de novas avaliaes, registrado no patrimnio lquido, como reserva de reavaliao, somente depois de realizado poder ser computado como lucro para efeito de distribuio de dividendos ou participaes. (3) Os prejuzos acumulados, mesmo consumindo todas as reservas de lucros, no podem ser absorvidos por reservas de capital. (4) A depreciao dos diversos itens do ativo imobilizado deve ser apropriada ao resultado no prazo mximo de vinte anos. (5) No custo das mercadorias vendidas, devem estar compreendidos os custos de fretes, seguros e todos os demais custos necessrios aquisio e ao recebimento das mercadorias, inclusive o ICMS registrado no livro de entradas, para compensar com o de sada das mercadorias. QUESTO 77 No que se refere a critrios de avaliao de estoques e contabilidade industrial, julgue os itens seguintes. (1) A depreciao das mquinas industriais, calculada pelo mtodo linear, e os custos de superviso devem ser reconhecidos como custos diretos dos produtos. (2) Uma indstria de refino de petrleo que produza gasolina, leo dsel e leo combustvel deve ter, preferencialmente, um controle de custos com base em um sistema de custeio por ordens. (3) A elevao do volume produzido, por meio do aproveitamento otimizado da capacidade instalada, reduz o custo fixo unitrio do produto.

INICIATIVA: PONTO DOS CONCURSOS

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Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia(4) O sistema de custeio por absoro o nico aceito pelos princpios fundamentais de contabilidade para a avaliao dos produtos em processo e acabados em estoque, porque atribui aos produtos os custos diretos e indiretos, mas no considera as despesas gerais, administrativas e comerciais. (5) Quando o preo de mercado de determinada matria-prima estocada estiver abaixo do custo de aquisio registrado na contabilidade, e a diferena for relevante, a empresa dever efetuar uma proviso para perda provvel em estoques, reconhecendo seus efeitos no resultado, a qual produzir, como reflexo, reduo do patrimnio lquido. QUESTO 78 Com referncia s demonstraes contbeis e aos critrios de avaliao de ativos e passivos, julgue os itens que se seguem. (1) Na demonstrao de lucros ou prejuzos acumulados, sero evidenciadas todas as movimentaes havidas nas reservas de capital durante o perodo a que ela se refere. (2) Para medir a relevncia do investimento, o seu valor contbil em coligada e controlada deve abranger o custo de aquisio mais a equivalncia patrimonial e o gio no-amortizado, deduzido do desgio no-amortizado e da proviso para perdas. (3) No balano, os direitos e ttulos de crdito e quaisquer valores mobilirios noclassificados como investimentos sero avaliados pelo custo de aquisio ou pelo valor do mercado, se este for maior. (4) Dever deixar de ser avaliado pelo mtodo da equivalncia patrimonial o investimento em sociedades coligadas e controladas com efetivas e claras evidncias de perda de continuidade de suas operaes ou no caso em que estas estejam operando sob severas restries a longo prazo que prejudiquem significativamente a sua capacidade de transferir recursos para a investidora. (5) A demonstrao das origens e aplicaes de recursos indicar as modificaes na posio financeira da companhia, discriminando, entre as origens dos recursos, o lucro do exerccio, deduzido da despesa de depreciao, amortizao ou exausto e da variao nos resultados de exerccios futuros. QUESTO 79 Acerca de contabilidade de companhia aberta e reservas, julgue os itens a seguir. (1) O saldo das reservas de lucros, exceto aquelas para contingncias e de lucros a realizar, no poder ultrapassar o capital social; atingido esse limite, a assemblia deliberar acerca da aplicao do excesso na distribuio a credores. (2) A assemblia geral de uma tal companhia poder, por proposta dos rgos da administrao, destinar parte do lucro lquido formao de proviso para contingncia, com a finalidade de compensar, em exerccio futuro, a diminuio do lucro decorrente de perda julgada provvel, cujo valor possa ser estimado. (3) A companhia aberta poder deixar de constituir a reserva legal no exerccio em que o saldo dessa reserva, acrescido do montante das reservas de capital, exceder em 20% o capital social. (4) O registro de uma despesa de contingncias trabalhistas, em funo de ser provvel a perda da disputa na justia, gera uma despesa no-dedutvel, para fins de imposto de renda da pessoa jurdica, at o pagamento, e leva a um controle na parte B do LALUR.

INICIATIVA: PONTO DOS CONCURSOS

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Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia(5) Para a determinao do valor da equivalncia patrimonial, a investidora dever excluir o montante correspondente s participaes recprocas. QUESTO 80 A respeito de dividendos, registros contbeis e livros contbeis, julgue os itens subseqentes. (1) Os livros dirio e razo so obrigatrios para empresas que paguem imposto de renda com base no lucro real e se utilizem do LALUR. (2) Uma companhia aberta com um lucro lquido de R$ 500.000,00, que tenha registrado um resultado lquido positivo de equivalncia patrimonial de R$ 400.000,00 no mesmo perodo, poder diferir uma parcela do dividendo com a constituio da reserva de lucros a realizar, considerando uma reserva legal de 5% do lucro lquido, a no-existncia de reserva de contingncias e um dividendo mnimo obrigatrio de 25% do lucro lquido ajustado, em conformidade com o art. 202 da Lei das S.A. (3) O lucro, ganho ou rendimento em operaes cujo prazo de realizao financeira ocorra aps o trmino do exerccio social seguinte poder ser fundamento para constituio da reserva de lucros a realizar. (4) A compra de mercadorias com parte de pagamento vista e parte a prazo levar a um crdito na conta de estoques, a outro crdito no disponvel e a um dbito na conta de fornecedores, no passivo. (5) A operao de desconto de um recebvel de R$ 1.000,00, mediante o recebimento de R$ 900,00 da instituio financeira no ato da operao, para liquidao no prazo de trs meses, leva a um registro de dbito no disponvel de R$ 900,00, crdito no passivo de emprstimo ou conta retificadora do ativo recebvel de R$ 1.000,00 e dbito em despesa financeira do ms da operao de R$ 100,00, em respeito aos princpios de contabilidade e aplicao do sistema de competncia mensal. 75 C E C E C 76 C C E E E 77 E E C C C 78 E C E C E 79 E E E C C 80 C C C E E

14- As demonstraes financeiras da Cia. Abaptiste Comercial foram elaboradas com base nas contas e saldos abaixo:

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Resp.: B

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31 = B 32 = E

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Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia Noes de Contabilidade de Custos1 - HISTRICO A Contabilidade surgiu basicamente para controlar o patrimnio das sociedades mercantis. Com o passar dos anos, percebeu-se a riqueza desta cincia e a sua utilidade como instrumento de gerncia empresarial, suprindo os executivos com informaes poderosas para a tomada de decises. A Contabilidade Financeira objetiva controlar o patrimnio e apurar o resultado das empresas, prestando informaes a usurios externos e internos. Para atingir tal fim utiliza o Mtodo das Partidas Dobradas na escriturao contbil, assim como vrias Demonstraes. Nas sociedades comerciais, o custo obtido pela frmula: CMV = EI + C EF Onde: CMV = Custo das Mercadorias Vendidas C = Compras do Perodo EI = Estoque Inicial EF = Estoque Final O resultado bruto com mercadorias ento obtido pela frmula: RCM = V - CMV Onde: CMV = Custo das Mercadorias Vendidas RCM = Resultado com Mercadorias (Lucro Bruto) V = Receita de Vendas Com o advento da Revoluo Industrial e a proliferao de empresas industriais houve a necessidade de adaptao dos procedimentos de apurao do resultado das empresas comerciais (revendedoras) para as industriais, que adquiriam matrias-primas para transform-las em produtos destinados venda. Passou-se ento a utilizar o mesmo procedimento das empresas comerciais revendedoras, substituindo-se o item Compras por todos os gastos com os elementos componentes da produo (salrios, matriaprima, energia eltrica, combustveis etc.). Surge ento a Contabilidade de Custos, como uma das reas de especializao da Cincia Contbil. As empresas industriais, assim como as demais, tm por objetivo o lucro. Elas o obtm transformando matrias-primas em produtos e os vendendo. Este processo, denominado, processo industrial, exige aplicao de capital por parte da empresa em instalaes, equipamentos, mquinas, que so os meios de produo. Alm disso, h necessidade de gastos com matria-prima, pagamento de salrios e gastos gerais de

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Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagiafabricao, tais como gua, luz, telefone, segurana etc. Podemos afirmar ento que o objetivo principal da Contabilidade de Custos para uma empresa industrial a avaliao dos seus estoques, para que se possa proceder apurao do Custo dos Produtos Vendidos (CPV) e apurao do seu resultado. Conforme j comentado, a soluo encontrada foi ento adaptar o esquema da Contabilidade Comercial, da seguinte forma: CPV = EI + Gastos na Produo EF Onde: CPV = Custo dos Produtos Vendidos O resultado bruto ento obtido pela frmula: RB = V - CPV Onde: RB = Resultado Industrial Bruto (Lucro ou Prejuzo) 2 - INTEGRAO COM A CONTABILIDADE COMERCIAL Um sistema de custos integrado escriturao comercial traz inmeras vantagens para a empresa, tais como: a) o fornecimento do valor dos estoques de materiais e de produtos em elaborao e acabados, facilitando a elaborao das demonstraes; b) permite o controle permanente de estoque; c) permite a utilizao do preo mdio, recomendvel para economias estveis. A nica desvantagem da utilizao de um sistema de custos integrado Contabilidade seria o valor despendido para sua manuteno, em geral elevado. Uma empresa industrial que no possua um sistema de custos integrado a sua escriturao comercial poder vir a enfrentar uma srie de problemas, como a impossibilidade de utilizao de mtodos eficiente de controle de estoque, tais como PEPS e UEPS, o que pode gerar distores na determinao no seu valor, gerando imposto maior a pagar. 3 - TERMINOLOGIA CONTBIL Vamos definir aqui alguns termos que normalmente geram confuso na cabea dos alunos. Gasto o conceito mais genrico. o sacrifcio com que arca a entidade, com a finalidade de obteno de um bem ou servio, representado pela entrega ou promessa de entrega de bens ou direitos, ou seja, parte do seu ativo (normalmente dinheiro). Somente existe gasto no ato da passagem para a propriedade da empresa do bem ou

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Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagiaservio, devendo ser reconhecido contabilmente neste momento. Ex: gastos com mode-obra, com mercadorias para revenda, com energia eltrica, com reorganizao da empresa, com bens de uso, com a aquisio de mquinas e equipamentos. Os gastos podem ser classificados em: - investimentos; - custos; - despesas; - perdas. Investimento - um gasto com bem ou servio que transformado em ativo devido vida til do bem ou dos benefcios atribuveis a perodos futuros (ativo diferido). Ex: Aquisio mquinas para o setor de produo, que se transformar em custo por meio da depreciao. H ainda a compra de mveis e utenslios, de imveis, de equipamentos, de marcas e patentes, de matria-prima, despesas pr-operacionais. Outro exemplo de investimento seria o gasto com a contratao de seguro com vigncia para mais de um perodo de apurao de custo (despesa antecipada). Resumindo, os investimentos so os gastos que vo para o ativo da empresa num primeiro instante, para somente depois serem apropriados no resultado. Custo - o gasto relativo a bens ou servios utilizados na produo de outros bens ou servios, ou seja, so todos os gastos relativos atividade produtiva da empresa. o gasto efetuado no setor de produo (espao fsico) ou com terceiros que manuseiem o produto. O custo equivale ao consumo de bens ou de servios vinculados produo. O custo primeiramente ativado (conta estoques), sendo transferido para o resultado do perodo somente quando da venda do produto acabado. Numa empresa comercial, o nico custo existente o Custo das Mercadorias Vendidas (CMV). So exemplos de custos: Salrios do pessoal da produo; salrios dos supervisores de fbrica; matria-prima consumida; combustveis utilizados nas mquinas; aluguis, seguros e tributos relativos ao prdio da fbrica; depreciao dos equipamentos utilizados na produo. OBS: A matria-prima adquirida pela indstria, enquanto no utilizada pela produo, considerada estoque (ativo circulante). A partir do momento em que for requisitada pela produo, passa a ser custo. Despesa - o gasto com bens e servios no utilizados nas atividades produtivas, consumidos com a finalidade de obteno de receitas, sendo que estes gastos no esto vinculados produo. Nem sempre fcil a distino entre custos e despesas. Uma regra simples que todos os gastos realizados com o produto dentro da fbrica, ou seja, at que este fique pronto, so custos; a partir da, tornam-se despesas. As despesas, ao contrrio dos custos, so lanadas diretamente nas contas de resultado. Desta forma os gastos com embalagens realizados durante o processo produtivo so considerados custos. J o acondicionamento do produto posteriormente produo, considerado despesa. So tambm exemplos de despesas: salrios do pessoal de vendas, escritrio e administrao; energia eltrica consumida, aluguis e seguros no prdio da administrao; gasto com combustveis e refeies do pessoal de vendas etc. OBSERVAES:

