Ascese Mística Pietro Ubaldi ASCESE MÍSTICA - uefs. ?· X — Primeiro Aspecto — Planos de Consciência…

Download Ascese Mística Pietro Ubaldi ASCESE MÍSTICA - uefs. ?· X — Primeiro Aspecto — Planos de Consciência…

Post on 17-Dec-2018

212 views

Category:

Documents

0 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

<p>Ascese Mstica Pietro Ubaldi </p> <p> 1 </p> <p>ASCESE M STICA </p> <p> Autor: PIETRO UBALDI Traduo: Rubens C. Romanelli </p> <p>Clvis Tavares Jernimo Monteiro </p> <p>NDICE </p> <p>Primeira Parte - O FENMENO </p> <p> I Situao do Problema II Evoluo da Mediunidade III Mediunidade - Metafania - Misticismo IV A Catarse Mstica e o Problema do Conhecimento V Objetivismo e Subjetivismo VI O Mtodo da Unificao VII Estrutura do Fenmeno Mstico VIII Corolrios F e Razo IX Diagrama da Ascenso Espiritual X Primeiro Aspecto Planos de Conscincia XI Segundo Aspecto - Expanso de Conscincia XII Terceiro Aspecto Conscincias Coletivas XIII Ego Sum Qui Sum XIV Da Terra ao Cu XV Metodologia Mstica XVI A Noite dos Sentidos XVII A Unificao </p> <p> XVIII Incompreenso Moderna XIX O Subconsciente XX O Superconsciente </p> <p>Segunda Parte - A EXPERINCIA </p> <p> I Em Marcha II Nas Profundezas II I Dor IV Ressurreio </p> <p>Ascese Mstica Pietro Ubaldi </p> <p> 2 </p> <p> V A Expanso VI A Harmonizao VII A Unificao VIII A Sensao de Deus IX Cristo X Amor XI A Redeno XII Ascese da Alma XIII Minha Posio XIV Momentos Psicolgicos XV Irmo Francisco XVI Viso da Catedral Gtica </p> <p> XVII Profetismo XVIII Os Assaltos </p> <p>XIX Tentao XX Inferno XXI Queda da Alma </p> <p>XXII Mea Culpa XXIII Cntico da Unificao XXIV Bem-Aventuranas XXV Cntico da Morte e do Amor XXV I Paixo </p> <p> Primeira Parte </p> <p>O FENMENO I </p> <p>SITUAO DO PROBLEMA </p> <p>Analisarei neste volume o fenmeno da ascese mstica. Dispenso-me de novamente situ-lo no campo cultural e no momento psicolgico moderno, visto como o apresento em seu duplo aspecto de fenmeno cientfico e de fenmeno espiritual, como seqncia lgica e vivida do fenmeno inspirativo, j amplamente analisado no precedente volume1. Quem o tiver lido, nele ter encontrado o duplo pretexto desta continuao, seja no campo cientfico, seja no campo </p> <p> 1 As Nores, obra do mesmo Autor j publi cada em por tugus por esta Editora. (N. do T.) </p> <p>Ascese Mstica Pietro Ubaldi </p> <p> 3 </p> <p>espiritual. E para responder objetivamente, ou por outra, quase fotograficamente, realidade do fenmeno, tal qual foi por mim vivido, aqui o analisarei e aprofundarei, sob dois aspectos decorrentes de duas psicologias diversas, que, embora hoje consideradas opostas, so para mim equivalentes: a cincia e a f. </p> <p>Servir isto para demonstrar sua identidade substancial em todos os campos e, principalmente, em face deste to discutido e controverso fenmeno mstico; servir igualmente para evidenciar que j devem ser tidos por superados certos antagonismos ultimamente to agudos e transformados em sementes de dolorosas cises da unidade do pensamento e da f. E, quando eu tiver feito convergir para as mesmas concluses as extremas e opostas atitudes do pensamento humano, minha concepo interpretativa, baseada na realidade por mim muito intensamente sentida, ter solidez de verdade universal e poder ser considerada novo fundamento que, no meu permanente anseio de realizar o bem, terei conseguido lanar para a construo do edifcio do conhecimento. Ouso esperar isso, no somente como fruto do imenso trabalho interior em que me tenho amadurecido, por fatalidade da lei de evoluo, superior aos mritos meus e minha prpria vontade, seno tambm porque este