As muitas faces de Eva

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  • As muitas

    Mulheres se dividem entre mes,donas-de-casa e mdicas

    ENTREVISTADe Petrpolis, Susie Nogueira orquestra o Sorriso

    CIDADE O trnsito nosso de cada dia

    COMPORTAMENTOHobbies levados a srio

    m d i c o& sadeAno I Nmero 2 Jan/Fev/Mar 2008

    faces de Eva

    Ano

    I -

    Nm

    ero

    2 J

    an/F

    ev/M

    ar 2

    008

  • SEDEPraia de Botafogo, 228, loja 119b - BotafogoTelefone: (21) 3184-7050E-mail: cremerj@cremerj.org.br

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    SUBSEDE CAMPO GRANDEAvenida Cesrio de Melo, 2.623, sala 302 - Campo GrandeTelefone: (21) 2413-8623E-mail: campogrande@cremerj.org.br

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    SECCIONAISMJ: municpios de jurisdio

    SECCIONAL MUNICIPAL DE ANGRA DOS REISMJ: Angra dos Reis, Parati, Mangaratiba e ItaguaRua Professor Lima, 160, salas 506 e 507 - CentroTelefones: (24) 3365-0330 / 3365-0793E-mail: angra@cremerj.org.br

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    SECCIONAL MUNICIPAL DE CABO FRIOMJ: Cabo Frio, Arraial do Cabo, Araruama, Saquarema, Armao de Bzios, Iguaba Grande e So Pedro da AldeiaAvenida Julia Kubitschek, 39, sala 112 - Jardim RivieraTelefone: (22) 2643-3594E-mail: cabofrio@cremerj.org.br

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    Endereos do CREMERJ SECCIONAL MUNICIPAL DE MACAMJ: Maca, Casimiro de Abreu, Silva Jardim, Rio das Ostras, Conceio de Macabu, QuissamRua Doutor Jlio Olivier, 383, sala 205 - CentroTelefones: (22) 2772-0535 / 2772-7584E-mail: macae@cremerj.org.br

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    SECCIONAL MUNICIPAL DE NOVA IGUAUMJ: Nova Iguau, Duque de Caxias, So Joo de Meriti, Nilpolis, Belford Roxo, Queimados, Japeri e MesquitaRua Doutor Paulo Fres Machado, 88, sala 202 - CentroTelefones: (21) 2667-4343 / 2668-7646E-mail: novaiguacu@cremerj.org.br

    SECCIONAL MUNICIPAL DE PETRPOLISMJ: Petrpolis, Areal, So Jos do Vale do Rio Preto, Sapucaia, Trs Rios, Paraba do Sul, Comendador Levy Gasparian e Distrito de PiabetRua Doutor Alencar Lima, 35, salas 1.208 a 1.210 - CentroTelefones: (24) 2243-4373 / 2247-0554E-mail: petropolis@cremerj.org.br

    SECCIONAL MUNICIPAL DE RESENDEMJ: Resende, Itatiaia e Porto RealRua Gulhot Rodrigues, 145, sala 405, Edifcio Iade - Bairro ComercialTelefone: (24) 3354-3932E-mail: resende@cremerj.org.br

    SECCIONAL MUNICIPAL DE SO GONALOMJ: So Gonalo, Itabora, Tangu e Rio BonitoRua Coronel Serrado, 1.000, salas 907 e 908 - Z GarotoTelefone: (21) 2605-1220E-mail: saogoncalo@cremerj.org.br

    SECCIONAL MUNICIPAL DE TERESPOLISMJ: Terespolis, Mag e GuapimirimRua Wilhelm Cristian Kleme, 680 - ErmitageTelefone: (21) 2643-5830E-mail: teresopolis@cremerj.org.br

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    SECCIONAL MUNICIPAL DE VASSOURASMJ: Vassouras, Engenheiro Paulo de Frontin, Mendes, Paracambi e SeropdicaRua Expedicionrio Oswaldo de Almeida Ramos, 52, sala 203 - CentroTelefones: (24) 2471-3266 / 2471-6652E-mail: vassouras@cremerj.org.br

    SECCIONAL MUNICIPAL DE VOLTA REDONDAMJ: Volta Redonda, Pira e PinheiralRua Vinte, 13, sala 101 - Vila Santa CecliaTelefone: (24) 3348-0577E-mail: voltaredonda@cremerj.org.br

  • ExpedienteMDICO & SADEPublicao trimestral do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro Cremerj para divulgao interna

    CONSELHO EDITORIAL Abdu KexfeAlkamir IssaAlosio Tibiri MirandaArnaldo Pineschi de Azeredo CoutinhoCarlindo de Souza Machado e SilvaFrancisco Manes Albanesi FilhoKassie Regina Neves CargninLus Fernando Soares MoraesMrcia Rosa de AraujoMarlia de Abreu SilvaPablo Vazquez QueimadelosPaulo Cesar GeraldesRenato Brito de Alencastro GraaSrgio AlbieriSidnei Ferreira

    PRODUO FSB Comunicaes www.fsb.com.br

    EDIO FSB Comunicaes www.fsb.com.brUrsula Alonso Manso

    DIREO DE ART EFSB Comunicaes www.fsb.com.brDaniele Mazza

    PROJETO GRFICOFSB Comunicaes www.fsb.com.brBruno Soares Bastos

    DIAGRAMAOFSB Comunicaes www.fsb.com.brFernanda Fontenelle

    ILUST RAO E INFOGRAFIA FSB Comunicaes www.fsb.com.brJforni FOTOGRAFIARaul Lopes

    REPORTAGEMCarolina BenevidesFlorena Mazza

    IMPRESSOGrfica Minister

    T IRAGEM55 mil exemplares

    Para enviar cartas e sugestescremerj@cremerj.org.br

    Chegamos ao segundo nmero da revista Mdico & Sade. Desta vez, em meio s comemoraes do Dia Internacional da Mulher, no dia 8 de maro, aproveitamos para fazer uma homenagem a elas. Mdicas como a psiquiatra Maria Augusta de Toledo T ibiri Miranda, 90 anos, trs filhos, 13 netos e trs bisnetos, contam como o dia-a-dia de quem tem que se desdobrar nos papis de filhas, mes e esposas, sem deixar a carreira de lado.

    Outra que conhece bem os desafios que a Medicina impe a infectologista Susie Andries Nogueira. Depois de 28 anos de plantes e emergncias 25 deles passados no Hospital Universitrio Clementino Fraga Filho, na Ilha do Fundo , Susie ainda encontrou disposio para prestar novo concurso pblico, em Petrpolis, onde fundou o Projeto Sorriso. Num casaro de quatro quartos, com varando, galinheiro e cachorro, a mdica mais que abrigar filhos de portadores do vrus HIV leva esperana queles que so hoje as principais vtimas da epidemia de Aids que assola o mundo.

    H ainda outras maneiras de fazer a sua parte. Nas pginas de Compras, sugerimos produtos comercializados por organizaes no-governamentais como Sade Criana Renascer, Mdicos Sem Fronteiras, Doutores da Alegria e Refazer. Uma boa idia para presentear amigos e, ao mesmo tempo, contribuir com causas nobres.

    Falando em causa, nesta edio voc conhecer tambm um pouco da evoluo do movimento mdico no Rio de Janeiro. J na seo Comportamento, contamos histrias de profissionais que dividem o tempo entre a profisso e hobbies levados realmente a srio, enquanto na seo Biotica procuramos acender o debate sobre o direito vida e a prtica da ortotansia. E ainda tem muito mais, como voc poder conferir a seguir.

    Boa leitura!

    Caro colega,

    Mrcia Rosa de AraujoPresidente do Cremerj

  • ndice

    Entrevista 6Histria 9Cidade 14Comportamento 23Biotica 29

    Turismo 32Economia 36Compras 38Cultura 40

    Bem-estar

    Boa forma debaixo dgua 26

    Elas jogam nas onze 17

    Capa

    Foto

    de

    divu

    lga

    o

    Em foco 42

    Parabenizamos o Cremerj pelo lanamento da revista Mdico & Sade. Gostei muito do seu contedo, especialmente da entrevista com o nosso cone da Clnica Geral, professor Clementino Fraga Filho. Ele foi um dos pioneiros na implementao deste servio no Hospital Evanglico do Rio de Janeiro, do qual

    sou um dos conselheiros.

    Renilton Leo

    Meus parabns pela idia da revista. Pode preencher uma lacuna em informaes mdicas atualmente ocupada pelas revistas leigas. Evoca as nossas melhores tradies, de onde viemos e onde nos apoiamos eticamente. Os depoimentos so de muito valor. Na minha famlia somos quatro geraes de cirurgies, por isso ler o depoimento de um ativo cirurgio de 84 anos, como o Levo Bogossian, muito emocionante. Sugiro entrevistas com Felcio Falci, Ivo Pitanguy e outros cirurgies nessa

    faixa etria e em atividade.

    Jos Furtado

    Nota da redao: Sugestes anotadas!

    Sou administrador do Ambulatrio Nossa Senhora Auxiliadora, obra assistencial e filantrpica da Parquia de Nossa Senhora Auxiliadora, em Santa Rosa, Niteri, onde tive a oportunidade de ver com um dos nossos mdicos voluntrios o primeiro nmero da revista. Folheei-a com prazer tanto pela

    apresentao quanto pelo contedo.

    Mauro Gomes Vianna

    Cartas

    Errata

    Na foto ao lado, o cirurgio

    geral Clio Eduardo da Costa

    Henrici, que foi incorreta-

    mente nomeado na edio de

    outubro/novembro/dezembro.

  • 6

    ENTREVISTA

    Depois de 28 anos de carreira, a infectologista Susie Andries Nogueira dedica-se a lar que abriga fi lhos de soropositivos em PetrpolisSorriso na

    aposentadoria

    Oque se espera de um mdico com 28 anos de carreira, muitos plantes e emergncias na bagagem? A merecida aposentadoria? Pois a

    infectologista Susie Andries Nogueira, 56 anos,

    exemplo vivo de que o improvvel possvel. Mais do

    que isso: extremamente positivo. Aos 51 anos 25

    deles vividos nos corredores do Hospital Universitrio

    Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal

    do Rio de Janeiro (UFRJ) , ela escolheu o caminho

    oposto ao de muitos de seus colegas. Prestes a se

    aposentar, fez um concurso pblico, mudou-se para

    a cidade serrana de Petrpolis e fundou, apenas

    com a ajuda de amigos, o Projeto Sorriso. O casaro

    de quatro quartos, sede atual da iniciativa, serve

    de abrigo para filhos de portadores do vrus HIV e,

    h quase quatro anos, d esperana para quem,

    na sua opinio, a principal vtima da epidemia de

    Aids que assola o mundo de hoje: a criana. Sei que

    somos apenas uma gota dgua dentro do copo, mas

    se puder ajudar pelo menos um, j vale a pena,

    diz Susie. Receber o carinho dessas crianas e

    constatar que elas melhoraram so nossas maiores

    recompensas.

  • 7

    MDICO & SADE Como surgiu a idia do Projeto Sorriso? SUSIE ANDRIES NOGUEIRA O primeiro caso de Aids que recebemos no hospital universitrio foi em 1985. Em 1996, ns fundamos o programa para gestantes infectadas por HIV no Clementino Fraga Filho, com objetivo de diminuir a transmisso me-filho do vrus. Passamos a usar antiviral, a assegurar um parto de boa qualidade e a arrecadar leite. Conseguimos uma das menores taxas de transmisso vertical da doena, algo entre 1% e 2%, mas...

    M & S Mas?SUSIE Via as mes tendo os bebs sem Aids, porm sem condies de cuidar deles. s vezes, ficavam muito doentes e no tinham com quem deix-los. Ento, depois de 25 anos de trabalho no hospital, fiz concurso pblico para ser mdica pediatra em Petrpolis, virei voluntria do programa de DST/Aids do municpio e fundei o projeto em 2003, com a ajuda de outros mdicos.

    M & S Quantas crianas so atendidas pelo Sorriso?SUSIE No somos uma instituio grande, como a Sociedade Viva Cazuza. Funcionamos em uma casa de quatro quartos, onde as crianas permanecem durante a fase crtica da doena da me ou, no caso das rfs, at serem adotadas. uma situao provisria que pode se arrastar por muito tempo. No momento, temos seis crianas abrigadas uma delas h quatro anos conosco e duas mes infectadas. Ao todo, algo entre 10 e 15 crianas j passaram pelo projeto, das quais cinco foram adotadas.

    M & S Como o dia-a-dia desses meninos?SUSIE As idades so variadas. Hoje o mais velho tem 13 anos e os mais novos so os gmeos de um ano e trs meses. Queremos que o abrigo se parea o mximo possvel com uma casa. So quatro quartos, um varando, espao para as crianas brincarem, galinheiro, cachorro, computador...

