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Apurao de custos: uma anlise em uma propriedade rural produtora de vinho e suco de uva

Schwert, L.D.; Cruz, V.R.L. da; Rossato, M.V.; Guse, J.C.Freitas, L.A.R. de.

Custos e @gronegcio on line - v. 11, n. 2 Abr/Jun - 2015. ISSN 1808-2882 www.custoseagronegocioonline.com.br

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Apurao de custos: uma anlise em uma propriedade rural produtora de

vinho e suco de uva Recebimento dos originais: 22/10/2013

Aceitao para publicao: 21/07/2015

Lzaro Davi Schwert

Bacharel em Cincias Contbeis

Instituio: Universidade Federal de Santa Maria

Endereo: Rua Professor Braga, n. 144, Apto. 403, Centro, Santa Maria/RS.

CEP: 97015-530

E-mail: lazarodavi.schwert@yahoo.com.br

Vernica Rosa Lucion da Cruz

Bacharel em Cincias Contbeis

Instituio: Universidade Federal de Santa Maria

Endereo: Rua Sep Tiaraju, n. 69, Bairro Presidente Joo Goulart, Santa Maria/RS.

CEP: 97090-620

E-mail: velucion@yahoo.com.br

Marivane Vestena Rossato

Doutora em Economia Aplicada

Instituio: Universidade Federal de Santa Maria

Endereo: Rua Floriano Peixoto, n. 1184, sala 602, Centro, Santa Maria/RS.

CEP: 97015-372

E-mail: marivavest@gmail.com

Jaqueline Carla Guse

Mestrado em Cincias Contbeis

Instituio: Universidade Regional de Blumenau

Endereo: Rua Isidoro Neves, n. 684, centro, Agudo/RS.

CEP: 96540-000

E-mail: drjaquelinecarla@yahoo.com.br

Luiz Antnio Rossi de Freitas

Doutor em Administrao pela USP

Instituio: Universidade Federal de Santa Maria

Endereo: Rua Floriano Peixoto, n. 1184, sala 602, Centro, Santa Maria/RS.

CEP: 97015-372

E-mail: luizrf@terra.com.br

Resumo

A gesto de custos uma ferramenta gerencial de suma importncia para qualquer

empreendimento que intencione competir no mercado do mundo globalizado. Neste contexto,

este estudo buscou valorar os produtos agroindustriais de uma propriedade rural do municpio

de Dilermando de Aguiar - RS, justificado pela necessidade do controle de custos devida

inexistncia de uma sistemtica de custeio. Especificamente, o estudo atingiu seus objetivos

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atravs da aplicao do mtodo de pesquisa descritiva com abordagem qualitativa dos dados

que foram coletados por meio da entrevista semiestruturada; estudo de caso; observao,

alm da pesquisa documental e bibliogrfica realizada junto aos proprietrios a fim de obter

os gastos gerais da propriedade rural. Utilizou-se dos conceitos do custeio varivel para o

enquadramento dos custos da propriedade na sistemtica de custeio. Com ela foi possvel

identificar que a comercializao de vinho e o suco de uva geraram uma boa Margem de

Contribuio Total para a absoro dos custos fixos atrelados a estrutura atual da

propriedade. Ainda identificou-se que a comercializao do suco de uva deve ser incentivada,

pois gerou uma Margem de Contribuio Unitria de R$5,26 por litro, superior quando

comparado aos demais produtos da propriedade rural.

Palavras-chave: Custos. Propriedade rural. Produtos agroindustriais.

1. Introduo

O setor agrcola apresenta-se como importante agente econmico e social. Por estar

em um mercado competitivo, torna-se importante a gesto e o aprimoramento de instrumentos

que forneam informaes relevantes e, desta forma, possibilitem enfrentar a concorrncia na

conquista e fidelizao de clientes.

Neste mundo globalizado de concorrncia acirrada, o agribusiness brasileiro para

continuar competitivo deve aperfeioar a gesto dos negcios do setor e superar os gargalos,

como um custo de produzir muito alto. Diante das modernas demandas do sculo XXI, para

manter-se operando no mercado, no mais possvel improvisao gerencial, erro comum

de muitos empresrios. O agronegcio brasileiro deve aperfeioar a gesto de seus negcios e

otimizar os recursos, evitando um custo de produo muito alto que dificulte o crescimento

da atividade.

Adotar uma sistemtica de custeio de suma importncia para a gesto dos custos

para qualquer empreendimento que intencione ofertar produtos de qualidade a um preo

competitivo. Para Batalha & Demori (1990 apud BATALHA & QUEIROZ, 2003, p. 2), os

produtores rurais so extremamente carentes em termos de ferramentas gerenciais de apoio a

deciso, a exemplo que acontece com as micro e pequenas empresas dos setores industriais e

de servios. Alguns empresrios preocupam-se mais com o trabalho braal e deixam de lado

questes administrativas da empresa. Com isso, desconhecem informaes como o custo de

produo. De acordo com isso, Batalha & Queiroz (2003, p. 2) acrescentam que a gesto das

empresas rurais , na maior parte das vezes, focada nas tcnicas de produo e conceitos

operacionais de atividades especificas desenvolvidas, em detrimento das informaes

financeiro/administrativas.

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Neste cenrio se insere uma propriedade rural localizada no municpio de Dilermando

de Aguiar/RS que produz e comercializa produtos para o mercado da regio, tendo como

principal atividade a vitivinicultura. A vitivinicultura um conjunto de dois processos que

leva em conta o cultivo das uvas, at sua transformao em vinho. Uma delas, a viticultura,

est relacionada produo das vinhas. J a vinicultura quando as uvas so destinadas para

o estgio de elaborao de vinhos. Salienta-se que a propriedade rural explorada na forma

de pessoa fsica, no se constituindo uma pessoa jurdica.

Dessa forma, o presente estudo focou-se no auxlio propriedade rural no

conhecimento de sua estrutura de custos, para que esta tenha condies de manter seu

negcio, com base em dados confiveis e que permitam colaborar no processo decisrio. A

correta mensurao dos custos fundamental para a sade financeira de qualquer organizao

que visa lucro, e indispensvel para obter vantagem em um mercado competitivo. Assim,

surge o seguinte questionamento: Quanto custa produzir e vender os produtos agroindustriais

desta propriedade rural?

No sentido de oferecer uma soluo problemtica exposta, buscou-se a consecuo

de um objetivo geral, que se caracterizou em valorar os produtos da propriedade rural por

meio de uma sistemtica de custeio. No obstante, foram delimitados os objetivos especficos

com o propsito de dar sequncia lgica conduo do objetivo geral, quais sejam:

levantamento dos gastos associados atividade da propriedade rural; classificao dos gastos

e custos conforme aporte terico j consolidado; clculo do custo dos produtos atravs da

aplicao de uma sistemtica de custeio.

