As Maravilhosas Historias Escoteiras 2

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<ul><li><p>AS MARAVILHOSAS HISTRIAS ESCOTEIRASOsvaldo Ferraz</p></li><li><p>Osvaldo, Um Escoteiro</p><p>Meu nome? Osvaldo, Osvaldo Ferraz. Ainda sou um Che-fe Escoteiro. Aposentado claro. Gosto de brincar que nasci no dia 9 de janeiro de 1941, cinco horas aps em que BP faleceu no Qunia - frica (num lugar tranqilo e com um panorama maravilhoso: fl orestas de quilmetros de extenso tendo ao fundo montanhas de picos cobertos de neve). Entrei para o movimento em 1947 como lobi-nho. Escoteiro e Snior, permaneci no Cl pioneiro at os 19 anos onde orgulhosamente me tornei um escotista. Passei por muitas etapas. Aprendi muito. Em uma alcatia como Akel, em tropa escoteira e snior. (Mestre Pionei-ro tambm). Fui ainda Diretor Tcnico (nome horrvel, prefi ro Chefe de Grupo), Comissrio Regional, assistente regional de ramos, membro da Equipe Nacional de Ades-tramento at 1990. Tive a honra de participar e dirigir mais de 200 cursos de formao (prefi ro adestramento) em diver-sos estados. Se no me falha a memria, acho que dirigi o primeiro CAB Pioneiro no Brasil. As diversas etapas de uma vida cheia de alegrias me obrigaram a no mais con-tinuar na ativa. Sade, emprego, enfi m me mantive como escoteiro como sempre fui, mas junto a amigos escoteiros, algumas palestras aqui e ali, e quando os dirigentes regio-nais precisavam, ali estava eu a Servir.</p><p>Faa sua prpria aventura!Chefe Osvaldo</p></li><li><p>No sei se sabes, no basta dizer que ama a natureza.No basta dizer que concorda com o que dizem,</p><p>No. Tens a obrigao como EscoteiroFalar aos seus irmos no mundo inteiro,Mas fale claro, com amor e com certeza.</p><p>Diga a eles de sua vida aventureira,Que sua escolha no tem nada de ilgico,</p><p>Voc no vive mais seu habitat tecnolgico, Pegue sua mochila e sua bandeiraV correr mundo conhecer lugares</p><p>Esquea esta vida baladeira.</p><p>Prenda bem seu leno no arganu.Pendure seu bornal e l dentro seu farnel.</p><p>V onde o sol te levar at o infinito,Descubra lugares que pra muitos um mito.Muito alm de o Arco ris encontrars o cu.</p><p>Dizem alguns que um cu Escoteiro, Mesmo com chuva um cu de brigadeiro.</p><p>Tente achar o outro lado da montanha,Quem sabe um pote de ouro voc vai encontrar.</p><p>Dirs ento para si mesmo, que seu sonho nunca vai se acabar.</p><p>Conte a todos por que agora no desiste mais:diga que no foi ouro, no foi prata, muito menos o dinheiro.</p><p> Foi fibra, foi raa, que te fez um escoteiro. .J brinquei de calas curtas l no fundo do oceano,Meu leno eu amarrei nas noites mornas de outono.</p><p>Sei que voc no esqueceu o tempo no apaga,A velha frase que a diz um bom mateiro</p><p>Um poema Escoteiro</p><p>A paz que o vento nos traz </p></li><li><p>Voc sabe, acredita nisto, de ningum tem mgoa,Uma vez Escoteiro sempre ser um Escoteiro.</p><p>Voc sabe que um heri verdadeiro, </p><p>No tens a fora de Hrcules filho da guerra,Mas tem a fora que s tem um Escoteiro,</p><p>Coloque sua mochila, um sorriso e parta ligeiro,Levante sua bandeira, cante uma cano.</p><p>Ratapl agora, Ratapl sempre, Ratapl no corao.</p><p>Avante Escoteiro avante, e diga ao mundo inteiro,Que voc um valente um heri Escoteiro,</p><p>E cantando v dizendo a todo mundo, </p><p>Que no foi ouro, no foi prata, muito menos o dinheiro. Foi fibra, foi raa, quem te fez um escoteiro. </p><p>Chefe OsvaldoFrase final de um autor desconhecido</p></li><li><p>S o vento sabe a resposta(Lendas Escoteiras)</p><p>Nada a ver com o romance de J.M. Simmel - por sinal, um livro que devia ser lido por todos. Esta histria foi no final dcada de sessenta, eu era o Chefe de um Grupo Escoteiro por estes interiores do Brasil. Uma me-nina de uns doze anos se adentrou no ptio de reunies (era um sbado tarde) e ficou sentada observando a movimentao das tropas escoteiras. Ainda no havia a coeducao. Esta s foi iniciada na metade da dcada de oitenta.