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Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia1) Algumas despesas, que so administrativas por natureza, tais como despesas com honorrios, gastos com viagens de diretores, podem ter afetado a produo, no caso de algum elemento da administrao ter se dedicado em parte ou totalmente ao setor industrial. Neste caso, o mais indicado seria proceder ao respectivo rateio para se identificar qual o montante do gasto que deve ser contabilizado como custo e quanto deve ser apropriado como despesa. 2) Todos os custos que estiverem incorporados nos produtos acabados sero reconhecidos como despesas e apropriados em contas de resultado no momento em que tais produtos forem vendidos. Passaro a compor a conta Custo dos Produtos Vendidos. 3) A matria-prima industrial, que no momento da sua aquisio representava um investimento (estoques), passa a ser considerada custo no momento de sua utilizao na produo, e torna-se despesa quando o produto fabricado vendido. Caso o produto acabado permanea em estoque ento a matria-prima incorporada voltar a ser considerada investimento. 4) Os encargos financeiros (juros, variao monetria) incorridos pela empresa, mesmo aqueles decorrentes da aquisio de insumos para a produo, so sempre considerados despesas financeiras, nunca como custos. Perda o consumo anormal de bens ou servios. um gasto no intencional decorrente de fatores externos ou inerentes prpria atividade operacional da empresa. As perdas decorrentes de fatores externos so consideradas despesas; as ocorridas durante o processo produtivo so consideradas custos. Ex: Perda de matria-prima, incndio, greves etc. Os gastos normalmente implicam desembolso. Este, por sua vez, pode ocorrer juntamente com o gasto, antecipadamente, ou ainda ser postergado para pagamento futuro. Desembolso - o ato financeiro do pagamento do bem ou servio adquirido, para liquidao de uma obrigao ou aquisio vista. Reparem que ele pode ocorrer antes, no mesmo instante, ou aps a aquisio. Sendo assim, nas compras vista o desembolso se d no mesmo instante da aquisio. No caso de compras a prazo, o desembolso ocorre aps a aquisio. Nos casos de adiantamentos, o desembolso ocorre antes da aquisio. Exerccios de Fixao 1) Nas assertivas abaixo, assinale Verdadeiro (V) ou Falso (F) 1. ( ) Todos os custos apropriados aos produtos passam a ser despesas no momento em que so vendidos. 2. ( ) A perda o gasto intencional decorrente de fatores internos ou externos produo. 3. ( ) O gasto sempre implica desembolso, seja um custo ou uma despesa. 4. ( ) A matria-prima adquirida pela empresa industrial transforma-se em custo somente no momento da sua requisio pela produo.

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Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia5. ( ) O sistema de custos no integrado escriturao comercial a forma mais eficiente de as empresas controlarem seus estoques. Resoluo: 1. (V) A apropriao ao resultado dos custos somente efetuada no momento da venda dos mesmos, e isso que diferencia o custo da despesa. 2. (F) Perda gasto no intencional, mas a segunda parte est correta, pois a mesma pode se dar por fatores internos ou externos ao sistema produtivo. 3. (F) O gasto pode implicar desembolso ou no, j que o desembolso pode ser antecipado, vista ou postecipado com relao efetivao do gasto. 4. (V) A matria-prima, assim como os demais insumos adquiridos pela indstria, enquanto no utilizados so considerados como investimento (ativo), passando a ter tratamento de custo no momento em que requisitada pela produo. 5. (F) Somente um sistema de custos integrado Contabilidade Comercial que permite o fornecimento rpido do valor dos estoques, o controle permanente do mesmo e a utilizao do mtodo do preo mdio. 4 - Custo de Produo do Perodo Devemos sempre atentar para o fato de que sob o aspecto contbil a despesa reduz de imediato o patrimnio lquido, enquanto o custo primeiramente ativado em uma conta de ativo circulante, para somente reduzir o patrimnio lquido no momento da venda do produto. CUSTO DE PRODUO DO PERODO (CPP): a totalidade de custos incorridos na produo durante determinado perodo de tempo. composto por trs elementos: materiais diretos, mo-de-obra direta e custos indiretos de fabricao. i) Materiais Diretos Consumidos (MD) referem-se a todo material que se integra ao produto acabado e que possa ser includo diretamente no clculo do custo do produto. o caso da madeira nos mveis ou do tecido nas camisas. Portanto, so considerados materiais diretos: - Matria-Prima; - Insumos Secundrios; - Material de Embalagem Mo-de-Obra Direta (MOD) o custo de qualquer trabalho executado no produto alterando a forma e natureza do material de que se compe. Inclui o gasto total (salrios + encargos) com a mo-de-obra aproprivel diretamente ao produto. Custo Indireto de Fabricao (CIF) ou Gastos Gerais de Fabricao ou Despesas Indiretas de Fabricao so os outros demais custos necessrios operao da fbrica, porm genricos demais para serem lanados diretamente aos produtos. o caso de:

ii)

iii)

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Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto MissagiaMateriais Indiretos; Mo-de-Obra indireta; Energia Eltrica; Seguro e Aluguel da Fbrica; Depreciao de Mquinas;

Assim, o custo de produo do perodo pode ser obtido pela frmula: CPP = MD + MOD + CIF CUSTO PRIMRIO (CP) o custo da matria-prima mais o custo da mo-de-obra direta CP = MD + MOD OBS: Alguns autores tambm chamam o custo primrio de custo direto, por somente possuir custos diretos. Porm, sabemos que, caso a empresa produza somente um tipo de produto, todos os seus custos sero diretos, e portanto no valeria a igualdade entre custo direto e custo primrio. CUSTO DE TRANSFORMAO (CT) representa o gasto para transformar a matriaprima utilizada no produto final CT = MOD + CIF Exerccios de Fixao 2) Dados os valores abaixo apurados pela Indstria de mveis Velssagia S.A., que produz vrios tipos de mveis, no ms de novembro de 20X5, calcule respectivamente o custo primrio, o custo de produo, e o custo de transformao. a - Energia Eltrica 15.000,00 b - Salrios dos supervisores 45.000,00 c - Madeira 300.000,00 d - Salrios dos operrios 150.000,00 e Lixas 2.000,00 f Depreciao de mquinas 20.000,00 Resoluo: Em primeiro lugar, relembremos as frmulas dos custos: MOD = Mo-de-Obra Direta MD = Materiais Diretos CIF = Custos Indiretos de Fabricao Custo Primrio (CP) = MD + MOD Custo de Transformao (CT) = MOD + CIF Custo de Produo do Perodo (CPP) = MD + MOD + CIF Assim, MD = (c) + (e) = 300.000,00 + 2.000,00 = 302.000,00

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Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto MissagiaMOD = (d) = 150.000,00 CIF = (a) + (b) + (f) = 15.000,00 + 45.000,00 + 20.000,00 = 80.000,00 CP = MD + MOD = 302.000,00 + 150.000,00 = 452.000,00 CT = MOD + CIF = 150.000,00 + 80.000,00 = 230.000,00 CPP = MD + MOD + CIF = 302.000,00 + 150.000,00 + 80.000,00 = 532.000,00

5 - PRODUO CONJUNTA Este tipo de produo caracteriza-se por um fluxo comum de produo at certo ponto, denominado ponto de ciso - e do qual resultam vrios produtos da por diante. CO-PRODUTOS OU PRODUTOS CONJUNTOS So obtidos atravs do mesmo processo produtivo (produo conjunta). O faturamento de todos eles considerado significativo para a empresa. Tambm so considerados produtos principais. Ex: Os diferentes cortes de carne, tais como filmignon, alcatra, contra-fil, maminha, costela etc. SUBPRODUTOS So resultantes do mesmo processo produtivo, porm com faturamento no significativo para a empresa, comparando com a receita dos produtos principais, embora sua venda seja considerada praticamente certa. Ex: cascos, chifres e ossos do boi. SUCATAS OU RESDUOS So as sobras do processo produtivo, devido natureza da matria-prima (metal, madeira, plsticos, fibras), resultante de quebras, estoque obsoleto, peas defeituosas etc. Em seu estado normal, no possuem mercado garantido. Sua venda considerada bastante incerta. 6SISTEMAS DE CUSTEIO

Na Contabilidade de Custos temos basicamente dois tipos de sistemas de custeio: o custeio varivel e o custeio por absoro. 6.1- CUSTEIO POR ABSORO o processo de apurao de custos, cujo objetivo ratear todos os custos incorridos em cada fase da produo, independentemente de serem eles fixos ou variveis. Um custo absorvido quando for atribudo a um produto ou unidade da produo, de maneira que o Custo dos Produtos Vendidos ou os Estoques Finais absorvero a totalidade dos custos do perodo. o mtodo de custeio aceito pela legislao do Imposto de Renda e est de acordo com os princpios de contabilidade. Na Demonstrao do Resultado do Exerccio teremos o seguinte esquema: VENDAS BRUTAS (-) DEDUES DE VENDAS

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Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto MissagiaVendas Canceladas Abatimentos e Desc. Incond. Concedidos Tributos sobre Vendas (=) VENDAS LQUIDAS (-) CUSTO DOS PRODUTOS VENDIDOS (*) (=) RESULTADO INDUSTRIAL (-) DESPESAS FIXAS E VARIVEIS (=) LUCRO OPERACIONAL LQUIDO (*) No Custeio por Absoro, o CPV contm a totalidade dos custos fixos e variveis. 6.2- CUSTEIO VARIVEL Tambm conhecido como Custeio Direto, consiste em considerar como Custo de Produo do Perodo somente os custos variveis incorridos. Os custos fixos, por sua vez, sero tratados como Despesas, sendo encerrados diretamente contra o resultado do perodo. Este mtodo no aceito pelo Imposto de Renda e contraria os princpios de contabilidade. Sendo assim, haver uma diferena em relao ao Custeio por Absoro na apresentao da Demonstrao do Resultado do Exerccio. No custeio direto surge o conceito de Margem de Contribuio, que a diferena entre as Vendas Lquidas e a soma do Custo dos Produtos Vendidos (que s contm custos variveis), com as Despesas Variveis (administrativas e de vendas). Deduzindo-se desta os Custos Fixos e as Despesas Fixas, obtm-se o Lucro Operacional Lquido. Vejam o esquema abaixo: VENDAS BRUTAS (-) DEDUES DE VENDAS Vendas Canceladas Abatimentos e Desc. Incond. Concedidos Tributos sobre Vendas (=) VENDAS LQUIDAS (-) CUSTO DOS PRODUTOS VENDIDOS (*) (-) DESPESAS VARIVEIS (=) MARGEM DE CONTRIBUIO (-) DESPESAS E CUSTOS FIXOS (=) LUCRO OPERACIONAL LQUIDO (*) No Custeio Direto, o CPV somente contm custos variveis. 6.3 - EXEMPLO COMPARATIVO ENTRE CUSTEIO VARIVEL E CUSTEIO POR ABSORO A empresa industrial FABRIKA TUTO LTDA produziu 10.000 unidades no perodo, totalmente acabadas. Sabendo que no havia estoques iniciais de produtos acabados e de produtos em elaborao, que a empresa vendeu 7.000 unidades a R$ 5,00 cada uma e tambm o seguinte:

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Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto MissagiaCustos Variveis (CV) Custos Fixos (CF) Despesas Variveis (DV) Despesas Fixas (DF) R$ 22.000,00 R$ 8.000,00 R$ 4.000,00 R$ 5.000,00

Elabore a DRE pelo custeio direto e pelo custeio por absoro: i) CUSTEIO POR ABSORO: Custo de Produo do Perodo (CPP): CPP = CF + CV = 22.000 + 8.000 = 30.000 Custo da Produo Acabada (CPA): Como no havia estoques iniciais e finais de produtos em elaborao, CPA = CPP = 30.000 Custo dos Produtos Vendidos (CPP): CPP = CF + CV = 22.000 + 8.000 = 30.000 Custo Unitrio = $30.000 / 10.000,00 = $3,00 CPV = 7.000 x $3,00 = $ 21.000,00 DRE VENDAS (-) CUSTO DOS PRODUTOS VENDIDOS (*) (=) RESULTADO INDUSTRIAL (-) DESPESAS FIXAS E VARIVEIS (=) LUCRO OPERACIONAL LQUIDO ii) CUSTEIO VARIVEL: CPP = $22.000,00 = CV Custo Unitrio = $22.000,00 / 10.000 = $2,20 CPV = 7.000 x $2,20 = $15.400,00 DRE VENDAS BRUTAS (-) CUSTO DOS PRODUTOS VENDIDOS (*) (-) DESPESAS VARIVEIS (=) MARGEM DE CONTRIBUIO (-) DESPESAS E CUSTOS FIXOS (=) LUCRO OPERACIONAL LQUIDO Vantagens e Desvantagens do Custeio Varivel 1) Impede que aumentos de produo que no correspondam a aumentos de vendas distoram o resultado (vantagem). Basta imaginar uma elevao na produo (de 10.000 para 16.000 unidades), mantendo-se a quantidade vendida, e ver que o