    M & S A garotada deve se divertir...SUSIE Sim, eles adoram passear e, no Dia das Crianas, ns sempre fazemos um programa. Este ano, fomos ao Po de Acar. J estivemos no Zoolgico, no Jardim Botnico e no Corcovado. Mas tambm temos regras. As crianas vo para a escola e ficam de castigo se fazem coisa errada. uma casa como outra qualquer. Abrigo com cara e clima de casa

  • 8

    M & S Quantas pessoas trabalham no projeto?SUSIE Ns temos quatro funcionrios para manter a casa, um que cuida da parte administrativa e outros trs que se dividem em dois turnos. Uma cozinha, a outra estudante de enfermagem e a terceira uma moa que faz de tudo um pouco. Nos fins de semana, fazemos rodzio e eu tambm revezo com eles. Trocamos fraldas das crianas, brincamos, cozinhamos, levamos para passear, fazemos companhia a elas...

    M & S Quanto custa manter essa estrutura?SUSIE Nossa despesa atual fica em torno de R$ 4 mil por ms. No ano passado, recebemos o ttulo de entidade de utilidade pblica municipal, mas nos mantemos apenas com as doaes dos integrantes do projeto. Ao longo de um ano, recebemos uma verba de R$ 500 por ms do Programa de Aids de Petrpolis, no entanto hoje vivemos s com a contribuio dos cerca de 30 membros pagantes do Projeto Sorriso, alm de doaes freqentes de amigos e parentes.

    M & S Quantos so os membros do Sorriso?SUSIE Somos mais de 50 pessoas, a maioria mdicos, muitos colegas meus da UFRJ, ex-alunos, ex-residentes. Tem muita gente que contribui, mas que no tem tempo de colaborar no cuidado direto das crianas, prefere fazer doaes. H outros que no querem dar dinheiro e optam por ajudar com diversos itens dos quais necessitamos para fazer a casa funcionar. Recebemos leite, papel higinico, chuchu, fralda, roupa para criana, brinquedo etc.

    M & S Vocs se revezam na coordenao do projeto?SUSIE Sim, nosso estatuto prev que a cada trs anos haja mudanas na diretoria e na presidncia do Sorriso. E, caso chegue a hora em que isso aqui no d mais certo, j cuidamos tambm para que a casa e todos os bens fiquem para um orfanato da cidade.

    M & S Como a senhora se sente ajudando essas crianas?SUSIE muito gratificante, principalmente quando so bebs. Teve uma criana que chegou ao hospital com um ms de vida pesando menos do que tinha quando nasceu: 2,3 quilos. Ns a abrigamos, cuidamos dela e de sua me no projeto. Dois, trs meses depois, o peso do beb havia triplicado. No tenho iluses, sei que somos apenas uma gota dgua no copo. um problema muito grande e, ao meu ver, as crianas so as principais vtimas dessa epidemia de Aids, seja porque pegam a doena da me ou porque convivem com ela. como tirar a estrela do mar. Sei que muitas vo morrer no sol, mas aquela que ns pudermos ajudar, que pudermos devolver ao mar, j vale a pena. Receber o carinho dessas crianas e constatar que elas melhoraram, que esto nutridas, que ganharam um lar... Essas so nossas maiores recompensas.

    um problema

    muito grande e, ao

    meu ver, as crianas

    so as principais

    vtimas dessa

    epidemia de Aids,

    seja porque pegam

    a doena da me

    ou porque convivem

    com ela.

    PARA COLABORAR COM O PROJETO SORRISO

    (24) 2242-4718 E (24) 2247-7595

  • 9

    HISTRIA

    Um histrico de luta por melhores condies de trabalho

    Movimento mdico ganha em organizao na defesa dos interesses da categoria

    No Edifcio da Cinelndia, o Cremerj tinha 23 salas

  • 10

    Antes, quando havia queixa contra um mdico no

    conselho, ele era imediatamente considerado culpado,

    para depois ter que provar sua inocncia, lembra

    Maria Alice, que trabalhou nas comisses de tica

    do Cremerj. O mdico no tinha a quem recorrer.

    Quando a atual diretoria assumiu, percebemos que

    deu fim perseguio que havia contra o mdico.

    Na minha opinio, o conselho deve proteger o bom

    profissional, resgatar a sua dignidade. Fazendo isso

    est garantindo o bom atendimento populao.

    UMA REVOLUO NA GUMA REVOLUO NA GESTOESTO

    Quem trabalha na sade pblica, como o cardiologista

    Serafim Ferreira Borges, tem exemplos prticos

    da revoluo implementada pela atual diretoria

    no CRM fluminense. Funcionrio h 14 anos do

    Instituto de Cardiologia Aloysio de Castro, no bairro

    carioca do Humait, e com passagem pelo Hospital

    Carlos Chagas, o mdico recorda-se sem saudade

    das inspees que eram feitas nos hospitais. A

    gesto anterior tinha uma atuao muito restrita, a

    nica coisa que fazia era fechar hospitais pblicos. A

    emergncia do hospital era fechada, mas o profissional

    continuava l, atendendo do mesmo jeito. Era uma

    medida para ingls ver, afirma.

    A prtica se repetia nos municpios menores. Osmane

    Sobral Rezende, patologista clnico de um laboratrio

    em Cabo Frio, outro crtico da maneira como os

    hospitais eram inspecionados anteriormente. Havia

    uma falta de sensibilidade total, a antiga gesto do

    conselho chegava junto com a imprensa para fazer

    inspees, diz Rezende. A principal mudana

    implantada pela atual gesto foi, sem dvida, a defesa

    da Medicina. O mdico passou a ser encarado como

    vtima do caos na sade pblica. Ao lutarmos pela

    H pouco mais de 40 anos, no auge da ditadura militar, no eram raros os casos de mdicos cassados pelo regime autoritrio ou de intervenes

    nos conselhos de Medicina. Para quem viveu aquela

    poca, essas so recordaes amargas demais para

    serem esquecidas facilmente. Mas trata-se de um

    cenrio quase impossvel para os mais jovens, que j

    comeam a exercer a profisso diante de tamanha

    organizao das entidades representativas Conselho

    Federal de Medicina (CFM), Conselhos Regionais

    (CRMs), Associao Mdica Brasileira (AMB) e

    Federao Nacional dos Mdicos (Fenam).

    A mais antiga delas, a AMB, completa 57 anos em

    janeiro deste ano. Com cerca de 250 mil scios pas

    afora, tem como misso defender os interesses

    da categoria, zelar pela imagem do mdico e pela

    prestao dos servios. Os CRMs e CFM, que

    completaram 50 anos em 2007, so autarquias

    federais que tm autonomia administrativa e

    financeira. J a Fenam, fundada em 1973, a entidade

    que congrega todas as necessidades referentes ao

    trabalho mdico. As entidades no se substituem, se

    complementam, observa Jos Luiz Gomes do Amaral,

    presidente da AMB h dois anos.

    No Rio, porm, h muito o Cremerj ultrapassou o

    carter fiscalizatrio e punitivo para atuar como

    uma entidade de defesa dos mdicos, ressaltam seus

    filiados, unnimes em apontar esta como a maior

    conquista do movimento mdico no estado. Mdica

    desde 1973 e ex-conselheira do Cremerj, Maria Alice

    Gosende Werneck Genofre acompanhou de perto

    a mudana de filosofia que, segundo ela, comeou

    com a chegada dos representantes da atual gesto no

    conselho.

    O conselho deve proteger o bom O conselho deve proteger o bom

    profissional, resgatar a sua dignidade. profissional, resgatar a sua dignidade.

    Fazendo isso est garantindo o bom Fazendo isso est garantindo o bom

    atendimento populao.atendimento populao.

    Maria Alice Gosende Werneck Genofre

    Ao lutarmos pela valorizao Ao lutarmos pela valorizao

    dos mdicos, estamos dos mdicos, estamos

    lutando em prol dos usurios lutando em prol dos usurios

    das instituies.das instituies.

    Osmane Sobral Rezende

  • 11

    Fotos de arquivo

    Hoje, o conselho ocupa um prdio, na Praia de Botafogo

  • 12

    valorizao dos mdicos, estamos lutando em prol dos

    usurios das instituies.

    Chefe do servio de Oftamologia do Hospital dos

    Servidores do Estado e secretrio-geral da Sociedade

    Brasileira de Oftamologia, Gilberto dos Passos da

    mesma opinio: A melhoria das condies de trabalho

    tem sido uma luta constante. O grupo atual tem

    marcado presena junto aos rgos governamentais da

    capital, exigindo a aquisio de aparelhos e a melhoria

    das condies.

    com o conselho, temos um rgo de defesa pertinho de

    ns. Isso trouxe muitas melhorias para quem trabalha

    na Baixada, diz.

    Atualmente, alm de Nova Iguau, o Cremerj conta

    com mais 15 seccionais pelo interior do estado

    e cinco subsedes na capital. A sede do conselho,

    em Botafogo, foi ampliada e modernizada, o que

    permitiu melhor infra-estrutura para aqueles que a

    freqentam. Antes, o mdico tinha dificuldade de

    acesso ao conselho. At para pegar um documento era

    complicado, ressalta Borges.

    Mdicos do interior aplaudem, ainda, o maior acesso

    a cursos de educao continuada, outra frente da

    atual gesto. Dermatologista e mdico do Corpo de

    Bombeiros em Campos, Edilberto Pellegrini torce

    para que os cursos e palestras sejam cada vez mais

    freqentes nas unidades do Cremerj no interior. Eu

    j participei vrias vezes, como palestrante e como

    ouvinte. Esses encontros so fundamentais, pois

    facilitam a troca de informao entre os profissionais,

    elogia.

    Os cursos de educao continuada acontecem

    regularmente durante o ano, nas reas de Clnica

    Mdica, Pediatria, Ginecologia e Obstetrcia. J as 46

    cmaras tcnicas e 21 grupos de trabalho que atuam

    na integrao com as sociedades de especialidade

    promovem pelo menos um frum a cada 12 meses.

    A atualizao dos mdicos tambm pode ser feita

    pelo site do Cremerj (www.cremerj.org.br), no qual

    o filiado tem acesso biblioteca do conselho, faz

    download de palestras e consulta a revistas nacionais e

    internacionais especializadas em Medicina, inclusive

    os mais de 130 ttulos do acervo da Capes Peridicos.

    A educao continuada em todas as reas da Medicina

    foi um presente desta gesto para os profissionais,

    endossa Borges.

    CAMPANHA DE VALORIZAOCAMPANHA DE VALORIZAO

    Outro passo importante foi dado pelo Cremerj no

    ano passado, ao lanar a campanha Quanto Vale o

    Mdico?. Foram espalhados cerca de 100 outdoors

    pelo estado, com informaes sobre a realidade dos

    Agora temos um vnculo direto com Agora temos um vnculo direto com

    o conselho, temos um rgo de o conselho, temos um rgo de

    defesa pertinho de ns. Isso trouxe defesa pertinho de ns. Isso trouxe

    muitas melhorias para quem muitas melhorias para quem

    trabalha na Baixada. trabalha na Baixada.

    Orlando Bottari Filho

    Com a constituio de comisses de Sade Pblica,

    tica Mdica, e dos grupos de trabalho de Emergncia

    e Materno-Infantil, que subsidiam e implementam as

    polticas do conselho, o Cremerj vem atuando no s

    por melhores condies de trabalho como por salrios

    mais justos na sade pblica. E, quando o assunto

    so salrios, uma conquista da atual gesto foi a

    implantao da tabela AMB, ainda na dcada de 90,

    fruto de uma luta vitoriosa com ampla participao

    dos mdicos. Na poca, com o salrio da rede pblica

    suficiente para sustentar uma medida mais dura, os

    mdicos de consultrio suspenderam o atendimento

    de todos os convnios particulares. Hoje, contam com

    reajustes anuais dos seguros e planos de sade.

    PRESENA NO INTERIORPRESENA NO INTERIOR

    O choque da atual gesto tambm visvel para os

    que atuam distante da capital. Nascido e criado na

    Baixada Fluminense, o diretor da Casa de Sade

    Nossa Senhora de Ftima, em Nova Iguau, Orlando

    Bottari Filho comemora o maior acesso que hoje tem

    ao Cremerj, graas inaugurao de uma seccional da

    entidade no municpio. Agora temos um vnculo direto

  • 13

    hospitais e as pssimas condies de trabalho dos

    mdicos, constatadas nas inmeras fiscalizaes com

    a participao do Ministrio Pblico e das comisses

    de tica do conselho, que fundamentaram mais de 50

    aes civis pblicas.

    Manifestaes por melhores salrios e condies

    aconteceram na capital. At novembro de 2007, cerca

    de 1,3 mil mdicos do estado no haviam recebido

    os salrios de abril, maio e junho. A atual gesto,

    alm de lutar pela qualidade do servio mdico, tem

    destacado a importncia desse profissional no contexto

    da sade, enfatiza Bottari, de Nova Iguau.

    Pellegrini tambm ressalta a relevncia da campanha

    Quanto Vale o Mdico?. Para ns, o problema nunca

    foi a escassez de trabalho, mas a descaracterizao

    da importncia da atividade mdica. Existe uma

    desvalorizao muito grande, que se exarcebou

    recentemente, relata. Ele observa, entretanto, que

    nos ltimos anos o Cremerj tem se empenhado em

    mostrar que est ao lado dos mdicos. Nenhum dos

    meus pacientes veio criticar o que estava escrito nos

    folhetos da campanha. Ao contrrio, eles concordam

    com tudo o que est l. Assim como uma carreira se

    constri ao longo de anos, essas mudanas tambm

    demoram.

