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AS MUITAS FACES DA VIOLNCIA ESCOLAR

Prof. Me. Glaciene Januario Hottis Lyra1

RESUMO Pr sofrer os reflexos do convvio familiar, e assumir responsabilidades que no sua a escola nas suas duas ultimas dcadas tem se transformado em campo de batalha, onde foras antagnicas tentam impor suas vontades. Quando a violncia passa a fazer parte da rotina escolar, necessrio que a famlia, professores, gestores, alunos e as secretarias tornem-se parceiras e tentem encontrar possveis solues para essa problemtica que s vem aumentando. Por isso e necessrio que a escola consiga desenvolver aes que envolvam toda a comunidade escolar e extra escolar despertando nela a preocupao pela sua manuteno consciente sobre o real papel da escola na formao do cidado. Que mais estudos sejam realizados no sentido de conhecer e combater as fontes de violncia escolar essencial e urgente para que o professor possa realizar aquilo para que foi chamado, ensinar. Palavras- chave: Violncia. Violncia Escolar. Familia. Docentes. Discentes.

1 Pedagoga. Psicanalista. Psicopedagoga Clinica, Hospitalar e Institucional, Especialista em Neurocincias, Mestra em Teologia PPG-EST-UFRGS. Professora da UEMG Universidade do Estado de Minas Gerais, Unidade de Carangola. Coordenadora de Extenso- NUPEX. UEMG. Escritora. Me. Mulher. Amiga.

Atualmente tem se discutido muito o conceito de violncia escolar, muitos

divergem quanto ao conceito ou classificao, porm concordam, quanto aos

seus efeitos na vida das vtimas.

Ao contrrio do que muitas pessoas pensam esse termo no se refere

somente a agresso fsica, mas, engloba outros tipos de violncia.

As constantes mudanas ocorridas na sociedade ps-moderna tem

influenciado no aumento significativo da violncia, a inverso de valores morais

tem sido um fator relevante entre outros.

A violncia tem assumido dimenses diferenciadas de acordo com o seu

contexto, muitos autores e estudiosos o que define como sendo um fenmeno

complexo e que o resultado de mltiplas determinaes.

Para Baron (1977) a violncia pode ser definida como qualquer ato ou

ao de um indivduo ou grupo, cujo fim ferir ou ofender um indivduo

empenhado em evitar tal tratamento.

Colombier (1989) no livro violncia na escola retrata a opinio da

pedagogia institucional, trata-se da tentativa de entender o fenmeno da

violncia nas escolas conta as instalaes contra os professores e dos alunos

uns contra os outros, analisa os fundamentos socioeconmicos e familiares da

violncia numa tentativa de apontar possveis solues para o problema.

De acordo com essa definio pode-se caracterizar um ato como violento

quando atende de acordo com Ferreira e Schramm (2000) s seguintes

condies: causar danos a terceiros, usar fora fsica ou psquica, ser intencional

e ir contra a vontade de quem atingido.

Isto tem acontecido em todos os setores da sociedade e a escola no est

isenta de sua atuao.

O que antes era tratado como algo distante da realidade da comunidade

escolar hoje se tornou rotineiro e para muitos normal, mas o que vem a ser

violncia escolar?

O conceito varia de acordo com os autores.

Segundo Sposito (2001) a violncia escolar expressa aspectos,

epidmicos de processos de natureza mais ampla, ainda insuficientemente

conhecido e que requerem investigao.

Para ela necessrio uma investigao profunda dos aspectos externos

e internos envolvidos nesse processo, e por isso no fcil defini-la, uma vez

que ela o resultado das influncias epidmicas e de natureza mais abrangentes

do que se percebe.

De acordo com Pereira e William (2010) o mais relevante do que

conceituar esse fenmeno, conhecer e delinear a multiplicidade de aspectos

que se incorporam ao conceito.

Sendo assim o mais importante no classificar em violncia simblica,

fsica, psicolgica, sexual ou verbal, para eles o mais relevante reconhecer

todos os envolvidos no processo e tentar concilia-los.

Durante alguns anos, esse problema passou despercebido pela

sociedade brasileira, somente na dcada de 1970 que alguns pesquisadores

e pedagogos brasileiros intrigados com o crescimento da violncia e crimes

resolveram investigar esse problema, j em 1980 o foco foram s aes contra

o patrimnio e em 1990 os estudos concentraram-se nas agresses

interpessoais mais especificamente entre os educandos (ABRAMOVAY, 2003).

Pode-se perceber que o problema da violncia tem aumentado de forma

significativa e isso tem preocupado as autoridades competentes e a sociedade

de modo geral principalmente quando esta atinge o ambiente escolar.

Por saber que a escola faz parte da sociedade, e que ela no est isolada,

pode-se afirmar que ela certamente influenciar e ser influenciada por fatores

internos e principalmente pelos externos, e tudo isso repercutir no

comportamento e no relacionamento daqueles que fazem parte da comunidade

escolar.

Com o intuito de investigar o crescimento desse fenmeno que vrias

pesquisas vm sendo realizada no Brasil, ela tm por objetivo o mapeamento

das reas com maior ndice de violncia escolar, bem como suas causas e

consequncias no cotidiano dos docentes, corpo administrativo e tcnico da

instituio.

Por no considerar como violncia escolar muitas vezes atos e atitudes

agressivas so cometidos por alunos e professores e passam despercebidos

sem serem punidos.

As pesquisas realizadas no sentindo de identificar os reais fatores que

influenciam no aumento da violncia ainda so poucas e segundo Sposito (1998)

so amplos demais, j que este varia de acordo com quem fala (alunos,

professores e diretores).

