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    ASSISTNCIA ESTUDANTIL E PROJETO TICO-POLTICO DO SERVIO SOCIAL: democratizar acesso ou permanncia?1

    Ana Paula Leite Nascimento2

    RESUMO O trabalho realizou um estudo acerca da defesa da democratizao das condies de acesso e permanncia e sua relao com a atuao profissional orientada pelo projeto tico-poltico do Servio Social. Discutiu-se sobre a Assistncia Estudantil, com nfase no debate das condies de acesso e permanncia. Abordou-se a respeito da construo do projeto tico-poltico do Servio Social. Destacou-se a atuao do assistente social a partir dos princpios que norteiam o exerccio profissional. Confirmou-se que a defesa da democratizao do acesso e da permanncia denota uma relao com os princpios do projeto tico-poltico do Servio Social, requerendo a reafirmao e a materializao deste projeto. Palavras-Chave: Educao. Assistncia Estudanti. Projeto tico-poltico do Servio Social.

    ABSTRACT Work conducted a study about the defense of democratization of access conditions and permanence and its relation to professional practice guided by ethical-political project of Social Work. It was discussed on the Student Assistance, with emphasis on the discussion of the conditions of access and permanence. It approaches regarding the construction of the ethical-political project of Social Work. We highlight the role of social worker from the principles that guide professional practice. It was confirmed that the defense of democratization of access and permanence denotes a relation with the principles of ethical-political project of Social Work, requiring the restatement and the materialization of this project. Keywords: Education. Student Assistance. ethical-political project of Social Work.

    1 Esse artigo foi produzido a partir da experincia de projeto de pesquisa no mbito do mestrado em Servio

    Social do Programa de Ps-Graduao em Servio Social e Poltica Social da Universidade Federal de Sergipe (UFS). Convm ressaltar que a pesquisa encontra-se em andamento e parte da dissertao foi qualificada, obtendo resultado de aprovao, com posterior defesa a ser realizada em agosto do corrente ano. 2 Graduada em Servio Social (UFS, 2009); especialista em Escola e Comunidade (UFS, 2010); mestranda

    em Servio Social do Programa de Ps-Graduao em Servio Social e Poltica Social da UFS, com ingresso em 2011; assistente social do Instituto Federal de Educao, Cincia e Tecnologia de Sergipe (IFS), lotada no Campus Lagarto desde o ano de 2009, situado Rodovia Lourival Batista, S/N, Povoado Carro Quebrado, Lagarto SE, CEP: 49400-000; endereo eletrnico: paulajcbrasil@yaho.com.br.

    mailto:paulajcbrasil@yaho.com.br

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    I INTRODUO

    O artigo, ora apresentado, realizou um estudo acerca da defesa da democratizao

    das condies de acesso e permanncia e sua relao com a atuao profissional

    orientada pelo projeto tico-poltico do Servio Social. Registrou-se inicialmente uma

    discusso sobre a Assistncia Estudantil, com nfase no debate das condies de acesso

    e permanncia.

    Abordou-se a respeito da construo do projeto tico-poltico do Servio Social e

    em seguida deu-se destaque atuao do assistente social a partir dos princpios que

    norteiam o exerccio profissional, com o recorte para a contribuio deste profissional na

    Assistncia Estudantil.

    Transcorrida a exposio acerca do projeto tico-poltico do Servio Social, partiu-

    se para a contextualizao sobre a Assistncia Estudantil, buscando-se trazer tona os

    apontamentos alusivos defesa da democratizao das condies de acesso e

    permanncia e sua relao com a atuao profissional do assistente social com base nos

    princpios e valores do seu projeto tico-poltico.

    O trabalho em pauta caracterizou-se como uma pesquisa bibliogrfica3. A

    abordagem do estudo contemplou as dimenses qualitativa e quantitativa, visto que o

    conjunto de dados quantitativos e qualitativos, porm, no se opem. Ao contrrio, se

    complementam, pois a realidade abrangida por eles interage dinamicamente, excluindo

    qualquer dicotomia. (MINAYO, 1994, p. 22). Destacou-se como predominante, por sua

    vez, a natureza qualitativa desta pesquisa.