    BENEFCIOS PARA TODOSBENEFCIOS PARA TODOS

    A atual gesto do Cremerj congrega integrantes

    de vrias sociedades de especialidade que se reuniam

    na Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de

    Janeiro. Em 1993, venceram a eleio para o Cremerj

    e, em 1994, para o CFM. Comearam, a partir da,

    a disseminar sua filosofia, cujo ideal se baseia no

    trip da luta por melhorias na relao com os

    convnios, da valorizao do mdico, principalmente

    no setor pblico, e da maior ateno aos recm-

    formados.

    Depois de trs gestes no CRM fluminense,

    conquistas tanto para os recm-formados quanto

    para os veteranos. O Cremerj foi o primeiro

    conselho a entregar a carteirinha de imediato para

    o profissional recm-diplomado, acabando com a

    burocracia. Foi pioneiro tambm na criao de uma

    comisso para os recm-formados, que reivindica

    a ampliao das vagas para residncia mdica e a

    valorizao dos preceptores, alm de incentivar

    a iniciao cientfica premiando anualmente os

    melhores trabalhos.

    Os mdicos com mais de 70 anos no foram

    esquecidos. Em 1998, apesar de orientaes

    contrrias, o Cremerj valeu-se de sua autonomia

    para, desde ento, dispensar os veteranos

    do pagamento de anuidade. Outra marca da

    nossa gesto tem sido as lutas incessantes

    contra a proliferao das escolas mdicas e pela

    regulamentao do Ato Mdico, ressalta Mrcia Rosa

    de Araujo, presidente do Cremerj.

    um grupo que busca intervir na um grupo que busca intervir na

    falta de condies de trabalho na falta de condies de trabalho na

    rede pblica e discute o tema junto rede pblica e discute o tema junto

    sociedade, ampliando o leque de sociedade, ampliando o leque de

    alianas dos mdicos. alianas dos mdicos.

    Eduardo Santana

    Quem v de fora, tambm elogia a atuao da atual

    gesto. Tenho um respeito muito grande pelo grupo

    que hoje coordena o Cremerj. um grupo que busca

    intervir na falta de condies de trabalho na rede

    pblica e discute o tema junto sociedade, ampliando

    o leque de alianas dos mdicos, afirma Eduardo

    Santana, presidente da Fenam.

    Aes para ilustrar a evoluo e a importncia da

    atuao tanto do Cremerj quanto dos demais CRMs

    ao longo dos anos no faltam. Poucas, porm, so

    capazes de reconhecer a persistncia dos mdicos,

    principalmente em meio atual crise da sade. Por

    isso que uma das coisas mais gratificantes frente

    do Cremerj tem sido a iniciativa de homenagear os

    mdicos com mais de 50 anos de formatura, resume

    Mrcia Rosa.

  • 14

    CIDADE

    Via-crcis pelas ruas do Rio Propostas para desafogar as ruas no saem do papel e

    engarrafamentos viram rotina no cotidiano carioca

    Duplicao da Avenida das Amricas, Linha 4 do metr e corredor T-5 so promessas que quem mora no municpio do Rio de Janeiro j cansou de ouvir.

    Para se ter um idia de como as mudanas no trnsito

    so lentas, basta lembrar do corredor T5 que ligaria

    a Barra da Tijuca Penha e diminuiria em at 15%

    o nmero de veculos que circulam diariamente na

    Avenida Ayrton Senna , discutido h pelo menos 10

    anos. O que no muda a rotina de quem precisa cruzar

    a cidade para trabalhar e que ano aps ano se programa

    para sair de casa cada vez mais cedo para no chegar

    atrasado ou perder o compromisso.

    Moro em So Conrado e levo em mdia uma hora e

    quinze minutos para chegar a Botafogo, passando pela

    Lagoa. No importa se passo por ali antes das 8h, s

    9h ou s 10h, sempre tenho que sair muito cedo de

    casa para garantir que vou chegar no horrio, pois os

    pacientes, especialmente os que sero operados, no

    podem ficar esperando, diz o cirurgio Rui Haddad.

    Morador de Niteri, o obstetra Sidney Rocha de Mattos

    Junior tambm enfrenta problemas dirios para chegar

    Maternidade Carmela Dutra, no Lins. Faz cinco

    anos que fao este caminho e s vejo o trnsito piorar.

    Circular pelas ruas de Niteri complicado. A ponte

    Rio-Niteri outro trajeto sem soluo, engarrafa

    diariamente, afirma Mattos, que nos fins de semana

    evita fazer programas no Rio para no ter que cruzar

    a ponte.

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  • 15

    Segundo Fernando MacDowell, doutor em Engenharia

    de Transporte, uma das solues para evitar tanta

    perda de tempo em congestionamentos na Lagoa

    transformar a Avenida das Amricas em via expressa e

    criar uma nova Lagoa-Barra. O ideal seria criar uma

    onda verde ou sem sinal que fosse da Avenida Paulo de

    Frontin, no Rio Comprido, Barra. O trfego de quem

    circula apenas pela Barra ficaria segregado naquelas

    ruas laterais, permitindo que quem vai da Zona Sul para

    a Barra, por exemplo, s andasse na via expressa. As

    pessoas perderiam menos tempo, diz.

    Em maio do ano passado, o prefeito Csar Maia se

    reuniu com moradores da Barra e prometeu que a

    duplicao da Avenida das Amricas, no trecho do

    Recreio, vai sair do papel ainda em sua gesto.

    uma obra urgente, disse poca. Mas at dezembro

    do ano passado, as obras, oradas em R$ 50 milhes,

    ainda no haviam comeado, prejudicando gente

    como o mdico Manuel Ildio, que faz rotineiramente

    o trajeto Barra-Centro-Barra e j est acostumado aos

    engarrafamentos. Segundo os especialistas em trnsito,

    mais de 400 mil pessoas se deslocam diariamente

    pelo corredor Barra-Zona Sul-Centro. E essa ligao

    continua sendo feita exatamente como h 30 anos.

    PROJETOS ENGAVETADOSPROJETOS ENGAVETADOS

    Enquanto a duplicao da Avenida das Amricas

    promessa, a Linha 4 do metr est cada vez mais longe

    de se tornar realidade. O ramal que ligaria o Centro

    Barra foi descartado pelo prefeito. At o fim do meu

    governo, as obras no comeam. A Procuradoria Geral

    do municpio no aprovou o trajeto inicial, afirma

    Csar Maia. Outro plano do prefeito que ainda no foi

    posto em prtica so as linhas de nibus circulares para

    a Barra. A idia inicial era que comeassem a trafegar

    logo aps os Jogos Pan-Americanos, que aconteceram

    em julho passado. A Prefeitura podia investir nisso,

    porque os cariocas usam o transporte pblico e esses

    nibus desafogariam as ruas. Quem no usa so as

    pessoas que precisam ir a vrios lugares em um s

    dia e no podem ficar refns dos nibus ou do metr,

    observa MacDowell.

    Motoristas que trafegam pela Linha Amarela, entre 7h e 9h30min, em direo Barra ou ao Centro, devem pegar a faixa seletiva. O tempo de viagem pode ser encurtado em at 50%

    Quem mora no Recreio e costuma passar pelas avenidas das Amricas e Ayrton Senna para ir para o Centro, pode optar pela Estrada dos Bandeirantes. Os que moram em Jacarepagu evitam congestionamentos nessas vias pegando a Estrada de Jacarepagu

    Moradores da Barra que precisam ir ao Centro antes das 10h andam mais rpido se forem pela orla do que pela Linha Amarela

    Depois das 16h30min, a Avenida Niemeyer o melhor caminho para quem sai da Barra em direo Zona Sul

    A Lagoa deve ser evitada sempre que possvel. A orla a melhor alternativa para quem precisa cruzar a cidade

    Ao sair do tnel Zuzu Angel, a melhor alternativa a orla do Leblon. O motorista deve evitar a Rua Jardim Botnico, mesmo que v para Botafogo ou Flamengo

    Motoristas que saem de Botafogo e vo para outros bairros da Zona Sul no devem trafegar pela Rua Jardim Botnico. O melhor caminho a orla

    Quem sai de Niteri e vai para a Zona Sul deve optar pela Perimetral e pelo Aterro do Flamengo. Quem vai para o Centro deve trafegar pela Perimetral

    Dicas para diminuir o tempo perdido no trnsito

  • 16

    para no ficar mais tempo do que o normal retido

    na ponte no retorno de feriados. Se no quiser ficar

    parado no mesmo trecho, o jeito sair de casa antes

    das 6h30min. Quem mora em Niteri tem que se

    programar, porque s para chegar ponte j se perde

    um tempo, diz. Alm de driblar a sada do Rio em

    feriados, s sextas-feiras Mattos s deixa a cidade rumo

    a Niteri depois que a noite cai.

    Todas essas estratgias podem ir por gua abaixo se for

    aprovado o rodzio de carros no Rio, nos moldes do que

    foi implantado em So Paulo. Acho invivel, porque

    no se resolve problema com bl-bl-bl. uma deciso

    drstica e quem puder vai comprar outro carro para

    continuar circulando, diz MacDowell. Para Haddad, o

    rodzio s causaria mais dificuldades. Em So Paulo,

    o programa foi aprovado porque resolve parte do

    problema de poluio. No temos essa necessidade no

    Rio, diz. Dependo do carro porque corro de um lugar

    para o outro. Mattos tambm no aprova a medida. Eu

    teria que ter dois carros para continuar trabalhando.

    Seria melhor que solucionassem o problema, mas no

    isso que vemos. Alguns amigos meus desistiram de

    morar em Niteri porque no agentavam mais perder

    tantas horas do dia dentro de um carro.

    Alm das horas perdidas, algumas vezes os mdicos

    vivem uma verdadeira agonia presos nos

    engarrafamentos da cidade. Haddad lembra que h

    alguns anos estava na Tijuca ao receber uma chamada

    urgente para atender um paciente na Gvea. Sa

    correndo e quando cheguei na Rua Jardim Botnico

    estava tudo parado. Foi no comeo da dcada de 90,

    os celulares no eram comuns. Fiquei apreensivo e

    no tinha como avisar que ia me atrasar. Como sabia

    que o estado do paciente era grave, comecei a pensar

    que eu no ia chegar e ele morreria. Vi que s restava

    rezar porque o trnsito no ajudava em nada, lembra.

    Infelizmente, depois de tantos anos, a situao s

    piora. Fazem muitas promessas, mas quem circula

    de carro sabe que raramente h guardas orientando

    os motoristas e tambm que j passou da hora de

    disciplin-los.

    o caso de Haddad, que alm de trabalhar em Botafogo

    atende no Hospital do Fundo, na Ilha do Governador, e

    em Copacabana. Ainda que, segundo ele, a Linha

    Vermelha esteja menos engarrafada que a Lagoa,

    preciso armar uma estratgia para no ficar preso

    no trnsito. Se o meu expediente no hospital acabar

    antes das 11h, eu espero at o meio-dia para evitar

    pegar muito trnsito. Fazer hora uma rotina pra mim.

    Raramente vou em casa se tenho duas ou trs horas

    livres entre um compromisso e outro. Acabo indo ao

    shopping, gastando dinheiro desnecessariamente, para

    no ter que voltar para casa, onde eu ficaria no mximo

    por meia hora, j que o restante do tempo livre seria

    passado no trnsito, conta Haddad.

    Mattos outro que estabeleceu suas prprias regras.

    Morador de Santa Rosa, em Niteri, ele j testou o

    uso de barcas e catamars. No me servem porque

    ao chegar na Praa XV eu tenho que pegar um nibus

    at o Lins e o tempo ganho nas barcas perdido nesse

    trajeto, diz o mdico, que tambm criou um esquema

  • 17

    CAPA

    Mulheres revelam como do conta de serem mes, donas-de-casa e mdicas. E concluem: o esforo vale a pena

    Elas jogam nas onze

  • 18

    E las cuidam da casa, do marido e dos filhos. Fazem compras no supermercado, administram o oramento domstico e conseguem arrumar

    tempo para dar um pulinho no cabeleireiro. Como

    se no bastasse, ainda se dedicam a salvar vidas. S

    mesmo o amor Medicina para fazer com que as

    mulheres se desdobrem nos papis de me, dona-

    de-casa e profissional da rea de sade. Um amor

    que resiste no s falta de tempo, mas tambm a

    muitas cobranas e preconceito.

    A histria da mulher na Medicina nunca foi fcil. A

    primeira a trilhar seu caminho por esta dura estrada

    foi Maria Augusta Generoso Estrela, uma filha de

    portugueses que com apenas 15 anos embarcou,

    em 1875, num navio para os Estados Unidos em

    busca de seu ideal. Obcecada pela idia de tornar-

    se mdica desde que viu uma notcia no jornal,

    Maria Augusta convenceu seu pai a mand-la para

    Nova York. O motivo? No Brasil, as mulheres eram

    proibidas de freqentar as faculdades de Medicina,

    o que perdurou at 1879.

    O poder de persuaso da moa foi posto prova

    novamente quando ela desembarcou em solo

    americano. Ao chegar New York Medical College

    and Hospital for Women, Maria Augusta quase teve

    de voltar para o Brasil por ter menos de 18 anos.