35.000,00 (21.000,00) 14.000,00 (9.000,00) 5.000,00

35.000,00 (15.400,00) (4.000,00) 15.600,00 (13.000,00) 2.600,00

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Professores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagialucro no custeio varivel permanece o mesmo. J no custeio por absoro o lucro iria aumentar, pois o custo unitrio seria reduzido. 2) Torna o critrio mais objetivo, escapando da subjetividade do rateio dos CIF (vantagem). Para saber qual o produto mais lucrativo ou se vale a pena incrementar a produo para vender a outro cliente, bastaria se verificar a margem de contribuio. Por isto mais til para a tomada de decises na empresa. 3) Nem sempre possvel separar objetivamente a parcela fixa da varivel (desvantagem). 4) O custeio varivel no aceito pela auditoria externa das empresas de capital aberto e nem pela legislao do IR (desvantagem), visto que no obedece ao Princpio da Competncia. Este princpio estabelece que os custos associados aos produtos s podem ser reconhecidos no resultado medida que estes so vendidos. Isto porque somente quando reconhecida a receita (na venda) que devem ser deduzidos todos os sacrifcios necessrios sua obteno (Custos e Despesas). Como o Custeio Varivel admite que todos os custos fixos sejam deduzidos do resultado, mesmo que nem todos os produtos tenham sido vendidos, ele violaria tais princpios. Bom pessoal, tendo em vista que o assunto custos no est explicito no programa, entendemos que isto ser suficiente caso alguma coisa seja cobrado na prova.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 10 EXERCCIOS RESOLVIDOSProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia Caros alunos, estamos chegando ao final de nosso curso de Contabilidade Tpicos Avanados que, em funo da publicao do edital para AFRF, foi modificado um pouco em relao a sua estrutura inicialmente planejada, tendo em vista, principalmente, o item 15 do programa. Nesta aula de hoje apresentamos 28 questes resolvidas de Contabilidade Geral dos concursos mais recentes. Estas questes representam uma pequena amostra do que ser o livro Contabilidade - Questes Resolvidas dos Professores Francisco Velter e Luiz Roberto Missagia.

1.

(CESPE/TCU/1995)

Julgue os itens a seguir:(1) A existncia de duas entidades sob controle comum, ainda que consolidem suas demonstraes contbeis, no afeta o princpio da entidade, mantendo-se as respectivas autonomias patrimoniais. (2) O princpio da continuidade aplica-se tanto cessao integral quanto parcial das atividades de uma entidade, bem como em relao ao grau de utilizao de suas instalaes, com reflexos no nvel de produo. Resoluo: 1) (Correta) A existncia de filiais, ou de empresas controladas pela mesma empresa, no afeta o princpio da entidade, pois cada uma mantm contabilidade em separado, visto que mantm autonomia de seus patrimnios. Dessa forma, nem mesmo as demonstraes consolidadas ferem o princpio da entidade, j que no estabelecem novo patrimnio, apenas apresentam o resultado e patrimnio consolidado do grupo econmico; 2) (Correta) O princpio da continuidade estabelece que os eventos que podem geram efeitos relevantes na atividade empresarial devem ser reconhecidos pelas entidades, o que o caso da cessao integral ou parcial das operaes, assim como o grau de utilizao das instalaes. Esse reconhecimento deve ser efetuado, quando for por diminuio das atividades, por meio da constituio da reserva para contingncias a fim de evitar a distribuio de dividendos. 2. (ESAF/AFRF/2002-1)

Abaixo esto cinco assertivas relacionadas com os Princpios Fundamentais de Contabilidade. Assinale a opo que expressa uma afirmao verdadeira.a) b) c) d) e) A observncia dos Princpios Fundamentais de Contabilidade obrigatria no exerccio da profisso, mas no constitui condio de legitimidade das Normas Brasileiras de Contabilidade. O Princpio da Entidade reconhece o Patrimnio como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, exceto no caso de sociedade ou instituio, cujo patrimnio pode confundir-se com o dos scios ou proprietrios. Da observncia do Princpio da Oportunidade resulta que o registro deve ensejar o reconhecimento universal das variaes ocorridas no patrimnio da Entidade, em um perodo de tempo determinado. A apropriao antecipada das provveis perdas futuras, antes conhecida como Conveno do Conservadorismo, hoje determinada pelo Princpio da Competncia. A observncia do Princpio da Continuidade no influencia a aplicao do Princpio da Competncia, pois o valor econmico dos ativos e dos passivos j contabilizados no se altera em funo do tempo.

Resoluo:

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 10 EXERCCIOS RESOLVIDOSProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia A questo se refere aos Princpios Fundamentais de Contabilidade veiculados pela Resoluo n 750, de 29 de dezembro de 1993, do Conselho Federal de Contabilidade CFC. No 1 do art. 1 da referida resoluo encontramos a seguinte redao: 1 A observncia dos Princpios Fundamentais de Contabilidade obrigatria no exerccio da profisso e constitui condio de legitimidade das Normas Brasileiras de Contabilidade. Percebe-se que a alternativa a est incorreta, pois afirma: ... , mas no constitui condio .... No caput do art. 4 encontramos a resposta alternativa b Art. 4 O Princpio da ENTIDADE reconhece o Patrimnio como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciao de um Patrimnio particular no universo dos patrimnios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituio de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Por conseqncia, nesta acepo, o patrimnio no se confunde com aqueles dos seus scios ou proprietrios, no caso de sociedade ou instituio. Da anlise do dispositivo conclumos que essa alternativa est, igualmente, incorreta, pois imperiosa a diferenciao dos patrimnios. O Princpio da Oportunidade est inscrito no art. 6, pargrafo nico, inciso III, da citada resoluo, que dispe: Art. 6 O Princpio da OPORTUNIDADE refere-se, simultaneamente, tempestividade e integridade do registro do patrimnio e das suas mutaes, determinando que este seja feito de imediato e com a extenso correta, independentemente das causas que as originaram. Pargrafo nico. Como resultado da observncia do Princpio da OPORTUNIDADE: I - desde que tecnicamente estimvel, o registro das variaes patrimoniais deve ser feito mesmo na hiptese de somente existir razovel certeza de sua ocorrncia; II - o registro compreende os elementos quantitativos e qualitativos, contemplando os aspectos fsicos e monetrios; III - o registro deve ensejar o reconhecimento universal das variaes ocorridas no patrimnio da ENTIDADE, em um perodo de tempo determinado, base necessria para gerar informaes teis ao processo decisrio da gesto. Comparando o contedo desse inciso III com o contedo da alternativa c, verifica-se que a alternativa representa a transcrio literal do dispositivo. Portanto esta a alternativa correta. O enunciado da alternativa d diz respeito ao princpio da prudncia e no ao da competncia. Portanto esta alternativa esta incorreta. O princpio da competncia, ao qual atribumos o cognome de princpio das receitas e despesas, nos diz quando (em qual perodo) devemos reconhecer as receitas e considerar incorridas as despesas. O princpio da prudncia, que chamamos de princpio das provises, nos determina que, em duas hipteses igualmente vlidas, utilizemos aquela da qual resulte menos Patrimnio Lquido e se aplica a fatos que j estejam escriturados na entidade. A implementao do Princpio efetuada por meio de provises ativas e passivas. No 2, do art. 5 da mesma norma contabilista, encontramos o seguinte dizer: 2 A observncia do Princpio da CONTINUIDADE indispensvel correta aplicao do Princpio da COMPETNCIA, por efeito de se relacionar diretamente quantificao dos componentes patrimoniais e

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 10 EXERCCIOS RESOLVIDOSProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia formao do resultado, e de constituir dado importante para aferir a capacidade futura de gerao de resultado. Denotamos que este princpio indispensvel correta aplicao do princpio da competncia. Portanto, influncia a aplicao do princpio da competncia e a alternativa e est errada. Resposta: Letra C 3. (ESAF/AFRF/2003)

Quando o Contador registra, no fim do exerccio, uma variao cambial para atualizar a dvida em moeda estrangeira; quando faz proviso para crdito de liquidao duvidosa; ou quando faz um lanamento de ajuste do estoque ao preo de mercado est apenas:a) cumprindo a sua obrigao profissional. b) executando o regime contbil de competncia. c) cumprindo o princpio fundamental da prudncia. d) satisfazendo o princpio fundamental da entidade. e) seguindo a conveno do conservadorismo. Resoluo: A proviso para crdito de liquidao duvidosa (ou proviso para devedores duvidosos PDD) e a proviso para ajuste ao valor de mercado so PROVISES ATIVAS. Visam cobrir a perda de ativos, contabilmente. No so reservas, mas sim lanamentos contbeis para ajustar o valor dos ativos da empresa situao real. A PDD no mais dedutvel da base de clculo do IR. Seu valor calculado pela empresa com base em estimativas sobre crditos relativos a vendas a prazo que possivelmente no sero pagos no exerccio seguinte. Por esse motivo o ativo deve ser ajustado, j que o mesmo deve refletir, de forma bem prxima realidade, os valores circulantes com os quais a empresa poder contar para o prximo ano. O mesmo pode se afirmar com relao ao ajuste ao valor de mercado, aplicvel a ativos circulantes da empresa que no mais possuem o valor de venda com que foram registrados anteriormente. J a variao cambial para atualizar uma dvida um ajuste passivo, quando temos uma dvida em moeda estrangeira. Esse ajuste deve ser efetuado para acertar o valor do passivo da empresa, que em reais, mesmo que o pagamento no v ser efetuado naquele momento. No se trata exatamente de uma proviso passiva, mas sim um ajuste passivo ao princpio da competncia. Tanto a proviso ativa quanto a passiva geram lanamentos do tipo: Despesa com Proviso a Proviso para.... A conta de proviso ativa retificadora de ativo, enquanto a proviso passiva conta normal de passivo, ou seja, ambas so de natureza CREDORA. Por tudo o que foi comentado, vemos que as provises acima, assim com qualquer outra proviso, atendem basicamente aos princpios contbeis citados abaixo: a) Competncia: pois a despesa com a proviso deve ser lanada no perodo em que ocorrer a estimativa de perda (ou obrigao), e no quando a perda se consumar. O reconhecimento da estimativa de perda o fato gerador da obrigao ou da reduo do ativo;

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 10 EXERCCIOS RESOLVIDOSProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia b) Prudncia: na dvida entre elementos igualmente vlidos perante a legislao e os demais princpios contbeis, deve-se escolher aquele que representar o menor valor para o ativo e o maior valor para o passivo. Como as provises ativas so contas retificadoras de ativo reduzem o valor do mesmo quando contabilizadas. J as provises passivas, por serem contas normais de PASSIVO, aumentam o valor do mesmo quando contabilizadas. Ateno: As Convenes Contbeis so como restries aos princpios. A conveno do conservadorismo (letra E), por sua vez, basicamente repete o enunciado do Princpio da Prudncia. c) Oportunidade: no momento de ocorrncia de um fato contbil deve-se lan-lo imediatamente, mesmo que se tenha somente razovel certeza de sua ocorrncia. Isso fundamental para o lanamento das provises. Reparem, estamos falando de estimativas. Por tudo o que foi explicado, ficam as seguintes concluses: 1) As provises obedecem aos princpios da Prudncia, Competncia e Oportunidade. 2) A variao cambial passiva um ajuste efetuado principalmente em funo dos princpios da competncia e da oportunidade. Prudncia poderia ser tambm aplicvel, pois o valor da taxa de cmbio vai variando at o momento do pagamento. Apesar de o lanamento no ser feito com base em estimativa, mas sim em uma taxa de cmbio acertada entre partes, como ainda no se deu o vencimento da dvida, considera-se que o valor da dvida (em reais), no conhecido em seu valor exato, por isso que se considera a aplicao do princpio da prudncia tambm. 3) Pelo explicado nas concluses 1 e 2, restaram as alternativas B, C e E. Achamos ruim a opo da ESAF pela letra C, j que Princpio da Prudncia (letra C) e Conveno do Conservadorismo (letra E) dizem basicamente a mesma coisa. Alm disso, em nossa modesta opinio, aplica-se certamente o princpio da competncia (letra B), que leva adoo do regime de competncia. Como constava a palavra apenas no enunciado, a questo deveria ter sido anulada, porm no foi.