Basicamente todos os estudos j realizados sobre o tema relatam de

forma bastante clara que impossvel analisar o fenmeno, levando em

considerao somente os fatores internos, uma vez que a escola est inserida

em uma sociedade onde a insegurana, a criminalidade, a violncia econmica

e social crescem e alcanam dimenses que fogem do controle das autoridades.

(SHILLING, 2004).

De acordo com Sposito (2001, p.96): [...] a violncia observada na escola

retraduz parte do ambiente externo em que as unidades operam particularmente

em localidades dominadas pelo crime organizado.

Mesmo em cidades pequenas esta observao bastante pertinente j

que existem bairros que so controlados por gangues e tudo isso reflete na

escola no convvio dos integrantes desta comunidade, transformando de forma

negativa as relaes interpessoais.

Para Bernard Charlot, professor de Cincias da Educao, a violncia

escolar pode ser classificada em trs nveis: Violncia que inclui golpes,

ferimentos, roubos, crimes, vandalismo e sexual; incivilidades (humilhaes,

palavras grosseiras e falta de respeito) e violncia simblica ou institucional entre

outros podem compreender como desprazer no ensino por parte dos alunos e

negao da identidade e da satisfao profissional por parte dos profissionais

(ABRAMOVAY, 2003)

No basta saber classificar esse fenmeno em nveis, preciso analisa-

lo, e para que isso seja possvel, necessrio levar em considerao tudo que

possa contribuir para sua manuteno.

A Pesquisa Nacional, Violncia, AIDS e Drogas nas Escolas realizada

pela Organizao das Naes Unidas para a Educao, a cincia e a Cultura

(UNESCO) em 2001 em treze capitais brasileira mais o Distrito Federal.

Segundo ela a violncia escolar sempre resulta da interseo de trs

conjuntos de variveis independentes: o institucional (escola e famlia) o social

(sexo, cor, emprego, origem socioespacial, religio escolaridade dos pais, status

socioeconmico) e o comportamental, (informao, sociabilidade, atitude e

opinies (ABRAMOVAY, 2003).

Esta pesquisa levou em conta o conhecimento do significado de violncia

para os distintos atores, deste modo foi necessrio fazer algumas reformulaes

na sua classificao ficando da seguinte forma de acordo com a UNESCO.

Violncia contra a pessoa - aquela que pode ser expressa de forma fsica

e verbal e pode tomar a forma de ameaas, brigas, bullying, violncia sexual,

discriminaes, coeres mediante o uso de armas. J os furtos, roubos e os

assaltos esto classificados em violncia contra a propriedade e por ltimo a

violncia contra o patrimnio que so os vandalismos e as depredaes das

instalaes escolares.

Segundo a UNESCO essa primeira modalidade consiste em ameaas

contra a pessoa, que so promessas explcitas de provocar danos ou de violar a

integridade fsica ou moral, a liberdade ou os bens de outras pessoas de acordo

com a pesquisa os estudantes que mais sofrem com esse problema os das

capitais So Paulo (40%) e Distrito Federal (21%) ainda segundo ela esse

percentual bem maior quando se refere aos membros do corpo tcnico-

pedaggico.

Quando questionados sobre os fatores que levam a essas ameaas os

motivos so diversos, mas, frequente so por causa de notas, folhas

disciplinares nas salas de aula, os diretores por sua vez sofrem ameaas,

quando geralmente recorrem a punies mais severas, como suspenses e

expulses, os agentes e inspetores de disciplina so ameaados quando

aplicam advertncia e sanes por faltas disciplinares e impontualidades.

(ABRAMOVAY, 2003)

Ao contrrio do que muitos acreditam tudo isto acontece tambm em

escolas privadas, nestas, geralmente os docentes recebem ameaas dos alunos

com relao demisso, pois muitos deles utilizam da influncia de suas

famlias, desta forma os mestres sentem-se acuados.

Caso o aluno sinta-se injustiado de alguma forma, seja por causa de

notas, punio por algum ato, ou qualquer motivo que considere vlido, estes

reagem de forma agressiva chegando at mesmo a ameaar ou agredir fsica ou

verbalmente os professores.

Para a autora a violncia fsica provocar consequentemente um clima de

tenso apreenso e medo nos professores, diretores e outros membros do corpo

pedaggico todo o conjunto acaba sobrecarregando o ambiente escolar,

causando nos docentes perdas da satisfao profissional e nos educandos

desprazer pelo ensino.

Tambm so frequentes nas escolas as brigas, elas acontecem por

diversos motivos que vo desde as brigas por futebol, notas, acertos de contas,

discriminao por causa da idade ou local onde mora, turnos opostos,

demarcao de territrio, rivalidades ou por at um simples esbarro, tudo passa

a ter uma relevncia.

Desta forma a violncia fsica passa a ser utilizada como mecanismo de

resoluo de conflito entre os educandos.

Faz parte tambm desta modalidade o bullying.

Aps observar o comportamento das crianas quando esto na escola,

entre pessoas consideradas ntimas notou-se que entre elas so muito comum

os deboches, apelidos, implicncias, discriminaes, agresses fsicas e verbais

e a forma como elas tm crescido neste ambiente levou professores

pesquisadores e mdicos a encarar esse tipo de comportamento de maneira

diferente, os problemas so velhos conhecidos, no entanto a forma de v-los faz

toda a diferena (SANTOMAURO, 2010).

H aproximadamente 15 anos esse tipo de comportamento recebeu o

nome de bullying palavra de origem inglesa que traduzida significa intimidar ou

amedrontar.