    Pediu uma audincia para que, ao vivo, explicasse os

    motivos pelos quais queria ser mdica. Enfrentou a

    banca e convenceu a congregao a deix-la fazer

    a prova. Foi aprovada com distino.

    A ousadia e o pioneirismo de Maria Augusta

    tambm foram seus grandes aliados quando a

    empresa de seu pai sofreu um revs financeiro. A

    jovem teria de voltar ao Brasil, j que sua famlia

    no tinha mais como custear seus estudos. Ao

    saber da situao, o imperador Dom Pedro II se

    sensibilizou e ordenou, por meio de um decreto

    de 1877, que fossem concedidos os subsdios

    necessrios para a formao de Maria Augusta.

    Ao se graduar, em 1879, Maria Augusta teve

    de esperar dois anos para atingir a maioridade

    e, s ento, receber o diploma. Neste perodo,

    freqentou cursos, estagiou em vrios servios

    mdicos e produziu um peridico chamado A

    Mulher. Na primeira edio, incentivava jovens a

    lutarem pela sua independncia e a se dedicarem

    ao estudo da cincia. Trazia ainda a biografia de

    mulheres notveis e estimulava as meninas a

    lutarem por seus direitos.

    No mesmo ano de 1879, motivado pelo sucesso

    de Maria Augusta, Dom Pedro II venceu o

    preconceito e colocou a carreira mdica, antes

    exclusivamente masculina, ao alcance da mulher.

    O imperador abria as portas da faculdade ao

    pblico cor-de-rosa.

    A histria da mulher na Medicina nunca foi fcil. A primeira a trilhar seu A histria da mulher na Medicina nunca foi fcil. A primeira a trilhar seu

    caminho por esta dura estrada foi Maria Augusta Generoso Estrela, uma caminho por esta dura estrada foi Maria Augusta Generoso Estrela, uma

    filha de portugueses que com apenas 15 anos embarcou, em 1875, num filha de portugueses que com apenas 15 anos embarcou, em 1875, num

    navio para os Estados Unidos em busca de seu ideal. Obcecada pela idia navio para os Estados Unidos em busca de seu ideal. Obcecada pela idia

    de tornar-se mdica desde que viu uma notcia no jornal, Maria Augusta de tornar-se mdica desde que viu uma notcia no jornal, Maria Augusta

    convenceu seu pai a mand-la para Nova York.convenceu seu pai a mand-la para Nova York.

  • 19

    Maria Augusta finalmente se formou em 1881 e

    voltou para casa um ano depois como a primeira

    mdica brasileira. Desembarcando no Rio,

    marcou uma audincia com Dom Pedro II, na qual

    conversaram sobre o futuro da Medicina no Brasil, a

    importncia da mulher e o servio que ela prestaria

    ao pas. Validou seu diploma depois de fazer as

    provas da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.

    Dois anos depois de seu retorno ao pas, Maria

    Augusta se casou com Antonio Costa Moraes.

    Apesar dos cimes do marido farmacutico, ela

    nunca largou a profisso e continuou clinicando

    para mulheres e crianas em seu consultrio. Muitas

    vezes atendia de graa. Teve cinco filhos e, com a

    morte do companheiro, precisou se dedicar quase

    que exclusivamente famlia. Mas volta e meia era

    consultada por colegas quando eles se deparavam

    com um diagnstico mais difcil. Morreu aos 86

    anos, com a certeza de dever cumprido, em casa e

    no consultrio.

    CONE DE UMA NOVA GERAOCONE DE UMA NOVA GERAO

    Quando Maria Augusta de Toledo Tibiri Miranda

    se formou pela Universidade do Brasil, em 1941,

    os tempos eram outros. Sessenta anos j tinham

    se passado desde a formatura de Maria Augusta

    Estrela, mas as mulheres ainda eram minoria na

    faculdade de Medicina.

    A minha turma era de 170 alunos e tinha s 10

    mulheres, lembra Maria Augusta, a Tibiri, do

    alto de seus 90 anos, muitos deles dedicados

    sade pblica. De sorte, j era o deslanchar de uma

    Encarei a maternidade, a profisso e as minhas campanhas Encarei a maternidade, a profisso e as minhas campanhas

    com a mesma seriedade. Houve pocas em que eu ficava com a mesma seriedade. Houve pocas em que eu ficava

    com os meninos de manh, ia para o planto e depois com os meninos de manh, ia para o planto e depois

    emendava nas campanhas. emendava nas campanhas.

    Maria Augusta Tibiri Maria Augusta Tibiri

    Foto

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    ivo

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    oal

  • 20

    nova era. Ns fomos pioneiros, mas a Maria Augusta

    Estrela j tinha aberto o caminho.

    O contato de Maria Augusta Tibiri com a

    Medicina comeou quando ela ainda era criana.

    Sua me, Alice, promoveu as maiores campanhas

    contra hansenase da poca e ela, desde menina, a

    acompanhava por toda parte: hospitais, leprosrios

    e institutos de sade mental. Quando chegou a

    hora do vestibular, eu ainda hesitei entre Direito e

    Medicina, lembra.

    Dona Alice, sempre frente de seu tempo, queria

    que os filhos fossem independentes. E como achava

    que Maria Augusta era apegada demais a ela,

    embarcou a filha de 17 anos em um trem em So

    Paulo, onde moravam, rumo ao Rio de Janeiro.

    Maria Augusta Tibiri completou seus estudos

    trabalhando no Ministrio da Aviao onde, depois

    de formada, foi transferida para a seo mdica.

    As consultas tarde no ministrio, por onde se

    aposentou, eram conciliadas com a enfermaria da

    Santa Casa, onde a mdica batia ponto toda manh,

    sob a superviso de Aloysio de Castro. A rotina

    contava ainda com campanhas mdico-sociais a

    exemplo de sua me e forte participao sindical.

    Nesse meio tempo, casou e teve trs filhos. Quando

    estava prestes a se aposentar, com 50 anos, resolveu

    fazer um curso de sade mental na Escola Nacional

    de Sade Pblica, anexa ao Instituto Oswaldo Cruz,

    em Manguinhos, no Rio. Tudo que era caso de

    Psiquiatria ia bater na minha seo no ministrio,

    justifica Maria Augusta Tibiri. Comecei a resolver

    uns casos complicados e decidi que era nisso que eu

    queria me especializar.

    AGENDA SEMPRE CHEIAAGENDA SEMPRE CHEIA

    Como a mdica dava conta da agenda? Ah, as

    mulheres sempre se viram, ela ri. Eu fazia as aulas

    prticas de manh, na Zona Sul, passava em casa

    para resolver os problemas, ia para Manguinhos e,

    noite, trabalhava no ministrio.

    Abriu o consultrio prprio quando os filhos

    estavam adolescentes e s parou de trabalhar depois

    de 50 anos de formada. Encarei a maternidade,

    Quando a minha primeira filha Quando a minha primeira filha

    nasceu, eu tinha oito empregos, nasceu, eu tinha oito empregos,

    E olha que eu me virava. Nunca E olha que eu me virava. Nunca

    faltei a uma festa ou reunio de faltei a uma festa ou reunio de

    colgio. colgio.

    Regina FernandesRegina Fernandes

  • 21

    a profisso e as minhas campanhas com a mesma

    seriedade. Houve pocas em que eu ficava com

    os meninos de manh, ia para o planto e depois

    emendava nas campanhas. O pior era quando tinha

    de viajar e os deixava para trs. Mas a gente acaba

    conseguindo... Ainda hoje eu fao cinco coisas ao

    mesmo tempo, brinca Maria Augusta Tibiri, que

    tem 13 netos e trs bisnetos.

    At hoje, 65 anos depois da formatura, Maria

    Augusta Tibiri se rene com os colegas de turma

    anualmente. E, mesmo que de maneira mais

    devagar, continua ativa. Ontem, por exemplo, fui

    a um simpsio na Uerj, noite, contou, no dia da

    entrevista.

    Encarar a tripla jornada de me, dona-de-casa e

    mdica parece mesmo ser a grande dificuldade das

    mulheres que optam por seguir a vocao de salvar

    vidas. Que o diga a pediatra Regina Fernandes, 53

    anos. Me de duas filhas adolescentes, uma de 17

    e outra de 14 anos, ela sua a camisa para dar conta

    de quatro empregos e estar presente na vida das

    filhas. Isso porque desacelerou o ritmo a partir de

    2002, depois da morte de sua me, brao-direito na

    criao das meninas.

    Quando a minha primeira filha nasceu, eu tinha

    oito empregos, diz Regina. E olha que eu me

    virava. Nunca faltei a uma festa ou reunio de

    colgio, embora ainda assim me sentisse culpada

    por no ser to presente. Eu queria dar mais, mas

    ao mesmo tempo sabia que no podia parar. Tinha

    o lado da realizao profissional, da independncia

    financeira.

    J a ginecologista Eunice Campos Mota, 53 anos,

    no teve a mesma sorte. Quando sua primognita

    Luciana, hoje com 30 anos, tinha quatro meses,

    sua me mudou-se para um bairro mais distante e o

    jeito foi recorrer ajuda de empregadas. Quando

    no se tem filhos at d para conciliar. Eu e meu

    marido comamos na rua, dvamos um jeito. Mas a

    quando a Luciana nasceu eu estava no quinto ano

    de Medicina. Dava planto trs vezes por semana,

    lembra.

    A ginecologista esperou sete anos para ter o

    segundo filho, Orlando, hoje com 23 anos. Quando

    ele nasceu eu j tinha uma empregada fixa. Mas a

    cobrana veio quando eles j eram mais crescidos.

    Eu nunca ia reunio da escola, nunca os via

    T ive muita satisfao, tanto T ive muita satisfao, tanto

    na carreira quanto na vida em na carreira quanto na vida em

    famlia. E meus filhos acham o famlia. E meus filhos acham o

    mximo ter uma me mdica. mximo ter uma me mdica.

    Eunice Campos MotaEunice Campos Mota

  • 22

    com 17 anos, e Juliana, 15. Agora sou eu e Deus.

    A gente tem de se desdobrar em vrias pessoas ao

    mesmo tempo, estar presente na famlia e garantir o

    padro de uma boa qualidade de vida, afirma.

    Andreza persistiu em seu sonho e nunca pensou em

    parar. Agora, que os meninos esto mais crescidos, os

    dias so de mais tranqilidade. Eles j usam o rdio-

    txi para ir e voltar dos lugares, se unem aos amigos

    e andam em grupo por questes de segurana. No

    exigem mais tanto a minha presena e at reclamam

    que eu pego muito no p deles. Acho que porque eu

    dei amor de sobra.

    Voc acha, Andreza? A resposta vem quando

    perguntamos o que os meninos querem fazer quando

    crescerem... Eles ainda no tm certeza, mas os dois

    querem prestar vestibular para Medicina. Sinal de

    que a equao me-dona-de-casa-mdica deu certo.

    Pelo menos na vida dessas mulheres.

    cantar, revela, com um pouco de culpa na voz.

    Arrependimento? Nenhum. Tive muita satisfao,

    tanto na carreira quanto na vida em famlia. E

    meus filhos acham o mximo ter uma me mdica,

    orgulha-se Eunice, 34 anos de casada, 29 de

    profisso.

    Regina tambm est feliz por ter apostado no sonho

    de ser mdica. A sua casa pode at no estar do

    jeito que voc quer. Mas quando voc consegue

    ajudar uma pessoa com o pouco conhecimento que

    tem e, ao mesmo tempo, v seus filhos crescidos,

    com educao e personalidade prpria, a voc

    entende que todo o esforo vale a pena, diz a

    mdica, que sonha agora em voltar a estudar e abrir

    uma clnica com outras trs amigas.

    AMOR DE SOBRAAMOR DE SOBRA

    Ginecologista e obstetra h 25 anos, Andreza

    de Almeida e Albuquerque, 48 anos, no tinha

    nenhum mdico na sua famlia. Mas com apenas

    12 anos ela j sabia o que queria para o futuro.

    Conseguiu uma bolsa de estudos para freqentar a

    Universidade Gama Filho, fez residncia no Hospital

    dos Servidores e trabalhou por 10 anos na Pr-

    Matre. Atualmente, atende quatro dias na semana

    no Hospital da Lagoa e, diariamente, no consultrio

    particular.

    O casamento com um neurocirurgio acabou

    h cinco anos, mas at ento ela e o marido se

    revezavam como podiam para criar Matheus, hoje

    A gente tem de se desdobrar em vrias A gente tem de se desdobrar em vrias

    pessoas ao mesmo tempo, estar presente pessoas ao mesmo tempo, estar presente

    na famlia e garantir o padro de uma na famlia e garantir o padro de uma

    boa qualidade de vida. boa qualidade de vida.

    Andreza de Almeida e AlbuquerqueAndreza de Almeida e Albuquerque

  • 23

    COMPORTAMENTO

    Paixo que s perde para o amor pela Medicina Histrias de quem se desdobra para conciliar carreira e atividades to diversas como

    pintura, literatura e msica

    Quis ser mdico depois que um tio me explicou o que

    era o eletrocardiograma. Antes, pensava em fazer

    Engenharia, conta. Fui aluno da Uni-Rio, diretor da

    instituio e pude dar aulas para o meu filho e para

    a minha neta Mariana, sem dvida a minha maior

    emoo.

