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  • RBEn, 30 : 254-261, 1S77

    ASSISTENCIA DE ENFERMAGEM AO PAC I ENTE PORTADOR DE BLASTOMICOSE SUL AMERICANA

    ,.. Laurinda Madureira Gandolla * * Lydia Pinheiro da Cruz

    RBEnj04

    GANDOLLA, L.M. e CRUZ, L.P. - Assistncia de enfermagem ao paciente portador de blastomicose sul americana. Rev. Bras. Enf.; DF, 30 : 254-261, 1977.

    1. INTRODUAO :

    o alto ndice depacientes portadores de Blastomicose Sul Americana na Uni

    dade de Dermatologia, do Hospital das

    Clnicas da Universidade de So paulo

    despertou nosso interesse sobre o as

    sunto.

    Os leitos reservados para micoses, na

    maioria das vezes so ocupados por pa

    cientes portadores de Blastomicose Sul

    Americana. Alm dos pacientes interna

    dos, a unidade recebe diariamente pa

    cientes do ambulatrio, em regime de

    semi-internato, os quais recebem trata

    mento especfico por via parenteral. Um

    grupo freqenta o Hospital s segundas,

    quartas e sextas-feiras, e outro s ter

    as, quintas e sbados. Alm disso, um

    dia por semana o ambulatrio atende

    exclusivamente pacientes com esta mo

    lstia.

    II . DEFINIAO :

    A Blastomicose Sul-Americana (B.S.A.) uma doena endmica das zonas rurais,

    comum no Brasil.

    A doena traz consigo, uma problemtica social relevante, pois a faixa etria

    preferencialmente atingida de 20 a 30 anos, justamente a poca de maior pro

    dutividade do homem e de realizao de

    vida. A preveno da molstia impor

    tante e faz parte das metas de governe, pois o desenvolvimento do pas no

    prescinde do trabalho do homem do

    campo.

    Como a doena de evoluo crnica,

    impe-se ao paciente um controle por

    tempo indeterminado e considerando o

    Supervisora de Enfermagem do Hospital das Clinicas de So Paulo . Enfermeira Chefe do Ambulatrio de Alergia da Clnica Dermatolgica do H . C . dI/.

    F . M . U . S . P .

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  • GANDOLLA, L.M. e CRUZ, L.P. - Assistncia de enfermagem ao paciente portador de blastomlcose sul americana. Rev. Bras. Enf.; DF, 30 : 254-261, 1977.

    nvel scio-cultural e econmico desses

    pacientes a Blastomicose Sul-Americana, constitui a nosso ver uma ordem para

    reflexo, uma vez que o tratamento

    prolongado. Os constantes retornos do

    paciente ao Hospital representam um investimento negativo, interferindo na

    dinmica da renda familiar do paciente 'e no domnio pblico, pois a doena tem

    seu preo. Alm do mais, a doena deixa

    estigmas, que sobrepostos aos problemas j mencionados tornam-se sobremaneira

    cnerosos ao paciente.

    A morbidade considervel, devido

    complexidade dos rgos acometidos e multiplicidade das leses no decorrer

    do processo evolutivo. No que se refere

    letalidade, o xito letal ocorre a longo prazo, por disseminao da doena que

    atinge rgos nobres.

    Para planejar a assistncia de enfer

    magem temos que nos fundamentar nas

    caractersticas prprias do paciente e

    no estudo da doena. A doena complexa e ao abord-la procuramos o fazer de modo objetivo, no s relacionando

    o paCiente sua forma clIca, mas tambm procurando demonstrar a parte dt" assistncia, da qual a enfermeira participa ativamente.

    1 . Conceituao

    A Blastomicose Sul-Americana uma

    doena de evoluo crnica, pertencen

    do classe das micoses profundas; aco

    mete a derme, a epiderme, as cartilagens, as articulaes e mais rarament3

    o sistema nervoso e os ossos. Produzindo leses granuloma tosas do tipo destrutivo e desorganizado nos tecidos, ao regredir deixa sequelas. De incio, as leses so geralmente cutneas e mucosas, que constituem a porta de entrada s infec

    es, podendo haver contudo, concomi

    tncia de leses. O paCiente de um modo

    geral, quando procura assistncia apre

    senta leses de vrios tipos, em vrias partes ou rgos., geralmente por disse-

    minao. As principais formas e caractersticas de leses so :

    1 . 1 Forma Cutnea - Manifesta-se

    em qualquer parte do corpo, poupando todavia, as regies plantares, porm atin

    gindo o couro cabeludo; as leses generalizadas apresentam-se em formas de

    p pula tubrculo-tbero-ulcerosa, absee

    dante e lupoide.

    1 . 2 Forma Mucosa - As leses podem aparecer isoladas ou haver concomitan

    temente leses cutneas, ganglionares e viscerais. Na maioda dos pacientes, no

    ta-se preferncias de localizao tais co"" mo, bochechas, lbios, lngua, palato, amgdalas, laringe e faringe. Esta lti

    ma com regular freqncia se estnosa, sendo necessrio a indicao de tra

    queostomia como tratamento paliativo.