O trabalho est estruturado em quatro sees. Aps a introduo, ora apresentada,

aborda-se o referencial terico, onde se encontra as teorias e fundamentos que daro suporte a

anlise dos resultados. Em seguida apresentada a metodologia, onde so abordadas as

tcnicas de pesquisa utilizadas para realizao do trabalho. Na sequncia, apresenta-se a seo

dos resultados, que tem por fim apresentar os resultados obtidos na pesquisa. E por ltimo, as

consideraes acerca da apurao de custos das atividades agroindustriais da propriedade em

estudo.

2. Referencial Terico

Nesta seo so apresentadas as teorias que serviram de base para a realizao do

estudo.

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2.1. Contabilidade de custos

A Contabilidade de custos surgiu, segundo Martins (2006, p. 23), da Contabilidade

Financeira, quando da necessidade de avaliar estoques na indstria, tarefa essa fcil na

empresa tpica da era do mercantilismo. Atualmente ela no mais vista como uma

contabilidade auxiliar na avaliao de estoques e lucros globais, mas sim como ferramenta de

controle e deciso.

De acordo com Bornia (2010), percebe-se que h cada vez mais a necessidade de

informaes precisas e atualizadas, para a tomada de deciso, que contribua para a melhoria

da produtividade e da qualidade, bem como para a reduo de custos, mediante eliminao

dos desperdcios. Quando uma empresa est, conforme Atkinson (2000, p. 85), realizando as

mesmas coisas com menos recursos e, portanto, menores custos, significa que a empresa est

tornando-se mais eficiente.

Peres Jr., Oliveira e Costa (2003) salientam a importncia de classificar os gastos

ocorridos pela empresa. muito importante separar custos e despesas para a correta

mensurao dos custos de produo e o resultado do perodo. E de acordo com o mesmo

autor, os custos e despesa so classificados em fixos ou variveis e em diretos ou indiretos.

Em relao ao volume de produo e de vendas os gastos podem ser classificados como a

seguir:

a) Custos fixos: so os custos que permanecem inalterados de acordo com o volume de

produo. Eles conservam-se constantes dentro de certa estrutura produtiva instalada. Ex.:

aluguel, seguros, salrios das chefias, e etc.

b) Despesas fixas: independem do volume de vendas ou prestao de servios. As

despesas fixas permanecem constantes dentro de certa faixa de atividades geradoras de

receita. Ex.: salrios administrativos, despesas financeiras, despesas com aluguis e seguros

etc.

c) Gastos semifixos ou semivariveis: gastos que apresentam em sua natureza uma

parte fixa e outra varivel. Ex.: Depreciao.

d) Custos variveis: so custos que mantm relacionamento direto com o volume de

produo ou servio. Estes custos aumentam na mesma proporo dos volumes de produo

da empresa.

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e) Despesas variveis: as despesas variveis de vendas so as que se alteram

proporcionalmente s variaes no volume de receitas. Ex.: comisso sobre vendas e servios.

Peres Jr., Oliveira e Costa (2003) tambm classifica os gastos de acordo com a forma

de distribuio e apropriao aos produtos, centro de custos e resultados, como segue:

a) Custos diretos: so custos que podem ser facilmente mensurados e alocados aos

produtos, no necessitando de critrios de rateios para a adequada alocao aos produtos

fabricados ou servios prestados. Na grande maioria de indstrias os custos diretos so

compostos pela mo-de-obra associada diretamente ao processo de produo e os materiais

utilizados.

b) Despesas diretas: as despesas diretas so as que podem ser facilmente quantificadas

e apropriadas em relao s receitas de vendas e prestaes de servios.

c) Custos indiretos: so os custos que necessitam de algum critrio de rateio para

serem alocados aos produtos. Ex.: mo-de-obra indireta, materiais indiretos, outros custos

indiretos.

d) Despesas indiretas: so aqueles gastos que no podem ser identificados com

preciso com as receitas geradas. Geralmente so considerados como despesas do perodo e

no so distribudos por tipo de receita. Ex.: Despesas administrativas, despesas financeiras

entre outros.

Uma das grandes preocupaes dos empreendedores os seus fatores de produo.

Eles esto em constante busca de algum procedimento ou sistema que traga contribuies

para aperfeioar a gesto, possibilitando competir no mercado com o mximo de qualidade.

Esse cenrio exige informaes imprescindveis relacionadas a custos, processos e produtos.

De acordo com Wernke (2004, p. 20) a atribuio de valores verdadeiros aos

produtos passou a constituir um dos principais objetivos da contabilidade de custos [...].

Para isso, ainda para o mesmo autor, necessrio um sistema de custos que valore e distribua

os custos aos produtos de forma mais fidedigna realidade.

Um custeio, segundo Martins (2006), um processo efetuado pelas empresas com o

propsito de apropriao de seus custos. Para a correta distribuio destes custos, que so

utilizados os mtodos de custeios, a fim de fazer a correta distribuio dos custos de

fabricao aos seus produtos, ou, os custos de obteno de servios.

Existem diversos mtodos de custeios trazidos pelos principais autores. De acordo

com Martins (2006), entre eles os mais utilizados so: Custeio por Absoro, ABC ou

Custeio Baseado em Atividades, Custeio Direto ou Varivel e RKW ou Mtodo dos Centros

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de Custos. No presente estudo sero abordados os mtodos de custeio por absoro e o

custeio varivel.

2.1.1. Custeio por absoro

O mtodo de custeio por absoro consiste na apropriao de todos os custos de

produo aos produtos elaborados, de maneira direta ou indireta. Nesta forma de custeio os

custos fixos de produo so rateados entre os produtos. J os custos variveis so alocados

diretamente aos produtos.

Segundo Garrison e Noreen (2001), no custeio por absoro o custo de uma unidade

de determinado produto ser formado por materiais diretos, mo-de-obra direta e custos

indiretos, fixos e variveis. Neste caso, a cada unidade do produto atribudo, alm dos custos

variveis, uma parte dos custos fixos. O sistema de custeio por absoro pode ser elaborado

de acordo com a complexidade das atividades, podendo ser por departamentalizao ou sem

departamentalizao.

O custeio por absoro o nico aceitvel pela legislao fiscal e legal no Brasil. Sua

metodologia usada pela maioria das empresas brasileiras, por ser considerado bsico para a

avaliao dos estoques, levantamento de balanos patrimoniais e de resultados com a

finalidade de cumprir com as exigncias da contabilidade societria.

