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Intercom Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicao XVIII Congresso de Cincias da Comunicao na Regio Sudeste Bauru - SP 03 a 05/07/2013

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O Comportamento Agressivo Expresso no Estilo Tarantinesco de Cinema1

Arthur Nonato Moraes dos SANTOS2,

rika TURCI3,

Isadora Miglioretti BATAGIN4,

Isadora OLIVEIRA5,

Tamiris VOLCEAN6

Angela Maria Grossi de CARVALHO7

Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho, Bauru, SP

Resumo

Este artigo tem como objetivo estudar o enfoque da violncia no cinema ps-

moderno, assim como sua glamorizao em diferentes abordagens, levando em

considerao a busca da sociedade atual por uma representao cinematogrfica

estimulante e imprevista, encontrada em cenas classificadas como violentas.

demonstrada uma anlise a qual traz a violncia como algo fsico e psicolgico, sendo

esta apenas superficial e momentnea como tambm complexa e tema de estudos

relacionados a psicanlise, trabalhado e demonstrado por diversos estudiosos, assim

como escritores, roteiristas e cineastas. Busca-se demonstrar, atravs dos filmes Pulp

Fiction e Ces de Aluguel, do diretor Quentin Tarantino, algumas vertentes da violncia

no cinema.

Palavras-chave: violncia; Tarantino; ps-moderno; psicanlise.

1 Trabalho apresentado no IJ 4 Comunicao Audiovisual do XVIII Congresso de Cincias da Comunicao na Regio Sudeste, realizado de 3 a 5 de julho de 2013. 2 Estudante de graduao do curso de Comunicao Social Jornalismo, da Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho, Bauru. e-mail: arthur.nonatoms@gmail.com 3 Estudante de graduao do curso de Comunicao Social Jornalismo, da Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho, Bauru. e-mail: erikaturci@gmail.com 4 Estudante de graduao do curso de Comunicao Social Jornalismo, da Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho, Bauru. e-mail: isadora.batagin@hotmail.com 5 Estudante de graduao do curso de Comunicao Social Jornalismo, da Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho, Bauru. e-mail: isaadeoliveiraa@hotmail.com 6 Estudante de graduao do curso de Comunicao Social Jornalismo, da Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho, Bauru. e-mail: tamirisvolcean@gmail.com 7 Orientadora do trabalho. Professora do curso de Comunicao Social Jornalismo, da Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho, Bauru. e-mail: angela@carvalho.jor.br

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Um termo, diversas vises: violncia inserida em diferentes contextos

A violncia existe em suas diversas formas, podendo atingir o indivduo

fisicamente, emocionalmente e socialmente. O socilogo H. L. Nieburg define o termo

violncia como uma ao direta ou indireta, destinada a limitar, ferir ou destruir

pessoas e bens. (Michaud, 1989).

A violncia originou-se no conflito social, representado pela luta dos contrrios,

a qual pode ser percebida desde o incio da sedentarizao e socializao da

humanidade. Uma das concepes clssicas da Sociologia atual proposta por Karl

Marx e baseia-se no conflito e na mudana. Para Marx, a explorao do trabalho de uma

classe por outra uma forma de expresso e resultado do conflito social, o qual pode ser

considerado o motor dos perodos histricos da humanidade (Marx, 1985).

Alm disso, saindo do mbito sociolgico, a violncia tambm possui razes na

religio crist e na historiografia clssica. Primeiramente, podemos citar a afirmao de

Herclito, pensador grego, a qual proclama que a guerra a me de todas as coisas, ou

seja, o mundo baseia-se em divergncias relacionadas s foras contrrias, a partir das

quais surge o novo e, como evidenciado acima pela ideologia de Marx, as mudanas.

Quanto religio, pode-se encontrar no Antigo Testamento da Bblia uma das

primeiras vertentes do termo violncia: o dio, o qual condenado pela prpria

religio (Idgoras, 1983).

Segundo Odalia, 1991, a violncia pode ser classificada em violncia

manifesta e violncia oculta. A primeira, assim como evidenciado em sua

denominao, totalmente exposta ao observador dos fatos, em contrapartida, a

violncia oculta aquela subjetiva, a qual no se mostra visvel em uma anlise

superficial. A violncia manifesta pode ser exemplificada pela prtica criminal, a qual

definida como um ato contra os direitos humanos, dano, injria ou erro praticados

contra outro indivduo.

