artigo cientifico pos direito publico 2010

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Sumrio 1- Breve Histrico dos Direitos Fundamentais 2- Consideraes dos Direitos Fundamentais 3- Garantias Constitucionais dos presos Mediante ao artigo 5 da Constituio Federal 3.1 Do Direito a Vida 3.2 Do Direito Existncia 3.3 Do Direito a Integridade Fsica 3.4 Do Direito a Integridade Moral 3.5 Da Tortura 3.6 Do Direito a Privacidade 3.7 Do Direito a Intimidade 4- Do Direito a Liberdade Mediante a Constituio Federal.

INTRODUO Como Lei Maior que a Constituio Federal e por servir de fundamentao institucional e poltica legislao ordinria, seus textos encontram-se recheados com inmeros dispositivos relativos aos direitos fundamentais. O direito influenciado direto, forte e constantemente por esses preceitos constitucionais, uma vez que a dignidade da pessoa humana corresponde aspirao. Os direitos so os privilgios concedidos aos indivduos e as garantias so os preceitos que viabilizam tais direitos. Os dispositivos tutelam pessoas fsicas e jurdicas. A sistemtica processual penal brasileira vigente deve ser analisada luz da Constituio Federal de 1988, pois esta a Lei Maior do nosso Estado, nela que esto contidas as diretrizes e orientaes bsicas e princpiologicas, a serem observadas na aplicao do direito de punio do Estado. Com o intuito de tornar mais efetiva a proteo judicial dos direitos individuais e coletivos, cada vez mais vem se acentuando no Estado Democrtico de Direito dos dias de hoje, a positivao dos direitos e garantias fundamentais nos textos constitucionais. PALAVRAS-CHAVE: Constituio; garantias constitucionais; direitos fundamentais presidirios;

BREVE HISTRICO DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS O conceito de dignidade humana surgiu na antiguidade grego-romana e derivava somente da posio social que o indivduo ocupava na polis. No Antigo Testamento a perspectiva era de que a dignidade do indivduo enquanto ser humano provinha da idia dele ser filho de Deus e representar a imagem desse Deus, procurando-se assim, justificar o papel dos ricos e detentores do poder no que concerne proteo aos desafortunados. O Novo Testamento complementou essa imagem de homem relacionando-a com a idia de salvao por intermdio do Cristo. Porm, toda essa concepo teolgica do cristianismo e do judasmo no se intimidava perante a escravido e nem de longe se comparava idia que temos hoje dos direitos fundamentais. Durante a Idade Mdia, mais precisamente na sua ltima fase, apareceram documentos que aparentavam ser precursores das futuras declaraes de direito humanos. Tratava-se de codificaes de certos privilgios da nobreza e das pessoas livres, contratados entre prncipes e representaes corporativistas. Porm realmente cuidavam de direitos de cunho estamental direcionados a certas classes, outorgados numa sociedade econmica e socialmente desigual. Temos como exemplo os direitos concedidos pelo rei Afonso IX em 1188 s Cortes na Espanha, como os direitos que tinha o acusado a um desenvolvimento regular do processo e integridade de vida, honra, casa, assim como o direito de propriedade. A Magna Carta Libertatum de 1215, firmada pelo Rei Joo Sem- Terra com bispos e bares ingleses, onde o rei garantia que homem livre no seria detido, preso, privado de seus bens, banido, ou incomodado, e proibia que fosse preso sem julgamento consoante a lei da terra. A Reforma Protestante teve papel marcante para o nascimento dos direitos fundamentais, a partir da reivindicao que levou ao reconhecimento gradativo da liberdade de opo religiosa e de culto em diversos lugares da Europa.

No sculo XVII resultantes de conflitos entre o poder real e os estamentos do pas, surgiram em 1628, Petition of Rights (Petio de Direito), em 1629, a Ata de Habeas Corpus e em 1689, Bill of Rights (Declarao de Direitos), no se considerando esses documentos como declaraes de direitos humanos, mas apenas como a restaurao e confirmao de liberdade dos ingleses e no de todos os homens. Porm, tal evoluo dos direitos, quer como fonte de inspirao para outras conquistas, quer como limitao ao poder do rei face liberdade individual carecia por toda a Inglaterra de uma estabilidade, pois no vinculavam o Parlamento, de sorte que, ao invs de uma constitucionalizao dos direitos e liberdades individuais fundamentais, ocorreu uma fundamentalizao desses mesmos direitos. Tiveram notvel relevncia para a concretude dos direitos fundamentais, as Declaraes de Direitos do Povo da Virgnia, que em 1776 foram incorporadas Constituio dos Estados Unidos e a Declarao Francesa de 1789, conseqncia da revoluo que derrubou o antigo regime e instaurou a ordem burguesa na Frana, as quais culminaram com a evoluo e a afirmao do Estado de Direito.