2.1.2. Custeio varivel

O custeio varivel ou direto, segundo Megliorini (2001, p. 3) consiste em um mtodo

que considera que os produtos devem receber somente os custos que causam ao serem

fabricados. Na viso de Viceconti e Neves (2003, p. 149), o custeio varivel

[...] um tipo de custeamento que consiste em considerar como custo de produo

do perodo apenas os custos variveis incorridos. Os custos fixos, pelo fato de

existirem mesmo que no haja produo, no so considerados como custo de

produo e sim como despesas, sendo encerrados diretamente contra o resultado do

perodo.

A Figura 1 ilustra a sistemtica de valorao dos estoques pelo Custeio Varivel.

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Figura 1: Esquemtica de contabilidade de custo pelo custeio varivel.

Fonte: SEGATTO (2012).

Dessa forma, o sistema de custeio varivel no serve para atender demandas externas.

Porm, contribui com informaes aos gestores que buscam eficincia nos processos,

permitindo ter em mos dados como margem de contribuio e ponto de equilbrio.

3. Metodologia

A pesquisa caracterizou-se como um estudo de carter descritivo, pois alm de

registrar e analisar os fenmenos estudados procura identificar suas causas. Gil (2010, p.27)

afirma que pesquisa descritiva tem como objetivo a descrio das caractersticas de

determinada populao. Podem ser elaboradas tambm com a finalidade de identificar

possveis relaes entre variveis.

No que tange sua abordagem, em relao ao problema, o estudo pode ser

considerado como de natureza qualitativa. Sampieri et al. (2006, p. 8) afirma que a pesquisa

com enfoque qualitativo tem uma realidade a descobrir e que busca principalmente

disperso ou expanso dos dados ou da informao.

Para que fosse possvel atender ao objetivo proposto, utilizou-se de procedimentos

tcnicos para a coleta dos dados, sendo a pesquisa bibliogrfica, a entrevista semiestruturada e

o estudo de caso.

A pesquisa bibliogrfica contribuiu para o entendimento dos termos tcnicos e,

segundo Gil (2010, p. 29), elaborada com base em material j publicado. Por sua vez, de

acordo com Beuren (2008, p. 123), a entrevista semiestruturada ao mesmo tempo em que

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valoriza a presena do entrevistador, possibilita que o informante use toda sua criatividade e

espontaneidade, valorizando mais a investigao.

Por meio da entrevista semiestruturada, realizada com o dono da propriedade rural, foi

possvel acompanhar e receber explicaes detalhadas referente cada atividade e fase do

processo produtivo, como tambm as rotinas administrativas. A propriedade, na sua estrutura

atual, no apresenta nenhum controle de seus custos e venda, e desconhece seu faturamento

global. Atravs da entrevista foi possvel identificar os produtos e atividades de maior

representatividade econmica, podendo partir para o prximo passo.

Alm disso, a pesquisa caracteriza-se como um estudo de caso que, de acordo com Gil

(2010, p. 37), consiste no estudo profundo e exaustivo de um de poucos objetos, de maneira

que permita seu amplo e detalhado conhecimento, tarefa praticamente impossvel mediante os

outros delineamentos j considerados.

Por meio de documentos fornecidos pela empresa, procedeu-se anlise documental.

Atravs destes, realizou-se um levantamento de todos os gastos da organizao na aquisio

de insumos, maquinrios, despesas gerais, e etc. Este estudo, realizado na propriedade rural,

localizada na cidade de Dilermando de Aguiar/RS props apurar os custos que, eram

desconhecidos, atravs das informaes fornecidas pelo proprietrio e ainda apresentar um

sistema de controle para sanar esta falha. O intuito de mant-la produzindo com o devido

controle de seus gastos, podendo orientar a formao do seu preo de venda e manter-se no

mercado atual, que competitivo e exigente.

Para atender ao objetivo do trabalho, de valorar os produtos agroindustriais produzidos

na propriedade rural, foi utilizada a sistemtica de custeio varivel que considera as

especificidades do negcio da famlia. O custeio varivel foi aplicado para a construo da

sistemtica devido a sua capacidade de prestar informaes gerenciais, que possa auxiliar na

tomada de decises. Todas as vantagens de sua adoo vo ao encontro das necessidades de

informao dos gestores da propriedade.

4. Resultados e Discusses

Nesta seo esto apresentados os resultados e discusses obtidos a partir do estudo.

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4.1. Caracterizao da propriedade

A propriedade rural localiza-se no municpio de Dilermando de Aguiar/RS, com uma

rea total de 54 hectares. No decorrer do tempo, a famlia desenvolveu o cultivo de videiras,

melo, melancia, mandioca entre outros. Tambm foi destinada uma rea para pastagem, na

qual, realizada a criao de ovinos.

A propriedade atualmente tem como principal atividade a vitivinicultura, que o

processo que leva em conta alm do cultivo das uvas, sua transformao em vinho.

No ano de 2004, quando as videiras atingiram sua maturidade e sua capacidade total

de produo a propriedade necessitou passar por modificaes, a fim de ajustar-se nova

realidade. Tais modificaes fizeram com que a produo do vinho deixasse de ser artesanal,

para assumir um carter industrial. Para isso, foi realizada a construo de um prdio,

adquirido mquinas, equipamentos e os materiais necessrios para a produo de vinho em

maior escala.

4.2. Atividades agroindustriais

Na propriedade rural, a atividade agroindustrial d-se pela transformao da uva

colhida para a produo de vinhos e do suco de uva. A uva o principal produto cultivado na

propriedade rural em questo.

fundamental conhecer os passos do cultivo desse produto, a fim de tornar possvel a

apurao de seus custos. A base para a realizao do estudo foi o ciclo anual. O processo de

cultivo lento e requer trabalho e ateno, pois a qualidade do produto e a quantidade

produzida dependero, alm dos fatores climticos, da tcnica e da eficincia das pessoas

envolvidas em todo o processo, desde a preparao do solo at a entrega ao consumidor da

uva in natura.

Na Figura 2, pode-se observar as etapas do cultivo das videiras, desenvolvidas no

ltimo ano agrcola.

Figura 2: Etapas do processo de produo da uva.

Fonte: Dados da pesquisa (2012).

Preparao do

solo

Tratamento de

doenas da planta Poda e

amarrao

Colheita Pesagem e

Embalagem

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Deve-se salientar que as etapas evidenciadas na Figura 2 no seguem uma sequncia

hierrquica e cronolgica. Algumas etapas como a Preparao do solo, os Tratamentos de

doenas e a Poda e Amarrao podem ser desenvolvidas durante todo o perodo de produo

da uva, sem apresentar um momento especfico para sua execuo. Os trabalhos com as

plantas, referente a cada estgio, variam muito conforme sua necessidade, como tambm,

pelos fatores climticos.

