apostila tecnica vocal

Download Apostila Tecnica Vocal

Post on 16-Dec-2015

233 views

Category:

Documents

11 download

Embed Size (px)

DESCRIPTION

Curso Básico

TRANSCRIPT

TCNICA VOCAL: guia bsico para professores

TCNICA VOCAL:Guia bsico para professoresTrabalho realizado por:

Filomena Cabral Rocha

Liliete Maria Silvestre Mestre

M Adelaide Amaro Rebelo

M Jlia Jesus Miguel

(Grupo Atmico)

Lisboa, Novembro de 2002.Minha Voz, Minha Vida.Minha voz, minha vidaMeu segredo e minha revelaoMinha luz escondidaMinha bssola e minha desorientaoMinha voz precisaVida que no menos minha que da cano

Por ser feliz, por sofrer, por esperar eu cantoPor ser feliz, pra sofrer, para esperar eu canto

Meu amor, acrediteQue se pode crescer assim pra nsUma flor sem limite somente porque eu trago a vida aqui na voz

Caetano VelosoSumrio41. Introduo

52. O aparelho fonador

83. Exerccios de aquecimento vocal

94. A respirao

104.1. Postura

101.Ps:

102.Pernas:

113.Quadris:

114.Abdmen:

115.Costas:

116.Trax:

117.Ombros:

118.Braos e mos:

119.Cabea:

124.2. Apoio respiratrio

124.3. Exerccios respiratrios

144.4. Exerccios para desobstruo as vias respiratrioas

144.5. Exerccios respiratrios com produo de som

165. Exerccios de colocao de voz

186. Relaxamento

186.1. Exerccios de relaxamento

196.2. Exrccios para a flexibilidade dos rgos vocais

191 - MAXILARES

192 - PALATINO

193 - LNGUA

204 - PARA OS LBIOS

217. Higiene vocal

238. Teste: Cuida bem da sua voz?

249. Concluso

2610. Bibliografia

27ANEXOS

28EXERCCIOS PARA ARTICULAO DAS CONSOANTES

31Marcao de pausas de respirao nos textos:

34Textos aglutinados:

35EXERCCIO PROPOSTO TURMA NO DIA 6/11/2002

1. Introduo

Para um professor, a voz o seu instrumento dirio de trabalho mais precioso. a voz que nos possibilita exercer a nossa funo enquanto professores e sem ela dificilmente saberiam nos comunicar, interagir com os nossos alunos e transmitir-lhes conhecimento.

Todos ns, como professores, sabemos como complicado usar a voz correctamente e, embora por vezes tenhamos conscincia da alguns erros que cometemos enquanto falamos, raramente conhecemos o modo como os podemos corrigir, facilitando-nos uma correcta utilizao da voz.

Contudo, estamos cientes de que um mau uso da nossa capacidade vocal pode conduzir, por um lado, a dificuldades no processo de ensino-aprendizagem, e por outro, a problemas do foro fisiolgico, que acabaro por comprometer o bom desempenho do professor e mesmo a sua sade.

Assim, e por considerarmos importante criar um meio de ajudar aqueles que, como ns, so professores e no sabem como actuar para melhorar a sua tcnica vocal, decidimos compilar os conhecimentos que nos foram transmitidos durante a aco de formao Curso de Prtica Vocal, organizada pelo Instituto Irene Lisboa, e conduzida pelo Dr. Marco Mascarenhas, para faz-los chegar aos nossos colegas de profisso.

A todos aqueles que venham a tomar conhecimento deste trabalho, desejamos que possam fazer bom uso destas tcnicas e sugestes, e que lhes sejam teis no seu dia-a-dia.2. O aparelho fonador

A produo de som pelos seres humanos, e j que no possumos nenhum aparelho exclusivamente destinado a esse fim, envolve a aco de vrios rgos que, em conjunto, tornam possvel a obteno de sons.

Designa-se por aparelho fonador o conjunto dos rgos que permitem produzir sons, e divide-se em cinco partes [1]:Parte

Componentes

Funo ProdutoresPulmes, msculos abdominais, diafragma, msculos intercostais, msculos extensores da coluna.

- Produzem a coluna de ar que pressiona a laringe, produzindo som nas cordas vocais.Vibrador

Laringe

- Produz som fundamental.

RessonadoresCavidade nasal, faringe, boca.- Ampliam o som.

ArticuladoresLbios, lngua, palato mole, palato duro, maxilar inferior.- Articulam e do sentido ao som, transformando sons em orais e nasais.

SENSOR / COORDENADOROuvido - capta, localiza e conduz o som; crebro - analisa regista e arquiva o som.- Captam, seleccionam e interpretam o som.

A produo do som resulta, basicamente, da passagem do ar pela laringe, onde se situam as cordas vocais. A laringe situa-se na parte mediana do pescoo e composta por trs anis de cartilagem, dentro dos quais esto as cordas vocais.

A laringe possui uma grande mobilidade, podendo assumir vrios movimentos, consoante o tipo de som que emitido.

As cordas ou pregas vocais (figura 1) so pequenos msculos com grandeelasticidade. So classificadas em verdadeiras (com cerca de 1 cm nos homens e at 1,5 cm nas mulheres) e falsas. As verdadeiras esto na parte inferior da laringe e as falsas na parte superior. O som da voz normal produzido pelas verdadeiras e o falsete pelas falsas.

