armazenamento de sementes de annona squamosa l. a presen§a de dormncia em sementes de pinha j

Download Armazenamento de sementes de Annona squamosa L. a presen§a de dormncia em sementes de pinha j

Post on 08-Nov-2018

212 views

Category:

Documents

0 download

Embed Size (px)

TRANSCRIPT

  • Revista Biotemas, 22 (4), dezembro de 2009

    33

    Armazenamento de sementes de Annona squamosa L.

    Otoniel Magalhes Morais1

    Rosa Honorato de Oliveira2 *Sirleine Lima de Oliveira3

    Vernica Barbosa Santos3

    Jos Carlson Gusmo da Silva4

    1Departamento de Fitotecnia e Zootecnia, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia2Unidade Acadmica de Serra Talhada, Universidade Federal Rural de Pernambuco

    Caixa Postal 063, CEP 56900-000, Serra Talhada PE, Brasil3Laboratrio de Sementes, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

    CEP 45083-000, Vitria da Conquista BA, Brasil4Departamento de Engenharia Ambiental, Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

    *Autor para correspondnciahonoratorh@gmail.com

    Submetido em 23/10/2008Aceito em 26/07/2009

    ResumoA pinheira uma espcie de grande importncia econmica. reproduzida principalmente por sementes,

    apesar disso, trabalhos experimentais enfocando as condies ideais de armazenamento de suas sementes, principalmente no tocante a embalagem e ambiente, so quase inexistentes. Diante do exposto, o presente trabalho teve por objetivo avaliar a influncia dos diferentes tipos de embalagens e ambientes, e do perodo de armazenamento sobre sua germinao e vigor. O trabalho foi conduzido no Laboratrio de Sementes da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia UESB Campus de Vitria da Conquista, BA. As sementes foram acondicionadas em embalagens de papel e de plstico e mantidas em ambiente natural e na geladeira. As sementes foram armazenadas por zero, trs, seis, nove e doze meses aps a instalao do experimento. Foram avaliados o teor de gua, a germinao e o vigor das sementes. Dentre os principais resultados, pode-se constatar que o perodo mximo de armazenamento das sementes de pinheira foi de seis meses. A embalagem de papel foi considerada a mais adequada independente do ambiente. Os maiores valores de germinao foram obtidos em embalagem de papel em condies ambientais.

    Unitermos: conservao de sementes, embalagem, pinheira

    AbstractStorage of Annona squamosa L. seeds. The sugar apple is a species of great economic importance. The

    propagation is through seeds, but experimental studies focused on ascertaining the ideal conditions of seed storage, especially packing and environments, are mostly lacking. The current work thus aimed to evaluate the influence of different types of packing, environments and storage times over the germination and vigor of sugar apple seeds. The work was carried out at the Seed Laboratory of UESB Campus de Vitria da Conquista, BA. Seeds were conditioned in paper and plastic and were maintained in the atmosphere and refrigerator. The

    Biotemas, 22 (4): 33-44, dezembro de 2009ISSN 0103 1643

    Rev22_4.indd 33 02/12/2009 18:27:48

  • Revista Biotemas, 22 (4), dezembro de 2009

    34 O. M. Morais et al.

    evaluation times were 0, 3, 6, 9 and 12 months after the beginning of the experiment. The following were evaluated: seed water content, germination, and vigor. Among the main results it was proved that the maximum storage time of sugar apple seeds was six months. Paper bags were best for the conservation of seed viability, regardless of the environment. The highest percentages of germination were obtained using paper bags in environmental conditions.

    Key words: packing, seed conservation, sugar apple

    IntroduoA famlia das anonceas compreende diversas

    espcies cultivadas no Brasil com destaque para a pinha (Anonna squamosa L.), tambm conhecida como fruta-do-conde ou ata (Menegazzo et al., 2008).

    A produo de pinha vem crescendo vertiginosamente em vrias regies do Brasil com destaque para a regio Nordeste, graas aos recursos da irrigao, gerando emprego e renda, sobretudo, para as populaes da regio semirida (Menezes et al., 2002), onde os aspectos climticos permitem a obteno de frutos durante todos os meses do ano (Dias et al., 2004).

    Os frutos da pinheira, segundo Arajo (2003) so em sua maioria utilizados para o consumo in natura, sendo a polpa rica em carboidratos, potssio, protenas e ferro, quando comparados com outras espcies de frutas.

    A reproduo da pinheira feita basicamente por sementes, sendo a propagao vegetativa realizada em busca de clones mais produtivos (Ferreira et al., 2002). Entretanto, esta espcie apresenta dormncia em suas sementes, que, por alguma razo, ainda no totalmente definida, inibe a germinao aps a secagem das mesmas (Kavati, 1992). Essa dormncia, chamada primria se estabelece durante o processo de maturao e vai sendo superada a medida que as sementes atingem a maturidade fisiolgica.

    De acordo com Lula et al. (2000), o conhecimento do mecanismo de dormncia e da superao constitui fatores de relevncia na produo de mudas. Embora a presena de dormncia em sementes de pinha j seja um fenmeno comprovado, ainda so desconhecidos os eventos iniciais que ocorrem na germinao de sementes dessa espcie, bem como os mecanismos fisiolgicos e moleculares envolvidos com a induo, manuteno e superao da dormncia.