Resposta: Letra C4. (ESAF/AFRF/2002-1)

A firma Comrcio Livre Ltda. apurou os seguintes valores, em 31.12.01: Depsito no banco R$ 150,00 Salrios do ms R$ 620,00 Comisses Ativas R$ 450,00 Ttulos a Receber R$ 900,00 Aluguis Passivos R$ 600,00 Produtos para Venda R$ 750,00 Equipamentos R$ 1.000,00 Servios Prestados a Prazo R$ 1.500,00 Capital Inicial R$ 2.650,00 Duplicatas a Pagar R$ 2.200,00 Lucros Anteriores R$ 120,00 Casa e Terrenos R$ 1.350,00 Receitas de Vendas R$ 1.000,00 Impostos Atrasados R$ 450,00 Ao elaborar Balancete de Verificao e o Balano Patrimonial com fulcro nas contas e saldos acima, a empresa encontrar:

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 10 EXERCCIOS RESOLVIDOSProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia a) Saldos devedores no valor de R$ 5.650,00. b) Ativo Circulante no valor de R$ 2.250,00. c) Passivo Circulante no valor de R$ 4.150,00. d) Ativo Permanente no valor de R$ 2.950,00. e) Patrimnio Lquido no valor de R$ 3.000,00. Resoluo: Patrimnio Lquido Salrios do ms Comisses Ativas Aluguis Passivos Capital Inicial Lucros Anteriores Receitas de Vendas (620,00) 450,00 (600,00) 2.650,00 120,00 1.000,00

1.1 TOTAL DO PL = $3.000,00 Saldos Devedores Depsito no banco 150,00 Salrios do ms 620,00 Ttulos a receber 900,00 Aluguis Passivos 600,00 Produtos para venda 750,00 Equipamentos 1.000,00 Servios prestados a prazo 1.500,00 Casa e Terrenos 1.350,00 TOTAL = 6.870,00 Ativo Circulante Depsito no banco 150,00 Ttulos a receber 900,00 Produtos para venda 750,00 Servios prestados a prazo 1.500,00 TOTAL = Passivo Circulante Duplicatas a Pagar Impostos Atrasados Total = ATIVO PERMANENTE Equipamentos Casa e Terrenos TOTAL = Resposta: Letra E 1.000,00 1.350,00 2.350,00 3.300,00 2.200,00 450,00 2.650,00

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 10 EXERCCIOS RESOLVIDOSProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia 5. (ESAF/AFRF/2002-1)

A empresa Carnes & Frutas S/A, em 30 de agosto de 2000, obteve um financiamento em cinco parcelas semestrais iguais de R$ 3.000,00 e repassou, por R$ 20.000,00, uma de suas mquinas, dividindo o crdito em 10 parcelas bimestrais. Todos os encargos foram embutidos nas respectivas parcelas e no se verificou nenhum atraso nas quitaes. Devedores e credores admitem compensar dbitos e crditos dessas operaes em 2002, mas s o faro poca prpria, cabendo empresa dar ou receber a quitao restante. Em decorrncia desses fatos, se observarmos o balano de fim de exerccio, elaborado com data de 31.12.00, certamente vamos encontrara) valores a receber a curto prazo R$ 16.000,00. b) valores a receber a longo prazo R$ 4.000,00. c) valores a pagar a curto prazo R$ 7.000,00. d) valores a pagar a longo prazo R$ 13.000,00. e) saldo a compensar a longo prazo R$ 2.000,00. Resoluo: As operaes foram realizadas em 30 de agosto de 2000, ento, pelo emprstimo, temos que os vencimentos sero: 28 fevereiro 2001 R$ 3.000,00 30 agosto 2001 R$ 3.000,00 28 fevereiro 2002 R$ 3.000,00 (Longo Prazo) 30 agosto 2002 R$ 3.000,00 (Longo Prazo) 28 fevereiro 2003 R$ 3.000,00 (Longo Prazo) Valores a receber pela alienao de suas mquinas: 30 de outubro 2000 R$ 2.000,00 30 de dezembro 2000 R$ 2.000,00 28 de fevereiro 2001 R$ 2.000,00 30 de abril 2001 R$ 2.000,00 30 de junho 2001 R$ 2.000,00 30 de agosto 2001 R$ 2.000,00 30 de outubro 2001 R$ 2.000,00 30 de dezembro 2001 R$ 2.000,00 28 de fevereiro 2002 R$ 2.000,00 (Longo Prazo) 30 de abril 2002 R$ 2.000,00 (Longo Prazo) Em 31 de 12 de 2000, os valores a receber a curto prazo foram de R$ 12.000,00 Na mesma data, os valores a receber a longo prazo foram de R$ 4.000,00. Essa a alternativa correta. Letra b. Os valores a pagar a curto prazo so de R$ 6.000,00 Os valores a pagar a longo prazo so de R$ 9.000,00 O saldo a compensar a longo prazo de R$ 5.000,00 Resposta: Letra B

6.

(ESAF/GEFAZ-MG/2005)

A Empresa Zinha Ltda. tem em sua carteira de ttulos as seguintes contas e respectivos saldos: Aluguis Pagos Alugueis Recebidos Clientes Descontos Ativos Descontos Passivos Despesas a Pagar R$ 201,00 R$ 202,00 R$ 203,00 R$ 204,00 R$ 205,00 R$ 206,00

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Duplicatas a Pagar Duplicatas a Receber Duplicatas Descontadas Duplicatas Protestadas Fornecedores Juros Recebidos Antecipadamente Juros Pagos Antecipadamente Receitas a Receber

R$ 207,00 R$ 208,00 R$ 209,00 R$ 210,00 R$ 211,00 R$ 212,00 R$ 213,00 R$ 214,00

A classificao contbil das contas acima evidencia: a) saldos Credores de R$ 1.665,00 b) saldos Devedores de R$ 1.454,00 c) saldos Devedores de R$ 1.245,00 d) saldos Credores de R$ 1.242,00 e) Ativo Circulante de R$ 1.048,00 Resoluo: Para resolver essa questo, apresentaremos uma tabelinha com todas as informaes teis para o candidato. Conta Aluguis Pagos Alugueis Recebidos Clientes Descontos Ativos Descontos Passivos Despesas a Pagar Duplicatas a Pagar Duplicatas a Receber Duplicatas Descontadas Duplicatas Protestadas Fornecedores Juros Recebidos Antecipadamente Juros Pagos Antecipadamente Receitas a Receber TOTAIS Resposta: Letra B Saldo Devedores R$ 201,00 R$ 203,00 Saldos Credores Classificao Ativo Circulante

Despesa R$ 202,00 Receita Ativo Circulante R$ 204,00 Receita Despesa R$ 206,00 Passivo R$ 207,00 Passivo R$ 203,00

R$ 205,00

R$ 208,00

R$ 210,00

R$ 213,00 R$ 214,00 R$ 1.454,00

Ativo Circulante R$ 209,00 Retificadora do Ativo Circulante Ativo Circulante R$ 211,00 Passivo R$ 212,00 Passivo ou REF Ativo Circulante Ativo Circulante R$ 1.451,00

R$ 208,00 (R$ 209,00) R$ 210,00

R$ 213,00 R$ 214,00 R$ 839,00

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Observaes: 1) A ESAF sempre tem considerado que a conta Duplicatas Protestadas se refere a duplicatas emitidas pela empresa (duplicatas a receber) que o cliente no pagou e a empresa colocou em protesto. Por isso fica no ativo circulante; 2) A terminao a pagar indica sempre uma conta de passivo; 3) A terminao a receber indica sempre uma conta de ativo; 4) Quando no for dito o prazo, considera-se sempre o curto prazo (ativo circulante ou passivo circulante); 5) A conta Juros Pagos Antecipadamente, caso se refira a emprstimos (passivo), poderia ser classificada como conta retificadora do passivo; 6) A conta Juros Recebidos Antecipadamente se classifica no passivo (receitas antecipadas ou receitas diferidas). Porm, quando referente a valores sobre os quais no caiba devoluo em nenhuma hiptese, seria classificada no grupo Resultado de Exerccios Futuros. Essas so dicas importantes para aqueles que participam de concursos elaborados pela ESAF!7. (ESAF/AFRF/2002-1)

A empresa Livre Comrcio Ltda. realizou as seguintes operaes ao longo do ms de setembro de 2001: I. venda a vista de mercadorias por R$ 300,00, com lucro de 20% sobre as vendas; II. pagamento de duplicatas de R$ 100,00, com juros de 15%; III. prestao de servios por R$ 400,00, recebendo, no ato, apenas 40%; e IV. pagamento de ttulos vencidos no valor de R$ 200,00, com desconto de 10%. Analisando as operaes acima listadas podemos afirmar que, em decorrncia delas, a) o ativo recebeu dbitos de R$ 460,00. b) o ativo aumentou em R$ 165,00. c) o patrimnio lquido aumentou em R$ 460,00. d) o passivo recebeu crditos de R$ 300,00. e) o passivo diminuiu em R$ 335,00. Resoluo: Analisaremos cada uma das operaes. I . venda a vista de mercadorias por R$ 300,00, com lucro de 20% sobre as vendas Vejam que o lucro 20% das vendas, portanto : 0,2 x 300 = 60 V = 300; 300 CMV = 0,2 x 300 CMV = 300 60 = 240 D CAIXA C VENDAS D CMV C MERCADORIAS 300 300 240 240

II pagamento de duplicatas de R$ 100,00, com juros de 15%; D DUPL. A PAGAR D DESP. JUROS C CAIXA 100 15 115

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III . prestao de servios por R$ 400,00, recebendo, no ato, apenas 40% D CAIXA D DUPL. A RECEBER C RECEITA DE SERVIOS 160 240 400

IV pagamento de ttulos vencidos no valor de R$ 200,00, com desconto de 10%. D TTULOS A PAGAR C DESCONTOS OBTIDOS C CAIXA Vejamos os razonetes: I III III Variao do Ativo 300 240 160 115 240 180 700 535 165 Variao do Passivo 100 200 300 I II IV 200 20 180

II IV

I II

Variao do PL 240 300 15 400 20 255 720 465

I III IV

Resposta: Letra B8. (ESAF/AFRF/2003)

A empresa Comrcio Industrial Ltda. comprou 250 latas de tinta ao custo unitrio de R$ 120,00, tributadas com IPI de 5% e ICMS de 12%. Pagou entrada de 20% e aceitou duas duplicatas mensais de igual valor. A tinta adquirida foi contabilizada conforme sua natureza contbil funcional, com a seguinte destinao: 50 latas para consumo interno; 100 latas para revender; e 100 latas para usar como matria-prima. Aps efetuar o competente lanamento contbil, correto afirmar que, com essa operao, os estoques da empresa sofreram aumento no valor de a) R$ 31.500,00 b) R$ 30.000,00 c) R$ 28.020,00 d) R$ 27.900,00 e) R$ 26.500,00 Resoluo:

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Esta questo versa sobre operaes com mercadorias. Para solucion-la devemos saber que o ICMS est sempre embutido no valor da compra. Alm disso, o ICMS ser recuperado no caso de as mercadorias serem destinadas para revenda e para estoque de matrias primas, no sendo recuperado no caso de as mercadorias serem destinadas para consumo prprio (a LC 87/96 c/ alteraes posteriores prev a recuperao do ICMS pago sobre mercadorias destinadas a consumo a partir de 2007). O IPI somente ser recuperado no caso de as mercadorias serem destinadas para estoque de matrias primas. O IPI no faz parte do valor da compra, devendo, por isso, ser adicionado por fora. Desta forma, o valor final de aquisio de cada unidade de 126,00 (120 + 5%). IPI por unidade = R$ 6,00 ICMS p/un. = R$ 14,40 (12% de 120,00) Temos, portanto, 3 situaes: 1) Consumo (No recupera nem IPI nem ICMS): Custo Unitrio = 126,00 50 latas para consumo interno x 126,00 = R$ 6.300,00 2) Revenda (Recupera ICMS, mas no IPI) Custo Unitrio = 126,00 R$ 14,40 = 111,60 100 latas para revender x 111,60 = R$ 11.160,00 3) Insumo (Recupera IPI e ICMS) Custo unitrio = 126,00 6,00 14,40 = R$ 105,60 100 latas para MP x 105,60 = R$ 10.560,00 Com isso, o estoque aumentar: Total = 6.300,00 + 11.160,00 + 10.560,00 = R$ 28.020,00. Logo a resposta correta a letra c.(ESAF/GEFAZ-MG/2005)

9.

