Arte urbana São Paulo: Região Central (1945-1998) Obras de caráter temporário e permanente

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<ul><li> 1 ARTE URBANA ARTE URBANA So Paulo: Regio Central (1945-1998) Obras de carter temporrio e permanente Vera Pallamin Apoio: FAPESP 2000 </li> <li> 2 Vera Pallamin ARTE URBANA, de Vera M. Pallamin, foi organizado, originalmente, em texto e CD-ROM. O texto trata da conceituao sobre arte urbana e processos de estetizao contemporneos, sintetizando uma reflexo sobre prticas artsticas e suas relaes com as transformaes qualitativas dos espaos pblicos. O CD-ROM, que porta propriamente o contedo intitulado deste trabalho, foi concebido de modo a propiciar o cruzamento de trs eixos: referncias urbanas, referncias artsticas e autores / obras. </li> <li> 3 ARTE URBANA Vera M. Pallamin formada pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de So Paulo, onde fez mestrado e doutorado e docente em regime de dedicao exclusiva. Fez ps-doutorado na University of California, Berkeley (EUA) e na Universit degli Studi di Firenze (Itlia) sobre esfera pblica e arte urbana. coordenadora do Ateli de Escultura da FAUUSP. </li> <li> 4 Vera Pallamin </li> <li> 5 ARTE URBANA Vera M. Pallamin ARTE URBANA So Paulo - Regio Central (1945-1998) Obras de carter temporrio e permanente </li> <li> 6 Vera Pallamin Pallamin, Vera M. Arte Urbana ; So Paulo : Regio Central (1945 - 1998): obras de carter temporrio e permanente / Vera Maria Pallamin - So Paulo, Fapesp, 2000. 1. Paisagem urbana 2. Arte urbana 3. So Paulo (cidade) CDD 711.4 Primeira edio (esgotada): So Paulo, Annablume Editora, 2000. </li> <li> 7 ARTE URBANA SUMRIO PREFCIO ....................................................................09 PRLOGO ....................................................................13 INTRODUO..............................................................15 CAPTULO 1 ARTE URBANA / PRTICA SOCIAL..........................21 Cultura Urbana ................................................................27 Territorialidade e Lugar ....................................................30 Espaos pblicos e prticas sociais ..................................35 Prticas artsticas: potica e memria social ......................46 CAPTULO 2 PROCESSOS DE ESTETIZAO CONTEMPORNOS..............................................................................59 A cultura como empreendimento ......................................64 O esttico e as prticas culturais........................................73 BIBLIOGRAFIA.............................................................80 </li> <li> 8 Vera Pallamin </li> <li> 9 ARTE URBANA PREFCIO A discusso de arte pblica que vocs iro encontrar no ter como parmetro a questo poltica da cidadania. A referncia para esse recorte da produo artstica que neste trabalho ser privilegiado est em nvel mais profundo que o simplesmente poltico: trata-se da formao do social, da contnua constituio de uma sociedade especfica, ambiente da arte sendo feita e que tambm vem a ser na arte enquanto ela se faz. O social visto nesta discusso em sua dimenso conflitiva, e nela, por um lado, os setores dominantes procuram afirmar-se e fazer reconhecer sua hegemonia, assim como, por outro, os setores subalternos ou excludos lutam por se fazer ouvir, para que sua atual situao no se perpetue e para engendrar o social em outra direo. E, alm de setores, grupos, classes sociais, </li> <li> 10 Vera Pallamin indivduos fazem-se ouvir, constituem, engendram. O social, em qualquer direo, tambm fruto de aes e vises de indivduos. E a arte pblica, a arte que se faz no espao pblico, o gesto, a interveno, o evento, a instalao, o espetculo, a apresentao, a arquitetura - que , enquanto arte, pblica por excelncia -, tudo isso exerce sobre o social preexistente um impacto, em que talvez a hegemonia seja confirmada ou desafiada, mas, mais importante que isso, em que algo do novo desse social passa a ter existncia. Podese tambm dizer, portanto, que no impacto o social que impacta. o que faz da arte pblica - cujos prolegmenos so apontados neste livro - um campo que, embora necessariamente centrado no esttico, em muito o transcende, seja por envolver essa dimenso histrico-social, seja por emergir de fenmenos que no podem ser abrangidos pela estrita designao da arte, institucionalizada ou no. Sob uma outra tica, a arte pblica, em seu acontecer, solicita da esttica enquanto reflexo a mxima capacidade de compreenso, que a habilite, para alm das usuais distines entre forma e contedo, a discutir a ao, esse oceano de que o trabalho brao menor. </li> <li> ARTE URBANA 11 Em vista disso, este trabalho da professora Vera Pallamin, embora d conta, no CD-ROM, da