Sua principal caracterstica que a agresso (fsica, moral ou material)

sempre intencional e repetida vrias vezes sem que haja uma motivao

especfica, transformando vida da vtima em verdadeira perseguio.

Atualmente esse fenmeno ganhou mais um aliado, a internet.

Com o avano da tecnologia o problema ganhou novas dimenses e

tornou-se ainda mais cruel, pois o que antes ficava restrito apenas dentro da

escola, agora consegue atormentar suas vtimas o tempo todo.

o chamado cyberbullying nele os agressores utilizam-se do espao

virtual por meio da ferramenta da internet e de troca de mensagens via celular

isto possibilita a exposio da vtima, aumentando a humilhao, tudo isso sem

ser identificado o que faz com que a vtima sinta-se ainda mais impotente.

Aramis Lopes especialista em bullying e cyberbullying presidente do

departamento cientifico de segurana da criana e do adolescente da sociedade

brasileira de pediatria, afirma que nesta (momento) digo agresso h trs

personagens fundamentais: o agressor, a vtima e a plateia.

De acordo com Clo Fante especialista em violncia escolar os efeitos

so semelhantes tanto para quem ataca quanto para quem atacado, so eles:

dficit de ateno falta de concentrao e desmotivao para os estudos.

Conhea as caractersticas de cada um deles:

Vtima: costuma ser tmida ou pouco socivel e foge do que consideram

padro do restante da turma s vezes pela aparncia fsica (raa, altura, peso)

pelo comportamento melhor ou pior desempenho na escola e pela religio

(SANTOMAURO, 2010).

Costuma serem pessoas inseguras e quando so agredidas, ficam

retradas e sofrem, tornando-se alvos fcies dos seus agressores.

Agressor geralmente atinge o colega com repetidas humilhaes ou

depreciaes porque acredita que desta forma ser o mais popular e poderoso

perante os colegas, sente necessidade de obter uma boa imagem de si mesmo.

Expectador este personagem nem sempre reconhecido como atuante

em uma agresso, porm, ele fundamental para a continuidade da agresso

diz (SANTOMAURO, 2010).

O caso mais marcante ocorreu em 7 de abril de 2011, quando um ex-

aluno da escola municipal Tasso da Silveira, localizada no bairro de Realengo,

Zona Oeste do Rio de Janeiro, matou a tiros doze alunos com idade entre 12 e

14 anos, este disse ter sido vtima de bullying.

Neste caso a vtima tornou-se ou transformou-se em agressor.

Ainda na modalidade violncia contra a pessoa, est coero mediante

o uso de armas, sejam elas de fogo ou as chamadas armas brancas, estas

muitas vezes passam despercebida pela direo.

Nas escolas de ensino fundamental I muito comum entre os educandos

utilizao de uma espcie de arma fabricada artesanalmente por eles,

utilizando lmina de apontador e caneta, este objeto costuma ser usado por eles

como um pretexto de ser apontador, porm, pode ser usado como estilete, onde

os alunos mais violentos costumam intimidar os colegas utilizando tal objeto,

tambm fazem parte desta lista pedaos de espelhos, tesouros e por fim um

objeto conhecido por eles como soqueira e estilete (ABRAMOVAY, 2003).

Nas escolas de ensino mdio est se transformando em algo natural entre

alunos o uso de armas e fogo.

As explicaes para o seu uso so diversas que vai desde a sua

autodefesa at para fazer a segurana dos amigos.

Para a autora tudo isso uma forma de coagir as vtimas a fazerem aquilo

que o agressor deseja.

O uso de armas de fogo sem autorizao para a sua parte crime, porm,

muitos ignoram e acaba por infringir a lei.

Para Abramovay (2003) outra forma de violncia escolar a violncia

contra a propriedade.

Os roubos e os furtos so as principais caractersticas.

De acordo com a pesquisa, o problema acontece com frequncia nas

escolas das trezes capitais brasileira e o local onde mais acontece a sala de

aula, nesta so furtados todo o tipo de objeto desde canetas at celulares,

dinheiros e bolsas.

Ainda segundo dados do estudo, o principal alvo dos furtos so os

membros do corpo tcnico-pedaggico das escolas, as maiorias dos informantes

declararam j ter sido roubado, entre os alunos este problema tambm

frequente.

Um dos fatores que contribui para a continuidade do problema a certeza

da impunidade, os autores sabem que no sero punidos e quando isto ocorre

quase sempre so apenas advertncias verbais.

Os informantes consideram que estes atos so cometidos por pessoas

que fazem parte do espao escolar e que os diretores, coordenadores e alunos

a minimizarem a gravidade do problema, desconsiderando o ato em si.

Os assaltos tambm fazem parte desta modalidade, estes, porm quase

sempre acontecem nas mediaes da escola, tornando este espao inseguro.

Alm dos furtos de objetos escolares, tambm tem se tornando comum

durante os fins de semana os furtos e roubos de computadores, TV, aparelhos

de DVD, microssystem, botijes e outros objetos fcies de serem vendidos.

Por conhecer o ambiente, geralmente alunos ou ex- alunos participam dos

furtos, os problemas se agravam durante as frias quando as escolas ficam

vazias.

A principal caracterstica contra o patrimnio a destruio dos

equipamentos e do espao escolar, havendo ou no furtos de bens, geralmente

estes atos so praticados como reao contra a escola, as administraes

escolares, autoritrias indiferentes e omissas.

Segundo a pesquisadora Nancy Day preciso estudar o que ato praticado

contra a escola quer dizer.

Tambm faz parte desta modalidade s depredaes de janelas, muros,

e paredes e destruio de equipamentos e as pichaes.

