aspectos clínicos, patológicos e epidemiológicos de doenças

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  • ENCICLOPDIA BIOSFERA, Centro Cientfico Conhecer - Goinia, v.10, n.18; p. 2014

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    ASPECTOS CLNICOS, PATOLGICOS E EPIDEMIOLGICOS DE DOENAS IMUNOSSUPRESSORAS EM AVES

    _________________________________________________________________

    Tatiane Martins Rocha1, Maria Auxiliadora Andrade2, Eliete Souza Santana3, Andr Ribeiro Fayad4, Thiago Dias Matias5

    1 Mdica Veterinria Servio Oficial- Agrodefesa, Goinia, GO; 2 Docente

    Universidade Federal de Gois, Goinia, GO; 3 Docente Universidade Estadual de Gois, Palmeiras de Gois, GO (elietessouza@yahoo.com.br); 4,5 Graduandos em

    Medicina Veterinria Universidade Federal de Gois, Goinia, GO

    Recebido em: 12/04/2014 Aprovado em: 27/05/2014 Publicado em: 01/07/2014

    RESUMO A intensificao da avicultura associada a condies ambientais e prticas de manejo estressantes, muitas vezes no contempla estratgias de controle eficazes contra agentes patognicos e so responsveis pelo aumento dos desafios sanitrios. A resposta do sistema imune altamente organizada e a perda do controle regulatrio frequentemente resulta em imunossupresso. As doenas imunossupressoras resultantes deste processo tem significativa importncia econmica na produo comercial avcola. Assim, perdas econmicas resultantes da exposio de aves a esses agentes desencadeiam perdas no desempenho zootcnico e aumentam a suscetibilidade a infeces secundrias. Dentre os agentes indutores de estresse em aves destacam-se as condies ambientais a que as aves so submetidas em ambientes criatrios. Sendo que no caso de enfermidades, as de maior destaque como imunossupressores so: doena de Marek, enterite hemorrgica, sndrome da m absoro, rinotraquete dos perus, sndrome da cabea inchada, doena de Newcastle, anemia infecciosa das galinhas e doena de Gumboro. Essas doenas agravam o quadro e podem ocorrer sequencialmente ou simultaneamente. Tambm podem estar presentes e ocasionar mortalidade considervel ou se apresentar apenas na forma subclnica da doena ou ainda serem agravadas por doenas secundrias. Independente da apresentao das doenas, as mesmas resultam em consequente aumento de perdas econmicas. E exatamente por este motivo que a preveno e controle de doenas imunossupressoras importante e devem ser realizados para viabilizar as criaes industriais. PALAVRAS-CHAVE: avicultura, doenas, imunidade, preveno, sanidade

    CLINICAL, PATHOLOGICAL AND IMMUNOSUPPRESSIVE EPIDEMIOLOGIC DISEASE IN BIRDS

    ABSTRACT

    The intensification of poultry associated with environmental conditions and management practices stressful, often does not provide effective control strategies against pathogens and are responsible for increasing health challenges. The response of the immune system is highly organized and loss of regulatory control often results in immunosuppression. Immunosuppressive diseases resulting from this

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    process has significant economic importance in poultry production business. Thus, economic losses resulting from the exposure of birds to these agents trigger losses on the performance and increase susceptibility to secondary infections. Among the agents that induce stress in birds there are the environmental conditions to which the birds are subjected to environments farms. And in the case of diseases, the most prominent as immunosuppressants are: Marek's disease, hemorrhagic enteritis, malabsorption syndrome, turkey rhinotracheitis, swollen head syndrome, Newcastle disease, chicken anemia and infectious bursal disease. These aggravate the disease and may occur sequentially or simultaneously. May also be present and cause considerable mortality or present only subclinical disease or be worsened by secondary diseases. Regardless of the presentation of the disease, the same result in a consequent increase in economic losses. And it is precisely for this reason that the prevention and control of immunosuppressive diseases is important and should be done to enable the industrial creations. KEYWORDS: poultry, diseases, immunity, prevention, health

    INTRODUO A indstria avcola brasileira tem aliado tecnologia, estruturas produtivas e

    condies naturais favorveis para produzir um dos melhores frangos nos quesitos qualidade e custo. O pas dispe ainda de um sistema integrado de criao competente que concilia a eficincia produtiva dos avicultores com a capacidade de produo em escala dos frigorficos (SONCINI, 2004).

    Aliada modernizao da indstria avcola, surge a necessidade de maior ateno sade dos plantis, principalmente pelo fato da produo de aves ocorrer em sistemas intensivos de criao com alta densidade animal. Isso representa uma situao favorvel para a multiplicao, disseminao e perpetuao de vrios patgenos, alm da ocorrncia de surtos de enfermidades que podem acarretar prejuzos econmicos (SESTI, 2004).

