AS MÚLTIPLAS “FACES” DA NEGLIGÊNCIA NAS SITUAÇÕES - Maria Cristina... · deixava muitas vezes…

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<p>MARIA CRISTINA DE OLIVEIRA </p> <p>AS MLTIPLAS FACES DA NEGLIGNCIA NAS SITUAES DE VIOLNCIA DOMSTICA CONTRA CRIANAS E ADOLESCENTES </p> <p>Programa de Estudos Ps-Graduados em Servio Social Pontifcia Universidade Catlica de So Paulo </p> <p>SO PAULO 2006 </p> <p> 2 </p> <p>MARIA CRISTINA DE OLIVEIRA </p> <p>AS MLTIPLAS FACES DA NEGLIGNCIA NAS SITUAES DE VIOLNCIA DOMSTICA CONTRA </p> <p>CRIANAS E ADOLESCENTES </p> <p>Dissertao apresentada Banca Examinadora da Pontifcia Universidade Catlica de So Paulo, como exigncia parcial para a obteno do ttulo de MESTRE em Servio Social, sob orientao da Profa. Dra. Myrian Veras Baptista. </p> <p> Programa de Estudos Ps-Graduados em Servio Social </p> <p>Pontifcia Universidade Catlica de So Paulo </p> <p>SO PAULO 2006 </p> <p> 3 </p> <p>Banca examinadora: </p> <p>_______________________________________ </p> <p>_______________________________________ </p> <p>_______________________________________ </p> <p>PUC So Paulo </p> <p>Ano 2006 </p> <p> 4 </p> <p>!"#!</p> <p>$%</p> <p>&amp; </p> <p> 5 </p> <p>AGRADECIMENTOS </p> <p>Iniciar a viagem do conhecimento no mestrado foi um processo muito especial. </p> <p>Passei por cima de vrios receios e dificuldades que me impediam de ir em </p> <p>frente, primeiro, pela falta de apoio financeiro, depois, pela depresso, que me </p> <p>deixava muitas vezes sem vontade de buscar o verdadeiro significado de estar </p> <p>na academia. </p> <p>A vontade de aprender e de conhecer foi maior e consegui superar esses </p> <p>obstculos e finalizar esse processo, que teve incio em 2004. </p> <p>Em toda essa viagem, encontrei pessoas maravilhosas, dentre elas, ressalto a </p> <p>Profa. Dra. Myrian Veras Baptista, que me aceitou como sua orientanda e me </p> <p>mostrou outros caminhos para a compreenso do meu projeto. Esteve sempre </p> <p>presente com ateno, carinho e muita sabedoria. Muito obrigada! </p> <p>s Profas. Maria Lcia Silva Barroco e Cristina Brites, coordenadoras do Ncleo </p> <p>de Estudos sobre tica e Direitos Humanos, que me abriram as portas para </p> <p>essa incrvel aventura que a busca de um novo saber. </p> <p>s Profas. Dras. Maria Lcia Martinelli e Eunice Teresinha Fvero, pelas </p> <p>valiosas contribuies na banca de qualificao. </p> <p>Aos amigos do Ncleo de Estudos sobre a Criana e o Adolescente e do </p> <p>Ncleo de Estudos sobre tica e Direitos Humanos, que contriburam de forma </p> <p>significativa, com carinho, apoio e reflexes. </p> <p>Ao Centro Regional de Ateno aos Maus-tratos na Infncia e Juventude do </p> <p>ABCD, atravs da coordenadora tcnica Lgia M. Vezzaro Caravieri, pela </p> <p>possibilidade de abertura para a realizao da pesquisa que deu base a esta </p> <p>dissertao. </p> <p> 6 </p> <p>s amigas e profissionais do Crami Diadema, Neide, Christianne, Valria, </p> <p>Maria, Silvnia, Rosana, Karla, Ana Lcia, Carla, Patrcia, Ana Paula, Cristiane, </p> <p>que foram parte integrante desta pesquisa e que, ao longo do tempo, estiveram </p> <p>totalmente abertas a refletir e conhecer o novo. </p> <p>s profissionais Dilma, Valquria e Eliane, da Prefeitura Municipal de Diadema, </p> <p>que se mostraram receptivas para o levantamento de informaes sobre a </p> <p>poltica de atendimento criana e ao adolescente do municpio. </p> <p>Especialmente, aos amigos que conheci neste processo do mestrado e </p> <p>passaram a fazer parte de minha vida, que me apoiaram e me deram toda </p> <p>ateno nos momentos mais difceis, Eliane e Olsio. </p> <p>s amigas que sempre me incentivaram e me apoiaram em vrios momentos </p> <p>de minha vida, Lilia, Rosngela, Mnica e Miriam. E s mais recentes </p> <p>amizades, Leonir, Raquel