O Armazm Central S/A tinha, em exposio, a mercadoria Alfa com movimentao ocorrida na seguinte ordem cronolgica: estoque inicial de 80 unidades avaliadas ao custo de R$ 8.000,00; uma compra de 80 unidades pelo preo total de R$ 9.600,00; e outra compra de 40 unidades pelo preo total de R$ 5.600,00. Para anlise do quesito foram colhidas as seguintes informaes: as compras foram isentas de tributao; as receitas de vendas foram tributadas apenas com ICMS de 20%; o estoque final foi de 100 unidades avaliadas pelo critrio do custo mdio; o lucro operacional bruto foi de R$6.600,00; as vendas ocorreram entre a primeira e segunda compra. Com os dados e informaes acima alinhados, podemos afirmar que o preo unitrio praticado nas vendas foi de a) R$ 176,00. b) R$ 211,20. c) R$ 218,40. d) R$ 220,00. e) R$ 227,50. Resoluo:INICIATIVA: PONTO DOS CONCURSOS 10

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O enunciado falou em custo mdio. Em princpio, no teramos como saber se se trata do mtodo da mdia fixa ou da mdia mvel. Porm, por uma questo de bom senso, como o enunciado trouxe a informao de que as vendas ocorreram entre a primeira e a segunda compra (fato que faz diferena no mtodo da mdia mvel, mas no na mdia fixa). Ademais, a ESAF tem adotado a postura de, quando cita o termo custo mdio, estar se referindo mdia mvel, e no mdia fixa. Ento vamos l: Primeiramente, vamos apurar a quantidade vendida. Para isso utilizaremos a frmula do CMV relativamente s quantidades. Vejamos: Estoque Inicial (EI) = 80 unidades Estoque Final (EF) = 100 unidades Compras (C) = 120 unidades Qtd vendida = EI + C EF Qtd vendida = 80 + 120 100 = 100 Isso quer dizer que foram vendidas 100 unidades. Agora vamos apurar o custo mdio. Como o mtodo foi o da mdia mvel, calcula-se o custo da venda somente com o estoque inicial e a primeira compra, j que a segunda compra ocorreu aps a venda. Assim: EI: 1a Compra: Total 80 x R$ 100,00 = R$ 8.000,00 80 x R$ 120,00 = R$ 9.600,00 160 R$ 17.600,00

Custo unitrio das vendas = R$ 17.600,00 / 160 = R$ 110,00 CMV = 100 unidades x R$ 110,00 = R$ 11.000,00 Considerando que o RCM foi de R$ 6.600,00, teremos: V = Vendas Brutas Vendas Lquidas (VL) = 0,8 x V (descontado o ICMS sobre vendas de 20%) RCM = VL CMV 6.600 = 0,8 V 11.000 0,8 x V = 22.000 Considerando que foram vendidas 100 unidades, o preo unitrio de venda foi de: PV = R$ 22.000,00 / 100 = R$ 220,00 Resposta: Letra D10. (ESAF/GEFAZ-MG/2005)A firma Nossa Mercearia Comercial elaborou a ficha de controle de estoques da mercadoria alfa, cuja tributao est sendo desconsiderada para fins deste exerccio, demonstrando os seguintes dados: 30/03 - estoque existente: 30 unidades a R$ 18,00 06/04 - compras a prazo: 100 unidades a R$ 20,00 07/04 - vendas a prazo: 60 unidades a R$ 30,00 08/04 - compras a vista: 100 unidades a R$ 25,00 09/04 - vendas a vista: 90 unidades a R$ 30,00 Em 10 de outubro, aps contabilizar os valores da ficha exemplificada, certamente vamos encontrar a) R$ 3.450,00 de CMV, se o critrio de avaliao for PEPS.

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 10 EXERCCIOS RESOLVIDOSProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagiab) R$ 3.040,00 de CMV, se o critrio de avaliao for UEPS. c) R$ 2.000,00 de estoque final, se o critrio de avaliao for UEPS. d) R$ 1.590,00 de estoque final, se o critrio de avaliao for PEPS. e) R$ 1.460,00 de Lucro Bruto, se o critrio de avaliao for PEPS.

Resoluo: uma questo tradicional sobre ficha de controle de estoque. Basicamente, temos que resolv-la pelos mtodos PEPS e UEPS para aferir a veracidade das alternativas. Ento, vejamos: Pelo mtodo UEPS (ltimo a entrar o primeiro a sair): Data Entradas Sadas QTD 30/03 06/04 07/04 08/04 09/04 100 25,00 2.500,00 90 25,00 2.250,00 100 VU 20,00 VT 2.000,00 60 20,00 1.200,00 QTD VU VT

Saldos QTD 30 30 100 30 40 30 40 100 30 40 10 EF VU 18,00 18,00 20,00 18,00 20,00 18,00 20,00 25,00 18,00 20,00 25,00 VT 540,00 540,00 2.000,00 540,00 800,00 540,00 800,00 2.500,00 540,00 800,00 250,00 1.590,00

CMV

3.450,00

Pelo mtodo PEPS (Primeiro a entrar o primeiro a sair): Data Entradas Sadas QTD 30/03 06/04 07/04 08/04 09/04 100 25,00 2.500,00 70 20 20,00 25,00 CMV 1.400,00 500,00 3.040,00 100 VU 20,00 VT 2.000,00 30 30 18,00 20,00 540,00 600,00 QTD VU VT

Saldos QTD 30 30 100 70 70 100 80 EF VU 18,00 18,00 20,00 20,00 20,00 25,00 25,00 VT 540,00 540,00 2.000,00 1.400,00 1.400,00 2.500,00 2.000,00 2.000,00

A receita de vendas foi de: V1 = 60 x R$ 30,00 = R$ 1.800,00 V2 = 90 x R$ 30,00 = R$ 2.700,00 V = R$ 1.800,00 + R$ 2.700,00 = R$ 4.500,00 Clculo do Lucro Bruto (RCM): Mtodo PEPS (CMV = R$ 3.040,00) RCM = V CMV RCM = 4500 3040 = R$ 1.460,00INICIATIVA: PONTO DOS CONCURSOS 12

Contabilidade Tpicos Avanados Aula 10 EXERCCIOS RESOLVIDOSProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia

Resposta: Letra E

11. (ESAF/SEFA-PA/2002)

Considere os seguintes dados, relativos nica mercadoria que a empresa revende. 31/01/02 Estoque de 300 unidades a R$ 4,00 cada uma. 10/02/02 Compra de 200 unidades por R$ 1.000,00 (valor de fatura). 15/02/02 Venda de 400 unidades. 20/02/02 Venda de 50 unidades. 25/02/02 Compra de 450 unidades por R$ 2.250,00 (valor de fatura). 28/02/02 Venda de 100 unidades. 01/03/02 Venda de 300 unidades. Considerando que - o Lucro Bruto sobre Vendas foi de R$ 680,00; - as compras e vendas esto sujeitas ao ICMS de 20%; - as despesas operacionais foram de R$ 180,00; - foi adotado o sistema de avaliao de estoques denominado de custo mdio ponderado; - a proviso para Imposto de Renda foi de R$150,00, podemos afirmar que, no Balano de 28.02.2002, a) a Receita Bruta de Vendas foi de R$ 5.100,00. b) o Custo de Mercadorias Vendidas foi de R$ 2.880,00. c) o Custo de Mercadorias Vendidas foi de R$ 3.400,00. d) a Receita Bruta de Vendas foi de R$ 3.600,00. e) o Custo de Mercadorias Vendidas foi igual ao Lucro Bruto sobre Venda, isto , de R$ 680,00. Resoluo: Clculo do valor lquido das compras: 10.02.02 Valor lquido = $ 1.000,00 x 0,8 = $ 800,00 (ICMS de 20%) 25.02.02 Valor lquido = $ 2.250,00 x 0,8 = $ 1.800,00 (ICMS de 20%)

Pela ficha de controle de estoques, teremos: Data Entradas QTD31/01/02 10/02/02 15/02/02 20/02/02 25/02/02 28/02/02

Sadas VU 4,00 VT 800,00 400 50 4,00 4,00 4,00 CMV 1.600,00 200,00 400,00 2.200,00 QTD VU VT

Saldos QTD 300 500 100 50 500 VU 4,00 4,00 4,00 4,00 4,00 EF VT 1.200,00 2.000,00 400,00 200,00 2.000,00 2.000,00

200

450

4,00

1.800,00 100

Clculo do CMV (somatrio da coluna de sadas) CMV = 1.600,00 + 200,00 + 400,00 = $ 2.200,00

INICIATIVA: PONTO DOS CONCURSOS

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Assim, conforme a DRE RB = Receita Bruta RL = Receita Lquida RL = RB x 0,8 RCM = [0,8 x RB] 2.200 = 680 RB = 2.880 / 0,8 = $3.600,00 Resposta: Letra D12. (ESAF/AFC/2003)

As mercadorias so itens de alta rotao, que sofrem movimentao constante. Por isso, demandam o uso de critrios matemticos para sua avaliao. Um desses critrios o custo mdio ponderado. Vejamos o exemplo abaixo: estoque inicial de 100 unidades ao custo unitrio de R$ 20,00 compras de 100 unidades ao custo unitrio de R$ 30,00 vendas de 140 unidades ao preo unitrio de R$ 35,00 compras de 50 unidades ao custo unitrio de R$ 40,00 Se o fluxo fsico ocorreu na ordem indicada, o critrio de avaliao a mdia ponderada mvel e no houve outras implicaes, podemos dizer que o estoque final ser de a) R$ 3.080,00 b) R$ 3.300,00 c) R$ 3.500,00 d) R$ 3.575,00 e) R$ 3.850,00 Resoluo: Basta elaborar a ficha de controle de estoque:Entradas QTD 100 50 VU 30,00 40,00 VT 3.000,00 140 2.000,00 25,00 3.500,00 Sadas QTD VU VT Saldos QTD 100 200 60 110 VU 20,00 25,00 25,00 31,82 VT 2.000,00 5.000,00 1.500,00 3.500,00

CMV

3.500,00

EF

3.500,00

Resposta: Letra C13. (ESAF/AFRF/2002-1)

A empresa Zucata S/A, que negocia com mquinas usadas, em 30 de abril, promoveu uma venda dos seguintes itens:INICIATIVA: PONTO DOS CONCURSOS 14

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um trator de seu estoque de vendas, vendido por R$ 35.000,00; um jeep de seu imobilizado, vendido por R$ 25.000,00; e um imvel de sua propriedade, vendido por R$ 70.000,00. A operao de venda no sofrer nenhum gravame fiscal, a no ser de imposto de renda sobre eventuais lucros ao fim do ano e que sero calculados naquela ocasio. Os dados para custeamento da transao foram os seguintes: - o trator foi adquirido por R$ 28.000,00, tem vida til de 10 anos e j estava na empresa h dois anos e meio; - o jeep foi adquirido por R$ 20.000,00, tem vida til de 8 anos e j estava na empresa h dois anos; - o imvel foi adquirido por R$ 80.000,00, tem uma edificao equivalente a 40% do seu valor, com vida til estimada em 25 anos e j estava na empresa h dez anos. Considerando essas informaes, podemos afirmar que, na operao de venda, a Zucata alcanou um lucro global de a) R$ 26.200,00 b) R$ 26.000,00 c) R$ 21.000,00 d) R$ 19.800,00 e) R$ 14.000,00 Resoluo: O valor global das vendas alcanou R$ 130.000,00 Trator: No deprecia, pois bem de venda, do ativo circulante. Custo = $28.000,00 O custo jeep de R$ 20.000,00 menos a depreciao acumulada. Se a vida til do jeep de 8 anos, e ele est a dois anos na empresa, ento ele ter depreciao de 2/8 x $20.000,00 = $5.000,00 Assim, o valor contbil do jeep de R$ 15.000,00. O custo do imvel foi de R$ 80.000,00, sendo 40% desse valor relativo a edificao e 60% relativo ao terreno. A vida til da edificao de 25 anos e seu uso j de dez anos. Sabemos que os terrenos no sofrem depreciao, ento devemos separar os valores atinentes a esse imvel, da seguinte forma: 40% de R$ 80.000,00 = R$ 32.000,00 (valor da edificao) 60% de R$ 80.000,00 = R$ 48.000,00 (valor do terreno) Assim, o valor de R$ 32.000,00 susceptvel a depreciao em 25 anos. R$ 32.000 / 25 anos = R$ 1.280,00 / ano. R$ 1.280,00 x 10 anos = 12.800,00 (valor da depreciao acumulada). Desta forma, o valor contbil do imvel de R$ 67.200,00. Podemos, agora, apurar o valor do lucro global: Receita total R$ 130.000,00 ( - ) Custo trator R$ 28.000,00 ( - ) Custo jeep R$ 15.000,00 ( - ) Custo imvel R$ 67.200,00 Lucro Global R$ 19.800,00 A resposta correta a da letra d.