    A realidade que os ambientes criatrios de frangos, perus e outras aves promovem exposio a agentes imunossupressores e doenas infecciosas. A compreenso dos fatores de risco imunossupressores e de sua patognese so essenciais para obteno de melhor sade, bem-estar e contribuio total de avanos genticos e nutricionais para a produo eficiente Desta maneira, para se obter uma ave cada vez mais produtiva e resistente s doenas, h a necessidade do desenvolvimento eficiente do seu sistema imunolgico e assim disponibilizar mecanismos para que a ave enfrente uma variedade de agentes agressores, oriundos do prprio sistema de criao adotado pela avicultura moderna (SAAD, 2009).

    Tem-se observado que dentre as doenas de importncia para a avicultura de produo, as doenas imunossupressoras merecem destaque, uma vez que esto associadas queda no desempenho das aves, falhas de resposta vacinal a outras doenas, predisposio a agentes secundrios, aumento dos custos de produo e gerao de produto com baixo valor econmico (BARRIOS, 2009).

    Dentre os agentes indutores de estresse, destacam-se a temperatura ambiente, desde a fase de incubao, a ventilao e qualidade do ar, a densidade populacional, o espao no comedouro, o acesso gua de bebida de boa qualidade, o nvel de rudo ambiente e o fotoperodo a que as aves so submetidas (DIETERT et al., 1994).

    Por outro lado, os agentes imunossupressores de natureza biolgica mais

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    importantes que atingem as aves exploradas economicamente so classificados em duas categorias: agentes virais e as micotoxinas (POPE, 1991).

    No caso das enfermidades virais indutoras de imunossupresso em galinhas destacam-se: a doena infecciosa da bursa, a anemia infecciosa aviria, as reoviroses, a enterite hemorrgica de perus e doena de Marek (MONTASSIER, 2009).

    H, ainda, que se considerar uma infeco viral muito grave causada pela estirpe viscerotrpica e velognica do vrus da doena de Newcastle. Embora no seja considerada como condio patolgica tipicamente indutora de imunossupresso em criaes comerciais de aves, tal processo infeccioso provoca grande destruio de clulas linfides durante sua evoluo, sendo biologicamente imunossupressora (PAULILLO & DORETTO JNIOR, 2006).

    A realidade que os ambientes criatrios de frangos, perus e outras aves promovem exposio a agentes imunossupressores e doenas infecciosas. A compreenso dos fatores de risco imunossupressores e de sua patognese so essenciais para obteno de melhor sade, bem-estar e contribuio total de avanos genticos e nutricionais para a produo eficiente (HOERR, 2010).

    Diante do exposto, esta reviso foi proposta com objetivo de abordar os aspectos clnicos, patolgicos e epidemiolgicos das principais doenas imunossupressoras das aves de produo.

    REVISO DE LITERATURA

    Sistema imune das aves

    A bursa de Fabricius e o timo so rgos linfoides centrais e desempenham papel fundamental no sistema imunolgico das aves. A bursa um rgo linfide exclusivo das aves e se desenvolve como um apndice dorsal da cloaca, surgindo entre trs e cinco dias do desenvolvimento embrionrio (GLICK, 2000). J o timo consiste de duas fileiras de lobos achatados separados e que se situam de cada lado do pescoo bem prximo a veia jugular (Figura 1) (MONTASSIER, 2009).

    Os linfcitos B desenvolvidos na bursa e os linfcitos T no timo, so transferidos para os rgos imunes perifricos. Assim, durante o perodo embrionrio e logo aps a ecloso, h migrao dos linfcitos para outros rgos e stios imunes perifricos, como bao, a medula ssea e os tecidos linfoides dos sistemas respiratrio (BALT) e digestrio (GALT) (MORGULES, 2005).

    A resposta imune aos microrganismos dividida em dois sistemas gerais: imunidade inata (natural) e imunidade adquirida (especfica ou adaptativa). A imunidade inata compreendida por barreiras fsicas, fatores solveis e clulas fagocitrias, as quais podem ser consideradas como primeira linha de defesa contra microrganismos invasores at que respostas imunes adquiridas se desenvolvam. A imunidade inata no possui efeito de memria, sendo que a exposio aos patgenos gera a mesma resposta (MCEWEN et al., 1997).

    As principais clulas da imunidade inata das aves so os macrfagos e os heterfilos. A resposta imune inata provavelmente influencia o carter da resposta adquirida e os ramos efetores da mesma utilizam-se de mecanismos efetores inatos, como os fagcitos. Embora os organismos patognicos tenham desenvolvido mecanismos para escapar resposta imune inata, esses so normalmente eliminados pela resposta imune adquirida, a qual capaz de montar uma resposta neutralizadora apropriada direcionada especificamente contra o organismo invasor (ABBAS & LICHTMAN, 2005).

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