    Para a coleta de dados utilizou-se do levantamento bibliogrfico, constituindo-se

    como procedimento metodolgico por excelncia na coleta de informaes. A anlise e

    interpretao dos dados foram realizadas a partir de categorias4 definidas durante o

    3 A pesquisa bibliogrfica elaborada com base em material j publicado. Tradicionalmente, esta

    modalidade de pesquisa inclui material impresso, como livros, revistas, jornais, teses, dissertaes e anais de eventos cientficos. Todavia, em virtude da disseminao de novos formatos de informao, estas pesquisas passaram a incluir outros tipos de fontes, como discos, fitas magnticas, CDs, bem como o material disponibilizado pela Internet. Praticamente toda pesquisa acadmica requer em algum momento a realizao de trabalho que pode ser caracterizado como pesquisa bibliogrfica. (GIL, 2010, p.29). 4 Para Marx as categorias so formas de ser, determinaes da existncia. As categorias, diz ele,

    exprimem [...] formas de modos de ser, determinaes de existncia, frequentemente aspectos isolados de [uma] sociedade determinada ou seja: elas so objetivas, reais (pertencem ordem do ser so categorias ontolgicas); mediante procedimentos intelectivos (basicamente, mediante a abstrao), o pesquisador as reproduz teoricamente (e, assim, tambm pertencem ordem do pensamento so

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    estudo luz do referencial terico, construdo no decorrer da investigao. Cabe registrar

    que a pesquisa foi norteada pelo mtodo dialtico5, buscando interpretar a realidade

    mediante a perspectiva ontolgica, sob o vis da totalidade.

    II. ASSISTNCIA ESTUDANTIL: o debate sobre as condies de acesso e

    permanncia

    Sabe-se que a escola uma expresso da sociedade e sendo demarcada no

    contexto capitalista abriga as contradies inerentes dinmica do desenvolvimento

    capitalista. A esse respeito corroboramos com o que expressa Netto (2007, p.142-143,

    grifos do original):

    [...] desenvolvimento capitalista , necessria e irredutivelmente, produo exponenciada de riqueza e produo reiterada de pobreza. No cabe retomar, aqui, a processualidade deste trao, que prprio da dinmica do desenvolvimento capitalista - e que encontra a sua fundamentao terica nos desdobramentos da lei geral da acumulao capitalista. O desenvolvimento plurissecular do capitalismo real (isto , do capitalismo tal como ele se realiza efetivamente, e no como o representam seus idelogos) a demonstrao cabal e irretorquvel de que a produo capitalista simultaneamente produo polarizadora de riqueza e de pobreza (absoluta e/ou relativa). Ainda se est por inventar ou descobrir uma sociedade capitalista - em qualquer quadrante e em qualquer perodo histrico - sem o fenmeno social da pobreza como contraparte necessria da riqueza socialmente produzida.

    A respeito do ingresso nas instituies educacionais, registra-se que os estudantes

    pertencentes classe trabalhadora, denominados por alguns tericos como sujeitos das

    classes populares, apresentam maiores dificuldades no que se refere ao acesso e

    tambm permanncia na escola, os quais requerem ao mesmo tempo a democratizao

    de ambas as variveis no cotidiano acadmico. Vimos em Castro (2009) que

    determinados segmentos e grupos sociais no anseiam apenas o ingresso na escola,

    mas almejam a permanncia.

    categorias reflexivas). Por isto mesmo, tanto real quanto teoricamente, as categorias so histricas e transitrias [...]. (NETTO, 2009, p. 685). 5 O mtodo dialtico procura captar as mediaes que explicam as relaes dos complexos com a

    totalidade para desvendar o real a partir de suas contradies e determinaes. Para tanto, parte-se dos fenmenos aparentes e atravs de um processo de abstrao, busca-se chegar sua essncia, reproduzindo-se a realidade pesquisada no plano do pensamento, enquanto real pensado. (KOSIK, 1995).

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    Alude-se que a educao embora seja um direito social configura-se como uma

    das reas em que a questo da desigualdade se reflete com maior nitidez no cenrio

    brasileiro. Vejamos:

    Pesquisas realizadas pelo IPEA, no final da dcada de 90, demonstraram, entre outros dados, que apesar de ter havido um crescimento do nmero de jovens que tem acesso educao escolarizada, esse crescimento ocorre apenas no primeiro segmento da formao escolar o ensino fundamental. E, ainda assim, quando se comparam os dados de escolaridade da populao de crianas e jovens brancas e das negras, os nmeros apresentados revelam que os nveis de desigualdade, tanto no acesso quanto na concluso das etapas iniciais da escolarizao, aumentam consideravelmente para as pessoas da raa negra. (MAGALHES, 2012, p.89-90).

    Avalia-se que o direito educao no se pode efetivar apenas na ampliao das

    possibilidades de acesso, torna-se imprescindvel a criao de mecanismos que

    viabilizem a permanncia e a concluso de curso daqueles que ingressam nas instituies

    educacionais, considerando seus diferentes nveis de ensino, [...] reduzindo os efeitos

    das desigualdades apresentadas por um conjunto de estudantes provenientes de

    segmentos sociais cada vez mais pauperizados e que apresentam dificuldades concretas

    de prosseguirem sua vida acadmica com sucesso. (MAGALHES, 2012, p.94).

    Nessa tica se faz necessrio abordar