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  • APRESENTAO DO MDULO

    A importncia do estudo do direito tributrio est relacionada com o prprio

    tamanho do Estado Social inaugurado com a promulgao da Constituio Federal de 1.988, o

    novel Estado idealizado pelo legislador constituinte originrio necessita do ingresso de um

    volume considervel de receitas pblicas para manuteno e expanso da prestao dos

    servios de natureza pblica.

    O tributo a principal fonte de receitas pblicas das quais o Estado utiliza-se para

    o pagamento das despesas pblicas, fonte derivada, que necessita de um sistema jurdico

    tributrio, regulamentador da atividade tributria, de forma a legitim-la atravs da

    preservao dos princpios, que tem por finalidade a proteo do contribuinte, de forma a

    alcanar as ideias de justia fiscal.

    A Constituio Federal ao tratar das normas de estrutura do Estado prev ttulo

    prprio para tratar do sistema tributrio nacional, prevendo normas relativas: a) competncia

    tributria dos entes polticos, assegurando um conjunto de receitas prprias aos entes

    polticos, de forma a permitir seu autogoverno dentro do pacto federativo; b) limitaes ao

    poder de tributar; e por fim, c) previso dos princpios tributrios como alicerce de todo o

    sistema de normas que regula a relao jurdica tributria.

    Ao tratar do pacto federativo, diviso do Estado em Unio (soberania), Estados-

    Membros, Distrito Federal e Municpios, necessrio ressaltar a importncia da tributao

    para que cada um dos entes polticos possam ter receitas suficientes para assegurar o exerccio

    de suas funes administrativas, legislativas e judiciais, de modo totalmente independente,

    uma vez que entre os entes federativos inexiste qualquer resqucio de hierarquia, mas to

    somente campos especficos de atuao.

    Hoje, a proporo entre a tributao incidente sobre a atividade produtiva e o

    produto interno bruto do Pas, nos permite concluir o fato de estarmos prximos de um

    patamar mximo de carga tributria suportvel pelo setor produtivo, no negando os desafios

    decorrentes dos dficits constantes da prpria Previdncia Social, cujo financiamento est

    centrado nas contribuies especiais de natureza social, tributos estes margem do sistema de

    repartio de receitas entre unidades da Federao, onde parcela da receita dos impostos da

    competncia de um dos entes federativos deve ser dividida com os demais entes federativos, a

    exemplo da repartio do IPVA, imposto de competncia dos Estados-Membros, que dever

    ter seu produto de arrecadao dividido com os Municpios em que se dar o emplacamento

  • do veculo.

    Alm, do desafio decorrente do pagamento de uma carga tributria extremamente

    elevada, as empresas devem dispor de tempo e dinheiro para conseguir decifrar um arcabouo

    de normas e regulamentos, com efeito do preenchimento correto das obrigaes acessrias,

    tendo em vista que a maioria dos tributos esto estruturados a partir do sistema do lanamento

    por homologao, em que ao contribuinte cabe o dever de identificao do fato tributvel e

    recolhimento antecipado do valor devido a ttulo de tributo, que dever ser homologado pelo

    fisco no prazo decadencial de 5 (cinco) anos.

    Unidade I - Conceito e classificao dos tributos (impostos, taxas e

    contribuio de melhoria);

    Unidade II - Emprstimos compulsrios, contribuies especiais, impostos

    extraordinrios, residuais e competncia tributria;

    Unidade III - Limitao ao poder de tributar (imunidades);

    Unidade IV - Princpios constitucionais tributrios;

    Unidade V - Obrigao tributria, sujeito ativo e sujeito passivo;

    Unidade VI - Lanamento tributrio e responsabilidade tributria;

    Unidade VII - Inexigibilidade do crdito tributrio

    Unidade VIII Excluso e extino do crdito tributrio.

    Atravs das matrias apresentadas em cada um destes mdulos, buscaremos

    compreender a magnitude e complexidade do sistema tributrio brasileiro, introduzido em

    nosso ordenamento jurdico com o consentimento do povo e como expresso mxima do

    exerccio do poder, regulamentada pelas limitaes do seu exerccio, sob pena de exerccio

    arbitrrio pela autoridade de fiscalizao tributria.

  • UNIDADE I - CONCEITO E CLASSIFICAO DOS TRIBUTOS

    (IMPOSTOS, TAXAS E CONTRIBUIES DE MELHORIA).

    Na primeira unidade, analisaremos a conceito de tributo que tem como finalidade precpua a

    identificao das situaes jurdicas sobre as quais dever recair a aplicao do regime

    jurdico tributrio, permitindo, desta forma, a diferenciao dos tributos em gnero com

    outros encargos sociais de natureza diferida, a exemplo do FGTS, que embora possua algumas

    semelhanas com os tributos, no dever ser caracterizado como tal, tendo em vista a ausncia

    de seu elemento teleolgico: o ingresso de receitas indispensveis manuteno dos servios

    pblicos devidos pelo Estado.