</p><p> Em dado momento me procurou. Chefe, como fao para entrar nos escoteiros?. Um olhar profundo, um sorriso espontneo, um brilho de um so-nho e uma vontade de ser e no poder ser. Expliquei a ela. Disse que s como bandeirante. Mas aqui no tem?. S balancei a cabea negativamente. No, respondi. Seus olhos se encheram de lgrimas. Tentei consolar, mas ela me olhou e saiu correndo. Passaram-se alguns anos, acho que uns seis anos, se no me falha a memria. </p><p> Conversava com um chefe e vi uma mocinha adentrando sede. Pediu para falar comigo e prontamente a atendi. Chefe, agora eu tenho dezessete anos. Vou fazer dezoito daqui a trs meses. Agora posso entrar?. Eu no me lembrei dela e nem sabia se tinha falado alguma coisa. Perguntei a ela. No lembras quando estive aqui h cinco anos pedindo para ser escoteira? O senhor me disse que s poderia ser bandeirante. Em nossa cidade no tem. Esperei com calma e sonhando a cada dia em ser escoteira. Agora sou quase de maior, posso ou no?. </p><p> Claro, eu disse que sim. Nossa Alcateia tinha 26 lobinhos. Dois chefes masculinos e duas femininas. Tinha que arrumar um lugar para ela. Uma per-severana em querer, em poder ser e depois de anos e anos nunca esqueceu seus sonhos. Claro que nunca poderia ser recusada. Eu jurei a mim mesmo que seus sonhos seriam realizados. No foi bem recebida. Uma das chefes da Alcatia me procurou em particular e disse que no poderamos aceit-la no grupo. - Por qu? Disse eu. Porque ela mora no Ferreirinho e o senhor sabe, l um bairro de m fama. Sua me s pode ser uma prostituta. No sei por que falou aquilo. Era uma jovem educada e prestativa. Nunca deixou de ajudar ningum. Infe-lizmente era uma poca onde as mulheres que por um motivo ou outro foram </p></li><li><p>parar ali naquele bairro no eram perdoadas facilmente.</p><p> No esperava aquela atitude. Pensei que no ramos assim. ramos sim, uma fraternidade, cheia de compreenso para com o prximo. Ao encerrar a reunio ela pediu um Conselho de Chefes. Na reunio explicou o motivo. ramos doze. Claro que concordei. Ela expos suas razes. Pelo menos sete che-fes concordaram com ela. Vamos colocar em votao disse? No precisa. Estou entregando meu cargo. Estou envergonhado. Pensei que aqui teramos outro pensamento. Mas me enganei. Se isso for acontecer novamente prefiro no estar presente.</p><p> Todos se assustaram com minha atitude e pediram um tempo para pensar. No precisa eu disse. Um dia vocs me disseram que o escoteiro ami-gos de todos e irmo dos demais. Se no pensam assim, aqui no o meu lugar! Procuraram-me no meio da semana, inclusive a chefe em questo. - Desculpe chefe. Agi mal. Muito. Peo perdo. Coloquei a mo em seu ombro. Nada de desculpas minha amiga. Estou orgulhoso de voc e dos outros.</p><p> No sbado seguinte a mocinha que pediu para entrar no apareceu. No outro tambm no. Fiquei preocupado. Ser que ele ficou sabendo do que aconteceu e desistiu? No tinha seu endereo. No tinha feito por escrito sua inscrio. No sabia como ach-la. Dois meses depois avistei uma mocinha que achei parecidssima com ela.</p><p> Parei e perguntei. Expliquei tudo. Ela com lgrimas nos olhos me contou a mais triste histrias que um dia ouvi. Sabe Chefe, Bea era minha irm mais nova. Ela se chamava Beatriz. Contou as suas amigas e a todos l em casa de sua alegria em ser agora uma escoteira. Seu sacrifcio em esperar cinco anos agora fora reconhecido. Era seu sonho. Ano aps ano ela s falava nisto. O dia inteiro rindo dizendo que um dia seria escoteira. Ns tivemos que ouvir todos os dias durante mais de seis anos. No sbado pela manh se preparou para ir ter com vocs. Levantou cantando alto para todos ouvirem. Ao sair foi atropelada por um nibus. Levada ao hospital faleceu horas depois.