A produo de uvas no ltimo ciclo totalizou 43.000 Kg, conforme Tabela 1. Desse

montante, foi destinado venda in natura na loja da propriedade 10.000 Kg e, 8.000 Kg, para

supermercados da regio. J para vinificao foi direcionado 16.500 Kg, e o restante para a

fabricao do suco de uva, que foi de 8.500 Kg.

Os processos envolvidos para o cultivo da uva at a venda, discriminando os custos

envolvidos em cada etapa, para definir quanto custa produzir e vender esse produto, foram

evidenciados:

a) Preparao do solo: nessa fase so realizados alguns tratos culturais como adubao, capina

e roada.

Assim, o ciclo iniciado com a reposio dos nutrientes no solo do parreiral, a

adubao. Nesta etapa, a quantidade de adubos aplicada terra baseada na experincia do

proprietrio, de visualizar e identificar a carncia do parreiral, assim como na mdia dos anos

anteriores.

Para fazer a reposio de nutrientes no solo, realizada a adubao durante trs

perodos da produo da uva. A primeira delas, logo aps a colheita que se d em maro. A

prxima durante o perodo de pr-germinao da videira, em meados de agosto. A terceira

adubao aplicada ocorre durante o desenvolvimento dos cachos de uva. Cada uma dessas

adubaes leva em torno de 2 a 3 dias de trabalho. E o trabalho de capina e roada realizado

em volta das plantas mais jovens de videira conforme as necessidades do terreno.

Nesse ltimo ciclo, foi utilizado cerca de 960 kg de adubos qumicos com um custo

total de R$ 1.152,00. O adubo um composto de fsforo, potssio, clcio entre outros.

Tambm, aplicou-se 768 kg de ureia, um fertilizante nitrogenado, onde o proprietrio incorreu

em um custo de R$ 537,00. Alm do adubo qumico e da ureia, foi feito uso de dezesseis

toneladas de adubo orgnico, que custou R$ 1.500,00.

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Evidencia-se, que os custos incorridos na etapa de adubao do solo so referentes a

um montante de 4,8 hectares do cultivo de videiras. O valor do custo por hectare foi

encontrado atravs da diviso do custo total da adubao do solo pela quantidade de hectares

destinada cultura. J o custo por quilo de uva foi obtido atravs da diviso do custo para

manuteno de um hectare pela mdia de uvas produzidas por esta rea no perodo. Vale

salientar que foi estimada uma colheita de 43.000 kg de uvas referente ao ciclo estudado.

b) Tratamento de doenas da planta: esta fase tambm marcada pela preveno da videira

contra os agentes nocivos que destroem e prejudicam a qualidade e a produtividade de

qualquer cultura, no sendo diferente com a produo de uva.

Em relao ao ciclo produtivo em questo, foram realizados cerca de 10 tratamentos,

com um gasto total de R$ 2.000,00, uma mdia de R$ 400,00 de fungicidas por hectare.

Cabe salientar que este custo considerado varivel quando se considera o nmero de

hectares cultivados como parmetro de anlise.

c) Poda e Amarrao: se d no perodo de julho a agosto de cada ano. realizada a poda em

seco, a fim de reduzir galhos antigos e destinar a energia da planta para a brotao. Tambm

feita a poda em verde, quando as videiras ainda esto na fase da brotao, com a finalidade de

reduzir o nmero de brotos e maximizar a energia para frutificao.

Porm, em menor escala, esta atividade realizada em outros momentos do processo

produtivo, variando muito de acordo com os fatores climticos, como ventos fortes. Foi

mensurado um valor de R$ 700,00 de custos efetivos nessa etapa, incluindo os materiais

utilizados, como o vime e a fita para alceador, para amarrao dos brotos do parreiral.

d) Colheita: este momento definido com base no nvel de acar constante na uva atravs da

utilizao de um aparelho denominado refratmetro. Este instrumento garante uma maior

preciso do momento certo da colheita. A mo-de-obra, nesta etapa, o nico custo varivel

identificado.

e) Pesagem e Embalagem: na fase de pesagem que comea a ser identificada e destinada a

quantidade de uva da safra, seja para a comercializao in natura, para o vinho ou para o

suco.

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Para a comercializao in natura, incorrem-se despesas variveis com caixas e

transporte do produto ao cliente. Quando so diretamente vendidas na loja da famlia, os

cachos mais inteiros e bonitos so colocados em caixas de papelo de 5 kg, pesadas e

deixadas prontas para a venda.

O custo das caixas gira em torno de R$ 0,80/kg. Ela garante conforto ao cliente, pois

as uvas permanecem em tima qualidade, conservadas em maior tempo, bem alocadas e ainda

com tamanho ideal para serem guardadas na geladeira. Na Tabela 1 so apresentados os

valores gastos com a aquisio de caixas de papelo para um montante de 10.000 Kg de uvas

in natura comercializadas na propriedade.

Tabela 1: Despesa varivel para embalagem de uvas comercializadas in natura

Fonte: Dados da pesquisa (2012).

Quando o propsito a venda aos mercados da regio, as uvas so colhidas e

colocadas em caixas plsticas retornveis, devidamente identificadas e pesadas. Nas vendas

realizadas aos mercados, principalmente s grandes redes, o extravio da mercadoria chega a

um percentual de 30%, principalmente devido falta de cuidado com o manuseio das caixas

de uvas. Tal perda descontada do valor a receber pelo proprietrio. Na maioria das vezes

no h a devoluo da mercadoria, e quando isso ocorre no existe a possibilidade de

reutilizar o que foi retornado. Parte das uvas Nigara, uva rosa; a totalidade da produo das

uvas Bord, Isabel e Violeta, uvas tintas; e a Lorena, uva branca, aps a colheita, so lavadas,

pesadas e destinadas ao vinho ou ao suco.

4.2.1. Vinho

A propriedade rural estudada produz vinhos de mesa e vinhos finos. Atualmente, na

propriedade, so cultivadas apenas espcies Vitis Labrusca e hbridas. Para a produo de

vinhos finos, o proprietrio precisa adquirir as uvas de terceiros quando intenciona produzi-

los, o que no ocorreu no ciclo estudado. As uvas destinadas produo de vinho tinto so a

Nigara, Bord e Isabel; e, a Lorena, para o vinho branco. O processo de produo para os

tipos de vinho o mesmo. O que diferencia se eles so vinho suave ou seco a adio de

acar ao vinho para se tornar suave, o que no acontece na produo do vinho seco.

