Artigo peças de reposição

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<ul><li> 1. A OFERTA DE PEAS E COMPONENTES DE REPOSIO APS O TRMINO DA FABRICAO DE PRODUTOS Lindsay Teixeira SantAnna1 Valria Arajo Neves2 Vitor Falco de Souza3 RESUMO Com a mudana nos padres de consumo da sociedade, ps Revoluo Industrial, as empresas se depararam com aumento exacerbado na busca pela aquisio de bens e, logo, a preocupao com a qualidade perdeu campo para a fabricao em srie, que leva em considerao os inmeros objetos fabricados em um curto espao de tempo. Apesar das crescentes insatisfaes dos consumidores, o Cdigo de Defesa do Consumidor omitiu em seu texto legal o tempo mnimo que as peas de reposio deveriam estar disponveis no mercado. Neste contexto este artigo buscou o melhor entendimento levando-se em considerao as recentes decises jurisprudenciais, a necessidade de uso dos produtos pelos consumidores e a disponibilidade de peas de reposio pelos fabricantes. PALAVRAS-CHAVE: Cdigo de Defesa do Consumidor, fabricante, peas de reposio, jurisprudncia, informao.SUMRIO: 1- Introduo. 2 Panorama Social. 3 Lei, Doutrina, Jurisprudncia e o Conceito de Vida til. 4 Concluso. 5- Bibliografia.1Bacharel em Direito, Especialista em Gesto Ambiental, Ps-graduanda em Direito Agrrio e Ambiental (UFV), Diretora do PROCON-Viosa. 2 Acadmica do 7 perodo do curso de Direito da UFV. 3 Acadmico do 5 perodo do curso de Direito da UFV.</li></ul><p> 2. 1- Introduo O Cdigo de Proteo e Defesa do Consumidor, promulgado em 1990 trouxe a sociedade brasileira uma nova fase na tutela das relaes de consumo. No entanto, apesar da amplitude do tratamento dado aos direitos do consumidor pelo Cdigo e das contribuies jurisprudenciais e doutrinrias dos ltimos 17 anos, h ainda pontos controversos e omissos acerca da aplicao de seus preceitos legais. Um dos principais pontos omissos do Cdigo refere-se ao artigo 32, pargrafo nico que no estabelece o tempo mnimo em que os fabricantes devem disponibilizar aos consumidores peas de reposio aps o trmino da fabricao de produtos. Tal omisso tem dificultado a soluo das reclamaes nos rgos administrativos de defesa do consumidor, que encontram em vagas decises jurisprudenciais prazos razoveis para a disposio de peas de reposio no mercado, entretanto controversos, j que so estabelecidos prazos no caso concreto. Uma vez que os rgos administrativos de defesa do consumidor so verdadeiros filtros de pequenas reclamaes no Poder Judicirio, mister que entendimentos ponderados sejam adotados a fim de que no seja inviabilizada a rpida soluo das demandas que aqueles rgos realizam. A oferta de peas de reposio aps o trmino da fabricao de produtos uma questo obscura, para a qual as fontes disponveis - legais, jurisprudenciais e doutrinrias no encontraram soluo pacfica. Contudo, no de todo impossvel estabelecer um entendimento sobre a matria norteado por princpios do direito do consumidor, como o da hipossuficincia e da informao, que podem ser invocados para trazer a elucidao da temtica. Sem pretender oferecer soluo definitiva, mas tencionando contribuir ao mximo para sua consecuo, encontrar-se- neste artigo uma abordagem da matria, com suas nuances problemticas e um sugestivo entendimento para a soluo do impasse acerca do tempo mnimo de disponibilidade das peas de reposio dos produtos.2 Panorama Social 3. Qualquer trabalho que se insira no campo das cincias sociais e humanas deve ter conscincia da realidade ftica onde o objeto de anlise se encontra. Com a questo da oferta de peas de reposio aps o encerramento da fabricao de um produto no h como ser diferente. Vivemos no pice sociedade de consumo, onde a indivduo materialista v no ato de consumir um meio para a satisfao pessoal e aceitao social. Precisos so os comentrios tecidos por