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  • CAPTULO 33

    Argila para Cermica Vermelha

    Marsis Cabral Junior1

    Jos Francisco Marciano Motta

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    Amilton dos Santos Almeida

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    Luiz Carlos Tanno

    4

    1. INTRODUO

    As argilas utilizadas na indstria de cermica vermelha ou, como tambm conhecidas na literatura tcnica, argilas comuns (common clays) abrangem uma grande variedade de substncias minerais de natureza argilosa. Compreendem, basicamente, sedimentos pelticos consolidados e inconsolidados, como argilas aluvionares quaternrias, argilitos, siltitos, folhelhos e ritmitos, que queimam em cores avermelhadas, a temperaturas variveis entre 800 e 1.250oC

    Na indstria de cermica vermelha ou estrutural as argilas so empregadas como matria-prima na fabricao de blocos de vedao e estruturais, telhas, tijolos macios, tubos e ladrilhos.

    . Essas argilas possuem geralmente granulometria muito fina, caracterstica que lhes conferem, com a matria orgnica incorporada, diferente graus de plasticidade, quando adicionada de determinadas porcentagens de gua; alm da trabalhabilidade e resistncia a verde, a seco e aps o processo de queima, aspectos importantes para fabricao de uma grande variedade de produtos cermicos.

    O desenvolvimento do setor de cermica vermelha no Brasil foi vigorosamente impulsionado, a partir de meados da dcada de 1960, pela implementao de polticas pblicas habitacionais, por meio da criao do Sistema Financeiro da Habitao e do Banco Nacional da Habitao. Durante a dcada de 1970, sustentada por uma demanda continuada, ocorre o boom da construo civil no Pas, provocando a modernizao e expanso da indstria

    1 Gelogo/UNESP, M.Sc. em Geologia/USP e D.Sc./UNICAMP, Pesquisador do Centro de Tecnologia de Obras de Infra-Estrutura do IPT (SP). 2 Gelogo/UNESP, D.Sc. em Geologia/UNESP, Pesquisador do Centro de Tecnologia de Obras de Infra-Estrutura do IPT (SP). 3 Engo de Minas/USP, D.Sc. em Engenharia de Minas/USP, Pesquisador do Centro de tecnologia de Obras de Infra-Estrutura do IPT (SP). 4 Gelogo/ UNESP, M.Sc. em Geologia/USP, Pesquisador do Centro de Tecnologia de Obras de Infra-Estrutura do IPT (SP).

    Mais raramente, rochas metamrficas e magmticas, em especial, coberturas argilosas de alterao intemprica associadas, so tambm empregadas na cermica vermelha, como matria-prima principal ou assessria na composio de massas.

  • Argila para Cermica Vermelha 748

    cermica nacional. Na esteira dessa ampliao do setor, houve a incorporao de processos inovativos e o lanamento de novas linhas de produtos, tendo-se por extenso tambm, o crescimento e a diversificao da produo de minerais industriais para a indstria cermica brasileira (Cabral et al., 2002).

    Estimativas da Anicer - Associao Nacional da Indstria Cermica no Anurio Brasileiro de Cermica - ABC (2006), trabalhadas por Dualibi Filho (2007), indicam que o setor de cermica vermelha conta com aproximadamente 5.500 estabelecimentos fabris, considerando apenas as empresas que dispem de equipamentos de extruso, distribudos amplamente por todo territrio nacional, mais notadamente nas regies Sudeste e Sul. O volume de produo anual da ordem de 30 bilhes de peas, grosso modo distribudo em 85% de blocos, lajotas e pisos, e 15% de telhas, o que perfaz um faturamento anual da ordem de R$ 6 bilhes (US$ 3,0 bilhes). Como referncia baixa produtividade mdia do parque fabril, o autor calcula a mdia nacional em 12,6 milheiros/trabalhador/ms em comparao a europia de 200 milheiros/trabalhador/ms.

    Quadro 1 Dados de mercado do setor de cermica vermelha no Brasil.

    Nmero de Unidades Produtoras 5.500

    Faturamento (R$ bilhes) 6,0

    Nmero de Peas/ano Blocos (milheiro) 25.500.000

    Nmero de Peas/ano Telhas (milheiro) 4.500.000

    Quantidade de Matria-Prima Argila (t/ano) 82.000.000

    Empregos Diretos 200.000

    Fonte: Dualibi Filho (2007) e ABC - ano base 2007.

    Trata-se de um setor com uma estrutura empresarial bastante diversificada, onde coexistem pequenos empreendimentos familiares artesanais (olarias), cermicas de pequeno e mdio-porte, com deficincias de mecanizao e gesto, e empreendimentos de mdio grande porte (em escala de produo) de tecnologia mais avanada, estes ltimos sob ameaas de processo de internacionalizao de seus capitais. A grande maioria das empresas tem sua competitividade baseada em custos. No entanto, mais recentemente, parcela do setor empresarial vem tomando iniciativas para aprimoramento tecnolgico e

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    competitivo, como a adeso em programas de qualidade, implantao de laboratrios de caracterizao tecnolgica de matrias-primas e produtos, qualificao de mo-de-obra, desenvolvimento do uso de novos combustveis, em especial do gs natural, estudos de incorporao de resduos na massa cermica e diversificao da produo.