</p><p> Fiquei pensando em tudo. Nosso destino, nossos sonhos. Perdidos em minutos. Em segundos. Por qu? Sem retorno. Acho que s o vento sabe a res-posta!</p></li><li><p>Waldo, um Escoteiro e seu ltimopr-do-sol(Lendas Escoteiras)</p><p>Eu era Chefe de uma tropa Escoteira l no Bairro do Berilo. No era longe e a p chegava a menos de quinze minutos. Era uma boa tropa. Quase no tinha problemas e os Monitores me ajudavam muito. No grupo havia uma tropa feminina, mas que no caminhava bem. S duas patrulhas com doze jovens. Genny a Chefe era muito esforada. Nilo e Bartilho eram meus assistentes. No eram muito frequentes. No sei se acontece com todo mundo, mas tem escoteiros to bem com-portados que quase passam despercebidos. Assim era Waldo. Entrando nos quatorze anos tinha todas as qualidades que a gente pensa em quem tem um elevado Esprito Escoteiro.</p><p> Na Patrulha Quati Waldo era uma espcie de conselheiro dos demais. No era o Monitor, mas cativava a todos pela sua ponderao, pelo seu exemplo no s na tropa como na escola e em sua vida familiar. Quando eu tinha algum problema cha-mava o Waldo. Ele possua um jeitinho prprio de conversar que conquistava qual-quer um que estivesse ao seu lado. No foi minha surpresa que um sbado de maio ao chegar sede no vi o Waldo. Era o primeiro a chegar e o ltimo a sair. Perguntei ao Antonio seu Monitor se ele sabia de alguma coisa. No sabia. Pensei comigo Deve ter sido o motivo muito forte para ele ter faltado. Fiquei de ligar para ele ou seus pais para saber se uma gripe o impediu de ir reunio. Quem atendeu foi sua me. Che-fe, o melhor o Senhor vir aqui em casa. No d para falar por telefone.</p><p> S na quinta deu para ir at l. Eu estava preocupadssimo. O que seria? A Me dona Aurora e o pai seu Rodolpho me receberam na porta. Estavam tristes e taciturnos. Chefe, falou dona Aurora, Waldo me pediu para ele mesmo dizer. Acho que o Senhor deve ficar prevenido. A notcia vai choc-lo e muito. Vi que lagrimas caiam dos olhos de ambos. O Senhor Rodolpho estava com a voz embargada. Subi ao quarto de Waldo, ele me esperava sentado na cama. Senti nele um sorriso tnue e sua voz que j era baixa de natureza estava rouca. Seus cabelos estavam caindo e aquilo me assustou. Ol Chefe, Sempre Alerta! Ele tinha ficado em p. Dei-lhe um aperto de mo e um abrao. Waldo, todos esto sentindo muito sua falta e as saudades so grandes. Ele sorriu de leve. Chefe, vai ser difcil minha volta. Vou direto ao assun-to. Melhor ser honesto com o Senhor. Estou com Leucemia no crebro. O medico </p></li><li><p>disse para minha me que eu tenho menos de quatro meses de vida.</p><p> Foi como se eu tivesse levado um soco, uma pancada. Fiquei cho-cado. Sentei em sua cama. Calma Chefe, isto acontece com um e outro, eu fui o escolhido por Deus desta vez e sorriu. Meu Deus! Pensei. Que calma deste garoto! Incrvel! Olhe Chefe, eu convenci minha me. Ela e meu pai no queriam, mas eu gostaria antes de ir me encontrar com meus ancestrais l na vivenda de Capella, eu queria ir ao acampamento do prximo ms no Vale dos Sinos. Mas como Waldo? Voc mal fica em p e nem pode andar direito! Eu sei Chefe, mas eu preciso. No posso partir sem ver meu ltimo por do sol nas escarpas cintilantes. - Me lembrei do que ele falava. L das escarpas o por do sol era maravilhoso. O mais lindo que tinha visto. Eu nunca pensei que ele pudesse lembrar e nem eu mesmo me lembrava mais. Olhei para Waldo. No podia negar aquele ltimo favor. Se ele queria eu no iria dizer no. Combinei com seus pais de passar l no dia marcado pela manh para peg-lo. No disse nada para a tropa e nem para os chefes. Insisti para que ningum faltasse. Queria dar a ele uma despedida que ningum jamais esqueceria. Seria o maior Fogo de Conselho que eu iria dirigir e ele participando. Passei l no dia determinado. No local do acampamento ele insistiu em ficar com sua Patrulha. Estava tremendo, fraquejava, mas dizia que iria dormir na barraca da Patrulha. Na chefia no era certo e no queria dormir sozinho completou. Chefe, cncer! E ria. Nada mais que o cancerzinho idiota. No vai ter perigo para ningum. Ele no transmitido assim. No contagioso! Menino! Que Escoteiro era aquele? Waldo de quatorze anos me dando lio?