Entre as pregas vocais verdadeiras e as falsas, encontra-se uma fenda, o ventrculo da laringe, que uma das primeiras caixas de ressonncia que o som encontra para a sua amplificao.

Durante a respirao, o ar inspirado passa pelas cordas vocais que permanecem abertas, enquanto que na expirao, elas fecham, e o ar faz presso, causando uma vibrao que produz o som. Assim, podemos concluir que a voz produzida durante o processo de respirao.

As pregas vocais fazem um movimento alternado de abrir e fechar, ou seja, quando estamos calados elas esto abertas (momento da respirao) e quando falamos ou cantamos elas fecham-se (momento da fonao). Figura 1 [2]Contudo, elas tambm executam outros movimentos, como por exemplo, o choque entre elas quando so submetidas a abusos vocais como: gritos, pigarreios e tosses excessivas, ou ao uso de tons graves ou agudos demais, competio sonora, etc.. Estes choques podem prejudicar gravemente as pregas vocais.Os excessos vocais podem provocar alteraes tais como:

Calos vocais: so ndulos que se formam nas bordas das pregas vocais, como defesa do traumatismo que sofrem devido emisso vocal inadequada.

Plipos: podem resultar da evoluo de ndulos, e s podem ser removidos cirurgicamente.

Edemas

Fendas

Entre outras alteraes ocasionadas pelas constantes formas de abuso vocal.

Conhecer bem a anatomia e a produo da voz, o funcionamento do aparelho fonador, e o quanto as pregas vocais so sensveis e frgeis, leva-nos a valorizar e cuidar melhor da nossa voz, preservando-a e protegendo-a do eventual aparecimento de problemas.3. Exerccios de aquecimento vocal

O aquecimento vocal to importante para o professor / comunicador como o aquecimento fsico para um atleta, pois pode evitar leses. Este aquecimento no deve ser muito demorado, sendo suficientes cinco minutos de exerccios. Demasiado tempo de aquecimento acabar por ser prejudicial, podendo at produzir uma distenso das cordas vocais. Alm disso, um maior tempo de exerccios de aquecimento, e ao contrrio do que possa parecer, resultar em pouca produtividade no desempenho vocal que se segue a este perodo.

Depois de acordarmos, o aparelho fonador demora cerca de duas horas a aquecer. Se necessitarmos de us-lo antes desse tempo, convm efectuar breves tcnicas de aquecimento, tais como:

1. Encha as bochechas de ar e massaje o queixo com o polegar em crculos pequenos.

2. Encha uma bochecha de ar e empurre-o dentro da boca, de bochecha em bochecha, cerca de dez vezes em cada uma delas, sem mexer o maxilar. Pode ajudar com a mo, segurando as bochechas, para evitar mexer o maxilar.

3. Abrindo ligeiramente a boca, comprima o interior de cada bochecha, alternadamente, com a ponta da lngua. Repita dez vezes.

4. Faa estalidos com a lngua, colocando-a entre o palato duro e a base da lngua.

5. Abrindo ligeiramente a boca, solte o maxilar. Estique a lngua at conseguir chegar ao queixo. Conte mentalmente at dez. Repita o ponto 4.

6. Mantendo o maxilar solto, estique a lngua tentando chegar ponta do nariz. Conte mentalmente at dez. Repita o ponto 4.

7. Mantendo o maxilar solto, estique a lngua horizontalmente para fora e recolha-a rapidamente. Repita dez vezes. Repita o ponto 4.

8. Com o maxilar solto e a boca ligeiramente aberta, empurre suavemente o cano da laringe, com os dedos, de um lado para o outro.

Importante: No emita qualquer som enquanto efectua este exerccio.

9. Mova o maxilar verticalmente, para cima e para baixo, com os lbios fechados, mas sem fazerem fora, como se mastigasse a letra m.4. A respirao

Os professores que usam muito ar durante a aula esto sujeitos a uma elevada presso de ar exercida pela sua passagem na laringe. Esta presso, feita pela base pulmonar, quando sobrecarregada pelo excesso de ar, dificulta o controlo da fala do professor, que acaba por desenvolver toques bruscos com as pregas vocais enquanto fala. Assim, contrai a regio do pescoo e at mesmo os ombros e a face, o que leva produo de sons desagradveis que podem conduzir rouquido.

O principal msculo da respirao o diafragma, situado na base dos pulmes: quando inspiramos, o diafragma estendido, tornando-se quase plano, deslocando a cavidade abdominal e ampliando a cavidade torcica; quando expiramos, o diafragma sobe. A respirao, sempre que possvel, deve ser nasal (ainda que seja de boca aberta), pois assim o ar filtrado e aquecido pelas narinas.

Devemos encher profundamente os pulmes, sem levantar os ombros. Se elevarmos as costelas e as clavculas, mantendo os msculos abdominais contrados, e erguermos os ombros, estamos a fazer uma respirao forada com consequncias graves para a nossa voz.

Quando fazemos , por vezes, uma leitura expressiva, precisamos controlar o tempo de entrada e sada do ar. Precisamos dosear a sada do ar conforme a extenso das frases e a inspirao tambm deve surgir num momento preciso, de acordo com a pontuao do texto.