mesmo estudo constitui, para mim, to alto coroamento de minhas precedentes snteses, que as posso resumir e levantar todas para aquilo que eu poderia chamar minha mais alta sntese conceptual, de paixo e de vida. O fenmeno mstico , de fato, animado por um dinamismo to potente e profundo, feito de maturaes e superamentos interiores to substanciais e anelante de mpetos to excelsos, que deve ser necessariamente considerado no vrtice das aspiraes da inteligncia e do corao. </p> <p>O precedente estudo, a que j me reportei, conquanto seja aparentemente exaustivo e definitivo, mais no do que a preparao deste, assim como o fenmeno da mediunidade inspirativa, nele descrito, no foi, para mim, mais do que uma fase de vida. Nesta nova fase, parecem levantar-se, como num turbilho, todas as potncias da alma humana, e eu, atravs de minha exposio, guiarei o leitor, que me seguiu at aqui, ainda alm da sensao viva da ver-tigem arrebatadora que me tem golpeado nos meus estados supranormais de viso e de xtase. Afirmei que isso continuao de precedentes fases do fenmeno, razo pela qual neste escrito devo referir-me necessariamente ao volume em que estas so descritas. Declarei que se trata de fenmenos por mim vividos, pelo que sou compelido a falar ainda de mim. Se isso deselegante, todavia garantia de objetividade, porque minha anlise toca, tambm aqui, assim como nas fases j examinadas, uma realidade que, embora interior, me perfeitamente acessvel. Conquanto pessoal e objetiva, dela pude abstrair-me nitidamente, submetendo-a a estudo metdico, analtico e cientfico. </p> <p>Somente numa segunda parte o fenmeno mstico apresentado em seu aspecto espiritual, religioso e ideal, tal qual o foi, de modo quase sempre exclusivo2. Ele se distingue, pois, dessa comum nomenclatura, vaga e imprecisa, e definido em suas linhas fundamentais de fenmeno de evoluo biolgica, levada at o campo do mais alto psiquismo. Encarado assim, sob a forma de caso vivido, o fenmeno, conquanto parea circunscrito ao subjetivismo de minha conscincia individual, apresenta-se, sem dvida, no somente na solidez de uma realidade experimental, seno tambm nos limites de uma verdade universal, porquanto eu o concebo e encaro, em concordncia com minha orientao filosfica e cientfica, constantemente seguida, como fase da humana e normal evoluo biolgica, embora seja aqui continuada e projetada at os superiores </p> <p> 2 Segunda par te do presente volume - " A Experincia" . (N. do T). </p> <p>Ascese Mstica Pietro Ubaldi </p> <p> 4 </p> <p>nveis da ascenso espiritual. Verdades, pois, universais estas de que trataremos, linhas fundamentais do desenvolvimento fenomnico, que lei das coisas, realidade objetiva situada alm do relativo, no absoluto, realidade profundamente humana, tecida de lutas, de dores e de conquistas. </p> <p>Grande vantagem esta de poder operar sobre uma realidade psicolgica, para mim experimental, e sobre uma verdade que universal: so estas duas bases de nosso estudo, bastante slidas, que compensam quanto poderiam opor-me como defeito, isto 1 a contnua necessidade de falar de mim, assim como de minha precedente produo literria. A esta devo, contudo, indispensavelmente reportar-me, porquanto dela resultam as primeiras fases da maturao do fenmeno espiritual por mim vivido. imprescindvel, para compreend-lo no caso concreto em que o analiso e apresento, recorrer, como preparao e explicao, ao meu passado, que o contm, em germe, e do qual ele se desenvolveu. No saberia estabelecer diversamente os termos deste estudo, at porque somente quem tem experimentado determinadas sensaes e emoes possui a palavra