</p><p> Eu tinha levado uma cadeira de praia para ele ficar sentado. O dia que ele quisesse eu o levaria em minhas costas at as Escarpas Cintilantes. Ele recusou a cadeira. Vou fazer a minha Chefe. Devagar mas vou fazer. A Patrulha viu que ele estava doente. Disse para ela que ele estava se recuperando de uma forte pneumonia. Ele quase no participava das atividades, mas ajudava na cozinha sempre. Fez uma bela cadeira. Sentava e fechava os olhos. Seus lbios entreabertos pareciam sorrir. No penltimo dia vi que ele respirava com dificuldade. Waldo vou leva-lo para sua casa. Chefe nem pensar. Me leve agora at as Escarpas Cintilantes. Meu tempo est se esvaindo.</p><p> Fui sozinho com ele. Em principio foi andando depois vi que no aguentava. O coloquei no colo. Uma palha de to magro. Em menos de meia hora </p></li><li><p>chegamos. Sentei junto com ele na barranca que dava para todo o Vale dos Sinos. Um espetculo a parte. Deviam ser umas cinco e meia. Chefe posso fazer um pedido? Claro meu amigo. Claro. Quando eu estiver sendo guardando na terra dos meus ancestrais no quero que cantem a cano da despedida. Cantem todos aquelas ale-gres para que eu tenha boas lembranas. O sol foi aos poucos tentando se esconder atrs das montanhas do Grilo Feliz. Waldo sorria. No tirava os olhos. Eu engasgado. Danao! Eu no era como ele. Estava difcil aguentar. Queria chorar e no podia. No podia chorar naquele instante. No podia. Eu sabia que eram seus ltimos mo-mentos. Waldo me olhou. Piscou os olhos e me disse Chefe foi a maior alegria que j tive. Vou levar para sempre esta lembrana comigo. Obrigado Chefe. Obrigado. Foi aos poucos deitando no meu colo. Esticou suas perninhas secas. Waldo morreu sorrindo no meu colo naquele anoitecer de junho. Ficou ali imvel como se estivesse dormindo. </p><p> Fiquei ali chorando por muito tempo. Algum bateu no meu ombro. Olhei e no vi ningum. L onde o sol se ps vi uma nuvem branca brilhante que logo desapareceu. Desci as escarpas com ele no colo. Uma eternidade at chegar ao acampamento. Uma dor profunda. Toda a tropa chorava. Voltei para a cidade. No chorava mais. Meu corao sumiu. Minha vontade no era minha. Naquele momen-to achei que eu tambm tinha morrido com o Waldo. No dia seguinte estvamos todos na sua exquias. Cantamos ao som de um violo a Stoldola, Avante Escoteiro, L ao longe muito distante e outras. Todos cantavam com vigor escoteiro. Muitos choravam. Eu tambm. No dava para segurar. Os anos passaram. Nunca me esqueci de Waldo. Nunca me apareceu em sonhos. Nunca falou comigo em esprito. Deve estar feliz, muito feliz em Capella, a terra dos seus ancestrais.</p></li><li><p>O pequeno Jor-el, o menino Escoteiro que veio das estrelas</p><p>(Lendas Escoteiras)</p><p>Sabe Chefe, eu o vi pela primeira vez em uma tarde chuvosa, estvamos em ativi-dade no salo da sede, e ele praticamente apareceu do nada e se plantou em um canto. Ningum notou acho que s eu. Estvamos em um jogo que chamavam de pescaria e por lerdeza ou por ver aquele menino ali plantado fui pescado. O senhor conhece o jogo. Dormiu, o cachimbo caiu. Mas tudo bem me aproveitei enquanto estava fora do jogo e me aproximei dele. Chefe! Senti uma vibrao que nunca senti antes. Ele me deu um sorriso e me abraou! Diabos! Abraar um desconhecido? Ele com uma voz de anjo, e...</p></li></ul>