    Aps o tratamento, as leses que cica

    trizam, tornam-se fibrosadas, nacaradas

    e retrteis, que levam a atresia labial a laringe e da faringe.

    Ilustrando essa forma de localizao

    citamos o paciente L . F . P . , de 43 anos, procedente do Estado do Paran. A re

    trao fez desaparecer o lbio; fieandCi em lugar uma cicatriz fibrosa; a aber

    tura da boca reduziu-se, tornando-se

    insuficiente introduo dos talheres.

    O paciente tambm portador de leses

    farngeas.

    Quando a localizao na mucosa

    oral, o paciente apresenta leses gengi

    vais e peridentais. Nas leses periden-, tais, os dentes se tornam frouxos e h

    queda dos mesmos. Essas leses trans

    formam profundamente a fisionomia do paciente, o levam a srios distrbios de nutrio, gerados pela dificuldade da ingesto de alimentos slidos, merecen

    do ateno especfica de enfermagem.

    Todos os pacientes, com leso oral, re

    cebem assistncia odontolgica e otorrinolaringolgica especializada, pois h

    tendncia de propagao para os de

    mais seguimentos orofaringeos.

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    Freqentemente os pacientes apresentam nas leses infeces secundrias e estado de decadncia geral, causado no s pela doena em si, como tambm pelos problemas scio-econmicos e emocionais existentes.

    Como rotina de atendimento, o paciente ao ser admitido submetido a teste:. laboratoriais, exames de sangue, fezes, urina, RX de trax e eletrocardiograma, estes ltimos para detectar precocemente leses de pulmo e corao.

    1 . 3 Forma ganglionar - No inicio, quando ainda no h leses, os gnglios se assemelham aos da molstia de Hodgkin e da tuberculose ganglionar. Geralmente as manifestaes ocorrem ao nvel dos gnglios cervicais e axiliares e mais raramente nos gngliOS intraabdominais e inguinais. O gnglio se a.presenta consistente, aumentado de volume e semelhante a um tumor ; com a evoluo, toma-se progressivamente amolecido, para finalmente ulcerar dando sada a secreo purulenta, espessa, de cor amarela caracterstica, raramente p,emorrgica e rica de parasitas. A forma ganglionar raramente se apresenta isolada, pois quase sempre acompanhada de leses cutneas, mucosas e viscerais.

    Considerando os aspectos da doena, a confirmao do diagnstico feita atravs de exames bacteriolgicos e micolgicos especializados.

    1 . 4 Forma generalizada ou visceral -Quando h invaso das vsceras, o aparelho digestivo e o pulmo so os rgos mais comumenLe afetado.c;. No aparelho digestivo lesa o intestino grosso, apndice, ceco e progressivamente evoluindo com caracteristicas de cronicidade, alcana o fgado. O paciente refere queixas enterogstricas persistentes, semelhante s causadas por outras afeces gastroentricas como : pirose, dor no estmago" indigesto e outros. A de-

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    bilidade geral progressiva at o xito letal.

    Estamos seguindo o paciente J . J . D . : lavrador proveniente do interior do Estado de So Paulo, com forma gstrica em evoluo.

    A afeco dos pulmes geralmente ocorre por disseminao das leses das vias respiratrias superiores. Esta forma assume morbldade. No incio o paciente apresenta queixas de um aparente resfriado e em seguida aparece a rouquido. Estes sintomas vo evoluindo em carter crnico, porm intenso, se agravando progressivamente e resistindo ao tratamento sintomtico; pode confundirse com a tuberculose . A tosse que logo aparece, acompanhada de expectorao abundante, semelhante a catarro, porm, menos densa e rica em agente etiolgico. Continuando sua evoluo mrbida, caminha o paciente para a debilidade orgnica geral, tomando-se progressivamente caqutico e como que consumido. Ao RX, a afeco assemelha-se neoplasia pulmonar.

    O paciente P . G . S . , de 48 anos, procedente do interior do Estado de So Paulo, que est sendo acompanhado em nosso Servio, teve leso inicial na boca e est provavelmente com processo de disseminao para o pulmo.

    Outras vsceras e rgos como o bao, rins, pncreas, aparelho reprodutor, podem ser atingidos na forma disseminada, apresentando as mesmas caractersticas mrbidas j descritas. Por vezes f) diagnstico toma o nome do rgo atingido, por exemplo : blastomicose renal, blastomicose genital e outras. Nas supra-renais, a doena se manifesta, desencadeando Sndrome de Addison.

    Em relao s leses do sistema nervoso, no temos casos em seguimento .

    1 . 5 Forma ssea e cartilaginosa -QuandO a leso atinge a cartilagem ou o osso, so dissiminadas por esses tecidos da cartilagem nasal e faringia.

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    para outras cartilagens e do maxilar superior para outros ossos.

    1 . 6 Outras formas - A forma que-10idiana, literalmente consta como de evoluo mais benigna, em relao as demais.

    No muito comum encontrarmos esta forma nos nossos pacientes, mas em seguimento, temos J. R. S . , proce