MOTA e BRAICK a este respeito: A massa de consumidores procura, atravs dos movimentos da moda, em todas as categorias, produtos que se identificam com a sua camada social, formando a partir da representaes e smbolos prprios. O que importa o jogo de imagens criado por um grande complexo de comunicao, informao e propagao, voltado para o comprador com ofertas de bens e produtos.4Este complexo de comunicao, informao e propagao so, na verdade, as estratgias de marketing competitivo das empresas contemporneas, que alimentam uma demanda cuja maior caracterstica a base no desejo de consumir, no na necessidade de consumir. Atualmente, mesmo os bens mais bsicos passaram a possuir componentes no essenciais, que servem unicamente para torn-los mais desejveis do que outros similares, no por superioridade qualitativa, mas por atrao esttica. O consumo atual dominado por esta mentalidade, fruto do marketing acima referido e da influncia social sobre o consumo, onde mesmo bens essenciais so consumidos seguindo os padres da moda e imperativos essencialmente emocionais, no racionais. Com a acelerao da evoluo tecnolgica, novas verses de produtos tradicionais e bens inteiramente novos so lanados diariamente, inundando o mercado com novos artigos e tornando produtos antigos ultrapassados numa velocidade cada vez maior. Esta oferta ampliada, casada com a demanda social por novidades e inovao, independente da necessidade real do indivduo, torna determinados produtos praticamente descartveis. Artigos de vesturio perdem a utilidade de uma estao do ano para outra, aparelhos celulares semi-novos em perfeito estado so substitudos por outros com mais funes, computadores se tornam totalmente obsoletos em poucos anos. 4BRAICK, Patrcia Ramos et MOTA, Myriam Becho. Histria das Cavernas ao Terceiro Milnio. So Paulo: Moderna. 1998, pg. 627. 4. Os produtores e fornecedores, satisfeitos com o lucrativo dinamismo econmico atual, estimulam, como exposto anteriormente, o consumo de novos bens. A reduo no tempo mdio de uso dos bens observada atualmente apresenta-se como um reflexo deste estmulo ao consumo. A preocupao excessiva com os aspectos volupturios dos produtos por parte dos fabricantes pode tambm contribuir para uma reduo de qualidade funcional. Neste contexto, o consumidor que espera de seus bens uma durabilidade compatvel com expectativas mais elevadas encontra srias dificuldades, especialmente no tocante s peas de reposio. Com os produtos deixando de ser fabricados cada vez mais cedo, torna-se difcil encontrar componentes originais disponveis no mercado para a realizao de reparos, quando estes se mostram necessrios em momento posterior ao encerramento da fabricao e comercializao deste. Desta maneira, mesmo os pequenos defeitos, que poderiam facilmente ser solucionados a fim de restaurar a plena funcionalidade do produto podem torn-lo inadequado ao uso de modo permanente, com prejuzo evidente para o consumidor. Cabe ao Estado, atendendo ao comando constitucional do artigo 170, inciso V, defender o consumidor contra este risco, acima do interesse econmico dos fornecedores. 3 Lei, Doutrina, Jurisprudncia e o Conceito de Vida til: O Estado brasileiro, atravs da legislao ou da atividade jurisdicional, no trouxe at o momento soluo definitiva ao problema de como e por quanto tempo os fornecedores devem manter no mercado a oferta de componentes e peas de reposio, quando cessada a fabricao dos produtos a que estas se destinam.O Cdigo de Defesa do Consumidor em seu art.32 estabelece o seguinte: Art. 32 - Os fabricantes e importadores devero assegurar a oferta de componentes e peas de reposio enquanto no cessar a fabricao ou importao do produto. Pargrafo nico: Cessadas a produo ou importao, a oferta dever ser mantida por perodo razovel de tempo, na forma