Insumos Despesa total Despesa por Kg de uva

Caixa de papelo R$ 1.600,00 R$ 0,16

TOTAL R$ 0,16

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importante salientar que todos os vinhos produzidos so secos, e que so suavizados,

adicionam acar, conforme demanda de mercado.

Conforme informaes reveladas pelo proprietrio, para produzir um litro de vinho de

qualidade necessrio em mdia 1,65 Kg de uva. No ciclo anterior foram produzidos 10.000

litros de vinho, sendo 7.000 litros de vinho tinto, e 3.000 litros de branco.

A Figura 3 apresenta as etapas para que a uva se transforme no vinho pronto para

consumo.

Figura 3: Etapas para o processo da produo de vinho.

Fonte: Dados da Pesquisa (2012).

Importante se faz o entendimento do que consiste cada etapa:

a) RECEBIMENTO E PESAGEM DA UVA: aps a colheita, as uvas so trazidas cantina

para verificar o seu estado sanitrio e para serem devidamente pesadas e encaminhadas para

dar incio ao processo produtivo do vinho.

b) DESENGAAMENTO E ESMAGAMENTO: a primeira etapa do processamento do vinho

consiste no desengaamento. As uvas so colocadas em uma mquina denominada

desengaadeira, que consiste na separao das uvas do cacho, o engao. Esse procedimento

tem o propsito de evitar que os engaos levem ao vinho um sabor amargo, indesejado para

um vinho de qualidade.

No esmagamento, processo que ocorre concomitante separao das uvas do engao,

realizada a triturao da uva para a liberao do mosto pela ruptura das pelculas para

posteriormente ser realizada a fermentao. A fermentao no ocorre quando as uvas

permanecem intactas, sem ruptura.

Aps o desengaamento e o esmagamento da uva, o mosto remetido para o

recipiente de vinificao. As pipas que so destinadas para a vinificao tm formato cnico,

e equipado com uma porta de inspeo na parte inferior, para facilitar a extrao da parte

slida da uva.

Recebimento

e pesagem da

uva

Desengaamento

e esmagamento

Fermentao

alcolica

Clarificao e

Estabilizao

Engarrafamento

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c) FERMENTAO ALCOLICA: aps o desengaamento e o esmagamento, o mosto

passa para o recipiente de vinificao para iniciar a etapa de fermentao. A fermentao

alcolica a responsvel pela transformao do acar do mosto em lcool pela ao das

leveduras. Tais processos so devidamente acompanhados e mantidos de acordo com os

padres exigidos pela Diviso de Enologia, por delegao de competncia homologada pelo

Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento (Mapa) de acordo com a Lei n

7.678/1988. Os proprietrios prezam muito pelo andamento legal de seus procedimentos. Nas

dosagens dos produtos qumicos obrigatrios que devem ser utilizados no andamento normal

da fabricao do vinho, sempre usada a menor.

Em relao adio de acar, chamada de chaptalizao, serve para correo de

acar do mosto que ser fermentado. Tal prtica para elevar o teor de lcool do vinho e

alcanar a graduao alcolica mnima estabelecida pela Lei n. 10.970 de 2004. A legislao

atual permite corrigir no mximo 3,0 % do volume do lcool.

A adio de acar depender das condies em que a uva foi colhida, da variedade,

como tambm do clima. Em climas chuvosos e frios geralmente produzido vinho magro e

pobre de corpo, aplicando acar para torn-lo mais encorpado. No ciclo estudado no foi

necessria a aplicao de acar.

Basicamente os insumos aplicados na etapa de fermentao so:

a) Levedura: uma espcie de fermento que dar um bom rendimento alcolico e contribuir

favoravelmente para o aroma do vinho. Por ciclo utilizado cerca de 20g por hectolitro. Cada

hectolitro (h/L) equivale a 100 litros. Assim, foi consumido um total de dois quilos ao valor

de R$ 100,00.

b) Enzimas: funciona como um catalisador da reao. So utilizados 3 ml por hectolitro em

cada pipa. Ento, foram aplicados 300 ml de enzimas a um valor de R$ 54,00.

c) Metabissulfito de potssio: um antioxidante usado como um aditivo alimentar para

conservao de alimentos. No ciclo usado 8g por hectolitro, sendo que durante o processo

readicionado em torno de 2 a 3 vezes, chegando a mdia de utilizao de 20g por hectolitro.

Portanto, foi consumido um total de dois quilos de metabissulfito de potssio que custou R$

30,00.

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d) Ativante de fermentao: contribui para o aumento da populao das leveduras sendo um

fator de crescimento das mesmas. Foi utilizado cerca de 20g por hectolitro e consumido um

total de dois quilos, totalizando R$ 60,00.

Aps as adies destes elementos, o mosto destinado fermentao. dado incio

com a fermentao tumultuosa, por causa da sua intensidade e que ocorre durante um perodo

de 4 a 5 dias. Esta fase atinge o pico em 24 horas desde o incio da fermentao, que alm do

lcool produz gs carbnico e libera calor.

Durante este processo tambm acontece macerao. A macerao corresponde ao

perodo em que o mosto permanece em contato com a parte slida da uva, especialmente a

pelcula e a semente da uva. nela que os compostos da pelcula passam para o mosto e

atribuem cor ao vinho.

Concluda a fermentao tumultuosa, realizada uma trasfega, como chamado o

processo de conduo do vinho para outra pipa, equipada com uma vlvula, na parte superior,

que permite a sada do dixido de carbono. A concluso do processo fermentativo quando

cessar o desprendimento do dixido de carbono e o gosto doce no mais preponderante na

degustao do vinho. A fermentao lenta dura em torno de 20 a 30 dias.

e) Clarificao e Estabilizao: a clarificao a operao que tem por fim eliminar todas as

substncias em suspenso e outras em dissoluo existentes nos vinhos a fim de torn-los

lmpidos e cristalinos. As partculas mais volumosas e com maior peso precipitam e formam

uma borra no fundo da pipa, ao passo que as mais leves demoram mais para sedimentar.

Entre as alternativas para alcanar a clarificao e a estabilidade dos vinhos esto s

trasfegas, o resfriamento e aplicao de alguns produtos especficos. A trasfega corresponde

retirada do vinho do recipiente para outro recipiente de vinificao. Quanto mais trasfegas

forem realizadas mais cristalino ser o vinho.

Nessa fase so utilizados os produtos Bentonite, cerca de 50g/hl, que uma espcie de

gel, uma cola que ajuda a precipitao das partculas, aplicado na clarificao de vinhos

brancos. O gasto total deste insumo foi de R$ 150,00. Para os vinhos tintos aplicado 20g/hl

de albumina, tambm com a funo de clarificante. O gasto total no processo com a albumina

foi de R$ 90,00.