As pichaes ocorrem como forma de protesto, esse tipo de atitude ocorre

nas escolas pblicas e privadas, geralmente os autores costumam escrever

frases e palavras nas paredes de muros e banheiros, suas frases variam, vo

desde os protestos a palavras pornogrficas.

Outra forma de violncia contra o patrimnio a destruio de cadeiras,

vidros quebrados, portas arrombadas.

Que se tem visto h alguns anos a destruio do patrimnio pblico um

verdadeiro desperdcio do dinheiro da populao.

Existem ainda escolas onde a exploso de bombas em banheiros algo

constante alm da destruio, tem os riscos nos carros de pais e professores.

Esta uma forma de revolta e indignao, alm disso, esses atos

caracterizam-se como vandalismo e violncia contra o patrimnio o quanto, isso

mostra o quanto pessoas que fazem parte da comunidade em especial alunos,

esto insatisfeitos com o ambiente ao qual fazem ou faziam parte segundo

(SCHILLING, 2004).

A provvel explicao para estes atos o sentimento de excluso do

processo educacional que estes indivduos nutrem em relao escola.

A escola no vista como patrimnio pblico, para que haja mudana

necessrio a implementao de estratgias.

De acordo com a (UNESCO, p. 324):

As recomendaes para as estratgias partem do pressuposto de que o combate as violncias nas escolas devem aparecer como parte de uma agenda pblica de sedimentao da democracia e no como um problema de jovens ou da escola, o que pede um investimento continuado por parte de muitas agncias.

Ou seja, investimentos em todos os aspectos, financeiros, assistncias e

orientaes aos integrantes desta comunidade, fazem- se necessrio tambm

mais estudos sobre o tema, para que a partir dos dados obtidos tenham-se uma

instrumentalizao em aes educativas no intuito de minimizar os efeitos da

violncia na escola.

Atualmente seja na TV, jornais, revistas enfim na sociedade de modo geral

muito se tem falando sobre o papel da famlia para e na formao do individuo e

o que ela tem deixado de fazer.

Ao falar, muitas vezes no levado em considerao s mudanas

ocorridas na sociedade e que a famlia por fazer parte desse contexto e

fortemente influenciada por elas.

Quando se fala em violncia escolar faz-se necessrio lembrar a

importncia que a famlia exerce sobre o comportamento, as atitudes e aes

dos educandos.

E como j foi dito nas ultimas dcadas a famlia tem passados por

mudanas estruturais, tudo isto tem repercutido diretamente na vida emocional

e principalmente no aprendizado das crianas.

Para entender melhor estas transformaes, relevante fazer uma breve

reflexo sobre os fatores que tem influenciado de forma direta e quais os reais

reflexos destas mudanas no cotidiano.

Sendo a famlia a mais antiga instituio social, e a primeira que o

individuo faz parte desde o seu nascimento, no seu seio que transmitida o

conjunto de regras culturais, padres de conduta que orientao cada pessoa

em cada sociedade.

Cada indivduo independente da cultura que pertence, necessita

estabelecer laos afetivos com os demais participantes e partir da se dar o seu

desenvolvimento fsico, cognitivo e social.

por meio desta relao sociocultural que sua personalidade e formada.

(RAMOS e RAMOS, 2010)

De acordo com a teoria sociointeracionista da qual Vygotsky o principal

representante, nesta concepo sociocultural de desenvolvimento, a criana no

deveria ser considerada isolada de seu contexto sociocultural, em uma espcie

de Robson Cruso criana. Pois os seus vnculos com os outros fazem parte de

sua prpria natureza.

Deste modo afirma (IVIC, 2010) nem o desenvolvimento da criana, nem

o diagnstico de suas aptides, nem sua educao podem ser analisadas se

seus vnculos sociais forem ignorados.

Percebe-se por meio desta afirmao o quanto a famlia contribui para o

desenvolvimento integral do, individuo e que o meio social a qual este pertence

exercer forte influencia em sua vida, educao e em outras reas de sua vida.

Por falarmos em mudanas, estas comearam a acontecer na estrutura

familiar na dcada de 1970 em que coincidiu com o movimento feminista e sua

entrada no mercado de trabalho, competindo diretamente com o homem por uma

vaga de trabalho.

A mulher que antes tinha como funo principal a educao dos filhos,

agora entra no competitivo mercado de trabalho, tendo que exercer jornada

dupla ou tripla como trabalhadora assalariado, dona de casa e me.

Neste sentido percebe-se que sua ateno agora no e mais a educao

dos filhos, em muitos casos esta funo e delegada a terceiros.

necessrio analisar a estrutura da famlia conhecendo um pouco sobre

elas, quais os principais objetivos da unio familiar em cada poca com os filhos

eram vistos, como a famlia via a educao domstica e a institucional?

Observa-se o quanto esta instituio importante para o individuo de

modo geral, principalmente para um ser em formao de carter.

Na idade mdia os valores e conduta estavam baseados em apenas trs

principais objetivos:

Segundo ries (1981) a conservao dos bens, a pratica comum de um

oficio, a proteo da vida e a honra.

Para o autor o estreitamento dos laos familiares praticamente no existia,

pois nesta poca a famlia ora vivia em casas pequenas demais vivendo em

espao abarrotado, onde no existia respeito a privacidade, individualidade tudo

era considerado bem comum, ora as famlias vivia em grandes espaos,

caracterizado como extensa, ora o abarrotamento ou a extenso, de acordo com

ries (1981) isto favorecia o no estreitamento de laos familiares.

Percebe-se que no modelo extenso de famlia a criana aprendia de tudo

e com todos seus comportamentos na primeira infncia era visto pelos pais como

algo curioso, elas participavam de reunies, conversa eventos sociais que eram

destinados a adultos, simplesmente por serem considerados como adulto em

miniatura, seus sentimentos no eram vistos como algo comum para a sua idade.

