apostila tgp p2 ninacrisvivielisadessa (1)

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  • 1. COMPNDIO DE TGP P2 AO6. Classificao das Aes6.1. Classificao GeralNa verdade, o que se classifica a tutela jurisdicional. A classificao tradicional foifeita com base na natureza da tutela (providncia) jurisdicional a ser prestada, pormcada dia mais perde fora, porque, hoje, parte-se da premissa de que a ao poder deacesso justia, poder autnomo que no comporta qualificao alguma. 1) Ao (=tutela) de conhecimentoAo que visa a uma sentena de mrito sentena que acolha ou rejeite o pedido doautor , a um julgamento da causa (da lide). Esta ao enseja um processo deconhecimento.A sentena pode ser de duas espcies: a) Procedente: se acolher o pedido do autor. b) Improcedente: se rejeitar o pedido do autor.Subdivises das sentenas de mrito conforme sua natureza: a) Sentenas declaratrias b) Sentenas constitutivas c) Sentenas condenatriasAssim tambm se subdivide tradicionalmente a ao de conhecimento em: a) Aes de conhecimento Declaratrias: visam a uma sentena que apenas declare a existncia ou inexistncia de uma relao jurdica ou a autenticidade ou falsidade de um documento. (Art. 4, CPC) O interesse do autor pode limitar- se declarao.Art. 4o O interesse do autor pode limitar-se declarao:I - da existncia ou da inexistncia de relao jurdica;II - da autenticidade ou falsidade de documento.Pargrafo nico. admissvel a ao declaratria, ainda que tenha ocorrido a violaodo direito.Exemplos: (No CPC) sentenas declaratrias de paternidade; sentenas de procednciade ao de uso capio (declara que aquele que est de posse do imvel o seuproprietrio), ao declaratria de inexistncia de dvida ou de dbito (estas ltimas somuito comuns e pretendem a declarao da inexistncia de uma dvida), alm disso,pode-se propor uma ao visando a declarao da autenticidade ou da falsidade de um

2. COMPNDIO DE TGP P2documento. No CPP, outro exemplo a sentena que declara extinta a punibilidade aqual pode ser prolatada em sede de habeas corpus (art. 647, 61 CPP). b) Aes de conhecimento Constitutivas: visam a uma sentena de mrito que, alm de declarar que o autor tem razo no que pede, criem modifiquem ou extingam uma relao jurdica. Trata-se de modificar a situao jurdica na qual o autor se encontra.Exemplos: (No CPC) sentena de procedncia de ao de divrcio (extino do vnculoconjugal), todas as sentenas de procedncia de anulao de atos jurdicos (anulatrias)como as sentenas de procedncia de ao de interdio, sentena de procedncia deanulao de contrato por vcio de consentimento. No CPP, art. 621, art. 622 e art. 626que tratam da reviso criminal.Art. 621. A reviso dos processos findos ser admitida:I - quando a sentena condenatria for contrria ao texto expresso da lei penal ou evidncia dos autos;II - quando a sentena condenatria se fundar em depoimentos, exames ou documentoscomprovadamente falsos;III - quando, aps a sentena, se descobrirem novas provas de inocncia do condenadoou de circunstncia que determine ou autorize diminuio especial da pena.Art. 622. A reviso poder ser requerida em qualquer tempo, antes da extino da penaou aps.Pargrafo nico. No ser admissvel a reiterao do pedido, salvo se fundado emnovas provas.O art. 626 deixa claro o carter constitutivo de modificao da situao jurdica.Art. 626. Julgando procedente a reviso, o tribunal poder alterar a classificao dainfrao, absolver o ru, modificar a pena ou anular o processo.Pargrafo nico. De qualquer maneira, no poder ser agravada a pena imposta peladeciso revista. c) Aes de conhecimento Condenatrias: visam a uma sentena de mrito que declare que o autor tem razo no que pode, porm, que contenha um plus que a diferencie das demais sentenas, qual seja, a imposio do cumprimento de uma prestao.Todas as sentenas de mrito, de procedncia ou improcedncia so declaratrias.Todas as sentenas de mrito, portanto, tm um elemento declaratrio, porquedeclaram se o autor tem ou no tem razo no que pede. As constitutivas econdenatrias se diferenciam da declaratria por ter caractersticas a mais.As aes de conhecimento condenatrias, alm do elemento declaratrio: I) Impem ao ru o cumprimento de uma prestao; 3. COMPNDIO DE TGP P2 II) Constituem ttulo executivo, ou seja, podem amparar uma execuo, servindo de base a essa execuo. Isso significa que, caso o ru no cumpra espontaneamente a prestao imposta, o autor pode obriga-lo execut-la.Exemplos: aes indenizatrias (por dano moral, material), ao de cobrana. Asentena de procedncia de tais aes condenatria. Art. 475-N, I e Art. 475-J, CPC.Art. 475-J. Caso o devedor, condenado ao pagamento de quantia certa ou j fixada emliquidao, no o efetue no prazo de quinze dias, o montante da condenao seracrescido de multa no percentual de dez por cento e, a requerimento do credor eobservado o disposto no art. 614, inciso II, desta Lei, expedir-se- mandado de penhorae avaliao.Tal artigo diz que quando a obrigao no for cumprida, o ru ter 15 dias depois deintimado para efetuar o pagamento. Do contrrio, receber multa e sero penhorados,avaliados e