e todos os colegas da Sehab. </p> <p>Aos meus sogros, Sra. Jurcelina e Sr. Fernando, que sempre se mostraram </p> <p>disponveis para cuidar do meu filho, nos momentos em que precisava me </p> <p>dedicar aos estudos. Muito obrigada! </p> <p>Ao CNPQ Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientfico e Tecnolgico, </p> <p>pela concesso da bolsa de mestrado. </p> <p>Aos professores ao longo do mestrado, Jos Paulo Neto, Evaldo Amaro Vieira, </p> <p>Carmen Junqueira, Maria Carmelita Yasbek, Dilsa Adedata Bonetti e Maria </p> <p>Amlia F. Vitalle. Participar das aulas com essas feras do saber no tem preo! </p> <p> secretria do Programa de Servio Social da PUC-SP, Ktia, que est </p> <p>sempre nos auxiliando com muito carinho e dedicao. Obrigada! </p> <p> 7 </p> <p>RESUMO </p> <p>Esta dissertao apresenta uma construo crtica sobre a categoria </p> <p>negligncia, na perspectiva dos profissionais do atendimento do Centro </p> <p>Regional de Ateno aos Maus-Tratos na Infncia do ABCD Unidade </p> <p>Diadema. Tem como objetivo contribuir para novos olhares sobre esse tema. O </p> <p>marco terico que norteou todo o processo de pesquisa foi a teoria social de </p> <p>Marx, especificamente a categoria totalidade, o que possibilitou uma viso mais </p> <p>ampla da categoria negligncia. Apropriamo-nos da anlise de contedo para </p> <p>analisar as discusses desenvolvidas na pesquisa, por meio da tcnica </p> <p>qualitativa do grupo focal. A tcnica possibilitou abordar o tema envolvendo no </p> <p>s o cotidiano de trabalho do Crami, mas os sentimentos e a viso que cada </p> <p>profissional tem sobre esse tema complexo e contraditrio. Esse fato contribuiu </p> <p>de forma substantiva para a anlise. O estudo sobre a negligncia mostrou que </p> <p>essa uma categoria que merece uma ateno maior no que se refere s </p> <p>pesquisas e estudos cientficos. Conclumos neste estudo que, para </p> <p>compreender a negligncia, devemos ter claro que existem determinantes para </p> <p>que essa situao se configure como negligente e que necessrio colocarmos </p> <p>na pauta de discusses, nos espaos de direito da criana e do adolescente, </p> <p>uma viso ampla do significado dessa categoria. </p> <p>Palavras-chave: </p> <p>Criana e adolescente, famlia, negligncia, violncia domstica. </p> <p> 8 </p> <p>ABSTRACT </p> <p>This text presents a critical construction on the category recklessness, in the </p> <p>perspective of the professionals of the attendance of the Regional Center of </p> <p>Attention to maltreatment in the Infancy of the ABCD - Diadema Unit. It has as </p> <p>objective to contribute for new looks on this subject. </p> <p>The theoretical landmark that guided the research process all was the social </p> <p>theory of Marx, specifically, the category totality. What it made possible a ampler </p> <p>vision of the category recklessness. In we appropriate them of the content </p> <p>analysis, to analyze the quarrels developed in the research, through the </p> <p>qualitative technique of the focal group. This technique in made possible them to </p> <p>not only approach the subject involving the daily one of work of the CRAMI, but, </p> <p>the feelings and vision that each professional have on this complex and </p> <p>contradictory subject, this fact contributes of substantive form for the analysis. </p> <p>The study on the recklessness in it showed them that this is a category that </p> <p>deserves a bigger attention, in that if relates to the research and scientific </p> <p>studies. We conclude in this study that stops understanding the recklessness, </p> <p>we must have clearly that they exist determinative so that this situation if it </p> <p>configures as negligent and that it is necessary to place in the guideline of </p> <p>quarrels in the spaces of right of the child and the adolescent an ample vision of </p> <p>the meaning of this category. </p> <p>Words - Key: </p> <p>Child and adolescent, family, recklessness, domestic violence. </p> <p> 9 </p> <p>SUMRIO </p> <p> LISTA DE SIGLAS 11 INTRODUO .................................................................................................. 