J na transio da idade Mdia para a Era Moderna, ocorridos entre o fim

do sculo XVII, possvel perceber uma nova organizao sociocultural que esta

emergindo.

Neste perodo a criana conquista um lugar junto de seus pais, tudo que

as crianas da poca passada desejavam, tambm importante ressaltar que a

famlia ao modificar-se, seu olhar para o comportamento e para os sentimentos

infantis mudaram.

Agora a criana passou a ser o centro das atenes familiares, onde os

pais passaram a relacionar-se cada vez mais sentimentalmente com seus filhos,

e o principal alvo da unio homem e mulher j h via tomado uma nova

dimenso.

Nota-se nesse sculo que j florescem as afetividades, a intimidade fsica

e moral que no era vista na era Medieval. (RAMOS, RAMOS, 2010)

O principal fator que impulsionou essas mudanas foi a Revoluo

Industrial, pois com esse evento ocorreu organizao populacional e a fixao

em ncleo urbano.

Ideias de alguns pensadores e alguns estudos tambm favoreceram

essas transformaes.

Analisando hoje a famlia, ou seja, estrutura familiar na sociedade ps-

moderna e importante ressaltar que nela as crianas separam-se dos seus

genitores cada vez mais cedo, esta acontece por diversos fatores, mas o

principal de todos os trabalhos.

Quando os pais trabalham para as crianas vo para a escola cada vez

mais cedo iniciando o seu contato social de forma mais precoce, sem o ao menos

completar a educao familiar. (TIBA, 2002)

Para o autor a criana j esta na famlia escolar, e esse egresso cada vez

mais precoce tem trazidos alguns reflexos, pois o ambiente social invade a

famlia no s pela escola, mas tambm pela televiso, internet, e etc.

O esperado, segundo os psiclogos que a criana passe por cada etapa

da socializao, pois ela fundamental para a construo da sua identidade

Ramos (2010) define a socializao como um processo interativo

necessrio para o desenvolvimento sociopsicolgico atravs do qual a criana

satisfaz suas necessidades e assimilar a cultura [...]

Mas na sociedade ps-moderna, os pais passam cada vez menos tempo

com seus filhos tornando-se totalmente ausente na educao dos mesmos,

exercendo cada vez menos a funo delegada a eles.

Desta forma a criana pula a etapa da socializao familiar e passa para

a socializao escolar.

Como ela um ser social, e segundo Vygotsky (1982-1984, v.IV, 281)

por meio do adulto que a criana se envolve em suas atividades [...]

Sendo necessria para ela a presena de um referencial, e este

referencial a famlia, esta vem adquirindo ou assumindo modelo diversificado

e que vem afetando diretamente as suas funcionalidades.

Hoje, porm, no isto que se tem visto, a realidade das escolas

totalmente diferente daquilo que se espera.

A criana neste processo infelizmente ora a vtima, ora torna-se algoz.

E a pergunta que vem sendo feita , de que forma a famlia tem

contribudo para tentar amenizar este fenmeno, (que no recente), porm,

somente nas ltimas dcadas que as agresses fsicas, verbais, depredaes,

pichaes e outros atos tem assumido forma de violncia escolar.

A famlia que tem transformado a sua estrutura e que ainda est confusa

quanto a sua funo, como poder ajudar seus membros.

Os fatos que eram considerados como corriqueiros nas sries do

fundamental II ou ensino mdio, hoje se tornou rotineiro entre as crianas da

educao infantil ou fundamental I, ou seja, a violncia escolar atingiu a todos

os nveis; sejam adultos, jovens, adolescentes e at mesmo as crianas.

Cenas de agresses entre crianas tm sido tpica e para alcanar

dimenses maiores eles gravam ou filmam e lanam na internet, brigas entre

grupos rivais at mesmo homicdios.

No difcil assistirmos ou ouvirmos em noticirios rdio e TV cenas de

agresses.

Entre os casos mais chocantes o do garoto de 9 anos estudante de uma

escola particular da grande So Paulo. Que foi assassinado pelo prprio colega

de classe com a mesma idade do garoto Gabriel, a famlia do garoto assassinado

no recebeu da escola explicaes convincentes sobre o caso, o que se sabe

que a arma de fato que o garoto utilizou para atirar era do seu pai.

Casos como este tm acontecido em todo o mundo, e s vem aumentando

as estatsticas que nem mesmo a escola lugar seguro.

Perguntas so feitas mais no se obtm respostas.

De quem a culpa?

Porque esse crescimento to significativo da violncia escolar?

Qual a importncia da famlia no combate a esse tipo de violncia?

O que ela tem feito para tentar amenizar este problema?

Seguindo alguns psiclogos, uns dos fatores principais a ausncia da

famlia, a falta de limites imposta por ela, a inverso dos valores morais e a

influncia direta da mdia ou meio de comunicaes de massa na vida destas

crianas que inicia cada vez mais precoce a socializao comunitria. (TIBA,

2002)

Outro fator relevante neste processo a forma com que algumas

familiares tm educando seus filhos.

Observa-se que nas famlias que os pais possuem graus de escolaridade

muito baixos ou nenhum, as famlias so numerosas. E em muitos casos as

crianas so vitimas de abuso sexual, maus tratos e de agresso fsica e verbal,

violncia domestica.

Como o individuo sofre a influencia do ambiente sociocultural, a qual esta

inserida, a este passa a refletir tudo a qual tem sofrido.