da lei. 5. V-se claramente que o art. 32 uma norma aberta que delega outra lei a tarefa de determinar qual seria o perodo de tempo razovel, para a oferta de peas de reposio aps o trmino da fabricao dos produtos. Respondendo a esta delegao, o Decreto n 2.181 de 20 de maro de 1997, norma que veio regulamentar o Cdigo de Defesa do Consumidor, traz em seu art. 13, inciso XXI, no rol de prticas infrativas: Art. 13 (...) XXI - deixar de assegurar a oferta de componentes e peas de reposio, enquanto no cessar a fabricao ou importao do produto, e, caso cessadas, de manter a oferta de componentes e peas de reposio por perodo razovel de tempo, nunca inferior vida til do produto ou servio.Analisando tal dispositivo, percebe-se que a vida til dos produtos passa a ser o parmetro legal para a definio do tempo de oferta dos componentes e peas de reposio. Entretanto, a frmula escolhida para o estabelecimento do tempo de oferta de peas e componentes atravs desta vida til tambm inexata. Os fabricantes, que poderiam informar mais precisamente qual seria a vida til de seus produtos no o fazem por falta de comando especfico da lei neste sentido. Ideal seria que a lei determinasse a obrigao de que os fabricantes informassem a vida til de seus produtos nos manuais fornecidos ao consumidor, pela importncia patente desta informao. A doutrina, infelizmente, tambm no traa grandes consideraes acerca do tema. A maioria dos autores se exime deste debate, e os poucos que se ocupam dele no se aprofundam no problema central da determinao precisa do tempo de oferta de peas de reposio. Antnio Herman de Vasconcellos e Bejamin, ao comentar o Art. 32 do Cdigo de Defesa do Consumidor, limita-se a afirmar o seguinte: Mesmo aps cessar a produo ou importao do produto, o fabricante, naquele caso, e o importador, neste outro, ainda devem cumprir o dever de assistncia com peas e componentes. S que tal obrigao no ad eternum. De duas, uma: a lei ou regulamento fixa um prazo mximo, ou o juiz, na sua carncia, estabelece o perodo razovel de exigibilidade do dever. Em todo caso, deve-se sempre levar em conta a vida til do produto5. 5BENJAMIM, Antnio Herman de Vasconcellos e in Cdigo Brasileiro de Defesa do Consumidor: Comentado pelos Autores do Anteprojeto. GRINOVER, Ada Pellegrini... (et al.). 8 Ed. Rio de Janeiro: Forense Universitria, 2004.p. 279. 6. Recai ento, a responsabilidade, aos magistrados de determinar no caso concreto, qual seria o prazo razovel. Tarefa difcil para este profissional com as ferramentas que lhe so disponveis, j que o mesmo no possui conhecimento tcnico sobre os produtos, e a nomeao de um perito para a soluo desta questo levaria o processo a um atraso desnecessrio e dispendioso. Poderia o juiz solicitar do fabricante que este informasse a vida til do produto para fins de aplicao do artigo 13, inciso XXI do Decreto 2.181/97, mas, no contexto do processo judicial, tal informao no seria confivel. Existe ainda, pouca jurisprudncia sobre a temtica a que poderiam os magistrados recorrer para embasar suas decises, e mesmo as poucas existentes pecam pela ausncia de critrios na fixao dos prazos razoveis para a oferta de peas de reposio. Observa-se o Acrdo de recurso improvido no processo N 36454-1/1999, do TJ-BA: No presente caso, tratando-se de aparelho celular, levando-se em considerao a vida til do bem, certo que o fabricante obriga-se a colocao de peas de reposio, por pelo menos 5 (cinco) anos. Ao adquirir um bem de consumo durvel, como no caso presente, no justo que com apenas um ano de uso o mesmo apresente defeito e no se realize o conserto sob alegao de falta de peas 6.H a fixao do tempo de oferta de peas de reposio, segundo o TJ-BA, em um prazo de cinco anos aps o trmino da fabricao do produto. Outras decises que estabelecem o mesmo