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e) Engarrafamento: aps todos os processos de produo, o vinho encontra-se pronto para ser

engarrafado, ficando assim em condies para ser comercializado.

Atualmente a propriedade rural trabalha com trs tipos de embalagens: garrafa PET,

com capacidade de 1,48 L e duas garrafas de vidros, com capacidade de 750 ml cada, sendo

diferenciadas pelo designer da garrafa e custo.

A garrafa PET tem preo mais acessvel. Porm, sua apresentao no causa o mesmo

impacto positivo da garrafa de vidro, mesmo o contedo sendo o mesmo. O vinho

engarrafado em PET para consumo imediato. O custo por unidade, com tampa, fica em

torno de R$ 0,56. A garrafa de vidro de modelo comum adquirida a um custo de R$ 0,97 a

unidade. J a garrafa com designer mais atraente tem um custo unitrio de R$ 1,10. Alm

disso, existe um custo com a rolha de R$ 0,12 por unidade.

O vinho de mesa, tanto tinto como branco, engarrafado em garrafas de vidro de

modelo comum como tambm, na sua grande maioria em garrafa pet. No ciclo estudado

foram engarrafados 80% da produo de vinho, tanto tinto como o branco, em garrafas PET.

A garrafa de modelo mais atraente utilizada para engarrafar exclusivamente o vinho

fino. Porm, no ciclo estudado, no foram utilizadas, pois o vinho fino produzido em ciclos

anteriores est em processo de envelhecimento.

Considerou-se que foram produzidos 10.000 litros de vinho no ciclo anterior, sendo

que 7.500 litros correspondem a produo de vinho tinto e os 3.000 litros se referem vinho

branco. Todas as garrafas so rotuladas para identificao do tipo de vinho que contm. O

custo unitrio de rtulo de R$ 0,11.

Quando a venda feita em grande quantidade, as garrafas so distribudas em fardos

de seis unidades cada, sendo utilizado plstico adquirido em bobinas de 30 kg. No ltimo

ciclo foi utilizado trs bobinas a um custo total de R$ 450,00.

Tambm, utilizado neste processo de enfardamento das garrafas, gs, para gerar o

fogo que controlado atravs de um maarico a fim de moldar o plstico nas garrafas. Foram

consumidos dois botijes de gs neste processo, a um valor total de R$ 80,00, gerando um

custo total de R$ 530,00 para o enfardamento das garrafas PET.

Na Tabela 2, so apresentados os custos com aquisio das garrafas utilizadas para o

processo de engarrafamento do vinho e rotulagem.

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Tabela 2: Custos variveis etapa de engarrafamento e rotulagem Insumos Custo Total

Garrafa PET - 1,48 l + rtulo R$ 3.621,62 Garrafa Vidro - 750 ml + rolha + rtulo R$ 3.200,00

Bobinas para enfardamento + gs R$ 530,00

TOTAL (10.000 litros) R$ 7.351,62

Custo por Litro R$ 0,73

Fonte: Dados da pesquisa (2012).

Cabe destacar que foram produzidos 10.000 litros de vinho, sendo que 80% foram

engarrafados em PET de 1,48 L. Assim, foi necessrio um total de 5.405 garrafas deste

modelo, a um custo unitrio com rtulo incluso de R$ 0,67, que totalizou um montante de R$

3.621,62. J 20% da produo de vinho, foram engarrafados em garrafas de vidro, de modelo

comum, com capacidade de 750 ml. Foram necessrios, neste caso, 2.666 garrafas de vidro a

um custo unitrio com rtulo e rolha inclusos no valor de R$ 1,20.

Para a realizao do processo de vinificao necessrio o consumo de energia

eltrica. Nos meses de janeiro a junho devido ao processo de vinificao, ocorre uma maior

demanda de energia na propriedade, que apresenta apenas um medidor de consumo. Foi

necessrio identificar a mdia de consumo dos demais meses para valorar este consumo extra

deste perodo. Assim, chegou-se ao valor de energia eltrica atrelada a produo de vinho de

R$ 675,00.

Assim, concluda a descrio de todas as etapas relativas ao processo de fabricao do

vinho, na Tabela 3 esto apresentados os custos totais variveis para a produo de vinho.

Durante todo este processo no ocorreu demanda externa de mo-de-obra, pois necessrio

conhecimento tcnico, que apenas o proprietrio possui, para o desenvolvimento da atividade.

Para a fabricao do vinho, foi destinado um total de 16.500 kg de uvas, dos quais foram

produzidos 10.000 litros.

Tabela 3: Custos variveis totais para a produo de vinho Etapas de produo Total

Recebimento de uva R$ 6.435,00

Fermentao Alcolica R$ 244,00

Clarificao e Estabilizao R$ 240,00

Engarrafamento R$ 7.351,62

Energia Eltrica R$ 675,00

TOTAL (10.000 litros) R$14.945,62

Custo Total por litro R$ 1,49

Fonte: Dados da pesquisa (2012).

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Vale frisar que para fabricar 10.000 litros de vinho foram necessrios 16.500 kg de

uva colhidos do parreiral da propriedade a um custo de R$ 0,39 o quilo.

4.2.2. Suco de uva

A fim de atender s necessidades do mercado de um produto de qualidade e que faz

bem sade, a propriedade rural em estudo tambm vende o suco de uva. A propriedade por

no possuir uma estrutura apropriada com equipamentos que possibilitem as condies de

fabricar o suco de uva in loco, aluga os equipamentos de uma empresa produtora de suco da

cidade de Silveira Martins/RS. O valor cobrado pelo uso dos equipamentos de R$ 0,50 por

litro produzido. No perodo foi fabricado um montante de 6.500 litros de suco de uva. Em

momentos passados, segundo o proprietrio, foi realizado por algum tempo a preparao

caseira do suco, porm, pelo consumo de gs e trabalho ficou invivel a continuao do

processo internamente.

As uvas destinadas produo de suco de uva so colhidas, pesadas e colocadas em

caixas para serem destinadas a fabricao do suco. A produo bem simples e rpida, sem

grandes complexidades para sua fabricao. Primeiramente, as uvas passam pelo desengace e

logo depois so transferidas para uma pipa para dar incio enzimagem. Neste momento foi

adicionada uma enzima que valorou em toda a produo um custo de R$ 130,00. feito o

aquecimento do suco durante duas horas a uma temperatura de 55C. Aps, realizada a

pasteurizao que leva trs horas. Todas as garrafas so higienizadas gua quente e o suco

engarrafado ainda quente e tampado.