    Nem s os livros dividem o tempo do cardiologista

    com a Medicina. Franco tambm autor de quatro

    peas de teatro que lhe valeram trs prmios, o

    ltimo ganho em Minas Gerais no Dia do Mdico.

    Escrever faz parte do meu dia-a-dia. Gosto mais

    de criar contos do que crnicas e acho os contos

    policiais os mais difceis, ainda mais se o autor no

    quiser reche-los com sangue e sexo. S os escrevo de

    frias, em Petrpolis. Para os outros temas no tenho

    restries. A inspirao aparece, sento e escrevo.

    CARREIRA EM PRIMEIRO LUGARCARREIRA EM PRIMEIRO LUGAR

    Franco no o nico mdico a dividir seu tempo

    com um hobby que s perde o primeiro lugar em

    uma lista de preferncias para a Medicina. O

    gastroendoscopista Fernando Guigon aprendeu a

    Atividades como pintar, escrever livros, atuar ou tocar em uma banda podem acabar virando mais do que simples hobbies na vida de mdicos capazes

    de encontrar tempo em rotinas atribuladas para no

    deixar de lado o que chamam de segunda paixo.

    o caso de Pedro Franco, que desde 1961 concilia a

    carreira de cardiologista com a de escritor. Foi nesse

    ano que ele escreveu seu primeiro livro de contos.

    Vinte anos depois, publicou o segundo livro e no

    parou mais. Hoje, Franco coleciona prmios literrios

    so 365, sendo 16 internacionais.

    Eu no imaginava virar escritor. Comecei me

    obrigando a escrever, aos 14 anos, porque era

    pssimo aluno em Portugus, conta Franco, prestes

    a pr o ponto final em seu oitavo livro, O casario,

    escrito a pedido da mulher com quem completa 50

    anos de casado em fevereiro. Aceitei porque ela,

    que sempre esteve ao meu lado e tanto me ajudou,

    vai desenhar a capa. Mas aviso que no um livro de

    memrias. So 45 crnicas que falam de assuntos

    variados, diz ele, que mesmo depois de tantos

    prmios se considera muito mais mdico que escritor.

    Eu no imaginava virar escritor.

    Comecei me obrigando a

    escrever, aos 14 anos, porque era

    pssimo aluno em Portugus.

    Pedro Franco

  • 24

    tocar violo aos 11 anos. Levou a srio e, durante os

    dois primeiros anos da faculdade, chegou a estudar

    cinco horas por dia antes de abandonar o instrumento

    e se dedicar carreira de mdico. Tempos mais tarde,

    j trabalhando no Hospital da Lagoa, reuniu outros

    trs mdicos-msicos e fundou a banda Duo Deno, h

    13 anos na estrada.

    Conseguimos conciliar a banda, que no tem

    finalidade lucrativa, e nossas carreiras. Alm disso,

    gosto mais de tocar em grupo que sozinho. E olha

    que por anos toquei violo clssico, conta Guigon,

    que j se apresentou com a banda no Programa do

    J, fez shows em Belo Horizonte, Maric e Barra do

    Pira e gravou dois discos, um em 1996 e outro 10

    anos depois. Tocamos especialmente samba e bossa

    nova, no somos muito de compor. Nossas msicas

    at podem ficar de fora de um show, mas Apanhei um

    resfriado, de Leonel Azevedo, e O que ser de mim, de

    Ismael Silva, no podem faltar.

    Outro msico da Duo Deno o mdico Luiz Artur

    Juruena, chefe do setor de gastroenterologia e

    endoscopia do Hospital da Lagoa. Como Guigon, ele

    comeou cedo a aprender um instrumento. Aprendi

    a tocar clarinete aos 13 anos. Dois anos mais tarde,

    comecei a ter aulas de sax-alto, conta Juruena, que

    seguiu os passos do pai no s na carreira mdica

    como tambm na msica. Meu pai tocava clarinete

    muito bem e era professor titular de Bioqumica da

    UFF. Sempre me apoiou na deciso de aprender a

    tocar instrumentos, lembra.

    ENSAIOS TODA SEMANAENSAIOS TODA SEMANA

    Para que a banda no faa feio nos shows, o grupo

    ensaia religiosamente uma vez por semana. Nos

    encontramos toda tera-feira em um estdio em

    Botafogo. Ensaiamos l h mais de 10 anos. Mesmo

    se for feriado, o estdio abre e ningum falta, diz

    Guigon, que espera daqui a alguns anos diminuir

    o ritmo de trabalho para poder se dedicar mais

    ao grupo. Vou estudar msica quando estiver

    trabalhando menos. Atualmente trabalho em mdia

    10 horas por dia, no Hospital da Lagoa e em uma

    clnica privada, sobrando pouco tempo para investir

    nessa outra carreira, diz. Assim como ele, Juruena

    usa seu tempo livre para aprender mais e mais

    sobre msica. indispensvel para a minha vida.

    Graas msica e banda eu sou uma pessoa e um

    profissional melhor.

    O que Guigon e Juruena querem ter mais tempo

    para se dedicar msica Antnio Lemme j

    conseguiu. Mas o clnico geral, que hoje s atende

    no prprio consultrio, no msico e sim ator.

    Comecei a fazer teatro ainda jovem. Aos poucos, a

    Medicina tomou conta do meu tempo,

    ocupou todos os espaos e acabei

    Conseguimos conciliar

    a banda, que no tem

    finalidade lucrativa, e

    nossas carreiras.

    Fernando Guigon

    Graas msica

    e banda eu sou

    uma pessoa e

    um profissional

    melhor.

    Luiz Artur Juruena

  • 25

    A pintura uma atividade

    prazerosa. Espero que continue

    sendo assim por muitos e

    muitos anos.

    Kerman Gervsio de Moura

    deixando os palcos de lado, conta Lemme, que agora

    vem se especializando na arte de ser clown.

    Meu desejo levar a arte clown para o Inca, onde

    encerrei a carreira pblica. No quero trabalhar

    com crianas, muitas pessoas j fazem isso e bem.

    Gostaria de me apresentar para pessoas da terceira

    idade, que muitas vezes esto no hospital longe de

    suas famlias, diz ele, que j se arriscou tambm

    como escritor. Escrevi o livro Ouvindo e encantando

    pacientes. Na festa de lanamento, entrei vestido

    de mdico e sa de palhao. Foi um momento muito

    especial para mim, lembra. F incondicional de

    Raul Seixas, o mdico tambm se apresenta vestido

    como o msico. E como Carlitos, Chico Buarque e

    John Lennon, diz Lemme, casado com uma colega

    que toca piano. Ela me acompanha em algumas

    apresentaes.

    NA COMPANHIA DOS AMIGOSNA COMPANHIA DOS AMIGOS

    Quem costuma acompanhar o pintor e cirurgio

    Kerman Gervsio de Moura em suas idas s praias de

    Niteri tambm so outros mdicos. nas areias de

    Icara, Itacoatiara, Camboinhas e Flechas que ele e os

    amigos pintam com a tcnica planair ao vivo, com

    a luz do dia e a cena que acontece naquele instante.

    Comecei a pintar h uns 10 anos, mas sempre gostei

    de arte. Meu pai bom desenhista, aprendi com

    ele. Depois, tive acesso a alguns livros de pintores

    que retratavam praias e encostas e passei a me

    interessar.

    A atividade j teve data e hora para ser realizada.

    Durante algum tempo, Moura e os amigos se reuniam

    duas vezes por semana. Com o passar dos anos, ficou

    difcil manter a regularidade. Nem sempre tenho

    tempo. A cirurgia toma muito espao, embora eu no

    reclame porque sou um apaixonado pelo que fao,

    afirma. Mas a verdade que um retrato que poderia

    ser pintado em dois dias acaba levando dois meses e

    a eu me apego s obras e no as vendo. Para mim,

    a pintura uma atividade prazerosa. Espero que

    continue sendo assim por muitos e muitos anos.

    Meu desejo levar a arte

    clown para o Inca, onde

    encerrei a carreira pblica.

    Antnio Lemme

  • BEM-ESTAR

    26

    Boa forma debaixo dgua

    Academias aumentam a oferta de exerccios na piscina

    Com o vero, as academias ficam lotadas. E no s de gente que quer correr contra o tempo para recuperar a forma. Nessa poca do ano, cada vez mais

    pessoas procuram atividades que possam ser feitas

    dentro dgua. A maioria acredita que os exerccios na

    piscina provocam menos leses e ajudam a emagrecer

    mais rapidamente. Mentira.

    O que determina a perda de peso a quantidade

    de calorias ingeridas e perdidas e no h nada que

    prove que se perde mais calorias em uma piscina, diz

    Claudio Gil Soares de Arajo, especialista em Medicina

    do exerccio e do esporte. A gua diminui o impacto

    das atividades, mas no quer dizer que as leses

    possam ser facilmente evitadas, completa. Mesmo

    Aula na By Fit, que oferece acqua jump, acqua bike e acqua flex

  • 27

    assim, vale a pena conferir as novidades. Afinal,

    quando os termmetros batem os 40C, praticar

    esportes dentro dgua sempre mais prazeroso.

    Professora h seis anos, Fernanda Bergher d aulas na

    academia By Fit. Quando comecei, as pessoas mais

    velhas eram maioria. Isso mudou com as aulas de

    acqua bike, o spinning dentro dgua, acqua jump, com

    cama elstica na piscina, e acqua flex, uma espcie

    de alongamento. Agora, Fernanda se dedica s aulas

    de elstico debaixo dgua, a novidade da By Fit neste

    vero. Fortalece as pernas, onde o elstico fica preso,

    enquanto o aluno faz os movimentos tradicionais da

    hidroginstica, diz.

    Stella Torreo, do Espao Stella Torreo, lembra

    que, na dcada de 70, a hidroginstica era praticada

    somente por idosos. Os jovens, especialmente os

    homens, viam a modalidade com preconceito. Com

    o passar dos anos, porm, descobriram que quem

    a pratica melhora a flexibilidade, a resistncia e o

    reflexo. Alm disso, surgiram materiais para serem

    usados na piscina que aumentam a resistncia e

    atendem aos mais jovens, conta Stella, que para este

    vero aposta no triaquastep. uma atividade intensa

    que combina bicicleta, step e cama elstica dentro

    dgua.

    J na Academia Upper, que tem um parque aqutico

    com quatro piscinas na filial do Flamengo, a chegada

    do vero foi celebrada com uma grande aula de

    hidroginstica. Acreditamos que a procura por

    hidromix, que mistura a hidroginstica tradicional

    com exerccios em uma cama elstica, vai crescer,

    aposta Sumaia Nascimento, gerente do parque.

    ACONSELHAMENTO MDICO FUNDAMENTALACONSELHAMENTO MDICO FUNDAMENTAL

    Antes de se matricular em uma das novidades ou

    mesmo em uma modalidade j consagrada, o aluno

    deve consultar um mdico. Praticar exerccios

    sem passar por exames pode trazer complicaes

    cardiovasculares, nem os mais jovens devem se

    arriscar, diz o cardiologista e mdico do esporte

    Marcos Brazo. O ideal recorrer a um especialista

    em cardiologia ou Medicina do esporte. Dependendo

    da faixa etria, a avaliao vai do exame clnico

    acompanhado de eletrocardiograma realizao

    O que determina a perda de

    peso a quantidade de calorias

    ingeridas e perdidas e no h

    nada que prove que se perde

    mais calorias em uma piscina.

    Fotos de divulgao

    Claudio Gil Soares de Arajo

    By Fit Espao Stella Torreo

  • 28

    A! Body TechRua General Urquiza, 102, LeblonTel: 2529-8898Aulas de hidro tae boxe, na qual os alunos reproduzem dentro dgua movimentos de artes marciais; de hidropower, com aparelhos fl utuantes e pesos, e de hidrorelax, que mistura relaxamento e massagem

    Academia UpperRua Marqus de Abrantes, 88, FlamengoTel: 2554-8381A academia conta com um parque aqutico com quatro piscinas salinizadas, onde oferece aulas de natao para crianas a partir de quatro meses. Quem prefere um pouco mais de ao pode se matricular na aula de hidromix, que mistura hidroginstica com exerccios em uma cama elstica

    By FitRua Conde de Bonfi m, 186, 2 andar, TijucaTel: 3234-5077Oferece acqua jump, com exerccios na cama elstica; acqua bike, uma espcie de spinning dentro dgua; acqua fl ex, para alongar o corpo; e elstico na piscina, com movimentos da hidroginstica. Alm disso, h aulas de natao para os que pretendem competir em travessias martimas

    Espao Stella TorreoRua Fonte da Saudade, 146, LagoaTel: 2579-3138A aposta para o vero a aula de triaquastep, combinao de bicicleta, step e cama elstica. Tambm oferece aulas de aquaspin, que foi introduzida na Amrica Latina pela professora Stella Torreo

    Niteri SwimRua Mariz e Barros, 66, IcaraTel: 3602-2063A academia tem aulas de hidrobike, hidroginstica e natao para crianas a partir dos seis meses

    Rio Sport CenterAvenida Ayrton Senna, 2.541, Barra da Tijuca Tel: 3325-6644Aulas de spinning, de cama elstica e exerccios subindo e descendo rampas em piscina aquecida. A academia oferece ainda natao e nado livre

    Onde praticar de teste ergomtrico em esteira, especialmente para homens acima dos 35 anos e mulheres acima dos 45.

