aquarium - paloma ortega

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Pippa, Eron e Mel embarcam na maior aventura de suas vidas após o desaparecimento misterioso de seus pais e um encontro nada habitual com uma criatura mitológica que vive próximo a eles, um rabugento e sábio leprechaun morando em um sistema de esgoto de um beco no Rio de Janeiro. Os irmãos Cury conhecerão a dimensão de Aquarium e cada uma de suas sete ilhas, que abrigam seres espetaculares e mistérios assombrosos. Juntos, precisarão enfrentar inumeráveis perigos e desvendar os segredos por trás do desaparecimento dos pais, descobrindo a si mesmos e o valor da família em suas vidas.

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  • @QU@RIUM

    A Cadeia de Ilhas de Krton BleedsA Cadeia de Ilhas de Krton BleedsA Cadeia de Ilhas de Krton BleedsA Cadeia de Ilhas de Krton Bleeds

    Paloma OrtegaPaloma OrtegaPaloma OrtegaPaloma Ortega LIVRO I

  • Aquarium

    1

  • Aquarium

    2

    @QU@RIUM@QU@RIUM@QU@RIUM@QU@RIUM A Cadeia de Ilhas de Krton Bleeds

    1 edio So Paulo 2014

    Paloma Ortega

  • Aquarium

    3

    Ilh[ B[guroo Captulo 9

  • Aquarium

    4

    Este livro dedicado ao meu pai, minha me, minha

    famlia e meus amigos. Sem vocs, ainda estaria presa no Bosque Infinito.

  • Aquarium

    5

    SUMRIOSUMRIOSUMRIOSUMRIO

    Captulo 1...........O comeo de tudo.....................................................................7

    Captulo 2...........Meus pais desaparecem misteriosamente................................19

    Captulo 3...........Nosso novo amigo Sophos......................................................31

    Captulo 4...........Ilha Minimim...........................................................................48

    Captulo 5...........Ns quase fomos devorados....................................................65

    Captulo 6...........Uma visita Ilha Azul..............................................................80

    Captulo 7...........A Batalha do Stimo Cu........................................................94

    Captulo 8...........Como um passo de mgica....................................................114

    Captulo 9...........Um elfo o nosso protetor....................................................127

    Captulo 10.........O Bosque Infinito..................................................................141

    Captulo 11.........A rvore da Razo.................................................................152

    Captulo 12.........O nctar da verdade...............................................................169

    Captulo 13.........Lzuli......................................................................................182

    Captulo 14.........Eu me torno o acessrio de um gigante................................197

    Captulo 14.........Descubro um sombrio destino..............................................210

    Captulo 16.........A prola de Syreni.................................................................221

    Captulo 17.........O Espelho da Conscincia.....................................................240

    Captulo 18.........Pegando fogo..........................................................................254

    Captulo 19.........O pntano dos Kribits............................................................268

    Captulo 20.........O destino se cumpre..............................................................283 Algumas curiosidades sobre o enredo...............................................................304

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    Captulo 1

    o comeo de tudo

    Liembro-me muito bem de quando despertei uns minutos antes do alarme tocar. Abri lentamente os olhos, visualizando o sol que nascia atravs da janela. Olhei o relgio. Eram 05h55min. Faltavam apenas cinco minutinhos para o alarme soar, com aquele barulho irritante de todas as manhs.

    Vi-me na cama pensando novamente naquele pesadelo, que se repetira por trs dias seguidos. Pela primeira vez em muito tempo no acordei assustada, com o corao acelerado e a terrvel agonia no peito. Era como se algum ou alguma coisa quisesse me avisar de algo.

    No sonho, eu via meus pais sendo levados por uma sombra enorme. No era slida, era como uma fumaa negra que deslizava sobre eles e os arrancava do cho. Eu tentava desesperadamente salv-los, correr atrs deles ou gritar seus nomes, mas tudo em vo. Minha me insistia em repetir uma frase, antes do sonho finalmente se dissipar, mas por mais que eu me esforasse, eu nunca conseguia ouvi-la claramente. Ao final, me via s numa rua deserta. To deserta que nem mesmo havia sinais da fumaa negra daquela criatura funesta que levara meus pais. Eu tinha lgrimas nos olhos e o terror me dominava.

    Meus pensamentos foram interrompidos pela minha me, que abria a porta silenciosamente.

    Pippa, acorde! J est na hora de ir para a escola. Eu no respondi. Fazia j muito tempo que eu adotara um aspecto rebelde

    e ignorante. Tratava minha me e meu pai com muita arrogncia, meus irmos

  • Aquarium

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    tambm eram atingidos. Eron era a pior vtima disso tudo, eu descontava as minhas frustraes e raivas nele. Brigvamos mais do que co e gato.