O suco de uva de fabricao muito rpida, leva em torno de 24 horas para ficar

pronto. Porm, devido a capacidade produtiva do equipamento utilizado e da quantidade de

uvas destinadas para fabricao do suco, foram necessrios sete dias para sua produo.

Durante este perodo contratado um funcionrio temporrio para ajudar, a um valor de R$

40,00 a diria, envolvido no perodo de sete dias de produo do suco, totalizando um gasto

de R$ 280,00. Houve gastos com alimentao deste funcionrio temporrio, do proprietrio e

seu filho, sendo estimado um valor de R$ 400,00. Tambm considerado o gasto com

combustvel da caminhonete da propriedade utilizada para o transporte das uvas e sucos j

fabricados de R$ 290,00.

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O suco de uva engarrafado em recipientes com capacidade de 1,48L, sendo que cada

garrafa de vidro com a tampa custa empresa em torno de R$ 2,36. O rtulo por garrafa de

suco tem um custo mdio de R$ 0,11. Foram destinados de 8.500 Kg de uvas, para o suco, a

um custo unitrio de R$ 0,39, para produo de 6.500 litros de suco de uva.

Na Tabela 4, so apresentados todos os custos identificados com a fabricao do suco

de uva.

Tabela 4: Custo para fabricao do suco de uva Insumos Custo Total

Uva R$ 3.315,00

Aluguel R$ 3.250,00

Enzima Pectina R$ 130,00

Combustvel R$ 290,00

Mo-de-Obra R$ 280,00

Alimentao R$ 400,00

Engarrafamento R$10.845,77

TOTAL (6.500 litros) R$ 18.510,77

Custo por Litro R$ 2,85

Fonte: Dados da Pesquisa (2012).

Cabe destacar que para a produo de 6.500 litros de suco, foram necessrios 8.500 kg

de uva, do parreiral, a um custo para a propriedade de R$ 0,39 o quilo. Vale lembrar ainda

que a propriedade por no possuir estrutura adequada para a produo do suco de uva aluga

equipamentos de uma empresa a um custo de R$ 0,50 o litro produzido. Relativo ao

engarrafamento foram necessrias 4.391 garrafas a um custo unitrio total, com rtulo

incluso, no valor de R$ 2,47.

O suco de uva comercializado pela propriedade ainda no tem registro no rgo

competente. Cabe Diviso de Enologia por delegao de competncia homologada pelo

Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento (Mapa), registrar e solicitar aprovao

do rtulo. Esses servios devem ser solicitados diretamente ao Mapa, ou a Superintendncia

Federal da Agricultura no Estado do Rio Grande do Sul (SFA), ou ao Servio de Inspeo de

Produtos Agropecurios (SIPAG) do estado do Rio Grande do Sul (RS).

Os proprietrios tm fortes pretenses de investir na produo e comrcio do suco da

uva por diversos fatores: o consumo do vinho est relacionado s baixas temperaturas;

nessas pocas que mais se consome este produto. J o suco, consumido em qualquer poca

do ano, sem nenhuma adio de acar; atinge qualquer faixa etria que aprecie este produto

de grandes benefcios sade.

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Pensando nos consumidores e na rotao do estoque, se intenciona aumentar a

produo de suco de uva. O comrcio a escolas e creches um grande foco, pois a publicao

da Lei Federal n. 11.947 de 2009 sancionou que pelo menos 30% dos produtos adquiridos

para alimentar os estudantes deve vir da agricultura familiar. Segundo esta lei, a compra fica

dispensada de licitao, desde que os preos estejam compatveis com os do mercado local e o

produto atenda s normas de qualidade exigidas.

Outra medida implantada com intuito de aumentar a lucratividade e conquistar mais

clientes a ideia da garrafa retornvel. Ao cliente que compra o suco de uva na loja da

propriedade recomendada a devoluo da garrafa em troca de um desconto na compra da

prxima garrafa de suco. Esta medida faz com que o cliente volte ao estabelecimento podendo

consumir mais e o retorno da garrafa contribui para a diminuio da aquisio de novas, pois

ser reutilizada, minimizando assim os custos.

A inteno dos proprietrios adquirir uma usina para dar condies de produzir seu

suco, mantendo o grau de qualidade. O investimento consideravelmente alto, em torno de

R$ 200.000,00, mas ainda est sendo estudado pelos proprietrios.

4.3. Custos Fixos

Os custos fixos so gastos relacionados com as atividades, mas que independem do

volume de produo, eles permanecem fixos, considerando a capacidade produtiva instalada.

Todos estes gastos foram apurados em decorrncia do ciclo anual de produo, considerando

assim o perodo de um ano.

Entre os custos fixos identificados na propriedade, esto os gastos com o sustento

familiar, energia eltrica da propriedade, desconsiderando a utilizada diretamente na

vinificao, internet, Imposto Territorial Rural (ITR), material de limpeza e materiais de

expediente utilizados na propriedade independente da produo.

Tambm h custos com o escritrio de contabilidade, que pago para a realizao dos

clculos da folha de salrios dos funcionrios.

A propriedade tambm tem posse de um veculo, uma caminhonete, utilizada para

transporte das produes quando so vendidas para os mercados. Os custos mensurados com

este veculo so basicamente gasolina e manuteno em geral. Como este veculo tem mais

de 20 anos de uso, j est isento de IPVA.

Um dos custos fixos notveis na propriedade a mo-de-obra. Tal custo referente a

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dois funcionrios, registrados e com suas situaes regulares diante das leis trabalhistas. Um

dos colaboradores desenvolve diversos servios em toda a propriedade, independente da

produo ou de cultura praticada, e o outro trabalha na loja da propriedade, auxiliando no

comrcio dos produtos produzidos na propriedade. Os gastos com estes funcionrios se

limitam ao salrio, frias, 13a salrio e encargos trabalhistas, encontrados atravs da mdia

feita durante o ciclo produtivo. No h pagamentos relativos a transporte, alimentao e

gratificaes.

Tambm h a necessidade do reconhecimento da depreciao dos equipamentos

utilizados no processo de vinificao. O valor desta depreciao foi utilizado em

contrapartida diretamente atividade da produo de vinho.

Para o clculo da depreciao destes bens, foi dividido o valor de aquisio, obtido

por meio das notas fiscais, pela quantidade de anos de vida til estimada. Chegou-se a um

valor de R$ 2.428,71 no ciclo produtivo de um ano, compreendido no estudo o perodo de

maro/2011 a fevereiro/2012.

Na Tabela 5, so apresentados os valores dos custos fixos da estrutura, identificados

na propriedade rural no perodo de um ano. importante frisar que o valor da remunerao

dos funcionrios fixos, da produo e comrcio, referente ao valor de salrios, frias, 13

salrios e encargos trabalhistas.