Manifestando de forma agressiva, ou seja, respondendo os estmulos

negativos de forma negativa os tais conhecido estmulo resposta.

Colegas, professores e funcionrios recebem esta descarga de

sentimentos e atitudes destas crianas vtimas, para elas tudo o que fazem

normal, pois faz parte do seu cotidiano elas vivenciam a violncia esta com

frequncia.

A famlia est mudando a sua estrutura, mais a sua importncia continua

a mesma. A de transmitir padres de conduta e valores morais aos seus

integrantes.

E por mais que ela tente transferir a sua funo para a escola ou para

terceiros isto jamais funcionar.

Pois para a escola os alunos, so apenas transeuntes que passam por

ela seja apenas um ano ou mais, mas um dia eles iro embora e se tornaro

apenas ex-alunos, porm, famlia jamais ser ex-famlia ou ex-filho.

No seu processo de formao de carter a criana aprende com os

indivduos que o cercam, passando ento a reproduzi suas aes.

O que se espera da instituio familiar que ela exera sua funo,

educando, transmitindo-lhes a importncia do saber, conviver em grupo, do

respeito ao prximo, a Deus, ou seja, o que a sociedade est presenciando a

queda dos valores fundamentais, e isto precisa ser resgatado o verdadeiro

sentimento de famlia.

Ao falarmos sobre o seu papel dela na e para educao das crianas

importante, lembrar o que diz Cury (2003) sobre esse assunto.

Para ele educar e penetrar um no mundo do outro; deixar-se conhecer

pelo outro, (filho).

Contudo em uma sociedade em que a mdia (TV, computador, tablete, e

outros) ocupa o personagem principal, resta para os pais cuidadores o papel

secundrio quase esquecido.

Eles por sua vez esto cada vez mais ocupados com o trabalho s

dezenas de ocupaes que surgem com isso relao pai e filho tem se

desgastado cada vez mais criando assim um abismo na relao familiar.

Como diz Vygotsky por ser um social necessita deste contato.

Cury afirma que fundamental para formao da personalidade dos

filhos, que os pais se deixem conhecerem, pois segundo ele est a nica

maneira ou a mais eficaz para a formao da personalidade dos deles.

Ainda segundo o autor esta a nica maneira de educar a emoo e

criar vnculos slidos e profundos.

Pois na espcie humana existe uma dependncia muito intensa dos filhos

com relao aos pais e por isto as experincias aprendidas so mais importantes

do que as instintivas, este processo ocorre da seguinte forma e os fenmenos

envolvidos so os estmulos externos (visuais, auditivos, tteis) e internos

(pensamentos e reaes emocionem).

Ou seja, necessrio que este contato seja aprofundado.

Quando muitos comparam as famlias como uma grande arvore e

necessrio lembrar e perguntar-se como est qualidade da raiz destas rvores?

Porque se achado de forma minuciosa pode-se perceber que muitas

razes esto em processo de decomposio e se esto assim como podero

ento sustentar os, galhos que so os filhos, a famlia precisa resgatar urgente

e ensinar aos filhos os valores ticos, morais, espirituais, sociais e culturais.

Para Vasconcellos (2013) com relao famlia isto se traduz em casos

bsicos como cumprir seu papel de maternagem, de paternagem, de cuidado,

de amar, de ajudar os filhos a desenvolver um sentido de vida.

Vasconcelos (2013) afirma que cabe a famlia estabelecer uma rotina em

casa e acompanhar os seus filhos nas tarefas, estudos conhecer seus filhos o

que esto fazendo ou aprendendo, com quem esto, onde esto e porque esto?

Se uma famlia, de fato tem alguns princpios, tem um quadro de valores

bsicos, e se leva isto a srio pode estabelecer limites. Contudo importante

segundo o autor enfatizar que os limites devem ser lembrados pelos adultos e

estar respaldados pelos vnculos dos pais com os filhos para que possam surtiu

efeito.

E enquanto isto no acontece, a situao da violncia escolar continua se

perpetuando e fazendo vtimas.

De acordo com alguns estudiosos as causas mais conhecidas da violncia

escolar so: ausncia da famlia, perda dos laos afetivos, inverso de valores,

mudanas na estrutura familiar, declnio da autoridade marital ou paternal, falta

de limites familiares e escasso tempo dedicado aos filhos (MORRISH, 1975).

O conjunto desses fatores tem provocado uma desorganizao na

estrutura familiar com consequente perda de vnculos entre seus componentes,

forando a criana a criar meios para chamar a ateno dos que esto a sua

volta, e agir agressivamente com o seu prximo.

O reflexo desses problemas na vida dos educandos gradativo e tem

maior ou menor, de acordo com a estrutura pessoal.

As vtimas de violncia geralmente apresentam arranhes, ferimentos,

humilhaes, baixo autoestima, medo, insegurana, perda de interesse pelo

estudo, evaso escolar, falta de concentrao nas atividades isto em turmas de

series iniciais isto em alguns casos homicdios e suicdio em turmas de series

mais elevadas.

Conhecer as causas da violncia importante, pois s assim ser

possvel a escola desenvolver estratgias para conter esse problema de ordem

social.

necessria a criao de projetos que envolvam as comunidades e que

realmente d resultado, ajudando as vtimas, buscando parcerias com

instituies srias no sentindo de receber orientao especializada com

psiclogos e psicopedagogos, apoio dos conselhos tutelares e municipal de

educao com o objetivo de acompanhar o agressor e sua famlia.

Instrumentalizar o professor com cursos que visem trabalhar tanto com o

agressor no sentido de socializ-los e despertando nele o sentimento de

cidadania mostrando que quanto cidado ele necessita assumir seus atos. E

apoiar as vtimas ajudando-lhes a recuperar a autoestima.