    Arajo, ex-nadador e acostumado a correr meia-

    maratona, aconselha ainda ateno a sintomas que

    podem sinalizar doenas graves. Se, durante a aula,

    o aluno sentir palpitao exagerada, falta de ar,

    tonteira e dor no peito, deve procurar rapidamente um

    mdico, mesmo que tenha passado anteriormente por

    avaliao fsica, diz.

    Cuidados observados, exerccios como natao e

    hidroginstica se tornam aliados no tratamento de

    algumas doenas. Obesos e pessoas com sobrepeso

    se do muito bem fazendo atividades aquticas,

    enquanto quem sofre de asma encontra na natao

    mais do que uma maneira de manter a forma,

    afirma Brazo. Os pacientes de mal de Parkinson

    que praticam hidroginstica regularmente tm

    a ansiedade diminuda e a auto-estima elevada,

    acrescenta. E, como todos os outros alunos dessa

    modalidade, acabam com uma postura melhor, com

    mais flexibilidade muscular e coordenao motora.

    Mas, segundo Arajo, quem quer ter uma vida

    saudvel praticando exerccios deve combinar

    os aerbicos, como corrida ou natao, aos de

    fortalecimento muscular e aos de flexibilidade. Esse

    o programa ideal para quem busca sade e bom

    condicionamento. Quem faz apenas um deles est

    cumprindo s uma parte.

    Espao Stella Torreo

  • 29

    BIOTICA

    A difcil deciso entre a vida e a morte Polmica em torno da ortotansia vai parar na JustiaPara a maioria das pessoas, a morte um assunto a ser evitado. Significa perda, dor, sofrimento e, portanto, s deve ser discutido quando mesmo

    inevitvel. No dia-a-dia dos mdicos, porm,

    a realidade outra. Oncologistas, cirurgies,

    plantonistas em emergncia lidam muito de perto

    com doentes em fase terminal. So profissionais que

    dedicam anos aprendendo a salvar vidas, mas que

    muitas vezes ouvem de seus pacientes o pedido oposto.

    A gente v muita gente que no quer ser reanimada,

    que no quer respirao artificial, no quer que

    o sofrimento seja prolongado a ponto de perder a

    Foto

    de

    Guilh

    erm

    e Si

    lva

  • 30

    dignidade, diz Sergio Rego, pesquisador na rea de

    biotica da Fundao Oswaldo Cruz e vice-presidente

    da Sociedade Biotica do Estado do Rio de Janeiro.

    O que faz o mdico diante de tal situao? Cumpre o

    desejo de seu paciente, mesmo correndo o risco de ser

    acusado de omisso de socorro? Ou o mantm vivo

    utilizando os recursos hoje existentes na Medicina?

    rgo que regulamenta a prtica mdica, o Conselho

    Federal de Medicina (CFM) bem que tentou botar

    um ponto final na questo. Em novembro de 2006,

    publicou no Dirio Oficial da Unio a Resoluo

    1.805/2006. Permitia, assim, que o mdico limitasse

    ou suspendesse procedimentos que viessem a

    prolongar a vida do doente em fase terminal de uma

    doena incurvel, desde que este fosse o desejo do

    paciente ou de seu representante legal. Na prtica, a

    medida liberava a ortotansia, garantindo ao paciente

    o acesso a todos os cuidados necessrios para aliviar os

    sintomas de sofrimento, alm de assistncia integral,

    conforto fsico, psquico, social e espiritual, e direito

    alta hospitalar.

    BEM-ESTAR FSICO E EMOCIONALBEM-ESTAR FSICO E EMOCIONAL

    Em seu texto de justificativa, a resoluo do CFM

    ressalta que muitas vezes o profissional da rea de

    sade passa a se empenhar em tratar exclusivamente

    da doena, esquecendo que a misso principal deve ser

    a busca do bem-estar fsico e emocional do enfermo.

    Diz o texto: O mdico aquele que detm a maior

    responsabilidade da cura e, portanto, o que tem o

    maior sentimento de fracasso perante a morte do

    enfermo sob os seus cuidados. Contudo, ns, mdicos,

    devemos ter em mente que o entusiasmo por uma

    possibilidade tcnica no nos pode impedir de aceitar a

    morte de um doente.

    A resoluo acabou suspensa por liminar do juiz

    Roberto Luis Luchi Demo, da 14 Vara Federal, que

    acatou pedido do Ministrio Pblico Federal (MPF). Em

    maio de 2007, o procurador dos Direitos do Cidado

    no Distrito Federal, Wellington Marques de Oliveira,

    entrou com uma ao civil pblica argumentando que o

    CFM no tem poder para regulamentar sobre o direito

    vida, matria de competncia exclusiva do Congresso

    Nacional. O procurador alertou ainda para o perigo

    de se vincular a possibilidade da ortotansia falta de

    recursos. O MPF teme que predomine o raciocnio de

    que vale mais a pena investir os recursos disponveis

    em pacientes que tm maiores possibilidades de

    sobrevivncia, em detrimento daqueles em estados

    terminais.

    Telogo e professor de filosofia da Universidade do

    Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Olinto Pegoraro

    observa que o incio e o fim da vida sempre foram

    assuntos discutidos do ponto de vista tico. Para

    onde vamos? Esta a grande pergunta, afirma.

    As religies falam que vamos para a eternidade,

    mas preciso ter f para aceitar isso. Cada poca da

    humanidade procurou dar a sua resposta para

    a questo.

    Para alguns filsofos, como Jean Paul Sartre, no

    existe nenhum tipo de transcendncia, o homem

    apenas um ser biolgico. Outros, como Aristteles,

    Em casos especficos, a morte Em casos especficos, a morte

    um ato de compaixo que um ato de compaixo que

    d alvio para o paciente. Essa d alvio para o paciente. Essa

    a perspectiva que deve ser a perspectiva que deve ser

    entendida pela sociedade. entendida pela sociedade.

    Sergio RegoSergio Rego

  • 31

    acreditam que o homem morre, mas a franja espiritual

    da inteligncia permanece. H ainda os que pregam

    que a imortalidade viver na memria dos que nos

    cercam. Por isso, a variedade de crenas o que faz

    da eutansia e da ortotansia temas to complexos.

    Segundo uma viso teolgica antiga, no se pode

    tocar nos confins da vida. Isso assunto de Deus.

    Ele quem d e tira a vida quando bem entender, diz

    Pegoraro. Mas do ponto de vista tico-filosfico, a

    discusso outra. Hoje o ser humano pode decidir

    quando morrer exatamente como decide quando casar,

    com quem casar e quando ter um filho. Esses so atos

    de liberdade to importantes quanto decidir quando se

    deve prolongar a vida, defende.

    CONFLITO RELIGIOSOCONFLITO RELIGIOSO

    Segundo o telogo, no h sequer conflito religioso

    se, diante de uma doena terminal, o paciente pede

    pela morte. Ele respeitou o dom da vida que Deus lhe

    deu e, assim como Cristo, est entregando nas Suas

    mos a vida, afirma, acrescentando que a eutansia

    permitida em pases de forte formao religiosa, como

    a Holanda e a Blgica. Ainda na opinio de Pegoraro,

    no h nada mais indigno do que a distansia. Hoje

    possvel manter algum em vida artificial por anos,

    indefinidamente, diz. Mas isso prolongar uma vida

    futilmente, uma aberrao que clama a qualquer

    senso tico.

    Mdico e professor do Instituto de Sade da

    Comunidade da Universidade Federal Fluminense

    (UFF), onde desenvolve pesquisas no campo da

    biotica, Carlos Dimas defende que as sociedades

    democrticas criem condies sociais, econmicas,

    culturais e polticas para que todas as pessoas possam

    escolher o modo de vida que preferirem, o que inclui

    a forma de morrer. Em todo esse debate, a figura do

    paciente parece desaparecer, mas ele , para mim,

    quem deve decidir, com autonomia e com base nos

    seus prprios valores, qual o tempo certo de morrer,

    depois de ter sido informado sobre a sua condio

    clnica e refletido sobre ela, opina. O mdico deve

    acolher o paciente na sua deciso, mas precisa agir

    com responsabilidade, ajudando-o na tomada da

    deciso e criando um dilogo entre os membros da

    famlia.

    Rego tambm sai em defesa da resoluo do CFM

    que, na sua avaliao, s viria a legitimar uma prtica

    que ocorre no pas h muito tempo. O compromisso

    com a dignidade, um princpio constitucional,

    impede que haja sofrimento desnecessrio. Em casos

    especficos, a morte um ato de compaixo que d

    alvio para o paciente. Essa a perspectiva que deve

    ser entendida pela sociedade. Eu, pessoalmente, no

    acho digno prolongar uma agonia por muito tempo,

    diz. Mas, muitas vezes, por falta de amparo, o

    mdico constrangido a no optar pela ortotansia.

    Apesar de lamentar que a resoluo do CFM tenha

    sido suspensa, Rego v com tranqilidade a postura

    da Justia brasileira. Os juzes tm de garantir o

    cumprimento da lei. Se acham que algum direito est

    sendo ameaado pela resoluo, tinham mesmo de

    impedi-la, diz. S lamento que isso venha a trazer

    mais constrangimento para pacientes, familiares e

    profissionais envolvidos nessas situaes.

    O mdico deve acolher o paciente O mdico deve acolher o paciente

    na sua deciso, mas precisa agir na sua deciso, mas precisa agir

    com responsabilidade, ajudando-o com responsabilidade, ajudando-o

    na tomada da deciso e criando um na tomada da deciso e criando um

    dilogo entre os membros da famlia.dilogo entre os membros da famlia.

    Carlos DimasCarlos Dimas

  • 32

    TURISMO

    Frias com aconchego e tranqilidade garantidos Chancela Roteiros do Charme assegura bom atendimento em hotis pas afora

    Foto

    de

    Dani

    el d

    e Gr

    anvi

    lle

    Gruta do Lago Azul, em Bonito

  • 33

    Cama dura, chuveiro com pouca gua, pssimas acomodaes. Seja Paris ou Fernando de Noronha o destino de sua viagem, tropeos no atendimento ou nas instalaes do hotel podem colocar por gua abaixo todo o planejamento das frias. Para no deixar o turista frustrado, h 15 anos nascia no Brasil a Associao de Hotis Roteiros de Charme, entidade cuja chancela d credibilidade aos hotis e garante bons servios. De estabelecimentos requintados a despretensiosas pousadas, h opes para todos os bolsos. Em comum, a certeza de surpresas positivas.

    A associao qualifica os hotis de acordo com o propsito a que eles se dispem. Entre os mais pitorescos esto aqueles instalados em fazendas histricas ou casares tombados. Caso do Solar do Imprio, em Petrpolis, a cerca de uma hora de carro do Rio. Bem pertinho de atraes como o Palcio de Cristal ou o Museu Imperial, o turista encontra no Solar toda a imponncia da poca de Dom Pedro II. H cerca de dois anos, o casaro de 1875, tombado pelo Instituto do Patrimnio Histrico e Artstico Nacional (Iphan), foi todo recuperado e ganhou os recursos necessrios para que o hspede encontre tradio e conforto num s lugar.

    A casa neoclssica, erguida por Joaquim Antnio dos Passos, um portugus que comercializava caf no distrito de Pedro do Rio, hoje tem piscina aquecida e coberta, sauna seca e a vapor, spa com ofur e at rea para massagem. As antigas cocheiras foram restauradas e viraram trs sales para eventos, como reunies empresariais e festas.

    Charme e sossego tambm so palavras-chave no Parador Casa da Montanha, em Cambar do Sul, regio dos cnions da Serra Gacha. Integrante do Roteiros de Charme h dois anos, o hotel est na categoria ametista. Ou seja, um refgio em paraso ecolgico, onde decorao e servio despretensioso guardam identidade com a regio. De fato, ali a hospedagem bem peculiar. No Parador, o visitante fica em barracas trmicas construdas de frente para um rio, com vista panormica dos capes de araucrias. A idia que se possa aproveitar a beleza natural da regio sem ser importunado pelo frio tpico do Rio Grande do Sul.

    Uma casa de banho aquecida promete dar uma ducha de gua fria no estresse. Para os que preferem aventura, so oferecidos passeios a cavalo, bicicleta, banho de cachoeira, pesca esportiva e roteiros que levam

    Petrpolis

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    explorao dos magnficos cnions do Parque Nacional Aparados da Serra. ali que est o Itaimbezinho, que de diminutivo s tem o nome. Com extenso de 5,8 mil metros e largura que varia de 200 a 600 metros, o cnion tem profundidade mxima de 720 metros. Uma vegetao baixa d tons amarelados e avermelhados s suas paredes. Para completar a paisagem, a queda do Rio Perdizes, formando a cascata Vu da Noiva.

    MERGULHO NA NATUREZAMERGULHO NA NATUREZAAinda na categoria ametista, o Hotel Santa Esmeralda, em Bonito, Mato Grosso do Sul, proporciona um mergulho na natureza. O cenrio diferente, mas to belo quanto o do Sul do pas composto por cachoeiras, piscina natural para banhos e pontos de mergulho livre. O terreno do hotel cortado pelo Rio Formoso e colete, mscara e snorkel para flutuao j esto inclusos na diria.