suficientemente vibrante para exprimir o inefvel. </p> <p>Perdoem-me semelhante ostentao, foroso como reconhecer quanto ela inevitvel. Perdoem-me se ela parece chegar at uma confisso desapiedada de todo o meu ser, at a intimidade mais recndita, confisso que proporcionar ao leitor aquela mesma sensao que provo, feita de sacrifcio e de holocausto, ao invs de vo exibicionismo. Doao de mim mesmo, para o conhecimento e soluo dos mais rduos problemas da cincia e da f, implcitos no esprito, problemas do mundo, no somente em sentido evolutivo, mas tambm histrico, porque msticos sempre os houve, em todos os tempos e em todos os pases. A ressonncia que minha alma encontra na de tantos msticos e aquela que a deles encontra na minha, a comunho de f, de experincias e de metas espirituais, a universalidade histrica de fatos e fenmenos vividos ampliam meu pobre caso para alm dos limites de um subjetivismo que, evidentemente, j no se acha circunscrito em mim, mas transborda para alm das fronteiras de minha perso-nalidade </p> <p>Espero haver, assim, justificado a posio em que situo o problema mstico, que aqui se compensa com dois slidos pontos de apoio e, todavia dois pontos de relativa debili dade. </p> <p>II </p> <p>EVOLUO DA MEDIUNIDADE </p> <p>Coloco, assim, o fenmeno mstico na seqncia evolutiva do fenmeno inspirativo. Precisemos, pois, com maior exatido. </p> <p>Em meu livro precedente, classifiquei em vrias fases a mediunidade que tenho considerado um fenmeno em evoluo, momento e expoente da maior evoluo biolgico-humana, a qual, superadas as formas orgnicas se aventura hoje, desmaterializando-se progressivamente, nas </p> <p>Ascese Mstica Pietro Ubaldi </p> <p> 5 </p> <p>formas psquicas. Aqui no demonstro, mas apenas relembro esta evoluo biolgico-psquica, alhures j por mim exaustivamente tratada3. </p> <p>Em seu primeiro nvel inferior, o fenmeno medinico manifesta-se em forma fsica, de efeitos materiais. Em plano mais alto, aparece uma mediunidade superior, mais evolvida, de efeitos mentais. Formas demasiado conhecidas, para que nelas eu insista. Se, em seu primeiro nvel, a mediunidade intelectual simples mediunidade passiva e inconsciente, em que vontade e conscincia do mdium se afastam do fenmeno, como elementos estranhos e inteis, chegando por evoluo a nvel mais elevado, transforma-se em sentido ativo e consciente, no qual, como tenho demonstrado, a conscincia do mdium est desperta e do qual parte integrante. Em verdade, ocupei-me longamente dessa mediunidade inspirativa, isto , mediunidade intelectual ativa e consciente, limpidamente operante na viva personalidade do sujeito. Delineei a lei de ressonncia do fenmeno, pela qual, entre o centro de emanao, transmissor, individualizvel como nores ou correntes de pensamento, e a conscincia desperta do mdium, pode estabelecer-se, pela sintonia de vibraes, uma comunicao, que base da recepo inspirativa. </p> <p>E, neste ponto, havia-me detido, porque ontem este constitua o ltimo termo de minha realizao; mas, j no o hoje. Aquelas afirmaes continham, porm, as razes para esta continuao. </p> <p>A mediunidade inspirativa4 j e imensamente superior comum mediunidade passiva e inconsciente, porque vem a ser ativa e tende a fixar-se na personalidade do mdium, como sua normal emanao. Mas, no pode o fenmeno interromper aqui o seu desenvolvimento. Certo, ele nos levar para altitudes vertiginosas, sobretudo para a cincia que no esta acostumada a tratar de fenmenos cuja progresso evolutiva os leva a uma normal desmaterializao, que os subtrai comum percepo sensria e psquica; progresso que os leva a desvanecer-se