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Em 01.10.01 foram descontadas duplicatas em banco. Uma duplicata no valor de R$ 10.000,00, com vencimento para 10.11.01, no foi liquidada e o banco transferiu para cobrana simples, no dia do vencimento. Em 01.12.01, aps conseguir um abatimento de 30% no valor da duplicata, o cliente liquidou a dvida junto ao banco, pagando, ainda, juros de R$ 70,00. O registro contbil da operao realizada no dia 01.12.01 foi assim feito pelo emitente da duplicata: a) Diversos a Diversos Abatimentos Concedidos Bancos c/ Movimento a Duplicatas a Receber a Juros Ativos b) Diversos a Diversos Duplicatas Descontadas Juros Ativos a Bancos c/Movimento a Abatimentos Concedidos c) Diversos a Diversos Abatimentos Auferidos Bancos c/ Movimento a Duplicatas Descontadas a Juros Ativos d) Duplicatas Descontadas a Diversos a Bancos c/Movimento a Abatimentos Auferidos e) Diversos a Diversos Duplicatas a Receber Juros Ativos a Bancos c/Movimento a Abatimentos Obtidos Resoluo: O detalhe da questo que se trata de COBRANA SIMPLES, no de DESCONTO DE DUPLICATAS, portanto no h que se falar em transferncia do ttulo para cobrana pelo banco. Trata-se apenas de uma prestao de servios, que, certamente, foi cobrada pelo banco do cliente. Quando h COBRANA SIMPLES, no h o desconto de duplicatas, pois o banco no adianta dinheiro para a empresa no instante em que esta lhe apresenta o ttulo para cobrana. Porm, o lanamento de pagamento com juros reflete em receita financeira para a empresa, uma vez que se trata de cobrana simples. O abatimento concedido pela mesma, por sua vez, representa uma despesa para a empresa.

3.000,00 7.070,00 10.070,00 10.000,00 70,00 10.070,00

10.000,00 70,00 10.070,00 7.070,00 3.000,00 10.070,00

3.000,00 7.070,00 10.070,00 10.000,00 70,00 10.070,00 10.000,00 10.000,00 7.000,00 3.000,00 10.000,00

10.000,00 70,00 10.070,00 7.070,00 3.000,00 10.070,00

INICIATIVA: PONTO DOS CONCURSOS

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O valor que entrar na conta-corrente da empresa o valor do ttulo (R$ 10.000,00), deduzido do abatimento concedido (R$ 3.000,00), somado ao valor dos juros recebidos (R$ 70,00), totalizando R$ 7.070,00. Assim, o lanamento ficar: D Abatimentos Concedidos 3.000,00 D Bancos C/Movimento 7.070,00 C Duplicatas a Receber 10.000,00 C Juros Ativos 70,00 Resposta: Letra A15. Resposta: Letra A (ESAF/AFRF/2003)

Na microempresa do meu Tio, no ms de outubro, os salrios somados s horas-extras montaram a R$ 20.000,00. Os encargos de Previdncia Social foram calculados em 11%, a parte do segurado, e em 22%, a parcela patronal. Ao contabilizar a folha de pagamento, o Contador dever fazer o seguinte registro: a) Salrios e Ordenados a Salrios a Pagar 20.000,00 Previdncia Social a Previdncia Social a Recolher 6.600,00 b) Salrios e Ordenados a Salrios a Pagar 17.800,00 Previdncia Social a Previdncia Social a Recolher 6.600,00 c) Salrios e Ordenados a Salrios a Pagar 17.800,00 Previdncia Social a Previdncia Social a Recolher 4.400,00 d) Salrios e Ordenados a Salrios a Pagar 17.800,00 Salrios a Pagar a Previdncia Social a Recolher 2.200,00 Previdncia Social a Previdncia Social a Recolher 4.400,00 e) Salrios e Ordenados a Salrios a Pagar 20.000,00 Salrios a Pagar a Previdncia Social a Recolher 2.200,00 Previdncia Social a Previdncia Social a Recolher 4.400,00 Resoluo: Nas questes que pedem o lanamento, devemos mont-lo por partes, de acordo com cada item, e depois verificar as alternativas. O valor da despesa com salrios de R$ 20.000,00, o que gera uma obrigao para a empresa de pagar os salrios do ms. Assim, a empresa deve lanar: D Despesas de Salrios C Salrios a Pagar R$ 20.000,00 R$ 20.000,00

J a parcela do INSS do empregado no despesa para a empresa, pois descontada do prprio salrio do funcionrio. Ento, para a empresa no h efeito no resultado. Trata-se de um fato permutativo. Porm, como ela quem tem a obrigao legal de recolher a contribuio aos cofres pblicos, o lanamento a ser feito uma transferncia da obrigao de pagar o salrio para a obrigao de pagar o INSS do empregado.INICIATIVA: PONTO DOS CONCURSOS 17

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O valor de 11% x R$ 20.000,00 = R$ 2.200,00 O lanamento ser: D Salrios a Pagar C Previdncia Social a Recolher R$ 2.200,00 R$ 2.200,00

J o INSS da empresa representa DESPESA para a mesma, pois ela no desconta do salrio do funcionrio. Por esse motivo, deve reconhecer como tal. O valor de: 22% x R$ 20.000,00 = R$ 4.400,00 O lanamento ser: D Previdncia Social C Previdncia Social a Recolher R$ 4.400,00 R$ 4.400,00

16. (ESAF/AFRF/2003) Ao examinarmos a carteira de cobrana da empresa Gaveteiro S/A., encontramos diversas duplicatas a receber, algumas ainda a vencer, no valor de R$ 120.000,00; outras j vencidas, no valor de R$ 112.000,00; mais algumas em fase de cobrana, j protestadas, no valor de R$ 111.000,00 e outras descontadas em Bancos, no valor de R$ 98.000,00. Tambm havia uma Proviso para Crditos Incobrveis com saldo credor de R$ 4.000,00. Pelo conhecimento que temos da empresa e de sua carteira de cobrana, sabemos que a experincia de perda com esses crditos tem sido de cerca de 4%, sendo correto um provisionamento deste porte. Feitas as provises e contabilizadas corretamente, com base em 4% dos devedores duvidosos, correto dizer que a Demonstrao do Resultado do Exerccio conter como despesa dessa natureza o valor de a) R$ 9.720,00 b) R$ 9.640,00 c) R$ 8.760,00 d) R$ 5.800,00 e) R$ 5.280,00

Resoluo: Vamos apurar o total das duplicatas a receber da empresa: A Vencer R$ 120.000,00 Vencidas R$ 112.000,00 Em cobrana R$ 111.000,00 Total R$ 343.000,00 As duplicatas que foram descontadas pela empresa fazem parte desse total de R$ 343.000,00. Sendo assim, constituiremos a proviso para devedores duvidosos com base nesse total. Valor da proviso a ser constituda = 4% x R$ 343.000,00 = R$ 13.720,00 (-) saldo anterior da proviso (R$ 4.000,00) (=) valor a ser lanado como despesa R$ 9.720,00 Resposta: Letra A

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17. (ESAF/ GEFAZ-MG/2005) O balancete de verificao da Cia. Beta, em 31/12/X4, era composto pelos saldos das seguintes contas: Caixa Mquinas e Equipamentos Vendas de Mercadorias Mercadorias Receitas Diversas Compras de Mercadorias Clientes Fornecedores Salrios e Ordenados Despesas de aluguel Lanches e Refeies Capital Social Conduo e Transporte Lucros Acumulados Despesas de Juros R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ 15.000,00 60.000,00 70.000,00 20.000,00 4.000,00 50.000,00 40.000,00 30.000,00 11.000,00 13.000,00 2.000,00 100.000,00 3.000,00 14.000,00 4.000,00

Observaes: 1. O estoque final de mercadorias foi avaliado em R$ 15.000,00. 2. O salrio de dezembro de X4, no valor de R$ 1.000,00, ser pago somente em janeiro de X5. 3. Dos aluguis pagos em X4, R$ 2.000,00 referem-se a despesas de janeiro de X5. 4. No h implicaes de ordem fiscal ou tributria. Ao elaborar as demonstraes financeiras do exerccio findo em 31/12/X4, depois de feitos os ajustes necessrios observncia do princpio contbil da Competncia, vamos encontrar, no Balano Patrimonial, o grupo Patrimnio Lquido no valor de a) R$ 99.000,00 b) R$ 100.000,00 c) R$ 101.000,00 d) R$ 102.000,00 e) R$ 114.000,00 Resoluo: A questo pede o valor do patrimnio lquido. No balancete apresentado h contas patrimoniais e de resultado. Sendo assim, devemos inicialmente obter o resultado, por meio da DRE, para em seguida compor o total do PL. As observaes so fundamentais para a resoluo da questo. Vejamos: 1. o estoque final de R$ 15.000,00 servir para a obteno do CMV; 2. o salrio de dezembro de X4, no valor de R$ 1.000,00, que somente ser pago em janeiro de X5, deve ser escriturado como despesa de X4. Portanto, o valor de R$ 1.000,00 deve ser somado aos salrios de X4. Assim: Despesas de salrios = 11.000,00 + 1.000,00 = R$ 12.000,00 3. dos aluguis pagos em X4, se R$ 2.000,00 do total de R$ 13.000,00 do enunciado se referem a despesas de janeiro de X5, ento esse valor deve ser expurgado do exerccio de X4 (regime de competncia). Assim: Despesas de aluguel = 13.000,00 2.000,00 = R$ 11.000,00

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 10 EXERCCIOS RESOLVIDOSProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia O CMV obtido pela frmula: CMV = EI + Compras EF CMV = 20.000,00 + 50.000,00 15.000,00 = 55.000,00 Podemos obter o resultado pelo razonete abaixo:Resultado do Exerccio Despesas Receitas 55.000,00 70.000,00 4.000,00 12.000,00 11.000,00 2.000,00 3.000,00 4.000,00 87.000,00 74.000,00 13.000,00

CMV Vendas de Mercadorias Receitas Diversas Salrios e Ordenados (2) Despesas de aluguel (3) Lanches e Refeies Conduo e Transporte Despesas de Juros Resultado

O Patrimnio Lquido ficarPrejuzo do Exerccio Capital Social Lucros Acumulados Total do PL Patrimnio Lquido 13.000,00 100.000,00 14.000,00 13.000,00 114.000,00 101.000,00

Resposta: Letra C18. (ESAF/ GEFAZ-MG/2005)

Uma empresa comercial possua, em 31/12/200x, os seguintes saldos: Caixa Fornecedores Mercadorias Duplicatas a Receber Contas a Pagar Capital Social Lucros Acumulados R$ 60.000,00 R$ 45.000,00 R$ 70.000,00 R$ 8.000,00 R$ 3.000,00 R$ 80.000,00 R$ 10.000,00

Aps realizar uma venda a prazo de 50% de seu estoque, com lucro de 30% sobre as vendas, a empresa apresentar saldo de a) Caixa R$ 110.000,00 b) Fornecedores R$ 95.000,00 c) Duplicatas a Receber R$ 58.000,00 d) Mercadorias R$ 45.500,00 e) Lucros Acumulados R$ 20.500,00 Resoluo: Quando se fala que o lucro obtido foi de 30% sobre as vendas, basta montarmos uma equao onde o lucro bruto (RCM) seja igual a 30% das vendas brutas. A venda correspondeu a 50% do estoque. Conforme os dados do enunciado, o estoque era de R$ 70.000,00. Sendo assim, o custo das mercadorias vendidas corresponde a R$ 35.000,00. Assim:

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RCM = V CMV Se RCM = 0,3 x V CMV = 35.000,00 0,3 x V = V CMV 0,7 x V = 35.000 V = 50.000,00 Como a venda foi a prazo, o lanamento ser: D Duplicatas a Receber C Vendas D CMV C Mercadorias Vamos s alternativas: (ERRADA) A conta Caixa no foi movimentada, portanto permanece com o saldo de R$ 60.000,00; (ERRADA) A conta Fornecedores no foi movimentada, portanto permanece com o saldo de R$ 45.000,00; (CORRETA) A conta Duplicatas a Receber possua saldo anterior (devedor) de R$ 8.000,00. Com o dbito de R$ 50.000,00 passar a ter saldo de R$ 58.000,00; (ERRADA) A conta Mercadorias possua saldo anterior de R$ 70.000,00 (devedor). Com o crdito relativo baixa do estoque de R$ 35.000,00, passar a ter saldo de R$ 35.000,00 devedor. (ERRADA) Se fosse o caso de incorporarmos o lucro da venda conta Lucros Acumulados, esta ficaria com saldo de R$ 25.000,00, pois possua saldo anterior de R$ 10.000,00 (credor), e a venda propiciou um lucro de R$ 15.000,00. Resposta: Letra C19.(ESAF/AFRF/2003) As contas que computam os eventos de estoque, compras e vendas, tiveram o seguinte comportamento em setembro: Vendas Compras ICMS sobre vendas ICMS sobre compras ICMS a Recolher Fretes sobre Compras Fretes sobre Vendas Estoque Inicial Estoque Final R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ 100.000,00 60.000,00 12.000,00 7.200,00 4.800,00 5.000,00 7.000,00 30.000,00 40.000,00

ento:

R$ 50.000,00 R$ 50.000,00 R$ 35.000,00 R$ 35.000,00

Com base nos valores dados no exemplo, o lucro bruto alcanou o valor de a) R$ 45.200,00 b) R$ 47.400,00 c) R$ 52.400,00 d) R$ 40.200,00 e) R$ 33.200,00Resoluo:

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 10 EXERCCIOS RESOLVIDOSProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto MissagiaDevemos, antes de mais nada, apurar o CMV. CMV = Ei + Co Ef O Estoque inicial e o Estoque final foram apresentados. Resta apurar o valor das compras. Das compras, vo para estoque todos os gastos e os tributos no recuperveis. Desta forma, o valor das compras lquidas de: Compras R$ 60.000,00 (-) ICMS sobre compras R$ 7.200,00 + Fretes sobre Compras R$ 5.000,00 + Compras (estoque) R$ 57.800,00 Logo, o CMV = 30.000 + 57.800 40.000 = 47.800,00. O Lucro Bruto segue a estrutura da DRE: Vendas R$ 100.000,00 (-) ICMS sobre vendas (R$ 12.000,00) = Vendas Lquidas R$ 88.000,00 (-) CMV (R$ 47.800,00) = Lucro Bruto R$ 40.200,00

Resposta: Letra D20. (ESAF/AFRF/2002-1)

Da leitura atenta dos balanos gerais da Cia. Emile, levantados em 31.12.01 para publicao, e dos relatrios que os acompanham, podemos observar informaes corretas que indicam a existncia de: Capital de Giro no valor de R$ 2.000,00 Capital Social no valor de R$ 5.000,00 Capital Fixo no valor de R$ 6.000,00 Capital Alheio no valor de R$ 5.000,00 Capital Autorizado no valor de R$ 5.500,00 Capital a Realizar no valor de R$ 1.500,00 Capital Investido no valor de R$ 8.000,00 Capital Integralizado no valor de R$ 3.500,00 Lucros Acumulados no valor de R$ 500,00 Prejuzo Lquido do Exerccio no valor de R$ 1.000,00 A partir das observaes acima, podemos dizer que o valor do Capital Prprio da Cia. Emile de a) R$ 5.500,00 b) R$ 5.000,00 c) R$ 4.000,00 d) R$ 3.500,00 e) R$ 3.000,00 Resoluo: H basicamente 2 formas de resolver esta questo: a primeira pela equao fundamental do patrimnio, obtendo-se o patrimnio lquido pela diferena entre o ativo e o passivo; a segunda pela soma dos componentes do PL. Devemos observar os seguintes conceitos: Capital Alheio = Passivo Capital de Giro = Ativo Circulante Capital Social = Capital subscrito pelos scios (capital nominal) Capital Fixo = Ativo Fixo = Ativo Permanente Imobilizado Capital Autorizado = o valor at onde pode ser aumentado o capital social sem necessidade de alterao estatutria (art. 168 da Lei das S.A.). Capital a Realizar = Parcela j subscrita do capital, mas ainda no integralizada pelos scios. Capital Investido = Total do Ativo Capital Integralizado = Parcela do capital subscrito j efetivamente entregue pelos scios empresa. 1) Pela Equao fundamental do Patrimnio: Capital Investido = Ativo = R$ 8.000,00

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Capital Alheio = Passivo = R$ 5.000,00 Ativo Passivo = PL PL = Capital Prprio PL = 8.000,00 5.000,00 = R$ 3.000,00 2) Pelas contas do PL: PL = Capital Social Capital a Realizar + Lucros Acumulados Prejuzo no exerccio PL = 5.000 1.500 + 500 1.000 PL = R$ 3.000,00 Resposta: Letra E

21. (ESAF/TRF/2003)

No dia 02 de janeiro de 2003, a empresa Participa S.A. adquiriu 80% do capital da empresa Construo Ltda., tomando o seu controle com inteno de permanncia, pelo valor de R$ 90.000,00.Construo Ltda. Balano de 30 de Novembro de 2002 Valores em R$ Capital Social Reserva de Capital Reserva Legal Lucro Lquido do Exerccio (janeiro a novembro de 2002) 50.000,00 2.000,00 1.000,00 7.000,00

Com base nos dados da empresa Construo Ltda., acima, assinale o lanamento que corresponde a este fato contbil.Valores em R$ Contas a) Carteira de Aes (Realizvel LP) a Bancos Conta Movimento b) Diversos a Bancos Conta Movimento a Investimentos Avaliados pelo PL Construo Ltda. Investimentos - gio Construo Ltda. c) Diversos a Bancos Conta Movimento Investimentos Avaliados Construo Ltda. pelo PL 40.000,00 50.000,00 90.000,00 90.000,00 90.000,00 90.000,00 48.000,00 90.000,00 Dbito 90.000,00 90.000,00 Crdito

42.000,00

Investimentos - gio -Construo Ltda. d) Investimento em Aes 90.000,00 a Bancos Conta Movimento e) Bancos Conta Movimento

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 10 EXERCCIOS RESOLVIDOSProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto MissagiaA Diversos a investimentos Avaliados pelo PL Construo Ltda. 40.000,00 a Investimentos - gio - Construo Ltda. 50.000,00

Resoluo: O investimento, quando avaliado pelo mtodo da equivalncia patrimonial, deve ser registrado com discriminao do valor do investimento (valor patrimonial das aes) e gio/desgio, quando houver.PL Cia Construo Ltda. Balano de 30 de Novembro de 2002 Valores em R$ Capital Social Reserva de Capital Reserva Legal Lucro Lquido do Exerccio (janeiro a novembro de 2002) TOTAL DO PL 50.000,00 2.000,00 1.000,00 7.000,00 60.000,00

O valor do PL da investida totaliza R$ 60.000,00. Assim: 80% x R$ 60.000,00 = R$ 48.000,00. Esse o valor contbil do investimento. Como a Cia Participa pagou R$ 90.000,00, a diferena (R$ 42.000,00) deve ser registrada como gio em Investimentos (conta de Ativo Permanente). O lanamento correto : D Investimentos em Construo Ltda R$ 48.000,00 D gio em Investimentos R$ 42.000,00 C Bancos Conta Movimento R$ 90.000,00 A resposta apresentada pelo gabarito a letra b. Os valores esto corretos e tambm aparecem nas colunas corretas (dbito e crdito). Entretanto, no lanamento o investimento aparece com a preposio a o que significa que esta conta seria creditada. Devemos considerar isso como um erro de digitao (a questo no foi anulada pela banca), pois a conta Investimentos, na realidade, deve ser DEBITADA pelo valor contbil (R$ 48.000,00) da participao societria, conforme apresentamos o lanamento acima. Resposta: Letra B22. (ESAF/TRF/2003)

Em cada crculo est inscrito o nome de uma empresa. A seta indica participao de uma empresa no capital de outra. No retngulo est o percentual de cada participao.

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Alfa 80%

90%

Beta 10% 10% Lmina

Gama 90%

mega

ALFA TEM 80% de BETA ALFA tem 90% DE GAMA BETA tem 10% DE LMINA BETA tem 10% de MEGA GAMA tem 90% DE MEGA Assinale a opo correta. a) A empresa Alfa controla indiretamente a empresa mega. b) A empresa Alfa controla indiretamente a empresa Lmina. c) A empresa Beta controla a empresa Lmina. d) A empresa Beta controla a empresa mega. e) A empresa Gama controla a empresa Beta. Resoluo: O controle direto quando uma empresa detm diretamente a maioria do capital votante de outra. O controle indireto quando uma empresa detm indiretamente, por meio de outra controlada, a maioria do capital votante. Assim, Beta e Gama so controladas diretamente por Alfa, pois sua participao no capital social daquelas de 80% e 90%, respectivamente. A participao da empresa Beta na Lmina de apenas 10%, logo no h controle. A participao de Beta em mega igualmente de 10%, no havendo controle. A empresa Alfa participa de Gama com 90% e esta participa em Omega com 90%, o que resulta em participao indireta de 81%. Alm disso, Alfa participa de Beta com 80% que participa de mega com 10%, resultando em participao indireta de mais 8%. Desta forma, a participao indireta de Alfa em mega de 89%.

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Logo, a empresa Alfa controla indiretamente a empresa Omega. A resposta correta a letra a.23. (ESAF/AFRF/2003)

A empresa de Comrcio Geral apresenta, em 30 de setembro, o balancete abaixo descrito: Contas saldosAes de Outras Companhias Bancos conta Movimento Capital Social Clientes Custo das Mercadorias Vendidas Duplicatas a Pagar Duplicatas a Receber Duplicatas descontadas Duplicatas protestadas Emprstimos Concedidos Fornecedores Insubsistncias Passivas Juros Passivos Mercadorias Mveis e utenslios Prejuzos Acumulados Proviso p/ Perdas em Investimentos Proviso para Imposto de Renda Receitas Antecipadas Reserva de Reavaliao Receitas de Vendas Servios Prestados R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ 1.500,00 2.000,00 8.500,00 2.500,00 1.700,00 3.700,00 1.400,00 1.100,00 1.000,00 1.300,00 2.900,00 900,00 600,00 3.800,00 5.200,00 100,00 300,00 700,00 400,00 800,00 2.000,00 1.600,00

Se fosse elaborar o Balano Patrimonial nessa data, com esses valores, o Contador, certamente, apuraria: a) ativo total no valor de R$ 17.600,00

b) passivo exigvel no valor de R$ 7.300,00c) patrimnio lquido no valor de R$ 10.000,00 d) ativo circulante no valor de R$ 9.900,00 e) lucro lquido no valor de R$ 300,00Resoluo: Vamos classificar as referidas contas:

Contas Aes de Outras Companhias Bancos conta Movimento Capital Social Clientes Custo das Mercadorias Vendidas Duplicatas a Pagar Duplicatas a Receber Duplicatas descontadas Duplicatas protestadas Emprstimos Concedidos Fornecedores Insubsistncias Passivas Juros Passivos Mercadorias Mveis e utenslios Prejuzos Acumulados

Saldo R$ 1.500,00 R$ 2.000,00 R$ 8.500,00 R$ 2.500,00 R$ 1.700,00 R$ 3.700,00 R$ 1.400,00 R$ 1.100,00 R$ 1.000,00 R$ 1.300,00 R$ 2.900,00 R$ 900,00 R$ 600,00 R$ 3.800,00 R$ 5.200,00 R$ 100,00

Grupo AP AC PL AC Custo PC AC AC (retif.) AC AC PC Despesa Despesa AC AP PL (retif.)

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 10 EXERCCIOS RESOLVIDOSProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto MissagiaProviso p/ Perdas em Investimentos Proviso para Imposto de Renda Receitas Antecipadas Reserva de Reavaliao Receitas de Vendas Servios Prestados Ativo Circulante Bancos conta Movimento Clientes Duplicatas a Receber (-) Duplicatas descontadas Duplicatas protestadas Emprstimos Concedidos Mercadorias Total Ativo Permanente Mveis e Utenslios Aes de Outras Companhias (-) Proviso p/ Perdas em Investimentos Total Passivo Exigvel Proviso para Imposto de Renda Duplicatas a Pagar Fornecedores Total DRE Receita de Vendas Servios Prestados (-) Custo das Mercadorias Vendidas (-) Insubsistncias Passivas (-) Juros Passivos (=) Lucro Lquido Resultado de Exerccios Futuros Receitas Antecipadas Patrimnio Lquido Capital Social (-) Prejuzos Acumulados Reserva de Reavaliao Lucro do Exerccio Total do PL R$ 300,00 R$ 700,00 R$ 400,00 R$ 800,00 R$ 2.000,00 R$ 1.600,00 Saldo R$ 2.000,00 R$ 2.500,00 R$ 1.400,00 (R$ 1.100,00) R$ 1.000,00 R$ 1.300,00 R$ 3.800,00 R$ 10.900,00 Saldos R$ 5.200,00 R$ 1.500,00 (R$ 300,00) R$ 6.400,00 Saldos R$ 700,00 R$ 3.700,00 R$ 2.900,00 R$ 7.300,00 AP (retif.) PC REF PL Receita Receita

R$ 2.000,00 R$ 1.600,00 (R$ 1.700,00) (R$ 900,00) (R$ 600,00) R$ 400,00 Saldos 400,00

R$

Saldos R$ 8.500,00 (R$ 100,00) R$ 800,00 R$ 400,00 R$ 9.600,00

Assim, teremos os seguintes totais: Ativo Total = R$ 10.900,00 + R$ 6.400,00 = R$ 17.300,00 OBSERVAES: 1) Insubsistncias Passivas so despesas relativas a bens ou direitos do ativo que no mais possam subsistir (ex: perda pela baixa de ttulos incobrveis); 2) A conta Receitas Antecipadas foi considerada como Resultado de Exerccios Futuros, e essa tem sido a tendncia da ESAF. Porm, ela poderia ter sido classificada no Passivo, caso houve a obrigao de prestar algum servio ou de entregar mercadoria.INICIATIVA: PONTO DOS CONCURSOS 27