produo de arte pblica em territrio paulistano no perodo mais significativo de sua histria, pauta-se sobretudo pelo procedimento terico e interpretativo. Trava dilogo com o que se vem produzindo no mundo sobre o assunto, passando por diversas reas que tangenciam a arte pblica, mas no encontrando propriamente entre ns precursosres que j tivessem percorrido parte deste seu caminho. Tal o pioneirismo que caracteriza este empreendimento e que o seu mrito. Reconhece o valor de seus interlocutores Lefebvre, Blanchot, Sennett, Deutsche, Foucault, Welsch, os principais-, inalcanvel em vrios aspectos, mas apresenta o seu olhar sucinto, diferente, embasado, original e instaurador. O interesse do trabalho de Vera, que no se restringe ao contexto brasileiro e que aponta para desdobramentos ainda mais fecundos, ancora-se em seu duplo escopo de estudo / anlise / teoria e proposta / visualizao prtica. E, antes de mais nada, contribui epistemologicamente com a definio de um novo campo de pesquisa. Temos aqui um exemplo de como floresce essa sua notvel vivncia, que inclui, alm do estudo na Faculdade </li> <li> 12 Vera Pallamin de Arquitetura e Urbanismo da USP (FAU/USP) e de muito trabalho, ser artista, ter passado pelas teorias da percepo e da fenomenologia merleau-pontyana, tornando-se especialista em sua aplicao ao ensino da arte, ter sido aluna da Universidade da Califrnia, em Berkeley, ter vivido em Florena, e coordenar o Atelier de Escultura da FAU/ USP. Este um convite leitura deste texto, que, por sua vez, um convite reflexo, participao na construo da cidade em busca de melhores rumos. JOS TEIXEIRA NETO FFLCH-USP </li> <li> 13 ARTE URBANA PRLOGO Este trabalho refere-se terceira parte de uma pesquisa denominada Arte urbana: paisagem, percepo e projeto, na qual trabalhou-se este tema em relao s cidades de San Francisco (EUA) e Florena (Itlia). Seu contedo est organizado em texto e CDROM. O texto trata da conceituao sobre arte urbana e processos de estetizao contemporneos, sintetizando uma reflexo sobre prticas artsticas e suas relaes com as transformaes qualitativas dos espaos pblicos. A arte urbana enfocada enquanto um modo de construo social dos espaos pblicos, uma via de produo simblica da cidade, expondo e mediando suas conflitantes relaes sociais. Neste texto no se apresenta uma classificao geral de diferentes tipos dessa manifestao artstica. </li> <li> 14 Vera Pallamin Interessa-nos delinear um certo campo de abrangncia da arte urbana, questes nela envolvidas e advindas de outras frentes, sem, contudo, ter a inteno de esgot-la. Neste terreno so destacados alguns aspectos de ordem cultural, poltica, econmica e esttica fundamentais compreenso da ocorrncia destas prticas na cidade. O CD-ROM, que porta propriamente o contedo intitulado deste trabalho, foi organizado de modo a propiciar o cruzamento de trs eixos referenciais: 1) Referncias urbanas 2) Referncias artsticas - sendo ambas caracterizadas por dcadas, a partir dos anos 1950, e estruturadas de modo que possam pontuar-se mutuamente. 3) Autores / Obras - as obras foram especificadas como temporrias e permanentes. Embora privilegiadas quanto regio central de So Paulo e com data da insero / implantao aps 1945, no caso das obras permanentes foram tambm includas as esculturas do Parque Ibirapuera, da Cidade Universitria e da Fundao Armando lvares Penteado (FAAP), de modo a reunir os conjuntos mais significativos da cidade. </li> <li> 15 ARTE URBANA INTRODUO As situaes urbanas, tomadas enquanto campos de significao, so qualificadas por um conjunto de relaes histricas, polticas, econmicas, culturais, sociais e estticas, cujos sentidos perpassam sua materialidade e os processos nos quais se constituem, concomitantemente. Por um lado, so essencialmente diacrticas, caracterizando-se pelas diferenas contextuais que estabelecem entre si no decorrer do tempo. Por outro, mostram-se a partir de seus perfis, o que nos impede de ousar estabelecer-lhes um sentido ltimo e definitivo. Este est sempre sendo feito, em movimento de maturao constante. Nesta feitura material e simblica de que se caracteriza o urbano, a dimenso artstica participa como constituinte, havendo entre ambas uma sintonia processual. </li> <li> 16 Vera Pallamin Compartilham de uma fomatividade cujos procedimentos e resultados vo sendo definidos em percurso (1). Sua abordagem parte do modo do seu fazer / construir, modo este no definido plena e previamente como sendo antecedente obra, mas engendrado durante a sua produo, entendendo-se por arte a resultante desta construo inventiva. Esta pertinncia de procedimentos operativos aliada mtua influncia entre a arte e o urbano, deve rebaterse, segundo Argan, nas investigaes de cunho esttico: ...todas as pesquisas visivas deveriam organizar-se como pesquisa urbanstica. Faz urbanstica o escultor, faz urbanstica o pintor, faz urbanstica at mesmo aquele que compe uma pgina tipogrfica, faz urbanstica qualquer um que realize algo que, colocandose como valor, mesmo nas escalas dimensionais mnimas, entre no sistema de valores... [existentes no urbano] (Argan, 1984:233). (1) Luigi Pareyson, em Os problemas da esttica, definiu formatividade como sendo um fazer que seja ao mesmo tempo, unveno do modo de fazer, ou seja, um fazer que, enquanto faz, inventa o por fazer e o modo de fazer(p.36 e 32, respectivamente). </li> <li> ARTE URBANA 17 Neste contexto, fazer urbanstica significa contribuir para a transformao qualitativa do urbano alterando seus objetos, sua capacidade, qualificaes, num trabalho que provoca e, ao mesmo tempo, exige a compreenso de seus cdigos e a interpretao de suas mltiplas significaes. Sob o ponto de vista processual, a relao entre arte pblica e espao urbano no de justaposio, nem a insero neste, de objetos ilustrativos de valores culturais. Evita-se a noo de acomodao ou adequao da arte. Antes, sua inscrio a se d no rolar das transformaes do urbano, alterando sua amplitude qualitativamente. No se trata, pois, de se concentrar no aspecto fotognico do lugar, mas de buscar uma inovao na sua dimenso artstica. Longe de serem maquiagem funcionalista, certas obras ou intervenes artsticas instauradas no urbano recentemente so iniciativas de consequncias e efeitos complexos. Algumas se presentificam em concordncia com seu contexto, aflorando-lhe novas orientaes, caracterizandoo diferencialmente em sua materializao espacial. H, porm, situaes de confronto entre um e outro, ainda que no permanente, chegando-se a extremos de destruio da prpria obra. </li> <li> 18 Vera Pallamin Embora aparentemente contraditrio, hoje tanto urbanistas, arquitetos quanto artistas (2) trabalham com muito menos certezas em relao ao urbano do que h duas ou trs dcadas. Suas afirmaes so mais cautelosas e menos generalizantes, tanto no plano da construo conceitual quanto fsico-espacial. As garantias de espaos comuns, tratados como sendo amplamente apreensveis e compreensveis pela maioria da audincia, tm se esvado. O efmero, a descontinuidade e a fragmentao tm sido descongelados no clima contemporneo, umidecendo terrenos da produo e reproduo material e simblica. Esta problemtica renova, nestes termos, aquela da arte (3). Interroga-se no mais sobre a, mas sobre as identidades que se mostram, que se definem e redefinem no ambiente urbano. Neste movimento, a arte participa desta reflexo sobre o que , o que deveria ser, o que tm sido esses espaos da urbanidade, eminentemente conflitantes e que tm se caracterizado, na sua situao mais recente, pela ausncia de grandes projetos coletivos. Nestes seus (2) Considerados aqui como aqueles cujo trabalho envolve a criao de obras artsticas de carter pblico, instaladas em espaos pblicos, de carter temporrio ou permanente. (3) Metodologias atuais na rea, de carter mais aberto, trabalham com decises passo a passo em seus processos de desenvolvimento, encaminhando aproximaes sucessivas das metas desejadas e incorporando o acaso em suas mudanas de trajetria. </li> <li> ARTE URBANA 19 intermeios, a arte urbana pode delegar aspiraes difusas, pode provocar questes ou traz-las baila, pode abrir janelas do devir de incertezas fecundas. Os significados da arte urbana desdobram-se nos mltiplos papis por ela exercidos, cujos valores so tecidos na sua relao com o pblico, nos seus modos de apropriao pela coletividade (4). H uma construo temporal de seu sentido, afirmando-se ou infirmando-se. Assim, tais prticas artsticas podem contribuir para a compreenso de alteraes que ocorrem no urbano, assim como podem tambm rever seus prprios papis diante de tais transformaes: quais espaos e representaes modelam ou ajudam a modelar, quais balizas utilizam em suas atuaes nesse processo de construo social. Este trabalho no se encaminha para o delineamento de categorias estticas, nem de proposies que visem aplicao eficiente, de carter normativo, na interpretao de outras obras. Os esforos so no sentido de refletir sobre a arte urbana atentando-se sua produo e recepo. A inteno no , por um lado, tratar a atividade artstica como um tipo de atividade especial, singularmente diferente, nem, por outro, desmerec-la diante dos (4) Na condio atual da cultura se permite at mesmo que (...) um objeto possa ser contemporaneamente arte e no-arte, a qualific-lo ou no qualific-lo como arte bastando a intencionalidade e a atitude do artista e tambm do espectador (Argan, 1984:27). </li> <li>...</li></ul>

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