Tabela 5: Custos fixos da estrutura da propriedade rural

Fonte: Dados da Pesquisa (2012).

Cabe salientar, referente Tabela 5, o valor para sustento familiar de R$ 56.776,00 foi

Custos Total

Gastos familiares R$ 56.776,00

Remunerao - funcionrio fixo (produo) R$ 9.952,96

Remunerao - funcionrio fixo (comrcio) R$ 7.741,61

Contador R$ 4.200,00

Energia eltrica R$ 2.300,00

Telefone R$ 2.160,00

Internet R$ 1.080,00

Combustvel Camionete R$ 5.575,32

Material de expediente R$ 250,00

Material de limpeza R$ 500,00

Manuteno Camionete R$ 400,00

Pneu Camionete R$ 1.250,00

ITR R$ 190,00

TOTAL R$ 92.375,89

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obtido atravs do desconto das receitas da famlia todos os gastos incorridos no perodo

estudado.

4.4. Apurao dos resultados da propriedade rural

Para o comrcio de vinhos, foi estimada a venda de 2.666 garrafas de vidro de 750 ml

e de 5.405 garrafas em PET de 1,48 litros, ambas a um preo de venda de R$ 8,00. Assim,

apresenta-se um faturamento de R$ 64.568,00.

Na venda do suco da uva, estimou-se o comrcio de 4.391 garrafas tanto na loja da

propriedade, como nos mercados e feiras a um valor unitrio de R$ 12,00 que gerou um

faturamento de R$ 52.692,00.

Na Tabela 6, esto apresentados os valores de faturamento de cada atividade,

deduzindo-os dos valores de custos marginais, chegando assim Margem de Contribuio

(MC) individual, sendo esta a responsvel pela absoro dos custos e despesas fixas apurados

da propriedade.

Tabela 6: Margem de Contribuio Total das atividades Vinho % Suco de uva % Total

Faturam. 64.568,00 22,15 52.692,00 18,08 117.260,00

(-) CM (17.374,33) 14,17 (18.510,77) 15,10 (35.885,10)

(=) MC 47.193,67 27,95 34.181,23 20,24 81.374,90

Fonte: Dados da pesquisa (2012).

No custo marginal da produo de vinho, est somado ao valor de R$ 14.945,62

referente ao custo de produo mais o valor de R$ 2.428,71 relativo ao reconhecimento da

depreciao dos equipamentos da atividade.

Na Tabela 7 so apresentadas as Margens de Contribuio Unitria (MCU) de cada

produto vendido para absoro dos custos fixos da propriedade.

Tabela 7: Margem de Contribuio Unitria das atividades Vinho Suco de Uva

Preo de Venda Unitrio 5,41 8,11

(-) Custos Marginais Unitrios 1,49 2,85

(=) MCU 3,92 5,26

Fonte: Dados da pesquisa (2012).

Dentro das possibilidades do sistema de custeio varivel, que fornece informaes de

carter gerencial, foram feitas as anlises de Margem de contribuio total e unitria,

conforme Tabelas 6 e 7, a fim de conceber informaes necessrias para o correto

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gerenciamento da propriedade rural.

A produo de vinhos e suco de uva possuem grande relevncia econmico-financeira

no negcio, pois representam 40,23% do faturamento global das atividades da propriedade,

contribuindo para a absoro dos custos fixos em 48,20%.

O produto vinho foi responsvel por gerar uma MCT de R$ 47.193,67 com a venda de

10.000 litros, que representou 27,95% na MCT gerada na propriedade. importante apontar

que o preo de venda do vinho, tanto em garrafa PET de 1.480 ml como em garrafa de vidro

de 750 ml, de R$ 8,00. A comercializao do vinho em garrafas PET tem uma

representatividade de 80% das vendas e, portanto foi utilizada esta como parmetro para

determinao da MC unitria do produto. O preo de venda do vinho vendido em garrafa

PET equivalente a um litro de R$ 5,41. Assim, para cada litro de vinho vendido produz uma

MCU de R$ 3,92.

A produo e comercializao de 6.500 litros do suco de uva proporcionaram uma

MCT de R$ 34.181,23, que gerou uma representao de 20,24% para a absoro dos custos

fixos da propriedade. A sua MCU de R$ 5,26 ao litro.

Vale apontar que na atividade agroindustrial a produo de suco de uva capaz de

gerar o maior resultado econmico para a propriedade, pois gerou no ciclo estudado a maior

MCU. Porm, neste segmento o comrcio de vinho foi quem gerou realmente o maior

resultado econmico para o negcio, pois seu lucro marginal estimado foi superior.

5. Consideraes Finais

O uso de ferramentas que auxiliam no gerenciamento dos empreendimentos, como a

contabilidade e a utilizao de mtodos de custeios, so importantes aliados na construo de

uma estrutura slida para um negcio que visa prosperidade e o crescimento. Os

empreendimentos rurais so em sua maioria carentes de tais informaes, desconhecendo

seus gastos e seus faturamentos, o que compromete a continuidade de suas atividades.

A necessidade da estruturao de uma sistemtica de custeio capaz de esclarecer os

gastos para se produzir e vender os produtos de uma propriedade rural localizada em

Dilermando de Aguiar/RS constituiu-se na problemtica do presente trabalho. Devido s

diversas atividades desenvolvidas nesta propriedade, aliado a total falta de organizao e

controle de seus gastos, vital para sua sade financeira ter a noo de quanto se gasta para

produzir e ter condies de colocar venda seus produtos, sem obter prejuzos.

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O estudo teve por foco a valorao dos produtos agroindustriais da propriedade

atravs da elaborao de uma sistemtica de custeio, sendo utilizado o mtodo de custeio

varivel, que trouxe os resultados de cada atividade.

A comercializao de vinho devido a sua maior receita gerou uma MCT no valor de

R$ 47.193,67 apesar de sua MCU de R$ 3,92 ser inferior comparada ao do suco de uva que

de R$ 5,26. Com isso, observa-se que vantajoso investir na produo e venda do suco da

uva, por este trazer um retorno econmico em maiores propores, apesar de o comrcio do

vinho ter proporcionado melhores resultados. Maximizando as vendas de suco de uva, ir

aumentar consequentemente sua contribuio para absoro dos custos fixos da propriedade.

Como sugesto para prximos estudos, prope-se uma anlise de viabilidade

econmica para a instalao de uma indstria para a fabricao do suco de uva in loco, uma

vez que os resultados deste estudo evidenciaram que o suco de uva capaz de gerar uma

Margem de Contribuio Unitria de R$ 5,26.

6. Referncias

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