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ANLISE EPISTEMOLGICA DO HABEAS CORPUS NO BRASILOs Direitos Humanos e a Questo do Cabimento do Habeas Corpus.

Emanuel Barros Gomes

RESUMO O presente artigo visa estudar cientificamente o instituto do hbeas corpus, cuja sua origem no mundo e no Brasil teve grande relevncia como um instrumento a ser utilizado para a valorizao dos direitos humanos, pois sua historia vem dar efetividade aos princpios fundamentais do cidado, sobretudo, da igualdade, legalidade, impessoalidade e dignidade da pessoa humana. Quanto sua impetrao contra transgresso disciplinar militar vedada o cabimento do habeas corpus em relao a punies de militares, mas h divergncias doutrinrias e jurisprudenciais. Foram abordados e analizados aspectos constitucionais, administrativos e militares. Analisou-se a doutrina correlata, cuja a legitimidade de qualquer pessoa. H opinies que defendem a exegese literal do dispositivo, enquanto h outras que no consideram a vedao constitucional uma regra absoluta. PALAVRAS-CHAVE: Habeas corpus. Direitos Humanos. Cabimento. Transgresso disciplinar militar. RSUM: Cet article cherce etudier scientifiquement le Habeas corpus dont origens au monde et au Brsil parce que avait une grande importance parce que fonctionn comme un moyen de la valeur des droits de lhomme, parce que, la historie a donn lefficacitt pour les principes fondamentaux du citoyens, comme : lgalite, lgalit, impersonnalit et la dignit humaine. Le dpt contre la transgression disciplinaire militaire joint la possibilit du Habeas corpus empche les peines des militaires, mais Il y a divergence doctrinale et jurisprudentiel. Cet article traite des aspects constitutionneles, administratifs et militaires. Analyse les doctrines lies dont legitimit est de quelqu'un. Il y a des interprtations qui tiennent compte qui est rellement dcrit dans la loi, bien quil existe des points de vue que ne considrent pas linterdiction constitutionnelle dune rgle absolue. Mots cls: Habeas corpus. Droits de l'homme. appartiennent. Transgression disciplinaire militaire.

O Habeas Corpus mais importante do que o ar que respiramos

______________________ Artigo Cientifico elaborado disciplina de Processo Penal III, para obteno da 2 nota. ministrada pelo professor Isaque Ramos. Acadmico do 7 perodo do curso de Direito da Faculdade So Lus. ebg_ma@hotmail.com. Gilmar Mendes: Habeas Corpus mais essncial que o ar que respiramos. Disponvel em: http://www.leieordem.com.br/gilmar-mendes-habeas-corpus-e-mais-essencial-que-o-ar-querespiramos.html. Acesso em 08/11/2010.

1 INTRODUOO Habeas corpus, assim como o mandado de segurana e a reviso criminal so aes autnomas de impugnao com fundamentao constitucional, mas o remdio constitucional em estudo alm de ter sua natureza constitucional tem sua atuao na rea penal, destinada a coibir qualquer ilegalidade ou abuso de poder contra a liberdade de locomoo. Etimologicamente falando habeas corpus significa tomar o corpo, pode ser dito que uma locuo composta do verbo latino habeas, de habeo (ter, tomar, andar com),e corpus (corpo), de modo que se pode traduzir: ande com o corpo ou tenha o corpo. Existe uma grande diversidade de correntes quanto origem do habeas corpus, entre as duas mais fortes esta a origem no Direito Romano, e a Carta Magna da Inglaterra de 1215. Independente da poca histrica fica claro que desde o inicio da humanidade compreendia-se a importncia da liberdade de locomoo do ser humano, a ponto de considerar-se que os atentados propriedade e vida lesariam menos o interesse e o bem geral, do que a coao ou a violncia exercida sobre a liberdade fsica. Assim, os direitos humanos so os direitos e liberdades bsicos de todos seres humanos. Normalmente quando se fala em direitos humanos tem-se a idia tambm de liberdade de pensamento e de expresso, e a igualdade perante a lei. Ele um tema recorrente em todo o mundo, pois com sua integra proteo e garantia o mundo ser construdo com mais dignidade. Por isso houve uma brusca evoluo dos direitos humanos com a criao da Declarao Universal dos Direitos Humanos, mas no o suficiente, e apesar da ampliao do pensamento, da conscincia e da tica da sociedade humana, ainda assim so desrespeitados. O habeas corpus destaca-se por sua relevncia dentro dos direitos humanos, mas no que tange a transgresso disciplinar militar deixa a desejar, pois a vedao do seu cabimento, que constam no artigo 142, pargrafo 2, da Constituio Federal brasileira e no prprio Cdigo de Processo Penal brasileiro. A liberdade assegurada a todos os brasileiros e estrangeiros residentes no pas. Negar ao militar esse direito fundamental significa negar vigncia ao art. 5 da mesma constituio.