depois expropriados os seus bens (vendidos) para fazer dinheiro e pagar oque devido ao autor isto a chamada execuo, e se faz no mbito do mesmoprocesso de conhecimento.Modificao recente: antes da reforma no CPC, o autor de posse de uma sentenacondenatria tinha que propor outra ao (de execuo) que dava causa a um processode execuo. Pela leitura, contudo, do art. 475-J se verifica que no existe mais umprocesso diverso formalmente diferenciado do processo de conhecimento, ou seja, aexecuo feita em continuao ao processo de conhecimento (no h novo processo deexecuo).Neste caso de processo de conhecimento de sentena obrigatria de condenaopecuniria, no se teria mais um processo de conhecimento apenas, mas umPROCESSO SINCRTICO por dar lugar no somente atividade de conhecimento(prestar tutela de conhecimento), mas tambm tutela executiva. No haveria apenasjulgamento da causa, prolao de uma sentena de mrito, mas tambm execuo dojulgado.Art. 457-N mostra que h outras condenaes, alm das pecunirias.Art. 475-N. So ttulos executivos judiciais:I - a sentena proferida no processo civil que reconhea a existncia de obrigao defazer, no fazer, entregar coisa ou pagar quantia;Sentenas de improcedncia: so sempre e to somente declaratrias, pois dizem que oautor no tem razo naquilo que pede. No h sentena de improcedncia condenatriaou constitutiva. Dessa forma, o que nos interessa classificao so as sentenas deprocedncia.Pode haver sentena constitutiva e condenatria?Depende de quantos captulos decisrios a sentena tiver. Normalmente, a sentenacontm o captulo principal (declaratrio, constitutivo ou condenatrio) e, alm disto, 4. COMPNDIO DE TGP P2um captulo acessrio, relativo s custas e aos honorrios que , portanto, condenatrio.Quando a sentena tem de se pronunciar acerca de dois pedidos, pode ser que oscaptulos principais (no caso um para cada pedido) possam ser um declaratrio e o outrocondenatrio, por exemplo.Sucumbncia: sempre condenatria, impe o pagamento de custas e de honorrios. Classificao de Pontes de MirandaA classificao das aes de conhecimento tradicional ternria, porm, a maismoderna, acolhida por muitos autores quinria (Pontes de Miranda).Pensamento de Pontes: Ao condenatria aquela que constitui ttulo executivo a serexecutado em processo autnomo em mbito diferenciado. Se a execuo pode ser feitano mbito do mesmo processo, ento, no mais condenatria, mandamental ou executiva lato sensu.Crtica: hoje a execuo feita em mbito do mesmo processo, portanto, amandamental e a executiva lato sensu tambm so executadas no mbito do mesmoprocesso. Dessa forma, a razo da distino se esfumaa, se esvai.Tal classificao moderna acrescenta dois outros tipos de ao: d) Aes Mandamentais: visam a uma sentena de mrito que se resolva em uma ordem dirigida a algum (normalmente autoridade pblica, mas no exclusivamente) para fazer ou deixar de fazer alguma coisa. Obrigaes de fazer ou no fazer.Exemplos: sentena concessiva de mandado de segurana (pretende a proteo dedireito incerto), pois se resolve numa ordem dirigida a algum para que faa ou deixe defazer alguma coisa. Se uma empresa concessionria de energia eltrica corta o fornecimento de energia do consumidor A que est inadimplente. Ela tem direito de fazer isso? A empresa cortando a energia eltrica est agindo em autotutela (meio de compelir o consumidor a quitar os dbitos). O meio correto de satisfazer tal pretenso deveria ser mediante ao de cobrana em juzo (ao condenatria). Se em uma instituio particular de ensino superior, o aluno no pagar as ltimas mensalidades, e a instituio disser que, em razo da inadimplncia, o estudante no ir receber seu diploma. Pode ela fazer isso? Em princpio, as duas condutas referidas (tanto da empresa de energia eltrica quanto da instituio de ensino) so ilegais, no podendo ser adotas. O remdio legal contra tais comportamentos o mandado de segurana, que serve para compelir o ru a fazer ou deixar de fazer alguma coisa (que se abstenha de cortar o fornecimento de energia 5. COMPNDIO DE TGP P2 eltrica, ou que entregue o diploma independentemente do pagamento das mensalidades). Em caso de se contratar um marceneiro para trabalhar em uma casa, sendo for pago pela elaborao de mveis. Em ele no os entregando, a pessoa que contratou o servio pode entrar com uma ao de cumprimento da obrigao de fazer contra o marceneiro para obriga-lo a realizar o contratado.Art. 461, CPC: Na ao que tenha por objeto o cumprimento de obrigao de fazer ouno fazer, o juiz conceder a tutela especfica da obrigao ou, se procedente o pedido,determinar providncias que assegurem o resultado prtico equivalente ao doadimplemento. 5o Para a efetivao da tutela especfica ou a obteno do resultado prticoequivalente, poder o juiz, de ofcio ou a requerimento, determinar as medidasnecessrias, tais como a imposio de multa por tempo de atraso, busca e apreenso,remoo de pessoas e coisas, desfazimento de obras e impedimento de atividade nociva,se necessrio com requisio de fora policial. e) Aes Executivas Lato sensu: visam a uma sentena de mrito que im