aprender a “ver”: desaprender, rever, reaprender

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  • 1. GOVERNO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO SECRETARIA DE ESTADO DE CINCIA E TECNOLOGIA FUNDAO DE APOIO ESCOLA TCNICA INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAO DO RIO DE JANEIROAprender a ver: desaprender, rever, reaprender Carlos Antonio Coutinho Nogueira1Vera Lucia Martins Sarubbi2Resumo Cada vez com mais velocidade novas tecnologias so incorporadas s vidas de todos. Ao mesmo tempo equipamentos, procedimentos e profisses tornam-se obsoletos na mesma velocidade. Neste contexto de um mundo em constante metamorfose, as habilidades cognitivas das novas geraes tambm mudam. Este trabalho procura discutir, como as novas geraes lidam com as imagens e como podemos aproveit-las com ferramentas educacionais. Palavras chave: Educao visual. Ferramentas educacionais. Fixao do conhecimento. Abstract Faster and faster, the new technologies are incorporated to our lives. At the same time, equipments, processes and professions become outdated equally fast. In this context of a world in constant metamorphosis, the new generationscognitive skills also change. This work, aims to discuss how these new generations deal with the images and how can we use them as educational tools. Key Words: Visual education. Educational tools. Knowledge fixation.1Especialista em Gesto de Educao Profissional (SENAC Departamento Nacional, 1999), graduado em Comunicao Social Publicidade e Propaganda (FACHA,1979), Fotgrafo (SENACRJ,1976), e Desenhista de Artes Grficas (SENAI-RJ,1983), Diretor Tcnico do CECAP Escola de Artes e Coordenador do Centro de Educao Tecnolgica e Profissionalizante - Vaz Lobo da FAETEC. Pgina na rede / www.carlosacnogueira.com E-mail: carlos@carlosacnogueira.com. Formao Pedaggica ISERJ/FAETEC. 2 Prof Dr Letras/UFF. Professora orientadora. Curso de Formao Pedaggica/ISERJ-FAETEC.

2. 1. Introduo Este artigo prope uma investigao terico/prtica sobre a influncia das imagens no cotidiano contemporneo e sobre o seu aproveitamento na sala de aula. Baseiase em artigos cientficos sobre o assunto, reportagens de jornal e televisivas, programas educativos, observaes comportamentais de crianas e adolescentes e na prtica educacional de mais de trinta anos, no SESC-Rio, SENAC-Rio e em escola de artes. Focados na formao pedaggica para docncia de cursos tcnicos na rea de comunicao, propomos uma discusso sobre os benefcios da utilizao da imagem no contexto escolar, tendo como ponto central o uso da imagem fotogrfica, mas no esquecendo de abordar outros segmentos de igual importncia, como ashistrias em quadrinhos, o cinema, a vdeo instalao e as imagenstelevisivas. Est dividido da seguinte forma: a seo 2 procura mostrar as mudanas no comportamento das novas geraes e do mercado de trabalho neste incio de milnio. A seo 3 aborda o interesse crescente pelos quadrinhos em vrios segmentos sociais e prope o seu uso como ferramenta de percepo e desenvolvimento de uma viso crtica. A seo 4 tem como tema a insero dos programas de TV e das vdeos instalaes no ambiente escolar. A seo 5 discute o uso da linguagem fotogrfica na transmisso de mensagens e sua fora na preservao dos temas ligados a elas na memria. A seo 6 sugere formas de utilizao do cinema para abrir debates e abordar temas de complicada compreenso. A seo 7 apresenta as ltimas consideraes e novas possibilidades de estudo sobre imagens em movimento como ferramentas de trabalho do professor. 2. Uso de imagens e cones na comunicaoSurpreender o homem no ato de viver, uma coisa das mais fantsticas rico Verssimo. 3. Figura 1Foto: Aprendendo a VER - Luanna Dutra (Aluna de fotografia do CECAP- Escola de Artes).Larah Magnago Fiore 2 anos e 4 meses como toda criana da sua idade, ainda se expressa de forma rudimentar atravs da lngua falada, mas domina, e bem, a linguagem em forma de cones dos Smartphones. Por eles, opera a cmera fotogrfica do aparelho, abre a pasta de fotos e escolhe as que quer ver e ainda brinca nos joguinhos infantis. No s conhece a necessidade de esperar o carregamento dos jogos e outros aplicativos antes de utilizados, como ensina, impaciente, as pessoas que a observam, que se deve esperar o tempo certo para comear a brincadeira. Bernardo Paredes - 2 anos e sete meses - Surpreende cada dia mais, a sua famlia, quando o veem mexendo no Smartphone da sua me - entra e sai de todos os aplicativos do aparelho, no da Galina pintadinha, coloca o vdeo que ele mais gosta de ver, sempre interagindo com sua irm, Luiza, por quem morre de paixo. lulu pra c lulu pra l, ti namo (te amo) o tempo todo. Fora isso, sabendo utilizar os cones, joga, tira fotos (dele mesmo e da sua irm), s no sabe, ainda, colocar a senha em forma de imagem desenhada na tela de formato touchscreen do celular, porque para evitar um desastre financeiro, sua me, quando realiza o procedimento, no permite que veja de jeito nenhum. No programa Ao Extremo: a estrada mais fria (Driven To Extremes - Coldest Road), exibido no domingo, dia 29 pelo Canal +Globosat, Uma celebridade de Hollywood Tom Hardy (Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge, A Origem), aceita o desafio proposto pelo ex-piloto de Frmula 1 Mika Salo de enfrentarem uma das estradas 4. mais extremas do mundo, a Estrada dos Ossos, na Rssia. Em uma cena, os aventureiros esto a 60o graus negativos, em um pequeno lugarejo - dos mais inspitos da Sibria - com pouqussimas habitaes, quando so abordados por um grupo de pr-adolescentes e adolescentes a caminho da escola, que solicitam tirar fotos com os famosos com os seus Smartphone. Todos carregavam um aparelho. Neste momento da evoluo da humanidade, podemos dizer que vivemos a era da imagem, somos bombardeados diariamente por milhares delas. Como na era prcivilizao, a comunicao visual precede escrita. No por acaso que o sistema operacional mais conhecido e utilizado em todo o mundo trocou, a partir de sua verso 8, o tradicional menu iniciar por uma cartela de cones.Figura 2Pintura Rupestres de Villar del Humo, Provncia de Cuenca, Espanha - Imagem da WEBNeste contexto, o comportamento das crianas e adolescentes, das descries acima, esto bem encaixados e vm se tornando cada vez mais um fato comum. As novssimas geraes decodificam imagens, antes mesmo de articular as primeiras palavras. Mudana, esta a palavra chave deste incio de milnio. A comear pelo Novo Paradigma, a conscincia de que todo e todos esto interligados. A nossa civilizao est no limiar de uma nova ordem, provocada, no pela conscientizao da humanidade, mas sim por uma necessidade de UTI. O planeta se encontra como um cidado que vai ao mdico para um exame de sade de rotina e descobre 5. que est com as taxas de colesterol, glicose, cido rico etc., Em nveis desesperadores. Ou muda hbitos ou... Em contraste com a concepo mecanicista cartesiana, a viso de mundo que est surgindo a partir da fsica moderna pode caracterizar-se por palavras como orgnica, holstica e ecolgica. Pode ser tambm denominada viso sistemtica, no sentido da teoria geral dos sistemas. O universo deixa de ser visto como uma mquina, composta de uma infinidade de objetos, para ser descrito como um todo dinmico, indivisvel, cujas partes esto essencialmente inter-relacionadas e s podem ser entendidas como modelos de um processo csmico. (CAPRA, 1982, p.61)Depois temos a evoluo tecnolgica que chega numa velocidade avassaladora, tornando profisses e tecnologias obsoletas em um piscar de olhos. O Jornal o Globo, em comemorao aos 20 anos do caderno Boa chance - que trata do mercado de trabalho - lanou duas edies especiais Nos dias 08 e 15 de setembro de 2013 Nelas discute e aponta as tendncias para as prximas dcadas no mundo do trabalho. No futuro, o trabalho avanar sobre o emprego. E teremos mais cocriao, multidisciplinaridade; menos hierarquia e rigidez. Tudo entrelaado pelas redes sociais e novas tecnologias (AMORIM, 08 Set. 2013). Ao longo destas edies, o Jornal procura mostrar que as mudanas viro de tal forma, que um profissional que no se mantenha em constante processo de aprendizagem, ter uma vida til no mercado de apenas meia dcada. Alguns trechos destas matrias so importantes para o tema aqui discutido. Vejamos: Estamos entrando na era da programabilidade, ao mesmo tempo em que vivemos a quinta onda de inovao que move o mercado de trabalho [...] o profissional precisar aprender sempre, e cada vez mais, para manter o seu lugar [...] Foram inovaes em mercados que geraram o trabalho que a gente tem hoje [...] No sculo 18 a onda de inovao foi a mecanizao e o comrcio [...] A segunda onda a da Revoluo Industrial, com a energia e as ferrovias [...] a terceira onda traz a eletricidade e o motor, duas coisas que nos acompanham at hoje, 120 anos depois. Aps a Segunda Guerra Mundial, a onda de eletrnica e aviao. E, ao conseguirmos manipular informao em velocidade nunca vista, chegamos a uma onda de inovao de softwares e redes [...] e se transforma em motor da economia com a internet, a partir de 1995. a onda que estamos vivendo, e por causa dela, provocando uma onda de sistemas em rede, sustentabilidade e sistemas holsticos [...] (AMORIM, 2013, p.1). Qual a estratgia para continuar no mercado de trabalho? Saber o que vamos fazer no futuro pode no ter nada a ver com o que a gente sabe. O futuro no ser igual ao presente [...] mudar sim, muito mais e muito 6. rapidamente. Neste cenrio, preciso que o profissional saiba fazer trs coisas: aprender, desaprender e reaprender. Desaprender d at mais trabalho do que aprender. E sempre tivemos que aprender rpido [...] seja qual for o mercado est em constante transformao. E essas transformaes criaro novos nveis de exigncias para todos ns (AMORIM, 2013, p.1). Se 20 anos atrs o engajamento usual de um funcionrio de escritrio era de uma jornada presencial de trabalho, hoje cada vez mais se fala em home Office [...] aproveitando-se de regimes flexveis de horrio [...] a adoo mais frequente das videoconferncias... Com a evoluo tecnolgica, a prpria apresentao de dados passou a ser mais visual e menos escrita. Estudos apontam que o crebro gasta 20% men