DIREITOS FUNDAMENTAIS Os direitos fundamentais resultam de um movimento de constitucionalizao que incorporados ao comeou nos primrdios do sculo XVIII. Encontram-se comum da humanidade e so reconhecidos patrimnio

internacionalmente a partir da Declarao da Organizao das Naes Unidas de 1948. Muito tm contribudo para o progresso moral da sociedade, pois so direitos inerentes pessoa humana, pr-existentes ao ordenamento jurdico, visto que decorrem da prpria natureza do homem, portanto, so indispensveis e necessrios para assegurar a todos uma existncia livre, digna e igualitria. Vrias so as expresses usadas para nome-los: direitos do homem, direitos naturais, direitos individuais, direitos humanos, liberdades fundamentais etc. Trazemos colao, a doutrina de PREZ LUNO :

Direitos fundamentais do homem constitui a expresso mais adequada a este estudo, porque, alm de referir-se a princpios que resumem a concepo do mundo e informam a ideologia poltica de cada ordenamento jurdico, reservada para designar, no nvel do direito positivo, aquelas prerrogativas e instituies que ele concretiza em garantias de uma convivncia digna, livre e igual de todas as pessoas. (apud, Jos Afonso da Silva, Curso de Direito Constitucional Positivo, p. 182). Diz o Prof. UADI LAMGO BULOS Por isso que eles so, alm de fundamentais, inatos, absolutos, inviolveis, intransferveis, irrenunciveis e imprescritveis, porque participam de um contexto histrico, perfeitamente delimitado. No surgiram margem da histria, porm, em decorrncia dela, ou melhor, em decorrncia dos reclamos da igualdade, fraternidade e liberdade entre os homens. Homens no no sentido de sexo masculino, mas no sentido de pessoas humanas. Os direitos fundamentais do homem, nascem, morrem e extinguem-se. No so obra da natureza, mas das necessidades humanas, ampliando-se ou limitando-se a depender do influxo do fato social cambiante. No entendimento do Prof. PAULO BONAVIDES: Com relao aos direitos fundamentais, Carl Schmitt estabeleceu dois critrios formais de caracterizao: Pelo primeiro, podem ser designados por direitos fundamentais todos os direitos ou garantias nomeados e especificados no instrumento constitucional. Pelo segundo, to formal quanto o primeiro, os direitos fundamentais so aqueles direitos que receberam da Constituio um grau mais elevado de garantia ou de segurana... CANOTILHO, se manifesta assim: A funo de direitos de defesa dos cidados sob uma dupla perspectiva: 1:

constituem, num plano jurdico-objetivo, normas de competncia negativa para os poderes pblicos, proibindo fundamentalmente as ingerncias destes na esfera jurdica individual; (2) implicam, num plano jurdico subjetivo, o poder de exercer positivamente direitos fundamentais (liberdade positiva) .

Diante destas ilustres colocaes, podemos dizer que a melhor definiopara estes direitos direitos fundamentais do homem, pois no s referem-se aos princpios que resumem a concepo do mundo e informam a ideologia poltica de cada ordenamento jurdico, como tambm reservam para designar, no direito positivo, as prerrogativas e instituies que estes concretizam em garantias de uma convivncia digna, livre e igual de todas as pessoas. Denominados fundamentais porque tratam de situaes jurdicas sem as quais a pessoa humana no se realiza, no convive e, s vezes, nem sobrevive. E fundamentais do homem no sentido de que a todos, por igual, devem ser, no apenas formalmente reconhecidos, mas concreta e materialmente efetivados. Do homem no sentido de pessoa humana.

GARANTIAS CONSTITUCIONAIS DOS PRESOS MEDIANTE AO ARTIGO 5 DA CONSTITUIO FEDERAL Art. 5 Todos so iguais perante a lei, sem distino de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no Pas a inviolabilidade do direito vida, liberdade, igualdade, segurana e propriedade, nos termos seguintes O preso, ao ser encarcerado, perdeu apenas a liberdade e no a alma, a dignidade, a vida. Domingos Dutra Do direito vidaTodo ser dotado de vida indivduo, isto : algo que no se pode dividir, sob pena de deixar de ser. O homem um indivduo, mas mais do que isto, uma pessoa. A vida humana, que o objeto de direitos assegurados no artigo 5, caput, integra-se de elementos materiais (fsicos e psquicos) e imateriais (espirituais). No dizer de Jaques Robert (apud SILVA, 1998, p.201): O respeito vida humana a um tempo um dos maiores ideais de nossa civilizao e o primeiro princpio da moral mdica. nele que repousa a condenao do aborto, a no aceitao do suicdio. Ningum ter o direito de dispor da prpria vida.

Na ordem jurdica do Estado brasileiro, a vida o bem jurdico de maior relevncia. A vida intimidade de si mesmo, saber-se e dar-se conta de si mesmo, um assistir a si mesmo e um tomar posio de si mesmo. Por isso que ela constitui a fonte primeira de todos os outros bens jurdicos. De nada adiantaria a Constituio assegurar outros direitos fundamentais, como a igualdade, a intimidade, a liberdade, o bem-estar, se no erigisse a vida humana a um patamar mais elevado desses direitos. A partir do direito vida, outros tantos direitos se desencadeiam: como o direito privacidade, o direito integridade fsico-corporal, o direito integridade moral e, especialmente, o direito existncia. 23

Do direito existnciaConsiste no direito de estar