arroz em casca

Click here to load reader

Post on 07-Jan-2017

222 views

Category:

Documents

1 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

  • PROSPECO PARA SAFRA 2012/13

    2

    COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO - CONAB

    DIRETORIA DE POLTICA AGRCOLA E INFORMAES - DIPAI

    SUPERINTENDNCIA DE GESTO DA OFERTA - SUGOF

    ESTUDOS DE PROSPECO DE MERCADO

    SAFRA 2012/2013

    BRASLIA (DF), SETEMBRO DE 2012

  • PROSPECO PARA SAFRA 2012/13

    3

    NDICE

    APRESENTAO ............................................................................................................. 4

    ALGODO ......................................................................................................................... 5

    ARROZ EM CASCA NATURAL ....................................................................................... 18

    CAF .............................................................................................................................. 31

    CANA-DE-ACAR ........................................................................................................ 45

    CARNES.......................................................................................................................... 52

    FEIJO ............................................................................................................................ 63

    LCTEOS ........................................................................................................................ 71

    MANDIOCA E PRINCIPAIS DERIVADOS....................................................................... 90

    MILHO ........................................................................................................................... 104

    SOJA ............................................................................................................................. 114

    SORGO ......................................................................................................................... 125

    TRIGO ........................................................................................................................... 136

  • PROSPECO PARA SAFRA 2012/13

    4

    APRESENTAO

    O estudo de Prospeco tem como objetivo fornecer informaes e anlises que possibilitem ao produtor rural identificar potenciais atraes, por intermdio de um panorama de mercado estruturado, com dados habitualmente encontrados de forma fragmentada, sobre a demanda e a oferta nacional e internacional, paridades, custos de produo e rentabilidade dos principais produtos agrcolas.

    O presente trabalho foi realizado no momento em que se constata uma acentuada estiagem nos Estados Unidos, que est afetando drasticamente a produo de milho e soja; essa quebra de safra, que pode chegar a cerca de 20% do total dessas produes naquele Pas, exerce uma presso sobre os preos e, ainda, uma volatilidade acentuada nas cotaes dos citados produtos, incluindo tambm, o trigo. Ressalta-se que os EUA so extremamente importantes para o abastecimento mundial, como o maior exportador de milho, soja e trigo.

    Por outro lado, a crise internacional est reduzindo a expectativa de crescimento mundial. O FMI informou que no perodo entre os anos 2009 e 2011, os pases desenvolvidos que representam em torno de 60% do PIB mundial - apresentaram um crescimento mdio anual de 0,2%, o que muito baixo. A Unio Europeia se encontra com suas economias em fase de declnio, entre elas o Reino Unido, a Itlia e a Espanha. A China nosso tradicional cliente, grande consumidor de commodities, dever registrar um PIB em 2012, abaixo de 8%.

    No cenrio interno, o crescimento da produo agrcola vem aumentando, impulsionado pelo crescimento constante da renda e da populao. A tendncia de que os juros permaneam em nveis reduzidos, na tentativa de se reativar o mercado interno e, consequentemente, o incremento do PIB brasileiro. No presente momento, os preos internacionais e a taxa de cmbio brasileira tm feito um papel importante para permitir a competitividade da produo.

    Entre os fatores crticos apontados no estudo, os quais nortearo a produo nacional neste momento de plantio esto as preocupaes com as mudanas climticas, aprovao das Leis sobre o meio-ambiente e aquela que poder promover a liberao da aquisio de terras brasileiras por parte de outros pases. Da mesma forma, aspectos relativos aos preos da logstica e da energia so variveis que podero determinar o nvel de competitividade do produtor agrcola nacional.

    Slvio Isopo Porto

    Diretor de Poltica Agrcola e Informaes

  • PROSPECO PARA SAFRA 2012/13

    5

    ALGODO

    Djalma Fernandes de Aquino

    1 INTRODUO

    Considerando os vrios tipos de fibras, de origem natural, artificial ou sinttica, a pluma do algodo destaca-se como a mais importante matria-prima utilizada em toda a cadeia txtil do Brasil, um dos principais segmentos da indstria de transformao e, consequentemente, da economia do pas. Neste sentido, dados do Instituto de Marketing Industrial LTDA IEMI publicados no Relatrio Brasil Txtil 2011 indicam que no ano de 2010, o nmero de empresas em atividade nos segmentos txteis e confeccionados no pas somava 30.901 unidades e empregava (de forma direta) um contingente de 1.669.388 pessoas. Trata-se do segundo maior empregador da indstria de transformao do pas, cujo faturamento no ano em referncia foi da ordem de US$ 60 bilhes.