    Minha me, Mary Anne, era uma linda mulher de quarenta anos, de cabelos encaracolados e louros. Seu nome era em homenagem minha bisav, que era norte-americana. Para sua idade, possua um corpo de adolescente. Era to calma que quando se irritava eu ficava muito surpresa. Quando ela brigava comigo eu ia para um canto, e ela para outro. Uma hora depois ela voltava para se desculpar. No entanto, depois que mudei o meu jeito e o meu visual, as coisas ficaram obscuras. Ns brigvamos muito e discutamos quase todos os dias. Eu soltava sempre algumas frases horrveis para ela, e ela rebatia com outras, mas por mais que se esforasse, ela nunca conseguia ser muito rgida. Era to doce que era difcil para ela me fazer calar. Um tempo depois, ela desistiu. Tratava-me com aquela calma que me deixava maluca, e ignorava o fato de eu respond-la to mal. Ela realmente fingia que eu estava bem e que era aquela garota quietinha e obediente de antes.

    Vamos, Pippa. Voc vai se atrasar, querida. Eu sei muito bem o que pode acontecer, me bufei. Minha me desistiu de me entender faz tempo. No incio, ela tentava de

    todas as maneiras possveis para que eu voltasse a ser aquela menininha meiga e tmida de antes, mas nada mudou. Meu pai nunca se importou muito, dizia que era s uma fase e que tudo isso iria passar. Os dois estavam muito errados.

    Eu admito que s vezes sentia falta daquela menina, sonhadora e iludida, que ningum conhecia e ningum se importava.

    Ningum legal falava comigo na escola. Quando se referiam a mim, era apenas para debochar do meu jeito quieto e inventar apelidos maldosos. No gostava de mim daquela maneira, sempre fugindo das pessoas e me tornando cada vez mais antissocial. Eu descobri um jeito de no precisar mudar de escola para mudar de vida. Se o meu jeito no agradava e no me tornava popular na escola, era s mud-lo. Simples assim. E foi o que fiz.

    Enfrentei todos os meus medos, todas as vergonhas, e comecei a conversar com algumas pessoas da minha escola. De incio, pensei que isso tudo seria em vo, mas as poucas amizades que fiz me apresentaram novas pessoas. E assim, eu fui fazendo cada vez mais amizades, at ficar conhecida na escola como Cury, meu sobrenome.

    A menina doce, Pippa, de olhar ingnuo, dava lugar Cury, a rebelde. Fiquei ausente por muito tempo. Diziam que era s uma fase, mas o tempo passava e eu gostava cada vez mais a sensao de ser conhecida e adorada por

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    todos. No larguei minha personagem, cheguei a acreditar que aquela era eu de verdade.

    Os meninos comearam a me cortejar, as meninas me respeitavam e gostavam de mim. De garota invisvel eu me tornei a menina mais conhecida da escola.

    Mais uma vez a minha me gritou: Pippa, voc no me ouviu? Eu j me apressava a levantar da cama e vestir o uniforme da escola. Vesti

    a blusa branca e justa do colgio, que tinha o smbolo e o nome da escola: Colgio Scrates.

    Peguei os tnis All Star e as meias. Minha me me chamava mais uma vez e eu respondia o clssico J vou, me! S que ele sempre soava mais rude do que eu queria que fosse. Rapidamente, eu desci as escadas ainda com as meias na mo. Minha me preparava o caf da manh, enquanto o meu irmo quase dormia apoiado na mesa da cozinha.

    Meu irmo, Eron Cury, tem doze anos e uma aparncia meiga e simptica. Mas no bem assim que eu o vejo. Para mim, ele uma pessoa infernal quando se convive, mas que no vivemos sem. Quem tem irmos ou irms sabe exatamente do que estou falando. Engraado como uma pessoa com quem voc tem brigas frequentes e, muito coincidentemente, a maior causa das suas dores de cabea, pode ser uma das pessoas que voc mais ama no mundo.

    mesa havia um pote de margarina, um de manteiga, geleias de diversas cores e sabores. Pes fresquinhos estavam sobre a mesa ao nosso dispor. Minha me j terminara de preparar um suco de laranja para mim e um copo de leite para o meu irmo. Sentei-me e tentei ser educada.

    Algum pode me passar a geleia de morango? perguntei. Por que voc no se levanta e pega? meu irmo respondeu. Basta dizer a palavrinha mgica! disse minha me com um sorriso. Respirei fundo e tentei no enterrar minhas unhas na palma da mo. Ser que d para algum passar a droga da geleia? Eu no estava muito a fim de pedir por favor para minha me. Eu estava

    tentando ser educada ao mximo, mas no estava dando muito certo. Que tal uma gentileza de vez em quando? Certo, eu fazia gentilezas de vez em quando, mas tem horas que meu irmo consegue me tirar do srio com poucas palavras. E essa era uma dessas horas.

    Voc deveria aprender a pedir por favor minha me ponderou, calmamente.

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    E voc deveria concorrer ao recorde de Me mais lenta do mundo no quesito passar o pote de geleia para a filha no caf da manh.

    Eu tomei o ltimo gole do suco de laranja e me levantei sem comer nada. Apanhei minha mochila que estava em cima do sof e desci as escadas do prdio. Eu no estava com fome mesmo, resmunguei para mim mesma. Quando desci, o porteiro me abordou com o Bom dia! alegre de sempre. Eu no respondi. Esperei que ele abrisse o porto automtico preto que havia na sada do prdio e sa.