A famlia que fio condutor da paz, precisa estar engajada em projeto

de sensibilizao retomando o seu papel.

Entender e acompanhar as mudanas que vm ocorrendo em todos os

setores das reas da sociedade e um fato inegvel.

Essas transformaes tm exigido de todas as pessoas envolvidas no

processo educacional uma nova postura, olhar critico, abertura para o dialogo,

resolver conflitos, so caractersticas essenciais para os gestores educacionais.

O crescimento de alunos matriculados trouxe consigo um problema que

antes parecia distante, a violncia no mbito educacional.

No so poucos os casos relatados nos noticirios de TV, rdio, e nas

paginas de jornais sobre violncia contra alunos, professores, e gestores

escolares. Observa-se neste contexto que o cotidiano escolar tem sido palco de

manifestaes agressivas variando desde depredaes at as agresses

verbais e fsicas, sendo um problema que se instalou no interior das escolas e

impossvel ignor-lo.

Preocupado com os rumos tomados ou pelas propores do problema,

professores, gestores, e pesquisadores envolvidos no observatrio de violncia

nas escolas-brasileiro de violncia escolar, a qual Abramovay coordenadora

organizaram com o apoio da UNESCO uma pesquisa em treze capitais

brasileiras, mais o Distrito Federal, na qual buscaram mapear o fenmeno e o

seu crescimento.

Para isto imprescindvel entender que o processo educativo dinmico

e mutvel. Cada escola tem uma realidade que possui caractersticas diversas e

um potencial a ser aproveitado em favor de sua prpria ao educativa. Assim,

cabe-nos repensar o papel dos gestores frente ao problema que a violncia

escolar.

Diante da exigncia da implantao de gestes democrticas em todos

os setores da sociedade, o escolar por estar inserida na sociedade, no poderia

ficar de fora.

Porm o que ainda se tem assistido lamentavelmente em alguns

municpios brasileiros e a atuao ruim de alguns gestores escolares, pessoas

estas que so os sujeitos envolvidos diretamente na ao educativa.

Fracassando em suas aes quando necessitam lidar com a questo da

violncia, denotando despreparo e falta de conhecimento acerca do assunto.

Os estudos relacionados ao tema tm acontecido, porm ainda pouco

em relao demanda.

Pois a violncia possui razes bem mais profundas, alm daquelas que

so visveis. Por isto possvel afirmar que preciso que gestores e profissionais

da rea educacional tomem conscincia da importncia de se estudar o tema,

suas implicaes caractersticas, conceitos e expresses, livres de preconceito

e alarmismos.

importante, pois assim os profissionais da rea educacional,

desenvolvero estratgias e formas de lidar com ela.

O que se tem observado que apesar de saber que a violncia esta

diretamente ligada gesto escolar, pouco se tem discutido sobre esse assunto.

Dai a iniciativa de abord-la, principalmente porque os gestores educacionais

so atores de fundamental importncia dentro do cenrio escolar, pois a ele cabe

tornar possvel a execuo da complexa tarefa de gerir a instituio de ensino

buscando parcerias com todos os envolvidos, almejando aquilo que passa a ser

a sua principal meta a educao de qualidade dentro de um contexto

democrtico e pacifico.

Ao falar de gesto democrtica podemos citar suas principais

caracterstica e exigncias prprias, para que ela se torne possvel necessrio

observar comprometimento e a participao das pessoas, desenvolvendo

atividades e exercendo funes que promovam a presena e o fortalecimento da

atuao das pessoas no interior das escolas (ABRAMOVAY, 2003).

Articulando tudo isto com o exerccio de poder, incluindo principalmente

os processos de planejamento. A tomada de decises e a avaliao dos

resultados alcanados. Ou seja, o gestor educacional, na gesto democrtica

precisa assumir papeis sabendo utilizar autoridade sem autoritarismo.

Pois assim como j foi dito cada escola apresenta uma realidade uma

caracterstica peculiar. Cabendo ao gestor administrar os conflitos existentes no

interior da instituio.

Nos sistemas de ensino e nas escolas a gesto democrtica necessita

envolver todos os seguimentos interessados. Inmeras vezes na relao aluno

versus aluno, ou, aluno versus professor, tende a ser conflituosa.

O conflito esta presente em quase todos os tipos de interao humana e

assume varias formas e dimenses: de ideias, gestos, aspiraes, geraes e

percepes. Isto quer dizer que nem sempre nossas vontades, sensibilidade,

cultura e percepes esto convergindo para o mesmo ponto (ABRAMOVAY,

2003).

Por isso importante conversar, ouvir com pacincia e ateno o que o

outro tem a dizer e expor claramente as suas ideias, negociar. Ao contrario do

que muitos acreditam o conflito faz com que venhamos a desenvolver, progredir

e aprender a conviver com o diferente.

A ausncia de conflitos escolar no revela por se s um ambiente sadio.

Pois, o respeito s diferenas e o estimulo ao pensamento divergente

desenvolvem a criatividade e podem fazer do conflito escolar, nesta relao no

pode acontecer antagonismo, ou seja, cada um quer impor a todo custo pela

fora e pela violncia implcita ou explicita, suas ambies interesses e

desmandos.

Tanto pessoas, grupos ou associaes antagnicos, se colocam em

posio inconcilivel, recusando muitas vezes, o dialogo que poderia conduzir a

resoluo do problema.

A escola por ser um lugar de formas diversas de expresso, o conflito faz

parte do deu dia a dia e deve ser objeto de negociao constante sem que

prevalea o desejo de que as pessoas se comportem de um modo submisso ou

passivo.