    A argila para cermica vermelha caracteriza-se como um produto de baixo valor unitrio, fazendo com que sua minerao opere de maneira cativa (trabalhando apenas para a sua prpria cermica) ou abastea mercados locais. Os preos praticados esto na faixa de R$ 5,00 a R$ 15,00 (FOB) por metro cbico de argila comercializada in natura.

    Aspecto notvel que o fator geolgico existncia de jazidas , de maneira isolada, ou associado a outros condicionantes favorveis, como proximidade de mercados, base infra-estrutural privilegiada e cultura empresarial, tem conduzido a polarizao do setor em territrios especficos, levando constituio de aglomerados produtivos (Cabral et al., 2005). Em determinadas regies, essas aglomeraes de empresas chegam a constituir o que se vem conceituando como arranjos produtivos locais (APLs) de base mineral. Nesses casos, as concentraes de empresas podem, no mesmo territrio, agregar outros segmentos da cadeia produtiva, como fornecedores de insumos (equipamentos e embalagens) e servios, apresentando graus variados de interao entre os agentes empresariais e com organismos externos, como governo, associaes empresariais, instituies de crdito, ensino e inovao. Esse adensamento da cadeia produtiva de base mineral, associada interao, cooperao e aprendizado entre seus diversos elos e agentes externos, favorece o incremento da competitividade de todos os negcios associados localmente, com significativos ganhos, em especial ao pequeno e mdio empreendedor. A Figura 1 apresenta os principais APLs mnero-cermicos brasileiros.

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    2. MINERALOGIA E GEOLOGIA

    O termo argila lato sensu empregado para designar um material inorgnico natural, de granulometria fina, com partculas de poucos micrmetros, que apresenta comportamento plstico quando adicionada uma determinada quantidade de gua. Do ponto de vista sedimentolgico e granulomtrico, a frao argila corresponde ao conjunto de partculas inferiores a 2 m ou 4 m, segundo as escalas de Attemberg e Wentworth, respectivamente.

    As argilas so constitudas predominantemente de argilominerais (filossilicatos), e seus tipos mais comuns so formados de folhas tetradricas (T) de silcio e octadricas (O) de alumnio, e, com menor freqncia, de magnsio e/ou ferro. Constituem unidades estruturadas na proporo 1:1 (TO) ou 2:1 (TOT). Alm do arranjo estrutural, o espaamento basal dessas unidades caracteriza os argilominerais dos diversos agrupamentos, destacando-se os grupos da caulinita, ilita e esmectita como os mais importantes ao uso cermico. Com as partculas de argilominerais ocorrem outros minerais, geralmente nas fraes silte (2 m=0,002 mm< > 0,62 mm) e areia ( > 0,62 mm). Nessas granulometrias maiores, o mineral mais comum e abundante o quartzo, seguido de micas, feldspatos e minerais opacos.

  • Rochas e Minerais Industriais CETEM/2008, 2a Edio 751

    Figura 1 Principais APLs mnero-cermicos brasileiros (elaborado a partir de informaes do Instituto Metas, 2002).

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    As argilas comuns, para cermica vermelha ou estrutural, tm como principal caracterstica a cor de queima avermelhada. Essa propriedade deve-se ao alto contedo de xido de ferro total que encerram, geralmente superior a 4% (Facincani, 1992), valor que foi corroborado pelos estudos efetuados em depsitos brasileiros na regio do Recncavo Baiano (Conceio Filho e Moreira, 2001).

    Em decorrncia da constituio do substrato geolgico brasileiro, que dispe de extensas coberturas sedimentares bacias fanerozicas e depsitos cenozicos , aliado evoluo geomorfolgica, que propiciou a gerao de expressivas coberturas residuais intempricas, os depsitos de argilas para fins cermicos possuem ampla distribuio geogrfica em todo territrio nacional. Segundo o contexto geolgico, so distinguidos dois tipos principais de depsitos de argila: argilas quaternrias e argilas de bacias sedimentares.

    A argila, por tratar-se de um material extremamente fino, muitas vezes de mineralogia mista, torna difcil a sua identificao e classificao precisas, propiciando uma farta difuso de terminologia. Parte dessa miscelnea de nomenclatura, envolvendo critrios tcnicos e jargo cermico, apresentada no Quadro 2.

    Argilas Quaternrias

    Na paisagem atual das reas continentais, dois locais so especialmente propcios ao acmulo de argilas: plancies aluvionares, que o ambiente mais tradicional de formao de depsitos de argila nas regies interiores e a plancie costeira, junto s regies litorneas. Esses locais constituem zonas saturadas em gua, ou sujeitas a

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