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3) Assumimos que a conta Aes de Outras Companhias estaria no Ativo Permanente, uma vez que l havia a conta retificadora Proviso para Perdas em Investimentos. Na realidade, esses investimentos s ficam no ativo permanente se houver interesse da empresa em permanecer com os mesmos. Resposta: Letra B24.(ESAF/AFRF/2003) Assinale abaixo a opo que contm a afirmao incorreta. a) As obrigaes em moeda estrangeira com paridade cambial devero ser convertidas em moeda nacional taxa de cmbio do dia do balano. b) O preo de mercado de bens do almoxarifado e de matrias-primas o preo pelo qual possam ser repostos, mediante compra no mercado. c) Os investimentos em participao no capital de outras sociedades devero ser avaliados pelo custo de aquisio, deduzido de proviso para perdas provveis, se esta perda estiver comprovada como permanente. d) Uma proviso para ajuste ao valor de mercado deve ser feita sempre que os produtos do comrcio da companhia estiverem com custo superior ao preo de mercado. e) O ativo diferido dever ser avaliado pelo valor do capital aplicado, menos o saldo das contas que registram sua amortizao. SOLUO: A questo versa sobre o disposto nos artigos 183 e 184 da Lei das S.A., que dispem sobre critrios de classificao de contas no ativo e no passivo. Vamos s alternativas: a) (Correta) Literal no artigo 184, II. b) (Correta) Literal no artigo 183, 1, a. c) (Errada) Segundo o inciso III do artigo 183, III - os investimentos em participao no capital social de outras sociedades, ressalvado o disposto nos artigos 248 a 250, pelo custo de aquisio, deduzido de proviso para perdas provveis na realizao do seu valor, quando essa perda estiver comprovada como permanente, e que no ser modificado em razo do recebimento, sem custo para a companhia, de aes ou quotas bonificadas. Veja que na letra c no consta a ressalva aos arts. 248 a 250, que versam sobre a equivalncia patrimonial. d) (Correta) Est de acordo com o disposto no artigo 183, II, ou seja, quando o preo de mercado for inferior ao preo de custo dos estoques, deve ser feita a proviso para ajuste de estoques ao valor de mercado. e) (Correta) Literal no artigo 183, VI. Resposta: Letra C

25. (ESAF/ACE/TCU/2002)

A empresa Girafluxo S/A demonstrou o seguinte balano patrimonial, aqui simplificado, com valores no incio e no fim do exerccio social do ano de 2001: Contas/Grupos saldos 01.01.01 saldos 31.12.01 Disponibilidades R$ 25.000,00 R$ 30.000,00 Crditos R$ 34.000,00 R$ 27.200,00 Estoques R$ 20.000,00 R$ 24.000,00 Despesas Exerccio Seguinte R$ 1.000,00 R$ 800,00 Soma R$ 80.000,00 R$ 82.000,00 Crditos de Longo Prazo R$ 5.000,00 R$ 6.000,00 Soma R$ 5.000,00 R$ 6.000,00 Investimentos R$ 27.000,00 R$ 21.600,00INICIATIVA: PONTO DOS CONCURSOS 28

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Ativo Imobilizado R$ 63.000,00 Depreciao Acumulada R$ ( 3.000,00) Ativo Diferido R$ 34.000,00 R$ 29.200,00 Amortizao Acumulada R$ ( 4.000,00) Soma R$ 117.000,00 Total R$ 202.000,00 Dbitos Mercantis R$ 30.000,00 Financiamentos Bancrios R$ 40.000,00 Proviso p/Imposto de Renda R$ 0,00 Dividendos a Pagar R$ 20.000,00 Soma R$ 90.000,00 Financiamentos Longo Prazo R$ 10.000,00 Soma R$ 10.000,00 Resultados de Exerccios Futuros R$ 2.000,00 Soma R$ 2.000,00 Capital Social R$ 70.000,00 Capital a Realizar R$ 10.000,00 Reservas de Capital R$ 20.000,00 Reservas de Lucro R$ 15.000,00 Lucros Acumulados R$ 5.000,00 Soma R$ 100.000,00 Total R$ 202.000,00

R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$

75.600,00 ( 3.600,00) ( 4.200,00) 118.600,00 206.600,00 24.000,00 48.000,00 3.500,00 24.000,00 99.500,00 8.000,00 8.000,00 2.000,00 2.000,00 70.000,00 7.000,00 8.600,00 18.000,00 7.500,00 97.100,00 206.600,00

Analisando-se as variaes ocorridas entre o incio e o fim do exerccio considerado, pode-se afirmar que a elaborao da Demonstrao de Origens e Aplicaes de Recursos, nos termos da lei, vai evidenciar o seguinte item: a) item I Origens de Recursos R$ 19.500,00. b) item I Origens de Recursos R$ 27.000,00. c) item II Aplicaes de Recursos R$ 31.000,00. d) item III Reduo de CCL R$ 11.500,00. e) item III Aumento do CCL R$ 7.500,00. Resoluo: A Demonstrao das Origens e Aplicaes de Recursos (DOAR) obrigatria para as sociedades annimas, por fora do disposto no art. 188 da Lei n 6.404/76, que fixa o objetivo e a estrutura da demonstrao, bem como os valores que nela devem ser computados. VARIAO DO CAPITAL CIRCULANTE LQUIDO A diferena entre o total das origens e o das aplicaes de recursos representa a variao do Capital Circulante Lquido (CCL). Sendo positiva a diferena, significar que a empresa obteve recursos em quantidade superior s aplicaes, tendo este excesso sido utilizado para aumentar o Ativo Circulante disponibilidades, estoques e duplicatas a receber, principalmente - e/ou para reduzir o endividamento de curto prazo, com a conseqente diminuio do Passivo Circulante; sendo inversa a situao, isto , havendo diminuio do Capital Circulante Lquido, evidencia-se que os recursos obtidos foram insuficientes para as aplicaes feitas, tendo sido necessria, para financiar o dficit, a utilizao de valores do Ativo Circulante ou a elevao do endividamento de curto prazo. A variao do Capital Circulante Lquido determinada pela expresso abaixo. Entretanto pode, ele, ser determinado tambm pela diferena das origens e das aplicaes de recursos, conforme j comentado. CCL = AC PC Sendo: = Variao no perodo

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O ativo circulante no incio do perodo era de R$ 80.000,00 e no final do perodo de R$ 82.000,00. Portanto, houve uma variao positiva de R$ 2.000,00, no valor do ativo circulante (AC = R$ 2.000,00). O passivo circulante no incio do perodo era de R$ 90.000,00 e passou para R$ 99.500,00. Houve, portanto, uma variao positiva de R$ 9.500,00 (PC = R$ 9.500,00). Dessa forma, a variao do capital circulante lquido no perodo (CCL = AC - PC) igual a (- R$ 7.500,00) (CCL = 2.000,00 9.500,00). Isto quer dizer que as aplicaes superaram as origens em R$ 7.500,00 ORIGENS DE RECURSOS A lei considera origens de recursos os seguintes valores: a) lucro do exerccio, acrescido de depreciao, amortizao ou exausto e ajustado pela variao nos resultados de exerccios futuros; b) realizao do capital social e contribuies para reservas de capital; c) recursos de terceiros, originados do aumento do passivo exigvel a longo prazo e da alienao de investimentos e direitos do ativo imobilizado. Assim, o total das origens representa o somatrio dos recursos oriundos das operaes, dos recursos prprios e de terceiros, bem como dos recursos obtidos na realizao de ativos de longo prazo, provocando aumento do Capital Circulante Lquido, quer pelo aumento ou pela diminuio, respectivamente, do ativo ou do passivo circulantes. Ateno!!! De forma mais singular, porm de maior compreenso, podemos resumir as origens como sendo todo valor que aumenta no Passivo e diminui no Ativo exceto o circulante. Essa dica pode ser melhor visualizada de forma esquemtica, conforme a seguir: APLICAES Aumentos no ativo no circulante Redues no passivo no circulante ORIGENS Aumentos no passivo no circulante Redues no ativo no circulante

Assim, todas as contas do Passivo Exigvel a Longo Prazo (PELP), Resultado de Exerccios Futuros (REF) e Patrimnio Lquido (PL), que no sejam retificadoras, quando tero seus saldos aumentados, configuram uma origem de recursos na exata dimenso do aumento de seus saldos. Na mesma linha de raciocnio se enquadram as contas retificadoras de Ativo Realizvel a Longo Prazo (ARLP) e Ativo Permanente (AP). De forma inversa, as contas retificadoras de PELP, REF e PL, bem como as contas de ARLP e AP, quando tero seus saldos diminudos, caracteriza-se a origem de recursos na exata extenso da diminuio dos saldos dessas contas. Ao esquema acima apresentado devemos adicionar apenas o valor do lucro que no teve destinao nas contas do PL, isto , a parcela distribuda ou com proposta de distribuio, relativa ao exerccio, que no presente caso est representado pela conta Dividendos a Pagar. Dessa forma, analisando as contas do balano da empresa Girafluxo S.A., observamos que: CONTAS Dividendos a Pagar Investimentos Depreciao Acumulada Ativo Diferido Amortizao Acumulada Capital a Realizar Reserva de Lucros Lucros Acumulados TOTAL Saldos 01.01.01 20.000,00 27.000,00 (3.000,00) 34.000,00 (4.000,00) 10.000,00 15.000,00 5.000,00 Saldos 31.12.01 24.000,00 21.600,00 (3.600,00) 29.200,00 (4.200,00) 7.000,00 18.000,00 7.500,00 ORIGENS 4.000,00 5.400,00 600,00 4.800,00 200,00 3.000,00 3.000,00 2.500,00 23.500,00

Agora j teramos condies de saber o valor das aplicaes de recursos, pois: Origens Aplicaes = CCL

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Aplicaes = Origens - CCL Aplicaes = 23.500 (- 7.500) = R$ 31.000,00 Porm, dentro dos objetivos deste livro, vamos apurar o valor das aplicaes para comprovar a veracidade dessa forma simplificada de obtermos esse valor. APLICAES DE RECURSOS Inversamente ao que vimos acima relativo s origens, tambm de forma esquemtica, podemos resumir que as aplicaes so todos aqueles valores que diminuem no Passivo e que aumentam no Ativo que no seja o circulante. Entretanto. tendo o cuidado de levar em considerao o valor do dividendo distribudo ou a distribuir (dividendo proposto ou a pagar). Dessa forma, analisando as contas do balano da empresa Girafluxo S.A., observamos que as aplicaes foram de: CONTAS Dividendos a Pagar Crditos de Longo Prazo Ativo Imobilizado Financiamentos de LP Reservas de Capital TOTAl Saldos 01.01.01 20.000,00 5.000,00 63.000,00 10.000,00 20.000,00 Saldos 31.12.01 24.000,00 6.000,00 75.600,00 8.000,00 8.600,00 APLICAES 4.000,00 1.000,00 12.600,00 2.000,00 11.400,00 31.000,00

Obs.: Reparem que no dispnhamos do valor do lucro do exerccio. Porm, como ele foi todo incorporado ao PL ou destinado a Dividendos a Pagar, foi possvel obter as origens de recursos somando ao nosso esquema o valor dos dividendos tanto s origens, quanto s aplicaes. O Dividendo a Pagar ou Distribudo representa, nos esquemas acima apresentados, uma origem e uma aplicao de igual valor. A distribuio de dividendos representa uma aplicao de recursos para a empresa. Porm, o lucro obtido anteriormente, que originou tal distribuio de dividendos, de fato uma origem para a empresa. A banca examinadora apresentou como alternativa correta a letra C, que coincide com a soluo apresentada. Resposta: Letra C26. (ICMS-SC/98)

A Cia. Peperi negocia toalhas de banho e adota o regime de inventrio peridico para controlar seu estoque. Seus exerccios sociais se encerram a cada 31 de dezembro. Nada do resultado (lucro/prejuzo) de cada exerccio social recebe qualquer destinao. O Balancete de Verificao a seguir fornecido foi "levantado" em 31/dez./92, imediatamente antes dos lanamentos de apurao do resultado de 1992. Os valores nele contidos esto corretos.Companhia PEPERI Balancete de verificao (31/dez./92) (imediatamente antes da apurao do resultado de 1992) Saldos Saldo Contas Devedores Credores Duplicatas a Receber (AC) 5.000 Compras de Mercadorias 14.080 ICMS a Recolher (PC) 140 INICIATIVA: PONTO DOS CONCURSOS

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Contabilidade Tpicos Avanados Aula 10 EXERCCIOS RESOLVIDOSProfessores: Francisco Velter & Luiz Roberto Missagia Duplicatas a Receber (ARLP) Lucros Acumulados (PL) Despesas com Vendas (global das...) Fornecedores (PC) Mercadorias (AC) Devolues de Vendas Despesas Administrativas (global das...) ICMS sobre Vendas Capital Social (PL) Aluguel a pagar (PC) Terrenos (AP/I) Caixa e Bancos (AC) Vendas Brutas Salrios e Encargos Sociais a pagar (PC) 11.000 8.800 608 1.025 1.600 3.000 3.392 6.460 10.000 30 5.860 10.305 41.000 310

Totais O Seguinte trecho de DOAR est correto:

61.305

61.305

CIA. PEPERI Demonstra