    Uma infinidade de peixes, pssaros e toda a fauna do cerrado podem ser contemplados neste paraso, idealizado pelo arquiteto Rogrio Valsani Sobrinho e sua mulher, a engenheira Rosana Valsani. Apaixonado por Bonito, o casal abandonou a vida na cidade grande para administrar o hotel. E, c entre ns, os arranha-cus paulistas no tm mesmo como competir com a beleza da cidade.

    Por falar em lugar bonito, o Nordeste no pode ficar de fora quando o assunto so paisagens deslumbrantes. Neste pedacinho de terra abenoado por Deus, a associao tambm tem os seus representantes. Um deles a Pousada Pitinga, filiada desde 1997 ao Roteiros do Charme e situada em Arraial dAjuda, litoral Sul da Bahia.

    Em um terreno de 9 mil metros quadrados, a Pitinga fica beira-mar, cercada por coqueiros. Na mar baixa, os arrecifes formam piscinas naturais de um verde estonteante. Para quem no f de gua salgada, a piscina foi construda junto praia, diante do mesmo cenrio hollywoodiano. Redes penduradas nas varandas, spa e massagem completam o cardpio de mordomias. A pousada classificada como gua marinha, cuja decorao, servio singelo e capricho refletem os costumes locais.

    Localizada a 17 de latitude a mesma de Bali, na Indonsia , Arraial dAjuda foi descoberta pelos hippies dos anos 70 e atrai at hoje esotricos e alternativos, seduzidos pela atmosfera nica que envolve a cidade. Mas, crenas parte, sua exuberncia uma unanimidade.

    Arraial dAjuda

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  • 35

    Associao de Hotis Roteiros de Charme

    Rua Visconde de Piraj, 414, salas 921 e 922

    Rio de Janeiro, Rio de Janeiro

    Tels: 0800-25-15-92 / 2287-1592 / 2522-1102

    www.roteirosdecharme.com.br

    Hotel Santa Esmeralda

    Antiga Rodovia Bonito/Guia Lopes, km 17

    Bonito, Mato Grosso do Sul

    Telefax: (67) 3255-2683

    www.hotelsantaesmeralda.com.br

    Sute bangal dupla, com caf da manh e jantar,

    diria de R$ 215, na baixa temporada, e R$ 275 na

    alta temporada

    Parador Casa da Montanha

    Estrada do Faxinal, Fazenda Camarinhas, Morro

    Agudo

    Cambar do Sul, Rio Grande do Sul

    Telefax: (54) 3504-5302

    www.paradorcasadamontanha.com.br

    A barraca luxo (sem ducha no interior do quarto) sai

    a R$ 350 a diria, para o casal, com meia penso.

    J a barraca sute, que tem at jacuzzi, sai a R$ 649,

    tambm com meia penso

    Pousada Pitinga

    Praia de Pitinga, 1.633

    Arraial dAjuda, Porto Seguro, Bahia

    Tel: (73) 3575-1067

    www.pousadapitinga.com.br

    Dirias para duas pessoas, com caf-da-manh, de

    R$ 324 a R$ 466 (baixa estao) e de R$ 378 a R$

    584 (alta estao)

    Solar do Imprio

    Avenida Koeler, 376, Centro Histrico

    Petrpolis, Rio de Janeiro

    Tel: (24) 2103-3000

    www.solardoimperio.com.br

    Sute Imperial com dirias de R$ 343 (de domingo a

    quinta-feira) e R$ 431 (sexta, sbados e feriados),

    caf-da-manh includo

    Servio

    Cambar do Sul

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    Enio

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  • ECONOMIA

    36

    O milagre da multiplicaoAprenda como investir em tempos de dlar baixo e juros em queda

    Com os juros em queda e a baixa do dlar frente ao real, quem quiser aplicar seu dinheiro em fundos de renda fixa, Certificados de Depsito

    Bancrio (CDBs) ou mesmo na Bolsa de Valores

    precisa tomar cuidado. Em tempos assim, de

    rentabilidade menor, o investidor deve primeiro

    definir o tipo de risco que quer correr e s ento se

    aventurar no mercado financeiro. Tudo para evitar

    que o capital se perca e a frustrao tome conta

    de um momento que deve ser de euforia, j que o

    objetivo de todos multiplicar o dinheiro.

    Quem avesso ao risco e consegue poupar at R$ 1

    mil por ms deve optar pelos fundos de renda fixa e

    Certificados de Depsito Bancrio (CDBs) para no

    perder dinheiro, aconselha o economista Istvan

    Kasznar, professor da Fundao Getlio Vargas (FGV)

    e presidente da Institutional Business Consultoria

    InternacionaI (IBCI). Os que so moderadamente

    arriscados e tm at R$ 5 mil mensais para investir

    podem escolher aplicar nas aes de empresas

    tradicionais, consagradas, que oferecem pouco

    risco. So as que chamamos de blue chips, aes de

    empresas de grande porte e elevada liquidez, como

    Bradesco, Ita, Grupo Gerdau, Unibanco, Vale e

    Petrobras, diz Kasznar.

    J quem tem mais de R$ 5 mil disponveis por ms e

    se encontra na categoria dos amantes do risco pode

    diversificar e optar por fundos de aes mais ousados.

    No entanto, antes de comear qualquer aplicao, o

    investidor tem que analisar cuidadosamente seu prprio

    perfil. a melhor maneira de no ter uma experincia

    ruim, especialmente em um momento como esse que

    estamos vivendo, com baixa do dlar e queda dos juros,

    enfatiza o professor.

    RENDIMENTO SUPERIOR POUPANARENDIMENTO SUPERIOR POUPANA

    O prximo passo, segundo Kasznar, para quem escolhe

    aplicar em CDBs, por exemplo, no esquecer a

    diferena entre o rendimento lquido e o rendimento

    bruto. O real o lquido. Para aplicaes de 12 meses,

    o rendimento bruto fica mais ou menos em 12% ao ano.

    No entanto, h o imposto retido na fonte e o investidor

    ganha mesmo em torno de 7,5% ao ano, que vem a ser

    o rendimento lquido, explica. Ainda assim uma

    aplicao vantajosa, porque o ndice superior ao

    da inflao e ao da caderneta de poupana, que tem

    garantido em mdia 6,1% ao ano.

    De acordo com Hlio Frana, professor de Estratgia

    Financeira do Ibmec, a melhor opo para quem no

    tem muito dinheiro disponvel a renda fixa. O melhor

    abrir uma conta na corretora do seu banco e aplicar

    em fundos de renda fixa. Assim o investidor no paga

    comisso ou taxa de corretagem e ainda pode sacar

    o dinheiro a qualquer hora. O risco perto de zero, o

    mnimo para o investimento costuma ficar em R$ 200 e

  • 37

    Foto

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    otos

    o imposto o mesmo pago por quem aplica em CDBs,

    aplicao que cobra um valor de comisso, afirma.

    Em contrapartida, os que preferem as emoes

    do mercado acionrio precisam ter em mente que

    nem sempre o retorno rpido. Um exemplo: quem

    investiu R$ 15 mil em aes da Vale h sete anos tem

    hoje cerca de R$ 180 mil. O patrimnio cresceu

    bastante, mas no do dia para a noite, foi preciso

    esperar e, principalmente, no se precipitar em

    dias de queda das aes e sair vendendo tudo, diz

    Kasznar. Segundo Frana, porm, nem todos esto

    preparados para perder dinheiro. Quem parte para

    a Bolsa de Valores corre mais risco. S que nem todo

    mundo sabe lidar com as perdas e aguardar dias de alta.

    Quem no tem condies financeiras ou emocionais de

    suportar a queda das aes no deve se arriscar. A bolsa

    no um negcio para todos.

    Os que investem mais de R$ 1 mil por ms precisam ficar

    de olho tambm na to falada Selic, a taxa de juros bsica

    da economia. Sempre que a taxa de juros cai, caem

    tambm as taxas que remuneram os CDBs. No entanto,

    preciso ter o seguinte raciocnio em mente: se os juros

    caem, a tendncia que o credirio fique mais em conta,

    o que estimula as vendas do comrcio. Esse pode ser o

    momento ideal para diversificar as aplicaes e comprar

    aes de empresas ligadas ao varejo, sugere Kasznar.

  • COMPRAS

    38

    Ser solidrio no se resume a ser voluntrio de uma instituio ou fazer doaes em dinheiro. O simples ato de comprar pode trazer embutida uma ao social capaz de ajudar muita gente. Cada vez mais organizaes no-governamentais criam produtos que tm a renda revertida para seus

    projetos e engana-se quem pensa que elas oferecem apenas adesivos e camisetas de gosto duvidoso. A

    maioria tem linhas completas, com DVDs, bonecos e objetos para casa que no deixam nada a desejar

    aos vendidos nas principais lojas. Vale a pena conferir!

    BONECO C HIQUINHO

    Dicas para quem quer presentear e, ao mesmo tempo, ajudar quem precisa

    Smbolo da Associao Sade Criana Renascer, o boneco

    Chiquinho custa R$ 18. A renda vai para as 250 famlias e

    850 crianas e adolescentes atendidas pelo projeto, que tem

    estante para venda de produtos no quarto piso do shopping

    Rio Sul, Rua Lauro Mller, 116, Botafogo.

    Consumo solidrio

    DVD P REMIADO

    O DVD dos Doutores

    da Alegria, que foi

    considerado pela

    Unesco uma obra que

    promove a cultura da

    paz e j ganhou prmios no Brasil e no exterior, est

    venda por R$ 29,90. Para levar o fi lme para casa basta

    entrar no site

    www.doutoresdaalegria.org.br/loja

    ou ligar para (21) 2532-1453.

  • 39

    C HAVEIRO EM FORMA DE CORAO

    O chaveiro bordado em forma de

    corao vendido pela Refazer,

    que atende gestantes, crianas e

    adolescentes de alto risco depois que

    eles tm alta hospitalar. Custa R$ 24 e

    pode ser encomendado pelo telefone

    (21) 2527-3434, das 9h s 17h, de

    segunda a sexta-feira.

    CALENDRIO 20 0 8

    Para presentear algum com o calendrio dos Mdicos Sem

    Fronteiras 2008, que tem fotos tiradas na Chechnia, na Somlia e

    no Sri Lanka, s fazer uma doao de R$ 20 para a entidade. Os

    interessados devem ligar para (21) 2215-8688, de segunda a sexta-

    feira, das 10h s 18h.

    ALMOFADA DE RENDA ART ESANAL

    A almofada criada a partir da tcnica

    artesanal nhanduti desenvolvida por

    artess do grupo N e Ns, que tem sede

    em Mesquita, na Baixada Fluminense.

    Custa R$ 44 e pode ser encomendada em

    vrias cores. Os interessados encontram

    o produto no site do Instituto Realice, no

    endereo www.realice.com.br.

    PORTA CONT ROLE REMOT O DE PAP EL

    O porta controle remoto faz parte da linha Jogos

    Brasileiros, da Mos do Brasil, desenvolvida por

    mulheres que aprendem a transformar papel jornal

    em artigos para casa e escritrio. Sai por R$ 27 e

    pode ser comprado pelo site www.maosbrasil.com

    ou pelo telefone (21) 2560-5356.

    F RUT EIRA DE P IAAVA

    As 14 mulheres da Cestaria Botnica trabalham

    em Queimados criando produtos vendidos em

    lojas de todo o estado do Rio. A fruteira de

    piaava custa R$ 55 e pode ser encomendada pelo

    telefone (21) 3682-5922.

  • CULTURA

    40

    Ela pode trazer uma boa lembrana, denunciar uma tragdia, emocionar multides mundo afora. Presen-te no dia-a-dia das pessoas graas ao advento das cmeras digitais, a fotografia h anos encanta a humanidade com o seu poder nico de eternizar um momento. Com o intuito de estimular a prtica e descobrir artistas entre seus integrantes, o Cremerj promoveu seu 1 Salo de Fotografia. Entre os 49 participantes, o grande campeo

    Entre cliques e bisturis Conhea os premiados no 1 Salo de Fotografi a do Cremerj

    foi o mastologista Andr Vallejo, primeiro lugar nas quatro categorias: Individual e Conjunto PB, Individual e Conjunto Colorido. A iniciativa foi bacana. Descobrimos muita gente que gosta da mesma coisa, diz Vallejo, que ganhou duas mquinas fotogrficas por categoria. Tambm foram premiados os mdicos Jos Fernando dos Santos Ribeiro, Gustavo Bastos Oliveira, Paulo de Moraes da Costa Machado e Lilian de Carvalho Arago.

    AUTOR: Andr VallejoA foto da ndia foi feita durante uma viagem ao Peru, h cinco anos. O mais

    bacana o contraluz que consegui capturar, orgulha-se Vallejo.

    1 lugar

    I n d i v i d u a l P B

    AUTOR: Gustavo Bastos OliveiraA foto Desconstruo do Homem mostra um rapaz sentado, com a cabea

    de um manequim. Eu cortei a cabea verdadeira propositalmente, conta

    Gustavo, que fez curso na Sociedade Fluminense de Fotografia.