2. DIREITOS HUMANOSCom o resultado das lutas travadas ao longo dos tempos no sculo XX veio a tona a expresso Direitos Humanos que foi tradicionalmente conhecido como Direitos Naturais ou Direitos dos Homens. Os direitos humanos e direitos fundamentais seriam sinnimos, o que possibilitaria um novo termo que seria os Direitos Humanos Fundamentais. No final desse mesmo sculo, os direitos humanos foram discutidos em tratados e convenes internacionais, e por fim sendo ingressada na legislao ordinria dos estados. Na Europa a partir da segunda metade da Idade Mdia j havia um registro de documentos escritos que registra o direito do homem, e direitos de comunidades locais. Mas o destaque especial da Magna Carta de 21 de junho de 1215, em que esta o mago da Constituio Inglesa e de todo o constitucionalismo que trouxe consigo a criao do habeas corpus. A Carta foi confirmada e reforada pelos monarcas ingleses como prova de sua importncia. Assim, na Inglaterra surgiu o common law, rule of law, due process, equal protection of the laws, cujos contedos foram levados pelos ingleses Amrica do Norte, herana que os tribunais americanos, sobretudo a Suprema Corte, souberam aproveitar de modo a flexibilizar as decises, contribuindo de forma relevante ao desenvolvimento da doutrina dos direitos fundamentais. No sculo XVIII houve uma incorporao dos direitos fundamentais ao liberalismo que defendia a liberdade individual e o direito dos cidados contra o abuso de poder. Em 1789 na Frana houve a edio da Declarao dos Direitos do Homem e do Cidado, foi repetida em 1793, assim como as constituies francesas de 1946 e 1958 j citavam os direitos do homem em seu prembulo. Nos dias atuais, a maioria das constituies possuem declarao de direitos e garantias fundamentais, mas a Declarao Universal dos Direitos do Homem foi promulgada em 1948 pela Organizao das Naes Unidas. Na doutrina dos direitos humanos se universalizou e se espalhou por toda civilizao cristoocidental, no entanto culturas como a chinesa, a hindu e a rabe no valorizam direitos, mas, obrigaes, virtudes e comportamentos socialmente aceitos.

No final do sculo XVII o que veio ocorrer foi a constatao da primeira gerao dos direitos fundamentais: as liberdades pblicas, enfrentando o problema do arbtrio governamental. Logo depois surge a segunda gerao dos direitos fundamentais: os direitos econmicos e sociais, na tentativa de reduzir os desnveis sociais. Hodiernamente se luta pela terceira gerao, contra a deteriorao da qualidade da vida humana e outras mazelas: os direitos de solidariedade. Contudo, a existncia desta Declarao Universal dos Direitos Humanos, que j parte integrante da constituio de vrios pases, inclusive do Brasil, seus princpios ainda no passam de uma utopia. Eles podem at ser realidade em alguns pases, mas na maioria deles ainda falta muito para que todos os direitos propostos nessa declarao possam ser respeitados, se que um dia sero, pois no se pode dizer universal algo que constantemente contestado e desrespeitado em vrios pases, podendo ser citado como exemplo, o caso da transgresso disciplinar militar em que h discusses divergentes se esses direitos so violados ou no, por impedir a execuo de uma garantia como o habeas corpus.

3 HISTRICO DO HABEAS CORPUS3.1 Origem do habeas corpus O Habeas Corpus possui trs correntes fundamentais: a primeira que origina o Habeas Corpus no direito romano; a segunda que origina-o na Constituio da Inglaterra de 1215 (Magna Charla Libertatum), e a terceira que possu menos adeptos que origina o Habeas Corpus na Petition of Rights editada no reinado de Carlos II. A corrente do direito romano foi a pioneira, esta coloca o instituto interdicto de homine libero, do perodo romano, tornou-se o possvel precursor do Habeas Corpus. O referido instituto garantia ao cidado romano o direito de locomoo, a liberdade de ir, vir e ficar. O nome dado a essa ao era interdictum de homine libero exhibendo, onde todo cidado tinha o direito de reclamar a apresentao ao publico do homem livre detido ilegalmente. O autor Pinto Ferreira um dos autores adeptos da primeira corrente, onde o Habeas Corpus teria se originado do direito romano. Pela sua doutrina, anos aps,

os writs (FERREIRA,1998, p.137-38) ressurgiram destinados a proteger a liberdade, no reinado de Henrique II (1133 -1189), na Inglaterra. Porm, s ampararia os bares e nobres, sem extenso aos homens comuns. Com o passar dos anos, em 19 de junho de 1215, no captulo XXIX, da Carta Magna da Inglaterra, que foi outorgada pelo Rei Joo Sem Terra veio mostrar que nenhum homem poderia ser preso ou detido, sem a permisso das leis de sua localidade ou o prvio julgamento. Dizia no seu art.48: Ningum poder ser detido, preso ou despojado de seus bens, costumes e liberdades, seno em virtude de julgamento de seus pares, de acordo com as leis do pas.. Foi desse ponto que a segunda corrente acredita ter se originado o habeas corpus, e por sua vez a corrente que tem mais seguidores e tem uma relao maior com a primeira gerao dos direitos humanos. Por conseguinte, nos sculos XV e XVI, este instituto ganhou fora e era utilizada claramente excessos das autoridades, embora na poca de Carlos I a legitimidade da ao era tema de grande discusso. J no sculo XVII, no reinado de Carlos II