    A dormncia pode ser tegumentar ou exgena e embrionria ou endgena. A dormncia exgena devida impermeabilidade do tegumento gua ou gases e a endgena que pode ser devida imaturidade do embrio, ou inibio fisiolgica que o impea de se desenvolver (Fowler e Bianchetti, 2000). Segundo estes autores, dentre os tipos de dormncia destacam-se a dormncia morfolgica, que ocorre devido imaturidade do embrio e superada atravs de processos de ps-maturao do embrio e fisiolgica, a qual se deve a mecanismos fisiolgicos de inibio da germinao, sendo usados diversos mtodos para sua superao, como adio de hormnios e fitoreguladores, lavagem das sementes por longos perodos, tratamento trmico, etc.

    De acordo com Baskin e Baskin (2001) em diversos gneros e espcies da famlia Annonaceae tem sido reportado a presena de dormncia morfolgica e fisiolgica. Silva et al. (2007) observaram que as sementes de Annona crassiflora possuem embries pouco desenvolvidos em tamanho, no momento da maturidade dos frutos e requerem uma ps-maturao para germinar.

    Estudando a dormncia e a germinao da cherimoya e da graviola, Lobo et al. (2007) confirmaram que o bloqueio da germinao das sementes destas espcies do tipo morfofisiolgica simples, mas no profunda. Existem indcios de que a dormncia das sementes na pinha seja induzida pela imaturidade do embrio, que nesse caso, pode ser superada pelo armazenamento (Dornelles et al., 2002). Ferreira et al. (1997) trabalhando com pinha e atemoia verificaram que as sementes destas espcies no possuem impedimento fsico a entrada de gua. Com isso os autores descartam a possibilidade de a dormncia ocorrer em funo da dureza do tegumento, mas sim, de estar associada ao mecanismo de dormncia que relaciona como sobrevivncia estacional.

    Tratamentos qumicos e fsicos visando acelerar e uniformizar o processo germinativo em sementes de

    Rev22_4.indd 34 02/12/2009 18:27:48

  • Revista Biotemas, 22 (4), dezembro de 2009

    35Armazenamento de sementes de Annona squamosa L.

    pinha tem sido usado, contudo os resultados obtidos so muito divergentes. Dessa forma, Nietsche et al. (2005) concordam que ainda no foi relatado pela literatura, at o momento um mtodo que atue de forma eficiente na quebra de dormncia de pinha.

    Quanto tolerncia a dessecao as sementes so classificadas em ortodoxas, recalcitrantes e intermedirias. As sementes ortodoxas toleram uma desidratao de at 5% no contedo de umidade; por sua parte, as sementes que toleram a desidratao entre 10 e 12% do contedo de umidade so consideradas intermedirias e as que toleram a desidratao entre 15 e 50% de umidade se denominam recalcitrantes (Farrant et al., 1993; Gentil, 2001).

    A principal caracterstica fisiolgica das sementes ortodoxas sua grande tolerncia desidratao (Bewley e Black, 1994), caracterstica que melhora sua viabilidade e potencial de armazenamento (Nkang, 2002; Hoekstra et al., 1994).

    Sementes de cherimoya (Annona cherimola Mill) e graviola (Annona muricata L.) so consideradas ortodoxas por Dorneles et al. (2002), isto , que suportam dessecao, na qual permite baixar o contedo de umidade e armazen-las a baixa temperatura por perodos considerveis (Engelmann e Engels, 2002). Dornelles et al. (2002) verificaram que a reduo da umidade de sementes de graviola e de pinha (Annona squamosa L.) promoveu um aumento no vigor das sementes destas espcies, indicando que as mesmas toleram a dessecao e, portanto, tambm se comportando como ortodoxas.

    A manuteno da viabilidade das sementes atravs do armazenamento vem sendo uma das linhas de pesquisa mais importantes para as sementes de grande nmero de espcies.

    As condies ideais para conservao das sementes so aquelas em que as atividades metablicas so reduzidas ao mnimo, mantendo-se a baixa umidade relativa e temperatura no ambiente de armazenamento (Pedrosa et al., 1999).

    De acordo com Torres (2005), a temperatura e a umidade relativa so os principais fatores que influenciam na qualidade fisiolgica da semente, especialmente no vigor, durante o armazenamento. A

    umidade relativa tem relao com o teor de gua das sementes, alm de controlar a ocorrncia dos diferentes processos metablicos que ela pode sofrer, enquanto a temperatura influencia a velocidade dos processos bioqumicos e interfere indiretamente no teor de gua das sementes (Carvalho e Nakagawa, 2000).

    Os tipos de embalagem utilizados no acondicio- namento das sementes durante o armazenamento tambm assumem relevante importncia na preservao de sua viabilidade e vigor (Torres, 2005), porque alteram o teor de gua das sementes comprometendo sua conservao e, por consequncia, sua viabilidade.

    Nogueira et al. (2001), ao estudarem embalagens e ambientes na conservao de sementes de aroeira (Myracrodruom arundeuva), observaram

View more >