O gestor escolar por ser um importante personagem nesse cenrio, ter

duas tarefas fundamentais: reconhecer os conflitos e ajudar todos, dentro da

escola a encar-lo positivamente, pois a ele cabe o lugar de gerenciar e

administrar conflitos.

Para isto o primeiro passo ser a identificao do conflito e suas origens

e fontes:

Conflito de interpretao: decorre da forma pela qual cada pessoa

estrutura opinies sobre fatos, fenmenos e conceitos;

Conflito de projetos: cada um tem seus projetos pessoais e muitas vezes

eles esto em desacordo com as possibilidades e /ou disponibilidades do

ambiente escolar;

Conflito de poderes: pessoas ocupam cargos ou exerce funes

especificas na instituio em que trabalha e isso lhes confere poderes que em

certas situaes no desejam partilhar.

A partir dai podemos classificar os conflitos em trs nveis (ABRAMOVAY,

2003):

Pessoais: pessoas pensam e agem de acordo com suas prprias

interpretaes projetos e poderes muitas vezes conflitantes entre si;

Interpessoais: pessoas assumem, no mesmo grupo diferentes

interpretaes projetos e poderes.

Institucionais: a escola, por ser um espao onde a convivncia se

caracteriza pela diversidade apresenta orientaes variadas, s vezes,

contraditrias, para diferentes processos e aes;

Identificando o conflito e o tipo, o gestor devera envolver estratgias que

tem como base a comunicao; este ser o ponto de partida para que tudo se

entenda, para isto ser importante deixar claras as intenes e os critrios de

anlise que sero adotados na escola. Discuti as solues possveis e procurar

negociaes, assumir responsabilidades e deixar que os outros tambm

assumam ouvir o outro e fazer com que os outros nos escute.

Avaliar valorizando os aspectos positivos dos outros e pedir que faam o

mesmo conosco. Desta forma a escola se tornara espao de manifestaes e

expresses de diferentes grupos permitindo a circulao de ideias, criando uma

atmosfera baseada no debate e na orientao a respeito das funes de

professores e gestores, favorecendo a livre expresso.

Desta forma, ele articulara aes que busquem viabilizar a soluo dos

conflitos, e construindo assim um ambiente acolhedor de diversidade de

opinies.

Outro problema que os gestores devero solucionar a violncia contra

o patrimnio, esta inclui as depredaes das instalaes escolares e a destruio

dos moveis e outros objetos pertencentes a instituio, outros atos de

vandalismo tambm esto associados a revolta de alguns ex-alunos que

sentiram-se excludos do processo educacional.

Abramovay (2003) afirma que o vandalismo costuma esta associado a

administrao escolar autoritria, indiferente ou omissa. Neste caso o principal

alvo desses atos so os gestores educacionais ou equipe gestora.

Pois, o gestor quem responde no s pelo bom funcionamento

institucional, mas ainda o responsvel pelo cumprimento da funo educativa.

E o que fazer diante de situaes em que o alvo o articulador de aes que

envolvem a comunidade.

Para isso necessrio investigar o que est por detrs destes atos, qual

a mensagem que querem transmitir?

preciso implantar os princpios da gesto democrtica de ensino criando

o ambiente propicio a convivncia, ao dialogo entre as pessoas que pensam

diferentes e querem coisas distintas.

Ou seja, reconhecimento da adversidade social e a superao da

desigualdade. Cabe ao gestor buscar melhorar a imagem da escola e a sua

prpria imagem junto comunidade, buscando dialogo e a mobilizao das

pessoas e a criao de projetos pedaggicos, com base na participao e nos

princpios de convivncia democrtica ABRAMOVAY, 2003).

Estes projetos devero procurar envolver e atrair todos os envolvidos no

processo educacional, buscado informar (caso no tenha percebido) que a

escola uma das instituies sociais capaz de contribuir para a formao de

cidados e que para que passassem ser considerados como tais que precisam

estar conscientes dos seus direitos e deveres.

Desta forma, todos os cidados independentemente da sua situao

social, econmica, e cultural poder interver e participar ativamente da

construo de politicas publicas na gesto das escolas, outra caracterstica do

bom gestor promover o envolvimento da comunidade extraescolar no processo

de gesto escolar e nas atividades desenvolvidas pela escola.

Uma boa maneira para isto buscar parcerias com empresas e

secretarias isto porque existem aes que so praticamente impossveis de

serem realizadas sem o apoio de parceiros.

Como o assunto em pauta ao da gesto escolar no combate a

violncia, muito importante descobrir qual a imagem que a comunidade tem da

escola, como eles vm o corpo docente, tcnico pedaggico. O que precisa

melhorar no ambiente escolar para que esta melhore e alcance padres de

qualidades.

E a partir desta analise tentar melhorar esta imagem investindo em aes

que atraiam toda a comunidade. Uma boa opo a mobilizao social que deve

ser concreta para ajudar os gestores, professores e funcionrios a realizarem

melhor seus trabalhos e proporcionarem uma educao melhor aos alunos.

Para isso a escola devera esta aberta para comunidade fazendo com que

estas parcerias envolvam responsabilidade, compromisso e confiana.

necessrio s escolas buscarem parcerias que possam colaborar na

expanso de seu potencial de ofertas para os seus alunos.

Na prpria comunidade por meio de projetos integrados entre secretarias

de cultura e esporte e outras instituies publicas, desta maneira os jovens

podero desenvolver seus potenciais artsticos no campo da musica, esporte e

outros.

Desta maneira pode-se concluir que problemas haver, porm, o gestor

escolar assumindo o seu papel boa parte dos problemas sero solucionados.

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