Qualquer ato agressivo que apresenta como causa um comportamento violento

por ser considerado um desvio social. Para Erich Goode (2007), desvio definido como

a violao da normal social, que provavelmente resultar em punio destinada ao

violador. Dessa forma, durante a moldagem do indivduo que ocorre em sua

socializao primria, coloca-se como norma social a proibio de prticas agressivas

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sem justificao de defesa; a partir do momento em que essa norma desrespeitada, diz-

se que o indivduo no internalizou a conformidade social que lhe foi imposta,

promovendo um desvio social, ou seja, sociologicamente, a violncia vista como

prtica negativa sociedade em geral. Em diversas populaes a prtica da violncia

no criminalizada, sendo at tolerada por fazer parte da cultura, com isso mulheres

ainda convivem com agresses constantes de seus maridos, por motivos como a

desobedincia.

Analisando a violncia sob uma tica psicanaltica, notamos que Freud, em suas

pesquisas, atrelou as causas da violncia e agressividade a fatores psicanalticos. A

agressividade humana est subjetivamente ligada ao egosmo e cime e deferencia-se da

agressividade de outras espcies animais, a qual pautada apenas por instinto de

sobrevivncia e conservao dos indivduos (Ferrari, 2006).

Segundo Bock, Furtado e Teixeira (1995, p. 283), a violncia o uso desejado

da agressividade, com fins destrutivos, podendo ser voluntrio, racional e consciente ou

involuntrio, irracional e inconsciente,

Alm disso, Fiorelli, Jos Osmir & Mangini, Rosana C. Ragazzoni (2009, p.

268) afirmam que a agresso apresenta-se como um mecanismo de defesa, na forma de

deslocamento ou sublimao. Na impossibilidade de ver realizado seu desejo, o

psiquismo reage e desloca a energia para a agressividade.

A razo desses comportamentos agressivos pode ser explicada por vrias

vertentes, como a influncia que o indivduo sofre do meio em que vive; as

desigualdades, principalmente a econmica; e o prprio instinto humano, pois para

Bock, Furtado e Teixeira (1995, p. 282) O ser humano agressivo. Porm, esse

comportamento ajuda na sobrevivncia e na superao de obstculos, alm disso, pode

ser canalizado na prtica de esportes que um modo de competir, de lutar, sem

prejudicar ningum.

O problema ocorre quando as pessoas no conseguem canalizar suas

agressividades para coisas construtivas, e isso demonstra instabilidade emocional,

impulsividade e baixa tolerncia s frustraes. Porm existem diversos mecanismos

para controlar a agressividade como a educao, as leis e, alm disso, desde a infncia a

maioria dos indivduos aprendeu que deve controlar a agressividade para uma

convivncia harmnica em sociedade.

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O encontro entre o cinema e a Psicanlise

A violncia, tal como definida pela Psicanlise, pode ser visualizada em grande

parte dos gneros de obras cinematogrficas. O cinema pode ser classificado como um

reflexo visual das teorias psicanalticas, podendo, ento, os filmes serem considerados

similaridades dos sonhos. Para McGowan (2007, p.12), o filme atrai e faz o sujeito

aceitar a condio ilusria que lhe oferecida (Ceballos, 2011).

Toda a violncia divulgada no cinema reflexo do comportamento da sociedade.

As produes cinematogrficas retratam a violncia de diversas maneiras, pelas

diferentes vises de diretores que buscam autenticidade em suas obras. Vale ressaltar

que o cinema reproduz o que as pessoas gostam de ver, e essa satisfao em assistir

cenas violentas no um fato recente como muitos pensam, pelo contrrio, na Grcia

antiga pessoas j se reuniam em praas pblicas para ver mes cozinharem os seus

prprios filhos. Segundo o futurista Marinetti, a violncia a linguagem fundamental do

sculo, e esse fato claramente notado nas produes cinematogrficas que foram

capazes de universalizar, banalizar, glamorizar a at mesmo naturalizar os diversos tipos

de violncia.

Inserindo a violncia num ambiente cinematogrfico, podemos afirmar que esta

retratada de diversas maneiras, as quais variam de acordo com o diretor e com o

gnero do filme. Obras brasileiras, como Tropa de Elite (2007) e Cidade de Deus

(2002) retratam a realidade violenta e agressiva tal como vista no cotidiano, em

contrapartida, algumas obras apre