aprendendo nadar (adultos e crianças)

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  • O Aprendizado no Meio Lquido

    CAPTULO 3

    O presente captulo objetiva abordar a natao em seus

    aspectos pedaggicos e metodolgicos, nos nveis de apren-

    dizagem contemplados pelo Projeto Aprender a Nadar, nas

    diferentes faixas etrias (adultos e crianas). Prope-se, ain-

    da, ao delinear a identidade dessa modalidade, descrever

    seus estilos: crawl, costas, peito e borboleta; tanto numa

    viso global quanto numa especificada. Devido a sua fun-

    damental relevncia, a fase de adaptao gua explora-

    da em todas as suas etapas constituintes.

  • 90APRENDER A NADAR COM A EXTENSO UNIVERSITRIA

    3.1 Origens e atualidade

    No podemos especificar ao certo a data em que o ho-

    mem comeou a dedicar-se natao. Registros mostram

    sua prtica desde a Antiguidade. Catteau &Garoff (1990) afirmam que a origem se con-

    funde com a da prpria humanidade, referin-

    do-se necessidade de sua prtica para

    subsistncia e sobrevivncia.

    Com o tempo, a natao atingiu outros

    objetivos, como o de formao do cidado,

    entre os romanos, que tratavam de forma

    desprezvel os que no sabiam nadar (Lotufo,

    s.d.). Mais tarde, os militares incluram-na en-

    tre seus exerccios fsicos. Catteau & Garoff (1990) acres-

    centam que o ensino da natao para os militares foi o que

    inicialmente orientou uma pedagogia da natao.

    Atualmente a natao executada segundo objetivos di-

    versos, como o prazer e os seus benefciosT. Muitas pessoas

    buscam-na como ocupao do tempo livre, por ser atividade

    que proporciona bom desenvolvimento das capacidades f-

    sicas e atenuao do estresse, enquanto outros almejam a

    competio e alto rendimento, sobretudo as crianas que,

    muitas vezes, so incentivadas por seus dolos, sonhando

    um dia ser campees (Faustino, 1999).

    3.2 Bases pedaggicas e metodolgicas da natao

    O ensino da natao, de modo geral, at os ltimos tem-

    pos sofreu influncia de numerosas correntes a ele relacio-

    T Tema tratado no Captulo 2

    Devido necessidadeda prtica da nataopara a subsistncia

    e sobrevivnciada humanidade

    desde os tempos maisremotos, suas origens

    se confundem.

  • O APRENDIZADO NO MEIO LQUIDO91

    nadas. Hoje, aperfeioado, apresenta maior estabilidade e

    abrangncia, para satisfazer as carncias daqueles que a ele

    se submetem (Machado, 1987).

    Ao tratar da pedagogia da natao, trs correntes me-

    todolgicas sustentam sua aplicao: a concepo global, a

    analtica e a sinttica. A Global no tem por objetivo a abor-

    dagem metodolgica ou organizacional. Seus defensores

    garantem que aprender a nadar se resumia em resolver

    uma sucesso de problemas ligados ao prprio instinto de

    sobrevivncia e necessidade de experincia

    (Camargo, 1978); por isso, os estudiosos apon-

    tam as predisposies e o instinto como sua

    base, e os mtodos como menor nfase. J a

    Concepo Analtica estuda os movimentos,

    procurando analis-los por partes para ento

    explicar o seu entendimento total, seguido da

    execuo lgica. Nesse panorama, nadar re-

    presentado pela execuo de movimentos que levam pro-

    gresso em meio lquido, assim estes movimentos se

    configuram como objeto de estudo. Finalmente, a Concep-

    o Sinttica, que rene atualmente o maior nmero de

    adeptos; centra-se numa corrente psicolgica que aponta,

    como forma de transmisso de ensinamentos mais eficien-

    te, a estruturao do todo para as partes. Trata, portanto, as

    seqncias pedaggicas mais propcias iniciao dos alu-

    nos na natao: adaptao ao meio lquido, flutuao, res-

    pirao, propulso e mergulho elementar.

    Diante disso o Projeto Aprender a Nadar adota a con-

    cepo sinttica, que parte do todo adaptao que se carac-

    teriza pela liberdade de movimentos, para as partes os estilos,

    e trazendo como contedos da sua prtica: adaptao ao meio

    Para a ConcepoSinttica, a

    apresentaodo conhecimento

    deve seguir do todopara as partes.

  • 92APRENDER A NADAR COM A EXTENSO UNIVERSITRIA

    lquido, flutuao, respirao, propulso e mergulho elemen-

    tar; unidades que, bem desenvolvidas, cumprem os objeti-

    vos prprios a essa modalidade (Machado, 1978).

    Adaptao ao meio lquido: fase preparatria para a

    aprendizagem seguinte, deve propiciar relao de proximi-

    dade entre a gua e o futuro nadador, fazendo este desej-

    la, v-la e senti-la. O primeiro objetivo a ser atingido a

    eliminao da rigidez muscular produzida muitas vezes pelo

    sentimento de medo da gua (Rohlfs, 1999).

    Exemplo de atividades: deslocar-se de diferentes formas

    (segurando na borda, em duplas, correndo); jogos; submer-

    gir mantendo bloqueada a respirao; pedalar com auxlio

    do aquatubo, entre outros.