13 CAPTULO 1 A POLTICA DE ATENDIMENTO CRIANA E AO ADOLESCENTE NO BRASIL ............................................................................................................. 20 1.1 Um pouco da histria da luta pelos direitos da criana e do adolescente 21 1.2 Um novo olhar sobre a criana e o adolescente ................................... 26 1.3 O ECA orientando a gesto de polticas nacionais, estaduais e municipais de atendimento criana e ao adolescente ................................... 29 1.3.1 Conanda ............................................................................................... 30 1.3.2 Condeca-SP ......................................................................................... 31 1.3.3 CMDCA..................................................................................................33 1.3.4 Conselho Tutelar .................................................................................. 34 1.4 A sociedade civil na defesa dos direitos da criana e dos adolescentes ..... ........................................................................................................................... 36 1.5 A poltica de atendimento criana e ao adolescente na cidade de Diadema ...................................................................................................... 39 1.5.1 Breve histrico sobre a assistncia social voltada a criana e adolescente de Diadema .................................................................................. 42 1.5.2 Rede de Ateno a criana e ao adolescente de Diadema-RECAD .... 45 1.6 Crami-Diadema ........................................................................................ 47 CAPTULO 2 DESVENDANDO OS SIGNIFICADOS DA NEGLIGNCIA ............................. 48 2.1 A busca do processo de construo do conhecimento ........................... 49 2.1.1 Procedimentos metodolgicos .............................................................. 49 2.1.2 O universo e os sujeitos da pesquisa ................................................... 50 2.1.3 A pesquisa ............................................................................................ 52 2.1.4 O Grupo Focal ...................................................................................... 55 2.1.5 Os encontros.......................................................................................... 57 </p> <p> 10 </p> <p> CAPTULO 3 AS MLTIPLAS FACES DA NEGLIGNCIA ................................................. 72 3.1 Do abandono ao significado da negligncia ............................................ 73 3.1.1 Abandono: Uma situao em atendimento ........................................... 84 3.2 As mltiplas faces da negligncia .............................................................95 3.2.1Na perspectiva dos profissionais de atendimento nas situaes de violncia domstica contra crianas e adolescentes .........................................95 3.3 Na perspectiva da Sociedade e do Estado ............................................ 101 CONSIDERAES FINAIS: ALGUNS APONTAMENTOS ............................ 110 REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS .............................................................. 113 ANEXOS ......................................................................................................... 