aparentemente num mundo que, por impondervel, contestado pela cincia. Mas, esta no constitui razo bastante para que eu deva deter-me, mxime quando em mim encontro o guia de uma experincia vivida. Prossigamos, portanto, ainda, como durante um ano prosseguiu em mim o fenmeno; releguemos ao passado aquela fase conhecida e superada e aventuremo-nos na zona superior de evoluo do fenmeno medinico inspirativo. </p> <p>Temos visto que os pois termos do fenmeno inspirativo, semelhana de uma transmisso-recepo radiofnica, representam o centro emanador e a conscincia do mdium, receptora e registradora. Os dois termos so distintos, embora comunicantes, isto , ligados por fenmeno de ressonncia. A captao norica baseia-se nesse princpio, ou seja, no estado de sintonia ou harmonizao vibratria, que se alcana mediante duas recprocas aproximaes: primeiro, a entrada na fase de superconscincia por parte do eu do mdium que se pe em tenso; em outros termos deslocamento ascensional de seu centro, ao longo da escala evolutiva das dimenses, at a mais alta fase psquica e superconscincia; segundo, descida ao longo da mesma escala evolutiva, isto , involuo de dimenso conceptual por parte do centro emanador e de sua </p> <p> 3 Em A Grande Sntese (passim) e As Nores (N. do T.) </p> <p> 4 Os que estiverem habituados a denominar estes fenmenos com outra nomenclatura, a menos que </p> <p>substituam a palavra pelo conceito e a forma pela substncia, sabero igualmente, estou certo, com-preender, ainda que as expresses por mim adotadas sejam insli tas para eles. (N. do A.) </p> <p>Ascese Mstica Pietro Ubaldi </p> <p> 6 </p> <p>irradiao, de modo que, atravs de recproca propenso de um para outro, seja possvel o encontro e o amplexo dos dois termos. </p> <p>Tendem essas faculdades mediante contnuo exerccios a estabili zar-se, desde a zona instvel de fadiga e de conquista, at a zona de assimilao, completada na personalidade do mdium, isto , at a zona de instinto e qualidade normal (automatismo). </p> <p>Forma-se um hbito da conscincia, atravs da respirao sutil nas zonas rarefeitas dessa estratosfera do pensamento. A aproximao dos dois termos tende assim a tornar-se cada vez mais estreita, mais constante, mais normal. Com o andar do tempo, a sintonizao vibratria estabili za, por constante repetio, aquele estado de afinidade entre transmissor e receptor, que simpatia e atrao, estado reconhecidamente bsico, sobre o qual tanto insisti no estudo do fenmeno da recepo norica. </p> <p>Evidente o resultado deste processo. Contm ele um campo de foras convergentes para o mesmo ponto que dever necessariamente, ser tocado, ou antes, ou depois. A comunicao anormal do pensamento tornar-se- na conscincia do metafnico uma espcie de educao e, consequentemente, de hbito para viver em superior zona espiritual, onde tender a normalizar-se, em forma cada vez mais estvel, o equilbrio de seu novo peso especfico psquico. E a comunho no lhe estabili zar somente as vias, mas dilatar-lhe- as fronteiras; se antes invadia somente as zonas da inteligncia e era somente luz resplandecente, porm fria, inundara agora as zonas do corao e ser tambm calor que inflama de paixo. </p> <p>Extremamente frvido de maturaes , pois o fenmeno e intensamente ativo o Alto na transfuso de foras para a transumanizao do ser. Tende pois para uma gradual, progressiva e total elevao, de si para si da conscincia receptora, de todo o eu humano do sensitivo, com todos os seus recursos e potencialidades. Da resulta um como incndio que reduz a cinzas o homem velho e o faz ressurgir em forma completamente nova, em que se apresentam tot...</p>