    Flutuao: capacidade de manter o corpo, parcialmente,

    na superfcie da gua. Est intimamente ligada ao relaxa-

    Foto 1 Exerccios de adaptao ao meio lquido.

  • O APRENDIZADO NO MEIO LQUIDO93

    mento muscular que, por sua vez, associado ao bom estado

    mental, ausente, portanto, em situaes de medo e ansieda-

    de (Bonachela,1992). Outros fatores tambm respondem por

    essa propriedadeT.

    Exemplo de atividades: em duplas, um auxilia o outro na

    sustentao do corpo em decbito dorsal; repetir a atividade

    com o uso de flutuadores, explorando as outras posies

    (decbito ventral e lateral).

    Respirao: contedo essencial para o conforto no

    meio lquido, depende de uma adaptao, j que ocorre

    de modo diferente do habitual. Tanto a boca quanto o na-

    riz encontram o meio aqutico como obstculo. A inspira-

    o feita pela boca para otimizar a quantidade de ar

    captada e evitar irritao da mucosa nasal por partculas

    Foto 2 Exerccios de flutuao.

    T Tema tratado no Captulo 2.

  • 94APRENDER A NADAR COM A EXTENSO UNIVERSITRIA

    de gua inspiradas com o ar. J a expirao,

    mais prolongada, pode ser feita pela boca e

    nariz, que tero que vencer a resistncia da

    gua. Lotufo, defende expirar pelo nariz,

    apontando argumentos como: preveno de

    perturbaes nos seios nasais e nas mucosas

    nasais, pois impede-se a passagem de gua

    pelas vias respiratrias, as quais so facilmen-

    te irritveis. Conclui-se que esta a unidade

    considerada a alma do aprendizado dessa

    modalidade; quando sob domnio do aprendiz, garante a

    concretizao da iniciao ao nado. A prtica de exerccios

    especficos deve tornar a respirao regular, portanto, de

    fcil execuo, sendo a automatizao atingida num est-

    gio mais avanado.

    Foto 3 Exerccios de respirao na borda da piscina.

    A respirao considerada a almado aprendizado da

    natao, pois, quando oaprendiz consegue

    domin-la, ele se tornacapaz de concretizar aetapa de iniciao dosestilos e da evolui noaprendizado destes.

  • O APRENDIZADO NO MEIO LQUIDO95

    Exemplo de atividades: soprar uma bola de pingue-pongue;

    encher bexigas; expirar o ar dentro da gua, com as mos

    na borda da piscina.

    Propulso: capacidade de locomoo do corpo no meio

    aqutico pela explorao de recursos prprios, e pela ao

    conjunta de membros superiores e inferiores (Rohlfs, 1999),

    sendo essencial para a execuo dos nados. A essa unidade

    so aplicadas as seguintes fases de aprendizagem:

    noo de propulso: exploradas atividades que lidem

    com noes de impulso e progresso isoladas ou com-

    plementares;

    propulso dos membros inferiores: nesse estgio so

    abordados exerccios visando ao deslocamento cen-

    trado na movimentao;

    Foto 4 Exerccios de propulso.

  • 96APRENDER A NADAR COM A EXTENSO UNIVERSITRIA

    propulso dos membros superiores: na qual estes lide-

    ram o deslocamento almejado nas diferentes atividades.

    Exemplo de atividades: com a prancha, deslizar entre uma

    borda e outra da piscina; passar por baixo das pernas dos

    colegas que estaro em fila; batimento de pernas.

    Mergulho Elementar: compreende diversas formas de

    entrada na gua.

    Exemplo de atividades: mergulho de cabea partindo da

    posio sentada; mergulho partindo da posio ajoelhada;

    mergulho partindo da posio dos joelhos semi-flexionados;

    mergulho com a utilizao de arcos como alvo.

    As formas de intervenes pedaggicas utilizadas para

    o desenvolvimento desses contedos sero detalhadas nos

    diferentes nveis, a serem abordados neste captulo, por pos-

    surem caractersticas particulares.

    Foto 5 Seqncia pedaggica do mergulho.

  • O APRENDIZADO NO MEIO LQUIDO97

    Foto 5 Seqncia pedaggica do mergulho (cont.).

  • 98APRENDER A NADAR COM A EXTENSO UNIVERSITRIA

    3.3 A identidade da natao: os quatro estilos

    A natao est estruturada, basicamente, por quatro es-

    tilos fundamentais: crawl, costas, peito e borboleta.

    Este segmento traz descries simples das

    caractersticas tcnicas de cada um deles, abor-

    dando tpicos como a posio do corpo na

    gua, movimentao dos membros superiores

    e inferiores, respirao e coordenao/sincro-

    nizao geral destes. Porm, como Catteau &Garroff (1990) observam, a melhor descrio

    apenas nos fornecer um modelo incompleto e

    imperfeito e nunca permitir que a realidade seja retratada.

    ESTILO CRAWL

    Neste estilo, o nadador em decbito ventral assume

    postura plana e horizontal na superfcie da gua, com o corpo

    A melhor descriodos nados apenas nosfornecer um modelo

    incompleto e imperfeitoe nunca permitir que arealidade seja retratada.

    Foto 5 Seqncia pedaggica do mergulho (cont.).