124 </p> <p> 11 </p> <p>LISTA DE SIGLAS </p> <p>ACISA Associao Comercial de Santo Andr </p> <p>ANCED Associao Nacional de Centros de Defesa </p> <p>ABRINQ Associao Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos </p> <p>CEDECA Centro de Defesa da Criana e do Adolescente </p> <p>CLAVES Centro Latino Americano de estudos da Violncia e Sade </p> <p>CMDCA Conselho Municipal dos Direitos da Criana e do Adolescente </p> <p>CONANDA Conselho Nacional dos Direitos da Criana e do Adolescente </p> <p>CONDECA-SP Conselho Estadual dos Direitos da Criana e do Adolescente </p> <p>do Estado de So Paulo </p> <p>CRAMI Centro Regional de Ateno aos maus-tratos na infncia do </p> <p>ABCD </p> <p>DASC Departamento de Ao Social e Cidadania </p> <p>ECA Estatuto da Criana e do Adolescente </p> <p>FAISA Fundao de Assistncia Infncia de Santo Andr </p> <p>FUMCAD Fundo Municipal da Criana e do Adolescente </p> <p>FUNABEM Fundao Nacional do Bem Estar do Menor </p> <p>IPEA Instituto de Pesquisas Econmicas Aplicadas </p> <p>LACRI Laboratrio da Criana </p> <p>NCA Ncleo de estudos e Pesquisas da Criana e do Adolescente </p> <p>PUC/SP Pontifcia Universidade Catlica de So Paulo </p> <p>PETI Programa de Erradicao do Trabalho infantil </p> <p>PSC Prestao de Servio Comunidade </p> <p>PT Partido dos Trabalhadores </p> <p>RECAD Rede de Ateno a Criana e ao Adolescente de Diadema </p> <p>SAM Servio de Amparo maternidade e a infncia </p> <p>SASC Secretaria de Assistncia Social e Cidadania </p> <p>SEADS Secretaria Estadual da Assistncia e Desenvolvimento Social </p> <p>SIPIA Sistema de Informao para a Infncia e Adolescncia </p> <p> 12 </p> <p>SUAS Sistema nico de Assistncia Social </p> <p>UFPR Universidade Federal do Paran </p> <p> 13 </p> <p>INTRODUO </p> <p> A pesquisa que originou esta dissertao tem como objetivo principal </p> <p>contribuir para uma reflexo crtica acerca da categoria negligncia1. </p> <p>Pretendemos aprofundar a discusso sobre um dos temas mais complexos </p> <p>na rea da criana e do adolescente. </p> <p>O interesse em desenvolver esta pesquisa est relacionado ao trabalho por </p> <p>mim desenvolvido com enfoque na questo da violncia domstica contra </p> <p>crianas e adolescentes, tendo a negligncia aparecido como um dos tipos </p> <p>de violncia mais freqente nos atendimentos. Nas intervenes, </p> <p>sentamos enorme impotncia, pois, nesse momento, encontrvamos vrias </p> <p>dificuldades para efetuar os devidos encaminhamentos, uma vez que a </p> <p>conceituao que utilizvamos estava muito alm da nossa realidade. </p> <p>Esse universo causava-me incmodo, assim como aos outros profissionais </p> <p>do atendimento direto. Como foi expresso por Carvalho e Ziliotto, do </p> <p>Instituto de Estudos Especiais da PUC/SP, no caderno Trabalhando com </p> <p>famlias: Por trs de crianas abandonadas crianas de rua e na rua, </p> <p>crianas agressoras e vtimas de agresso, estupro, trabalho precoce, </p> <p>prostituio... - tambm se encontram famlias abandonadas. Famlias </p> <p>abandonadas pela pobreza, excluso ao acesso a bens e servios e </p> <p>riqueza. Famlias abandonadas pela desinformao, alienao, isolamento, </p> <p>caractersticas das sociedades mega-urbanas em que vivemos (in </p> <p>Symanski, 1992: 1-2). </p> <p> 1 Segundo Azevedo &amp; Guerra (1989) compreende-se, por negligncia o fato de a famlia se omitir em prover as necessidades fsicas e emocionais de uma criana ou adolescente. Configura-se no comportamento dos pais ou responsveis quando falham em alimentar, vestir adequadamente seus filhos, medicar, educar e evitar acidentes. Tais falhas s podem ser consideradas abusivas quando no so devidas carncia de recursos socioeconmicos. No Dicionrio Escolar de Lngua Portuguesa, negligncia significa preguia, descuido, desleixo, incria, desidiar; negligenciar: tratar com negligncia; desatender; descurar; descuidar; desleixa; desidiar. </p> <p> 14 </p> <p>Nas discusses do