    3 lugar

    AUTORA: Lilian de Carvalho AragoLilian, que fotografa desde os 18 anos, fez curso na Visual

    Arts. Foi premiada com a foto ngulos.

    2 lugar

    AUTOR: Andr VallejoSempre gostei de fotografar gente, diz Vallejo.

    As imagens foram feitas em viagens ao Peru, ao

    Nordeste brasileiro e Espanha.

    1 lugar

    C o n j u n t o P B

  • 41

    AUTOR: Andr VallejoA srie de fotos foi toda feita na mesma poca,

    durante viagem do mastologista ao litoral catarinense.

    1 lugar

    C o n j u n t o C o l o r i d o

    AUTOR: Paulo de Moraes da Costa MachadoUma lagoa emoldurada por um

    cu amarelo e laranja, nuvens que

    denunciam a chegada da chuva,

    uma rvore repleta de folhas secas.

    Imagens que tm em comum a beleza

    da natureza.

    2 lugar

    AUTOR: Lilian de Carvalho AragoNesta srie de imagens, Llian quis fazer do corpo

    humano uma obra de arte, sugerindo que ele se

    transforme em outros objetos. Caso da foto do

    rapaz em posio de pssaro.

    3 lugar

    AUTOR: Lilian de Carvalho AragoO conjunto tem como tema o corpo humano e, alm

    de uma foto de posio de ioga, traz imagens de um

    abdmen, do busto de uma mulher e da silhueta de outra.

    2 lugar

    AUTOR: Gustavo Bastos OliveiraO conjunto rene a imagem de uma menina

    lendo em Paris; uma composio de cruzes no

    Pelourinho, Bahia, e crianas brincando no

    Parque Lage, no Rio. No esperava ganhar,

    diz Oliveira.

    3 lugar

    AUTOR: Andr VallejoA foto foi feita na Guarda do Emba, Santa Catarina. Era

    fim de tarde e eu usei uma velocidade baixa, o que permitiu

    o registro de tantas cores, conta Vallejo.

    1 lugar

    I n d i v i d u a l C o l o r i d o

    AUTOR: Paulo de Moraes da Costa MachadoA foto Fim de Tarde retrata um

    barco vazio, amarrado junto a uma rvore.

    2 lugar

    AUTOR: Jos Fernando dos Santos RibeiroA foto Criana Mimada mostra uma

    andorinha alimentando o filhote.

    O momento foi registrado na casa

    de campo do hepatologista, em

    Terespolis.

    3 lugar

  • EM FOCO

    42

    Pioneiro em ministrar cursos de Educao Mdica Continuada, o Cremerj prepara para maro a oitava edio do curso. Boa oportunidade para os mdicos se aprimorarem nas reas de Clnica Mdica (dividida nos mdulos Cardiologia, Medicina Hiperbrica, DIP, Hematologia, Fisiatria, Endocrinologia, Cirurgia Geral, Psiquiatria, Sade Mental, entre outros), Pediatria, Ginecologia e Obstetrcia. Em 2007, 3 mil profissionais participaram das aulas. Este ano, os encontros vo acontecer aos sbados, das 8h s 17h, no auditrio Jlio Sanderson, na Praia de Botafogo, 228, lojas 103 a 106. O curso gratuito e quem o freqenta ganha pontos que podem ser utilizados para a revalidao de ttulos de especialista. Os mdicos que no tiverem disponibilidade para acompanhar as aulas em Botafogo podem acessar o site www.cremerj.org.br para conferir o material utilizado.

    OITAVA EDIO DO OITAVA EDIO DO CURSO EDUCAO CURSO EDUCAO MDICA CONTINUADA MDICA CONTINUADA COMEA EM MAROCOMEA EM MARO

    Mdicos de Petrpolis que tm mais de 50 anos de profisso vo ser homenageados no dia 29 de fevereiro. O Espao Cultural Cremerj promover uma festa no Petropolitano Futebol Clube, que fica na Avenida Roberto Silveira, 82, Centro do municpio.

    HOMENAGEM AOS JUBILADOS DE PETRPOLISHOMENAGEM AOS JUBILADOS DE PETRPOLIS

    Para que os mdicos possam encontrar com mais rapidez e segurana o que necessitam, o site do Cremerj (www.cremerj.org.br) passou por uma reformulao. Agora possvel realizar pesquisas utilizando os mais modernos recursos da tecnologia de certificao digital. Trata-se de ferramenta que garante que as informaes esto sendo enviadas para o site do Cremerj e no para um site pirata. Outra vantagem so os e-mails @cremerj, gratuitos e com anti-spam, que podem ser solicitados por todos os mdicos. No ano passado, o site do Cremerj ultrapassou mais de um milho de acessos. As reas mais procuradas foram Encontre um Mdico, Frum Cremerj, Vagas de Emprego, Fale Conosco e Biblioteca Eletrnica. Alm destas, o portal oferece servios como atualizao de endereos, recadastramento, comunicao de extravio de documentos, downloads de palestras, certificado de quitao e preenchimento de formulrios de solicitaes ao Setor de Registro Mdico.

    SITE CADA VEZ MAIS SEGUROSITE CADA VEZ MAIS SEGURO

    O Cremerj vai estudar como viabilizar a proposta de ter mdicos acompanhando e assessorando cada planto judicial. O pedido foi feito por juzes durante a I Jornada Jurdico-Mdica de Sade Suplementar, realizada em Angra dos Reis, em novembro passado, e patrocinada pelo Instituto Dannemann Siemsem. O objetivo evitar que sejam concedidas liminares inadequadas do ponto de vista mdico.

    PLANTO MDICO-JUDICIAL EM ESTUDOPLANTO MDICO-JUDICIAL EM ESTUDO

    Um convnio assinado em outubro passado entre o Cremerj e a Capes Peridicos, fundao do Ministrio da Educao, permitiu que os mdicos tenham acesso a extensa base de dados de artigos cientficos. O servio pode ser acessado de casa ou do consultrio atravs do site www.cremerj.org.br. Basta clicar em rea do Mdico e fazer a

    ARTIGOS CIENTFICOS AO ALCANCE DE TODOSARTIGOS CIENTFICOS AO ALCANCE DE TODOS

    solicitao. Um pequeno manual de configurao ser enviado para o endereo eletrnico indicado pelo mdico e os artigos sero liberados para consulta. Esta mais uma iniciativa de atualizao permanente do Cremerj, que pretende que este ano o nmero de revistas aumente, saindo de 85 ttulos para 135.

  • SEDEPraia de Botafogo, 228, loja 119b - BotafogoTelefone: (21) 3184-7050E-mail: cremerj@cremerj.org.br

    SUBSEDE BARRA DA TIJUCAAvenida das Amricas, 3.555, 2 piso, sala 226, bloco 1 - Barra da TijucaTelefones: (21) 2432-8987 / 3325-1078E-mail: barradatijuca@cremerj.org.br

    SUBSEDE CAMPO GRANDEAvenida Cesrio de Melo, 2.623, sala 302 - Campo GrandeTelefone: (21) 2413-8623E-mail: campogrande@cremerj.org.br

    SUBSEDE ILHA DO GOVERNADOREstrada do Galeo, 826, 1 piso, loja 110 - Ilha do GovernadorTelefone: (21) 2467-0930E-mail: ilha@cremerj.org.br

    SUBSEDE MADUREIRAEstrada do Portela, 29, sala 302 - MadureiraTelefone: (21) 2452-4531E-mail: madureira@cremerj.org.br

    SUBSEDE TIJUCARua Soares da Costa, 10, loja 324 - TijucaTelefones: (21) 2565-5517 / 2204-1493E-mail: tijuca@cremerj.org.br

    SECCIONAISMJ: municpios de jurisdio

    SECCIONAL MUNICIPAL DE ANGRA DOS REISMJ: Angra dos Reis, Parati, Mangaratiba e ItaguaRua Professor Lima, 160, salas 506 e 507 - CentroTelefones: (24) 3365-0330 / 3365-0793E-mail: angra@cremerj.org.br

    SECCIONAL MUNICIPAL DE BARRA DO PIRAMJ: Barra do PiraRua Tiradentes, 50, sala 401 - CentroTelefone: (24) 2442-7053E-mail: barradopirai@cremerj.org.br

    SECCIONAL MUNICIPAL DE BARRA MANSAMJ: Barra Mansa, Rio Claro e QuatisRua Pinto Ribeiro, 103 - CentroTelefone: (24) 3322-3621E-mail: barramansa@cremerj.org.br

    SECCIONAL MUNICIPAL DE CABO FRIOMJ: Cabo Frio, Arraial do Cabo, Araruama, Saquarema, Armao de Bzios, Iguaba Grande e So Pedro da AldeiaAvenida Julia Kubitschek, 39, sala 112 - Jardim RivieraTelefone: (22) 2643-3594E-mail: cabofrio@cremerj.org.br

    SECCIONAL MUNICIPAL DE CAMPOSMJ: Campos dos Goytacazes, So Fidlis, So Joo da Barra, Cardoso Moreira e So Francisco de ItabapoanaPraa So Salvador, 41, sala 1.405 - CamposTelefones: (22) 2723-0924 / 2722-1593E-mail: campos@cremerj.org.br

    SECCIONAL MUNICIPAL DE ITAPERUNAMJ: Itaperuna, Bom Jesus do Itabapoana, Cambuci, Itaocara, Aperib, Santo Antonio de Pdua, Miracema, Lage do Muria, So Jos de Ub, Natividade, Porcincula, Varre e Sai e ItalvaRua Dez de Maio, 626, sala 406 - CentroTelefone: (22) 3824-4565E-mail: itaperuna@cremerj.org.br

    Endereos do CREMERJ SECCIONAL MUNICIPAL DE MACAMJ: Maca, Casimiro de Abreu, Silva Jardim, Rio das Ostras, Conceio de Macabu, QuissamRua Doutor Jlio Olivier, 383, sala 205 - CentroTelefones: (22) 2772-0535 / 2772-7584E-mail: macae@cremerj.org.br

    SECCIONAL MUNICIPAL DE NITERIMJ: Niteri, So Gonalo, Itabora, Tangu, Maric e Rio BonitoRua Miguel de Frias, 40, 6 andar - IcaraTelefones: (21) 2620-9952 / 2717-3177 / 2620-4170E-mail: niteroi@cremerj.org.br

    SECCIONAL MUNICIPAL DE NOVA FRIBURGOMJ: Nova Friburgo, Bom Jardim, Trajano de Morais, Santa Maria Madalena, So Sebastio do Alto, Cantagalo, Carmo, Sumidouro, Macuco, Cordeiro, Duas Barras e Cachoeira de MacacuRua Luiza Engert, 1, salas 202 e 203 - CentroTelefones: (22) 2522-1778 / 2523-7977E-mail: friburgo@cremerj.org.br

    SECCIONAL MUNICIPAL DE NOVA IGUAUMJ: Nova Iguau, Duque de Caxias, So Joo de Meriti, Nilpolis, Belford Roxo, Queimados, Japeri e MesquitaRua Doutor Paulo Fres Machado, 88, sala 202 - CentroTelefones: (21) 2667-4343 / 2668-7646E-mail: novaiguacu@cremerj.org.br

    SECCIONAL MUNICIPAL DE PETRPOLISMJ: Petrpolis, Areal, So Jos do Vale do Rio Preto, Sapucaia, Trs Rios, Paraba do Sul, Comendador Levy Gasparian e Distrito de PiabetRua Doutor Alencar Lima, 35, salas 1.208 a 1.210 - CentroTelefones: (24) 2243-4373 / 2247-0554E-mail: petropolis@cremerj.org.br

    SECCIONAL MUNICIPAL DE RESENDEMJ: Resende, Itatiaia e Porto RealRua Gulhot Rodrigues, 145, sala 405, Edifcio Iade - Bairro ComercialTelefone: (24) 3354-3932E-mail: resende@cremerj.org.br

    SECCIONAL MUNICIPAL DE SO GONALOMJ: So Gonalo, Itabora, Tangu e Rio BonitoRua Coronel Serrado, 1.000, salas 907 e 908 - Z GarotoTelefone: (21) 2605-1220E-mail: saogoncalo@cremerj.org.br

    SECCIONAL MUNICIPAL DE TERESPOLISMJ: Terespolis, Mag e GuapimirimRua Wilhelm Cristian Kleme, 680 - ErmitageTelefone: (21) 2643-5830E-mail: teresopolis@cremerj.org.br

    SECCIONAL MUNICIPAL DE VALENAMJ: Valena, Rio das Flores, Paty do Alferes e Miguel PereiraRua Padre Luna, 99, sala 203 - CentroTelefone: (24) 2453-4189E-mail: valenca@cremerj.org.br

    SECCIONAL MUNICIPAL DE VASSOURASMJ: Vassouras, Engenheiro Paulo de Frontin, Mendes, Paracambi e SeropdicaRua Expedicionrio Oswaldo de Almeida Ramos, 52, sala 203 - CentroTelefones: (24) 2471-3266 / 2471-6652E-mail: vassouras@cremerj.org.br

    SECCIONAL MUNICIPAL DE VOLTA REDONDAMJ: Volta Redonda, Pira e PinheiralRua Vinte, 13, sala 101 - Vila Santa CecliaTelefone: (24) 3348-0577E-mail: voltaredonda@cremerj.org.br

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