artigo interatividade simpósio template - ciberjor .3 ciberjornalismo% enquanto% recurso%...

Download artigo interatividade simpósio template - Ciberjor .3 ciberjornalismo% enquanto% recurso% tecnológico.%

Post on 19-Sep-2018

212 views

Category:

Documents

0 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

  • 1

    Interatividade na comunicao: o usurio enquanto produtor de contedo 1

    Cludia Regina Ferreira Anelo2

    Resumo: Este estudo buscou fazer um levantamento sobre o que vem a ser a interatividade e de que forma esse termo tem sido empregado. medida que a tecnologia digital proporciona novos meios do usurio participar da informao, ele passa de receptor passivo para um produtor ou coautor de contedos. A discusso prope abordar os recursos que possibilitaram a interatividade, bem como as classificaes acerca dos variados nveis de interao. Por meio de uma reviso bibliogrfica, o artigo objetivou configurar a interatividade no campo da comunicao como parte do estudo da linguagem contempornea. Verificou-se que apesar de no haver uma definio do termo em comum, os autores concordam que a interatividade est relacionada mediao por um computador e abre um caminho a ser explorado pelas empresas de comunicao, uma vez que amplia as possibilidades de narrativas no jornalismo.

    Palavras-chave: Interatividade. Internet. Novas tecnologias digitais. Comunicao.

    1 Artigo enviado na modalidade de Comunicao Oral. 2 Graduada em Jornalismo; Mestranda em Comunicao do Programa de Ps-Graduao da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. E-mail: claudia.anelo@hotmail.com.

  • 2

    1 INTRODUO

    No cenrio contemporneo da comunicao, a prpria linguagem muitas vezes

    descrita como interativa, pois o ato de se comunicar por si uma interao que pode

    ocorrer entre dois ou mais atuantes, ao contrrio da interatividade que precisa ser

    intermediada por um meio eletrnico, usualmente um computador (MONTEZ E BECKER,

    2005).

    Manovich (2001) considera que o termo interatividade abrange um conceito muito

    amplo, sendo que a interface moderna de usurio no computador j interativa por

    definio, diferente das primeiras interfaces, permitindo controlar o computador em

    tempo real por meio da manipulao da informao que se mostra na tela por meio das

    representaes numricas. O autor ainda sugere que para se produzir uma mensagem

    preciso ter um raciocnio matemtico e no somente um olhar artstico ou comunicacional.

    Para Primo (2008, p.12), o termo interatividade impreciso e escorregadio, pois

    circula em programas de rdio e TV, nas embalagens de softwares relacionados

    informtica, jogos eletrnicos, alm dos trabalhos cientficos do universo acadmico.

    Numa viso mais global, quando se tratam de novas e antigas mdias, Jenkins (2008)

    defende que ambas vo interagir em maior grau de complexidade. Para o autor, a indstria

    miditica se volta convergncia para encontrar sentido nesse momento de

    transformaes e redefinies de conceitos, que assumem novos significados, como o

    caso da convergncia.

    Para uma melhor compreenso da interatividade, pode-se pensar no conceito de

    interface que serve para organizar e oferecer ao usurio as possibilidades de acesso e

    conexo, com ambientes que, segundo Manovich (2001), podem conter texto, vdeo,

    udio, imagem, animao e comunicao instantnea, dentre outros, caractersticas que

    marcam a ps-modernidade e os processos comunicacionais digitais. Atualmente, um

    elemento indispensvel nos dispositivos mveis com a introduo em massa dos

    smartphones e tablets o touchscreen, a tela sensvel ao toque, que veio somar ao

  • 3

    ciberjornalismo enquanto recurso tecnolgico. Palacios e Cunha (2012) reconhecem a

    interao do usurio com a tela como um recurso de interatividade.

    Faz-se necessrio abordar tambm as definies de hipertexto e hipermdia, alm

    da narrativa transmdia, linguagens que contm elementos da interatividade. Para Lvy

    (1993), um hipertexto , tecnicamente, um conjunto de ns ligados por conexes,

    podendo estes serem palavras, pginas, imagens, grficos ou partes de grficos,

    seqncias sonoras e outros documentos. Assim, a partir do princpio da no linearidade,

    possvel navegar numa rede de informao complexa. No que diz respeito velocidade, o

    autor a considera como uma caracterstica de interface a qual permite o desvio de uma

    informao a outra, de um link para outro, fazendo com que o usurio se perca mais

    facilmente num hipertexto do que numa enciclopdia.