tempo, como o recurso provido do processo N 16453-4/2003. tambm do TJ-BA: Acontece que a lei 8.078/90 no estabelece prazo firmado, apenas argumenta que este prazo ser razovel. Assim, tal obrigao no ad infinitum. Ou a lei ou regulamento fixa este prazo, ou ao Juiz caber estipul-lo, ante a sua ausncia expressa. Entende esta magistrada ad quem ser razovel o prazo de 05(cinco anos), inclusive tendo como paradigma para estabelec-lo o prazo prescricional da ao tendo como objeto a reparao de danos causados pelo fato do produto ou do servio (art. 27 do CDC) 7.No Acrdo acima, observa-se que o critrio de fixao do tempo de oferta de peas de reposio foi estabelecido, aparentemente, sem observar as regras do artigo 6BRASIL. Tribunal de Justia do Estado da Bahia. Acrdo do Processo n 36454-1/1999. Relatora: Juza Maria Geraldina S de Souza Galvo. Acrdo. Bahia. TJ-BA, 1999. 7BRASIL. Tribunal de Justia do Estado da Bahia. Acrdo do Processo N 16453-4/2003. Relatora: Juza Ilza Maria da Anunciao. Acrdo. Bahia. TJ-BA, 2003. 7. 13, inciso XXI, ou seja, no se levou em conta a vida til do bem. Mas h escusas para que o critrio da vida til no seja utilizado adequadamente, visto que para o magistrado difcil determinar, sem a utilizao de percia tcnica, qual seria esse tempo. E mesmo esta percia no o meio mais adequado de determinao da vida til. (Thuane) O princpio da economia processual estabelece que o Estado-juiz deve utilizar-se dos meios mais cleres e menos dispendiosos para chegar soluo da lide. De acordo com este princpio, v-se que a determinao da vida til, para melhor andamento do processo, deveria se dar por meios externos ao procedimento em contraditrio, como a informao da vida til pelos fabricantes, nos manuais de instrues de seus produtos, conforme previamente mencionado. Mas na ausncia de determinao legal ou administrativa - no mbito do CNDC -, torna-se indispensvel a utilizao de percia para a determinao da vida til do bem, sob risco de decidir injustamente no caso concreto. Estabelecer um limite mnimo fixo de cinco anos para a oferta de componentes de reposio seria estabelecer legalmente que a vida til de quaisquer produtos em caso algum seria superior a cinco anos, erro grave e inadmissvel. Alm disso, h produtos que possuem uma vida til inferior a cinco anos e estabelecer esse limite mnimo ocasionaria um nus grave ao fornecedor. H uma imensa gama de produtos de diferentes marcas e modelos, possuindo cada qual um tempo de vida til diversa. Consequentemente observa-se a necessidade de componentes e peas de reposio totalmente diversas por perodos variveis. A vida til de um celular totalmente diversa da vida til de uma geladeira, por exemplo. Grande parte dos celulares atuais possui vida til mdia menor do que cinco anos, enquanto que de qualquer geladeira se espera uma durabilidade muito maior que este tempo. Fixar um prazo de cinco anos para a vida til desses produtos ou mesmo qualquer limite fixo superior ou inferior para todos os tipos de produtos, geraria decises judiciais e administrativas injustas, ora em prejuzo do consumidor, ora do fornecedor. Basear a fixao da vida til no tempo mximo para a pretenso de reparao pelos danos causados por fato do produto ou do servio, previsto no art.27 do CDC, seria materializar todos os problemas acima tratados. V-se, portanto, que tal critrio no deve ser utilizado. (Lindsay) Existem ainda correntes doutrinrias que alegam ser o prazo de vida til igual ao prazo de garantia. Tal determinao seria inaceitavelmente prejudicial ao consumidor. Produtos feitos para durar longo tempo poderiam tornar-se inteis por 8. falta de peas de reposio em tempo absurdamente curto. Basta imaginar, a titulo de exemplo, que um carro Volkswagen novo po...</p>

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