Ncleo de Estudos e Pesquisa sobre a criana e o </p> <p>adolescente - NCA da PUC/SP, do qual participava, ficou evidente a </p> <p>preocupao com esse tema. Alguns membros participantes do ncleo, j </p> <p>haviam manifestado interesse nessa categoria. Entre outros, podemos citar: </p> <p>Fvero (2000: 44-5), que evidenciou, em pesquisa realizada com um grupo </p> <p>de assistentes sociais da rea da Justia da Infncia e Juventude, que a </p> <p>maioria dos casos de destituio do poder familiar2 deu-se em virtude da </p> <p>negligncia, ou seja, 9,5% das situaes pesquisadas. A autora enfatiza que </p> <p>as situaes tidas de negligncia no se relacionavam, necessariamente, </p> <p>carncia socioeconmica, mas, sim as violaes dos direitos mais </p> <p>elementares, nos quais se incluem os cuidados bsicos indispensveis a um </p> <p>ser humano em desenvolvimento (alimentao, sade, segurana etc.)(op. </p> <p>cit.: 45). Em outra pesquisa, realizada em 2004 por Rita de Cssia Silva </p> <p>Oliveira em parceria com Associao dos Assistentes Sociais e Psiclogos </p> <p>do Tribunal de Justia da Comarca de So Paulo, Ncleo de Estudos e </p> <p>Pesquisa sobre a Criana e o Adolescente, Fundao Orsa e Secretaria de </p> <p>Assistncia Social de So Paulo, com o tema: O abrigo na cidade de So </p> <p>Paulo: conhecendo a realidade dos abrigos e dos abrigados, ficou </p> <p>explicitado que 22,3% dos motivos para o abrigamento de crianas e/ou </p> <p>adolescentes era o abandono e/ou a negligncia. </p> <p>Nesse contexto complexo e contraditrio, surgiu a preocupao com o </p> <p>aprofundamento da discusso sobre as mltiplas faces da negligncia, a fim </p> <p>de possibilitar uma construo coletiva dos vrios significados dessa </p> <p>categoria, na perspectiva dos profissionais que lidam diretamente com </p> <p>crianas e adolescentes em situao de vulnerabilidade social3. Essa </p> <p> 2 Com o novo Cdigo Civil, entende-se por ptrio poder, o poder familiar, poderes e deveres dos pais e mes sobre os filhos. 3Para compreender o significado do conceito de vulnerabilidade social, recomendo o artigo Transferncia de </p> <p>renda e questo social, de Amlia Cohn, que explica que esse conceito est intimamente associado ao de excluso social, ou seja, de uma nova excluso social. Ela ressalta o significado de excluso social, que seria entendida como um fenmeno de marginalizao de determinados segmentos sociais do processo de crescimento econmico, no geral pobres com baixa escolaridade, negros e mulheres; incluo aqui tambm crianas e adolescentes. O conceito de nova excluso social seria entendido como o processo de marginalizao social que vem atingindo os segmentos sociais at ento includos socialmente e relativamente </p> <p> 15 </p> <p>discusso ser feita, neste trabalho, tendo como apoio a legislao vigente </p> <p>que trata da proteo integral infncia e juventude: a Constituio Federal </p> <p>e o Estatuto da Criana e do Adolescente. </p> <p>No art. 227 da Constituio Federal est expresso: dever da famlia, da </p> <p>sociedade e do Estado assegurar criana e ao adolescente, com absoluta </p> <p>prioridade, o direito vida, sade, alimentao, educao, ao lazer, </p> <p>profissionalizao, cultura, dignidade, ao respeito, liberdade e </p> <p>convivncia familiar e comunitria, alm de coloc-los a salvo de toda forma </p> <p>de negligncia, discriminao, explorao, violncia, crueldade e opresso. </p> <p>Em seu art. 4, o E. C. A, reafirma que: dever da famlia, da comunidade, </p> <p>da sociedade em geral e do Poder Pblico assegurar, com absoluta </p> <p>prioridade, a efetivao dos direitos referentes vida, sade, </p> <p>alimentao, educao, ao esporte, ao lazer, profissionalizao, </p> <p>cultura, dignidade, ao respeito, liberdade e convivncia familiar e </p> <p>comunitria. </p> <p>Pargrafo nico A garantia de priori