    O hipertexto e a hipermdia caminham lado a lado, ambos esto num ambiente

    onde os elementos de multimdia compostos por um documento esto conectados por

    meio de hipervnculos independentes da estrutura em vez de ficar definidos de modo

    imvel (MANOVICH, 2001).

    A partir da breve anlise de como o conceito interatividade tratado por esses

    autores, esse estudo apresenta uma reflexo sobre as definies e o emprego do termo no

    ciberjornalismo e como essa denominao est ligada a uma nova linguagem no contexto

    das tecnologias digitais empregadas na mdia.

    2 DEFINIO DO CONCEITO: O QUE INTERATIVIDADE?

    O conceito de interatividade considerado por alguns autores como recente, tendo

    a sua origem associada ao advento dos meios digitais, relacionando-se ao conceito de

    convergncia descrito por Jenkins (2008) na sua obra A cultura da convergncia:

    O estouro da bolha pontocom jogou gua fria nessa conversa sobre revoluo digital. Agora, a convergncia ressurge como um importante ponto de referncia,

  • 4

    medida que velhas e novas empresas tentam imaginar o futuro da indstria de entretenimento. Se o paradigma da revoluo digital presumia que as novas mdias substituiriam as antigas, o emergente paradigma da convergncia presume que novas e antigas mdias iro interagir de formas cada vez mais complexas (JENKINS, 2008, p. 30-31).

    Existem estudos que indicam a definio do conceito h mais tempo, como por

    exemplo McLuhan (1964), que descreveu as formas de interao a partir dos meios,

    dividindo-os em meios quentes e meios frios. Os quentes seriam aqueles que no permitem

    ou possibilitam pouca interao do usurio porque as mensagens so distribudas j prontas,

    a exemplo do rdio, cinema, fotografia e teatro. Os meios frios seriam aqueles os quais o

    usurio precisa ter um interesse e querer participar. Dessa forma, alm de abrir um canal

    para interao, deve criar no pblico vontade para participar. Esses meios deixam lacunas

    que podem ser preenchidas pelo usurio, como por exemplo, televiso, telefone,

    computadores e ciberespao. Nos dois ltimos, a interatividade no s estimulada, mas

    necessria para a existncia dos meios de forma geral.

    Montez e Becker (2005) descrevem que o termo foi incorporado ao dicionrio da

    lngua portuguesa nos ltimos 40 anos. Para distinguir interatividade de interao, os

    autores comparam a definio da palavra interao em outras reas como na geografia,

    em que as interaes entre componentes dos oceanos e a atmosfera ajudam a avaliar a

    variao climtica no planeta. Para a sociologia e psicologia, nenhuma ao humana ou

    social existe separada da interao. E na comunicao mediada por computador, os

    autores defendem que necessrio um meio eletrnico entre os atuantes e que a

    interatividade est relacionada ao quanto o usurio pode participar ou influenciar na

    modificao imediata, na forma e no contedo de um ambiente computacional.

    Segundo Primo (2008), tentar diferenciar interao de interatividade pode ser um

    problema, visto que tanto o clique em um cone na interface quanto uma conversao na

    janela de comentrios de um blog so interaes. O que se faz necessrio na opinio do

    autor diferenciar qualitativamente ambos. O autor contextualiza o uso generalizado dado

    ao conceito de interatividade, buscando abarcar uma gama de situaes, tais como salas de

    cinema em que as cadeiras sacodem ou programas de televiso em que o telespectador

  • 5

    pode votar por telefone, aplicativos, dentre outros. Desta forma, a interatividade corre o

    risco de no representar o que deveria.

    Quando se fala em interatividade, a referncia imediata sobre o potencial multimdia do computador e de suas capacidades de programao e automatizao de processos. Mas ao estudar-se a interao mediada por computador em contextos que vo alm da mera transmisso de informaes (como na educao distncia), tais discusses tecnicistas so insuficientes. Reduzir a interao a aspectos meramente tecnolgicos, em qualquer situao interativa, desprezar a complexidade do processo de interao mediada. fechar os olhos para o que h alm do computador. Seria como tentar jogar futebol olhando apenas para a bola, ou seja, preciso que se estude no apenas a interao com o computador, mas tambm a interao por meio de da mquina (PRIMO, 2008, p.30-31).

    De acordo com Montez e Becker (2005) o princpio da interatividade remete a um

    programa proposto por Doug Ross em 1954 que permitia desenhar num monitor. Porm o

    verdadeiro impulso para a interatividade na opinio dos autores foi dado por Ivan

    Sutherland, em 1963, com o programa Sketchpad, o qual permitia ao usurio desenhar

    diretamente no monitor c