    Objetivos de sua aprendizagem

    Conhecer os elementos do tributo previstos no art. 3 do CTN, bem como permitir ao aluno a

    diferenciao das diversas espcies de tributos previstos no sistema tributrio nacional

    retratado em captulo especfico na Constituio Federal de 1.988.

    Voc lembra?

    Das discusses judiciais sobre a possibilidade de interrupo do servio pblico prestado

    quando do inadimplemento do usurio, fazendo-se a diferenciao entre servios pblicos

    compulsrios e no compulsrios, impossibilitando a soluo de continuidade com

    fundamento no prprio regime de direito pblico, bem como os servios pblicos comuns,

    aplicao do Cdigo de Defesa do Consumidor, em razo da poltica tarifria vigente, como

    forma de garantir a qualidade do servio prestado.

    1.1. INTRODUO

    O Direito Tributrio ramo autnomo do direito pblico, tendo por objeto o

    conjunto de normas jurdicas que tenham por finalidade a instituio, arrecadao e

    fiscalizao dos tributos.

    Ao analisarmos a relao do Direito Tributrio com o Direito Financeiro,

    correto dizer que o primeiro responsvel pelos ingressos de receitas pblicas derivadas,

    como produto da atividade de tributao, e o segundo, se preocupa com toda a atividade

    financeira do Estado, no s o ingresso de receitas derivadas, mas, tambm, das receitas

    primrias (a exemplo do exerccio supletivo de atividade econmica pelo Estado), bem como

    regulamenta a realizao das despesas pblicas e oramento.

  • A lei n 4.320/64 instituiu normas gerais de direito financeiro para elaborao e

    controle dos oramentos e balanos da Unio, dos Estados, dos Municpios e do Distrito

    Federal, classificando o tributo como receita derivada das entidades de direito publico, que

    por sua vez, compreende: impostos, taxas e contribuies. O produto de sua arrecadao

    dever ser destinado manuteno e expanso das atividades essenciais devidas pelo Estado

    (competncia administrativa), que podem ser classificadas em: a) servios pblicos; b)

    interveno no domnio econmico; e, c) exerccio regular do poder de polcia.

    As receitas derivadas (tambm conhecidas como receitas mediatas, receitas no

    patrimoniais) so aquelas que o Estado aufere do patrimnio dos indivduos da comunidade,

    em decorrncia de ordem poltica estabelecida a partir da Constituio Federal vigente, so

    receitas oriundas da transferncia monetria efetuada por terceiros, coercitivamente, em favor

    do Estado (hiptese de expropriao consentida).

    J, as receitas originrias, so fontes imediatas que o Estado aufere a partir das

    suas prprias fontes de riqueza, seja em razo de seu patrimnio rendoso, ou do exerccio de

    uma indstria ou de um comrcio.

    Ainda nesta parte introdutria, faz-se necessrio o estudo dos conceitos de

    fiscalidade, extrafiscalidade e parafiscalidade; vejamos:

    a) Fiscalidade: o tributo considerado como instrumento fiscal quando o escopo

    do Estado-Fisco com a sua instituio to somente a arrecadao de recursos financeiros.

    Utiliza-se a denominao de tributo quando esse tem funo predominantemente fiscal, para

    manuteno do aparato Estatal;

    b) Extrafiscalidade: a situao jurdica decorrente da circunstncia ftica em

    que a instituio do tributo no tem por finalidade imediata a arrecadao de numerrio, mas a

    interveno na seara econmica como forma de correo de algumas distores (exemplo do

    equilbrio do cmbio, competitividade do produto nacional no mercado global). Como a

    interveno na economia deve ser imediata, no havendo tempo hbil para a tramitao de

    projeto de lei prevendo a medida, respeito ao princpio da legalidade, a prpria Constituio

    Federal, admitindo a funo extrafiscal, permite a alterao de alquota (e no a base de

    clculo) atravs de Decreto expedido pelo Presidente da Repblica, nos casos de Imposto de

    Importao (II), Imposto de Exportao (IE), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e

    Impostos sobre Operaes Financeiras (IOF), como exceo ao princpio da legalidade,

    previsto no art. 153, 3, da CF;

  • c) Parafiscalidade: o tributo parafiscal tem por objetivo a arrecadao de recursos

    destinados s entidades, que exercem funo social relevante, e no esto inseridas na

    estrutura do Estado, podendo inclusive ter a estrutura de pessoa jurdica de direito privado, a

    exemplo do sistema S, que composto: SESI, SENAI, SESC, SENAC, SEST, SENAT, etc.

    Estes tributos podem ou no ser arrecadados pelas prprias entidades

    beneficiadas, a exemplo do que acontecia com as contribuies sociais que eram arrecadas

    pela Secretaria da Receita Previdenciria, rgo do INSS, autarquia federal responsvel pelo

    recolhimen