    Quando se analisa os nmeros divulgados pelo IEMI percebe-se, com mais nitidez, a importncia que o uso do algodo exerce no contexto da cadeia txtil nacional, seno vejamos: No ano de 2010 a indstria de fiao consumiu aproximadamente 1.494 mil toneladas de matria-prima (naturais, artificiais e sintticas) para a fabricao de fios. Nesse contexto, o uso de fibras naturais (algodo, juta, linho, rami, sisal, seda e l) totalizou 1.258 mil toneladas. Na fabricao de fios, a partir das fibras artificiais e sintticas (viscose, poliamida, acrlico polister e polipropileno) foram utilizadas 236 mil toneladas.

    Vale ainda ressaltar que a participao do consumo da fibra de algodo no contexto geral da produo de fios foi da ordem de 80%. No segmento de tecelagem, 58% do fio utilizado na fabricao de tecidos so de algodo, 39% de fios artificiais e sintticos e 3% de fios oriundos de outras fibras naturais. Por outro lado, no segmento de fabricao de malharia, 51,2% do fio utilizado de algodo 48,7% de fibras artificiais e sintticas e 0,01% de outras fibras naturais.

    Torna-se oportuno lembrar que a produo brasileira de algodo em pluma dos ltimos anos tem sido suficiente para abastecer as necessidades de consumo da indstria txtil nacional e ainda gerar excedentes que so comercializados no mercado de exportao.

    Trabalho elaborado pelo Ministrio da Agricultura e Abastecimento Mapa indicou que o Valor Bruto da Produo Brasileira - VBP dos principais produtos agrcolas do Brasil, em junho/2012, totalizou R$ 213.480.099.935,14. Em relao s demais culturas, a participao do algodo em valores absolutos foi de R$ 12.115.597.123,25, o que, em termos percentuais, equivale a 5,67% do VBP.

  • PROSPECO PARA SAFRA 2012/13

    6

    2 CENRIO

    O momento atual no bom para o mercado de algodo. As perspectivas futuras, a depender dos atuais indicadores, no mostram, em nvel global, sinais de recuperao para os prximos doze meses. H sobreoferta de matria-prima vez que, nos ltimos trs anos a quantidade produzida tem superado as necessidades de consumo das indstrias de fiao em todo o mundo e como consequncia o que se assiste neste perodo uma verdadeira expanso dos estoques mundiais que no ano safra 2012/13 dever atingir quantitativo nunca visto nos ltimos cinquenta anos, cravando a marca de 15.190 mil toneladas, conforme projeo do International Cotton Advisory Committee ICAC divulgada em 01/08/2012.

    Os efeitos da acumulao dos estoques de algodo j vm se fazendo sentir nos atuais preos de mercado que recuaram a nveis histricos. Para o ano safra 2012/13, a tendncia de maior presso sobre as cotaes. Considerando os atuais fundamentos de mercado, no se antev mudanas no curto prazo, somente as intempries da natureza, como por exemplo, o excesso ou ausncia de precipitaes pluviomtricas, temperaturas excessivamente baixas ou elevadas que poderiam reverter a atual tendncia dos preos de mercado.

    At o ms de agosto de 2011, os produtores de algodo em todo mundo desfrutaram um perodo de bonana por ocasio da comercializao da pluma produzida nos dois ltimos anos safra. Pressionados pelos fatores acima mencionados, de l para c, os preos foram paulatinamente declinando como mostra o comportamento das linhas de preos constantes no Grfico I. S para exemplificar, o preo no mercado futuro de Nova Iorque saiu do patamar de U$ 104,43 Cents/Lbs para U$ 71,05 Cents/Lbs em agosto/2012.

    Na atual fase, onde a safra brasileira 2011/12 e a safra do hemisfrio norte 2012/13 esto em curso, constata-se que a situao dos preos j no remunera eficazmente os produtores, vez que em muitos casos estes preos se aproximam ou so equivalentes ao custo de produo, situao que deixa os cotonicultores praticamente sem margem de lucro e, portanto, desestimulados para continuar plantando algodo. Outras culturas mostram-se mais atrativas sobre o ponto de vista financeiro, e para elas que dever ocorrer tal migrao.

    Conforme se v mais adiante, a reduo de rea e consequentemente da produo de algodo, j um fato consumado para o ano safra 2012/2013.

  • PROSPECO PARA SAFRA 2012/13

    7

    3 MERCADO INTERNACIONAL

    3.1 Oferta e Demanda Mundial

    Dados divulgados pelo ICAC, em 01/08/2012 (Quadro I) mostram que depois de recuar para 22.170 mil toneladas no ano safra 2009/10, nos dois anos subsequentes a produo mundial de pluma, impulsionada pelos altos preos de mercado, voltou a crescer e atingiu no ano safra 2011/12 o maior recorde no